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Pessoas com deficiência visual e o acesso à informação

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Academic year: 2017

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Temática 2: Direito à Informação, Acesso à Informação e Inclusão Social

Pessoas com Deficiência Visual e o Acesso a Informação

Maria Aniolly Queiroz Maia

[email protected]. Universidade Federal do Rio Grande do Norte Maria da Conceição Q. Maia

[email protected]. Faculdade de Natal Marcia Valéria Alves

[email protected]. Universidade Federal do Rio Grande do Norte Samya Maria Queiroz Maia

[email protected]. Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial Thiago Rodrigues Dantas

[email protected]. Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial Antônia de Freitas Neta

[email protected]. Universidade Federal do Rio Grande do Norte

RESUMO Expõe considerações a respeito dos portadores de necessidades especiais, das pessoas com deficiência, um enfoque parcial sobre as doenças degenerativas da visão, e uma atenção especial para as pessoas com deficiência visual, objeto de estudo da pesquisa desenvolvida. Estabelece um resgate da evolução dos métodos que possibilitaram a essas pessoas registrar e decodificar informações na forma escrita até o surgimento do Sistema Braille. Destaca ainda os suportes e as formas de registro da informação no mencionado sistema, e aponta nominalmente os novos recursos decorrentes do advento das novas tecnologias.

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1 Introdução

A constatação da importância e necessidade da informação para a execução de qualquer atividade na sociedade contemporânea, evidenciada pelo advento das novas tecnologias, tem levantado diversas questões a respeito do valor da informação e a quem ela se destina.

Independente das muitas formas de limitações existentes, todas as pessoas são capazes de determinadas realizações, com direitos e deveres igualitários.

A sociedade de forma geral, precisa entender que as pessoas com alguma necessidade especial possuem também capacidades e possibilidades de realizações de ações sob quaisquer aspectos.

A deficiência é na verdade toda a ausência ou perda de uma estrutura ou função do indivíduo que cause a incapacidade para o desempenho de determinadas atividades habitualmente consideradas comuns para o ser humano.

O artigo apresenta de forma geral, uma teorização acerca das pessoas com deficiência, inserindo-se mais aprofundadamente nas especificações próprias das pessoas com deficiências visuais (pessoas cegas ou com baixa visão), elencando as prováveis dificuldades que elas enfrentam no acesso a informação, apresentando alternativas de recursos utilizadas ao longo do tempo, que facilitam o acesso aos meios informacionais existentes.

2 Pessoas com Deficiências

A cultura dominante tem valorizado apenas aqueles que são considerados fortes, que se enquadram nos padrões (estéticos, culturais, religiosos, etc.) impostos pela sociedade, excluindo os que não se encaixam nos respectivos padrões. Essas pessoas, a quem a sociedade denomina deficientes (ou Pessoas com Necessidades Especiais) sofrem com a

discriminação e com preconceitos gerando a exclusão social.

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distintas e as pessoas com altas habilidades. Na verdade, toda pessoa com deficiência tem necessidades especiais, mas, nem toda pessoa com necessidades especiais tem deficiência. Assim, tomando como base Cohen (1998), a conscientização de que existem pessoas que necessitam de uma atenção especial, e que entre elas estão algumas com determinadas deficiências, atualmente representa um dos maiores desafios no sentido de tornar iguais às oportunidades existentes.

Sobre essa particularidade, o Instituto Benjamin Constant (2005), afirma que a pessoa com deficiência apresenta reduções ou perdas de sua estrutura ou função anatômica, fisiológica, psicológica ou mental, que cause a incapacidade de executar atividades consideradas comuns. Tais deficiências podem ocorrer devido a uma má formação genética, quando a mesma é congênita, ou ser adquirida pelo indivíduo no decorrer da vida.

Segundo o Instituto Pró Cidadania (2003), as deficiências mais comuns estão classificadas em: deficiências físicas (motoras); paralisia cerebral; deficiência mental; síndrome de Down; deficiências múltiplas; e deficiência sensorial que se divide em deficiência auditiva e deficiência visual. Ainda segundo os materiais pesquisados, tais

deficiências, apresentam definições que nos levam a uma melhor compreensão do tipo estudado no decorrer da pesquisa:

Deficiência física: perda ou redução da capacidade motora, podendo, dependendo do

tipo de limitação motora, especificar-se com várias denominações. Os tipos de limitação motora mais freqüente são: a paraplegia, a tetraplegia, a hemiplegia, a amputação e a má formação congênita.

Paralisia cerebral: limitação psicomotora, causada pela lesão em uma, ou mais áreas

do sistema nervoso central, podendo apresentar diferentes níveis de comprometimento. É comum as pessoas com paralisia cerebral terem movimentos involuntários (espasmos musculares repentinos), que são chamados de esplasticidade (rigidez) ou hipotonia (flacidez). É importante explicar que nem sempre a pessoa que tem paralisia cerebral é afetada em sua parte cognitiva, ou seja, nem sempre é deficiente mental.

Deficiência mental: padrão intelectual reduzido ou consideravelmente abaixo da

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Síndrome de Down: uma anomalia congênita causada por um erro genético

caracterizado por sinais físicos e desenvolvimento mental e motor diferenciado.

Deficiência múltipla: a presença de duas ou mais deficiências, ao mesmo tempo,

numa mesma pessoa. Exemplo: a pessoa que é ao mesmo tempo deficiente físico e visual.

Deficiência sensorial: divide-se em auditiva e visual. Deficiência auditiva: é a perda

total ou parcial da audição. Deficiência visual: é a perda total (cegueira) ou parcial (visão subnormal) da capacidade visual.

2.1 Pessoas com Deficiência Visual e a Informação

Dentre as deficiências citadas, a pesquisa focalizou especificamente a pessoa com deficiência visual, que também tem sido vítima de pré-conceitos estabelecidos pela sociedade com relação à sua capacidade de desenvolvimento de ações. Sobre esta condição, é bom rever o que mostra Coelho (2005, p.16) quando relata que “durante muito tempo os cegos sofreram com a marginalização observada em todas as culturas. Eles foram discriminados, amaldiçoados e até o século XVI, muitos viviam na mendicância”.

A deficiência visual é a ausência, em parte ou total, da capacidade de enxergar, diagnosticada como cegueira ou baixa visão (visão subnormal). Sobre esta divisão, considerada importante para o estudo proposto, Tibola ([19--], p.21, grifo nosso), apresenta uma distinção entre Cegueira e Visão subnormal, quando diz que:

Cegueira: é a perda total e/ou resíduos mínimos de visão, que leva o

individuo a necessitar do ‘Sistema Braille’, como meio de leitura e escrita, além de outros equipamentos específicos para o desenvolvimento educacional e integração social.

Visão subnormal: trata-se da pessoa que possui resíduo visual que

possibilita ler impressos a tinta, de forma ampliada, ou com uso de equipamentos específicos.

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imperceptível dificultando um diagnóstico de forma preventiva, que possibilite um tratamento adequado, ou como afirma Silva (2004), há os casos de cegueira adquirida de forma súbita, gerada por acidentes que podem ocorrer em qualquer faixa etária.

Dentre as inúmeras restrições ocasionadas pela deficiência visual (restrição de locomoção, de reconhecer ambientes, de ter noção de tamanho quando este ultrapassa seu campo tátil, entre outros), a mais séria, é provavelmente, o acesso direto aos instrumentos de comunicação sob a forma escrita, usados pela grande maioria da população. Pois “para os deficientes visuais, a grande dificuldade no processo informacional está relacionada ao acesso a documentos escritos em sistema adequado” (SILVA; TURATTO; MACHADO, 2002, p. 09).

Sendo assim, é essencial que as dificuldades de acesso à informação sejam minimizadas, ou eliminadas, para que a formação cultural, educacional e profissional das pessoas com deficiência visual, não seja comprometida. Sobre o assunto, teóricos estabeleceram fatores que contribuem decisivamente para o referido processo ao definirem que:

Dentre as maiores dificuldades enfrentadas pelas PNEEs com limitação visual em relação ao acesso a informação podem-se destacar: a baixa produção de materiais especiais adaptados, como livros em Braille; o custo elevado de equipamentos, como as impressoras Braille; o acesso as Tecnologias Assistivas/Adaptativas; acervo das bibliotecas adquirido por doações, sem critérios de seleção, entre outros (ESTABEL; MORO; SANTAROSA, 2006, p.129).

Preocupada com a situação, a UNESCO, declarou em 1990, que para que seja possível minimizar tal dificuldade de acesso é preciso entender que:

Todos os instrumentos disponíveis e os canais de informação, comunicação e ação social podem contribuir na transmissão de conhecimentos essenciais, bem como na informação e educação dos indivíduos quanto a questões sociais. Além dos instrumentos tradicionais, as bibliotecas, a televisão, o rádio e outros meios de comunicação de massa podem ser mobilizados em todo o seu potencial, a fim de satisfazer as necessidades de educação básica

para todos (UNESCO, 19901).

Atualmente, mesmo com certas restrições, o acesso às fontes de informações, pelos deficientes visuais já é possível através de diversos suportes e veículos de comunicação, que contam com o auxilio das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação - NTICs, desde o

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refinamento dos suportes e instrumentos existentes, ao surgimento de outros mais sofisticados e de preços mais acessíveis, sempre indispensáveis para o desenvolvimento de um trabalho com qualidade.

Sobre o assunto, Ochaita e Rosa (1995, p.194), afirmam que “o acesso à informação escrita, por parte dos cegos, pode ser feito de diferentes maneiras, [...]. Porém o sistema mais utilizado atualmente e que comprovou amplamente sua eficácia é o Braille”.

Segundo a Associação Catarinense para Integração do Cego (2009), o Sistema Braille é um código universal desenvolvido, no ano de 1825, pelo Francês, Louis Braille, enquanto estudante do Instituto dos Jovens Cegos, depois de conhecer a invenção desenvolvida por Barbier. O referido sistema representado por um método que consiste na leitura da escrita através do tato, é considerado um marco importante e indispensável para a educação e a integração dos deficientes visuais na sociedade.

O sistema Braille, apesar de ainda ser o método de escrita e leitura mais utilizado e ter evoluído em termos de suportes, não é o único recurso usado para que os deficientes visuais tenham acesso à informação. O avanço tecnológico dos últimos anos vem proporcionando, o surgimento de outros valiosos recursos para facilitar o referido acesso, que conforme Manoel (2006, p.5), está representado por:

Thermoform: duplica os materiais (produzindo relevo em película de PVC) através do emprego de calor e vácuo. Assim, os materiais com relevo podem ser duplicados através desse processo. Com o produto produzido pelo Thermoform a pessoa com deficiência visual tem a idéia de qual a forma dos objetos tais como, mapas, paisagens, figuras de animais, etc.

Microcomputador: quando equipados com programas adequados e de diferentes periféricos (como os Sintetizadores de Voz, teclado e Impressora Braille), podem ser operados facilmente por pessoas cegas, ampliando os recursos usados na área da educação para as pessoas com deficiência visual.

Sintetizador de Voz: permite o resgate de informações, normalmente exibidas em um monitor, através do som. Atualmente existem no mercado diversos sintetizadores de voz.

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Scanner de Mesa: faz a transferência de textos impressos para o microcomputador, podendo o texto digitalizado ser lido através de um sintetizador de voz, ser impresso em Braille ou ainda ser lido com um sistema comum ampliado.

Apesar da existência dos recursos tecnológicos voltados para propiciar o acesso das pessoas com deficiência visual às informações, ainda são muitas as barreiras informacionais enfrentadas por esse segmento da população, desde os suportes, instrumentos e estruturas físicas e institucionais, como também de profissionais que lidem com a referida clientela. Partindo desse entendimento, é necessário que os profissionais de diversas áreas tais como: o profissional da área de informática, os jornalistas, os psicólogos, os pedagogos, os radialistas, e os bibliotecários, estejam aptos e comprometidos politicamente com a diminuição ou eliminação das barreiras citadas, através de ações adequadas que contribuam efetivamente para o crescimento da pessoa com deficiência visual.

Além dos diversos profissionais, é indispensável também o comprometimento de instituições que trabalham com a informação, que podem e devem ajudar nesta tarefa, tais como as escolas, editoras, empresas de publicidades, bibliotecas, entre outras, visto que, fica mais difícil levar adiante qualquer proposta de inclusão das pessoas com deficiência visual sem um suporte institucional.

3 Considerações Finais

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People with Visual Impairment and Access to Information

ABSTRACT: It exposes some considerations concerning people with special needs, with disabilities, focusing partially on degenerative sight diseases and a special attention on visually impaired people, the object of study in the research. It is also highlighted a review of the evolution of some method which enabled those people to register and decode written information until the development of the Braille system. It highlights the support and the ways of information registration on the mentioned system and shows the new sources that the technology has come up with.

KEYWORDS: Access to Information. Visually Impaired. Information Retrieval.

Referências

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Doenças que podem causar a cegueira. 2009. Disponível em:

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