CURSO DE MESTRADO EXECUTIVO
OS
PROCESSOS
DE
INSERÇÃO
E ATUAÇÃO
DO
ISAE
JUNTO
À COMUNIDADE
EMPRESARIAL PARANAENSE
Dissertação
apresentada à
Escola
Brasileira
de
Administração
Pública e de Empresas para obtenção do grau de Mestre
NORMAN DE PAULA ARRUDA
FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS
ESCOLA
BRASILEIRA
DE
ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA
CENTRO
DE
FORMAÇÃO
ACADÊMICA
E PESQUISA
CURSO DE MESTRADO EXECUTIVO
TÍTULO
OS
PROCESSOS
DE
INSERÇÃO
E ATUAÇÃO
DO
ISAE
JUNTO
À COMUNIDADE
EMPRESARIAL PARANAENSE
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APRESENTADA POR:
NORMAN DE PAULA ARRUDA
APROVADO
PELA COMISSÃO EXAMINADORA
HERM^NO
ROBERTO
THIRY-CHERQUES
Doutor em Engenharia da Produção
PAULO ROBERTO DE MENDONÇA MOTTA
Doutor em Ad^ni^tração pública
CARLOS IVAN SIMONSEN LEAL
CENTRO
DE
FORMAÇÃO
ACADÊMICA
E PESQUISA
MESTRADO EXECUTIVO
OS
PROCESSOS
DE
INSERÇÃO
E ATUAÇÃO
DO
ISAE
JUNTO À
COMUNIDADE EMPRESARIAL PARANAENSE
NORMAN DE PAULA ARRUDA FILHO
ORIENTADOR: PROF. DR. HERMANO R. THIRY-CHERQUES
CURITIBA - PR
II
OS
PROCESSOS
DE
INSERÇÃO
E
ATUAÇÃO
DO
ISAE
JUNTO
À
COMUNIDADE EMPRESARIAL PARANAENSE
NORMAN DE PAULA ARRUDA FILHO
Dissertação submetida ao Corpo Docente do Centro de Formação Acadêmica e
Pesquisa da Escola Brasileira de Administração Pública e Empresarial - EBAPE
-da Fundação Getulio Vargas - FGV - como parte dos requisitos necessários à
obtenção do grau de Mestre em Ciências (M. Sc).
Aprovada por:
Curitiba - PR
Dedicatória
A Naira e aos meus filhos Naiana, Norman Neto e Nicole
IV
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao Professor Hermano R. Thiry-Cherques, meu orientador, pela confiança
em mim depositada e segurança transmitida quando do desenvolvimento do
trabalho.
Ao amigo Bianor S. Cavalcanti, que muito me honra com a sua amizade.
Aos amigos Sylvio e Maria Elizabeth Johann que sempre me ajudaram na busca da
literatura.
Ao meu pai e a minha mãe pela compreensão e generosidade.
A minha esposa Naira, minhas filhas Naiana e Nicole e ao meu filho Neto pelo
apoio, incentivo e compreensão.
A professoras Corina Lúcia Costa Ramos e Daisy Grisólia, pelo entusiasmo,
competência e extrema dedicação demonstrada na condição de colaboradora do
presente trabalho.
Aos amigos, Roberval Eloy Pereira e ao Nilson Pohl pela ajuda sempre presente.
Aos colaboradores do ISAE que de algum modo participaram ou contribuíram para
SUMARIO
LISTA
DE
ILUSTRAÇÕES
VI
SIGLAS,
ACRÔNIMOS
E SIMILARES
VII
RESUMO X
ABSTRACT XI
1
INTRODUÇÃO
1
1.1 O ISAE E A NATUREZA DO ESTUDO 1
1.2 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA 6
1.3
JUSTIFICATIVA:
RELEVÂNCIA
E OPORTUNIDADE
DO
TRATAMENTO
DO PROBLEMA 6
1.4 OBJETIVO 7
1.5
MÉTODO
E LIMITAÇÕES
7
2
MÉTODO:
ESTUDO
DE
CASO
10
2.1 O ESTUDO DE CASO APLICADO AO ISAE 10
2.2 PRESSUPOSTOS ASSUMIDOS 12
2.3
EXPLICITAÇÃO
DOS
PRESSUPOSTOS
NA
LITERATURA
E HISTÓRIA
DO ISAE 12
2.4
OS
PROCEDIMENTOS
METODOLÓGICOS
ADOTADOS
25
3
UMA
RETOMADA
HISTÓRICA
29
3.1
O ISAE
NO
ATENDIMENTO
À EXPANSÃO
REGIONAL
DA
FGV
29
3.2
A AMBIÊNCIA
DA
ECONOMIA
PARANAENSE
E O ISAE
35
3.3 OS EIXOS NORTEADORES DAS AÇÕES DO ISAE EM SEUS
PROCESSOS DE INSERÇÃO E ATUAÇÃO NA COMUNIDADE 37
3.3.1 Eixo Norteador da Internacionalização 38
3.3.2 Eixo Norteador da Articulação e Promoção Institucional 53
3.3.3 Eixo Norteador da Customização Regionalizada 64
3.3.4 Eixo Norteador do Empreendedorismo e Inovação 74
4
DISCUSSÃO
DOS
DADOS
DA
PESQUISA
EMPÍRICA
93
4.1 DADOS COLETADOS JUNTO AOS ALUNOS A PARTIR DO
FORMULÁRIO
- PADRÃO
DE
AVALIAÇÃO
93
4.2 DADOS COLETADOS JUNTO AOS EGRESSOS, A PARTIR DE
QUESTIONÁRIO
ELABORADO
97
4.3
DADOS
COLETAS JUNTO
ÀS
LIDERANÇAS
EMPRESARIAIS,
PARCEIROS E PROFESSORES DA FGV, A PARTIR DAS ENTREVISTAS
REALIZADAS 99
4.4 DADOS COLETADOS JUNTO AOS ALUNOS.EGRESSOS E PROSPECTS
A PARTIR
DE
QUESTIONÁRIO
SELECIONADO
105
5
ANÁLISE
DOS
EIXOS
NORTEADORES
111
6
SÍNTESE
E CONCLUSÕES
121
REFERÊNCIAS
127
APÊNDICES
130
VI
LISTA
DE
ILUSTRAÇÕES
QUADRO 1 - TIPOS DE INSTRUMENTOS APLICADOS NA PESQUISA
EMPÍRICA
28
QUADRO
2 -
EIXOS
NORTEADORES
DAS
AÇÕES
ESTRATÉGICAS
DO
ISAE NO CONTEXTO DO ESTUDO DE CASO 38
QUADRO 3 - ISAE COMO REFLETOR, PROPAGADOR E INTEGRADOR
DA FGV NA COMUNIDADE PARANAENSE 55
QUADRO
4 -
DIMENSÕES
COMPREENDIDAS
NO
ESTUDO
DE
CASO
DO ISAE 110
QUADRO
5 -
MATRIZ
DOS
RESULTADOS
DA
ANÁLISE
DOS
EIXOS
:
ÊNFASES
PERCEBIDAS
SEGUNDO
OS
CRITÉRIOS
120
GRÁFICO
1 -
EVOLUÇÃO
DO
NÚMERO
DE
ALUNOS
DO
GBA
71
GRÁFICO
2 -
EVOLUÇÃO
DO
NÚMERO
DE
TURMAS
DO
GBA
72
GRÁFICO
3 -
TENDÊNCIAS
DE
MELHOR
AVALIAÇÃO
ATRIBUÍDA
AOS CURSOS 1996-2001 95
GRÁFICO
4 -
EVOLUÇÃO
DO
NÚMERO
DE
ALUNOS
MBA
96
GRÁFICO
5 -
EVOLUÇÃO
DO
NÚMERO
DE
TURMAS
MBA
96
GRÁFICO
6 -
PERCEPÇÃO
DOS
EGRESSOS
DOS
CURSOS
DE
PÓS
-GRADUAÇÃO 98
GRÁFICO
7 -
ATÉ
QUE
PONTO OS
CURSOS
AUXILIARAM
PARA
UMA
MELHORA DO DESEMPENHO PROFISSIONAL 98
GRÁFICO
8 -
ATÉ
QUE
PONTO
OS
CURSOS
AUXILIARAM
OS
NEGÓCIOS
PESSOAIS
OU
DA
EMPRESA
ONDE
ATUAM
OS EGRESSOS 98
GRÁFICO
9 -
EM QUE GRAU
OCORREU
MELHORIA
DAS
NETWORKS
99
GRÁFICO
10
-
IMAGEM
DA
INSTITUIÇÃO
VOLTADA
À PREPARAÇÃO
DE
EXECUTIVOS MAIS CONHECIDA - TOP OF MIND 105
GRÁFICO
11
-
IMAGEM
DO
ISAE
107
GRÁFICO
12
-
MEIOS
CONSIDERADOS
MAIS
EFICAZES
PARA
DIVULGAÇÃO 108
GRÁFICO
13
-
GRAU
DE
SATISFAÇÃO
EM
RELAÇÃO
AO
ENSINO
RECEBIDO DO ISAE 109
TABELA
1 -
RESULTADO
DAS
AVALIAÇÕES
DOS ALUNOS
PERÍODO
1996-2001 94
TABELA
2 -
DISTRIBUIÇÃO
DA
AMOSTRAGEM
DOS
EGRESSOS
1997
SIGLAS,
ACRÔNIMOS
E SIMILARES
ACP ADVB AEAEs AEB ALÇA ANPROTEC BID BLG BPW CEAE CEF CEFIR CEMES CIDS CIETEP CIPAD CITPAR CLAD CNI CNPQ COMPET COOPSPORT COPEL CPDOC DASP EAESP EBAP EDAN EMPRETEC ENAEX EPA EPGE FDRH FENABRAVE FGV FIEMGAssociação Comercial do Paraná
Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil
Áreas Estratégicas de Atenção Especial
Associação Brasil de Comércio Exterior
Área de Livre Comércio das Américas
Associação Nacional de Entidades Promotoras de
Empreendimentos de Tecnologias Avançadas
Banco Interamericano para o Desenvolvimento
Bremen Lagerhaus Gesselshaep
Associação das Mulheres de Negócios
Curso de Especialização em Administração de Empresas
Caixa Econômica Federal
Centro de Formação para a Integração Regional
Curso de Especialização em Marketing com Enfoque em
Serviços
Centro Internacional de Desenvolvimento Sustentável
Centro Integrado das Empresas e Trabalhadores do Estado do
Paraná
Curso de Pós-Graduação em Administração Pública
Centro de Integração de Tecnologia do Paraná
Centro Latinoamericano de Administración para ei Desarrollo
Confederação Nacional da Indústria
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico
Sub-programa Desenvolvimento de Competências
Cooperativa de Profissionais de Gestão Esportiva do Paraná
Companhia Paranaense de Energia
Centro de Pesquisa e Documentação
Departamento Administrativo do Serviço Público
Escola de Administração de Empresas de São Paulo
Escola Brasileira de Administração Pública
Escola de Administração de Negócios de Educação Superior
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento de
Empresas
Encontros Nacionais de Comércio Exterior
Agência Americana de Proteção Ambiental
Escola de Pós-Graduação em Economia
Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos do
Rio Grande do Sul
Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores
Fundação Getulio Vargas
VIII FIEP FIERGS FIESC FINEP GBA GEN GERH GSA GTU GV-PEC IAPAR IASP IBRE IEL IGEA IIGTU IMAP INDES INSS IPARDES IPEA ISAD ISAE ISL LACTEC LMOP MBA MIT NAFTA OAB OCEPAR OIT ONG ONU PIB PMBOK PMC PMI PROHASA PUC RH RIT SANEPAR
Federação das Indústrias do Estado do Paraná
Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina
Financiadora de Estudos e Projetos
Global Business Administration
Gerência Avançada de Negócios
Grupo de Executivos de Recursos Humanos
Global Social Administration
Instituto Internacional de Gestão Técnica do Meio Urbano
Getulio Vargas - Programa de Educação Continuada
Instituto Agronômico do Paraná
International Association of Science Parks
Instituto Brasileiro de Economia
Instituto Euvaldo Lodi
Instituto Gaúcho de Estudos Automotivos
Instituto Internacional de Gestão Tecnológica do Meio Urbano
Instituto Municipal de Administração Pública de Curitiba
Instituto Interamericano para o Desenvolvimento Social
Instituto Nacional de Seguridade Social
Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social
do Paraná
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
Instituto Superior de Administração
Instituto Superior de Administração e Economia
Institut fur Seeverkehrwirshaft und Logistic
Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento
Programa de Biogás Gerado por Resíduos Sólidos
Master Business Administration
Massachusetts Institute of Tecnology
North American Free Trade Agreement
Ordem dos Advogados do Brasil
Organização das Cooperativas do Estado do Paraná
Organização Internacional do Trabalho
Organização Não Governamental
Organização das Nações Unidas
Produto Interno Bruto
Project Management Body of Knowledge
Prefeitura Municipal de Curitiba
Project Management Institute
Programa de Estudos Avançadas em Administração Hospitalar
e de Sistemas de Saúde
Pontifícia Universidade Católica
Recursos Humanos
Rede ISAE de Talentos
SEBRAE Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
SESCOOP Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo
TECPAR Instituto de Tecnologia do Paraná
TELEPAR Companhia de Telecomunicações do Paraná
UCF University of Central Flórida
UFPR Universidade Federal do Paraná
UNICEF Fundo das Nações Unidas para a Infância
UNIFEM Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
UTC Université Tecnologique de Compiègne
X
RESUMO
A proposta realizada nesta Dissertação é a de evidenciar a participação do
Instituto Superior de Administração e Economia do Mercosul da Fundação Getulio
Vargas, no desenvolvimento empresarial e regional do Paraná. Seis anos, desde
sua criação no Estado, em 1996, é o período de tempo focalizado e descrito
mediante as diversas evidências coletadas no Estudo de Caso. Os focos da
contextualização do trabalho são os processos de inserção e atuação do Instituto
na comunidade paranaense, com ênfase no meio empresarial. O estudo aponta
as iniciativas e empreendimentos integrantes de sua memória institucional. Como
categorias de análise no estudo, foram caracterizados na literatura, em seus
conceitos principais, e explicitados na prática do ISAE, os eixos de
Internacionalização, Articulação e Promoção Institucional, Customização
Regionalizada , Empreendedorismo e Inovação, cujas ações possibilitaram o
conhecimento, aceitação, reconhecimento e o sentido de pertencimento do ISAE
pela comunidade, e também a inserção e atuação da própria comunidade, com
ênfase no meio empresarial, no cotidiano do Instituto.
O papel de refletor da marca FGV como integrador dos produtos de suas
diversas Unidades proporcionou a quebra de resistências iniciais de uma cultura
avessa a influências estranhas. A investigação empírica realizada no Estudo de
Caso.com os alunos, egressos e lideranças da comunidade evidencia e ressalta,
nos resultados obtidos, a valorização do espírito inovador, a credibilidade e
confiança, bem como a modernidade e o respeito que a Instituição conquistou em
sua trajetória. As conclusões do estudo realizado demonstram que a forma de
condução que o ISAE, como uma instituição de modelo organizacional
descentralizado, vem implementando atende e supera as expectativas que
ABSTRACT
The aim of this dissertation is to point out the participation of the High Institute of
Administration and Economics (ISAE) - Mercosul of the Getulio Vargas Foundation
through its effective contributions to the corporate regional development of the State
of Paraná. Six years, time it has been established in Curitiba, is the period which has
been focused and described by means of evidence collected throughout the case
study. The study contextualization targets are the insertion and actuation of the
Institute in the community of the State of Paraná with an emphasis on the corporate
scenario. It also points to the initiatives and ventures which constitute its institutional
memory. As study categories, the axes of Internalization, Articulation and Institutional
Promotion, Regional Customizing, Entrepreneurship and Innovation have been
featuredin the literature regarding their main concepts and have been described in
ISAE's policies and practices. The application of these axes contributes to the
awareness which the community developed toward the Institute as one of
recognition, acceptance, and sense of belonging. It also reflects the insertion and
actuation of this community in the lnstitute's routine within the corporate scenario .
ISAE's role both as a product reflector as well as a product integrating force among
the affilliates caused the breaking of that already expected initial opposition to
outside influences. The results of the empirical research involving both current and
former students as well as community leaders point out and highlight the importance
of the innovating spirit, as well as the reliability, credibility and modernity the Institute
has been accomplishing since its establishment.
The conclusions thus reached show that ISAE's managing policies in force, which
follow a decentralized organizational framework model, meet or else go beyond the
OS
PROCESSOS
DE
INSERÇÃO
E ATUAÇÃO
DO
ISAE
JUNTO À COMUNIDADE EMPRESARIAL PARANAENSE
1 INTRODUÇÃO
1.1 O ISAE EA NATUREZA DO ESTUDO
O argumento principal desta Dissertação é evidenciar as contribuições
do Instituto Superior de Administração e Economia do Mercosul da Fundação
Getulio Vargas (ISAE) à comunidade empresarial paranaense, considerando os
processos
de
inserção
e atuação
junto
a essa
comunidade,
no
decorrer
dos
seis
anos de sua existência (1996-2001).
O ISAE, por meio de suas funções, busca concretizar a formação de
lideranças
do
segmento
gerencial
de
alto
nível
e oportunizar
o aprimoramento
do
meio empresarial paranaense, com a decorrente influência no desenvolvimento
regional.
Neste trabalho, pretende-se resgatar a trajetória da Instituição, desde a
criação
até
o momento
atual,
utilizando-se,
para
isso,
de
uma
pesquisa
documental,
complementada por uma investigação empírica junto com segmentos representantes
da comunidade (alunos, egressos, prospects, professores FGV, lideranças e
parceiros).
Os processos de inserção e atuação do ISAE vêm se efetivando,
desde
fevereiro
de
1996,
em
conformidade
ao
modelo
de
gestão
descentralizada
com relação à Fundação Getulio Vargas, mediante as funções previstas em
Estatuto:
ensino,
consultoria
e pesquisa,
orientados pelos
princípios
norteadores
de
suas ações.
O ensino é executado mediante a oferta de diferentes cursos de
Pós-Graduação
lato
sensu,
(incluindo
MBA's)
abertos
ao
público
em
geral,
e mais
recentemente, de proposta de Mestrado (stricto sensu), que conta, inclusive, com
parceria
institucional
do
exterior.
Outras
frentes
para
a criação
e implementação
de
Cursos referem-se aos cursos oferecidos in company, e àqueles de extensão, de
A consultoria
vem
se
expressando
como
uma
função
decorrente
da
articulação
institucional
e da
capilaridade,
gerada
pela
quantidade
e qualidade
dos
cursos,
com
vistas
a tornar
o Instituto
Superior
de
Administração
e Economia
um
pólo provedor de soluções empresariais integradas à comunidade paranaense.
Por meio da pesquisa, como função complementar e integrada ao
ensino
e à consultoria,
a Instituição
assume
a produção de
conhecimento,
a partir
de
objetos
específicos
de
estudo,
voltados
a determinadas
áreas
definidas
como
de
interesse
prioritário.
Nesse
contexto,
ao
longo
de
sua
trajetória,
vêm
sendo
criadas
as
Áreas
Estratégicas
de
Atenção
Especial
(AEAEs),
implementadas
por
meio de vários Núcleos, dentro da estrutura do ISAE.
O
responsável
pela
realização
do
presente
trabalho,
caracterizado
como um Estudo de Caso, é o Superintendente do Instituto, que vem
desempenhando
suas
funções
durante
todo
o período
de
existência
do
ISAE
paranaense.
O
Estudo
de
Caso
compreende
o entendimento
e a descrição
do
conjunto
de
planos,
ações
e iniciativas
desenvolvidas
pelo
Instituto,
dentro
de
seu
modelo de
gestão
descentralizada,
a partir
da
análise
de
quatro eixos
norteadores
de suas ações.
Os eixos norteadores das ações do ISAE, caracterizados no decorrer
da
pesquisa
documental,
consistem
nos
princípios
que
norteiam
os
processos
de
inserção
e atuação
institucional
junto
à comunidade
paranaense.
Pode-se
afirmar,
ainda,
que
esses
dois
processos
vêm
ocorrendo,
em
duplo
sentido,
pois
com
a
mesma
força
de
incorporação
da
Instituição
à comunidade,
esta
se
insere
e
participa na Instituição.
Os
princípios
norteadores
das
ações,
assumidos
na
história
do
ISAE
e, no
presente
trabalho,
denominados
Eixos,
são:
Internacionalização,
Articulação
e Promoção Institucional, Customização Regionalizada e Empreendedorismo e
Optou-se por adotar a expressão "eixos" devido a uma analogia com o
sistema nervoso,1 pois a parte central desse sistema é composta pelo eixo
cérebro-espinhal, a partir do qual os estímulos são enviados e as sensações do
mundo externo são recebidas. Considera-se a parte nobre do organismo,
assumindo-se que possa ser a sede da inteligência,
o lugar onde se formam as idéias e o lugar do qual partem as ordens para a
execução dos movimentos e para a regulação de todas as funções.
Utilizando-se dessa analogia, pode-se compor um quadro explicativo
no qual cada um dos eixos, identificados e analisados no trabalho, sejam
condutores dos estímulos organizacionais, emanados do ISAE para a comunidade, e
que por meio dos próprios eixos, as respostas da comunidade paranaense sejam
percebidas pela Organização.
Continuando ainda com a mesma analogia, assume-se a explicação de
que os eixos consistem nos princípios da inteligência organizacional, os quais
formam as idéias e dos quais partem as estratégias utilizadas para a execução dos
diferentes movimentos da Organização. "Conhecimento, inovação e
empreendedorismo formam, assim, um tripé indissociável para o sucesso das
organizações na nova economia. A esta sinergia entre conhecimento, inovação e
empreendedorismo damos o nome de inteligência empresarial." (CAVALCANTI e
GOMES, 2001).
O primeiro eixo norteador é o da Internacionalização, o qual
acompanha o Instituto Superior de Administração e Economia desde sua criação, e
justifica, inclusive, o sobrenome Mercosul. Esse eixo contextualiza as ações do
Instituto, a partir do reconhecimento da importância desse fenômeno
contemporâneo, perante a transformação da economia paranaense. O impacto na
comunidade, pelo grande número de empresas estrangeiras que vêm se instalando
nos últimos anos, em decorrência da globalização e dos fatores de atração de
investimentos diretos apresentados pelo Paraná no contexto nacional e
"Com a denominação de sistema nervoso compreendemos aquele conjunto de órgãos que transmitem a todo o organismo os
impulsos necessários aos movimentos e às diversas funções, e recebem do próprio organismo e do mundo externo as
sensações.No sistema nervoso distingue-se uma parte nervosa central, formada pelo eixo cérebro-espinhal, da qual partem os
estímulos e à qual chegam as sensações, e uma parte nervosa periférica, formada pelos nervos, os quais servem para
"conduzir" a corrente nervosa. Os nervos transportam â periferia os estímulos e dela recebem as diversas sensações que, com
percurso inverso, são conduzidas ao sistema nervoso central.O sistema nervoso central é a parte nobre do nosso organismo:
por presunção é a sede da inteligência, o lugar onde se formam as idéias e o lugar do qual partem as ordens para a execução
dos movimentos, para a regulação de todas as funções." Informação anotada em 06-07-2002 no site
conectividade multicultural.
O segundo eixo considerado trata do conjunto de ações decorrentes
do princípio da Articulação e Promoção Institucional, especialmente formulada, e
progressivamente implementada, nas relações adotadas pelo ISAE, no Estado do
Paraná, o qual, tradicionalmente, apresenta-se com uma cultura fechada e avessa
às influências externas.2 O divulgar, valorizando a marca, os valores, os princípios,
os produtos e o acervo da Fundação Getulio Vargas (FGV), de suas Escolas,
Institutos, Centros de Estudo e de Pesquisa direciona as estratégias peculiares a
este eixo para conquistar o conhecimento e a aceitação do ISAE por parte da
comunidade. Os recursos para alcance desse objetivo são os da comunicação
social e marketing institucional e de relacionamento com alunos, egressos,
professores, parceiros, prospects e a comunidade empresarial em geral.
A Customização Regionalizada é assumida como outro eixo norteador
no contexto dos processos de inserção e atuação do ISAE junto à comunidade.
Compreende estratégias para conhecimento do perfil dos diferentes clientes, suas
características, necessidades, demandas e expectativas, com vistas a adequar os
produtos FGV e criar outros cursos e serviços oferecidos ao mercado. Por meio
deste princípio da customização regionalizada, o ISAE mantém sempre, como foco
de suas ações, a agregação de valor como forma de diferenciação competitiva, com
a busca permanente da qualidade acadêmica e organizacional.
Por fim, o quarto eixo norteador expressa a vivência do
Empreendedorismo e Inovação, presente no decorrer da evolução histórica do
Instituto, como vocação em seu processo de desenvolvimento, mediante estratégias
de abertura ao novo, com comportamentos pró-ativos de antecipação organizacional
em relação aos desafios constantes de mudança e de transformação, muitas vezes
apenas insinuados em cenários futuros, visando à criação e consolidação da
inteligência organizacional, em estreita relação com o conhecimento mobilizado pela
integração de todos os eixos norteadores.
2 Em artigo recente, publicado no suplemento Viver Bem , p. 8, Jornal Gazeta do Povo, em 31 de março de 2002, encontra-se
uma referência sobre essa característica cultural, em depoimento do publicitário Mario D'Andrea. "Quanto à proverbial fama do
Essa integração se expressa na sustentação do projeto institucional, ao
serem identificadas como simultâneas e mescladas na linha do tempo, por meio das
decisões inovadoras e pioneiras (Empreendedorismo e Inovação) as investidas
internacionais regionalizadas dentro e fora do âmbito do Mercosul
(Internacionalização), a constante ampliação de produtos e serviços com foco na
qualidade para atendimento às demandas e necessidades da comunidade
paranaense (Customização Regionalizada) e as ações de Articulação e Promoção
Institucional, com a intenção de romper as barreiras presentes na cultura local.
Assim, o conjunto de informações, devidamente sistematizadas,
apresenta-se suportado por um inventário de atividades, eventos, documentos,
declarações, publicações, material de mídia e de manifestações de lideranças
paranaenses, contidos na memória do ISAE que, por ocasião do presente trabalho,
também foi organizada. Para assegurar maior entendimento por parte do leitor,
essas informações, de acordo com as ênfases percebidas, foram categorizadas em
cada um dos eixos norteadores.
O Estudo de Caso compreende uma pesquisa empírica, com
aspectos qualitativos e quantitativos, que revela a imagem do ISAE, percebida por
alunos, egressos, prospects, lideranças da comunidade empresarial paranaense e
parceiros do Instituto, e que evidencia o grau de satisfação de seus alunos e
egressos quanto aos conhecimentos adquiridos nos cursos realizados.
A análise dessa trajetória histórica é feita com base nos eixos
norteadores, conceitualmente fundamentados por bibliografia selecionada, e apoiada
nos dados coletados na investigação realizada, quanto aos aspectos da imagem do
ISAE e da satisfação expressa em relação a seus produtos de ensino. O processo
de análise realizado pretende demonstrar as evidências da efetiva contribuição do
Instituto para o processo de crescimento pessoal e profissional dos seus alunos e
egressos, para o aprimoramento da gestão no meio empresarial paranaense e, por
conseqüência, para o impacto no desenvolvimento sócioeconômico do Estado do
Paraná.
A realidade é expressa sob a ótica de um dos atores do processo da
evolução organizacional do Instituto que, em apenso ao presente trabalho,
timidez natural - que se origina na cultura de um povo etnicamente diversificado e que, a princípio, num país distante de suas
vivido e as dos respondentes à pesquisa.
Por meio do Estudo de Caso é feita, portanto, a análise dos eixos
detectados, com apoio nas pesquisas documental, empírica e bibliográfica,
culminando com uma síntese e conclusões, ao final do trabalho, considerando as
questões propostas na delimitação do problema.
1.2 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA
Devido à natureza do problema que tem como foco principal a
explicitação de um processo complexo da Instituição em sua trajetória histórica,
propõe-se sua delimitação, a partir dos seguintes questionamentos:
- Como vêm se expressando na prática, no decorrer dos seis
anos de existência, os eixos norteadores presentes nos processos de
inserção e atuação do ISAE em relação à comunidade paranaense?
- Como é percebida a imagem do ISAE por representantes da
comunidade paranaense (alunos, egressos, prospects, lideranças,
parceiros e professores da FGV?)
- Qual o nível de satisfação dos alunos e egressos quanto aos
cursos de pós-graduação oferecidos pelo ISAE?
1.3 JUSTIFICATIVA: RELEVÂNCIA E OPORTUNIDADE DO TRATAMENTO
DO PROBLEMA
Considerando a nova dinâmica da economia paranaense3, em suas
realizações e em seu potencial, assume-se que as instituições formadoras de
profissionais para atuação nos diversos segmentos do mercado de trabalho devem
identificar características, necessidades, demandas e expectativas da comunidade,
3 A nova dinâmica da economia paranaense caracteriza-se por: alteração da composição do PIB com crescimento acima da
média nacional, pela forte política de atração de investimentos e pela geração de empregos, principalmente na indústria
disponibilizando produtos e serviços adequados à nova realidade e abertos a uma
visão de futuro.
Para tanto, é imperativo o investimento na formação e capacitação
de profissionais aptos a enfrentar as mudanças e as adversidades do mercado, os
quais buscarão transformar ameaças em oportunidades. Todas as ações devem
voltar-se, portanto, para a qualificação dos agentes empreendedores que atuam no
novo cenário empresarial.
O problema abordado neste estudo justifica-se na medida em que
essa premissa é assumida para orientar a prática do ISAE junto à comunidade
paranaense, principalmente porque o Instituto possui em seu escopo as funções de
ensino, consultoria e pesquisa, que mobilizam conhecimentos e competências para
qualificação de pessoas e organizações neste novo cenário.
Essas três funções necessitam constantemente de avaliação com
vistas à obtenção de melhorias contínuas em sua efetividade e à identificação de
oportunidades para implementar saltos qualitativos que lhes permitam provocar
transformações, tanto em seus processos, quanto em seus produtos.
Este estudo traz sua contribuição para o delineamento de rumos a
serem assumidos pela Instituição, uma vez que poderá vir a fornecer informações
relevantes para o processo de tomada de decisões pelo ISAE.
O problema definido assume igual importância tanto no passado,
quanto no presente e, mais ainda, no futuro do desenvolvimento da Instituição.
Este estudo de caso resgata a memória documental da evolução da
Instituição e traz para o momento presente a identificação e descrição de
evidências que clarificam as percepções dos clientes e parceiros. Para o futuro,
mediante uma retomada qualitativa das práticas atualmente vividas, contribuirá
para o reposicionamento de diretrizes e estratégias, bem como para o
realinhamento de princípios dos eixos norteadores das ações na comunidade a que
serve.
1.4 OBJETIVO
Contribuir para o aperfeiçoamento institucional do ISAE, mediante a
análise dos processos de inserção e atuação do Instituto junto à comunidade
As análises efetuadas procuram:
- explicitar, ilustrando por meio das realizações presentes na história
do ISAE, os eixos norteadores que permeiam os processos de inserção e atuação
do Instituto junto à comunidade empresarial paranaense;
- revelar a percepção dos diversos públicos do ISAE sobre a
contribuição do Instituto para a comunidade empresarial paranaense, com ênfase
na satisfação dos alunos e egressos quanto aos cursos realizados e na relevância
destes quanto ao desenvolvimento de competências pessoais e empresariais;
- identificar a percepção da imagem4 do ISAE a partir de alunos,
egressos, prospects, lideranças empresariais e parceiros, e professores da FGV.
A pesquisa de abordagem qualitativa compreende uma interpretação
aberta, que segundo MARCONI E LAKATOS (1996) "permite ao informante
responder livremente, usando linguagem própria, e emitir opiniões".
Na Dissertação, foi adotada essa abordagem metodológica por meio
de um Estudo de Caso com pesquisa qualitativa de natureza documental, na qual o
autor colocou-se na qualidade de informante, com seu testemunho vivido, ao lado
dos demais respondentes da pesquisa empírica.
A pesquisa empírica compreendeu aspectos qualitativos e
quantitativos, com elaboração e/ou seleção de instrumentos aplicados aos
respondentes, sendo que diversas fontes foram utilizadas para a coleta e análise
das evidências apresentadas no estudo.
Com os alunos, no período entre 1996 e 2001, foram levantados os
dados a partir da aplicação de um formulário padrão que regularmente é utilizado
como parte da avaliação dos cursos oferecidos pela Instituição e, em período mais
recente, foi aplicado, por uma empresa externa de pesquisa de mercado, um
questionário estruturado para aferir a percepção da satisfação e da imagem do
4 Imagem: Com base em Grõnroos (1995) adota-se neste estudo que a imagem existe em função das experiências dos
clientes, e que, por meio dela, sâo comunicadas expectativas, influindo na comunicação com a empresa e caracterizando-se
como um filtro que influencia a percepção e avaliação da qualidade pelos clientes, além de produzir impacto no
ISAE. Este mesmo instrumento foi utilizado ainda com os egressos para levantar a
percepção sobre os mesmos aspectos, junto com outro questionário,
especialmente elaborado para a Dissertação, o qual tem como foco as
competências pessoais, profissionais e a rede de relacionamentos, desenvolvidas
nos cursos. A imagem percebida foi coletada junto aos prospects, pela empresa de
pesquisa de mercado e entre as lideranças empresariais e parceiros e professores,
por meio de roteiro de entrevista, elaborado pelo autor deste trabalho.
Quanto às limitações do estudo, conforme enfatiza VERGARA (1998)
"todo método tem possibilidades e limitações, sendo saudável antecipar-se às
críticas que o leitor poderá fazer ao trabalho, explicitando quais as limitações que o
método escolhido oferece, mas que ainda assim o justificam como mais adequado
aos propósitos da investigação".
Deve-se destacar que a abordagem proposta, mesmo sendo a mais
adequada segundo a concepção do autor, sofre as limitações pertinentes a estudo
de caso, pois no presente trabalho não são propostas hipóteses e não são tratadas
variáveis mensuráveis.
As relações causais dos fenômenos não são consideradas como focos
deste trabalho, pois a análise5 realizada aborda simultaneamente os eventos
identificados nos diferentes eixos norteadores, sem traçar a relação de causa e
efeito entre eles.
5 No Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais de autoria de Mário Ferreira dos Santos, encontra-se que, segundo Condillac,
"o método analítico, consiste em observar numa ordem sucessiva as qualidades de um objecto, para logo atribuir-lhe, no
espírito, a ordem de simultaneidade na qual existem... Promovemos essa composição e decomposição de conformidade com
2 MÉTODO: ESTUDO DE CASO
2.1 O ESTUDO DE CASO APLICADO AO ISAE
ROECH (1999) afirma que o estudo de caso é uma pesquisa que
permite a análise dos fenômenos organizacionais dentro de seu contexto e vem
sendo
crescentemente
empregado
no
campo
da
investigação
em
Administração
de
Empresas.
Com base nessa afirmação, o estudo de caso em pauta adota um
propósito descritivo e busca analisar, a partir de aspectos qualitativos e quantitativos,
como
vêm
ocorrendo
os
processos
de
inserção
e atuação
do
ISAE
junto
à
comunidade
empresarial.
Da
mesma
forma,
levanta
dados
e evidências
que
podem
contribuir para o aperfeiçoamento institucional.
Segundo ROBERT YIN (2001), um estudo de caso deve atender a
três princípios: "a utilização de várias fontes de evidências, e não apenas uma; a
criação
de
um
banco
de
dados;
a
manutenção
de
um
encadeamento
de
evidências." Pretende-se que essa orientação possa nortear este trabalho.
O estudo de caso baseia-se ainda em pesquisa do tipo qualitativa, sem
desprezar, no entanto, os aspectos quantitativos.
A pesquisa qualitativa compreende métodos de análise e explicação da
realidade social, capazes de coletar e expor evidências sobre determinados focos de
investigação, fazendo com que igualmente se descubram, no próprio decorrer do
trabalho, outros focos de interesse para revelar novas evidências da realidade.
TRIVINOS (1987) distingue dois enfoques na pesquisa qualitativa, a
saber:
- os enfoques subjetivistas - compreensivistas, com suporte nas idéias de
Schleiermacher, Weber, Dilthey, e também Jaspers, Heidegger, Mareei, Husserl e
ainda Sartre, que privilegiam os aspectos conscienciais, subjetivos dos atores
(percepções, processos de conscientização, de compreensão do contexto cultural, da
realidade a-histórica, de relevância dos fenômenos pelos significados que eles têm
para o sujeito, para o ator, etc).
os enfoques crftico-participativos com visão histórico - estrutural
-dialética da realidade social que parte da necessidade de conhecer (através de
percepções, reflexão e intuição) a realidade para transformá-la em processos
contextuais e dinâmicos complexos (Marx, Engels, Gramsci, Adorno, Horkheimer,
Marcuse, Fromm, Habermas, etc.)
A abordagem adotada orienta-se na direção da Fenomenologia, pela
qual: "... a realidade não é tida como algo objetivo e passível de ser explicado como um
11
o que emerge da intencionalidade da consciência voltada para o fenômeno. A realidade e o
compreendido, o interpretado, o comunicado. Não há, pois, para a fenomenologia, uma única
realidade, mas tantas quantas forem suas interpretações e comunicações" (BICUDO apud GIL,1999).
O Estudo de Caso ISAE pode ser anunciado como de orientação
fenomenológica, pois a trajetória histórica do Instituto é compreendida como
fenômeno
em
sua
evolução,
é interpretada
por
meio
dos
eixos
norteadores
das
ações para inserção e atuação junto à comunidade e comunicada pelo autor - ator
do
processo
a partir
das
evidências
coletadas
com
os
diversos
clientes
envolvidos,
considerados sujeitos.
Foram realizadas pesquisas de caráter documental, empírico e
bibliográfico.
A pesquisa
documental
compreendeu
o acervo
possuído
pelo
ISAE,
que foi ordenado cronologicamente e, posteriormente, sistematizado
descritivamente. Esta ordenação foi possível por meio da coleta de todos os
registros
disponíveis
sobre
o ISAE,
ou
seja:
documentos
em
geral,
oficiais
ou
apontamentos
em
agendas,
projetos,
livros
de
visitas,
álbuns
de
fotografias,
fitas
de
vídeo, fôlderes e outros materiais de campanhas publicitárias, enfim, tudo o que
pudesse constituir a memória do Instituto.
Essa pesquisa delimitou e recriou, simbolicamente, a vida
institucional em comunidade, com suas realizações, tentativas, invenções,
mudanças, inovações.
Ao serem definidos os eixos - princípios norteadores da ação - a
partir da sistematização da memória, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, a
qual
permitiu
a elaboração
de
um
suporte
conceituai
para
melhor
compreensão
de
cada eixo.
Os eixos vêm norteando as ações do ISAE e congregam as idéias
presentes na organização, transformando-as em estratégias que buscam o
entendimento e o sucesso do Instituto em seus processos de inserção e atuação
junto
à
comunidade.
Podem-se
identificar
nesses
processos
as
fases
de
reconhecimento, valorização e alcance de lealdade pelo ISAE em sua relação com o
meio empresarial paranaense.
Quando a pesquisa documental estava em fase de organização dos
registros dentro de cada eixo, no qual aquele determinado conjunto de evidências
meio
de
uma
pesquisa
empírica,
com
os
alunos
e egressos
dos
cursos
de
pós-graduação
oferecidos
pelo
ISAE,
prospects,
lideranças
da
comunidade
empresarial
e
parceiros.
Foram aplicados questionários diferenciados, conforme as questões
delimitadoras do problema, que permitiram levantar a percepção dos respondentes,
por segmentos, sobre a imagem do ISAE e sobre o nível de satisfação em relação a
cursos
realizados.
Os
dados
coletados
são
discutidos
e os
eixos
analisados
no
Estudo de Caso.
O Estudo de Caso do ISAE, a partir dessa abordagem metodológica,
indica pressupostos que orientam os processos de compreensão, interpretação e
comunicação da realidade percebida e revelada.
2.2 PRESSUPOSTOS ASSUMIDOS
Os pressupostos adotados no Estudo de Caso são:
- O ISAE Mercosul, em sua história, assume um novo paradigma de
expansão acadêmico - organizacional, com estrutura descentralizada e
atuação regional.
- O modelo adotado pelo ISAE Mercosul tem sua base na flexibilização
e orienta-se à gestão do conhecimento, a partir da priorização de sua
atuação como pólo refletor e integrador da FGV, mediante a
valorização desta marca, e como intérprete das necessidades e
expectativas da comunidade paranaense.
Esses pressupostos orientam a descrição das evidências, bem como a
análise
e produção
da
síntese
e conclusões
finais
deste
trabalho.
São
explicitados,
no próximo segmento deste capítulo, alguns conceitos retirados da literatura e
13
2.3 EXPLICITAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS NA LITERATURA E A
HISTÓRIA DO ISAE
As organizações podem ser interpretadas segundo variadas metáforas,
de acordo com as concepções assumidas. Podem, por exemplo, ser inspiradas na
natureza, pela qual são reconhecidas como organismos, sistemas vivos, abertos ao
seu meio ambiente, dependentes dele, pois para as organizações a sobrevivência
está relacionada a conseguir adequadas relações com seu ambiente.
A descrição da amplitude das relações de influências existentes entre
uma organização e a comunidade em que se encontra inserida, exige a construção
de um modelo de análise que associa a visão sistêmica às organizações em
desenvolvimento junto com seu ambiente externo.
Segundo MORGAN (1996), "bastante atenção tem sido dada à
compreensão da "atividade ambiental" imediata, definida pelas interações
organizacionais diretas (por exemplo, com clientes, concorrentes, fornecedores,
sindicatos e agências governamentais), bem como do "contexto" mais amplo ou
"ambiente em geral'.
O autor ainda menciona que "... as organizações são sistemas abertos
que necessitam de cuidadosa administração para satisfazer e equilibrar
necessidades internas, assim como se adaptar às circunstâncias ambientais...".
Uma das principais hipóteses dessa teoria, denominada contingencial,
é de que não existe a melhor forma de organizar, pois a forma mais adequada
depende do tipo de tarefa ou do ambiente dentro do qual se está lidando.
É essencial que a Organização possua a competência de prospectar,
detectar necessidades e provocar outras, não só relacionadas às tarefas, que serão
múltiplas, mas também pertinentes ao contexto ambiental, que apresenta mudanças.
Essa abordagem da prática organizacional ressalta a atuação do
Instituto, focada nas demandas regionais que, ao atendê-las e antecipar-se a elas,
nutre-se, como organismo vivo, por meio de adequadas relações com este ambiente
mais amplo: a própria comunidade paranaense. A Instituição de natureza
acadêmica, no decorrer de sua trajetória, expande sua atuação regional, por meio de
O Paraná, considerado como o portão de entrada do Mercosul, devido
à posição
estratégica
e relevância
econômica
em
relação
ao
mais
novo
bloco
econômico
mundial
- com
200
milhões
de
consumidores
e uma
economia
de
um
trilhão
de
dólares,
integrado
por
Brasil,
Paraguai,
Uruguai,
Argentina
e mais
recentemente
o Chile,
constituiu-se
no
principal
motivo
para
a criação
do
Instituto
Superior de Administração e Economia do Mercosul, o ISAE-Mercosul.
Surge, então, o braço avançado da Fundação Getulio Vargas para os
três Estados sulinos e os países do mercado comum, por meio de um centro com
capacidade
instalada
para
as
atividades
de
capacitação,
consultoria,
pesquisa
e
promoção de eventos.
Tais atividades são disponibilizadas a partir do conglomerado da
Fundação
Getulio
Vargas,
composto
pela
Escola
Brasileira
de
Administração
Pública
- EBAP,
Instituto
Brasileiro
de
Economia
- IBRE,
Escola
de
Administração
de
Empresas
de
São
Paulo
- EAESP,
Escola
de
Pós-Graduação
em
Economia
- EPGE
e Centro de Pesquisa e Documentação-CPDOC. O ISAE - Mercosul representa o
firme compromisso da FGV em concentrar parcela substancial de seus recursos
técnicos
e de
ensino
para
atendimento
às
demandas
dos
setores
público
e privado
em sua área de atuação.
A partir
da
valorização
da
marca
e por
meio
da
atuação
como
pólo
refletor
e integrador
da
FGV,
o ISAE
atua
como
intérprete
das
necessidades
e
expectativas
da
comunidade,
concretizando
as
interações
organizacional-ambientais, no âmbito da relação FGV-ISAE e ISAE-Comunidade Paranaense e
ISAE-Mercosul.
Deve-se observar que são interações organizacional-ambientais, numa
relação
de
mão
dupla,
na
qual
as
organizações
influem
e são
influenciadas,
mudam
e são
mudadas,
são
ao
mesmo
tempo
causa
e efeito,
ou
se
constituem
de
fatores
que
surgem,
simultaneamente,
dentro
e fora
de
cada
sistema,
num
determinado
contexto de interação.
Ampliando a compreensão e expandindo os âmbitos dessa interação,
encontra-se
na
literatura
ser
presumível
que
a estrutura
de
qualquer
organização
deva ser apropriada a seu ambiente externo e não apenas a uma dimensão desse
15
TOFLER (1997) comenta que "muitos executivos, economistas e
planejadores
definem
o ambiente
empresarial
em
termos
econômicos
restritivos",
e
em seguida, acrescenta: "em contraste, eu defino o ambiente relevante com a
inclusão de uma ampla variedade de fatores políticos, sociais, culturais e outros
freqüentemente ignorados".
Na mesma direção, encontra-se em DEMO (2002) que "é preciso
distinguir acuradamente entre crescimento e desenvolvimento; enquanto o primeiro
aponta
para
uma
evolução
tipicamente
econômica,
o segundo
se
volta
para
um
olhar
interdisciplinar,
abrangendo
todas
as
dimensões
consideradas
relevantes
da
sociedade".
Considerando-se o ambiente em geral como sendo o sistema tal como
um ecossistema, percebe-se que estará constituído por subsistemas políticos,
sociais, econômicos, tecnológicos, organizacionais, que estarão interagindo numa
complexa relação causai ou sincrônica, regida por leis próprias de desenvolvimento,
sobre
as
quais
se
pode
apenas
inferir
modelos
para
a análise
e busca
de
evidências.
O enfoque dos sistemas abertos preconiza, portanto, a seguinte forma
de se considerar a organização, "....as organizações contêm indivíduos (que sâo sistemas em
si mesmos) que pertencem a grupos ou departamentos que também pertencem a divisões
organizacionais maiores, e assim por diante. Caso se defina a organização toda como um sistema,
então outros níveis podem ser compreendidos como subsistemas, exatamente como as moléculas,
células, e órgãos que podem ser vistos como subsistemas de um organismo vivo, mesmo que sejam
complexos sistemas abertos em si mesmos". (MORGAN, 1996).
Ao assumir a metáfora do organismo vivo, encontra-se em
CAVALCANTI
que
"..O
ISAE
fala
a língua
do
cliente,
traduz
essa
linguagem
para
nós
(FGV)
que
convertemos
nossos
programas
e fazemos
os
ajustes
necessários."
A
partir
dessa
afirmação,
pode-se
situar
a FGV
como
um
sistema
e o ISAE
como
um
subsistema, sendo que, ao mesmo tempo, pode o Instituto ser considerado como um
outro sistema aberto.
Nessa relação com um olhar interdisciplinar, buscando efetivamente
contribuir para o desenvolvimento regional, o ISAE vem implementando seus
processos de inserção e atuação junto à comunidade, num fluxo contínuo com
momentos
de
unidade
e mudança,
ao
mesmo
tempo
em
que
atrai
esta
comunidade
que
vem
participando
de
sua
vida
institucional.
Indica-se
aqui
uma
metáfora
Essa
abordagem
tem
sua
base
na
filosofia
de
HERÁCLITO
(Grécia,
500
a/C)
que
observou
a impossibilidade
de
se
pisar
duas
vezes
no
mesmo
rio,
uma
vez
que
suas
águas
continuam
constantemente
rolando.
A partir
dessa
filosofia,
os
segredos do universo seriam descobertos nas tensões ocultas e nas conexões que,
simultaneamente,
criam
padrões
de
unidade
e
mudança.
Mais
tarde,
essa
abordagem foi redescoberta na obra de Hegel.
Recentemente,
David
BOHM,
médico
pesquisador
da
Universidade
de
Londres, criou uma teoria similar, que assume lógicas da mudança, em que a
compreensão ocorre no sentido de que não se deve mais considerar essa como um
atributo
da
realidade
e sim
ver
o mundo,
em
si mesmo,
como
um
momento
dentro
de
um
processo mais
fundamental
de
mudança,
com
aspectos
implícitos
(encobertos)
e
explícitos
(expostos).
Segundo
essa
concepção,
através
do
movimento
contínuo,
a
ordem
implícita
(encoberta)
é vista
como
um
processo
criativo
que
fornece
a força
geradora para construir a realidade explícita (exposta).
Aplicando-se à organização, tem-se que: "...tomando-se o trabalho de
BOHM, como um ponto de partida, fica claro que, se o mundo da organização é uma realidade
empírica aparente, é possível então compreender melhor a natureza da organização pela
descodificação da lógica da transformação e da mudança, através das quais esta realidade se revela.
Estas imagens fazem um convite para que se busque a dinâmica básica que origina e mantém as
organizações e os seus respectivos ambientes como formas sociais concretas." (MORGAN, 1996).
A adoção da idéia de que a Organização é, em si mesma, fluxo e
transformação,
pode
ser
explicitada
por
meio
da
dinâmica
que
o ISAE
estabeleceu,
em
suas
ações,
a partir
da
implementação
de seus
eixos
norteadores,
concretizados
por
suas
funções.
Essa
dinâmica
conduz
ao
entendimento
de
uma
lógica
da
transformação
e da
mudança,
com
base
na
evolução
do
caráter
de
flexibilidade
presente em seu modelo de gestão.
É mediante o seu próprio desenvolvimento, em conjunto com os
processos
de
desenvolvimento
da
FGV
e da
região
a que
serve,
que
o ISAE
vem
moldando
e transformando
sua
realidade empírica,
revelada
no
presente
estudo
de
caso,
a partir
dos
inúmeros
movimentos
do
fluxo
percebido
e analisado.
O movimento de mudança, contínuo e interativo, entre a ordem
implícita
e a
realidade
explícita,
pode
ser
ilustrado
pelo
próprio
modelo
de
gestão
do
17
às relações com a comunidade e com o mercado, ao mesmo tempo em que
ocasionou
motivos
para
alguns
ruídos
com
setores
da
FGV,
conforme
o depoimento
de CAVALCANTI.6
O ISAE, concebido com uma estrutura leve, orientada pelo cliente, com
seu
modelo
de
gestão
caracterizado
pela
flexibilização
e
pela
gestão
do
conhecimento,
para
cumprir
suas
funções
e ser
coerente
com
seus
princípios
de
ação,
necessitava
manter
uma
relação
próxima
com
os
diversos
segmentos
da
comunidade.
Essa
interação
lhe
permitiria
ser
aceita,
como
Instituição
formadora,
reconhecida por essa comunidade.
O processo de comunicação, portanto, sempre foi um recurso
estratégico
orientado
ao
êxito,
em
seu
modelo
organizacional,
resultando
no
entendimento dos desejos e expectativas dos clientes. O entendimento, por
consenso, do que os clientes desejam, sendo traduzido com sucesso, assegura a
vinda
de
mais
clientes,
que
por
sua
vez
se
comunicam
e obtêm
o entendimento
o
qual
é novamente
traduzido
mediante
novos
produtos
e serviços.
Essa
dinâmica
explicita
a integração
do
ISAE
com
a FGV
com
vistas
à gestão
a partir
da
criação
do
conhecimento.7
Nas
últimas
décadas,
ocorre
uma
tendência
da
integração
do
conhecimento,
cada
vez
mais
tratado
para
a busca
da
superação
de
barreiras
entre
as
fronteiras
das
diversas
áreas
de
aplicação.
Termos
como
multidisciplinaridade,
interdisciplinaridade
e
transdisciplinaridade,
vêm
sendo
utilizados
no
meio
acadêmico
e científico
e, ao
serem
realmente
norteadores
da
prática
institucional,
conduzem a uma mudança do paradigma organizacional.
Entre as mudanças que vêm ocorrendo e sinalizam novos paradigmas
organizacionais, ressaltam-se algumas idéias:
6 " Também estreitamos laços com o pessoal de Curitiba, porque tínhamos dado um CIPAD lá. Essas coisas evoluíram e
encontraram apoio aqui na Fundação, não só do dr. Flores, mas também do Mário Henrique. Com isso, nos lançamos a criar o
ISAE - Instituto Superior de Administração e Economia. A EBAP liderou isso, mas o ISAE foi concebido como um braço
avançado da FGV, coto uma estrutura leve, orientada pelo cliente. O ISAE fala a língua do cliente, traduz essa linguagem
oara nós que convertemos nossos programas e fazemos os ajustes necessários.
O ISAE como toda experiência que tem um vigor muito grande, que é legitima pelos propnos resultados, causou certo
desconforto em setores da Fundação, talvez por conta de uma cultura mais burocrática, mais hierárquica. Mas eu dma que a
cXra da FGV «iáem processode mudançT Isso se verifica na política de consultorias e de assistência tecmca, que passou
a ter maior dinamismo..." (CAVALCANTI, 1999)
7 "a criação do conhecimento organizacional, pois, deve ser entendida como um processo que amplia "organizacionalmente" o
conhecimento criado pelos indivíduos, cristalizando-o como parte da rede de conhecimentos da organização. Esse processo
ocorre dentro de um "comunidade de interação" em expansão, que atravessa níveis e fronteiras interorganizacionais.
CHANDLER (apud MOTTA.1991) indica ser "a estrutura um
instrumento dinâmico que deve ser alterada quando se mudam as estratégias de
ação, ou seja, mudanças em estratégia requerem alterações estruturais..."
TENÓRIO (2000) anuncia que a interação entre a evolução científico
-técnica, a globalização da economia e a valorização da cidadania resultam na
promoção de um novo paradigma de organização da produção e do trabalho. Este
exige das empresas um comportamento diferente daqueles preconizados até
então: da especialização do trabalhador (taylorista) avança-se para a qualificação
versátil (multifuncional); da automação rígida (processo mecânico) à automação
flexível (processo automático); da produção em massa (fordista) chega-se às
organizações que atuam em função das demandas diversificadas do mercado
(pós-fordista); a gestão tecnoburocrática (monológica) é ultrapassada por um
gerenciamento mais participativo (dialógico) e as decisões tomadas em espaços
privados da empresa abrem lugar às decisões tomadas em movimentos
públicos/coletivos.
O processo de transição que a Organização vivência, hoje, pode ser
ilustrado por um continuum entre uma gestão organizacional rígida, burocratizada,
na qual a tomada de decisão é centralizada, para uma flexível, ágil e
desburocratizada, na qual ocorrem as decisões descentralizadas e existe um
movimento, desde uma gestão monológica, ou estratégica, até uma gestão
dialógica ou comunicativa.
A produção de conhecimento, em torno dos processos de mudanças e
suas conseqüências nas organizações, tem sido objeto de estudo de um grande
número de autores, cujas obras indicam sempre uma transição rumo à consolidação
de um novo paradigma macrossocietário, denominado de Sociedade
Pós-empresarial (DRUCKER, 1999), de Era Global (DANIELS & DANIELS, 1996), Era
Informacional
(CASTELLS,
1997),
ou
Sociedade
do
Ócio
(DE
MASI,
2000).
Como conseqüência, temas como empreendedorismo;
empregabilidade; horizontalização, além de flexibilização, com novas arquiteturas
organizacionais; inovação tecnológica; aprendizagem organizacional;
responsabilidade social e ética nas organizações passaram a ocupar posição de
19
estruturam suas ações segundo as funções complementares e integradas de ensino,
consultoria e pesquisa.
Deve-se aqui assumir, após sua explicitação, os pressupostos do
presente estudo de caso, que expressam esta nova forma de gestão
organizacional.
O ISAE Mercosul vem assumindo um novo paradigma de expansão
acadêmica, com estrutura descentralizada e atuação regional, ao mesmo tempo em
que valoriza a marca da FGV. Esta lhe permite uma autonomia administrativa, a qual
resulta em maior capacidade de atendimento às expectativas locais e numa tomada
de decisões mais ágil, com atenção à dinâmica da economia regional e forte
capacidade de articulação interinstitucional.
A criação e a gestão do conhecimento devem ser perseguidas
permanentemente pela instituição formadora. Hoje, nos novos paradigmas
sociorrelacionais, a participação e a comunicação estão se intensificando, pois o ser
humano é visto como sujeito de sua história e, quando ingressa em situações de
formação continuada, principalmente em pós-graduação, é pleno de experiências,
de saberes acumulados, de interesses legítimos e de expectativas pessoais.
Cabe à Instituição formadora compor o diagnóstico, junto com os
interessados, para que se construam propostas realmente significativas e relevantes
aos diferentes públicos e pessoas que as procuram na busca de aperfeiçoamento
por meio de novos aprendizados e, principalmente, para aprender a aprender.
A partir desses referenciais, que explicitam os pressupostos assumidos
neste estudo de caso, é possível buscar na trajetória do ISAE as evidências da sua
influência no desenvolvimento regional ao analisar as ações criadas, mantidas e
transformadas no âmbito das relações entre o Instituto e os demais agentes no
ambiente considerado: a comunidade.
A ONU, citada por DEMO (2002), opta pela "definição de
desenvolvimento como "oportunidade", traduzindo desde logo sua face política como
a mais estratégica, em vez das infra-estruturais que, obviamente, dentro do
horizonte estratégico, continuam essenciais, mas de teor instrumental."
Neste estudo, as evidências coletadas, descritas e analisadas podem
ser vistas como resultantes de interações organizacionais sistêmicas, numa relação