• Nenhum resultado encontrado

Propriedades espectrais de operadores de Schrödinger discretos com petenciais ergódicos e Almost-Periodic

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2017

Share "Propriedades espectrais de operadores de Schrödinger discretos com petenciais ergódicos e Almost-Periodic"

Copied!
106
0
0

Texto

(1)

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS - UFMG INSTITUTO DE CIˆENCIAS EXATAS

DEPARTAMENTO DE P ´OS-GRADUAC¸ ˜AO EM MATEM ´ATICA

PROPRIEDADES ESPECTRAIS DE OPERADORES DE

SCHR ¨

ODINGER DISCRETOS COM POTENCIAIS

ERG ´

ODICOS E ALMOST-PERIODIC

Alexander Paul Condori Huam´

an

(2)

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS - UFMG INSTITUTO DE CIˆENCIAS EXATAS

DEPARTAMENTO DE P ´OS-GRADUAC¸ ˜AO EM MATEM ´ATICA

Alexander Paul Condori Huam´

an

Orientador: Prof. Silas Luiz de Carvalho

PROPRIEDADES ESPECTRAIS DE OPERADORES DE

SCHR ¨

ODINGER DISCRETOS COM POTENCIAIS

ERG ´

ODICOS E ALMOST-PERIODIC

Disserta¸c˜ao apresentada ao Pro-grama de P´os-Gradua¸c˜ao em Ma-tem´atica do Instituto de Ciˆencias Exatas (ICEX) da Universidade Fe-deral de Minas Gerais, como requisito parcial para a obten¸c˜ao do t´ıtulo de Mestre em Matem´atica.

(3)

Agradecimentos

A Deus, por me dar a oportunidade de concluir esta etapa da minha vida. Aos meus pais, Aydee e C´esar, pelo amor, carinho e apoio incondicional.

`

A toda minha fam´ılia, pela ajuda e incentivo que sempre me deram.

Ao meu orientador Silas Luiz de Carvalho, pela paciˆencia, disposi¸c˜ao e confian¸ca deposi-tada em mim.

Aos prezados professores Enrique, Martha, Raul A., Jos´e Luis, Juan Pablo, Raphael, Victor, Marcelo que compartilharam os seus conhecimentos nas mat´erias que cursei. Aos professores Carlos Maria Carballo e C´esar Rog´erio de Oliveira, pela gentileza em participar da avalia¸c˜ao deste trabalho.

Aos colegas da p´os-gradua¸c˜ao, pelo companheirismo. `

(4)

Resumo

Este trabalho se concentra no estudo de algumas propriedades espectrais de operadores de Schr¨odinger discretos com potencias erg´odicos e almost-periodic. Especificamente, estamos interessados em obter uma descri¸c˜ao espectral geral para todos os elementos de uma fam´ılia de operadores com potenciais definidos a partir de um sistema dinˆamico em um dado espa¸co topol´ogico.

No caso erg´odico (em que o sistema dinˆamico, definido em um espa¸co de probabilidade (Ω,F, P), ´e erg´odico), abordamos os problemas de quase-constˆancia do espectro, al´em do celebrado Teorema de Ishii-Pastur-Kotani, que caracteriza o espectro absolutamente cont´ınuo de um operador (tamb´em quase-constante com respeito ao elemento de Ω) em termos do expoente de Lyapunov, definido a partir das solu¸c˜oes da equa¸c˜ao de autovalores associada.

No caso almost-periodic (em que o sistema dinˆamico ´e definido em um grupo abeliano compacto), discutimos resultados que nos mostram que tanto o espectro quanto o espectro absolutamente cont´ınuo de cada elemento da fam´ılia coincidem.

(5)

Abstract

This work focuses on the study of some spectral properties of the discrete Schr¨odinger operators with ergodic and almost-periodic potentials. Specifically, we are interested in obtaining a general spectral description for all the elements of a family of operators with potentials defined by a dynamical system in some topological space.

In the ergodic case (in which the dynamic system, defined in a probability space (Ω,F, P), is ergodic), we address some problems regarding the quasi-constancy of the spectrum, in addition to the celebrated theorem of Ishii-Pastur-Kotani. This theorem characterizes the absolutely continuous spectrum of an operator (also quasi-constant with respect to the element of Ω) in terms of the Lyapunov exponent, defined in terms of the solutions of the eigenvalue equation.

In the almost-periodic case (in which the dynamic system is defined in a compact abelian group), we discuss some results which prove that not only the spectrum, but the absolutely continuous spectrum of each element of the family are equal.

(6)

Sum´

ario

1 Introdu¸c˜ao 6

2 Principais Propriedades Espectrais de Operadores Erg´odicos 13

2.1 Operadores de Schr¨odinger Aleat´orios e os Teoremas de Pastur e Kunz-Souillard . . . 13 2.2 A Densidade de Estados e o Teorema de Avron-Simon . . . 25 2.3 Expoentes de Lyapunov e o Teorema de

Furstenberg-Kesten . . . 29 2.4 Subarmonicidade do Exponente de Lyapunov e a F´ormula de Thouless . . 34 2.5 O Teorema de Ishii-Pastur-Kotani . . . 38

3 Principais Propriedades Espectrais dos Operadores Almost-Periodic 51

3.1 Constˆancia do Espectro . . . 53 3.2 Constˆancia do Espectro Absolutamente Cont´ınuo . . . 54

4 Teorema de Johnson e Dicotomia Exponencial 66

A Teoria Espectral 74

A.1 Teorema Espectral e Decomposi¸c˜ao espectral . . . 77

B Fun¸c˜ao m de Weyl-Titchmarsh e Teoria de Subordina¸c˜ao 84

B.1 Defini¸c˜ao da fun¸c˜ao m . . . 84 B.2 Conex˜ao entre as fun¸c˜oes m e de Green . . . 89 B.3 Medida espectral e sua rela¸c˜ao com comportamento de fronteira das fun¸c˜oes

(7)

B.4 Papel da Teoria de Subordina¸c˜ao na Teoria Espectral . . . 97

(8)

Cap´ıtulo

1

Introdu¸c˜

ao

Os operadores de Schr¨odinger, nas ´ultimas d´ecadas, tˆem obtido um importante desta-que tanto em F´ısica quanto em Matem´atica, particularmente em An´alise Funcional. Tais operadores determinam a descri¸c˜ao da evolu¸c˜ao temporal do estado quˆantico de um sis-tema f´ısico. Neste trabalho, estudamos operadores de Schr¨odinger discretos, a saber H= ∆d+V :dom H ⊂ H → H, definidos no espa¸co de Hilbert H=l2(ν), pela a¸c˜ao

[Hψ](n) = (∆dψ)(n) +V(n)ψ(n) = X j;|j−n|+=1

[ψ(j)ψ(n)] +V(n)ψ(n), (1.1)

em que|j|+ := ν

X

r=1

|jr| e o termo ∆d ´e o laplaciano discreto. A sequˆencia V :❩ν R ´e denominada potencial, e representa o efeito do meio sobre o sistema f´ısico cuja evolu¸c˜ao temporal ´e descrita porH. Para sequˆencias limitadas,H ´e um operador auto-adjunto em He representa o operador energia de um sistema quˆantico descrito por uma fun¸c˜ao onda (fun¸c˜ao de estado)ψ. No caso especial ν = 1, temos (∆dψ)(n) = ψ(n+ 1) +ψ(n−1) e (1.1) tem a seguinte express˜ao

[Hψ](n) =ψ(n+ 1) +ψ(n1) +V(n)ψ(n). (1.2)

A evolu¸c˜ao da fun¸c˜ao de estado ´e descrita pelaequa¸c˜ao de Schr¨odinger

  

(9)

a qual tem como solu¸c˜aoψ(t) =e−itHψ. A rela¸c˜ao entree−itH e as propriedades espectrais deH s˜ao estabelecidas mediante o teorema espectral [13, 31], tendo-se assim

hψ, g(H)ψi=

Z

σ(H)

g(E)dµψ(E),

em que dµψ ´e a medida espectral de H com respeito a ψ ∈ H e g ´e uma fun¸c˜ao Borel mensur´avel limitada sobre R. O suporte topol´ogico desta medida ´e o espectro, σ(H), de H. O espa¸co de Hilbert H pode ser descomposto unicamente como a soma direta H=Hpp⊕ Hac⊕ Hsc (vide o Apˆendice A para as defini¸c˜oes de Hpp,Hac eHsc), em que os correspondentes projetores comutam com H, e para cada ψ ∈ H, a medida de Borel dµψ assume um dos seguintes tipos: puramente pontual (pp) caso ψ ∈ Hpp, absolutamente cont´ınua (ac) caso ψ ∈ Hac, e singular-cont´ınuo (sc) caso ψ ∈ Hsc. Por sua vez, tal decomposi¸c˜ao nos fornece uma classifica¸c˜ao do tipo espectral: σα(H) = σ(H|Hα) com

α=pp, ac or sc.

Pode-se mostrar que cada tipo espectral est´a relacionado a um comportamento em longo tempo espec´ıfico (comportamento assint´otico de ψt, quandot → ∞) da solu¸c˜ao da

equa¸c˜ao de autovalores [13, 31]

[Hψ](n) = Eψ(n), (1.3)

para E ∈ C. Com efeito, se ψt for uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao de autovalores e dµψ for a medida espectral de ψ, ent˜ao teremos, grosso modo, a seguinte descri¸c˜ao: espectro ac corresponde a transporte, espectro sc a transporte parcial e espectro pp a ausˆencia de transporte (vide o Teorema A.12).

Os operadores de Schr¨odinger podem ser classificados de acordo com a natureza do potencial V. A classe de operadores a serem estudados na disserta¸c˜ao s˜ao os (definidos dinamicamente) erg´odicos e almost-periodic.

O caso erg´odico ´e discutido no Cap´ıtulo 2, em que estudamos casos particulares das defini¸c˜oes a seguir:

(10)

Def ini¸c˜ao 1.2. Uma transforma¸c˜ao T (ou uma probabilidade P estacion´aria) ´e T -erg´odica se qualquer conjunto invariante pela transforma¸c˜ao T, ou seja,A∈ F,T−1(A) = A, tem probabilidade P(A) = 0 ouP(A) = 1.

Dadas uma transforma¸c˜ao invert´ıvel T : Ω → Ω e uma fun¸c˜ao Borel-mensur´avel limitada f : Ω R, definimos (dinamicamente) um potencial Vω por Vω(n) = f(Tnω), com ω ∈Ω, n ∈❩, e o correspondente operador de Schr¨odinger, atuando em l2(), pela a¸c˜ao

[Hωψ](n) = ψ(n+ 1) +ψ(n−1) +Vω(n)ψ(n). (1.4) Se P for T-erg´odica, teremos definida em l2() uma fam´ılia {Hω}ω

∈Ω de operadores, denominadafam´ılia erg´odica de operadores de Schr¨odinger.

O resultado a seguir nos diz, informalmente, que o espectro dos operadores Hω n˜ao ´e aleat´orio (vide [30], [25] e [27], os dois ´ultimos para os casos cont´ınuo e ilimitado, respectivamente).

Teorema 1.1(Pastur). SejaVω um potencial erg´odico. Ent˜ao, existe um conjuntoΣ⊂R

tal que σ(Hω) = Σ, P-q.t.p. . Al´em disso,σdis(Hω) = , P-q.t.p.

Destaca-se na teoria o teorema de Ishii-Pastur-Kotani [9, 10], que nos fornece uma descri¸c˜ao do espectro absolutamente cont´ınuo de um operador erg´odico em termos do expoente de Lyapunov.

Teorema 1.2 (Ishii-Pastur-Kotani). Seja H um operador erg´odico. O suporte essencial do espectro absolutamente cont´ınuo de H (Defini¸c˜ao B.5) ´e quase certamente dado pelo fecho essencial do conjunto de energias para os quais o expoente de Lyapunov se anula,

isto ´e,

Σac = ¯Zess,

em queZ ={E :γ(E) = 0}; paraS ⊂R, temos queS¯ess ={E R:ℓ(S(Eǫ, E+ǫ))> 0 ǫ >0} ´e o fecho essencial do conjunto S e ℓ denota a medida de Lebesgue.

Para E ∈ C fixo, definimos os expoentes de Lyapunov (vide Teorema 2.9) superior e inferior por

γ±(E) := lim N→±∞

1

N lnkΦE,ω(N)k. (1.5)

´

(11)

Def ini¸c˜ao 1.3. Dado n❩, definimos o produto matricial

ΦE,ω(n) :=

            

SE,ω(n)·SE,ω(n1)·. . .·SE,ω(1) se n 1

I se n = 0

(SE,ω(n+ 1))−1·. . .·(SE,ω(0))−1 se n ≤ −1,

e o denominamosmatriz de transferˆencia associada ao operador unidimensionalHω. A denomina¸c˜ao “matriz de transferˆencia” se deve ao fato da matriz ΦE,ω(n) “trans-ferir” uma solu¸c˜ao de (1.3) no instante 1 `a mesma solu¸c˜ao no instante n. Usaremos a nota¸c˜ao alternativa ΦE(ω, n), no Cap´ıtulo 4.

A matriz de transferˆencia, ΦE,ω(n), ´e constru´ıda a partir da equa¸c˜ao de autovalores Hωu = Eu, com E fixo. Com efeito, podemos reescrever a equa¸c˜ao anterior como um sistema de equa¸c˜oes de primeira ordem da seguinte maneira: introduzamos a fun¸c˜ao vetorial

u(n) =

u(n+ 1)

u(n)

 

e definamos a fun¸c˜ao matricial

SE,w(n) :=

E−Vw(n) −1

1 0

; (1.6)

uma sequˆencia{u(n)} ser´a uma solu¸c˜ao de (1.4) se, e somente se,

u(n+ 1) =SE,w(n+ 1)u(n). (1.7)

Segue-se da Defini¸c˜ao 1.3 que

u(n) = Φn(E)·u(0)

= SE,w(n)·SE,w(n−1)·. . .·SE,w(1)

 u(1)

u(0)

 

define a solu¸c˜ao de (1.3) “pela direita” com condi¸c˜ao inicial u(0) =

 u(1)

u(0)

.

(12)

No Cap´ıtulo 3 estudamos resultados sobre a independˆencia de σ e σac com respeito a ω∈Ω para potenciais almost-periodic. Estes resultados s˜ao de fato uma generaliza¸c˜ao dos teoremas de Pastur e de Kunz-Souillard. Em geral, os conjuntos σsc eσpp n˜ao satisfazem tal propriedade (vide [19]).

ConsideremosT :l∞(ν)l(ν) a transforma¸c˜ao de transla¸c˜ao `a esquerda (T−1 ´e analogamente a transla¸c˜ao `a direita), dada por (T(W))(n) = W(n+ 1) (analogamente, (T−1(W))(n) =W(n1)).

Def ini¸c˜ao 1.4. Seja V ∈ l∞(❩ν) uma sequˆencia limitada. Para esta sequˆencia, defina-mos Vm = Tm(V) como a sequˆencia {(Vm)(n) = (Tm(V))(n) = V(n+m)}

n∈❩ν, i.e., a

transla¸c˜ao de V `a esquerda porm s´ıtios. A sequˆencia V ser´a chamada dealmost-periodic

se o fecho da ´orbita O(V) = {Tm(V) : m ν}, que denotaremos por Ω(V), for um conjunto compacto eml∞(❩ν). O fecho Ω(V) ´e chamado dehull de V.

Os resultados centrais neste tema, an´alogos aos resultados anteriores, s˜ao:

Teorema 1.3. Seja Ω(V) o hull de uma sequˆencia almost-periodic V sobre l∞(ν), e

dado ω Ω(V), seja Vω(n) a correspondente sequˆencia almost-periodic para o operador de Schr¨odinger Hω. Ent˜ao, σ(Hω) ´e independente de ω.

Teorema 1.4. Seja V uma sequˆencia almost-periodic sobre ❩. Para cada Vω ∈ Ω(V), seja Hω o correspondente operador (1.4). Ent˜ao o espectro absolutamente cont´ınuo de Hω, σac(Hω), e o suporte essencial de σac(Hω) independem de ω.

No caso particular de operadores almost-periodic unidimensionais, o potencial {Vn} ´e definido por Vn = V(fn

α(x)) = x+nα (mod 1) para n ∈ ❩, em que a aplica¸c˜ao V :

R/❩ R´e de classe Cr,r ∪ {0, ω,∞}, e f

α :R/❩→R/❩, fα(x) = x+α (mod 1), define a rota¸c˜ao pelo irracionalα no c´ırculo.

No capitulo 4 estudaremos os operadores de Schr¨odinger dados por (1.2), ν = 1, com potenciais V : ❩ → R dinamicamente definidos e associados a fun¸c˜oes cont´ınuas. Estamos interessados em encontrar uma caracteriza¸c˜ao do espectro em termos da ausˆencia de hiperbolicidade uniforme do cociclo associado `a equa¸c˜ao de autovalores (1.3).

(13)

matrizes 2×2, complexas, com determinante um), que por simplicidade ser´a chamado de cociclo, ´e um par (τ, A) ∈ Y ×C(Y, SL(2,C)) cuja a¸c˜ao ´e vista como um produto

skew-linear:

(τ, A) :Y ×C2 −→Y ×C2

(y, u)7−→(τ(y), A(y)·u).

(1.8)

Paran∈❩, definimosAn ∈C(Y, SL(2,C)) pela regra (τ, A)n = (τn, An). AssimA0(y) = id,

An(y) = n

Y

j=0

A(τn−1−j(y)) = A(τn−1(y)). . . A(y), para n≥1,

eA−n(x) = An(τ−n(y))−1. `As vezes, por abuso de nota¸c˜ao,A∈C(Y, SL(2,C)) ´e chamado

de cociclo. Como caso particular, An=SE,V(n), com

SE,V(n) =

 E−V(n) −1

1 0

 .

O cociclo (τ, A) ser´a chamado de uniformemente hiperb´olico se existir uma decom-posi¸c˜ao Es(y)⊕Eu(y) = C2,C > 0, 0< λ < 1 tal que, para todo n≥1,

kAn(y)·u)k ≤Cλnkuk, u∈Es(y), kA−n(y)·u)k ≤Cλnkuk, u∈Eu(y).

(1.9)

Os cociclos uniformemente hiperb´olicos tem expoente de Lyapunov positivo. Se (τ, A) tem expoente de Lyapunov positivo, mas n˜ao ´e uniformemente hiperb´olico, ent˜ao ´e cha-mado de n˜ao-uniformemente hiperb´olico (i.e., tem-se a decomposi¸c˜aoEs(y)⊕Eu(y) = C2 para cada y Y, mas n˜ao se tem a existˆencia de 0< λ < 1 tal que as desigualdades em (2) se satisfa¸cam de maneira uniforme).

O resultado central desse cap´ıtulo, que fornece uma descri¸c˜ao do espectro dos ope-radores de Schr¨odinger em termos da hiperbolicidade uniforme, ´e o teorema de Johnson [20]:

Teorema 1.5. O cociclo de Schr¨odinger SE,V ser´a uniformemente hiperb´olico se, e

so-mente se, E n˜ao pertencer ao espectro do correspondente operador de Schr¨odinger, isto ´e,

(14)

sobre Ω(V).

O Apˆendice A apresenta defini¸c˜oes e propriedades referentes `a teoria espectral de operadores lineares. Aqui definimos a medida espectral mediante o conceito de resolu¸c˜ao da identidade. Mais adiante, enunciamos algumas vers˜oes do teorema espectral, definimos o conceito de proje¸c˜ao espectral e logo apresentamos uma decomposi¸c˜ao do espectro em termos de proje¸c˜oes espectrais.

(15)

Cap´ıtulo

2

Principais Propriedades Espectrais de

Operadores Erg´

odicos

2.1

Operadores de Schr¨

odinger Aleat´

orios e os

Teo-remas de Pastur e Kunz-Souillard

Nesta se¸c˜ao estudaremos alguns resultados sobre operadores aleat´orios, em particular erg´odicos. Estes operadores s˜ao fundamentais no estudo f´ısico das ligas, lentes e materiais amorfos. A desordem do sistema ´e refletida pela dependˆencia do potencial sobre alguns parˆametros aleat´orios. Discutamos um exemplo: suponhamos a existˆencia de uma liga, isto ´e, uma mistura de (a dizer, dois) materiais cristalinos. Suponhamos, al´em disso, que os ´atomos (ou ´ıons) dos dois materiais gerem potenciais de tipoλ1f(xx0) eλ2f(xx0), respetivamente, em que x0 representa a posi¸c˜ao do ´atomo em considera¸c˜ao (de acordo com uma dada distribui¸c˜ao de probabilidade). Se depositarmos aleatoriamente ´atomos dos dois tipos sobre o ret´ıculo ❩ν 1), com exatamente um ´atomo em cada lugar, ent˜ao o potencial resultante deve ser dado por

Vω(x) =

X

i∈❩ν

qi(ω)f(x−i),

em que os qi s˜ao vari´aveis aleat´orias assumindo os valores λ1 e λ2 com certas probabili-dades.

(16)

fato, muitos dos problemas se encontram sem solu¸c˜ao paraν > 1.

N˜ao tentaremos apresentar um tratamento completo dos temas; apenas apresentare-mos alguns dos problemas b´asicos, t´ecnicas e resultados fascinantes no campo. N˜ao dis-cutiremos operadores de Schr¨odinger cont´ınuos, i.e. operadores da forma Hω =H0+Vω, definidos sobre L2(Rν), em que H0 ´e o operador de Schr¨odinger livre, mas sim a vers˜ao discretizada destes operadores atuando sobre o espa¸co das sequˆencias l2(ν), chamados de operadores de Schr¨odinger discretos . O operadorH0´e substitu´ıdo por um operador de diferen¸ca finita e o potencial se torna uma fun¸c˜ao sobre ❩ν no lugar de Rν. Este modelo ´e conhecido na f´ısica do estado s´olido como “aproxima¸c˜ao tight-binding”. Referimo-nos ao modelo de aproxima¸c˜ao tight-binding como o caso discreto.

A vantagem deste procedimento ´e dupla: alguns problemas essenciais tecnicamente dif´ıceis no caso cont´ınuo desaparecem, e nosso conhecimento (especialmente para o caso almost-periodic) ´e maior no caso discreto.

Sejau={u(n)}n∈❩ν ∈l2(❩ν), i.e.

u : ❩ν −→ F=R

n 7−→ u(n) =u(n1, . . . , nν)∈F, n1, . . . , nν ∈❩ e

kuk:=

" X

n∈❩ν

|u(n)|2

#1/2 <.

Definamos em ❩ν as normas |n| = max|nj|, com n = (n1, . . . , nj, . . . , nν), e |n|+ := ν

X

j=1

|nj|, n ❩ν. Al´em disso, definimos eml2(ν) o laplaciano discreto, ∆

d, pela a¸c˜ao

(∆d u)(i) =

X

j;|j−i|+=1

[u(j)u(i)] =

  X

j;|j−i|+=1 u(j)

−2νu(i). (2.1)

´

E simples verificar que ∆d´e um operador limitado sobre l2(ν), um fato que torna o estudo do operador discreto tecnicamente mais simples do que o caso cont´ınuo. O espectro de ∆d´e puramente absolutamente cont´ınuo, eσ(∆d) =σac(∆d) = [−4ν,0]. Este resultado pode ser obtido por transformadas de Fourier (vide [13]).

Observe ainda que

hu,∆d ui= X i,j∈❩ν,

|i−j|+=1

(17)

(cada par surgindo uma ´unica vez na soma), justificando o porquˆe de considerarmos (2.1) como um an´alogo do Laplaciano.

Agora, se considerarmos V : ❩ν −→ R (um operador que desempenha o papel de potencial), um an´alogo natural do operador de Schr¨odinger cont´ınuo ´e definido por

¯

H =∆d+V.

Contudo, ´e comum considerar +∆dem substitui¸c˜ao a−∆d, e al´em disso, incluir os termos da diagonal de ∆d no potencial.

Uma vez que ∆d´e limitado, este procedimento n˜ao tem um efeito “essencial” sobre as propriedades de ¯H. Com efeito, uma vez que o operador (−1)N, definido por

[(1)Nu](n) = (1)|n|+u(n),

obedece

(1)NH[(¯ 1)N]−1 = 4ν+ ∆d+V,

segue-se que ¯H e o operadorH, definido a seguir, s˜ao unitariamente equivalentes por uma constante. Assim, consideramos o operador

(H0u)(n) = X j; |j−n|+=1

u(j) e

(Hu)(n) = (H0u)(n) +V(n)u(n)

= X

j;|j−n|+=1

u(j) +V(n)u(n).

Os potencias V que consideraremos s˜ao vari´aveis aleat´orias: para todo n ❩ν, o potencialV(n) avaliado emn´e uma vari´avel aleat´oria (fun¸c˜ao mensur´avel),V(n) : Ω−→

R sobre um espa¸co de probabilidade (Ω,F, P), em que F ´e uma σ-´algebra sobre Ω, e P ´e uma medida de probabilidade sobre (Ω,F).

Adotaremos a seguinte nota¸c˜ao para a integral de uma fun¸c˜ao mensur´avel,f, com respeito aP:

E(f) :=

Z

(18)

Agora, sem perda de generalidade, podemos supor que Ω ´e o produto

Ω =S❩ν =Y

❩ν

S,

em que S ´e um boreliano de R (S ∈ B(R)), e F ´e a σ-´algebra gerada pelos conjuntos cil´ındricos da forma

⊃ {ω|ωi1 A1, . . . , ωin ∈An}, i1, . . . , in∈❩

ν,

com A1, . . . , An ∈ B(R).

Def ini¸c˜ao 2.1. Dado i❩ν fixo, definimos o operador de transla¸c˜ao (deslocamento) Ti sobre Ω por Tiω(j) =ω(j+i),j ∈❩ν.

As defini¸c˜oes de medida estacion´aria (H-invariante) e medidaP-erg´odica foram apre-sentadas nas Defini¸c˜oes 1.1 e 1.2, respectivamente, com T desempenhando o papel de operador de transla¸c˜ao.

Exemplo 2.1 (Transla¸c˜oes sobre o Toro). Ω ´e o toroν-dimensional Tν = (R/❩)ν,F ´e a σ−´algebra de Borel sobre o toro, µ ´e a medida de Lebesgue normalizada, denotada por ℓ, eT : ΩΩ ´e a transla¸c˜ao

T(x1, x2, . . . , xν) = (x1+α1, x2+α2, . . . , xν +αν),

em queα1, α2, . . . , αν T. A situa¸c˜ao interessante se d´a quandoα1, α2 . . . αν´e um sistema racionalmente independente, i.e., se kj ∈ ❩ para todo 1 ≤ j ≤ v, ent˜ao Σν

j=1kjαj = 0 somente se todo kj = 0. Neste caso, a transla¸c˜ao T ´e erg´odica para a medida ℓ.

Exemplo 2.2(Modelo de Anderson). SeVω(n) for uma sequˆencia de vari´aveis aleat´orias assumindo valores reais, esta sempre poder´a ser vista, para cadan, como uma realiza¸c˜ao de um elemento do espa¸co de probabilidade anterior, de tal modo queVω(n) =ω(n) (em quef(ω) =ω(0), a avalia¸c˜ao no origem e pelo queVω(n) =f(Tnω) =ω(n)). O potencial V ´e chamadoestacion´ario (erg´odico), se a correspondente medida de probabilidadeP for estacion´aria (erg´odica).

(19)

medida-produto,Qi∈❩νdP0, da distribui¸c˜ao comum, P0, `as vari´aveis aleat´orias Vω(i), ou seja,

P(Vω(i)∈A) :=P0(A)

para quaisquer A∈ B(R) e i∈❩ν. Temos, em particular,

E(f) =

Z

f(ωi1, . . . , ωin)dP(ω) = Z

f(x1, . . . , xn)dP0(x1)dP0(x2). . . dP0(xn).

Def ini¸c˜ao 2.2. O Hamiltoniano Hω, com Vω uma fam´ılia de v.a.i.i.d, ´e denominado

operador (modelo) de Anderson.

Outra classe importante de potenciais erg´odicos s˜ao os potenciais almost-periodic, estudados no Cap´ıtulo 3.

Para umω ∈Ω fixo, o operadorHω n˜ao ´e nada mais do que um operador de Schr¨odin-ger discreto com um certo potencial. Portanto, pode parecer que a introdu¸c˜ao de um espa¸co de probabilidade ´e desnecess´aria, uma vez que podemos considerar cada Vω como uma fun¸c˜ao determin´ıstica. O ponto importante ao se considerarem potencias aleat´orios ´e que n˜ao estamos muito interessados em propriedades deHω para um ωfixo, mas sim em propriedades “t´ıpicas”; mais precisamente, estamos interessados em resultados da forma: Hω possui a propriedadeP para todoωem um conjunto Ω1 ⊆Ω comP(Ω1) = 1. Abrevia-se tal Abrevia-senten¸ca por: Hω possui a propriedade P em P-quase toda a parte (P-q.t.p.).

A menos que seja explicitado de outra maneira,Vω´e suposto ser um potencial aleat´orio estacion´ario erg´odico satisfazendo |Vω(n)| ≤ C < para todos n ◆ e ω Ω. No entanto, a hip´otese de limita¸c˜ao pode ser omitida (ou substitu´ıda por uma condi¸c˜ao de momento) para muitos outros prop´ositos, que n˜ao discutiremos aqui (vide [38]).

Def ini¸c˜ao 2.3. Seja {Si} uma fam´ılia de transforma¸c˜oes que preservam medida. Um conjunto A´e invariante por {Ti} seSi−1(A) = A para todoi❩.

Def ini¸c˜ao 2.4. Um operador Aω, com ω ∈ Ω, ser´a chamado erg´odico se satisfazer a identidade

ASiω =UiAωU

i

em que{Si} s˜ao transforma¸c˜oes erg´odicas,Ui ´e um operador unit´ario eU∗

(20)

Def ini¸c˜ao 2.5. Uma vari´avel aleat´oria f ´e dita invariante por Ti se f(Tiω) = f(ω) i. Em seguida, enunciamos e demonstramos um resultado para uso posterior (por exem-plo, na demonstra¸c˜ao de resultados referentes `a ergodicidade).

Proposi¸c˜ao 2.1. Suponha que a fam´ılia {Ti} de transforma¸c˜oes que preservam medida seja erg´odica. Se a vari´avel aleat´oria f : Ω R for invariante por {Ti}, ent˜ao f ser´a constante P-q.t.p.

Demonstra¸c˜ao. Definamos ΩM = {ω | f(ω) M}, M R. Sendo f

obvia-mente mensur´avel e invariante por {Ti}, mostraremos que ΩM ´e invariante por {Ti}, i.e. Ti−1ΩM = ΩM i. Para tal objetivo, fixemos i.

() Sejam Ti : Ω Ω, Ti |ΩM: ΩM → Ran Ti |ΩM= TiΩM ⊂ Ω, e T

−1

i : TiΩM → ΩM. Seja θ ∈ Ti−1ΩM; logo, existe um ω ∈ ΩM tal que Tiω = θ, mas ω ∈ ΩM ⇒ f(ω) M, e como f(Tiω) = f(ω) M segue-se que Tiω = θ ΩM. Assim, Ti−1ΩM ⊂ΩM.

(⊇) Seja ω ∈ ΩM. Mostremos que ω ∈ Ti−1ΩM. Suponhamos, por absurdo, que ω /∈ Ti−1ΩM e ω ΩM (isto ´e, f(ω) M). De ω / Ti−1ΩM, temos que θ ΩM, Tiθ 6= ω, mas f(Tiθ) = f(θ) ≤ M, o que resulta em f(ω) > M (contradi¸c˜ao com f(ω)M).

Assim, Ti−1ΩM = ΩM i. Como a fam´ılia {Ti} ´e erg´odica, segue-se que P(ΩM) = 0 ou P(ΩM) = 1.

Agora ´e f´acil ver que se M M′, ent˜ao ΩM ΩM, com M, MR. Por outro lado,

como [ M∈R

ΩM = [ m∈❩

ΩM = Ω, fica claro que

K = \ M∈❩

ΩM = \ M∈❩

ΩM

tem probabilidade zero.

De fato, comoP(ΩM) = 0 ou 1 ∀ M ∈R, e \ M∈R

ΩM ⊂ΩM ∀ M ∈R, ent˜ao

i) Se algum ΩM for tal que P(ΩM) = 0, ent˜ao P(K)≤P(ΩM) = 0 ⇒ P(K) = 0. ii) Se P(ΩM) = 1 ∀ M ∈ R, ent˜aoP(K) = 1, o que significa que f =∞ P-q.t.p., e a

(21)

Seja, portanto,M0 = inf{M |P(ΩM) = 1}; pelo discutido anteriormente,M0 <. Como ΩM0 = \

n∈◆

M0+1

n e ˜ΩM0 := {ω | f(ω) < M0} = [

n∈◆

M01

n, segue-se que P(ΩM0) = 1,

P( ˜ΩM0) = 0, e portanto, que

P({ω |f(ω) =M0}) = P(ΩM0 \Ω˜M0) = 1,

isto ´e,f(ω) = M0, exceto por um conjunto de medida nula. Definamos agora, para u∈l2(ν), o operador

(Uiu)(n) =u(ni).

O adjunto do operador definido acima ´e dado por (U∗

ju)(n) = u(n+j) (Ui ´e um operador unit´ario; vide o Apˆendice A).

Se Vω for um potencial erg´odico com correspondentes transforma¸c˜oes {Ti}i∈❩ν que

preservam medida, ent˜ao

HTiω =UiHωU

i. (2.2)

Os operadores aleat´oriosHωque satisfazem a igualdade acima s˜ao chamados de operadores de Schr¨odinger erg´odicos, como foi definido na Defini¸c˜ao 2.4.

Nosso pr´oximo passo ´e apresentar a demonstra¸c˜ao do Teorema 1.1. Antes disso, ne-cessitamos de um resultado preliminar.

Def ini¸c˜ao 2.6. Dizemos que uma fam´ılia {Aω}ω∈Ω de operadores limitados sobre um espa¸co de Hilbert H ´e fracamente mensur´avel se a aplica¸c˜ao ω 7−→ hϕ, Aωψi for men-sur´avel para todos ϕ, ψ∈ H.

Lema 2.1.Suponhamos que{}ω∈Ωseja uma fam´ılia fracamente mensur´avel de proje¸c˜oes

ortogonais satisfazendo (2.2). Ent˜ao, dim Ran(Pω) = 0 P-q.t.p. ou dim Ran(Pω) = ∞ P-q.t.p.

(22)

ortonormalb1(ω), b2(ω), . . . de (Ran (Pω))⊥, temos que

Tr(Pω) =

X

hai(ω), Pωai(ω)i+

X

hbi(ω), Pωbi(ω)i = Xhai(ω), ai(ω)i= dim Ran(Pω),

j´a que Pω : H −→Ran(Pω)⊂ H, Ran(Pω)⊕Ran(Pω)⊥ =H =l2(ν), ai(ω)Ran(Pω), e portanto,Pω(ai(ω)) =ai(ω) e Pω(bi(ω)) = 0.

Agora, seja {ei :i∈❩ν} a base ortonormal canˆonica de H=l2(ν):

ei(n) =δin =

    

1 se i=n, 0 se i6=n. Ent˜ao, TrPω =

P

hei, Pωeii ´e uma vari´avel aleat´oria, j´a que por defini¸c˜ao, a fam´ılia {Pω}ω∈Ω ´e fracamente mensur´avel.

Al´em disso, dado que

hei−j, Pωei−ji=hUj∗ei, PωUj∗eii= hei, UjPωUj∗eii = hei, PTjωeii = hei, PTjωeii,

(2.3)

obtemos

TrPTjω = X

hei, PTjωeii = X

hei−j, Pωei−ji = TrPω.

Pela Proposi¸c˜ao 2.1, dim(RanPω) = TrPω, e assim constante P-q.t.p. Portanto, como

hei, Pωeii = hei, PωUi∗e0i

= hUiei, UiPωUi∗e0i=he0, PTiωe0i

(23)

E(TrPω) = TrPω = TrPω·E(Ω) ≥

X

|i|≤N

E(hei, Pωeii)

= X

|i|≤N

E(he0, PTiωe0i) = X

|i|≤N

E(he0, Pωe0i),

donde obtemos,P-q.t.p., que

TrPω = (2N + 1)νE(he0, Pωe0i).

Agora, comoN pode ser tomado arbitrariamente, segue-se que ou TrPω = 0 ou TrPω = ∞, dependendo se E(he0, Pωe0i) = 0 ou n˜ao.

Demonstra¸c˜ao do Teorema 1.1. Denotemos por E∆(ω) a proje¸c˜ao espectral de Hω

sobre o conjunto de Borel ∆ (vide o Apˆendice A). A equa¸c˜ao (2.2) implica queE∆(Tiω) = UiE∆(ω)U∗

i. Agora, mostramos que para um conjunto de Borel ∆ fixo, a aplica¸c˜aoω 7−→ E∆(ω) ´e fracamente mensur´avel (i.e., hf, E∆(ω)gi ´e mensur´avel para quaisquer f, g l2(ν)).

De fato, pela identidade de polariza¸c˜ao, ´e suficiente considerar o caso f = g. Al´em disso, n˜ao ´e dif´ıcil ver que o produto de operadores fracamente mensur´aveis e limitados ´e fracamente mensur´avel. Portanto, em particular,Hn

ω ´e fracamente mensur´avel para cada n∈◆. ´E poss´ıvel aproximarE∆(ω), na topologia forte, por ω-polinˆomios independentes em Hω (vide o Teorema de Stone-Weierstrass, [13]). Assim, E∆(ω) ´e fracamente men-sur´avel, j´a que todo polinˆomio deHω o ´e. Al´em disso, pelo Lema 2.1, dim Ran(E∆) ´e ou zero P-q.t.p. ou infinito P-q.t.p.

Agora, para cada par (p, q) de n´umeros racionais, definamosη(p, q) := 0 se dim(Ran(E(p,q)(ω))) = 0 P-q.t.p. e η(p, q) := se dim(Ran(E(p,q)(ω))) = P-q.t.p. Observe que η ´e bem

definido gra¸cas ao Lema 2.1. Definamos ainda Ωp,q :={ω |dim(RanE(p,q)(ω)) =η(p, q)} e Ω0 = \

p,q∈Q

Ωp,q.

Uma vez que cada Ωp,qtem probabilidade 1 e a intersec¸c˜ao sobrep, q Q´e enumer´avel, temos queP(Ω0) = 1.

(24)

Como ω1, ω2 Ω0, temos que dim RanE(λ1,λ2)(ω1) = dim RanE(λ1,λ2)(ω2), λ1, λ2 Q. Com efeito, ω1, ω2 ∈Ω0, implica em ω1, ω2 ∈Ωp,q, ∀p, q ∈Q, que por sua vez resulta em

dim RanE(p,q)(ω1) = η(p, q) = dim RanE(p,q)(ω2) P q.t.p..

Segue-se novamente da Proposi¸c˜ao A.2 e de λ /σ(Hω1) que dim RanE(λ1,λ2)(ω2) = 0 para λ1, λ2 ∈ Q, com λ1 < λ < λ2 suficientemente pr´oximos a λ. Isto implica, pela Proposi¸c˜ao A.2, emλ /σ(Hω2). Invertendo-se os pap´eis deω1eω2no argumento anterior, demonstra-se a outra inclus˜ao, e portanto, a primeira proposi¸c˜ao.

Agora, suponhamos que λ σdis(Hω) para ω ∈Ω0. Ent˜ao 0 <dim RanE(λ1,λ2)(ω)< ∞ para alguns λ1 < λ < λ2, λ1, λ2 ∈ Q. No entanto, isso contradiz o fato de ω ∈ Ω0.

Portanto, σdis(Hω) =∅ P-q.t.p. ✷

O pr´oximo resultado representa um refinamento em rela¸c˜ao ao resultado enunciado no teorema anterior (vide [9] para uma extens˜ao a um contexto mais geral). Necessitamos de um lema pr´evio.

Lema 2.2. Seja J = {I = Snk=1Ik | Ik = (pk, qk) intervalo aberto com pk, qk ∈ Q}. Ent˜ao, para cada A∈ B(R),

µs(A) = lim n→∞sup

µ(A∩I) :I ∈ J, ℓ(I)< 1 n

=:ν(A).

Demonstra¸c˜ao. Notemos inicialmente que supµ(AI) :I ∈ J, ℓ(I)< 1

n decresce quando n cresce, e que portanto o limite definido porν(A) existe.

Escrevamos dµac(x) = f(x)dx (f ∈ L

1(R) pelo teorema de Radon-Nikodym [31]) e g(R) = µac({x : f(x) > R}). ´E claro que g(R) ց 0 quando R → ∞. Ent˜ao µac(I) ≤ R|I|+g(R), e como µ(AI) =µac(AI) +µs(AI) (pelo Teorema de decomposi¸c˜ao de Lebesgue [31]), obtemos

µ(AI)µs(A) +R ℓ(I) +g(R).

Assim, para todoR, ν(A)µs(A) +g(R), e portanto ν(A)≤µs(A).

(25)

Sejam Cm conjuntos abertos tais que AB Cm e ℓ(Cm) ց0. Dados n e ε >0, ´e poss´ıvel encontrarm de modo que ℓ(Cm)< n1, e ent˜ao um I ∈ J tal que µ(Cm\I)≤ ε (j´a queµℓ). Logo, comoACm (AI)(Cm\I), segue-se que

µ(AI)µ(ACm)−µ(Cm\I)≥µ(A∩B)−ε =µs(A)−ε,

e portanto, queν(A) = lim

n→∞I∈Jsup, ℓ(I)<1

n

µ(A∩I)≥µs(A)−ε. Agora, como εfoi escolhido arbitrariamente, segue-se queν(A)µs(A).

Teorema 2.1(Kunz-Souillard). SejaVω um potencial erg´odico. Ent˜ao, existem conjuntos

Σac, Σsc, Σpp ⊂R tais que

σac(Hω) = Σac P-q.t.p.

σsc(Hω) = Σsc P-q.t.p.

σpp(Hω) = Σpp P-q.t.p. Demonstra¸c˜ao. Definamos E⋆

∆(ω) := E∆(ω)P⋆(ω), em que P⋆(ω) ´e o projetor sobre o subespa¸co H⋆

ω, com ⋆ = c, ac, sc, pp (vide o Apˆendice A para a defini¸c˜ao). Ent˜ao, um aplica¸c˜ao do Teorema 1.1 demonstra o resultado exceto por um ponto: temos que mostrar a mensurabilidade fraca de Eac

∆(ω), E∆sc(ω) e E pp

∆(ω). Para isto, ´e suficiente mostrar a mensurabilidade fraca deEc

∆(ω) =E∆ac(ω) +E∆sc(ω) e E∆s(ω) =E∆sc(ω) +E pp ∆(ω). Do teorema (RAGE) (Teorema A.12), temos que

1 T Z T 0

eitHωχJPc(A)e−iHωdt L→∞

−→ 0, (2.4)

em que Pc(ω) ´e o projetor sobre Hc =Hac⊔ Hsc, J ∈ Re χJ(n) = 1 se |n|< J eχJ = 0 se|n|> J. Portanto,

hφ, Pc(ω)ψi = 1 T

Z T 0 h

φ, eitHω(χ

J +χJ)Pc(ω)e−itHωψidt = lim T→∞ 1 T Z T 0 h

φ, eitHω(χ

J)Pc(ω)e−itHωψidt = lim T→∞ 1 T Z T 0 h

φ, eitHω(χ

J)e−itHωψidt −lim T→∞ 1 T Z T 0 h

φ, eitHω(χ

(26)

donde usamos (2.4) na segunda igualdade. Agora, estimamos a ´ultima express˜ao usando Ppp(ω)ψ =Pjηj, em que os ηj s˜ao autofun¸c˜oes de Hω, isto ´e,Hωηj =λjηj. Assim,

hφ, eitHω(

−χJ)Ppp(ω)e−itHωψ

i ≤ keitHωφ

kk(✶χJ)eitHωPpp(ω)ψ

k ≤ kφkkΣj(✶χJ)e−itλjηj

k ≤ kφkΣjk(✶χJ)ηjk, e portanto, temos o limite fraco

hφ, Pc(ω)ψi= lim J→∞Tlim→∞

1 T

Z T 0 h

φ, eitHω(χJ)e−itHωψidt. (2.5)

ComoeitHω =P(itHω)n

n! , o membro direito da igualdade (2.5) ´e mensur´avel, de modo que Pc(ω), e portantoEc

∆(ω) :=E∆(ω)Pc(ω), s˜ao fracamente mensur´aveis. A prova da mensurabilidade fraca deEs

∆(ω) faz uso do argumento de Carmona (Lema 2.2; vide [6]): segue-se da defini¸c˜ao de medida espectral (vide Apˆendice A) que, para todo ϕ,

hϕ, Es(ω)ϕi= lim

n→∞I∈Jsup,|I|<1

n

hϕ, E∆∩I(ω)ϕi.

Agora, comoJ ´e enumer´avel ehϕ, E∆∩I(ω)ϕi´e mensur´avel, conclu´ımos quehϕ, E∆s(ω)ϕi ´e mensur´avel. Logo, por polariza¸c˜ao, Es

∆(ω) ´e fracamente mensur´avel. O seguinte resultado ´e especial para o caso unidimensional (vide [9]).

Teorema 2.2 (Pastur). Se ν = 1, ent˜ao, para cada λ fixo,

P({ω |λ ´e um autovalor de Hω}) = 0.

Demonstra¸c˜ao. FixemosλR. Segue-se da demonstra¸c˜ao do teorema 1.1 (onde mostra-mos que as proje¸c˜oes espectrais E∆(ω) s˜ao fracamente mensur´aveis para cada boreliano ∆∈ B(R)) e do Lema 2.1 que ou TrE{λ} = 0 P−q.t.p., ou TrE{λ} = ∞ P−q.t.p.

Con-tudo, a equa¸c˜ao de diferen¸ca finita unidimensional (1.3) tem, no m´aximo, um espa¸co bidimensional de solu¸c˜oes, e portanto, TrE{λ} = 0 P−q.t.p. Isso, por sua vez, implica em

P({ω |λ´e autovalor de Hω}) = 0, pois TrE{λ} = dim RanE{λ} = 0 P−q.t.p. e

(27)

Observa¸c˜ao 2.1. O resultado do Teorema 2.2 n˜ao implica emHωn˜ao possuir autovalores. Uma uni˜ao n˜ao-enumer´avel de conjuntos de probabilidade zero pode ter probabilidade positiva (ou pode mesmo ser n˜ao-mensur´avel).

Corol´ario 2.1. Se o espectro pontual Σpp[=σpp(Hω) P−q.t.p.]for n˜ao-vazio, ent˜ao ser´a localmente n˜ao-enumer´avel.

2.2

A Densidade de Estados e o Teorema de

Avron-Simon

Nesta se¸c˜ao, definiremos e discutiremos as principais propriedades de uma importante grandeza para sistemas desordenados, a densidade de estadosK(E). A quantidade K(E) mede, em algum sentido, quantos estados (ou autofun¸c˜oes) correspondem a energias me-nores do que E.

Lembremos que o operador (1.4) descreve o movimento de uma part´ıcula (el´etron) em um s´olido com infinitos centros de for¸ca (n´ucleos, ´ıons) localizados em posi¸c˜oes fixas. Esta ´e algumas vezes chamada de aproxima¸c˜ao de um corpo. No entanto, em um s´olido com infinitos n´ucleos, temos infinitos el´etrons. N´os n˜ao podemos lidar diretamente com um problema de infinitas part´ıculas, o que nos leva a restringir o problema a um dom´ınio finito. Em tal dom´ınio, teremos um n´umero finito de el´etrons.

Denotemos por χL a fun¸c˜ao caracter´ıstica do “cubo”

CL ={i∈❩ν :Lik L;k= 1, . . . , ν}.

O “n´umero de el´etrons” emCLdeve ser uma densidade multiplicada por #CL = (2L+1)ν. Definimos uma medida dKω

L, ω ∈Ω, por dKLω(A) =

Z

A

dKL = 1

(2L+ 1)ν dim Ran(EA(ω)χL)

= 1

(28)

restringimos o problema completo ao cubo CL”. Podemos esperar que a medida dKω L convirja (em algum sentido) no limite de CL a ❩ν (i.e., L→ ∞).

A convergˆencia de medida apropriada ´e a convergˆencia vaga (fraca), i.e. dµn dµse

R

f dµn→R f dµ, para toda fun¸c˜ao cont´ınua f com suporte compacto (f ∈Cc). Definimos a medida dK por

Z

f(λ)dK(λ) :=E(hδ0, f(Hω)δ0i). (2.7)

Denotemoshδ0, f(Hω)δ0ipor f(Hω)(0,0).

O pr´oximo teorema nos mostra efetivamente que dKω

L converge vagamente a dK, P -q.t.p., no limiteL→ ∞.

Teorema 2.3. Para qualquer fun¸c˜ao mensur´avel e limitada f, existe um conjunto Ωf de probabilidade 1 tal que

lim L→∞

Z

f(λ)dKLω(λ) =

Z

f(λ)dK(λ) se ωΩf. (2.8)

Demonstra¸c˜ao. Fixemos uma fun¸c˜ao mensur´avel e limitadaf. Definamos ¯f(ω) :=f(Hω)(0,0). Por estacionariedade, afirmamos que f(Hω)(n, n) = ¯f(Tn

ω) (lembre-se que HTnω =

U HnU−1). Com efeito,

¯

f(Tnω) =hδ0, f(HTnω)δ0i=hδ0, E

HTnω(f)δ0

i = hδ0, UnEHω(f)U−1

n δ0i = hUn−1δ0, EHω(f)U−1

n δ0i = hδn, EHω(f)δn

i = f(Hω)(n, n).

Temos, portanto,

Z

f(λ)dKL(λ) = 1

(2L+ 1)νTr(f(Hω)χL) =

1 (2L+ 1)ν

X

|n|≤L

hδn,(EHω(f)χL)δni

= 1

(2L+ 1)ν

X

|n|≤L

f(Hω)(n,n)

= 1

(2L+ 1)ν

X

(29)

Aplicando-se o teorema de Birkhoff (vide o Teorema 2.7) `a express˜ao anterior, obtemos que seϕ ∈L1(R), ent˜ao 1

(2L+ 1)ν

X

|n|≤L

ϕ(Tnω) converge aE(ϕ)P−q.t.p. quandoL→ ∞. Assim,

lim L→∞

1 (2L+ 1)ν

X

|n|≤L ¯

f(Tnω) =E( ¯f(ω)) = E(f(Hω)(0,0)) =

Z

f(λ)dKλ,

i.e., R f(λ)dKω

L(λ)L−→→∞

R

f(λ)dK(λ)≡dKω

L L−→→∞dK.

Como o conjunto Ωf pode depender de f, n˜ao ´e claro que exista um ω ∈ Ω para o qual (2.8) seja verdadeiro para toda fun¸c˜ao limitada e mensur´avel f. Temos, contudo, o seguinte

Teorema 2.4. dKω

L converge fracamente a dK P−q.t.p em Ω.

Demonstra¸c˜ao. Sabe-se que existe um subconjunto enumer´avel F de C0 (o espa¸co das fun¸c˜oes cont´ınuas com suporte compacto) tal que para cadaf C0, existe uma sequˆencia {fn} em F com fn →f uniformemente, e [

n

suppfn est´a contido em um conjunto com-pacto (fdependente, vide [31]).

Definamos Ω0 :=

\

g∈F

Ωg. Do teorema erg´odico de Birkhoff, obtemos que P(Ω0) = 1 (j´a que F ´e enumer´avel). Al´em disso, verifica-se que (2.8) se cumpre para cadaω ∈Ω0 e cada f C0.

O seguinte teorema estabelece uma conex˜ao entre o espectro de um operador erg´odico e a densidade de estados.

Teorema 2.5 (Avron e Simon). supp(dK) = Σ (=σ(Hω) P q.t.p.).

Demonstra¸c˜ao. () Se λ0 ∈/ Σ, existe uma fun¸c˜ao cont´ınua e n˜ao-negativa f, com f(λ0) = 1 e f ↾Σ= 0 (a existˆencia de tal fun¸c˜ao se deve ao lema de Urysohn; vide [32]).

Assim, usando-se a identidade de polariza¸c˜ao,

(30)

e portanto,

Z

f(λ)dK = (f(Hω))(0,0) = hδ0, f(Hω)δ0i = 0.

Logo,λ0 ∈/suppdK(pois existe uma vizinhan¸ca aberta,Nλ0, deλ0tal queK(Nλ0) =

R

Nλ0

f dK = 0).

(⊆) Inversamente, se λ0 ∈/ supp(dK), ent˜ao existe uma fun¸c˜ao cont´ınua e positiva f com f(λ0) = 1 e R f(λ)dK = 0 (novamente, pelo lema de Urysohn). As-sim, f(Hω)(0,0) = hδ0, f(Hω)δ0i = 0 P−q.t.p. e portanto, como f(Hω)(n, n) = f(HTnω)(0,0) , sabemos que para todo n, hδn, f(Hω)δni = 0 P−q.t.p. N˜ao

obs-tante, como f(Hω) =EHω(f)0, isto implica em f(Hω) = 0. Como f ´e cont´ınua

e f(λ0) = 1, segue-se que λ0 / Σ.

Def ini¸c˜ao 2.7. Seja dK a medida definida em (2.7). Dado E R, a fun¸c˜ao

K(E) :=

Z

χ(−∞,E)(λ)dK(λ) =

Z E

−∞

dK(λ)

ser´a chamada de densidade integrada de estados. (algumas vezes, esta quantidade ser´a chamada de “densidade de estados”).

Como mostraremos a seguir,dK ´e uma medida cont´ınua paraν = 1, ou seja, a fun¸c˜ao K(E) ´e cont´ınua (vide [15]).

Teorema 2.6 (Craig-Simon, Delyon-Souillard). K(E) ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua.

Demonstra¸c˜ao. Fixemosλ. Seja fn uma sequˆencia de fun¸c˜oes cont´ınuas com fn(λ) = 1 e fn(x)↓0 sex6=λ. Ent˜ao,fn(Hω)(0,0)↓EHω

{λ}(0,0) e

R

fn(x)dK(x)↓K(λ+0)−K(λ−0). Assim, pela defini¸c˜ao de dK e pelo Teorema 2.3, ´e suficiente mostrar que

E(EHω

{λ}(0,0)) = limL→∞

1

(2L+ 1)νTr(E Hω

{λ}χL) = 0.

(31)

o que n˜ao muda o fato de que para um λ fixo, a igualdade se cumpra P-q.t.p., e que precisamos somente considerar um ponto t´ıpico.

A solu¸c˜ao ψ de (1.3) ´e unicamente determinada dentro de CL por seus valores sobre ˜

CL = ν

[

j=1 ˜

CL,j, em que ˜CL,1 = {i ∈ CL | i1 = −L ou −L+ 1} e ˜CL,k = {i ∈ CL | ik = −Lou L}se k 2.

A identidade

ψ(α) = [EV(α−δ1)]ψ(α−δ1)−ψ(α−2δ1)− ν

X

j=2

[ψ(α−δ1+δj)+ψ(α−δ1−δj)]

nos permite determinarψ indutivamente para α=−L+ 2, . . . , L. Assim,

dim[Ran(χLEHω

{λ})]≤#( ˜CL)≤2ν(2L+ 1)

ν−1.

Tomemos uma base ortonormal,{ai}, para Ran(χLEHω

{λ}) e uma base ortonormal,{bj},

para (Ran(χLEHω

{λ}))⊥. Assim,

Tr(χLEHω

{λ}) =

P

ihai, χLEHω

{λ}aii +

P

jhbj, χLE Hω

{λ}bji

≤ Pikaik · kχLE{Hλω}aik ≤

P

ikaik2kχLE{Hλω}k = dim Ran(χLEHω

{λ})kχLE

{λ}k

≤ dim Ran(χLE{Hλω}),

donde conclu´ımos que (2L+ 1)−1Tr(χ

LE{Hλω})→0.

2.3

Expoentes de Lyapunov e o Teorema de

Furstenberg-Kesten

A partir daqui, consideramos apenas o caso unidimensional ν = 1. O que torna o caso unidimensional especial ´e o fato de que, para E fixo, uma solu¸c˜ao u da equa¸c˜ao de au-tovalores (1.3) ´e determinada caso se conhe¸cam seus valores em dois pontos seq¨uenciais (problema de valor inicial para uma equa¸c˜ao de diferen¸ca finita de segunda ordem).

(32)

definamos

γ±(ω, E) := lim sup N→±∞

1

|N|lnkΦE,ω(N)k, (2.9a) γ±(ω, E) := lim inf

N→±∞

1

|N|lnkΦE,ω(N)k. (2.9b)

Observa¸c˜oes 2.1.

a) Na defini¸c˜ao acima, kAk denota a norma de operador da matriz A. No entanto, os limites (2.9a) e (2.9b) n˜ao mudam se empregamos qualquer outra norma (j´a que, em espa¸cos de dimens˜ao finita, todas as normas s˜ao equivalentes).

b) Tais quantidades medem o crescimento da norma matricial kΦE,ω(N)k. J´a que det(SE,ω) = 1, e portanto detΦN = 1, segue-se que kΦE,ω(N)k ≥ 1, e conseq¨ uente-mente 0 ≤ γ±(ω, E) γ±(ω, E). De fato, se detA = p(λ) = 1, ent˜ao pelo menos

um autovalor de A satisfaz |λ| ≥ 1; assim, se por exemplo |λ0| ≥ 1 e Av = λ0v, teremos que kAvk=kλ0vk=|λ0|kvk ≤ kAkkvk, e portantokAk ≥1.

Paraν = 1, temos queTn= (T1)n. Se definirmosT :=T1, teremos ent˜ao queTn=Tn para todon.

Def ini¸c˜ao 2.8. T ´e chamado erg´odico se {Tn}

n∈❩ for uma fam´ılia de transforma¸c˜oes

erg´odicas. Uma sequˆencia {FN}N∈◆ de fun¸c˜oes mensur´aveis (vari´aveis aleat´orias) ´e dita

um processo subaditivo se, para todos N e M inteiros positivos,

FN+M(ω)≤FN(ω) +FM(TNω),

em queT ´e uma transforma¸c˜ao que preserva medida. Se a igualdade se cumpre, oprocesso

´e chamado aditivo.

Enunciamos, sem demonstra¸c˜ao, os seguintes resultados (um deles ´e fundamental na demonstra¸c˜ao do Teorema (2.9), que garantir´a a existˆencia do limite (1.5); vide [2, 39]).

Teorema 2.7 (Teorema Erg´odico de Birkhoff). Seja {fn}n∈◆ um processo erg´odico adi-tivo, isto ´e, fn(ω) =

Pn−1

m=0f1(Tmω). Se E(|f1|)<∞, ent˜ao lim

n→∞

1

(33)

Teorema 2.8 (Teorema Erg´odico Subaditivo de Kingman). Se FN for um processo suba-ditivo satisfazendoE(|FN|)<∞ para cada N e Γ(F) := inf

N

E(FN)

N >−∞, ent˜ao

FN(ω) N

convergir´a P-q.t.p.. Se, al´em disso, T for erg´odico, ent˜ao lim N→∞

1

NFN(ω) = Γ(F).

O Teorema (2.9) estabelece a existˆencia e a boa defini¸c˜ao do expoente de Lyapunov, em que se ressalta a sua independˆencia com respeito `as realiza¸c˜oes ω∈Ω.

Teorema 2.9 (Furstenberg-Kesten). Para um E C fixo,

γ±(E) := lim

N→±∞

1

N lnkΦE,ω(N)k (2.10)

existe P-q.t.p, ´e independente de ω e γ+(E) =γ(E).

Demonstra¸c˜ao. SejaFN(ω) = lnkΦE,ω(N)k. FixadosN e M positivos, temos que

FN+M(ω) = ln

N+M Y j=N+1

SE,ω(j)· N Y i=1 SE,ω(i) = ln M Y j=1

SE,TNω(j)·

N Y i=1 SE,ω(i)

≤ ln(kΦE,TNω(M)kkΦE,ω(N)k)

= FM(TNω) +FN(ω),

em que utilizamos na segunda identidade a estacionaridade de S, isto ´e, SE,ω(l+N) = SE,TNω(l), com l = 1, . . . , M. O caso em que N ´e negativo tem demonstra¸c˜ao an´aloga a

anterior; assim, o processo FN ´e subaditivo. Al´em disso,

1

NE(|FN|) = 1 NE ln

N Y j=1 SE,ω(j) ! ≤ 1 NE ln

N

Y

j=1

kSE,ω(j)k

!! = 1 NE N X j=1

lnkSE,ω(j)k

! = 1 N N X j=1

(34)

Justifiquemos a ´ultima igualdade. Com efeito,

1 N

N

X

j=1

E(lnkSE,ω(j)k) = 1

N (E(lnkSE,ω(1)k) +· · ·+E(lnkSE,ω(N)k))

= 1

N E(lnkSE,ω(0)k) +· · ·+E(lnkSE,Tωn(0)k)

,

j´a que

VTjω(0) = Vω(j) ∀j ≥1,

e conseq¨uentemente,

SE,ω(n) =

E−Vω(n) −1

1 0

 

=

E−VT

nω(0) −1

1 0

 

= SE,Tnω(0).

Assim,

1 N

N

X

j=1

E(lnkSE,ω(j)k) = 1 N

N

X

j=1

E((ϕ◦Tj)(ω)), (2.11)

em que ϕ(ω) = lnkSE,ω(0)k. Dado que ln, k · k e V s˜ao mensur´aveis, e que T ´e um operador que preserva medida, temos

E (ϕTj)(ω)=E(ϕ(ω)), j = 1, . . . , N.

Assim, de (2.11) obtemos

1 N

N

X

j=1

E(lnkSE,ω(j)k) = E(lnkSE,ω(0)k).

Mais ainda, lembrando-se que

ln+x=

    

lnx , se x≥1 0 , se 0≤x <1,

(35)

FN 0 para se concluir que inf[E(FN)/N]0>−∞. Deste modo, uma aplica¸c˜ao do Teorema 2.8 resulta em

lim N→+∞

1

N lnkΦE,ω(N)k= infN >0 1

NE(lnkΦE,ω(N)k) P −q.t.p. e

lim N→−∞

1

|N|lnkΦE,ω(N)k= infN <0 1

|N|E(lnkΦE,ω(N)k) P −q.t.p.

Resta-nos demonstrar que γ+(E) = γ(E). Para tanto, observe que para N >0

Φ−N = S−−N1 ·. . .·S

−1

−1S0−1 = (S0S−1· · ·S−N)−1.

Agora, SE,ω(0) =SE,T−Nω(N), j´a que VT−Nω(N) =Vω(0), e dado que

(SE,ω(0)·SE,ω(1)·. . .·SE,ω(N))−1 = SE,T−Nω(N)·SE,T−Nω(N −1)·. . .·SE,T−Nω(0) −1

,

segue-se que ΦE,ω(−N + 1) = ΦE,T−Nω(N) −1. Por fim, pela estacionaridade de T,

con-clu´ımos que

E(lnkΦ−N+1k) = E(lnkΦ−N1k). (2.12)

Al´em disso, para J =

 0 −1

1 0

, tem-se que

(JΦNJ−1)T = Φ−N1.

Assim, como kJuk=kJ−1uk=kuk, o resultado se segue de (2.12).

Denomina-se o n´umeroγ(E) := γ+(E) =γ(E) de exponente de Lyapunov para Hω,

(36)

2.4

Subarmonicidade do Exponente de Lyapunov e a

ormula de Thouless

Nesta se¸c˜ao, estabeleceremos uma importante conex˜ao entre o exponente de Lyapunov e a densidade de estados, a saber, a f´ormula de Thouless. Para a demonstra¸c˜ao desta f´ormula, bem como para outros prop´ositos, ser´a mostrada a subarmonicidade do exponente de Lyapunov.

Para tanto, necessitamos de algumas defini¸c˜oes e fatos b´asicos concernentes `as fun¸c˜oes subarmˆonicas.

Def ini¸c˜ao 2.9. Uma fun¸c˜ao f :CR∪ {−∞}´e chamada

a) subm´edia se f(z0)≤ 1 2π

Z 2π 0

f(z0+reiθ)dθ para todo r >0;

b) superiormente semicont´ınua se, para cada sequˆencia zn −→ z0, lim supf(zn) f(z0);

c) subarmˆonica se for ambas subm´edia e superiormente semicont´ınua. Consequˆencias imediatas da Defini¸c˜ao 2.9 s˜ao:

i) f(z0)lim r→0inf

1 πr2

Z

|z−z0|≤r

f(z)dz, sef for subm´edia. (2.13)

ii) f(z0) = lim r→0

1 πr2

Z

|z−z0|≤r

f(z)dz, se f for subarmˆonica. (2.14)

Proposi¸c˜ao 2.2.

i) Se {fn} forem fun¸c˜oes subm´edias, com sup

|z|<R|

fn(z)| < ∞ para todo R, e f0(z) = lim supfn(z), ent˜ao f0 ser´a subm´edia.

ii) Se {fn} for uma sequˆencia decrescente de fun¸c˜oes subarmˆonicas, ent˜ao f0(z) = inf

n fn(z) ser´a subarmˆonica.

Demonstra¸c˜ao.

i) Para quaisquer n,N n er >0,

fn(z0)≤ 1 2π

Z 2π 0

fn(z0+reiθ)dθ ≤ 1 2π

Z 2π 0

sup j≥N

(37)

Assim,

f0(z0) = inf

N jsupNfj(z0) ≤ 1 2πinfN

Z 2π 0

sup j≥N

fj(z0 +reiθ)dθ

= 1

Z 2π 0

inf

N supjNfj(z0 +re iθ)dθ

= 1

Z 2π 0

f0(z0+reiθ)dθ,

pelo teorema de convergˆencia mon´otona (a sequˆencia {supjNfj(z0+reiθ)}´e n˜ao-negativa e n˜ao-crescente, com limite lim

N→∞supjNfj(z0+re

) = inf

N supjNfj(z0+re iθ) = lim supfj(z0 +reiθ)).

ii) Segue-se de (i), dado que o ´ınfimo de uma fam´ılia de fun¸c˜oes superiormente semi-cont´ınuas ´e uma fun¸c˜ao superiormente semicont´ınua.

Teorema 2.10 (Craig e Simon).

i) γ±(ω, E) s˜ao subm´edias, E C, ω. ii) γ(E) ´e subarmˆonica.

Demonstra¸c˜ao.

(i) A fun¸c˜ao a valores matriciais ΦE,ω(N) ´e obviamente anal´ıtica em E C para quaisquer N,ω ∈Ω (lembre-se da Defini¸c˜ao 1.3).

A primeira observa¸c˜ao que fazemos ´e que kΦE,ω(N)k ´e subarmˆonica. Com efeito, kΦE,ω(N)k ´e cont´ınua e subm´edia por

kΦN(ω, E0)k= 1 πr2k

Z

|E−E0|≤r

ΦE,ω(N)dEk ≤ 1 πr2

Z

|E−E0|≤r

kΦE,ω(N)kdE.

Assim, como a fun¸c˜ao logaritmo ´e uma fun¸c˜ao convexa, lnkΦE,ω(N)k ´e subm´edia pela desigualdade de Jensen (vide a equa¸c˜ao (3.2) do cap´ıtulo III em [23]), donde se segue que

lnkΦE,ω(N)k ≤ 1 2π

Z 2π 0

(38)

Logo, pela Proposi¸c˜ao 2.2(i),

γ±(ω, E) = lim

N→±∞sup

1

N lnkΦE,ω(N)k s˜ao subm´edias para todos E ∈C, ω∈Ω.

(ii) Lembre-se, pelo teorema erg´odico subaditivo (Teorema 2.8), que

γ(E) = inf 1

NE(lnkΦE,ω(N)k); seja A(E) := E(lnkΦE,ω(N)k). A(E) ´e subm´edia, pelo teorema de Fubini, j´a que

E(lnkΦE,ω(N)k) ≤ E

1 2π

Z 2π 0

lnkΦE+reiθ,ω(N)kdθ

= 1

Z 2π 0

E(lnkΦE+reiθ(N)k)dθ.

A(E) ´e semicont´ınua superiormente, pelo lema de Fatou, pois se (zn)E, ent˜ao

lim supE(lnkΦzn,ω(N)k) ≤ E(lim sup lnkΦzn,ω(N)k)

= E

lim

n→∞lnkΦzn,ω(N)k

= E(lnkΦE,ω(N)k);

utilizamos, na ´ultima igualdade, a continuidade das fun¸c˜oes ln e k · k. Agora, pela Proposi¸c˜ao 2.2(ii),γ(E) ´e subarmˆonica, pois claramente, para cadaN, lnkΦE,ω(N)k ´e uma fun¸c˜ao subarmˆonica.

Por fim, discutimos a f´ormula de Thouless (vide [4]).

Lema 2.3. A fun¸c˜ao f(E) =R ln|EE′|dK(E)(comf(E) =−∞se a integral diverge a −∞) ´e subarmˆonica.

Demonstra¸c˜ao. A fun¸c˜aoϕ(E) = ln|E−E′|´e subarmˆonica (novamente equa¸c˜ao (3.2) em

[23]). Assim, f ser´a subm´edia por Fubini. Definamos para M > 0

fM(E) =

Z

(39)

A fun¸c˜aofM ´e cont´ınua j´a que dK ℓ. Agora, pelo teorema de convergˆencia mon´otona, obtemos que f(E) = inf

M >0fM(E). Assim, f ´e semicont´ınua superiormente.

Teorema 2.11 (F´ormula de Thouless). Para cada E C,

γ(E) =

Z

ln|EE′|dK(E′). (2.15)

Demonstra¸c˜ao. Mostra-se em primeiro lugar (2.15) paraE ∈C\R. Para estesE, a fun¸c˜ao f(E′) := ln|EE| (ramo principal do ln) ´e cont´ınua sobre supp(dK).

Agora, pela defini¸c˜ao de ΦE(L) (vide Defini¸c˜ao 1.3), ´e f´acil ver que ΦE(L) ´e da forma

ΦE,ω(L) =

 PL(ω, E) QL−1(ω, E)

PL−1(ω, E) QL−2(ω, E)

, L≥2

em quePl e Ql s˜ao polinˆomios mˆonicos de graul. Al´em disso,Pl(ω, E) = 0 se, e somente se, (1.3) tem uma solu¸c˜ao u satisfazendo u(0) = 0, u(l + 1) = 0, e Ql(ω, E) = 0 se, e somente se, existe uma solu¸c˜ao com u(1) = 0 e u(l+ 2) = 0.

Assim,

Pl(E) = l

Y

j=1

(E−Ej(l)), Ql(E) = l

Y

j=1

(E−E˜j(l))

em que Ej(l) (respectivamente ˜Ej(l)) s˜ao os autovalores de Hω restrito `a caixa {1, . . . , l} (respectivamente {2, . . . , l+ 1}) com condi¸c˜oes de fronteira u(0) = 0 = u(l+ 1) (respec-tivamente u(1) =u(l+ 2) = 0). Assim, conclu´ımos que

ln|PL(E)| =

Z

ln|E E′| dρ1,L(E′) e ln|QL(E)| =

Z

ln|E−E′| dρ2,L+1(E′),

j´a que ln|PL(E)|= ΣL

j=1ln|E−E (L) j |=

R

ln|E−E′|dρ1,L(E), eρ1,Lpercorre{1,· · · , L}

e atribui peso um aos autovalores deHω =Hω(1,L) (analogamente para ln|QL(E)|). Logo, obtemos que

lim L→∞

1

Lln|PL(E)|=

Z

ln|EE′|dk(E′),

(40)

Agora, seja E C arbitr´ario. Como (2.15) se cumpre para ˜E C\R, isto ´eγ( ˜E) =

R

ln|E˜−E′|dK(E), obtemos

1 πr2

Z

|E−E˜|≤r

γ( ˜E)d2( ˜E) = 1 πr2

Z

|E−E˜|≤r

f( ˜E)d2( ˜E),

comf(E) =R ln|EE′|dK(E) (Lembre-se que a intersec¸c˜ao do dom´ınio Dr(E) ={E˜ :

|E−E˜| ≤r} eR tem medida nula em C).

Tomando-se o limiter 0 em ambos os membros da igualdade anterior obtemos, por (2.14), que

γ(E) =f(E) =

Z

ln|EE′| dK(E′),

j´a queγ ef s˜ao fun¸c˜oes subarmˆonicas (pelos Teorema 2.10 e Lema 2.3, respectivamente).

2.5

O Teorema de Ishii-Pastur-Kotani

O Teorema erg´odico multiplicativo de Osceledec (vide [2, 39] ) permite uma conex˜ao entre o comportamento assint´otico de ΦN e o comportamento assint´otico de solu¸c˜oes ΦNu da equa¸c˜ao de autovalores com vetor condi¸c˜ao inicialu.

Teorema 2.12 (Teorema Erg´odico Multiplicativo de Osceledec). Suponha que {An}n∈◆ seja uma sequˆencia de matrizes reais 2×2 satisfazendo

i) lim n→∞

1

n lnkAnk= 0 e

ii) detAn= 1. Seγ := lim

n→∞

1

n lnkAn·. . .·A1k>0, ent˜ao existir´a um subespa¸co unidimensionalV

R2

tal que

lim 1

nlnkAn·. . .·A1vk = −γ para v ∈V

, v6= 0, e

lim 1

nlnkAn·. . .·A1vk = γ para v /∈V

.

(41)

exponencialmente somente existe para uma condi¸c˜ao inicial particular, λu+; qualquer outra condi¸c˜ao inicial resulta numa solu¸c˜ao crescente. O mesmo se d´a com solu¸c˜oes `a esquerda com uma condi¸c˜ao inicial particular λu. Tem-se uma autofun¸c˜ao pertencente al2() somente quando as solu¸c˜oes λu

+,λu− coincidem na origem.

Entretanto, devemos ser muito cuidadosos com as afirma¸c˜oes acima, j´a que estas s˜ao v´alidas somente paraEfixo (i.e., fixadoE, os resultados acima se seguem). Se permitirmos queE percorra um conjunto n˜ao-enumer´avel, pode ocorrer que os excepcionais ω para os quaisγ±(ω, E)6=γ(E)>0 totalizem um conjunto de medida 1.

Por exemplo, n˜ao podemos concluir, Pq.t.p., que toda solu¸c˜ao de Hωu =Eu (com E ∈R arbitr´ario) seja ou exponencialmente crescente ou exponencialmente decrescente. Contudo, como veremos a seguir, o expoente de Lyapunov caracteriza completamente o espectro absolutamente cont´ınuo.

A seguir, apresentamos uma demonstra¸c˜ao do importante teorema de Ishii-Pastur-Kotani (Teorema 1.2). Dividiremos a demonstra¸c˜ao em duas partes (duas inclus˜oes). A primeira inclus˜ao () foi demostrada por Ishii e Pastur (vide [18, 30]), em que se utiliza um resultado da teoria dos autovetores generalizados, a saber o teorema de Sch’nol (vide o capitulo 2 de [9] para uma demonstra¸c˜ao deste resultado). A segunda inclus˜ao foi estabelecida por Kotani, em que se utiliza a teoria de subordina¸c˜ao (mais precisamente, o Teorema B.4; vide [26]). Ambos os resultados foram estabelecidos para o caso cont´ınuo e adaptados ao caso discreto por Barry Simon (vide [10, 36]).

Teorema 2.13 (Sch’nol). O espectro, σ(H), do operador de Schr¨odinger H ´e igual ao

fecho do conjunto dos E para os quais a equa¸c˜ao de autovalores, Hu = Eu, tem uma

solu¸c˜ao polinomialmente limitada.

Demonstra¸c˜ao do Teorema 1.2.

() Suponhamos que E /∈ Zess, isto ´e, que γ(E) > 0 ℓq.t.p. num intervalo aberto (a, b). Assim, AE = {ω | γ(E) = 0} ´e tal que P(AE) = 0 (pelo Teorema 2.9, que nos diz que γ existe e independe de ωΩ) ℓq.t.p. em (a, b).

Definamos

A :={(ω, E) : ou γ+(ω, E)6=γ−(ω, E), ou o

(42)

Ent˜ao,

0 =

Z b a

P(AE)dE = (ℓ×P)(A) = (P ×ℓ)(A), pelo teorema de Fubini. Portanto,

ℓ(Aω) =ℓ({E : ou γ+(ω, E)6=γ−(ω, E), ou o

limite n˜ao existe, ou γ(ω, E) = 0; E (a, b)}) = 0 P q.t.p;

em outras palavras, γ(ω, E) > 0 P−q.t.p e para todo E fora de um conjunto de medida de Lebesgue nula.

Agora, se definirmos, ωΩ,

Sω :={E :Hωu=Eupossui uma solu¸c˜ao polinomialmente limitada},

ent˜ao, pelo Teorema 2.13, Sω satisfar´a E(R\Sω)(Hω) = 0 (que por sua vez, significa

que as proje¸c˜oes espectrais de Hω se concentram em Sω, j´a queESω(Hω) = 1).

Al´em disso, como ℓ(Aω) = 0, tem-se que

hφ, χ(Aω)(Hω)φi = Z

R

χ(Aω)(t)dµφ(t)

= µφ(Aω)

= 0, φ ∈ Hac,

j´a que φ :=Pac(Hω)(ϕ)∈ Hac para todaϕ ∈ H.

Logo, EAω(Hω) = 0 (operador nulo), e assim conclu´ımos que E

ac

Aω(Hω) = 0.

No entanto, para E / Aω, as ´unicas solu¸c˜oes polinomialmente limitadas s˜ao expo-nencialmente decrescentes, pelo Teorema 2.12, e portanto autofun¸c˜oes pertencen-tes a l2(). Como os autovalores existem em um n´umero cont´avel, segue-se que ℓ(Sω ∩((a, b)\Aω)) = 0, implicando-se em

E(a,b)ac (Sω\Aω)(Hω) = 0.

(43)

Eac

(a,b)(Hω) = E(a,b)ac ∩Aω(Hω) +E

ac

(a,b)∩(Sω\Aω)(Hω) +E

ac

(a,b)\(Aω∪Sω)(Hω)

= Eac

(a,b)∩Aω(Hω) +E

ac

(a,b)∩(Sω\Aω)(Hω) +E

ac

(a,b)∩(R\Aω)∩(R\Sω)(Hω)

= E(a,b)ac Aω(Hω) = 0,

o que significa que seE ∈(a, b) for tal queγ(E)>0, ent˜ao E /∈σac(Hω) (j´a que to-das as componentes absolutamente cont´ınuas to-das proje¸c˜oes espectrais se concentram fora do intervalo (a, b)).

Apresentamos agora alguns resultados necess´arios `a demonstra¸c˜ao da segunda inclus˜ao do Teorema 1.2; os detalhes da teoria de subordina¸c˜ao s˜ao discutidos no Apˆendice B.

Necessitamos, ainda, da defini¸c˜ao da fun¸c˜aomde Weyl-Titchmarsh, que apresentamos a seguir (vide o Apˆendice B para mais detalhes). DadosE ∈C, comIE >0 (IE denota a parte imagin´aria deE), eωΩ, ´e f´acil mostrar que a equa¸c˜ao de autovalores (1.3) possui solu¸c˜oes ´unicas u±(n) que s˜ao l2(❩±). Com efeito, tome u±(n, ω) = hδn,(Hω −E)−1δ1i

para n pr´oximo a ±∞ para demonstrar a existˆencia; a unicidade se segue da constˆancia do Wronskiano (vide Apˆendice B). Al´em disso,

2iI(u±(0)u±(±1)) =u±(0)u±(±1)−u±(±1)u±(0),

sendo o membro direito o Wronskiano das solu¸c˜oes de (1.3) para E e ¯E, e se usando o fato que u±→0 em ±∞, tem-se que

I(−u±(0)u±(±1)) =IE ∞

X

j=1

|u±(±j)|2

!

.

Portanto,u±(0, ω)6= 0, pois de outra forma,E seria um autovalor n˜ao real de um operador

auto-adjunto definido em l2(+). Assim, podemos definir

m±(E, ω) =−

u±(±1, ω)

u±(0, ω)

, m±(·, ω) : C −→ C

E 7−→ m±(E, ω)

.

Claramente,

m±(E, Tnω) =−

u±(n±1, ω)

u±(n, ω)

Referências

Documentos relacionados

Neste sentido, o presente estudo busca como objetivo principal realizar um revisão de literatura sobre as atuais intervenções realizadas nas empresas com vistas a minimizar os

Diante dos resultados apresentados neste trabalho, o uso do desenho como ferramenta de aprendizagem facilitou o entendimento dos estudantes e fica evidente a importância

No universo infantil, os conhecimentos prévios podem ser considerados como o resultado das concepções de mundo das crianças, estruturado a partir das interações sensoriais, afetivas e

O objetivo principal deste estudo de caso era verificar o grau de valorização da medicina popular de plantas entre o próprio povo, tendo por base uma comunidade com diferentes

A Figura 17 apresenta os resultados obtidos por meio da análise de DSC para a amostra inicial da blenda PBAT/PHBH-0 e para as amostras PBAT/PHBH-4, PBAT/PHBH-8 e

Na entrevista a seguir, Capovilla revisita a própria trajetória intelectual, debate a sua passagem pelo Centro Popular de Cultura de São Paulo e as críticas que escreveu para

Nesses anos (anos letivos 1984/85 e 1985/86) houve várias atividades que envolveram o CRPD e filarmónicas da ilha (entr. No ano letivo seguinte o professor Francisco Paquete apenas

Off-line samples were taken and analyzed by X ray diffraction, scanning electron microscopy (SEM), and by light scattering. Using the on- line and off-line data, mathematical