Neste cap´ıtulo, discutimos um dos resultados mais importantes na teoria de operadores de Schr¨odinger com potenciais dinamicamente definidos, resultado que relaciona a inver- tibilidade do operador resolvente (H− E✶), E ∈ C, com a existˆencia de uma dicotomia exponencial para a correspondente equa¸c˜ao de autovalores (vide [20]). Comecemos esta- belecendo algumas nota¸c˜oes e defini¸c˜oes necess´arias.
Def ini¸c˜ao 4.1. Sejam Y um espa¸co m´etrico compacto e G um grupo topol´ogico. Um G-fluxo (Y,G) ´e definido por uma aplica¸c˜ao conjuntamente cont´ınua τ : Y × G → Y satisfazendo τ (y, 0) = y, τ (τ (y, m), n) = τ (y, m + n), para todos y ∈ Y , m, n ∈ G. No que se segue, sempre assumiremos G =❩, al´em de adotarmos a nota¸c˜ao τn(y) = τ (y, n).
Na linguagem da Defini¸c˜ao 4.1, definimos a fam´ılia de operadores de Schr¨odinger, {Hy}y∈Y, como em (1.4), com Vy(n) = f (τn(y)) para cada y∈ Y , f : Y → R cont´ınua. A
correspondente equa¸c˜ao de autovalores ´e dada como em (1.3), enquanto que o sistema de equa¸c˜oes de primeira ordem associado ´e definido como em (1.7):
u(n + 1) = E− Vy(n) −1 1 0 u(n), u(n) = ψ(n) ψ(n− 1) . (4.1)
Defini¸c˜ao 1.3, com SE,y(n) = E− Vy(n) −1 1 0 ; (4.2)
Usaremos a nota¸c˜ao ΦE(y, n) para a matriz de transferˆencia e al´em disso denotaremos
SE,y(1) por SE(y).
Desse modo, ΦE : Y × ❩ → SL(2, C) ´e uma aplica¸c˜ao cont´ınua tal que ΦE(y, n + m) =
ΦE(τn(y), m) ΦE(y, n).
Observa¸c˜oes 4.1.
i) A teoria apresentada aqui ´e mais geral do que tratamos anteriormente, j´a que os operadores definidos anteriormente n˜ao s˜ao necessariamente erg´odicos.
ii) A hip´otese de continuidade sobre f ´e feita por conveniˆencia e pode ser enfraquecida a uma fun¸c˜ao mensur´avel e limitada sobre um espa¸co de probabilidade.(vide [21]). iii) Seja E ∈ C fixo. O sistema (4.1) induz um fluxo sobre Y × C2, no seguinte sentido:
dado o cociclo (τ, SE) : Y ×C2 → Y ×C2, que leva (y, u)7→ (τ(y), SE(y)u) como em
(1.8), definimos π : Y × C2× ❩ → Y × C2, um fluxo skew-product, com (y, u, n) →
π(y, u, n) = (τn(y), ΦE(y, n)u). Este fluxo ´e claramente linear sobre as fibras do
fibrado vetorial trivial Y × C2 (o produto por matrizes ´e linear). Se E ∈ R, a
f´ormula anterior tamb´em define um fluxo sobre Y × R2. Lembre-se que R2 ´e visto
como mergulhado em C2 na forma natural: (1, 0), (0, 1)∈ R2 s˜ao identificados com
(1, 0), (0, 1)∈ C2.
Def ini¸c˜ao 4.2. Diz-se que a equa¸c˜ao (4.1) admite dicotomia exponencial se existir uma decomposi¸c˜ao de Y × C2 = V+ ⊕ V−, em que V+ e V− s˜ao sub-fibrados vetoriais de
Y × C2 com as seguintes propriedades:
(i) Se (y, u)∈ V±, ent˜ao (τ
n(y), ΦE(y, n)u)∈ V± para todo n∈ ❩ (i.e., os fibrados V±
s˜ao invariantes);
(ii) Existem constantes K e β, independentes de (y, u), tais que:
(y, u)∈ V+ ⇒ kΦ
E(y, n)uk ≤ Ke−βn (n ∈ ❩),
(y, u)∈ V− ⇒ kΦ
Claramente, a existˆencia ou n˜ao de dicotomia exponencial depende de E.
Def ini¸c˜ao 4.3. Dizemos que o fluxo (Y,❩) ´e recorrente por cadeias se puder ser mergu- lhado em um fluxo maior (Y′,❩), de modo que Y ´e o conjunto ω−limite de um ponto
y′ ∈ Y′. Isto significa que, para cada y ∈ Y , existe uma sequˆencia t
n → ∞ tal que
y = limn→∞τtn(y
′); mais ainda, Y ´e exatamente o conjunto de pontos obtidos desta ma-
neira. Definimos o conjunto α-limite analogamente, com a diferen¸ca que as sequˆencias tn→ −∞.
O teorema seguinte ´e devido a Sacker e Sell (cuja demonstra¸c˜ao se encontra em [33], Teoremas 1, 2 e 5), e estabelece uma conex˜ao entre a existˆencia de solu¸c˜oes limitadas n˜ao-triviais a existˆencia de dicotomia exponencial.
Teorema 4.1. Suponha que (Y,❩) seja um fluxo recorrente por cadeias. Ent˜ao, a equa¸c˜ao (4.1) admitir´a dicotomia exponencial se, e somente se, n˜ao admitir uma solu¸c˜ao n˜ao- trivial limitada; isto ´e, se e somente se, supnkΦE(y, n)u0k < ∞ implica u0 = 0 (y ∈
Y, n∈ ❩).
Observa¸c˜ao 4.1. Suponha que a equa¸c˜ao (4.1) admita dicotomia exponencial. Ent˜ao, as fibras V± ter˜ao dimens˜ao 1 (j´a que det Φ
E(y, n) = 1).
Def ini¸c˜ao 4.4. O conjunto M ⊂ Y ser´a chamado de invariante se a ´orbita do fluxo (Y,❩) por y permanecer em M, isto ´e, τ(y, n) ∈ M para todo y ∈ M. O conjunto M ⊂ Y se chamar´a minimal se for invariante e para cada y∈ M a ´orbita por y, {τn(y)| n ∈ ❩},
for densa em M.
Corol´ario 4.1 (Conseq¨uˆencia do Lema 12 e do Teorema 2 em [34]). Seja (Y,❩) um fluxo em um espa¸co m´etrico compacto. Se a equa¸c˜ao (4.1) admitir dicotomia exponencial sobre cada conjunto minimal M ⊂ Y (em cada y ∈ M), ent˜ao (4.1) admitir´a dicotomia exponencial para cada y∈ Y .
Teorema 4.2. Seja (Y,❩) um fluxo em um espa¸co m´etrico compacto. Suponhamos que a equa¸c˜ao (4.1) n˜ao admita uma solu¸c˜ao n˜ao-trivial limitada. Ent˜ao, a equa¸c˜ao (4.1) admitir´a dicotomia exponencial.
Demonstra¸c˜ao. Seja M ⊂ Y um conjunto minimal. ´E poss´ıvel mostrar que um conjunto minimal ´e recorrente por cadeias. Com efeito, consideremos M′ = M . Como M ⊂ M′,
´e claro que M est´a mergulhada em M (j´a que a inclus˜ao i : M → i(M) ⊂ M′ ´e um
homeomorfismo sobre i(M )). Fixemos um y′ ∈ M′ = M ; ent˜ao, como y′ ´e um ponto
de aderˆencia, existe uma seq¨uˆencia de pontos yn ∈ M tal que yn → y′. Agora, como a
´orbita de cada yn, {τk(yn)| k ∈ ❩}, ´e densa em M e M ´e invariante, podemos obter uma
seq¨uˆencia de inteiros tk ∈ ❩, com tk → ∞, de modo que y = limn→∞τtk(y
′) para todo
y∈ M, o que mostra a recorrˆencia por cadeias do conjunto minimal M.
Segue-se do Teorema 4.1 que a equa¸c˜ao (4.1) admite dicotomia exponencial para y ∈ M . Pela Observa¸c˜ao 4.1, os fibrados V± tˆem sempre dimens˜ao constante 1. Por fim, pelo
Corol´ario 4.1 e a Observa¸c˜ao 4.1, obtemos que (4.1) admite dicotomia exponencial para cada y∈ Y .
Def ini¸c˜ao 4.5. Seja E ∈ C fixo. O fluxo projetivo (Y × P1(C),❩) correspondente a Φ
´e definido como se segue: P1(C) ´e o 1-espa¸co projetivo complexo, ou o espa¸co de linhas complexas contendo (0, 0) ∈ C2, e o fluxo ´e dado por (y, l, n) → (τ
n(y), ΦE(y, n)l), em
que l ∈ P1(C). Se E ∈ R, obt´em-se tamb´em um fluxo sobre Y × P1(R). Observe que o
c´ırculo P1(R) ´e mergulhado na 2 -esfera P1(C) como um c´ırculo de raio m´aximo.
Seja u = u1
u2
e definamos m = u2/u1. Obtemos, a partir de (4.1), a seguinte equa¸c˜ao
para m:
m(n + 1) + 1
m(n) = E− V (τn(y)). (4.3)
Escolhe-se tratar m como uma coordenada sobre P1(C). Deste modo, m identifica
P1(C) com os elementos da esfera de Riemann S2 da seguinte forma: se l ∈ P1(C) e z1
z2
for um vetor n˜ao nulo na classe de equivalˆencia l (i.e. um “vetor-diretor” de l), ent˜ao m(l) = z2/z1 ∈ S2. Em particular, 01
∈ l implica em m(l) = ∞. Na Defini¸c˜ao 4.5, descreve-se como o cociclo ΦE(y, n) induz um fluxo sobre Y × P1(C); a equa¸c˜ao (4.3)
simplesmente descreve este fluxo na coordenada m.
A vantagem de se introduzir P1(C) ´e que a falta de sentido geom´etrico do n´umero
m se faz clara: a saber, ´e a linha complexa representada por m que possui significado geom´etrico.
Agora, introduzimos a fun¸c˜ao de Weyl e damos sua rela¸c˜ao com a dicotomia exponen- cial.
Teorema 4.3. Suponha que E ∈ C, com IE 6= 0. Ent˜ao, a equa¸c˜ao (4.1) admitir´a dicotomia exponencial.
Demonstra¸c˜ao. Fixemos E = a + bi ∈ C, com b 6= 0. Demonstremos que a equa¸c˜ao (4.1) admite dicotomia exponencial. Pelo Teorema 4.2 ´e suficiente mostrar que (4.1) n˜ao admite uma solu¸c˜ao limitada n˜ao-nula. Deste modo, suponhamos que u(n)6= 0 seja uma solu¸c˜ao limitada de (4.1).
Assim, da identidade de Green (vide a equa¸c˜ao (B.3)), para φ = ψ = u, temos que 2ibΣnk=ju(k)u(k) = 2ibΣnk=jku(k)k2 = −u(n + 1)u(n) + u(n + 1)u(n) − u(j − 1)u(j) +
u(j− 1)u(j), que converge quando j → −∞ e n → ∞. Portanto, u ∈ l2(❩, C2), e como
u(k) → 0 quando k → ±∞, segue-se que Σ∞
k=−∞ku(k)k2 = 0, uma contradi¸c˜ao, j´a que
u(k)≡ 0. `
A continua¸c˜ao enunciamos, sem apresentar uma demonstra¸c˜ao, um teorema que rela- ciona a fun¸c˜ao m de Weyl `a dicotomia exponencial (vide [20]).
Teorema 4.4. Suponha que E ∈ C, com IE 6= 0 . Escreva Y ×C2 = V+(E)⊕V−(E), em
que dimV±(E) = 1. Seja m
±(y, E) a m-coordenada da linha complexa V±(E)∩({y}×C2).
Ent˜ao, Sign IE·Im±(y, E) =±1; E → m±(y, E) s˜ao as fun¸c˜oes de Weyl ou as m-fun¸c˜oes
de Hy.
Observa¸c˜oes 4.2.
1) Fixe y ∈ Y e E ∈ C, com IE 6= 0. Seja u = u1
u2
tal que u2/u1 = m+(y, E).
Seja u(n) uma solu¸c˜ao de (4.1) com u(0) = u. Pela Defini¸c˜ao 4.2, u(n) → 0 exponencialmente quando n → ∞, de modo que u(n) ∈ l2(❩+
0). Mais ainda, u(t) ´e
(salvo uma constante m´ultipla) a ´unica solu¸c˜ao de (4.1) em l2(❩+
0). Isto mostra que
H = Hy se encontra no caso ponto-limite em +∞, e que m+(y, E) coincide com a
fun¸c˜ao m usual para H (o que est´a de acordo com a defini¸c˜ao de fun¸c˜ao m presente no Apˆendice B). Uma discuss˜ao an´aloga se aplica a m−(y, E).
2) No Teorema 4.3, ´e claro que E /∈ σ(Hy), pois E ∈ C com IE 6= 0.
Em seguida, enunciamos alguns resultados sobre propriedades assint´oticas para a fun¸c˜ao m. Omitiremos as demonstra¸c˜oes, que podem ser encontradas em [8].
Proposi¸c˜ao 4.1. As m±(y, E)-fun¸c˜oes s˜ao meromorfas em ∞, limE→∞m+(y, E) = 0 e
limE→∞|m−(y, E)− (E1)| = 0. Se Σ for uma vizinhan¸ca suficientemente pequena de ∞,
ent˜ao a convergˆencia ser´a uniforme em Y × Σ.
Agora, fixemos y ∈ Y e consideremos os operados auto-adjuntos H± = H±
y definidos
sobre um subespa¸co denso de l2(❩±
0) pelas condi¸c˜oes de contorno u(−1) = 0 e u(0) = 0,
respectivamente. Definamos ainda fun¸c˜oes cont´ınuas pela direita e mon´otonas crescentes ρ±(E) = ρ±(y, E) como se segue:
Im+(y,l) Il = Z +∞ −∞ dρ+(E) |E − l|2. 1 Im−(y,l )· Il = Z +∞ −∞ dρ−(E) |E − l|2.
As fun¸c˜oes ρ± (fun¸c˜oes espectrais; vide o Cap´ıtulo 9 de [8] para detalhes) s˜ao ´unicas se
exigirmos que ρ±(0) = 0.
Teorema 4.5. Existe um isomorfismo unit´ario U : l2(❩±
0)→ l2(❩, dρ±(E)) tal que
U H±U−1 = E✶.
Em particular, ρ±(E) cresce exatamente sobre o espectro de H±.
Pode-se encontrar uma demonstra¸c˜ao do Teorema 4.5 em [8] (capitulo 9), obtida me- diante argumentos conhecidos se usando identidades de Green.
Nosso interesse, no entanto, se encontra em operadores H = Hy definidos em l2(❩).
Aqui, a situa¸c˜ao ´e um pouco mais delicada, j´a que como o espectro tem multiplicidade 2, as fun¸c˜oes espectrais s˜ao matrizes 2× 2 (vide [8]).
Defina M(y, l) = 1 m−−m+ 1 2 m−+m+ m−−m+ 1 2 m−+m+ m−−m+ m−m+ m−−m+ (y, l), e escreva IM(y,l) Il = Z +∞ −∞ dP (y, E) |E − l|3 ,
em que P (E) = P (y, E) ´e a resolu¸c˜ao da identidade, uma fun¸c˜ao espectral de R a matrizes sim´etricas 2× 2 , tal que P (E2)− P (E1)≥ 0 se E2 ≥ E1 e P (0) = 0.
Teorema 4.6. Existe um isomorfismo unit´ario U : l2(❩) → l2(❩, C2, dP (E)) tal que
U HU−1 = E✶.
Em particular, TrP (E) cresce exatamente sobre o espectro de H.
Agora sim estamos em condi¸c˜oes de demonstrar o teorema de Johnson [20], que ´e o resultado central deste cap´ıtulo.
Para tanto, consideramos o operador H = Hy definido em l2(❩). Mostramos que se a
´orbita{τn(˜y) : n∈ ❩} ´e densa em Y, ent˜ao o espectro de Hy ´e exatamente o conjunto em
que a equa¸c˜ao (4.1) tem dicotomia exponencial.
Teorema 4.7 (Johnson). Suponhamos que ˜y ∈ Y tenha ´orbita densa. Ent˜ao, E0 ∈ C
pertencer´a ao conjunto resolvente de H = Hy˜ se, e somente se a equa¸c˜ao (4.1) possuir
dicotomia exponencial.
Demonstra¸c˜ao. (⇐) Em primeiro lugar, mostraremos que se a equa¸c˜ao (4.1) possuir di- cotomia exponencial para um E0 ∈ C arbitr´ario, ent˜ao E0 ∈ ρ(H). Com efeito, como
a equa¸c˜ao (4.1) possui dicotomia exponencial, existem solu¸c˜oes u±(n, E0) ∈ l2(❩±0, C2)
de modo que u+(n, E0) e u−(n, E0) s˜ao limitadas. Assim, pode-se definir uma fun¸c˜ao
de Green (como em (B.16)) para H, de modo que E0 ∈ ρ(H). Observe que h(H± −
E0)−1e0, e0i = m±(E0), no caso em que H± ´e ponto-limite (vide o Apˆendice B).
(⇒) Agora, ser´a demonstrado que se E0 ∈ ρ(Hy˜), ent˜ao a equa¸c˜ao (4.1) possuir´a
dicotomia exponencial (independentemente de y ∈ Y ). Com efeito, pelo Teorema 4.2, ´e suficiente mostrar que a equa¸c˜ao (4.1) n˜ao possui uma solu¸c˜ao limitada n˜ao-trivial. Suponhamos, por contradi¸c˜ao, que exista y ∈ Y tal que a equa¸c˜ao (4.1) tenha uma solu¸c˜ao limitada u6= 0. Ent˜ao, pelo Teorema A.5 (considerando-se a sequˆencia constante um = u/kuk, de modo que kumk = 1 e limm→∞(H − E0)um = limk→∞(H − E0)u = 0;
vide [13]), obt´em-se que E0 ∈ σ(Hy). Pela densidade da ´orbita {τn(˜y) : n∈ ❩}, segue-se
a existˆencia de uma sequˆencia kn tal que τ (˜y, kn)→ y. Ent˜ao, m±(τ (˜y, kn), l)→ m±(y, l),
uniformemente sobre subconjuntos compactos deIl 6= 0 (j´a que uma fun¸c˜ao anal´ıtica n˜ao pode ser ilimitada em compactos). Agora, usando-se o teorema de Portmanteau (vide
[4]), temos que a sequˆencia de medidas den(E) = Tr dP (τ (˜y, kn), E) converge fracamente
a de(E) = Tr dP (y, E) (vide o Teorema 4.6). Isto ´e, se f : R→ R for cont´ınua de suporte compacto, ent˜ao R−∞+∞f (E) den(E)→
R+∞
−∞ f (E) de(E). Contudo, existe um intervalo I
contendo E0 tal que I ⊂ ρ(Hy˜). Como o conjunto resolvente ´e invariante por transla¸c˜oes
de ˜y (isto porque HTiy˜ = UiHy˜Ui−1 (vide a equa¸c˜ao (2.2)), tem-se que den = 0 sobre I.
Segue-se da´ı que de = 0 sobre I, e portanto, pelo Teorema 4.6, que E0 ∈ ρ(Hy). Isto
´e uma contradi¸c˜ao, j´a que E0 ∈ σ(Hy), e portanto a equa¸c˜ao (4.1) n˜ao possui solu¸c˜oes
limitadas que n˜ao sejam a trivial.
Demonstra¸c˜ao do Teorema 1.5. Basta considerar a situa¸c˜ao em que Y = Ω(V ), V uma sequˆencia almost-periodic, e definir τ : Ω(V )→ Ω(V ) como a transla¸c˜ao `a direita (a qual ´e minimal). Assim, para y ∈ Ω(V ) (y ´e um transladado de V e portanto uma sequˆencia) temos que o correspondente potencial para o operador Hy ´e Vy(n) = f (τn(y)) = y(n)
(novamente f : Ω(V )→ R e a avalia¸c˜ao no origem, f(y) = y(0)). Al´em disso, observemos que os conceitos de hiperbolicidade uniforme e dicotomia exponencial coincidem, j´a que os sub-fibrados V± coincidem com as decomposi¸c˜oes E
s(y) e Eu(y) (que s˜ao, obviamente,