28/07/2016 FGV cria comitê para discutir segurança pública Jornal O Globo
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FGV cria comitê para
discutir segurança
pública
Primeira reunião do grupo foi na última terça-feira
POR CARINA BACELAR
28/07/2016 8:40 / atualizado 28/07/2016 9:58
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Marco Aurelio Ruediger, diretor da FGV/DAPP, também coordena o comitê Paula Giolito (21/09/2012) / O Globo
RIO A Fundação Getúlio Vargas (FGV) lançou, na última terçafeira, o Comitê Permanente de Segurança Pública com Cidadania para discutir questões relacionadas ao tema no âmbito estadual e no federal. O grupo terá entre seus membros permanentes, além de pesquisadores, gestores e exgestores na área de segurança pública, como Alberto Pinheiro Neto, excomandante da Polícia Militar do Rio, Luiz Fernando Corrêa, Coordenador de Segurança para a Olimpíada, e o delegado Rodrigo Teixeira de Oliveira, observador do Comitê de Segurança para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Ao todo, são 14 integrantes, coordenados pelo diretor da FGV/DAPP, Marco Aurelio Ruediger.
A ideia, segundo Ruediger, é "colocar dados cada vez mais acessíveis à
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população", realizar estudos sobre o tema e, a partir da experiência dos gestores e exgestores em Segurança Pública, pautar propostas mais realistas de "estratégias possíveis" para os problemas do setor.
O comitê, que vai produzir levantamentos a partir de bancos de dados e informações captadas de redes sociais para embasar suas discussões, promete acompanhar o desenrolar do esquema de Segurança Pública para os Jogos. Em setembro, em sua segunda reunião, haverá um balanço dos acertos e falhas do esquema. Mas a preocupação dos pesquisadores vai muito além do término das competições, e passa pela crise econômica, a falência dos governos estaduais (como o do Rio) e da falta de uma estratégia nacional de Segurança Pública.
— O problema do Rio de Janeiro é o depois da olimpíada. Quando a gente está olhando a Segurança, você está olhando um vetor que tem uma capilaridade com outros problemas da gestão pública. Não só do estado como do municípios — afirma Ruediger. — Estamos muito preocupados com o país em 2017 em termos de segurança pública. A gente identifica a dificuldade de sustentar as experiências em gestão de Segurança hoje. Existia uma política federal para a Segurança Pública (o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, Pronasci) que foi absolutamente abandonada na gestão de Dilma. E voltou a ser problema unicamente dos estados, quando a gente sabe que os estados tem problemas hoje de se financiarem e financiaram a área de segurança.
Segundo ele, a criação do comitê foi definida a partir de “um entendimento institucional da gravidade da situação” no setor de Segurança, que está longe, segundo o pesquisador, de passar pela figura da policial militar:
— A gente não vê o policial como um problema. Muitas vezes, ele é retratado dessa forma e isso é um equívoco. Acreditamos que ele é um agente do estado que está muito vulnerabilizado também. A gente vê o número de assassinatos de policiais aí, e por outro lado a gente também não quer culpabilizar comunidades ou segmentos sociais. Entendemos que são vítimas sistêmicas de um processo complexo.
Quanto à política das UPPs, que nos últimos meses têm demonstrado viver uma crise, o exsubsecretário de Segurança do Rio Marcio Colmerauer, que também faz parte do comitê, destaca que é impossível chegar à “paz social” apenas com reforço policial:
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As principais notícias do dia no seu e-mail.polícia consegue entregar controle da violência. Paz social quem vai trazer é desenvolvimento econômico e social. A política de pacificação colocou nos ombros das instituições policiais um peso muito grande. Polícia não traz a paz social. Ela consegue estabelecer níveis de controle da violência — destaca.
O coordenador da FGV/DAPP, por sua vez, acredita que a crise das UPPs passa pelo término da política do Pronasci:
— A retirada do apoio federal levou à diminuição dos investimentos sociais e as UPPs se tornaram uma política quase que de ocupação com um treinamento meio deficitário do agente. O que a gente vê é um filho incompleta de uma política federal que foi extinta. E que no caso do Rio, foi expandida de uma forma não exatamente adequada pra capacidade do próprio estado. Ainda que o orçamento da segurança tenha aumentado muito, a eficacidade da aplicação desse recurso não acompanhou o aumento — analisa Ruediger.
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