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Diálo

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Latino

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ORGANIZAÇÃO

Maria José Baldessar

& Daniela Inês Monje

SÃO PAULO – BRASIL

Intercom |

2O19

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Diálogos

Latino-Americanos

Colóquios Brasil-Argentina

ORGANIZAÇÃO

Maria José Baldessar & Daniela Inês Monje

São Paulo | Brasil

Intercom

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Ficha Técnica

Organização editorial: Maria José Baldessar e Daniela Inês Monje Edição de textos: Maria José Baldessar e Daniela Inês Monje Capa, projeto gráfico e edição: Ildo Francisco Golfetto Revisão: Willi Braz Vermohlen

Diagramação: Willi Braz Vermohlen

Ficha Catalográfica

C719s Colóquio Brasil x Argentina (7.: 2019: Porto Alegre, RS)

Diálogos Latino-Americanos: colóquios Brasil-Argentina / Maria José Baldessar & Daniela Inês Monje (Organização). São Paulo: Intercom, 2019.

350 p.: il., tabs., fotos. graf. Formato: PDF

Sistema requerido: Adobe Acrobat Reader Inclui referências bibliográficas

ISBN: 978-85-8208-127-3 (e-book)

Modo de acesso: http://www.portalintercom.org.br 1. Política de comunicação. 2. Comunicação de massa. 3. Comunicação e cultura. 4. Jornalismo. 5. Cibersociedade. I. Baldessar, Maria José. II. Monje, Daniela Inês. III. Título

CDU: 070.19

Ficha catalográfica elaborada por: Onélia Silva Guimarães CRB-14/071

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Sumário

Prefácio

Maria José Baldessar & Daniela Inês Monje

Homenaje a Héctor “Toto” Schmucler

Daniela Inês Monje

Comunicación de masa en siglo XXI Argentina

Editores: uma colección orientada por Héctor

Schmucler

Mariano Zarowsky

Mediações culturais na comunicação e experiência

estética como estruturas de reconhecimento

Laan Mendes de Barros

Teoria da comunicação e realidade social

Luiz C. Martino

Las misiones de la universidad en la sociedad

contemporánea: registro y análisis de una

experiencia extensionista que vincula teatro,

yuyos y saberes ancestrales

Fernanda Vivanco

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77

99

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145

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177

203

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A atuação dos algoritmos na redação noticiosa e

na disseminação das Fake News

Maria José Baldessar & Regina Zandomênico

Monopólios digitais e mediação algorítmica:

implicações na circulação e confiança de informações

jornalísticas nas eleições de 2018 no Brasil

Kérley Winques

O documentário folkcomunicacional: considerações

teóricas e metodológicas

Marcelo Pires de Oliveira

O que comunicam os códigos não verbais no

telejornalismo

Beatriz Cavenaghi

Conteúdos sobre rádio em oito revistas

latino-americanas de Comunicação (2010-2015)

Doris Fagundes Haussen

Liberal no discurso, estatista nas verbas: o papel da

mídia na difusão do ideário neoliberal no Brasil

Dimalice Nunes

Apuntes sobre las Políticas de Comunicación en

Argentina y Brasil entre 2016 y 2019

Paulo Victor Melo & Ezequiel Rivero

A construção do direito de acesso à informação

nas Supremas Cortes do Brasil e da Argentina

Luma Poletti Dutra

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263

287

307

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Noticieros, festivales y poca audiencia: un análisis

por la programación de la Televisión Pública

argentina (2016 – 2019)

Yamila Heram

¿El peligro de la imaginación?: la crisis de los

canales educativos y culturales públicos en

Argentina 2015-2019

Tamara Smerling

Hegemonía y políticas culturales: el vínculo entre

política y cultura en los procesos de dominación

social. Reflexiones a partir de un estudio sobre

consumos audiovisuales realizado en la Universidad

Nacional de Villa María (Córdoba, Argentina)

Gabriel Montali

“Los caminhos del duelo, el castigo y la expiación:

narraciones sobre la Patagonia”

Paula Rodríguez Marino & Facundo Iriarte

Intrusos en el activismo: demandas de

derechos en clave de género en programas de

chimentosen televisión

Carolina Justo Von Lurzer

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Prefácio

Maria José Baldessar

([email protected])

Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP); Mestra em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Graduada em Comunicação Social – Jornalismo (UFSC); Professora adjunta da Universidade Federal de Santa Catarina no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conheci-mento e no curso de graduação em Jornalismo.

Daniela Inês Monje

([email protected])

Doctora en Comunicación por la Universidad Nacional de la Plata. Docente de grado y posgrado en las Universidades Nacional de Córdoba y Nacional de Villa María.

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Prefácio El VII Coloquio Binacional de Comunicación Brasil-Argentina nos encontró nuevamente y como ocurre desde hace ya 14 años, tejiendo lazos de camaradería y aprendizaje compartidos, esta vez en la Ciudad de Porto Alegre, con UNIRITTER como anfitriona del evento.

Homenajeamos en esta ocasión a la figura de un intelectual que, aún cuando nació y desarrollo gran parte de su obra en Argentina, trascendió esa frontera y puede nombrarse como uno de los padres fundadores del campo de la comunicación y la cultura en América Latina: Héctor Schmucler, o de un modo más afectuoso y próximo “Toto” como lo llamamos y recordamos todos los que alguna vez tuvimos la fortuna de haber trabajado junto a él.

Su recorrido inicia en la década del ´60, cuando obtiene su licenciatura en Letras y decide continuar su recorrido enfocado en los estudios de semiología en Francia, donde se formará bajo la dirección de Roland Barthes.

A su regreso al país a fines de los ´60 será uno de los primeros intelectuales en abordar el campo de los estudios de comunicación desde proyectos literarios tales como las revistas “Pasado y Presente”, “Los Libros” y “Artefacto”. Allí se manifiesta de un modo nítido su posición acerca de la teoría de la dependencia, la proximidad a las discusiones propuestas por la Escuela de Frankurt y el enfo-que sobre el imperialismo cultural. En esta línea uno de sus principales aportes a las ciencias de la comunicación fue la creación de la cátedra Intro-ducción a los medios masivos de comunicación en la Facultas de Filosofía y Letras de la Univer-sidad de Buenos Aires. A mediados de la década del ´70 sobrevendrán el exilio y la desaparición de su hijo Pablo por parte de la Dictadura Militar.

Su legado en la escritura, la formación de investigadores y la participación en proyectos literarios son fundamentales para nuestro campo Pesquisadores brasileiros e argentinos se

reúnem, a cada dois anos, para debates sobre comunicação, jornalismo, políticas de comu-nicação e a vida profissional e cotidiana das profissões ligadas a esses campos do conhe-cimento no Colóquio Brasil/Argentina de Ciências da Comunicação. Essa rotina desde Santos (Brasil), em 2007. Em 2019, nos reu-nimos em Porto Alegre, apoiados pela UniRitter e a organização do Intercom Sul. Foi um Colóquio diferente, reflexo da crise econômica na Argentina e política no Brasil, mas que pos-sibilitou uma amplitude de debates sobre o contexto e a realidade de cada um dos países e, em especial, das universidades de origem de cada pesquisador. Foi um Colóquio de uso da tecnologia, já que muitos de nós, por condições econômicas, participamos através de ferramentas online.

O conteúdo dessas discussões está registra-do neste livro. Nosso homenagearegistra-do, Héctor Schmucler – “Toto”, nos iluminou com sua obra e vida, para debates sobre a produção cultural e intelectual na América Latina e os anos de resistência passados e que por certo virão. Na apresentação de cada pesquisa, li-gações com a comunicação, a política de co-municação, a cultura de massa e a indústria cultural.

Das jornadas brasileiras de 2013 contra a corrupção e que acabaram por servir de mote para o impeachment da presidente da repú-blica, às mulheres argentinas pela descrimi-nalização do aborto, foi possível compreender a comunicação como elemento essencial para a vida em sociedade. Nesse contexto, analisa-mos e discutianalisa-mos o fenômeno das fakenews e

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Maria José Baldessar & Daniela Inês Monje

y se relatan con detalle a lo largo del trabajo que presentamos a continuación.

Su obra lúcida y provocativa, nos inspira para continuar con un trabajo comprometido con el tiempo histórico que nos toca vivir.

construção da hegemonia de uma ideologia depende da convergência de fatores históricos que levam agentes fundamentais da sociedade a se alinharem e trabalharem por esta construção, uma espécie de tempo-espaço conveniente para a sua solidificação. No Brasil da virada da década de 1980 para a de 1990 deram-se as condições necessárias para a implantação daquilo que já era realidade em países do centro - notadamente Estados Unidos e Inglaterra -, na América do Sul, em um projeto do ditador Augusto Pinochet, e se espalhava pela periferia do mundo conforme ditaduras caíam e independências se consolidavam: o neoliberalismo.

Daniela Inês Monje seus efeitos nocivos no tecido social de todos

os países, não só daqueles com representantes no Colóquio.

Assim, viva os encontros e conversas entre Brasil e Argentina, chancelados pela Fadeccos e Intercom. Vivamos a cada dia essa parceria. Vivamos a cultura e a ciência latino-americanas.

Maria José Baldessar

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Homenaje a Héctor “Toto”

Schmucler

Daniela Inês Monje

([email protected])

Doctora en Comunicación por la Universidad Nacional de la Plata. Docente de grado y posgrado en las Universidades Nacional de Córdoba y Nacional de Villa María.

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Homenaje a Héctor “Toto” Schmucler

Héctor “Toto” Schmucler

Agradecemos esta ocasión para homenajear la figura de un intelectual argentino, que constituye una referencia central en el campo de las comunicaciones y la cultura en América Latina: Héctor Toto Schmuchler.

Hemos escogido su figura para presentar en este panel por su relevancia a nivel regional pero también porque representa el pensamiento de una generación luchadora y tenaz que atravesó revoluciones, dictaduras, exilios, desapariciones. Que produjo un pensamiento original y crítico y que con el retorno de las democracias al continente siguió apostando a la construcción colectiva de un campo en formación. Entrerriano de nacimiento y cordobés por adopción. El 19 de diciembre del año 2018, falleció a sus 87 años en Córdoba, la ciudad que eligió para vivir y donde finalmente se radicó luego de su exilio en México durante la dictadura militar iniciada en 1976.

Entre las marcas de su densa biografía intelectual y humana podemos destacar que inició estudios en medicina, pero a poco andar migró hacia las humanidades. Estudió letras en la Universidad Nacional de Córdoba y de modo complementario realizó cursos en la Universidad de Buenos Aires. Obtuvo su licenciatura en el año 1961. Y luego entre 1966 y 1969 estudió semiología en la École Pratique des Hautes Études, bajo la dirección de Roland Barthes.

Allí iniciaría su interés por la comunicación. Inicialmente su viaje a Francia se orientó a estudiar semiología con Roland Barthes, sin embargo allí, su interés por lo semiótico se articuló con mayor claridad hacia la comunicación y en la cul-tura masiva. Afirmaba que los estudios de semiótica eran un gran instrumento de develación de las ideologías dominantes. Por lo tanto era la política, en el sentido de la develación y la denuncia de la sociedad burguesa, la que lo movía a interesarse por la comunicación.

Antes de partir hacia Francia, entre 1963 y 1965 conformó junto a José María Aricó, Oscar del Barco y Samuel Kiczkowski entre otros, el grupo que dio origen desde Córdoba a la revista Pasado y Presente, una publicación dedicada a la difusión del pensamiento de Gramsci y otros clásicos del marxismo y donde

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Daniela Inês Monje

también se discutió en torno a la lucha armada, el mundo obre-ro y la relación entre cultura y política. La salida del primer número le valdría a él y sus compañeros la expulsión del Partido Comunista, en el cual militaban.

A su regreso, entre 1969 y 1972, dirigió la revista Los Libros, donde colaboraban Jaime Rest, Juan Gelman, José Aricó, Oscar Steimberg, Eliseo Verón, Beatriz Sarlo, Carlos Altamirano, Ricardo Piglia y Germán García entre otros. También fue expulsado de aquí, pero por sus propios com-pañeros.

Junto con intelectuales como Roberto Carri y Horacio González fue parte de las Cátedras Nacionales en la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA.

En la década de 1970 fundó, junto a Armand Mattelart y Ariel Dorfman la revista Comunicación y Cultura. Y en 1971 escribió el prólogo para el famoso libro Para leer al Pato Donald.

Uno de sus principales aportes a las ciencias de la comuni-cación fue la creación de la cátedra Introducción a los medios masivos de comunicación en la Facultad de Filosofía y Letras de la Universidad de Buenos Aires en 1973. Componían el marco teórico de la asignatura textos de Antonio Gramsci, Mao, Lenin y otros.

Estas actividades fueron interrumpidas por las persecuciones y asesinatos de la dictadura militar. Esa dictadura fue la responsable del secuestro y desaparición de su hijo Pablo.

En 1977. Pablo, el mayor de sus dos hijos, estudiante del Colegio Manuel Belgrano de la UNC y militante montonero, desapareció en La Plata el 30 de enero.

En 1976 se exilió a México donde fundó, con un grupo de refugiados, la revista Controversia.

Luego del retorno de la democracia, en 1985 regresó a Argentina. Allí participó en la organización de la carrea de Comunicación de la UBA.

Se radicó en Córdoba y dio origen en 1997 junto a María Cristina Mata a la Maestría en Comunicación y Cultura Contemporánea, en el Centro de Estudios Avanzados de la Universidad Nacional de Córdoba.

Años más tarde creo el programa de Estudios sobre la Me-moria y fue parte de grupo que dio origen a la Revista Estudios.

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Homenaje a Héctor “Toto” Schmucler En 1997, se publicó una compilación de sus ensayos en el libro Memoria de la comunicación (Biblos) y en 2011 se publicó una edición facsimilar de Los Libros (1969-1976), en 4 tomos, con prólogo de Horacio González.

Fue profesor emérito de la Universidad Nacional de Cór-doba. Como Comisionado de la Universidad Nacional de Córdoba, integró la primera conformación de la Comisión Provincial de la Memoria de Córdoba en 2006; desde allí fo-mentó el compromiso ético y crítico con la lucha por Memo-ria, Verdad y Justicia.

Algunos amigos lo recordaban así el día de su partida:

Toto tenía la virtud de la conversación, de no anteponer el reloj al dialogo y así, con él, cualquier tema por más banal que pareciera podía disparar las reflexiones más trascendentales de la condición humana. Poseía la simpleza y con ella el poder de convertir a sus palabras en portadoras de las mil formas de la vida, esas que podían detenerse morosas en una anécdota de su infancia en Entre Ríos, o desplazarse, como un chispazo, hacia la página de un libro recién leído y cuya urgencia le exigía com-partirlo en una larga conversación, de esas en las que podían desfilar sin alharaca sus admirados Benjamin, Proust, Arendt... sus incursiones por la tragedia griega como gran inspiración o por la poesía de Federico García Lorca y Borges. Disfrutaba con esos interminables diálogos, que lejos de arrebatar los argumen-tos no hacía más que afilarlos para convertirlos en narraciones intensas, profundas: como relámpagos iluminando la noche.

Las palabras, el amor y el respeto del Toto a las palabras, las hacían salir íntegras de su boca hasta que sus manos las enhebraban en el aire y la cosían en frases que atravesaban, provocadoras, los cuerpos. Su conversación era directa y bifurcada, simple y compleja a la vez, capaz de analizar mi-nuciosamente la historia detrás de cada frase y de recorrer los meandros de diversas tradiciones filosóficas, estéticas y políticas sin renunciar, por eso, a la palabra directa, dura, exigente con lo pensado, dejándose interpelar para abrirse hacia una comprensión más acabada de la complejidad del mundo.

Con él aprendimos a renunciar al inútil esfuerzo de la

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Daniela Inês Monje

tancia y a entregarnos, complacidos, al diálogo, a la imperfec-ción de las frases interrumpidas, a los silencios que intensifi-can el revelador secreto de las miradas.

En una entrevista que le realizaron en Córdoba hace pocos años le preguntaron

– ¿Cómo le gustaría que la historia lo recuerde? Como un semiólogo, un escritor, un padre…

El respondió:

– Ahora que pienso, está la muerte y están los recuerdos, porque a uno se lo recuerda cuando ya no está. No me gustaría que piensen que era un mal tipo. Pero inmediatamente pienso que nunca voy a saber eso, por lo tanto, cada uno se acordará como quiera o como pueda. Hay gente que trabaja para tener su monumento. Lo que sé es que todo quedará en el olvido, y ahí nos unificamos todos, en un gran olvido. En realidad no me preocupa mucho, pero no como un acto de soberbia, sino porque sé que no tiene sentido. Dejémoslo en el olvido, tal vez sea lo más saludable para vivir ahora, antes de morir, y para los otros que no estén obligados a pensar: “ah, le hubiera gustado que lo recuerden así”. Eso les complace a los vivos.

Hasta nuevo aviso, el muerto está muerto.

Lo contrario sería, ¿cómo no me gustaría que me recuerden? Y... no me gustaría que se dijera que era un tramposo, un tramposo intelectualmente. Eso, no me gustaría.

Toto Schmucler, se queda así en nuestra memoria afectiva e intelectual.

A continuación compartimos el link a un video producido por la Facultad de Ciencias de la Comunicación de la Univer-sidad Nacional de Córdoba, en el que se rinde homenaje a la figura de este intelectual.

https://www.youtube.com/watch?v=xvKviKdVLRk

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Comunicación de masa en siglo

XXI Argentina Editores: una

colección orientada por Héctor

Schmucler

Mariano Zarowsky

([email protected])

Investigador Adjunto del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET). Doctor en Ciencias Sociales y Magíster en Comunicación y Cultura por la Universidad de Buenos Aires. Autor de “Los estudios en comunicación en la Argentina. Ideas, intelectuales, tradiciones político-culturales (1956-1985)” (Buenos Aires, Eudeba, 2017), y “Del laboratorio chileno a la comunicación-mundo. Un itinerario intelectual de Armand Mattelart (Buenos Aires, Biblos, 2013).

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Comunicación de Masa en Siglo XXI Argentina Editores: una coleción orientada por Héctor Schmucler

Introducción

En esta presentación nos proponemos reconstruir y analizar una zona poco explorada del catálogo de la edito-rial Siglo XXI Argentina: orientada por Héctor Schmucler, la colección Comunicación de Masa publicó ocho títulos entre 1972 y 1973. Uno de ellos, emblemático — Para leer al Pato Donald, de Ariel Dorfman y Armand Mattelart — se convirtió entonces en un éxito de ventas y en un suceso cultural. Al igual que varios títulos de la colección, alcanzó en pocos años varias reediciones que, hasta la clausura de la filial argentina de la editorial, en 1976, se lanzaron desde Buenos Aires. El trabajo forma parte de una pesquisa más amplia que desde el campo de la historia intelectual de los estudios en comunicación y cultura en la Argentina se interroga por las prácticas editorialistas de sus principales promotores. Siguiendo los enfoques recientes en la sociolo-gía cultural y la historia intelectual de los saberes especiali-zados sobre lo social, sostenemos que el estudio de las prác-ticas editorialistas ofrece una perspectiva productiva para reconstruir las condiciones sociales de emergencia de una disciplina “desde el punto de vista de un examen de sus materiales culturales” y de la comprensión de las “matri-ces intelectuales” de sus orientaciones, según la expresión que propone Alejando Blanco (2006, p. 14) en referencia a la sociología argentina y la práctica editorialista de Gino Germani. Este prisma nos resultará útil, así, para explorar los modos que, en los años ‘70 del siglo pasado, los estudios en comunicación y cultura en la Argentina participaron en una trama político-cultural más amplia que la del propio campo disciplinar. En este sentido, entendemos que la re-construcción y análisis de la colección Comunicación de Masa nos permitirá poner de relieve una serie de fenóme-nos y analizar un conjunto de procesos: en primer lugar, el modo particular en el que en el período se conjugaron una serie de discursos y saberes especializados con una sensi-bilidad atenta al cambio y dispuesta a la experimentación

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Mariano Zarowsky

cultural. Comunicación de Masa, funcionó — es nuestra hipótesis — como caja de resonancia de esta articulación: el libro podía proyectarse, en el contexto de un mercado editorial en expansión, como una herramienta privilegiada para un tipo de intervención política en la cultura. En se-gundo lugar, seguir el itinerario de Comunicación de Masa se revelará productivo para dar cuenta de la existencia de una red intelectual transnacional que conectaba en el pe-ríodo formaciones culturales emergentes: la figura de Héc-tor Schmucler, a través de su práctica ediHéc-torialista, oficiaba como uno de sus nexos y promotores.

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Comunicación de Masa en Siglo XXI Argentina Editores: una coleción orientada por Héctor Schmucler

Antecedentes

Licenciado en Letras por la Universidad Nacional de Córdoba, destacado militante de la juventud comunista de la provincia, miembro del consejo de redacción de la revista Pasado y Presente en su primera época (1963-1965), Héctor Schmucler partió en 1966 a Francia para estudiar con Roland Barthes. A su retorno a la Argentina en 1969 fundó y dirigió la revista Los Libros (1969 - 1976) y, en paralelo, desplegó una prolífica actividad en el mundo editorial, incorporándose al colectivo que le dio vida a la editorial Signos, un emprendi-miento que, iniciado en 1970, funcionó durante poco más de un año. En Signos se editaron o proyectaron trabajos de mar-xismo, historia, filosofía y ciencias sociales; muchos de ellos se publicaron o reeditaron en Siglo XXI Argentina, cuando la distribuidora de la editorial fundada por Orfila Reynal en México en 1965 se fusionaría con el grupo de Signos y se transformaría en la filial local de la empresa mexicana.

En Signos Schmucler dirigió la Colección Rhesis de la Biblioteca del Pensamiento Crítico1. De los pocos volúmenes

editados en la serie se destaca uno que haría fortuna luego en el catalogo de Siglo XXI y, más allá, en el campo de la crítica literaria latinoamericana: Teoría de la literatura de los forma-listas rusos, una antología de textos preparada y presentada por Tzvetan Todorov con traducción de Ana María Nethol, quien era por entonces miembro del staff de la revista Los Libros. El trabajo de Todorov había sido publicado original-mente en 1965 en Francia en Editions du Seuil, como parte de la colección Tel Quel, ligada a la homónima revista impulsada por Pillippe Sollers. A través de la traducción de los formalis-tas, Todorov intervenía en los debates de la crítica francesa y operaba en la orientación de su renovación teórica. El para-texto de la primera edición argentina ofrece, por su parte, una pista del modo en que la traducción al español implicaba un uso, una apropiación singular que desde coordenadas locales recuperaba los debates que en torno a la crítica literaria y la relación entre el arte y la política el propio Schmucler había

1. Diego García (2010-2011, p. 153) hace notar que de todas las colecciones proyectadas por Signos en su inicio esta era la única que anunciaba un director de colección. Lo entiende como un índice de la posición de prestigio que Schmucler, entonces director de Los Libros, ocupaba en el campo cultural.

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Mariano Zarowsky

desarrollado en las páginas de la revista Pasado y Presente

(Schmucler, 1963, 1963b, 1964, 1964b). Leemos en la solapa:

Vinculado en sus comienzos con la vanguardia artística (el futurismo), el movimiento de crítica literaria que se desarrolló en Rusia entre 1915 y 1930 fue llamado ‘formalista’ por sus adversarios. El movimiento era revolucionario: fue el primero en colocar la obra literaria en sí misma como centro de toda crítica posible (…). La represión stalinista redujo al olvido tra-bajos cuya envergadura es difícil volver a encontrar en los años subsiguientes. Buena parte de los mismos se traducen por pri-mera vez al español (Todorov, 1970).

El tono del paratexto revela cómo esta voluntad de actu-alización teórica —contra la crítica literaria impresionista o sociologista, entonces predominantes en el medio local— se asociaba a la búsqueda de un tipo de eficacia política: la prác-tica editorialista de Schmucler funcionaba así como eslabón para la circulación local de la vanguardia teórica francesa y al mismo tiempo como caja de resonancia de una intervención cultural que conjugaba acción política y efectos modernizantes.

En noviembre de 1970 Signos publicó La ideología de la dominación en una sociedad dependiente. La respuesta ide-ológica de la clase dominante chilena al reformismo, de Ar-mand Mattelart, Carmen Castillo y Leonardo Castillo. Una serie de relaciones personales y políticas conectaba a los inves-tigadores que trabajaban en Chile con la editorial argentina: el historiador cordobés Carlos Sempat Assadourian, antiguo miembro del Consejo de Redacción de Pasado y Presente y Mabel Piccini (entonces su esposa), vivían en aquel tiempo en Santiago y funcionaron con nexo: Piccini trabajaba bajo la dirección de Mattelart en el Centro de Estudios de la Re-alidad Nacional (CEREN) de la Universidad Católica de Chile. Santiago Funes, por su parte, relata2 haber recibido en

su oficina en Signos en Buenos Aires el manuscrito del libro directamente de manos de Mattelart y Carmen Castillo. Por entonces Funes era, además de editor en Signos, Secretario de Redacción de la revista Los Libros, que dirigía Schmucler, y miembro de los Cuadernos Pasado y Presente, dirigidos por José Aricó.

En el contenido de La ideología de la dominación en una 2. Comunicación personal del autor con Santiago Funes, febrero de 2019.

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Comunicación de Masa en Siglo XXI Argentina Editores: una coleción orientada por Héctor Schmucler sociedad dependiente pero sobre todo en la serie de reseñas e intercambios publicados o reflejados entonces en Los Libros se puede seguir la afinidad entre las posiciones teóricas de Mat-telart y Schmucler tanto como la génesis de una red de cola-boración transnacional que conectaba grupos académicos y formaciones culturales, proyectando la circulación de textos, autores y perspectivas hacia un espacio de alcance latinoame-ricano. La actividad editorialista de Schmucler, de Los Libros a Signos y luego Siglo XXI, funcionaba como polo de atrac-ción e irradiaatrac-ción.

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Mariano Zarowsky

Comunicación de Masa en Siglo XXI Argentina

A partir de la fusión con ediciones Signos, en 1971, Héc-tor Schmucler formó parte con José Aricó de la gerencia de la flamante Siglo XXI Argentina. Gustavo Sorá (2017, pp. 231-233) anota que Schmucler y Aricó fueron “los grandes diseñadores” de su catálogo: Schmucler “era el factótum”: re-cibía originales y autores, se contactaba con sellos del exterior, seleccionaba obras que traducir y escribía los informes de lec-tura que el directorio luego evaluaba. Aricó se destacó, por su parte, en la dirección de los Cuadernos Pasado y Presente — que continuaban ahora en el nuevo sello — y en el diseño de la Biblioteca Socialista.

La actividad editorialista de Schmucler, no obstante, no puede pensarse si no en conexión con su tarea en la dirección de la revista Los Libros y, a partir de 1973, en la codirección, junto a Armand Mattelart, de la revista Comunicación y cul-tura (1973-1985). En ambas publicaciones se pueden seguir anuncios de Siglo XXI Argentina, reseñas de los libros pu-blicados en la editorial y una serie de autores y colaboradores compartidos: la figura de Schmucler funcionaba, así, como un eslabón que conectaba proyectos político-culturales y figuras del campo intelectual. A partir de su alejamiento de Los Li-bros en 1972 Schmucler se abocó de lleno a su actividad en Siglo XXI y a la dirección de Comunicación y cultura. Junto a Armand Mattelart y Hugo Assman — ambos en Chile — lanzaron su número inicial a mediados de 1973. Por entonces Schmucler dedicaba parte de su tiempo a la docencia universi-taria: en 1972 iniciaba el dictado de una cátedra de semiología del periodismo escrito en la Universidad Nacional de la Plata y, promediando 1973, fue convocado para dirigir la Carrera de Letras de la Facultad de Filosofía y Letras, donde dictó un seminario sobre literatura y medios masivos de comunicación (el primero de esa naturaleza en la Universidad de Buenos Aires) en el contexto de recambio institucional que se pro-dujo en la universidad a partir de la caída del gobierno mi-litar, el triunfo electoral del frente Justicialista de Liberación (FREJULI) y la asunción de la presidencia nacional de Héctor Cámpora, en mayo de 1973.

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Comunicación de Masa en Siglo XXI Argentina Editores: una coleción orientada por Héctor Schmucler Es significativo advertir que todos los títulos que compo-nen la colección Comunicación de Masa se hubieran publi-cado entre 1972 y 1973. Aunque la serie no anunciaba un responsable directo en su aparato paratextual, todo indica, por lo señalado hasta aquí, que era Schmucler quien impulsa-ba y cuidaimpulsa-ba la colección3. Reconstruir y analizar el catálogo

de Comunicación de Masa nos permitirá entonces iluminar algunas aristas de la formación cultural que se configuraba en torno de la actividad editorialista de Schmucler y el modo particular en que una zona del campo intelectual participaba a través del mundo del libro en algunas tensiones de la coyun-tura político-culcoyun-tural.

Más que un producto largamente meditado, como lo fue-ron algunas ediciones y traducciones de largo aliento que im-pulsaba José Aricó (en torno a la obra de Karl Marx, las más destacadas) y a pesar de los antecedentes en la materia que he-mos señalado, Comunicación de Masa parece haber tomado forma al calor de una serie de acontecimientos. Hacia inicios de 1972 Schmucler cruzaba la Cordillera de los Andes desde Santiago de Chile sospechando que las películas que llevaba en su equipaje para imprimir en Buenos Aires contenían un hallazgo y una oportunidad editorial: se trataba de la prime-ra edición de Para leer al Pato Donald, de Ariel Dorfman y Armand Mattelart, publicado a fines de 1971 en la Univer-sidad de Valparaíso4. A su llegada a Buenos Aires y luego de

convencer a la gerencia de Siglo XXI Argentina de la conve-niencia de publicar el material, Schmucler encargó un nuevo diseño de tapa y propuso agregarle al libro un subtítulo que no estaba presente en la edición chilena: “Comunicación de masa y colonialismo”, reforzaba así el nombre de la colección que se lanzaba formalmente con la publicación del trabajo de Dorfman y Mattelart.

A diferencia de Aricó, quien en su larga trayectoria como editor produjo una cantidad significativa de introducciones y prólogos a los textos publicados que hoy son leídos como parte medular de su obra (Cortés, 2015), la actividad editorialista de Schmucler fue bastante menos sistemática y más breve en el tiempo: Schmucler dejaba pocas marcas explícitas de su in-tervención en los materiales que pasaban por sus manos; de allí la significación que asume para nosotros la existencia de

3. Bruno de Angelis (2012, p. 13) recoge el testimonio retrospectivo de Alberto Díaz, por entonces gerente de ventas de la editorial, quien afirma que “en la práctica” era Schmucler quien “llevaba” la colección Comunicación de Masa. 4. Entrevista personal del autor con Héctor Schmucler, diciembre de 2007.

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Mariano Zarowsky

un prólogo de su autoría a la edición argentina del libro de Dorfman y Mattelart.

En efecto, en “Donald y la política” Schmucler ubicaba la génesis del texto en los debates culturales de la llamada

vía chilena al socialismo, sintetizaba la perspectiva teórico-metodológica con la que los autores abordaban las historietas de Disney y ofrecía una serie de consideraciones que situaban el papel de la comunicación de masas en lo que Schmucler llamaba, en el lenguaje de la época, “la batalla ideológica”: puesto que ideología y cultura se anudaban como conceptos, aquella se jugaba en buena medida en la llamada “cultura de masas”, esto es, en el mundo del ocio y de la vida cotidiana. En tono fuertemente polémico y con citas de Ernesto Gue-vara y referencias de Mao Tse Tung, Schmucler apuntaba contra una “izquierda mostrenca y desanimada” que poster-gaba toda iniciativa concreta en materia de cambio cultural en nombre de otras prioridades, sean económicas, políticas o militares: actualizaba o daba un nuevo giro, así, a una línea teórico-política ya presente en sus escritos de los años sesenta sobre literatura, en un momento en el que se inclinaba hacia el estudio de la comunicación y la cultura de masas y se acercaba políticamente a la tendencia revolucionaria del peronismo en Argentina.

Tratándose del primer título de la colección y del único prólogo escrito por Schmucler en toda la serie, no es exagerado leer en sus páginas una suerte de carta de presentación de Co-municación de Masa como colección. Encontramos allí una idea sugerente respecto a la función que Schmucler imaginaba para el libro de Dorfman y Mattelart, pero también, podemos proyectar, para todo libro en tanto artefacto cultural. Escribe: “[s]u éxito (…) estará logrado cuando, negándose a sí mismo como objeto, pueda ayudar a una práctica social que lo borre, reescribiéndolo en una estructura distinta que ofrezca al hom-bre otra concepción de su relación con el mundo” (Schmucler, 1972, p. 8). Esta apelación a la actividad del destinatario, de quien se esperaba que reescribiera el libro en un marco distin-to al del audistin-tor, no desendistin-tonaba con su contexdistin-to: por el contra-rio, alimentaba una sensibilidad vanguardista que en diversas manifestaciones — literatura, plástica y con intensidad en el cine — se destacó en el período por su intención de alterar la

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Comunicación de Masa en Siglo XXI Argentina Editores: una coleción orientada por Héctor Schmucler relación tradicional entre autores y público, a partir de una transformación de las formas como de los soportes materia-les y circuitos de expresión y difusión de las obras. Esta idea rondaba, por ejemplo, las conversaciones entre Ricardo Piglia y Rodolfo Walsh publicadas en Siglo XXI Argentina en 1973 como preludio del cuento — o mejor: como intervención a —

Un oscuro día de justicia (Walsh, 1973); también el ensayo del cubano Julio García Espinosa: “Por un cine imperfecto” — que abriría el primer número de Comunicación y Cultura

— y, como veremos enseguida, las prácticas cinematográficas y reflexiones sobre el cine militante que promovían Fernando Solanas y Octavio Getino, que serían reunidas en un volumen para Comunicación de Masa.

La edición de Siglo XXI de Argentina de Para leer al Pato Donald fue un éxito inmediato: hacia 1974 la editorial anun-ciaba la salida de su doceava impresión5. Los ocho títulos

pu-blicados por la colección entre 1972 y 1973 se lanzaron así en el marco de la repercusión que tuvo el libro de Dorfman y Mattelart: la componen dos títulos de éste último autor:

Agresión desde el espacio. Cultura y NAPALM en la era de los satélites (enero de 1973), La comunicación masiva en el proceso de liberación (noviembre de 1973); y luego: La se-miología, de Pierre Guiraud (julio de 1972); Cine, cultura y descolonización, de Octavio Getino y Fernando Solanas (fe-brero de 1973); El lenguaje de la publicidad, de Lisa la Block de Behar (julio de 1973); El cine como propaganda política. 294 días sobre ruedas, de Alexander Medvedkin (octubre de 1973), y, finalmente, La información de clase, una antología de textos de Vladimir Lenin (lanzada en noviembre de 1973).

La serie se desplegaba a toda marcha en un período in-tenso y vertiginoso de la vida política argentina y latinoame-ricana. No obstante, como dijimos, no obedecía a un plan largamente meditado ni reflejaba una racionalidad — econó-mica, política, o académica — unitaria: la primera edición de La semiología, de Pierre Guiraud, publicado en julio de 1972, no exhibía indicaciones paratextuales que inscribieran el volumen en la colección. Se trataba de un texto didáctico publicado originalmente en 1971 en Presses Universitaires de France (PUF), en su prestigiosa colección de divulgación aca-démica Que sais-je? (n°1421). Por su parte, El lenguaje de la

5. La segunda edición del libro se hizo en mayo de 1972, en la Universidad de Valparaíso. La tercera edición (la primera en Siglo XXI Argentina) fue en julio de 1972; la cuarta, en enero de 1973; la quinta en marzo. La sexta edición es de julio de 1973 y la séptima de septiembre. En 1974 se anuncian una onceava y una duodécima edición en Buenos Aires. La cantidad exacta de impresiones que se hicieron hasta 1976 en Buenos Aires debe precisarse, puesto que la editorial contabilizaba de manera consecutiva las impresiones que hacía en simultáneo en la filial Argentina y en México. El catálogo oficial de Siglo XXI México (Siglo XXI, 1984) anunciaba ese año la edición número veinticinco de Para leer al Pato Donald. Respecto de las tiradas, la sexta edición mexicana de julio de 1973 anunciaba seis mil ejemplares. Las de Buenos Aires, hasta 1976, solían ser de tres mil ejemplares.

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Mariano Zarowsky

publicidad, de Lisa Block de Behar, había llegado a Siglo XXI a través de una recomendación del crítico uruguayo Carlos Real de Azúa, sin intervención inicial de Schmucler. En su testimonio, sin embargo, la autora recuerda haber discutido con Schmucler el cambio de tapa para la segunda edición del libro. Ambos títulos deben situarse en relación con las tare-as que el propio Schmucler desarrollaba en la universidad; o, para ser más precisos: con la existencia de un mercado de lec-tores sobre una temática que, emergente en el espacio público, comenzaba a instalarse también en la enseñanza universitaria.

En efecto, la velocidad con la que se publicaban y — en algunos casos — reimprimían los títulos de Comunicación de Masa indica la relevancia que la cuestión de los medios masivos de comunicación alcanzó en la coyuntura 1972-1974 y el modo particular en que una zona del campo intelectu-al buscó intervenir en el debate sobre su transformación. Las dos elecciones presidenciales que se desarrollaron en Argenti-na en 1973 pusieron de relieve el papel novedoso — para la experiencia argentina — de los medios masivos, sobre todo la televisión, como “escenario” de la contienda electoral. En este contexto, Fernando Solanas y Octavio Getino prepara-ron Cine, cultura y descolonización, una reunión de textos sobre su concepción y práctica del cine militante que recogía la repercusión que había tenido su film clandestino La hora de los hornos (1968). Caído el gobierno de facto del general Alejandro Lanusse, el libro se publicaría en febrero de 1973, mientras que, el film, se estrenaría comercialmente durante ese año: el impreso operaba así para los cineastas militantes como medio para potenciar una intervención política (no solo en la cultura) y proyectarse como intelectuales. En esta línea se puede ubicar El cine como propaganda política. 294 días sobre ruedas, de Alexander Medvedkin, un diario de las ex-periencias del cineasta ruso como responsable del “cine-tren” en la Unión Soviética durante el primer plan quinquenal. La edición local añadía un prólogo del crítico y realizador ar-gentino Edgardo Cozarinsky, por entonces más ligado a la zona experimental o “underground” (Ouviña, 2016) de la vanguardia cinematográfica porteña que a aquella inclinada hacia el documentalismo político6. La coexistencia en el

catá-logo de Comunicación de Masa de ambos libros señala

pun-6. En rechazo de un tipo de cine que suponía que “la ‘realidad’ es reflejable o reconstruible”, Cozarinsky (1973, p. XII-XIII) encontraba en la experiencia del cine-tren una dialéctica entre realización y exhibición que, en ruptura con la idea de “obra definitiva y autosuficiente”, se revelaba el único modo aceptable de vincular cine y política. Véase también Cozarinsky (1969).

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Comunicación de Masa en Siglo XXI Argentina Editores: una coleción orientada por Héctor Schmucler tos de intersección entre polos diferenciados de la vanguardia (que suelen ser analizados en oposición), y cómo la colección podía funcionar como caja de resonancia de sus prácticas y experiencias: Schmucler había recibido de Armand Mattelart la propuesta de publicar el diario de Medvedkin, quien me-diaba a su vez a pedido de Chris Marker, entonces impulsor en Francia de la cooperativa cinematográfica de producción y distribución alternativa Slon y referente de los “grupos Med-vedkine”, que asociaban a cineastas militantes y obreros para la producción de films políticos en las fábricas.

La información de clase, una versión local de la edición de Guaraldi editores (1972) que reunía textos de Lenin es-critos entre 1899 y 1922 puede ubicarse en relación con la serie trazada. En el prólogo de Mario Caciagli, traducido de la versión italiana, se puede seguir el valor que asumían la cultura y la información en el marco de las redefiniciones que promovía una zona de la nueva izquierda intelectual que, a través de su “retorno” a Lenin, asumía posiciones antiburo-cráticas y antiautoritarias. La antología situaba los escritos del revolucionario ruso en las diversas coyunturas con las que éste se había medido, dando cuenta de los desplazamientos en los problemas que se planteaba y en las líneas de acción que pro-movía. La clave de organización del material en la antología se anunciaba como un “criterio de interpretación” de la obra, que se diferenciaba, por su antidogmatismo, de las ediciones escolásticas promovidas entonces por las editoriales comunis-tas.

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A modo de cierre: una vanguardia editorial

entre el mercado y la política

Comunicación de Masa alcanzó una repercusión con-siderable en el marco de la rápida expansión que alcanzó la filial argentina de Siglo XXI entre 1971 y 1976 (Sorá, 2017, p. 237). El anuncio que la editorial hacía habitualmente en la revista Los Libros fue dedicado en su número 33 de enero de 1974 por entero y a toda página a la colección, cuyo nom-bre, COMUNICACIÓN DE MASA, se imprimía en letras mayúsculas de impacto. En esta opción gráfica no sólo se lee la búsqueda de un efecto de shock, sino también el modo en que una temática se asociaba con los asuntos “calientes” de la opinión pública: el tono de las micro-reseñas del anuncio tomaba modulaciones del discurso político y la actualidad de las cuestiones abordadas en los libros de la serie se presentaba como un elemento de valor.

En abril de 1976, semanas después del golpe de Estado que derrocó al gobierno constitucional de Estela Martínez de Perón, Siglo XXI Argentina fue allanada y algunos de sus empleados secuestrados. Una parte de su personal gerencial partió al exilio, José Aricó y Héctor Schmucler entre ellos.

El trabajo editorial de Schmucler en Comunicación de Masa se reveló aquí productivo para delinear y comprender una arista poco explorada de su perfil y trayectoria intelec-tual. También como un prisma privilegiado para examinar ciertas configuraciones intelectuales y culturales del período. Reconstruir el catálogo y analizar los contenidos textuales y paratextuales de la colección, en su vinculación con una trayectoria intelectual y con una trama cultural más vasta, nos ha permitido poner de relieve el modo en que la praxis editorialista de Schmucler —al poner a disposición de un pú-blico ampliado un conjunto de materiales culturales y discur-sos especializados— contribuyó a la visibilización y legitima-ción de un campo de saberes de nuevo tipo; también explorar el modo en que una franja de intelectuales participó a través de modalidades específicas de acción en las tensiones y deba-tes de la coyuntura. Al hacerlo, en algunos casos, contribuía a la transformación de sus propios medios y formatos de

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Comunicación de Masa en Siglo XXI Argentina Editores: una coleción orientada por Héctor Schmucler sión. La trayectoria editorial de Schmucler permite iluminar, finalmente, la existencia de una empresa cultural que, en un mercado editorial todavía pujante, operaba como medio de profesionalización y, más allá, como un entero medio de vida: esto es, como un modo de sociabilidad tanto como una pla-taforma para la experimentación cultural y la intervención en el espacio público.

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Mariano Zarowsky

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Mediações culturais na comunicação

e experiência estética como estruturas

de reconhecimento

Laan Mendes de Barros

([email protected])

Doutor em Ciências da Comunicação, pela Escola de Comunicações e Artes da Univer-sidade de São Paulo (ECA-USP), com pós-doutorado pela Université Grenoble Alpes, França. Professor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – FAAC-UNESP.

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Mediações culturais na comunicação e experiência estética como estruturas de reconhecimento

Introdução

Iniciamos estas reflexões1 com uma ilustração

poético-musical. Há 70 anos, no livro Novos Poemas, o escritor mi-neiro Carlos Drummond de Andrade dava à luz o singelo poema Canção amiga, que 30 anos depois se tornaria, de fato, canção, ao ser musicado pelo compositor-cantor Milton Nascimento, também mineiro (de coração e adoção), presente no álbum Clube da Esquina II. Ambos viveram entre as montanhas de Minas e as praias do Rio de Janeiro. Os movimentos do poe-ma Canção amiga tornado canção, nupoe-ma transposição-hibri-dação-sincretismo de linguagens, sugerem um trânsito entre espaços de convivência de um tempo presente e espaços des-locados na temporalidade de um passado nostálgico e de um futuro esperançoso, na qual se assentam nossas percepções es-téticas, estruturadas por mediações culturais e marcadas por elementos de alteridade, sensibilidade e reconhecimento.

O Outro presente na Canção amiga reflete um Eu sensível, pleno de estesia, que se reconhece no outro como seu seme-lhante, pois a vida de cada um é a vida de todos. Assim, o que se tem é “uma canção que faça acordar os homens e adorme-cer as crianças”, algo tão presente e necessário na história das últimas décadas da América Latina, nossa América Morena.

A partir de um breve exercício interpretativo da conheci-da canção, trazemos neste texto reflexões sobre experiência estética, produção de sentidos, reconhecimento e alteridade, baseadas em leituras de textos de Paul Ricœur e Jesús Mar-tín-Barbero, e de outros autores como Hans-Georg Gadamer, Jacques Rancière, Herman Parret, Eliseo Verón, Guillermo Orozco e Muniz Sodré. O texto, em forma de ensaio, alter-na dois movimentos, um mais acadêmico que problematiza as referidas leituras e outro mais espontâneo que comenta o poema-canção e projeta possíveis chaves de interpretação, que se relacionam com as questões discutidas nas formulações te-óricas estudadas.

1. Texto escrito na primeira pessoa do plural pois reconheço que trago outros comigo, outros em mim.

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Laan Mendes de Barros

Uma canção amiga

A nostalgia e a homenagem ao passado comuns do espírito mineiro, a introspecção e o tom reflexivo que encaram a tem-poralidade do tempo presente, e o compromisso e a esperança no futuro deslindam nossa percepção da Canção amiga, aqui compartilhada.

Eu preparo uma canção em que minha mãe se reconheça, todas as mães se reconheçam, e que fale como dois olhos. Caminho por uma rua que passa em muitos países. Se não me vêem, eu vejo e saúdo velhos amigos. Eu distribuo um segredo como quem ama ou sorri. No jeito mais natural dois carinhos se procuram. Minha vida, nossas vidas formam um só diamante. Aprendi novas palavras e tornei outras mais belas. Eu preparo uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças.2

Experiência poética e experiência estética comparecem nesta Canção Amiga como dois caminhos que se procuram. No exercício da poiesis, o ato criativo do autor - no caso, dos autores - se oferece à percepção estética do espectador, à aisthe-sis. Ambos procuram o reconhecimento, vão ao encontro do outro em busca da produção de sentidos, sentidos partilhados na criação e na interpretação, que trazem consigo as tempora-lidades e territoriatempora-lidades dos sujeitos envolvidos na trama. A vida de um e a vida de outro são compartilhadas e conjugadas na primeira pessoa do plural, nossas vidas. Tornam-se comuns. Elas se revelam em palavras e noutros signos, que se renovam e ganham novos sentidos. Dá-se o diálogo, a comunicação.

2. Carlos Drummond de Andrade. In Novos Poemas. São Paulo: José Olympio, 1948. © Graña Drummond.

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Mediações culturais na comunicação e experiência estética como estruturas de reconhecimento A Canção Amiga se oferece ao reconhecimento, daqueles com os quais eu vivo o tempo presente, daqueles que me ante-cederam, daqueles que ainda virão. E assim eu me reconheço nos outros que trago comigo, bem próximos ou distantes no tempo e no espaço, assim como reconheço o eu que existe os outros. Identidade e alteridade se complementam, então. E o processo de interpretação extrapola o texto e incorpora o contexto, desperta utopias e alimenta sonhos. Ele é matizado por diversificadas mediações culturais e reflete as convivências comunitárias, da rua, da vizinhança, da localidade, lugares de reconhecimento mútuo. Mas, também, acionam dimensões externas, que passam por outras latitudes e carregam outras culturas.

O poema musicado Canção Amiga fala de comunhão e comunicação, fala da existência humana, do ser humano no mundo. Fala de reconhecimento e de alteridade. Nossa breve interpretação, livre, cheia de estesia, encontra sintonia com as palavras de Héctor Schmucler (2008, p.5):

En comunicación se trata de la presencia obligante del otro. Si, en la tradición fenomenológica, el “ser en el mundo” traza el rasgo sustantivo de la existencia huma-na, Hannah Arendt insistirá en que el mundo humano es también, siempre, ser-en-conjunto. Invención de la acción emprendida por más de uno. La comunicación humana podría entenderse como parte de este reconocimiento. El mundo, para los seres humanos, es un hacer el mundo en cuanto seres humanos (SCHMUCLER, 2008, p.5)

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Laan Mendes de Barros

Mediações culturais na comunicação

As proposições de Jesús Martín-Barbero (1997, 2004, 2009) relacionadas ao deslocamento dos estudos de comu-nicação “dos meios às mediações”, são oportunas para as reflexões que trazemos neste ensaio. São formulações bem conhecidas nos estudos da comunicação na América Latina. No decorrer do tempo os mapas elaborados pelo pensador es-panhol radicado na Colômbia foram por ele revistos e reela-borados. Formulações que podem também serem vistas como camadas de um mesmo modelo teórico-epistemológico. O próprio espelhamento das “mediações culturais da comuni-cação” em “mediações comunicacionais da cultura” permite o tensionamento dialético entre duas dimensões de um mes-mo fenômeno. Optames-mos por trabalhar nesta ocasião com a primeira formulação de Martín-Barbero, com as “mediações culturais da comunicação”, na expectativa de que elas possam nos ajudar a problematizar a questão do reconhecimento no contexto da sociedade midiatizada.

Na primeira formulação de seu modelo, em 1987, Martín -Barbero identifica três esferas de mediações: a cotidianidade familiar, a temporalidade social e a competência cultural, que se articulam com os planos de ritualidade e de sociabilidade. Em reedições do livro e outros artigos publicados, Martín -Barbero reelaborou o seu mapa, de forma a tornar cada vez mais elaborado e complexo o esquema no qual ele identifica as mediações culturais da comunicação (RONSINI, 2010, p. 6). Tais alterações surgem como camadas de uma mesma for-mulação. Isso fica evidenciado nas palavras do próprio Mar-tín-Barbero (2009, p. 151) quando ele descreve a proposta das mediações comunicacionais da cultura, que ele identifi-ca como “tecnicidade”, “institucionalidade”, “socialidade” e (uma nova) “ritualidade”. E ele explica (p. 153) que essa nova concepção de mediações havia surgido do reconhecimento de que “a comunicação estava mediando todos os lados e as for-mas da vida cultural e social dos povos. Portanto, o olhar não se invertia no sentido de ir das mediações aos meios, senão da cultura à comunicação”. Isso o levou a “repensar a noção de comunicação”, que “sai do paradigma da engenharia e se liga

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Mediações culturais na comunicação e experiência estética como estruturas de reconhecimento com as «interfaces», com os «nós» das interações, com a comu-nicação-interação, com a comunicação intermediada”. E essa ideia das mediações comunicacionais da comunicação, propostas por Martín-Barbero, encontram eco, ou mesmo sinonímia, na ideia de midiatização da sociedade, quando pensada na cha-ve de que os processos de produção de sentidos não se esgotam nas esferas de produção e recepção, mas se entendem numa circulação social e formação da opinião pública.

Quando pensamos na midiatização da sociedade - temática já bem formulada por autores como Eliseo Verón, José Luiz Braga e Stig Hjarvard - tomamos a mídia como elemento estru-turante da sociedade. Mais que instrumentos do fazer social, restritos ao âmbito da infraestrutura, o aparato comunicacio-nal passou a integrar a própria sociedade, numa dimensão su-perestrutural. Essa concepção de midiatização encontra certa sinonímia com a ideia de “mediações comunicacionais da cul-tura”. No entanto, nesta ocasião preferimos nos limitar qual exame das mediações culturais presentes nos processos comunica-cionais, por entendermos que elas refletem em sua essência os elementos constitutivos da identidade dos indivíduos e grupos sociais, que comparecem nos processos de produção de senti-dos e reconhecimento. Diferentes pesquisadores passaram a usar os seus esquemas e, mesmo, a construir novas classifica-ções e categorias.

Este é o caso de Guillermo Orozco Gomez, que em seu “enfoque integral da audiência” assume o receptor como um sujeito em situação, condicionado individual e coletivamen-te. Em seus estudos sobre audiência televisiva, Orozco (2005) identificou cinco grandes categorias de mediações culturais que comparecem nos processos de recepção das mensagens televisivas e interação do telespectador com a TV. Ele fala em mediações cognitivas, (video)tecnológicas, situacionais, refe-renciais e institucionais. E é curioso que nessas várias mo-dalidades as mediações refletem e alimentam processos de reconhecimento. Trata-se, por exemplo, das modulações que fatores como gênero, etnia ou formação profissional operam nos processos de recepção, produção de sentidos e reconhe-cimento, no plano das mediações referenciais. Ou de fatores como religião, filiação partidária, família ou universidade no plano das mediações institucionais. Ou, ainda, de

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cias como o estar só ou acompanhado, em casa ou em trânsito para algum lugar, no período de trabalho ou final de semana que se configuram em mediações situacionais e estruturam as operações de reconhecimento e produção de sentidos.

Trata-se de processos dinâmicos, que envolvem a percep-ção sensível das relações comunicacionais, atravessadas por sociabilidades, ritualidades, temporalidades e espacialidades, como nos sugere Martín-Barbero. Mediações que operam na estética da recepção e no reconhecimento do sujeito especta-dor, participante ativo do processo comunicacional, seja na perspectiva do reconhecimento de si mesmo ou do reconheci-mento mútuo, como veremos mais adiante.

Se o deslocamento “dos meios às mediações” nos ajuda a compreender como se dão as relações entre seres humanos e mídia nas dinâmicas de produção de sentidos, seja nos proces-sos de produção de narrativas midiáticas como de sua recep-ção por indivíduos e grupos sociais, também é válido utilizar a ideia das mediações no estudo das dinâmicas de reconhe-cimento desses sujeitos que vivem na sociedade midiatizada. Seja no âmbito da identificação de estruturas, relações e sujei-tos observados, no âmbito do auto-reconhecimento, do reco-nhecer-se a si mesmo como sujeito envolvido nos processos e relações comunicacionais, ou ainda no âmbito do reconheci-mento mútuo que envolve as relações dos grupos sociais com comunidades interpretantes.

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Mediações culturais na comunicação e experiência estética como estruturas de reconhecimento

Experiência estética como partilha do sensível

O exercício de interpretação e produção de sentidos se dá como experiência sensível e pode ser relacionado à chamada experiência estética. Pensar a comunicação como experiência estética significa romper com a visada informacional, que se ocupam da economia interna dos processos midiáticos, e a visada crítica, que examina e condena os efeitos da mídia na sociedade. Trata-se de pensar a “comunicação sem anestesia”, como elaboramos em outro trabalho (BARROS, 2017), como fenômeno sensível. De um lado o plano da produção, do ob-jeto estético, de outro o plano da recepção ativa, da percepção estética, que se desdobram em dinâmicas de interpretação e circulação de sentidos, formam a experiência estética. E ela encontra a sua completude no movimento do reconhecimen-to, tema central deste texto.

O termo reconhecimento é tratado por vários autores, como é o caso de Eliseo Verón que dá a ele uma conotação próxima à da percepção, ao abordar a questão da produção de sentidos, numa relação entre “produção e reconhecimento”. E esse reconhecimento se dá no plano do sensível compar-tilhado, do “tornar comum” comunicacional, da experiência estética pensada como sensus communalis, como nos sugere Herman Parret (1997, p 178) em sua Estética da Comunicação. Para além do sensus communis presente na estética kantiana, interessa-nos discutir a estética sensus communalis, como “par-tilha do sensível”, nos termos propostos por Rancière (2009), como estesia compartilhada nas dinâmicas da cotidianidade, nos contornos das comunidades de apropriação, marcadas por mediações culturais presentes nas relações comunicacionais. Como nos lembra Muniz Sodré (2006, p. 90), “o estético – melhor ainda, o ‘estésico’ para se desembaraçar a estética da tradição filosófica de julgamento de obras de arte ou mesmo industriais – aparece aí, então, como o conteúdo afetivo da vivência cotidiana”. Para ele,

O afeto, território próprio da estesia, revela-se um meca-nismo de compreensão irredutível às verificações racio-nalistas da verdade. Por meio dele, divisa-se uma teoria compreensiva da comunicação, presumidamente capaz de

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trazer mais luz ou hipóteses mais fecundas sobre as trans-formações das identidades pessoais e coletivas, as modula-ções da política e as ambivalências do pluralismo cultural no âmbito da globalização contemporânea. (SODRÉ, 2006, p. 70)

Martín-Barbero (2017), em Ver com los Otros, destaca a importância de Rancière na proposição de uma mirada polí-tica sobre o universo do sensível, da estesia que se comparti-lha nos processos culturais. Para ele, “ha sido Jacques Rancière quién ha resituado la cuestión de lo político en el reparto de lo sensible” (MARTÍN-BARBERO (2017, p. 65). “Frente a los apocalípticos, que lo que mejor saben hacer es quejarse sin pro-poner nada, la obra de Rancière proyecta su innovadora mirada política sobre lo sensible” (idem, p. 65).

Rancière lembra que essa “partilha do sensível”, envolve a intersubjetividade vivenciada no plano de territorialidades e temporalidade concretas:

Denomino partilha do sensível o sistema de evidências sensíveis que revela, ao mesmo tempo, a existência de um comum e dos recortes que nele definem lugares e partes respectivas. Uma partilha do sensível fixa, portanto, ao mesmo tempo, um comum partilhado e partes exclusivas. Essa repartição das partes e dos lugares se funda numa partilha de espaços, tempos e tipos de atividade que deter-mina propriamente a maneira como um comum se presta à participação e como uns e outros tomam parte nessa par-tilha (Rancière, 2009, p.15).

É no plano da experiência estética que o sensível é compar-tilhado, nas reações entre grupos de apropriação. Esses gru-pos se multiplicam no contexto da sociedade interconectada, em comunidades e redes sociais, que difundem informações e ideias, cultura e notícias – muitas delas descaracterizadas como tais, sem veracidade, como é o caso das fake news – que dinamizam e tornam mais complexas os processos de produ-ção de sentidos e reconhecimento.

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Mediações culturais na comunicação e experiência estética como estruturas de reconhecimento

O reconhecimento como exercício de alteridade

nos espaços de com-vivência

O livro Percurso do reconhecimento reúne três conferências feitas por Paul Ricœur (2006), três estudos sobre o reconheci-mento. No primeiro ele fala do reconhecimento como identifi-cação. Trata-se de identificar alguma coisa, de apreender algo pela mente, pelo pensamento, de reconhecer “uma coisa con-siderada a mesma na diversidade de suas ocorrências” (116). Trata-se de identificar o outro como alguém já conhecido, no sentido de colocar novamente na mente. E essa identificação se dá na perspectiva de um juízo prático, que implica em dis-tinguir, em reconhecer que um não é o outro, que uma coisa é ela mesma e não outra, num exercício de diferenciação, de ex-clusão e identificação, de reconhecimento. Trata-se, segundo Ricœur, da identidade imutável, da “mesmidade”, da “identi-dade idem”.

Já o segundo estudo trata do reconhecer-se a si mesmo, do se afirmar, do conhecer suas capacidades e nelas se reconhecer, do compreender sua identidade, que Ricœur identifica como identidade ipse, no sentido do reconhecer o seu Eu e se fazer reconhecer. Assim, o reconhecimento se expressa no “poder narrar e narrar-se”, numa identidade narrativa que coloca a identidade idem em relação dialética com a identidade ipse, do eu sou. Trata-se de uma identidade móvel, considerada em sua temporalidade histórica, do ser em situação, em ação, que implica o reconhecimento de si no tempo, numa expressão da ipseidade.

Por fim, no terceiro estudo Ricœur fala sobre o reconheci-mento mútuo, num novo tensionareconheci-mento dialético, agora entre identidade e alteridade, dimensão já trabalhada na obra O si mesmo como um outro (1991). Trata-se, então, de reconhecer o outro e se reconhecer no outro, de reconhecer um Eu na di-versidade do Outro, numa relação de reciprocidade e mutua-lidade, que implica o reconhecimento da igualdade de direitos entre os sujeitos de uma sociedade. Sujeitos diferentes, que se reconhecem em suas constituições dissimétricas e se abrem ao outro numa perspectiva de empatia e interação. Ele discute a teoria da dádiva de Marcel Mauss e problematiza a questão da reciprocidade e os paradoxos do dom e do contradom. E prioriza a ideia de mutualidade nas relações de alteridade e do reconhecimento compartilhado no contexto do comum, que leva o sujeito a se reconhecer como parte do coletivo.

Referências

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