A PARTICIPAÇÃO DOS ENFERMEIROS
NOS PROGRAMAS DE APERFEiÇOAMENTO·
Lucine Lúcio Peeia**
Paulina Kurcgant***
RES U MO - O estudo busa o con hecimento das facilidades e d ificuldades identiicadas
pelos enfermeiros para a patici pação em pogramas de a perfeiçoamento, oferecidas
tanto pela instituição em que tra balham como por outras instituições. O estudo busa ,
tam bé m , a veriicação da impotância confeida por esses profissionais aos progra mas
e fonecer subs íd ios, com base nos resu ltados obtidos, para o planejamento de
programas d e a pefeiçoamento para a enfermeira . A presente pesqu isa enontra- se
e m fase de coleta de dados, com a adoção da técnia de entrevista realizadas com a
util izaão de u m formulário composto de peguntas semi-estruturadas. As informações
obtidas serão trabalhadas numa proposta quantitativa e qualitativa de análise.
ABSTRACT - The purpose of this study is to identiy reasons why nuses do or do not
take pat in improvement pogra ns ofered either by their place of wok or by other
institutions. It a lso aims at the impotance given to these programs. This data will povide
impotant subsidies for the planning of nusing improvement programs. Data are being
compiled by use of a questionnaire with per-structured questions followed by an inter
view. A quantitative a nd qulitative analysis will be dealt based on this informatio n .
1
INTRODUÇÃO
A ecessidade de aerfeiçomento poissioal
tem sido reforçada pelo avanço tecnológico e elas
constantes muanças sociais que geam no indivíduo
a necessidade de buscar, adquiir, ever e atualir
seus cohecimentos.
o
desevolvimento dos recusos humnos tem
sido um secto consideado exteamente importan
e
e essecial paa o sucesso de uma empesa. Esta
pecuação é evidenciada o último século a Teoria
"y" de McGREOR13 e na ais ecente teoia "z" de
OUCHl. ló
A Teoia
"y
",segu�o seus pessupostos, entede
os indivíduos como sedo esponsáveis e compome
idos com o tablho, o aoio e estimulo da institição
como elemento udamel para o bom desemenho
umano.
A Teoia
"z"dá ade ê�ase
àadmiistação de
essoal e prte de pessuostos que, para o sucesso da
empesa, é essencial o pocesso decisório ser consen
l
e pticipativo. Com esta intenção cooeativa,
isensa ecusos paa o desevolvimento de abili
ades inteessoais necessárias à decisão gupal efe
iva
.
Nota Prévia
Dessa maneia, o desenvolvimento do indivíduo
tem um caráter de continuidade, indeendentemente
do tempo de exercício poissional em detemiaa
ativiade ou istituição.
Ainda em face
s
conquistas sociis a nova
constituição, cabe
s
empresas um eer do siste
a de ecursos humanos, buscando toá-lo mis ágil
e eiciente.8
Também a áea da saúde é ressaltado or vários
autoes como ONÇALVES9, LEITEl l, MARCON
DES12, NEZI5, SIL VAI7 e SL V N8 a imocia
da elaoação de pogmas de desenvolvimento po
issiol para a real consecução dos objetivos orai
acioais.
•
• • Enfeneira. Auxilir de Ensino do Deptmento de Orientação Proisisonal da Escola de Enfenagem da Universidade de São
Paulo I Lotda na disciplina Administração Aplicada à Enfenagem.
...
.
Enfeneira. Professor Assistente Doutor do Depmento de Orientação Proisisonal da Escola de Enfenagem da Univesidade e São Paulo I Lotada na disciplina Administração Aplicada à Enfenagem.Segundo EJÍA,14 os proissioais de saúde, ao
complearem sua formação inicial, estão capacitados
apens paa começar e têm caminhos apontados paa
continuar um processo de educação duante toda a
vida poissioal. Sem esse processo contínuo, a com
petêcia decresce progessivamente, como conse
qüência de uma dinmica iluenciada ela icon
gruência da formação inicial com a realidade da
prática, devido à exeriêcia que tanto ode agupar
e cosolidar ações e condutas pertinentes, quanto
induzirem a ábitos nem sempre válidos, ela falta de
memóia e pelas tansformaçes tzids or novas
tecnologias, mudanças sociais e epidemiológicas, tro
ca de empego e modiicações no ambiente de traba
lho.
Segundo MARCONDES, 12 o empego de estaté
gias de desenvolvimento de recursos humanos, na
área da saúde, teve seu início nos anos 60, tendo sido
pogressivamente adoado, pincipalmente, pelas ins
tituições hospitlares.
O hospital, enquanto sistema assistencial de saú
de, que inteage com o ambiente exteno, se difeencia
como orgnízação complexa, caacterizada por uma
diâmica acelerada de tecologia de conhecimentos e
pocedimentos, fortemente compromissada com a
qulidade. Esses asectos toam impeativa a neces
sidade de pessoal qualiicado.
A enfermagem, atuante no sistema de saúde, am
bém evidencia a necessidade de popostas que levam
a um maior desevolvimento poissional de seu pes
soai . Os enfermeiros buscam novos conhecimentos,
na tentativa de suprir espaços vazios deixados pela
formação básica no cuso de aduação e, de uma
fora mais ampla, buscam toar a enfermagem uma
ciência ela formulação de um copo póprio de co
nhecimentos ..
Em
1 979a Associação Basileia de Enferma
gem2 ealizou o
10Semiário de Educação Continua
da, considerado a imporâcia da aquisição poges
siva de cometência poissional na enfermagem.
Esta cometência se revela na auferição de melhor
qualidade a assistência de enfermagem. Com base
nestes consideandos, este semiário ecomendou às
instituições de saúde a mobilização de esforços ara
a elaboação de pogamas dirigidos paa o aefei
çomento dos poissionais participantes da assistên
cia de enfermagem.
Também, o Minístério da Saúde,5, na articulação
de poostas paa a viabiliação do Sistema Único de
Saúde, considea fundamentl a elaboação de poga
mas de capacitação ermaente, visando a atualização
3 14 R. Bras. Enferm., Brasília, 45 (4) : 3 1 3-3 16, out./dez. 1992
técnica e cientíic� principalmente de enfermeias,
or considerá-ls elemento estatégico na melhoia da
qualidade da assistência pestada.
Os estudos do COFEN/ABEn, 4 sobe Força do
Tbalho em Efermagem, indicam que
8 1 ,2%dos
efermeios no Brsil consideam o ofeecimento re
gular de cursos de aperfeiçoamento e atualiação de
essoal pela istituição ode trabalham, como de
suma imoncia paa a eiciência e satisfação o
trabalho.
,
Entretanto, a prática tem mostrado que embora os
enfermeios solicitem poamas de apefeiçoamento,
quando estes são oferecidos, não contam coma pati
cipa;cão dos solicitntes e, alguas vezes, quando
estes paticipam, não demonstam apoveitamento,
icado os resultados muito aquém do eseado. Isso,
muitas vezes, ocorre mesmo quado os enfermeiros
são consulados quanto às suas necessidades e inte
resses, ou mesmo quando são operacionalizados po
gamas dentro do horio de trabalho, com um gasto
icanceio mínimo para o indivíduo.
ALSPACHI efee que o desenvolvimento de
poamas educaciois em hospitais envolve subs
tancial investimento de tempo, dinheiro e ecursos
humanos. Este asecto acrescido ao desgaste dos in
divíduos envolvidos a fase de planejamento, execu
ção e avaliação dos pogramas toma udamental que
seja avaliado o nível de participação da clientela à qual
o curso se destia, bem como à consecução dos esul
tados esperados.
Pela liteata inteacioal pode-se veriicr
uma crescente peocupação com aspectos relativos à
validade dos poamas de aerfeiçoamento, como
odemos veriicar em estudos de CER ERO,
6COX,7
DUQUETE ..
8No convívio com enfeneiras resgata-se, em suas
falas, explicações para a contradição entre o discurso
e a prática. Isto pode ser apreendido quando os efer
meiros refeem que, não são libeados paa freqüentar
o curso por flta de pessoal; á fala de econhecimen
to, por parte da cheia imediata, da necessidade e da
imorância de participaem de pogrmas de apefei
çomento; falta de temo pa cursos for a do horáio
de abalho; falta de ecursos innceios que viabili
zem a participação; os pogamas não atendem
s
eais exectativas individuais e são ouco elacioa
dos à pática diia.
Pela liteata e pelo vivencial na educação con
tinuada em enfermagem, pode-se aceitar o apefeiçoa
mento de pessoal como sedo "atividades que popi
ciem ao idivíduo oportunidades de apofundamento,
ataliação e ampliação de conhecimento proissio
ais". Estas atividades podem ser realiadas tanto
dentro a instituição, através de euniões cientiicas,
palestas e cursos elaborados, Uistrados ou coorde
ados pela área de Educação Continuada, como foa
dela, aavés de visitas a outas instiuições, cusos de
atualiação, extensão uivesitária e ós-aduação e
aiciação em eventos cono Congessos, Encon
ros, Joadas, etc.I I,17
Faz-se ecessário ambém, o entedimento do
sigicado de apefeiçoamento, uma vez que várias
modalidades de progrmas têm sido poposas e im
plementadas com diferentes denominações. Poém,
ais importante que a termiologia é a crença de que
existe uma corelação osiiva ene qualidade de
assistência e processo de desenvolvimento integrl do
omem. Isso, por sua vez, deverá estar elacioado à
sua poposta de educação continuada prevista numa
olítica de essoal que contemple esse aspecto. I I
Assim, pretende-se desenvolver uma pesquisa
que objeiva conhecer as facilidades e diiculdades
identicadas pelos enfeneiros para participarem dos
progamas de aperfeiçoamento oferecidos pela insi
uição em que abalha e or outas instituições; vei
icar a imoncia conferida por eles a esses poga
as e subsidia com base nos eslados obidos, o
plnejamento de pogmas de aefeiçoamento para
enfeneiros.
2
METODOLOGIA
o
pesente esudo está tendo or base a aálise de
ados obidos junto a uma amosta de efeneiras
que, no eriodo de jaeio a julho de
1 99 1 ,deseme
avam atividades poissioais em hospitis geais
do muicípio de Sãó Paulo, os quais desenvolvem
pogramas de aefeiço�ento paa efeneias.
Os dados utilizados paa a escolha desses hospi
tais tiveam como fonte as infonações do Cadastro
de Estabelecimentos de Saúde do centro de Documen
tação do Ministério a Saúde3 e o Cadastro de Esta
belecimento de Saúde em Assistência Méica Sanitá
ria do BGE. 10
Pela compilação das infonações das duas fontes
chegou-se ao númeo total de hospitais. Seguido
oientação estatística, esses hospitais fora submeti
dos a um progama de amostagem seqüeçial, or
sorteio, na popoção de três pa quize, ou seja, de
cada quinze hospitis foram sorteados três hospiais.
Nesses hospitais foi veriicada a existência, ou não, de
pogramas de apefeiçoamento paa enfeneias. Esse
levantamento pelimiar foi feito, por contato teleô
nico, junto às cheias de enfenagem dos hospitais.
De posse dessas iformações, levantou-se o nú
meo de efeneias lotadas nas institições que,
compovadamente, desenvolvam pogramas de aer
feiçoamento para enfeneios. Dessa forma, cegou
se ao número total de efeneiros.
Com o objetivo de maner-se, a mosta de esudo,
a epeentaividde dos difeentes opiis geais que
deevolvem pos a enfeneias, optou-e ela
aosagem eaicad, edo os estos epe
entados elos dfeCntes ios de ospitais.
Pelo fato de se esabelecer, cofone orientação
estaisica, uma amosta constituída de 20% da popu
lação total em esudo, objetivou-se também iul rep
resentatividade de caa estato. Assim, o número de
efeneias que paricipam do estudo corresonde a
20% da população de cada estato.3
PROCEDIMENTO
Optou-e ela doção da técnica de enevitas,
devido à elaço de iteaão que ela popicia, lém de
eitir oeçes, esclaecimentos e aapçes que
faciliem a apaão s
ifoações desejas.
Na coleta de dados está sendo utiliado um for
mulário paa a entrevisa ds efeneirs. No fonu
lário estão contidos dados essoais de caracterização
do entevistado e eunas semi-esuads relati
vas à sua participação em pogrms d� aefeiçoa
mento ofeecidos pela instituição onde tabala e or
outs instituições.
Pa o atmento dos ados, opar-se-á ela aná
lise quantitativa e qualitativa das ifomaçes obtids.
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