O SISTEMA DE CONTAS NACIONAIS PARA UMA
ECONOMIA ABERTA E COM GOVERNO
Características do Modelo:
1. A entrada do Governo na Economia
O Governo interfere significativamente na vida econômica de um país, arrecadando impostos, consumindo b/s para que possa fornecer os seus próprios b/s para a população (Tais como segurança, serviços de saúde e educação) e, ainda, realizando transferências de renda e subsidiando alguns setores.Conforme o imposto, ou o subsídio, utilizado como medidas de Governo, ele interfere, indiretamente, também, nos preços das mercadorias.
Fazem parte da arrecadação tributaria:
- Tributos Diretos- Incidem sobre a renda e a propriedade (IR,IRTU,IPVA);
- Tributos indiretos- Que não são pagos ou recolhidos diretamente como impostos, mas, participam dos preços das mercadorias. O ônus desse impostoétransferido para o consumidor final (são exemplos: ISS, IPI, ICMS).
- Outras Receitas do Governo- Têm-se, aqui, as taxas e contribuições recebidas, aluguéis, arrendamentos, assim comoos juros e dividendos de empresas nas quais o Governo possui participaçãona sociedade.
Participam das despesas do Governo:
- Consumo – Despesas pagas com salários e outras remunerações de funcionários, civil e militar, a utilização e a manutenção da máquina governamental.
- Transferências – São unilaterais, ou seja, não tem contrapartida: aposentadorias, pensões, auxílio-doença, desemprego, maternidade. O Governo transfere renda, arrecadando impostos de quem participa do fluxo circular e repassando para aquelas pessoas que não podem participar deste fluxo da renda, seja, temporariamente ou definitivamente, mas, já contribuíram com a Previdência por algum período.
- Subsídios- Auxílio do Governo para determinados setores (que apresentam déficits operacionais, em geral), os quais afetam diretamente nos preços das mercadorias, no sentido inverso ao efeito provocado pelos impostos indiretos, ou seja, reduzindo-os.
Os subsídiosdirigem-se ao aparelho produtivo da sociedade e vão depender, significativamente, dos objetivos da polícia econômica e da época. Exemplos: Trigo, fertilizantes, serviços de transportes coletivos, navegação costeira.
O valor residual entre as receitas e despesas do governo é chamado dePoupança do Governo, oqual se for positivo indica a disponibilidade da esfera pública para outras despesas ou para investimentos novos.
O Governo atua como produtor de serviços socialmente necessários e como realizador de investimentos, ou de Formação Bruta de Capital Fixo (F.B.K.F.), além de ser um redistribuidor da renda.
1.1Alterações nas contas com a entrada do Governo na Economia:
- Conta de produção:
Do lado do débito: ao V.A.L. (a custo de fatores) pelos setores somam-se os tributos indiretos, a depreciação e excluem-se os subsídios.
Do lado do crédito: Somam-se aos demais itens, o consumo do Governo, aF.B.K.F realizada pelo Governo (em obras públicas e órgãos destinados a oferecer serviços de uso coletivo).
-
Conta de apropriação:Do lado do débito: Acrescentarem-se os tributos diretos e as outras receitas do governo; Do lado do crédito: Parte da renda é composto pelas transferências governamentais.
-
Conta Consolidada de Capital:Do lado do débito: Acrescenta-se a F.B.K.F. do Governo;
Do lado do crédito: Quando for o caso, acrescenta-se a poupança do Governo.
-
Conta do Governo:Do lado do débito: Total das despesas do Governo; Do lado do crédito: Total da arrecadação do Governo.
1.2 Os Conceitos de Produto: À Preço de Mercado e a Custo de Fatores
É pela entrada do Governo na economia que dois conceitos recebem destaque: o Produto a Preço de
Mercado e o Produto a Custo de Fatores. O primeiro inclui os impostos indiretos (que encarecem as
mercadorias e serviços, sendo repassados pelos empregadores para os preços dos produtos), compensado dos (ou, excluindo-se) subsídios. Pode-se afirmar que, para se chegar ao valor do produto a custo de fatores, deve-se desconsiderar a influência do Governo sobre o preço praticado no mercado.
O índice de carga tributária pode ser apresentado na forma bruta ou líquida:
- Índice da Carga Tributária Bruta:
IMPOSTOS INDIRETOS + IMPOSTOS DIRETOS x 100 PIB p.m.
- Índice da Carga Tributária Líquida:
(IMP. INDIRETOS + IMP. DIRETOS) – (TRANSFERÊNCIAS + SUBSÍDIOS)x 100 PIB p.m.
2. A entrada do Setor Externo na Economia
Dentre as transações com o Resto do Mundo registradas no Balanço de Pagamentos do país, do ponto de vista da Contabilidade Social levam-se em consideração somente as que interferem diretamente na produção, apropriação da renda e na acumulação, ou seja, apenas as Transações Correntes participam das contas nacionais, agrupados em quatro categorias:
-Exportação de mercadorias e serviços; -Importação de mercadorias e serviços; -Renda Líquida Enviada para o Exterior;
-Saldo do Balanço de Pagamentos (acumulação externa ou interna).
Com a entrada do resto do mundo, o modelo fica mais próximo da realidade, pois, mesmo no caso das economias mais desenvolvidas, elas dependem, em maior ou menor grau, de suprimentos originários do exterior, que elas não conseguem produzir; por outro lado, sempre haverá lugar para transações com o exterior, que complementarão o atendimento das necessidades de b/s intermediários e finais, ou mesmo, de fatores de produção.
Os serviços contabilizados nestas contas englobam as despesas com viagens internacionais, transportes, seguros, serviços governamentais e outros serviços.A renda enviada, por sua vez, diz respeito ao pagamento pela utilização dos fatores de produção deprocedência externa, pertencentes aos não-residentes (pagamentos de juros, royalties, patentes direitos autorais, além de remessas de lucros provenientes dos investimentos). O termo “Renda Líquida” significa que dos pagamentos são deduzidos os recebimentos do exterior.
Acumulação Externa- quando as importações de b/s, somadas às rendas Líquidas enviadas ao
exterior superam as exportações de b/s, ocorreu acumulação externa Líquida, num processo semelhante ao da acumulação interna. A economia nacional recebeu (absorveu) do resto do mundo em montante maior de b/s, frente ao que forneceu. Acumulou porque absorveu mais do que recebeu em b/s e fatores de produção.
Se ocorresse o contrário seria uma “desacumulação externa Líquida”, que pode ser chamado de “desinvestimento externo”.
O que muda numa Economia Aberta é a destinação das rendas geradas, a constituição da poupança agregada e o montante da oferta e da procura de b/s finais. Parte das rendas não fica com os residentes do país, sendo transferida para o exterior (Renda Líquida Enviada para o Exterior), sendo que o inverso também pode ocorrer.As destinações da receita do Governo, por sua vez, não se alteram.
Aos b/s finais produzidos pela economia (o total da oferta), acrescentam-se os valores das importações de b/s, é ao total da demanda, acrescentam-se as exportações (procura externa pelos produtos nacionais).
A poupança agregada resulta, finalmente, da soma da poupança interna com a externa, que resulta do déficit do Balanço de Pagamentos em Conta (ou Transações) Corrente. Portanto, déficit no BPequivale a“poupança externa”; superávit no BR,“poupança interna”.
A nova conta formada é a conta “conta das Transações com o Exterior”, que completa o Sistema de Contas:à débito, apresenta o total de recebimentos e, à crédito, de mostra o total dos pagamentos(ou seja, à crédito do exterior).
2.1 Alterações nas contas com a entrada do Setor Externo na Economia:
- Conta de produção:
Do lado do débito: Acrescentam-se as importações de mercadorias e serviços (oferta externa); Do lado do crédito: Somam-se as exportações de mercadorias e serviços (demanda externa).
-
Conta de apropriação:Do lado do débito: Acrescentarem-se as rendas líquidas enviadas ao exterior (se maiores do que as rendas recebidas).
-
Conta Consolidada de Capital:Do lado do crédito: Acrescenta-se o saldo do Balanço de Pagamentos.
-
Conta do Governo:Nada muda nesta conta.
Do lado do débito: As exportações de mercadorias e serviços somam-se ao saldo do Balanço de Pagamentos (se superavitário);
Do lado do crédito: As importações de mercadorias e serviços somam-se à Renda Líquida Enviada ao Exterior.
2.2 Os Conceitos de Produto: Interno e Nacional
Numa economia aberta, oProduto Interno Bruto (PIB) corresponde ao valor agregado pelos três setores da economia, a preço de mercado, dos bens e serviços finais produzidos dentro do território
econômico do país, independente da nacionalidade dos proprietários dos recursos (ou fatores) utilizados na
produção.Por sua vez, o Produto Nacional Bruto (PNB) independedalocalização territorial da produção realizada, incorporando-se tudo o que foi produzido com a utilização de recursos de produção de
origem nacional, de propriedade de residentes do país. A diferença entre um e outro, portanto, está na renda
enviada ao exterior ou recebida deste: PNB = PIB – R.L.E.E.
3. Destinação dos valores numa Economia Aberta e c/ Governo
:Especificações $
Destinação da Remuneração das Unidades Familiares:
Total da Renda 925
a) Remuneração dos Fatores: 870
Salários 730 Aluguéis 45 Juros 30 Lucros Distribuídos 65 b) Transferências 55 - Consumo 740 - Tributos Diretos 70
- Outras Receitas do Governo 20
- Renda Líquida Enviada ao Exterior 5
- Poupança 90 Destinação da Oferta de B/S Finais:
Total da Oferta (a preços de mercado) 1015
Resultante das atividades internas 995
Importação de mercadorias e serviços 20
Total da Procura 1015
a) Procura Final Interna: 993
- Consumo 855
Das Unidades Familiares 745
Do Governo 110
- Formação Bruta de Capital Fixo (F.B.C.F.) 130
Das Empresas 100
Do Governo 30
- Variação Positiva de Estoques 10
b) Procura Final Externa: 22
Exportação de mercadorias e serviços 22 Destinação da Receita do Governo:
Total da Receita 190
Tributos Indiretos 70
Outras Receitas do Governo 20
- Consumo 110
- Transferência 55
- Subsídios 5
- Poupança 20
Destinação da Poupança das Unidades Familiares e das Empresas
Total da Poupança 143
a) Poupança Interna: 140
das unidades familiares 90
das empresas 30
do Governo 20
b) Poupança Externa: 3
- Formação Bruta de Capital Fixo 133 - Variação Positiva de Estoques 10
SISTEMAS DE CONTAS - “ECONOMIA ABERTA E COM GOVERNO”
1. Conta da Produção - Despesas e receitas das empresasnesta economia.
Especificação (débito) $ Especificação (crédito) $
1.1 V.A.L. pelos setores: 890
1.1.1 Primário 177 1.6 Consumo das U. F. 740
1.1.2 Secundário 310 1.7 Consumo do Governo 110
1.1.3 Terciário 403 1.8 F.B.K.F. 133
(+) 1.2 Tributos Indiretos 100 1.8.1 das empresas 103 (-) 1.3 Subsídios (-) 5 1.8.2 do Governo 30 (+) 1.4 Depreciação do Capital 10 1.9 Exportação de merc/serv 22
(+) 1.5 Importação de mercad/ servi 20 1.10 Variação de Estoques 10 Total da Oferta 1.015 Total da Procura 1.015 2. Conta da Apropriação - Representa a renda das Unidades Familiares e sua destinação.
Especificação (débito) $ Especificação (crédito) $
2.1 Consumo das U. Familiares 740 2.6 Renda das Unid. Familiares: 870
2.2 Tributos Diretos 70 2.6.1 Salários 730 2.3 Outras Receitas do Governo 20 2.6.2 Aluguéis 45 2.4 Renda Líq. Env. Exterior 5 2.6.3 Juros 30 2.5 Poupança das U. F. 90 2.6.4 Lucros Distribuídos 65
2.7 Transferências de Renda 55 Total da Despesa 925 Total da Renda 925 3. Conta do Governo- Representa a arrecadação tributáriae a destinação dada pelo Governo.
Especificação (débito) $ Especificação (crédito) $
3.1 Consumo do Governo 110 3.5 Tributos Indiretos 100
3.2 Subsídios 5 3.6 Tributos Diretos 70
3.3 Transferências de Renda 55 3.7 Outras Receitas do Governo 20
3.4 Poupança 20
Total da Despesa 190 Total da Receita 190
4. Conta das Transações com o Exterior- Representa a acumulação externa ou interna. Especificação (débito) $ Especificação (crédito) $
4.1 Exportação de merc./serv. 22 4.3 Importação de merc./serv. 20 4.2 Saldo do BP em C/C 3 4.4Renda Líq. Env. Exterior 5
5. Conta Consolidada de Capital- Representa a acumulação no período e a identidade S = I. Especificação (débito) $ Especificação (crédito) $
5.1 F.B.K.F.: 133 5.3 Poupança das U. Familiares 90
5.1.1. das Empresas 103 5.4 Poupança das Empresas: 35
5.1.2 do Governo 30 5.4.1 Lucros Não Distribuídos 25 5.4.2 Depreciação do Capital 10 5.2 Variação de Estoques 10 5.5 Poupança do Governo 20
5.6 Saldo do BP em Conta Corrente 3 Total da F.B.K. 143 Total de Recursos para F.B.K. 143
DEDUÇÃO DOS CONCEITOS DE PNB, PNL E RN
(Numa Economia Aberta e Com Governo)
(PRODUTO = RENDA = DESPESA) VALOR BRUTO DE PRODUÇÃO
(-) Transações Intermediárias Intra e Intersetoriais
VALOR AGREGADO BRUTO
1.580
(-) 580
1.000
(-) Subsídios (-)5
PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) p.m. 995
a) Pela ótica da Produção:
Valor Agregado Líquido pelos Setores: 890
Primário 177 Secundário 310 Terciário 403 (+) Tributos Indiretos 100 (-) Subsídios (-) 5 (+) Depreciação do Capital 10
b) Pela ótica da Renda:
Renda das Unidades Familiares 870
Salários 730 Aluguéis 45 Juros 30 Lucros Distribuídos 65 Não Distribuídos 20 (+) Tributos Indiretos 100 (-) Subsídios (-) 5 (+) Depreciação do Capital 10
c) Pela ótica do Dispêndio (despesa):
Consumo 850
a) das Unidades Familiares 740
b) do Governo 110
Formação Bruta de Capital Fixo 133
a) das Empresas 103
b) do Governo 30
Variação Positiva de Estoques 10
(+) Exportações de Mercadorias e Serviços 22
(-) Importações de Mercadorias e Serviços (-) 20
(-) Renda Líquida Enviada ao Exterior (-)5
PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNB) p.m. 990
(-) Depreciação do Capital (-)10
(-) Tributos Indiretos (-) 100
(+) Subsídios (+)5
PRODUTO NACIONAL LÍQUIDO (PNL) c.f. 885
PRODUTO NACIONAL LÍQUIDO (PNL) c.f. = RENDA NACIONAL
RENDA NACIONAL – TRIBUTOS DIRETOS = RENDA NACIONAL DISPONÍVEL