ENXERTIA E PODRIDÃO DE RAÍZES E COLO EM
CUCURBITÁCEAS
Lucas Aparecido Gaion
Engenheiro AgrônomoUNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
–
UNESP
CÂMPUS DE JABOTICABAL
ENXERTIA E PODRIDÃO DE RAÍZES E COLO EM
CUCURBITÁCEAS
Lucas Aparecido Gaion
Orientadora: Profa. Dra. Leila Trevisan Braz
Coorientadora: Profa. Dra. Margarete Camargo
Dissertação apresentada à Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias – Unesp, Câmpus de Jaboticabal, como parte das exigências para a obtenção do título de Mestre em Agronomia (Produção Vegetal)
Gaion, Lucas Aparecido
G143e Enxertia e podridão de raízes e colo em cucurbitáceas / Lucas Aparecido Gaion. –– Jaboticabal, 2013
iv, 55 p. : il. ; 29 cm
Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, 2013
Orientadora: Leila Trevisan Braz
Banca examinadora: Rita de Cássia Panizzi, Ronan Gualberto Bibliografia
1. Fusarium solani. 2. Cucumis melo. 3. Ambiente protegido. I. Título. II. Jaboticabal-Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias.
CDU 631.541:635.61
Ficha catalográfica elaborada pela Seção Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação –
DADOS CURRICULARES DO AUTOR
LUCAS APARECIDO GAION – Nascido em 12 de outubro de 1989 na cidade de Tabatinga-SP. Engenheiro Agrônomo graduado pela Universidade de Marília (UNIMAR) em janeiro de 2011. Durante a graduação foi bolsista do Programa Universidade para Todos (ProUni), recebendo o prêmio de honra ao mérito por ter concluído sua graduação com média final de 9,51. Ingressou no curso de mestrado da UNESP-FCAV no programa de Agronomia (Produção Vegetal) em agosto de 2011, sendo bolsista FAPESP do período de março de 2012 a fevereiro de 2014. Durante este período desenvolveu o projeto de mestrado, além de outros trabalhos com hortaliças nas áreas de enxertia, fitopatologia, tratos culturais e manejo de olerícolas. Participou do Projeto de Extensão com hortaliças “João de Barro” nos anos de 2012 a 2013 e “Sabiá” nos anos de 2011 e 2012, neste último como voluntário, e como representante discente do Conselho Deliberativo da Fazenda de Ensino, Pesquisa e Extensão (FEPE) no ano de 2012.
“É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar
fila com os pobres de espírito, que nem sofrem muito,
nem gozam muito, porque vivem nesta penumbra cinzenta
que não conhecem a vitória nem a derrota.”
Aos meus pais ARLINDO e SELMA, por se dedicarem enormemente à minha educação e formação, por estarem sempre ao meu lado, me apoiando em todos os momentos. Sem vocês eu tenho a mais absoluta certeza de que não teria conseguido, então esta vitória também é de vocês.
DEDICO
À minha linda CRISTIANA que apesar de há tão pouco tempo juntos, somos muito apaixonados e a certeza de que será para toda a vida é minha maior alegria. Sou agradecido a Deus por ter colocado você em minha vida, sempre paciente, compreensiva e companheira.
OFEREÇO
À minha irmã pelo seu jeito único de ser, pelos momentos de mais pura diversão e mesmo sendo extremamente diferentes nos entendemos tão bem, sendo juntos capazes das mais loucas aventuras, você é simplesmente sensacional e nunca deixe de ter a verdade em seu coração.
AGRADECIMENTOS
À minha orientadora Profa. Dra. Leila Trevisan Braz pela oportunidade concedida, pelos ensinamentos e preocupação pela minha vida profissional e pessoal;
Ao Prof. Dr. Ronan Gualberto pelos ensinamentos durante a graduação e por se disponibilizar a estar presente em minha banca de defesa;
À Profa. Dra. Margarete Camargo pela dedicação na minha coorientação, paciência e atenção, sem a qual este trabalho não teria sido desenvolvido;
À Dra. Letícia Akemi Ito primeiramente pela amizade e por todos os ensinamentos, pessoa maravilhosa que admiro muito pelo esforço, trabalho e sabedoria;
À Profa. Dra. Marcia Michelle de Ambrósio Queiroz, docente da Universidade Federal do Semi-Árido por toda ajuda e atenção disponibilizadas à realização deste trabalho;
Ao Dr. Jean de Oliveira pela amizade e atenção durante minha estada em Mossoró-RN;
À UNESP-FCAV, Campus de Jaboticabal-SP, pela formação acadêmica oferecendo ótimos professores, técnicos e infraestrutura;
À FAPESP (Fundação de amparo à Pesquisa do Estado São Paulo) pela concessão da bolsa de mestrado Processo número 2011/0359-7;
À Profa. Dra. Rita de Cássia Panizzi pela participação na minha banca de qualificação com importantíssimas sugestões.
Aos funcionários do Setor de Olericultura e Plantas Aromático-Medicinais, Inauro, Cláudio e Reinaldo, pelo auxílio na condução dos experimentos e pela amizade; Aos funcionários do Departamento de Produção Vegetal, Rosane, Sidnéia, Wagner e Mônica sempre muito atenciosos e prestativos;
Aos funcionários do Departamento de Fitossanidade, Lúcia, Rosângela e Vanderlei; Aos funcionários da seção de Pós-Graduação, pela disposição em ajudar sempre; Aos amigos do curso de Pós-graduação: Danilo, Dora, Francine, Juan, Lucas, Rafaelle, Renata Castoldi, Renata Castro, Guilherme, Hudson e Willame;
SUMÁRIO
Página
RESUMO ... iii
SUMMARY ... iv
CAPÍTULO 1 – Considerações Gerais ... 1
1.1 INTRODUÇÃO ... 1
1.2 REVISÃO DE LITERATURA ... 3
1.2.1 Família Cucurbitaceae... 3
1.2.2 Doenças das cucurbitáceas ... 5
1.2.3 Fusarium solani ... 6
1.2.4 Enxertia em hortaliças ... 9
1.3 REFERÊNCIAS ... 11
CAPÍTULO 2 – Compatibilidade entre porta-enxerto e enxerto e seus efeitos na produção do meloeiro rendilhado ... 16
2.1 INTRODUÇÃO ... 16
2.2 MATERIAL E MÉTODOS ... 18
2.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 22
2.3.1 Massa do fruto ... 23
2.3.2 Produtividade ... 25
2.3.3 Comprimento do fruto ... 25
2.3.4 Largura do fruto ... 25
2.3.5 Índice de formato do fruto ... 26
2.3.6 Comprimento da cavidade do fruto... 26
2.3.7 Largura da cavidade do fruto ... 27
2.3.8 Índice de formato da cavidade do fruto ... 27
2.3.9 Espessura da polpa ... 29
2.3.10 Coloração da polpa ... 29
2.3.11 Rendilhamento da casca ... 29
2.3.12 Teor de sólidos solúveis ... 30
2.3.14 Acidez titulável... 33
2.3.15 Ácido ascórbico ... 33
2.3.16 Firmeza ... 34
2.3.17 Diâmetro abaixo da região da enxertia ... 34
2.3.18 Diâmetro da região da enxertia ... 35
2.3.19 Diâmetro acima da região da enxertia ... 35
2.4 CONCLUSÕES ... 37
2.5 REFERÊNCIAS ... 37
CAPÍTULO 3 – Podridão de raízes e colo em genótipos de cucurbitáceas ... 40
3.1 INTRODUÇÃO ... 40
3.2 MATERIAL E MÉTODOS ... 41
3.2.1 Ensaio I ... 42
3.2.2 Ensaio II ... 43
3.2.3 Ensaio III ... 45
3.2.4 Ensaio IV ... 46
3.2.5 Avaliações ... 48
3.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 48
3.4 CONCLUSÕES ... 54
3.5 REFERÊNCIAS ... 54
ENXERTIA E PODRIDÃO DE RAÍZES E COLO EM CUCURBITÁCEAS
RESUMO - Em função da frequente associação do fungo Fusarium solani com
podridões de raízes e colo em cucurbitáceas e mais recentemente com o colapso do meloeiro, e o notável aumento da utilização da enxertia para manejo de patógenos de solo, adaptabilidade climática e incremento da produtividade, tem tornado ainda mais importante a realização de pesquisas sobre os efeitos da utilização da enxertia e as combinações mais adequadas a cada situação. Em função do exposto o objetivo deste trabalho foi avaliar a patogenicidade de dois isolados de Fusarium
solani em 33 genótipos de cucurbitáceas e a compatibilidade destes genótipos como
porta-enxertos para o meloeiro rendilhado. No ensaio I avaliou-se o efeito da lavagem e corte das raízes do meloeiro rendilhado „Fantasy‟ sobre seu desenvolvimento inicial, através de três tratamentos (raízes intactas, raízes lavadas e raízes lavadas e cortadas), com cinco repetições, o desenvolvimento foi realizado por meio de avaliação visual. Ensaio II: foi realizado inoculando-se o isolado proveniente de Jaboticabal-SP por meio do método de suspensão de conídios em 33 genótipos de cucurbitáceas. No ensaio III foram inoculados apenas plantas de meloeiro rendilhado „Fantasy‟ pelo método de inoculação por grãos (de milho, sorgo e arroz) utilizou-se o isolado de Jaboticabal-SP. Ensaio IV: pelo método com palito de dente inoculou-se o isolado proveniente de Mossoró-RN nos 33 genótipos de cucurbitáceas. Para os ensaios de II a IV a avaliação foi feita por meio de escala de notas. Realizou-se ainda um ensaio para avaliar a compatibilidade de enxertia entre 31 genótipos de cucurbitáceas (porta-enxertos) e o meloeiro rendilhado „Fantasy‟ (enxerto), empregou-se o método de enxertia por fenda-cheia. Avaliou-se a porcentagem de sobrevivência das plantas no momento do transplantio e características qualitativas e quantitativas dos frutos, além do diâmetro do caule abaixo, acima e na região da enxertia. Nenhum dos isolados de F. solani foi capaz
de induzir sintomas nos genótipos avaliados. Bitter melon e quiabo de metro
(Trichosanthes cucumerins) não são indicados como porta-enxerto para o meloeiro
rendilhado „Fantasy‟, enquanto que a melancia „Charleston Gray‟ proporcionou ganhos qualitativos aos frutos de melão e o Pepino „Caipira‟ ganhos de produtividade.
Palavras-chave: Fusarium solani, Cucumis melo L., inoculação, ambiente protegido,
GRAFT AND ROOT AND STEM ROT IN CUCURBITS
SUMMARY - Due to the frequent association with the fungus Fusarium solani root rot
in cucurbits and stem, and with the collapse of melon, and increasing the use of grafting for management of soil borne pathogens , climatic adaptability and increased productivity, has become even more important to conduct research on the effects of performing grafting and combinations best suited to each situation. In function of this, the aim of this study was to evaluate the pathogenicity of two isolates of Fusarium
solani in 33 genotypes of cucurbits and compatibility of these genotypes as
rootstocks for net melon. In the assay I evaluated the effect of washing and cutting of the roots of melon lace 'Fantasy' on their initial development through three treatments (intact roots, the roots are washed and cleaned and cut) with five replicates, development was carried out by means of visual assessment . Essay II: was performed by inoculating the isolate yourself from Jaboticabal-SP by the method of spore suspension in 33 genotypes of cucurbits. In test III was inoculated plants only net melon 'Fantasy' by the method of inoculation of grains (corn, sorghum and rice) was used to isolate Jaboticabal-SP. Essay IV: through method with toothpick inoculated isolate from Mossoró-RN in 33 genotypes of cucurbits. For trials II to IV assessment was made by a rating scale. Trials was performed to evaluated the graft compatibility between 31 genotypes of cucurbits (rootstocks) and net melon 'Fantasy' (graft), we used the method for cleft grafting. We evaluated the survival percentage of plants at the time of transplanting and qualitative and quantitative characteristics of the fruit, and the diameter below and above the region of grafting. None of the strains
of F. solani was able to induce symptoms in genotypes and Bitter melon and
Trichosanthes cucumerins are not indicated as rootstock for net melon 'Fantasy',
while watermelon „Charleston Gray‟ provided qualitative gains the fruits of melon and cucumber „Caipira‟ productivity gains.
CAPITULO 1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS
1.1 INTRODUÇÃO
A família das Cucurbitáceas é composta por aproximadamente 120 gêneros e mais de 800 espécies. Dentre estas pode-se destacar as abóboras (Cucurbita
maxima, C. moschata, C. pepo), os pepinos (Cucumis sativus), as melancias
(Citrullus lanatus), os melões (Cucumis melo), os chuchus (Sechium edule) e a
bucha vegetal (Luffa cylindrica). Além do elevado número de espécies, apresenta
também uma imensa diversidade de características entre e dentro de uma mesma espécie constituindo grande variabilidade genética (FONTES, 2005).
Constitui-se em uma das famílias de maior expressão econômica apresentando significativa participação na produção mundial. Segundo a FAO (2013), a produção mundial em 2012 foi cerca de 218 milhões de toneladas, sendo 101 milhões de melancias, 60 milhões de pepinos, 32 milhões de melões e 25 milhões de abóboras.
Segundo Rego (1995) a incidência de doenças em cucurbitáceas em geral é muito elevada, principalmente em locais de clima quente e úmido, como por exemplo, em ambiente protegido onde é possível o cultivo de cucurbitáceas o ano todo, causando reduções na produção e na qualidade dos frutos. Este mesmo autor ainda relata que a incidência de Fusarium solani pode ocorrer em melancia, melão,
abóbora e abobrinha, apresentando maiores danos nos dois últimos.
Segundo Michereff, Andrade e Menezes (2005) e Bedendo (2011) dentre as muitas espécies causadoras de podridão, Fusarium solani é a mais importante,
atacando culturas como, alho, cebola, café, feijão, além das cucurbitáceas já citadas. Também há relatos da associação deste fitopatógeno com a ocorrência do colapso do meloeiro, um complexo de doença onde há associação de diversos patógenos habitantes do solo como, F. solani, Macrophomina phaseolina,
Monosporascus cannonballus, Rhizoctonia solani e Sclerotium rolfsii
(GARCIA-JIMÉNEZ et al., 2000; MARINHO et al., 2002; ANDRADE et al.,2005).
oportunista colonizando plantas anteriormente já colonizadas por algum fitopatógeno ou em estado de estresse por fator abiótico, então o fungo se aproveitando do estado debilitado a coloniza exercendo ação saprofítica e por isso é comumente isolado de plantas com sintomas de podridão principalmente de raízes e colo.
A enxertia de hortaliças é uma técnica relativamente tradicional e antiga havendo relatos de produtores usando esta técnica no Japão e Coréia em 1920, segundo Kawaide (1985) citado por Goto, Santos e Canizares, (2003), objetivando o controle de patógenos de solo na cultura da melancia.
Além das vantagens amplamente reconhecidas como tolerância a doenças e altas produtividades, tem-se na enxertia, uma ferramenta eficaz na melhoria das perdas de colheitas causadas por condições ambientais adversas como temperatura do solo e salinidade, especialmente no cultivo protegido, em que cultivos sucessivos aumentam a infestação de doenças. A utilização de porta-enxertos apropriados pode minimizar esses problemas (LEE et al., 2010).
Uma das maiores dificuldades no emprego da enxertia é a obtenção de bons porta-enxertos, que se adaptem ao meio ambiente, não interfiram na qualidade dos frutos e mantenham a resistência às doenças (KOBORI, 1999).
Diante do exposto, este trabalho teve por objetivo avaliar a patogenicidade de
Fusarium solani em genótipos de cucurbitáceas e a compatibilidade destes como
1.2 REVISÃO DE LITERATURA
1.2.1 Família Cucurbitaceae
As espécies constituintes da família das cucurbitáceas encontram-se predominantemente distribuídas por regiões de clima tropical, como África, Américas do Sul e Central, e o sudeste asiático, onde verifica-se mais de 90% das espécies desta família, podendo destacar-se como principais espécies cultivadas: abóbora, moranga, pepino, melancia e melão, com grande importância na olericultura destas regiões (NUEZ et al., 2000; FONTES, 2005; FILGUEIRA, 2008).
As cucurbitáceas podem ser consumidas de diversas maneiras, os frutos podem ser consumidos maduros ou imaturos, empregados no preparo de pratos salgados e doces, além da utilização dos frutos para preparo de sucos e bebidas fermentadas, no entanto, além dos frutos praticamente todos os órgãos da planta podem ser consumidos, como folhas, flores, sementes, caule e raízes. Os frutos são ricos em água, possuem baixo valor calórico e alguns frutos como melancia e melões possuem alto teor de açucares (ROBINSON; DECKERS-WALTERS, 1999).
A espécie Cucurbita moschata (abóbora) tem como centro de origem a região
central do México e a C. maxima (moranga) originou-se da região que abrange o sul
do Peru, a Bolivia e o norte da Argentina e registros arqueológicos mostram que estas espécies estão entre as mais antigas cultivadas nas Américas, datando de mais de 10.000 anos atrás (FONTES, 2005; FILGUEIRA, 2008).
São plantas anuais, com crescimento indeterminado e caule herbáceo, rastejante, provido de gavinhas e de raízes adventícias. O hábito de florescimento é monóico com predomínio de flores masculinas, sendo a polinização por abelhas obrigatória para o desenvolvimento de frutos, estes apresentam grande variabilidade de formatos e tamanhos (FILGUEIRA, 2008).
O pepineiro (Cucumis sativus) é originário da Ásia sendo cultivado na Índia há
Segundo o Agrianual (2013) no ano de 2011 foram comercializados 51.471 toneladas de pepino via CEAGESP-SP, valor superior aos anos de 2010, 2009 e 2008, que foram respectivamente de 49.126, 47.562 e 46.043 toneladas, podendo ser observado aumento contínuo do volume comercializado dessa olerícola.
A melancia (Citrullus lanatus) não possui um consenso sobre sua origem
exata, no entanto, a teoria mais aceita é que esta seja originária da África, sendo introduzida no Brasil pelos imigrantes africanos. Estudos mostraram que o Nordeste brasileiro é um centro de diversidade da espécie. O fruto extremamente suculento e adocicado é consumido como sobremesa principalmente em regiões ou estações quentes, podendo também ser consumido na forma de suco. Esta olerácea caracteriza-se como importante cultura em regiões quentes, sendo consideravelmente tolerante à seca, crescendo satisfatoriamente bem em ambientes secos, quentes e ensolarados. É uma cultura de economia de escala em função do baixo valor unitário do produto (FONTES, 2005).
No ano de 2010 a área cultivada com melancia ocupou 94.946 ha apresentando uma produção de aproximadamente 2 milhões de toneladas, com destaque para a região Nordeste com 36,52% da área plantada, sendo responsável por 34,15% da produção nacional (AGRIANUAL, 2013; FAO, 2013).
A origem do meloeiro (Cucumis melo L.) assim como a da melancia é muito
discutida. Alguns acreditam que o centro de domesticação seja a Índia, outros citam o Irã como centro de domesticação desta espécie. No entanto, a maioria dos pesquisadores considera a África como centro de domesticação do melão (ROBINSON; DECKERS-WALTERS, 1999).
Vários grupos botânicos do meloeiro são de importância econômica dos quais os que mais se destacam no Brasil, são: inodorus (sem cheiro, de casca lisa e cor
amarelo) e o cantaloupe (com cheiro característico e superfície da casca
rendilhada). Entretanto o plantio comercial do melão do grupo cantaloupe é recente
no Brasil, tendo sido cultivado pela primeira vez para fins comerciais, em 1986 pela Cooperativa Agrícola de Cotia, utilizando sementes importadas do Japão (RIZZO, 2004).
olerícola aproximadamente 86% da área cultivada e produção de 456.686 toneladas de um total de 478.431toneladas produzidas pelo Brasil (AGRIANUAL, 2013).
1.2.2 Doenças das Cucurbitáceas
A incidência de doenças em cucurbitáceas em geral é muito elevada, o que causa reduções na produção e na qualidade dos frutos. Em casas de vegetação, a ocorrência de doenças é favorecida, pelas condições de umidade e temperatura (REGO, 1995). Dentre os fitopatógenos infectantes de cucurbitáceas pode-se destacar os fungos colonizadores do sistema radicular e colo das plantas.
Em função dos cultivos sucessivos sem o emprego de rotação de culturas, principalmente em ambiente protegido tem aumentado a frequência de ocorrência de doenças, destacando-se o ataque de fungos habitantes do solo, como, Fusarium
solani, Macrophomina phaseolina, Monosporascus cannonballus, Rhizoctonia solani
e Sclerotium rolfsii. A associação destes fungos pode causar um complexo de
doença denominada colapso do meloeiro (GARCÍA-JIMÉNEZ et al., 2000; MARINHO et al., 2002; ANDRADE et al., 2005). O colapso do meloeiro é uma doença muito importante, pois acomete as plantas em seu estágio final de desenvolvimento quando os frutos estão em pleno desenvolvimento, causando a morte das plantas e grande perda de produtividade (DIAZ, 2000).
Andrade et al. (2005) verificaram que em 100% dos campos amostrado havia presença de Fusarium solani e Macrophomina phaseolina, 40% com Rhizoctonia
solani e 30% com Monosporascus cannonballus e Sclerotium rolfsii, mostrando a
grande distribuição de F. solani nos campos de melão no Nordeste brasileiro, no
entanto, apenas 11,1% de infecções eram causadas apenas por F. solani e em
1.2.3 Fusarium solani
O teleomorfo da espécie Fusarium solani é denominado Haematonectria
haematococca, um ascomiceto que produz peritécios globosos ou piriformes, onde
são formados os ascos, estes por sua vez são cilíndricos e formam oito ascósporos elipsoidais, hialinos, que adquirem coloração marrom-claro (BEDENDO, 2011).
A maioria dos ascomicetos, cerca de 60%, é saprófita, crescendo principalmente em solo e obtendo nutrientes de restos orgânicos que ali se encontram, e apenas uma minoria é parasita obtendo nutrientes de organismos vivos, variando de biotróficos, que mantém as células do hospedeiro vivas enquanto as parasitam, a necrotróficos, matando as células do hospedeiro para extrair nutrientes.
Assim como os ascomicetos, a espécie F. solani também apresenta grande
variabilidade genética, sendo comum a utilização do termo “Complexo de espécies” (Complexo de espécies Fusarium solani) Esta denominação engloba mais de 50
espécies filogeneticamente distintas, antes desconhecidas, em função da semelhança morfológica entre elas. Além da variabilidade genética observa-se também variabilidade de comportamento, incluindo desde importantes patógenos de regiões tropicais e principalmente subtropicais, a indivíduos saprófitas e endófitos habitando o interior de vegetais sem indução de sintomas de doença (NALIM et al., 2011; O‟DONNELL et al., 2008; O‟DONNELL, 2000).
O mesmo foi observado por Alymanesh et al. (2009) que verificaram a existência de grande variabilidade genética entre 26 isolados de F. solani. No
entanto, os autores não atribuem a variabilidade existente apenas à localização geográfica de cada isolado, mas também pela reprodução sexual e o cultivo de espécies resistentes, selecionando estirpes adaptadas a cada condição. A grande variabilidade verificada pode ser exemplificada pelo grande número de formae
speciales existentes, mais de 20 as quais representam estirpes biológicas e
filogeneticamente distintas (O‟DONNELL, 2000; O‟DONNELL et al., 2008).
parceiro para realizar a reprodução sexuada, uma vez que a grande maioria é hermafrodita (CURRY; BAIRD, 2010). Segundo Elizei (2012) esta característica reprodutiva pode estar relacionada com a patogenicidade dos indivíduos, uma vez que apenas os isolados heterotálicos seriam fitopatogênicos, causando doença em diversas plantas de importância econômica como, por exemplo, F. solani f. sp.
cucurbitae raça 1 responsável por induzir sintomas de podridão de raízes e colo em
cucurbitáceas. Atualmente F. tucumaniae, anteriormente denominado como F. solani
f. sp. glycines, é considerado um dos agentes etiológicos da podridão vermelha de
raiz da soja (COVERT et al., 2007), corroborando com Matuo e Snyder (1973) citado por Elizei (2012) que observaram que populações heterotálicas eram causadoras de doenças em plantas, enquanto, as populações homotálicas isoladas dos mesmos locais eram saprófitas.
A grande diversidade genética apresentada por esta espécie resulta em grande diversidade de resultados, principalmente quando realizam-se testes de patogenicidade, podendo ser observado na literatura resultados contrastantes no que diz respeito a importância deste fungo como fitopatógeno.
Este é um fungo amplamente disseminado pelas áreas agricultáveis nas regiões tropicais e subtropicais o que gera frequência de isolamento relativamente alta e a indução de diagnósticos equivocados considerando este fungo como agente etiológico de doenças muitas vezes causadas por outro patógeno, mas o F. solani
está presente como oportunista, sendo um colonizador secundário e a grande semelhança morfológica ente as populações homotálicas e heterotálicas dificulta a diferenciação de populações não patogênicas e patogênicas (GORDON; OKAMOTO; JACOBSON, 1989; ANDRADE et al., 2005; PLOETZ 2006).
Michereff, Andrade e Menezes (2005) apontam o F. solani como um dos
principais fitopatógenos habitantes do solo em regiões tropicais, atacando culturas como alho, cebola, café, feijão, soja e as cucurbitáceas como, melancia, melão, pepino e abóboras. Outros autores como Albuquerque e Ferraz (1976), Bueno et al. (2010) e O‟Donnell (2000) também apontam este como um importante patógeno afetando plantas como soja, maracujazeiro e pimenta do reino.
áreas com cultivo de cucurbitáceas podendo afetar plantas de melancia, pepino, abóboras e melão.
Segundo Melo e Valarini (1995) a podridão radicular causada por F. solani
pode causar perdas significativas à cultura do pepino principalmente em ambiente protegido quando se emprega o monocultivo, favorecendo o aumento de inóculo e consequentemente a severidade da doença e a prática de controle mais comumente utilizada é a enxertia sobre porta-enxertos resistentes.
Os sintomas relacionados ao ataque deste fungo podem ser caracterizados como necrose da área afetada, quando na região do colo da planta pode ocorrer necrose completa desta região causando tombamento de plântulas e em condições de umidade favorável ao desenvolvimento do fungo observa-se a formação de uma massa branca sobre a área afetada que é o micélio do fungo (ZAMBOLIM; VALE; COSTA, 2000).
Os sintomas iniciais se dão na forma de murcha das folhas principalmente nas horas mais quentes do dia o que pode evoluir para murcha e morte completa da planta. Nessas circunstâncias é possível observar necrose da região do colo da planta, assim como da raiz principal. Nas raízes ocorrem inicialmente lesões encharcadas que adquirem aparência escurecida; essas raízes se desprendem facilmente do restante da planta tornando difícil a observação dos sintomas localizados uma vez que as raízes ficam retidas no solo quando da extração da planta do solo. A severidade dos sintomas está atrelada à condição de umidade do solo, sendo que a alta umidade favorece a ocorrência de sintomas (ZITTER, 1998).
O fungo ataca principalmente plantas em estresse, pelas condições de clima, problemas nutricionais e/ou ataque de outros fitopatógenos. O cultivo em ambiente protegido aparentemente é favorável ao desenvolvimento deste patógeno. Surtos desta doença parecem estar associados à ocorrência de altas temperaturas, umidade e temperaturas noturnas amenas. Ele parece ser incapaz de colonizar plantas a não ser que haja tecidos danificados ou outra maneira de penetração (BLANCARD; LECOQ; PITRAT, 1994).
plantas por F. solani apenas quando estas já se encontravam depauperadas,
relatando a associação deste com Rhizoctonia solani. O mesmo foi observado por
Andrade et al. (2005) que isolaram F. solani de todos os campos de meloeiro
amostrado na região Nordeste, no entanto, em 88,9% das vezes este foi encontrado em associação com outro fitopatógeno de solo.
Elizei (2012) observou que apenas os isolados de populações heterotálicas eram capazes de induzir sintomas de podridão de raiz, enquanto os isolados homotálicos não são patogênicos comportando-se como saprófitas. Aegerter, Gordon e Davis (2000) corroborando com o observado por Elizei (2012) também não verificou patogenicidade de F. solani, tanto em condições de campo quanto em casa
de vegetação, sendo o mesmo verificado por Gordon, Okamoto e Jacobson (1989) que relataram a capacidade de F. solani em colonizar raízes de cinco culturas
diferentes (tomate, trigo, beterraba, algodão e alfafa) além de meloeiro, planta da qual havia sido isolado sem induzir sintomas.
Observa-se na literatura grande discordância quanto à patogenicidade e relevância do fungo para a agricultura, necessitando de mais estudos para distinção de isolados patogênicos e não patogênicos e as condições para a ocorrência de doença.
1.2.4 Enxertia em hortaliças
A enxertia é uma técnica da horticultura praticada há muitos anos e em várias partes do mundo com intuito de contornar diversos problemas ambientais como estresse a baixas temperaturas, seca, excesso de água e incidência de patógenos em solos contaminados (MARTÍNEZ-BALESTA, 2010).
O início da utilização da enxertia em hortaliças é registrado como pratica desde 1920 no Japão e na Coréia. Na cultura da melancia, objetivando a redução de problemas com patógenos de solo e adaptabilidade de variedades à época de plantio e na França a partir de 1959 realizaram-se uma série de estudos objetivando viabilizar o manejo da fusariose do meloeiro através da enxertia sobre porta-enxertos de Benincasa cerifera (LOUVER; DEYRIERE, 1962; ALEXANDRE; DIAS;
evitar o contato entre uma planta suscetível e um solo contaminado, utilizando porta-enxertos resistentes, viabilizando assim uma importante opção para o manejo de patógenos do solo (GOTO et al., 2003).
Em função da evolução e adaptabilidade dos patógenos dando origem a novas raças fisiológicas, estirpes ou grupos diferentes de patógenos, o uso de variedades resistentes tem sido limitado e a obtenção de materiais resistentes lenta. Com base nesses fatos, a adoção da enxertia utilizando porta-enxertos resistentes, constitui uma alternativa de controle em curto prazo. Desde que começou a ser praticada em hortaliças, a enxertia se apresentou como boa alternativa na solução de problemas de ocorrência frequente na olericultura (GOTO; SANTOS; CANIZARES, 2003).
Outra vantagem do uso de porta-enxertos é a indução de maior vigor vegetativo às plantas em função do maior desenvolvimento do sistema radicular do porta-enxerto proporcionando maior eficiência de absorção de água e nutrientes. Em melancia o uso de enxertia permite a redução da fertilização em dois terços ou até pela metade, além de torna-la mais tolerante aos baixos níveis de potássio no solo (LEE et al., 2010).
De acordo com Lee et al. (2006), na Coreia, mudas enxertadas de melancia são utilizadas no controle de doenças de solo e para melhorar a tolerância às baixas temperaturas, já que são cultivadas também nestas condições. Na Itália, a utilização de porta-enxertos híbridos resistentes a doenças, representa o principal instrumento de prevenção na cultura do meloeiro (MARTIGNONI et al., 2011).
Lee et al. (2006) citam que da área cultivada em 2005, com melão na Coréia do Sul (em torno de 7.000 ha), 95% dos produtores utilizaram mudas enxertadas e que estas mudas são geralmente superiores às não enxertadas quanto ao desempenho na produção e qualidade dos frutos. De acordo com Lee et al. (2010) o número de produtores de mudas enxertadas comerciais tem aumentado significativamente pelo mundo, reflexo do aumento das preferências dos agricultores por este tipo de mudas.
Traka-Mavrona et al. (2000) verificaram que a utilização das abóboras „TZ -148‟, „Mammoth‟ e „Kalkabaki‟ como porta-enxertos para melão, não afetaram a produção e a qualidade dos frutos. Ban et al. (2011) afirmam que a enxertia pode ser o método mais adequado principalmente para pequenos produtores que não poderiam adotar sistema hidropônico de cultivo por ser mais oneroso.
Goto, Santos e Canizares (2003) citam que o nível de incompatibilidade entre porta-enxerto e enxerto é o fator principal que determina o sucesso ou o fracasso da enxertia, entre outros como: temperatura e umidade durante e após a enxertia, tamanho e sanidade da superfície de contato. De acordo com os mesmos autores, há necessidade de estudos sobre comportamento, compatibilidade, produtividade, resistência e/ou tolerância dos porta-enxertos e enxertos, bem como avaliações de espécies de porta-enxertos sob diferentes condições ambientais, pois a escolha errada de um determinado porta-enxerto pode resultar em prejuízos.
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CAPITULO 2 - COMPATIBILIDADE DE PORTA-ENXERTO E ENXERTO E SEUS EFEITOS NA PRODUÇÃO DO MELOEIRO RENDILHADO
RESUMO - O emprego da enxertia pode induzir maior vigor nas plantas, maior produtividade, resistência a patógenos de solo. No entanto, para aplicação de seus benefícios é necessário o estabelecimento da combinação porta-enxerto e enxerto mais adequada, ou seja, conhecer a relação de compatibilidade e incompatibilidade entre os mesmos. Diante do exposto o objetivo deste trabalho foi estudar a utilização de diferentes genótipos de cucurbitáceas como porta-enxertos para o meloeiro rendilhado „Fantasy‟ e seus efeitos sobre a produção do meloeiro. Para tanto, empregou-se o delineamento em blocos casualizados com 33 tratamentos, constituídos pelos diferentes genótipos de cucurbitáceas utilizados como porta-enxertos, auto-enxertia e testemunha sem enxertia e quatro repetições. Empregou-se a técnica de enxertia por fenda-cheia e as plantas foram cultivadas em casa de vegetação, avaliou-se características como, porcentagem de sobrevivência das plantas, diâmetro do caule, abaixo, na região e acima da região de enxertia, além de variáveis qualitativas, como, teor de sólidos solúveis, acidez titulável, rendilhamento e ácido ascórbico e quantitativas, como massa média dos frutos, espessura de polpa, índice de formato do fruto e do lóculo. O porta-enxerto pepino „Caipira‟ apresentou os maiores valores de produtividade e a melancia „Charleston Gray‟ induziu incrementos de sólidos solúveis e ácido ascórbico.
Palavras-chave: Cucumis melo L., Cucurbitaceae, enxertia, fenda-cheia, cultivo
protegido, hortaliças.
2.1 INTRODUÇÃO
O melão (Cucumis melo L.) é uma olerácea muito popular no mundo todo. O
fruto é consumido principalmente na forma in natura, mas pode ser usado como
ingrediente em saladas e na forma de suco, sendo uma boa fonte de vitaminas e sais minerais, além de apresentar diversas propriedades terapêuticas (SILVA; COSTA, 2003).
No ano de 2010 o melão foi a fruta fresca mais exportada pelo Brasil. Em termos de valor comercial atingiu aproximadamente 122 milhões de dólares; o grande volume exportado se deve ao fato da safra brasileira coincidir com a entressafra da Europa (IBRAF, 2013). No ano de 2010 o Brasil produziu 478.431 toneladas de melão em uma área de 18.861 ha (AGRIANUAL, 2013).
resultando assim em frutos com excelente aspecto visual, sabor e boa lucratividade (BRANDÃO FILHO; CALLEGARI, 1999).
O uso contínuo do solo para o cultivo de melão principalmente em ambiente protegido sem o emprego de rotações e a expansão das áreas de cultivo para regiões de clima não adequado tem propiciado o surgimento de problemas com patógenos habitantes do solo, salinização, temperaturas fora da faixa do ideal para a cultura e surgimento de distúrbios fisiológicos dificultando a produção do melão rendilhado (PEIL, 2003).
Uma maneira de manejar essas dificuldades é a utilização de plantas enxertadas. Trabalhos de pesquisas realizados principalmente no Japão, Coréia e Espanha têm demonstrado que o uso da enxertia pode aumentar a produção, conferir maior adaptabilidade a condições climáticas, como baixas temperaturas, aumentar a tolerância à seca e à salinidade do solo, reduzir o aparecimento de desordens fisiológicas, melhorar as características visuais dos frutos, aumentar o vigor das plantas e controlar doenças (GOTO; SANTOS; CANIZARES, 2003). Essa técnica possibilita evitar o contato entre uma planta suscetível e um solo contaminado, utilizando porta-enxertos resistentes, viabilizando assim uma importante opção para o manejo de patógenos do solo (GOTO; SANTOS; CANIZARES, 2003).
O uso de porta-enxertos podem induzir maior vigor vegetativo das plantas em função do maior desenvolvimento do sistema radicular do porta-enxerto permitindo-o absorver água e nutrientes de maneira mais eficiente (LEE et al., 2010).
No Japão são produzidas anualmente 500 milhões de mudas enxertadas de oleráceas (KOBAYASHI, 2005). No entanto, para o emprego da enxertia de maneira eficiente é necessário estabelecer combinações de porta-enxerto e enxerto compatíveis, uma vez que a utilização de porta-enxertos incompatíveis resultará em grandes prejuízos (GOTO; SANTOS; CANIZARES, 2003)
2.2 MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi realizado em casa de vegetação pertencente ao Setor de Olericultura e Plantas Aromático-Medicinais da Universidade Estadual Paulista, Câmpus de Jaboticabal, entre os períodos de maio de 2013 a outubro de 2013.
A semeadura dos porta-enxertos e enxerto ocorreu em bandejas de poliestireno expandido contendo 128 células preenchidas com substrato comercial de acordo com o desenvolvimento de cada planta para que atingissem o ponto ideal para realização da enxertia conjuntamente, como exemplificado na Tabela 1.
Tabela 1. Datas das semeaduras dos porta-enxertos e enxerto ideal para a realização da enxertia por fenda cheia. UNESP-FCAV, Jaboticabal, 2013.
17/04/2013 20/04/201 25/04/2013 27/04/2013 29/04/2013
Melão CNPH 01-962 Melão „Redondo
Amarelo‟ Melão „Fantasy‟ Melão CNPH 01-930 Quiabo de Metro
Melão CNPH 01-963 Melão „Gaúcho
Redondo‟ Pepino „Caipira‟ Ab. „Goianinha‟
Benincasa hispida Melão „Chilton‟ Bucha de sementes
pretas Ab. „Howden‟
Bitter Melon Melão „Gulf Coast‟ Pepino „Branco Meio
comprido‟ Ab. „Ornamental‟
Melancia „Charleston
Gray‟ Pepino „Amarelo‟
Bucha Vegetal de metro
Pepino „Hmong Red‟ Ab. de Porco
Pepino „Ovo de
Dragão‟
Moranga
„Pataca Gigante‟
Bucha sementes
brancas Ab. „Mammoth‟
Ab. „Mrs. Ma‟
Ab. „Kururu‟
Ab. „Goianinha‟
Ab. „Maranhão‟
Ab. „D‟água‟
corte de aproximadamente 1,0 cm entre as folhas cotiledonares do porta-enxerto e o corte abaixo dos cotilédones do enxerto em forma de cunha, o enxerto foi posicionado de forma que as folhas cotiledonares deste formassem um ângulo de 90°. Após o posicionando utilizou-se um prendedor próprio para cucurbitáceas para fixar o enxerto ao enxerto. Foram realizadas 40 enxertias para cada porta-enxerto totalizando 1280 enxertias.
As plantas enxertadas foram colocadas em câmara úmida, tipo “flouting” permanecendo por 14 dias e gradativamente adaptadas para o transplantio para local definitivo em casa de vegetação que ocorreu no dia 24 de maio de 2013. No momento do transplantio foi determinada a porcentagem de plantas sobreviventes (Figura 1).
Figura 1. Porta-enxerto com corte de aproximadamente 1 cm e corte em cunha do enxerto (A), posicionamento das folhas cotiledonares (B), plantas de meloeiro „Fantasy‟ enxertadas acondicionadas na câmara úmida (C) e região da enxertia completamente cicatrizada (D). UNESP-FCAV, Jaboticabal-SP, 2013.
A B
As plantas foram cultivadas em vasos de polietileno com capacidade para 13 dm3 preenchidos com substrato a base de terra, esterco e areia na proporção de
1:1:1. Em cada vaso foi transplantada uma muda de melão e os vasos dispostos em fileiras duplas no espaçamento de 1,0 m entre linhas, 0,5 m entre linhas duplas e 0,3 m entre plantas.
Utilizou-se a irrigação por gotejo com solução nutritiva recomendada para a cultura do meloeiro, empregando-se para cada litro, 200 mg de nitrogênio; 40 mg de fósforo; 165 mg de potássio; 150 mg de cálcio; 133 mg de magnésio; 100 mg de enxofre; 0,3 mg de boro; 2,2 mg de ferro; 0,6 mg de manganês; 0,3 mg de zinco; 0,05 mg de cobre e 0,05 mg de molibdênio (CASTELLANE; ARAÚJO, 1994).
A fertirrigação foi controlada por temporizador, tendo inicio às 7 horas e termino às 18 horas, de maneira intermitente. A lâmina de água a ser aplicada foi definida como sendo a necessária para que houvesse a drenagem mínima dos vasos, no momento em que a irrigação fosse cessada.
As plantas foram tutoradas com o auxílio de fitilhos plásticos amarrados a um arame rente ao vaso e a outro na altura de dois metros. Foram feitas desbrotas semanais até a altura do 10º nó e após a fixação dos frutos. Assim que as plantas atingiram a altura de dois metros tiveram o meristema apical retirado.
A polinização foi realizada manualmente, mantendo-se apenas dois frutos por planta. Para tanto, efetuou-se o raleio dos frutos sempre que necessário. O ponto de colheita foi determinado em função da formação da camada de abscisão junto ao pedúnculo, pela alteração da casca dos frutos e em função do ciclo da cultura.
Foi utilizado o delineamento em blocos ao caso, com 33 tratamentos constituídos pelos 31 porta-enxertos mais um tratamento adicional com auto-enxertia de „Fantasy‟ sobre „Fantasy‟, e testemunha plantas de meloeiro „Fantasy‟ não enxertadas e quatro repetições, cada parcela constitui-se de seis plantas distribuídas nas linhas duplas.
Foram avaliadas as seguintes características de quatro frutos de cada parcela, exceto dos itens a, b e c:
b) Massa do fruto: obtida pela média aritmética da determinação da massa de frutos de cada parcela (kg);
c) Diâmetro do caule: quando as plantas atingiram a altura de dois metros mediu-se quatro plantas de cada parcela com paquímetro digital para determinação do diâmetro do caule na região de enxertia, abaixo e acima desta;
c) Largura do fruto: obtida pela aferição do maior diâmetro transversal do fruto, utilizando paquímetro digital (mm);
d) Comprimento do fruto: obtido pela aferição do maior diâmetro longitudinal do fruto, utilizando um paquímetro (mm);
e) Índice de formato de fruto: obtido pela razão entre as médias dos diâmetros longitudinais e transversais do fruto;
f) Largura da cavidade do fruto: obtida pela aferição do maior diâmetro transversal da cavidade, utilizando paquímetro digital (mm);
g) Comprimento da cavidade do fruto: obtido pela aferição do maior diâmetro longitudinal da cavidade, utilizando paquímetro digital (mm);
h) Índice de formato da cavidade: obtido pela razão entre as médias dos diâmetros longitudinais e transversais da cavidade;
i) Espessura da polpa: determinada utilizando paquímetro digital (mm); j) Coloração da polpa: determinada visualmente (verde, amarela ou laranja);
k) Rendilhamento da casca: determinado por avaliação visual de acordo com a escala de notas, sendo 1-fraco, 2- médio e 3-intenso (Rizzo, 2004);
l) Teor de sólidos solúveis (SS): obtido por meio de refratômetro digital corrigidos à 20ºC e expressos em graus ºBrix;
m) Acidez titulável (AT): obtida por meio de uma alíquota de 10 mL de suco, ao qual foi adicionado 40 mL de água destilada e três gotas do indicador fenolftaleina alcoólica a 1%. Em seguida se fez a titulação com solução de NaOH 0,1 N, até o ponto de viragem. Os dados foram expressos em % de ácido cítrico (INSTITUTO ADOLFO LUTZ, 1985);
n) Índice de maturação: obtido por meio da relação SS/AT;
equidistantes, sendo uma para cada parte do fruto. Os resultados foram convertidos em Newton (N);
p) Vitamina C: obtida por meio da titulação com 2,6 diclorofenol indofenol de sódio (2,6 DINa) e expressos em mg de ácido ascórbico por 100 mL de suco.
A análise estatística foi realizada submetendo os dados a análise de variância (Teste de F) e as médias comparadas pelo teste de Tukey (5%).
2.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Todos os porta-enxertos proporcionaram 100% de sobrevivência das plantas até o momento do transplante, no entanto, os porta-enxertos Quiabo de metro e Bitter melon apesar da ótima sobrevivência das plantas antes do transplantio não apresentaram desenvolvimento satisfatório das mudas constatando-se a ocorrência de incompatibilidade da enxertia destes com o meloeiro rendilhado „Fantasy‟, não havendo produção de frutos (Figura 2).
2.3.1 Massa do fruto
Com relação à massa média dos frutos, plantas de meloeiro enxertadas sobre o porta-enxerto de Melão „Redondo Amarelo‟ produziram frutos com maior massa média (0,736 kg) sendo estatisticamente superior ao porta-enxerto de Abóbora „Goianinha‟ que proporcionou a produção de frutos com apenas 0,434 kg, no entanto, este não diferiu dos demais porta-enxertos e da testemunha sem enxertia (0,553 kg) (Tabela 2).
O uso da enxertia em hortaliças está atrelado a consideráveis aumentos de rendimento de frutos, independente de infecções de certas doenças de solo. Verificaram-se aumentos de 25 a 55% de massa fresca de frutos de melões orientais, fato relacionado principalmente à manutenção do vigor da planta até o final do crescimento, além da resistência a doenças (LEE et al., 2010).
Bautista et al. (2011) avaliando o efeito da realização de dupla enxertia do meloeiro sobre abóbora, verificaram aumento da massa média dos frutos, do número de frutos por planta e consequentemente da produtividade que foi 56% maior que as plantas não enxertadas (testemunha), no entanto, não observaram influência da dupla enxertia sobre a taxa fotossintética. A capacidade de absorção de nutrientes e água também foram incrementadas com o emprego da dupla enxertia.
Tabela 2. Médias de massa dos frutos, produtividade, diâmetro longitudinal do fruto (DLF), diâmetro transversal do fruto (DTF) e índice de formato fruto (IFF) do meloeiro rendilhado 'Fantasy' enxertado em diferentes porta-enxertos, auto enxertado e sem enxertia. UNESP-FCAV, Jaboticabal-SP, 2013.
Porta-enxertos Massa (kg) Produtividade (kg m-2
) (mm) DLF (mm) DTF IFF
CNPH 01-962 0,509 ab1 7,17 cdefg 102,5 a 106,8 ab 0,95 a
CNPH 01-963 0,561 ab 6,43 defg 98,6 a 106,3 ab 0,90 a
CNPH 01-930 0,514 ab 6,78 defg 99,1 a 101,3 ab 0,98 a
Melão „Redondo Amarelo‟ 0,736 a 7,36 cdefg 101,8 a 104,0 ab 0,99 a
Melão „Gaúcho Redondo‟ 0,584 ab 10,11 bcd 103,3 a 108,8 ab 0,92 a
Melão „Chilton‟ 0,455 ab 10,52 abcd 92,8 a 99,5 ab 0,93 a
Melão „Gulf Coast‟ 0,589 ab 9,04 bcdef 102,8 a 108,6 ab 0,94 a
Abóbora „Howden‟ 0,468 ab 4,21 g 94,0 a 96,1 ab 0,97 a
Abóbora „Ornamental‟ 0,674 ab 10,22 bcd 101,8 a 111,6 a 0,93 a
Abóbora de porco 0,540 ab 3,98 g 85,5 a 93,0 b 0,91 a
Abóbora „Kururu‟ 0,564 ab 7,09 cdefg 100,0 a 109,1 ab 0,92 a
Abóbora „Mammoth‟ 0,530 ab 6,68 defg 99,5 a 107,8 ab 0,93 a
Abóbora „Mra. Ma‟ 0,556 ab 8,12 cdefg 98,8 a 106,6 ab 0,92 a
Abóbora „Surprise‟ 0,574 ab 5,60 efg 99,6 a 103,1 ab 0,95 a
Abóbora „Goianinha‟ 0,434 b 5,55 efg 96,5 a 104,3 ab 0,94 a
Abóbora „Maranhão‟ 0,564 ab 10,58 abcd 98,0 a 108,3 ab 0,90 a
Abóbora „D`água‟ 0,463 ab 6,98 cdefg 92,6 a 102,8 ab 0,92 a
Abóbora „Brasileirinha‟ 0,605 ab 8,06 cdefg 97,5 a 108,1 ab 0,90 a
Pepino „Curumim‟ 0,519 ab 11,32 abc 101,3 a 105,3 ab 0,95 a
Pepino „Caipira‟ 0,625 ab 14,77 a 106,6 a 111,8 a 0,95 a
Pepino „B. Meio-comprido‟ 0,642 ab 9,66 bcde 103,6 a 109,1 ab 0,94 a
Pepino „Amarelo‟ 0,567 ab 7,33 cdefg 99,5 a 109,0 ab 0,92 a
Pepino „Hmong Red‟ 0,679 ab 9,09 bcdef 105,3 a 112,0 a 0,94 a
Pepino „Ovo de Dragão‟ 0,577 ab 7,93 cdefg 106,3 a 108,3 ab 0,95 a
Moranga „Pataca Gigante‟ 0,584 ab 5,06 fg 99,0 a 106,8 ab 0,92 a
Bucha vegetal semente preta 0,533 ab 8,72 bcdef 99,6 a 104,5 ab 0,93 a
Bucha vegetal de metro 0,546 ab 10,67 abcd 99,8 a 108,3 ab 0,93 a
Benincasa hispida 0,532 ab 7,84 cdefg 99,3 a 107,0 ab 0,91 a
Melancia „Charleston Gray‟ 0,524 ab 5,07 fg 97,0 a 103,0 ab 0,93 a
Auto-enxertia 0,519 ab 11,42 abc 101,6 a 108,6 ab 0,94 a
Sem enxertia 0,553 ab 13,09 ab 103,1 a 108,6 ab 0,94 a
Teste F 1,49NS 10,51** 3,18** 1,89** 1,45NS
DMS (Tukey, 5%) 0,2981 4,4521 2,9804 1,6986 0,0960
CV (%) 19,38 19,74 8,79 7,22 4,62
2.3.2 Produtividade
Com relação à produtividade observou-se que plantas enxertadas sobre o porta-enxerto de Pepino „Caipira‟ foram mais produtivas (14,77 kg), não diferindo da testemunha, auto-enxertia e dos porta-enxertos, Pepino „Curumim‟, Bucha vegetal de metro, Abóbora „Maranhão‟ e Melão „Chilton‟, estes obtiveram produtividades de 13,09; 11,42; 11,32; 10,67; 10,58 e 10,52 kg, respectivamente (Tabela 2). A menor produtividade foi verificada em plantas enxertadas em Abóbora de porco (3,98 kg).
Charlo et al. (2011) obtiveram produtividades de 4,55 e 3,97 kg m-2, em meloeiro „Fantasy‟ cultivado em fibra de casca de coco e solo respectivamente, valores notavelmente inferiores aos observados neste experimento, provavelmente em função do maior adensamento empregado.
2.3.3 Comprimento do fruto
Quanto ao diâmetro longitudinal do fruto não houve diferença estatística. Os valores para diâmetro longitudinal do fruto situaram-se entre 106,6 mm (Pepino „Caipira‟) e 85,5 mm (Abóbora de porco). A testemunha originou frutos com diâmetro longitudinal dos frutos de 103,1 mm. A média geral do experimento foi de 99,6 mm de diâmetro longitudinal dos frutos (Tabela 2).
Estudando a utilização da enxertia de fenda cheia de melão rendilhado „Bônus n° 2‟ sobre o híbrido de abóbora „Shelper‟, Rizzo et al. (2000), verificaram que a maior média para comprimento de fruto foi de 93,5 mm, apenas 6,1 mm abaixo da média obtida neste experimento.
2.3.4 Largura do fruto
2.3.5 Índice de formato do fruto (IFF)
O índice de formato do fruto é determinado pela relação entre a média do diâmetro transversal e do diâmetro longitudinal do mesmo. Quanto mais próximo de 1,0 indica que o fruto possui formato arredondado.
Assim como para o comprimento longitudinal dos frutos não se observou diferença estatística entre os tratamentos, sendo verificada a média de 0,93 dentre os tratamentos. O maior valor foi obtido pelo porta-enxerto Melão „Redondo Amarelo‟ (0,99) e o menor pelo Melão CNPH 01-963 (0,90), enquanto a testemunha proporcionou a produção de frutos com 0,94 de índice de formato do fruto (Tabela 2).
De acordo com a classificação de formato de frutos Lopes (1982) classifica os frutos em esféricos (IFF até 1,0), oblongos (IFF de 1,1 a 1,7) e cilíndricos (IFF > 1,77). Com base nesta classificação os frutos deste experimento foram considerados esféricos, ficando abaixo do valor de 1,0 para o IFF.
Uma vez que a seleção de frutos é feita por meio do tamanho dos frutos, separando-os em arredondados e ovalados, o índice de formato do fruto torna-se uma característica de grande importância comercial. Esta característica influencia no processo de embalagem, transporte e comercialização, sendo que os frutos compridos ocupam maior espaço e dificultam o acondicionamento (SANTOS et al., 2011). No entanto, todos os formatos são aceitos pelo mercado consumidor, porém os esféricos seriam mais adequados por permitirem melhor arranjamento nas embalagens comerciais (PÁDUA et al., 2003).
2.3.6 Comprimento da cavidade do fruto
2.3.7 Largura da cavidade do fruto
Frutos de melão de qualidade devem possuir os menores valores de comprimento e largura da cavidade possível, pois quanto menor estes valores maior o rendimento da polpa e melhor resistência ao transporte e vida útil pós-colheita dos frutos (NUNES et al., 2004).
Não ocorreu diferença estatística entre os tratamentos para diâmetro transversal do lóculo; sendo que os valores oscilaram entre, 63,5 mm (Pepino „Caipira‟) e 51,5 mm (Abóbora „Howden‟). Frutos produzidos por plantas não enxertadas apresentaram diâmetro transversal do lóculo de 53,1 mm e a média geral foi de 57,7 mm (Tabela 3).
Segundo Coelho et al. (2003) a adubação nitrogenada pode causar aumento da largura da cavidade de frutos de melão rendilhado, sendo os maiores valores para esta características 60,6 mm, obtidos em casa de vegetação e 59,2 mm em campo, valores inferiores aos verificados neste experimento que atingiu até 63,5 mm de largura da cavidade.
2.3.8 Índice de formato da cavidade do fruto
A cavidade do fruto é um atributo de qualidade dos melões rendilhados e é desejável que este espaço interno seja reduzido (HARTZ, 1997).
Tabela 3. Médias de diâmetro longitudinal do lóculo (DLL), diâmetro transversal do lóculo (DTL), índice de formato do lóculo (IFL), espessura da polpa (EP) e rendilhamento (R) de melão rendilhado „Fantasy‟ enxertados em diferentes porta -enxertos, auto enxertados e sem enxertia. UNESP-FCAV, Jaboticabal-SP, 2013.
Porta-enxertos DLL (mm) DTL (mm) IFL EP (cm) R(2)
CNPH 01-962 67,6 a1 61,5 a 1,10 a 27,60 a 2,33 a
CNPH 01-963 63,3 a 60,6 a 1,04 a 25,30a 2,16 a
CNPH 01-930 64,3 a 56,8 a 1,13 a 26,00 a 2,50 a
Melão „Redondo Amarelo‟ 62,1 a 59,1 a 1,05 a 26,30 a 2,00 a
Melão „Gaúcho Redondo‟ 67,1 a 57,5 a 1,16 a 27,30 a 1,83 a
Melão „Chilton‟ 61,3 a 55,1 a 1,10 a 25,10 a 2,33 a
Melão „Gulfcoast‟ 68,0 a 58,3 a 1,17 a 27,80 a 2,83 a
Abóbora „Howden‟ 58,3 a 51,5 a 1,12 a 25,10 a 1,83 a
Abóbora „Ornamental‟ 63,8 a 61,1 a 1,05 a 30,00 a 2,66 a
Abóbora de porco 54,0 a 54,1 a 0,99 a 24,20 a 2,33 a
Abóbora „Kururu‟ 65,8 a 58,1 a 1,13 a 28,00 a 2,16 a
Abóbora „Mammoth‟ 65,3 a 58,3 a 1,12 a 26,10 a 2,16 a
Abóbora „Mra. Ma‟ 71,0 a 57,8 a 1,23 a 25,60 a 2,33 a
Abóbora „Surprise‟ 62,1 a 55,8 a 1,12 a 27,10 a 2,83 a
Abóbora „Goianinha‟ 60,5 a 52,0 a 1,15 a 26,60 a 2,66 a
Abóbora „Maranhão‟ 61,0 a 57,0 a 1,05 a 27,00 a 2,16 a
Abóbora „D`água‟ 62,0 a 53,6 a 1,17 a 26,50 a 2,33 a
Abóbora „Brasileirinha‟ 72,1 a 60,3 a 1,19 a 26,10 a 2,00 a
Pepino „Curumim‟ 66,6 a 55,8 a 1,20 a 27,10 a 2,33 a
Pepino „Caipira‟ 65,5 a 63,5 a 1,03 a 26,50 a 2,66 a
Pepino „B. Meio-comprido‟ 70,6 a 60,3 a 1,17 a 26,80 a 2,00 a
Pepino „Amarelo‟ 66,8 a 60,8 a 1,09 a 27,00 a 2,50 a
Pepino „Hmong Red‟ 69,3 a 62,5 a 1,10 a 27,30 a 2,66 a
Pepino „Ovo de Dragão‟ 68,5 a 58,0 a 1,18 a 28,30 a 2,83 a
Moranga „Pataca Gigante‟ 62,8 a 55,9 a 1,18 a 26,00 a 2,66 a
Bucha vegetal semente preta 65,5 a 55,8 a 1,16 a 26,30 a 2,33 a
Bucha vegetal de metro 62,3 a 62,0 a 1,00 a 28,60 a 3,00 a
Benincasa hispida 62,1 a 58,8 a 1,05 a 26,00 a 2,83 a
Melancia „Charleston Gray‟ 60,6 a 55,3 a 1,09 a 26,50 a 2,66 a
Auto-enxertia 65,6 a 56,6 a 1,16 a 28,50 a 2,50 a
Sem enxertia 65,6 a 53,1 a 1,24 a 29,50 a 2,50 a
Teste F 3,15** 1,68* 1,37 NS 22,80NS 2,02**
DMS (Tukey, 5%) 34,3612 32,2947 0,3026 0,2974 0,3312
CV (%) 11,61 10,12 12,12 11,07 8,11
1Médias seguidas pelas mesmas letras nas colunas não diferem entre si pe
A fraca ligação da estrutura que contém as sementes e a polpa, esta diretamente relacionada com o aumento da cavidade dos frutos, podendo ocorrer desprendimento das sementes e até mesmo a fermentação dos frutos, reduzindo consideravelmente sua qualidade, fato não observado nos frutos deste experimento.
2.3.9 Espessura da polpa
A maior espessura da polpa é altamente desejável, já que, se trata da parte comestível do fruto, aumentando a massa do mesmo. Para a cultivar „Valenciano Amarelo‟ a faixa ideal de espessura da polpa é de 25,0 a 40,0 mm (COELHO et al., 2003). Esta é uma característica relacionada ao transporte e a comercialização, sendo que quanto maior o mesocarpo, melhor resistência ao transporte e maior durabilidade pós-colheita do fruto (SANTOS et al., 2011)
Não observou-se diferença para espessura da polpa dos frutos de melão, verificando valores de 30,0 mm (Abóbora „Ornamental‟) a 24,2 mm (Abóbora de porco), testemunha produziu frutos com 29,5 mm de espessura da polpa e a média geral foi de 26,8 mm (Tabela 3).
2.3.10 Coloração da polpa do fruto
O emprego de enxertia pode influenciar a coloração da polpa dos frutos de melão, fato observado por Ito (2006) que verificou mudança da cor de verde claro para alaranjado da polpa de melão rendilhado „Bônus n° 2‟ enxertado sobre uma progênie de melancia da Coréia. No entanto, neste experimento não foi observado mudança de coloração da polpa de melão que permaneceu verde claro, cor característica da cultivar empregada „Fantasy‟.
2.3.11 Rendilhamento da casca