Aula 09
Behaviorismo x Institucionalismo
Behaviorismo x Institucionalismo
Movimento behaviorista: anos 50 e 60
Ênfase no comportamento político dos atores.
Orientação empírica que busca determinar todos os fenômenos
de governo em termos de comportamento humano.
Esse movimento não se apoiava na ciência. O essencial era a
abordagem comportamental.
Comportamento político = soma das vontades individuais
(preferências expressas)
Ponto de partida do novo institucionalismo: rejeição ao
comportamento observável como base de dados de análise
política. O comportamento ocorre no contexto das instituições e
só nele pode ser compreendido.
3 críticas do novo institucionalismo ao
3 críticas do novo institucionalismo ao
behaviorismo
behaviorismo
Existe diferença entre preferências expressas
(behaviorismo) e a reais. Nem todo
comportamento expressa o real interesse dos
atores.
O somatório das preferências é problemático, não
podendo ser agregado como os interesses
coletivos.
Os processos de decisão coletivas são instrumentos
3 premissas básicas do novo
3 premissas básicas do novo
institucionalismo
institucionalismo
As preferências ou interesses expressos em ações
não devem ser confundidos com verdadeiras
preferências.
As decisões políticas não podem ser baseadas na
agregação de preferências individuais, pois não é
possível agregar os interesses. métodos de
agregação de interesses trazem distorções
Configurações institucionais podem privilegiar
Tabela: Behaviorismo x Institucionalismo
Tabela: Behaviorismo x Institucionalismo
Preferências Agregação Padrão Normativo
Behaviorismo Subjetividade revelada por meio do comportament o (ex: votação) Somatória eficiente – equilíbrio (ex: mercado de grupos de interesse) Utilitário: interesse comum/ bem comum Institucionalismo Preferências verdadeiras diferente da expressas Agregação ineficiente. Problemas de equilíbrio Rejeita o padrão utilitário: agregação diferente interesse comum Fonte: Immergut, 2007
Neo-institucionalismo
O Novo Institucionalismo surgiu e se consolidou
como abordagem específica da ciência política nos
anos 1970 e 1980.
Resposta à suposta crise de paradigmas que
abordagens como o funcionalismo, o behaviorismo e
o marxismo pareciam incapazes de responder.
O novo institucionalismo é uma tentativa de resgate
do processo de construção institucional como
fundamento teórico e empírico da ação social.
Ponto de partida: importância do fator institucional
para a explicação de acontecimentos políticos
concretos.
Características do Neo-Institucionalismo
Características do Neo-Institucionalismo
Existência de regras gerais e entendimentos fundamentais que
prevalecem em cada sociedade e que exercem uma influência
decisiva sobre as interpretações e o próprio agir das pessoas.
Princípio de autonomia limitada do Estado
Difere do institucionalismo tradicional pelo fato de que ele não
explica tudo por meio das instituições.
A afetividade do Estado depende de sua inserção na sociedade
Necessidade de enfocar não apenas governos centrais, mas
Pressupostos do Neoinstitucionalismo
Pressupostos do Neoinstitucionalismo
1)Autonomia que os funcionários estatais têm em relação aos
outros interesses sociais.
2) Estruturas e processos políticos influenciam identidades, metas
e capacidades políticas de grupos politicamente ativos.
3) Capacidade de atingir metas políticas depende também das
oportunidades relativas que as instituições políticas oferecem a
certos grupos e negam a outros.
4) As políticas adotadas anteriormente reestruturam o processo
político posterior - efeito
feedback. 2
dimensões:
a)
As novas políticas transformam a capacidade do Estado,
mudando portanto as possibilidades administrativas para
iniciativas futuras;
b)
Afetam a identidade social, metas e capacidades dos grupos
Tradição Institucional
Tradição Institucional
Influência do pensamento de Rousseau:
a) as preferências (como o desejo de acumular propriedade) não são
postulados universais, mas produtos da sociedade, de suas normas e instituições.
b) As leis e os costumes moldam as preferências do homem e
institucionalizaram o poder, convertendo as desigualdades naturais em desigualdades sociais.
c) Verdadeira natureza humana seria possível através do Contrato Social d) Diferença entre vontade geral e vontade de todos: a soma dos
interesses individuais não representa o bem comum, necessidade de desenvolver procedimentos políticos.
e) Os problemas e interesses são modificados mediante o debate político,
chegando a integração dos interesses.
f) A abordagem institucionalista concentra-se em mostrar que
preferências e decisões são produtos de instituições.
g) As instituições desempenham um duplo papel: restringem e
corrompem o comportamento humano e também fornece meios de libertá-lo.
Tabela: abordagem institucional
Tabela: abordagem institucional
comparada com outros paradigmas
comparada com outros paradigmas
Institucional Bahaviorista/
Institucionalista Determinista social/ marxista Interesses Fontes diversas de interesses
individuais e coletivos; as instituições influenciam sua articulação e manifestação na política
Subjetivo: preferências comprovadas por meio de comportamento; cada indivíduo avalia melhor seus interesses.
Objetivo: baseado no grupo/ classe social
Processo político O problema da agregação: a forma do processo afeta a qualidade e os resultados da participação Agregação da utilidade com transmissão eficiente de preferências. Corresponde a estrutura social/ de classes Fonte: Immergut, 2007
3 Abordagens do Neo-institucionalismo
3 Abordagens do Neo-institucionalismo
1.Escolha Racional: incorpora alguns argumentos da abordagem
da escolha racional para explicar o surgimento e o papel das
instituições
2.
Teoria das Organizações: deriva da sociologia organizacional a
necessidade de contextos institucionalizados (organizações,
rotinas, normas de ação) que tornam possível a ação coletiva.
3.
Institucionalismo histórico: vincula à linhagem de abordagens
histórico-estruturais (marxista, funcionalista, weberiana) e
procura reelaborar os fundamentos sociológicos e históricos da
ação coletiva produzidos por essas abordagens (interesses,
ideologias, tradições e estruturas organizacionais) como forças
sociais e históricas que configuram contextos institucionais que
impedem, retardam, consolidam ou aceleram processos de
Dilema do prisioneiro (quebra-cabeça
sobre cooperação)
Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia. A polícia tem
provas insuficientes para os condenar, mas, separando os
prisioneiros, oferece a ambos o mesmo acordo: se um dos
prisioneiros, confessando, testemunhar contra o outro e esse
outro permanecer em silêncio, o que confessou sai livre
enquanto o cúmplice silencioso cumpre 10 anos de sentença. Se
ambos ficarem em silêncio, a polícia só pode condená-los a 6
meses de cadeia cada um. Se ambos traírem o comparsa, cada
um leva 5 anos de cadeia. Cada prisioneiro faz a sua decisão
sem saber que decisão o outro vai tomar, e nenhum tem
certeza da decisão do outro
.
A questão que o dilema propõe é: o que vai acontecer? Como o
prisioneiro vai reagir?
1. Escolha Racional
Análise de escolhas feitas por atores racionais em condições de
interdependência.
Estudo da ação estratégica de atores racionais, utilizando
ferramentas como a teoria dos jogos.
Riker (teoria dos jogos): as preferências multidimensionais não
podem ser ordenadas de forma a resultar em escolhas políticas
estáveis, a regra da maioria apresenta falhas que lhe são inerentes.
O comportamento político não expressa a preferência dos atores,
mas um cálculo de ação dos participantes.
Nem sempre os participantes conseguem escolher o resultado que
mais beneficiaria (cooperação), acabam optando por um resultado subótimo.
Na escolha racional as regras institucionais não se preocupam com a
justiça. A análise se restringe ao poder institucional
Riker: a democracia não pode determinar a verdadeira vontade
popular, o voto expressa uma mistura de preferências, estratégias e efeitos institucionais.
2. Teoria das Organizações
Limite da racionalidade humana para tomar decisões racionais: o
tempo e a informação são insuficientes para que os indivíduos calculem racionalmente suas preferências.
Os atalhos da racionalidade orientam a tomada de decisão. Exemplos:
1) modelo lata de lixo – dispensa relações causais entre problemas e
soluções, junções aleatórias.
2) Roteiros institucionais: os atores conferem uma lógica as suas ações
com base em conjunto de cenários pré-existentes
Importância dos códigos simbólicos e do papel das instituições na
geração de significados.
As decisões políticas não podem ser entendidas como
macroagregaçoes de interesses individuais, mas como resultados de procedimentos cognitivos e organizacionais que produzem decisões, apesar da incerteza.
Rejeita posições utilitárias sobre a satisfação de preferências e
3. Institucionalismo histórico
Visão macrosociológica e orientada para o poder.
A representação dos interesses é moldada por atores coletivos e
instituições que carregam traços de suas histórias.
As Constituições e Instituições políticas estruturam o processo político
As economias políticas (sistemas políticos) são estruturadas por interações
entre atores que trabalham com lógicas diferentes e em contextos diferentes.
Diversos fatores institucionais influenciam o processo político que decide
entre interesses conflitantes, e pode privilegiar alguns.
As instituições agem como filtros que favorecem determinadas
interpretações dos objetivos a serem alcançados.
As instituições políticas e políticas de governo podem facilitar a organização
de interesses ao reconhecer determinados grupos de interesse e/ou delegar-lhes função de governo.
As ações de governo podem encorajar (ou desencorajar) a mobilização de
interesses ao reconhecer a legitimidade de determinadas reivindicações.
O governo, a cultura a linguagem e os símbolos oferecem modelos
Escolha racional Teoria da organização Institucionalismo histórico
Interesses Fatores estratégicos levam atores a escolher equilíbrios subótimos
Os atores não conhecem seus interesses: limites de tempo e informação levam-nos a
depender de seqüências e outras regras de processamento
As interpretações dos atores de seus interesses são moldadas por
organizações coletivas e instituições que
carregam traços da própria história Processo
político Sem regras para ordenar, não consegue alcançar o interesse público; regras afetam os resultados
Os processos inter e intra-organizacionais moldam os resultados como no modelo da lata de lixo e a implementação de políticas Processo político estruturado por Constituições e Instituições políticas, estruturas do estado, relações do Estado e grupos de interesse, redes de política e contingências de timing. Normativo Eister: os fins
substancialmente racionais são inúteis sem meios formalmente racionais. insondável, a democracia é controlada por freios e
Perrow: implicações do poder burocrático e da racionalidade limitada Lowi: democracia baseada no fortalecimento do Congresso, deliberação sobre regras e não com base em resultados
Atores Racionais Cognitivamente
limitados Auto-reflexivos Poder Capacidade de agir
unilateralmente Depende da posição na hierarquia organizacional Depende do reconhecimento pelo Estado, do acesso à tomada de decisões, da representação polícia e das construções mentais Mecanismos
institucionais Estruturação das opções por meio de regras (dependência de normas controversas) Estruturação das opções e dos cálculos de
interesse por meio de procedimentos, rotinas, roteiros, quadro (implica normas) Estruturação de opções, cálculo de interesse e formação de metas por regras, estruturas, normas e idéias Fonte: Immergut, 2007
Neo-institucionalismo e Políticas Públicas
Neo-institucionalismo e Políticas Públicas
Escolha Racional:
Ciclo de preferências – escolha imposta pelasinstituições. Resultados explicados por regras. Padrão utilitário
Teoria das Organizações:
Padrão de procedimentosoperacionais. Roteiros da lata de lixo. Aprendizado organizacional