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Os efeitos da inconstitucionalidade na coisa julgada.

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CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS

UNIDADE ACADÊMICA DE DIREITO

CURSO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS

NAYRA CARLA MAIA CUNHA

OS EFEITOS DA INCONSTITUCIONALIDADE NA COISA JULGADA

SOUSA - PB

2007

(2)

OS EFEITOS DA INCONSTITUCIONALIDADE NA COISA JULGADA

Monografia apresentada ao Curso de

Ciências Jurídicas e Sociais do CCJS da

Universidade Federal de Campina

Grande, como requisito parcial para

obtenção do título de Bacharela em

Ciências Jurídicas e Sociais.

Orientadora: Professora Esp. Jaciara Farias Sousa.

SOUSA - PB

2007

(3)

Elaboração da Ficha Catalográfica:

Johnny Rodrigues Barbosa

Bibliotecário-Documentalista

CRB-15/626

C972e Cunha, Nayra Carla Maia.

Os efeitos da inconstitucionalidade na coisa julgada. / Nayra Carla

Maia Cunha. - Sousa - PB: [s.n], 2007.

64 f.

Orientadora: Professora Esp. Jaciara Farias Sousa.

Monografia - Universidade Federal de Campina Grande; Centro

de Formação de Professores; Curso de Bacharelado em Ciências

Jurídicas e Sociais - Direito.

1. Coisa julgada. 2. Inconstitucionalidade da coisa julgada. 3.

Controle de constitucionalidade. 4. Segurança jurídica. I. Sousa,

Jaciara Farias. II. Título.

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i

OS EFEITOS DA INCONSTITUCIONALIDADE NA COISA JULGADA

Aprovada em : de de 2007.

I

BANCA EXAMINADORA

Profa. Esp. Jacyara Farias Souza - UFCG Professora Orientadora

Nome - Titulacao - Instituicao Professor(a)

Nome - Titulacao - Instituicao Professor(a)

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metis dias, por ter mim dado, na hora e momento certo, todas as coisas que precisei e, principalmente, por ter me agraciado com a familia que eu tenho.

A minha mae e amiga, NADIR M A I A DA SILVA, por me amparar nas horas de angiistias, pela forca e apoio, pelos carinhos e bons exemplos que me permitiram um crescimento pessoal.

Ao meu pai, CARLOS JOSE LIMA CUNHA, por ser meu exemplo de perseveranca e lutador.

Aos meus irmaos, NAYSE e CARLINHOS, que acreditaram no meu sonho e contribuiram para que eu pudesse continuar a minha caminhada.

Ao meu namorado e amigo, JORGE LUIZ, que sempre esteve do meu lado durante a minha trajetoria universitaria, apoiando-me nos momentos dificeis e alegres, me respeitando e me auxiliando com sua sabedoria, fazendo-me crer que posso alcancar todos os meus objetivos.

Aos meus amigos, LUCIANA E BRUNINHO, por terem me ajudado na feitura desta pesquisa e por me abrilhantarem de suas amizades, das quais levarei para toda a minha vida.

A minha orientadora, JACYARA FARIAS SOUZA, que nos momentos de tensao me orientou de forma precisa, nao medindo esforcos para a efetivacao desse trabalho.

Por fim, aos colegas da minha turma, pelo companheirismo, sorriso e aprendizados conjuntos.

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mentiroso. A vitoria gera odio, porque o vencido se sente infeliz. Nunca no mundo o odio se extermina com odio. O odio se extermina com amor".

(8)

Esta pesquisa cientifica se propoe a tratar do instituto da res iudicata, sistematizando os efeitos quanto a sua inconstitucionalidade e as possibilidades juridicas de sua relativizacao. Tem-se como objetivo apresentar um estudo critico da coisa julgada, buscando uma visao juridica evolutiva do seu conceito capaz de evitar a perpetuidade de ilegalidades e

incongruencias contrarias a Constituicao, com vista a proteger sempre o mito da intangibilidade absoluta da coisa soberanamente julgada. A pesquisa sera realizada atraves do metodo exegetico juridico, do historico-comparativo, objetivando angariar subsidios para a resolucao da crescente controversia. Vislumbra-se que o grande questionamento do tema proposto fundamenta-se no fato de que o principio da Supremacia da Constituicao preve que todas as leis e decisoes devem estar compativeis com a Constituicao Federal de 1988, e que as normas contrarias a ela deverao ser expurgadas atraves do controle de constitucionalidade. Com base nesta perspectiva e de se indagar se ha possibilidade ou nao, da desconstituicao da coisa julgada inconstitucional, na medida em que esta fere os preceitos constitucionais. Para a elucidacao do debate juridico e uma melhor compreensao do tema, realizar-se-a um estudo da coisa julgada, partindo da sua evolucao historica ate a sua conceituacao atual no ordenamento juridico brasileiro. Ulteriormente, analisar-se-a o mecanismo do controle de

constitucionalidade das leis diante do Estado Democratico de Direito. Por fim, o estudo focaliza-se nos efeitos da inconstitucionalidade na coisa julgada e sua possivel relativizacao, adotando as posicoes doutrinarias sobre esta conjuntura. Ressalta-se que a intencao de apresentar no trabalho uma abordagem que traga novos e modernos entendimentos acerca do tema, e a de prelecionar o efetivo cumprimento da Constituicao Federal, de modo que os direitos e garantias fundamentais sejam respeitados.

(9)

This scientific research is proposed to address the Institute of res iudicata, organizing the effects on their unconstitutional and the legal possibilities of his relativizing. It has been designed to present a critical study of the thing judged, seeking a vision of his legal evolutionary concept able to avoid the perpetuity of illegalities and inconsistencies contrary to the Constitution, to protect forever the myth of the absolute inviolability of thing independently judged. The search will be conducted by the method explanation legal, historical and comparative, aiming raise subsidies for the resolution of the growing controversy. It seems that the great theme of questioning based on the fact that the principle of Superiority of the Constitution provides that all laws and decisions must be consistent with the Federal Constitution of 1988, and that contrary to the standards it should be deleted through the control of constitutionality. The problem to be asked refers to the possibility or not, the undo the thing judged unconstitutional, in that it offends the constitutional precepts. For elucidation of the legal debate and a better understanding of the subject, will be held a study of the thing judged, based on their historical evolution to its current design in the Brazilian legal system. Subsequently, it will examine the mechanism of control of constitutionality of laws ahead of a democratic state. Finally, the study focuses on the effects of the thing judged unconstitutional and their possible relativizing, adopting the doctrinaire positions on the environment. Highlights that the intention of presenting the work an approach that brings new and modem understandings on the theme, is to study the effective enforcement of the Federal Constitution, so that the fundamental rights and guarantees are respected.

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INTRODUCAO 9 CAPITULO 1 DA COISA JULGADA 12

1.1 Coisa Julgada como protecao Constitucional 12

1.2 O Principio da Seguranca Juridica 13 1.3 Evolucao historica da coisa julgada 14 1.4 Coisa julgada e sua previsao legal 17

1.4.1 Conceito 17 1.4.2 Fundamento da coisa julgada 18

1.4.3 Natureza juridica 19 1.4.4 Classificacao da Coisa Julgada 19

1.4.5 Regime juridico da coisa julgada 21

1.4.5.1 Limites objetivos 22 1.4.5.2 Limites subjetivos 23 I 1.4.5.3 Modo de producao 24 1.4.6 Efeitos da coisa julgada 25 1.5 Instrumento de revisao da coisa julgada 26

1.6 Relativizacao da coisa julgada 27 CAPITULO 2 DO CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 29

2.1 Principio da Supremacia da Constituicao 30

2.2 Controle de constitucionalidade 31 2.2.1 Sistemas de controle de constitucionalidade 32

2.2.2 Formas de inconstitucionalidade 32 2.2.3 Formas de controle de constitucionalidade 35

2.2.4 Exercicio do controle jurisdicional 36 2.2.4.1 Acao Declaratoria de Inconstitucionalidade 39

2.2.4.2 Acao Declaratoria de Constitucionalidade (ADECON) 41 2.2.4.3 Arguicao de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 41

CAPITULO 3 OS EFEITOS DA INCONSTITUCIONALIDADE N A COISA JULGADA . 43

3.1 Coisa julgada inconstitucional 44 3.2 Os efeitos da inconstitucionalidade na coisa julgada 46

3.2.1 Os efeitos da declaracao de inconstitucionalidade no controle difuso e seus

impactos na coisa julgada material 46 3|2.2 Os efeitos da declaracao de inconstitucionalidade no controle concentrado e seus

impactos na coisa julgada material 48 3.3 Posicoes contrarias a relativizacao da coisa julgada 50

3.4 Posicoes favoraveis a relativizacao da coisa julgada 51 3.5 A coisa julgada frente aos principios Constitucionais 53 3.6 A possibilidade da relativizacao da coisa julgada inconstitucional 54

3.7 Instrumentos de controle da coisa julgada 57

CONSIDERAgOES FINAIS 60

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Nos ultimos anos, um dos temas mais discutidos perante a sociedade juridica e a influencia das decisoes do Supremo Tribunal Federal em controle abstrato e difuso de constitucionalidade sobre sentencas que tenham transitado em julgado, nao possuindo a doutrina e os tribunals uma posicao unissona quanto a esse debate.

E neste contexto que, a pesquisa cientifica que se segue intitulada "Os efeitos da inconstitucionalidade na coisa julgada" abordara o instituto da res iudicata, de modo que veja, sistematicamente, as possibilidades juridicas da relativizacao da coisa julgada inconstitucional.

O objetivo do tema proposto e tentar resolver a gravidade da coisa julgada baseada em lei posteriormente declarada inconstitucional, apresentando uma visao juridica evolutiva capaz de evitar a perpetuidade de ilegalidades e incongruencias, em nome do mito da intangibilidade absoluta da coisa soberanamente julgada.

Tentando angariar embasamento necessario para a elucidacao da controversia, sera adotado o metodo de estudo historico-comparativo e exegetico juridico, na qual serao feitas consultas a doutrinas, jurisprudencias e sites juridicos, sempre no sentido de tentar dirimir a crescente discussao sobre o tema proposto.

Cabe esclarecer, que a controversia doutrinaria baseia-se no fato que o sistema legal brasileiro proclama o principio da Supremacia da Constituicao como norteador do Estado Democratico de Direito, subordinando e vinculando todas as leis ou atos normativos a Constituicao Federal de 1988. A partir disso, vislumbra-se, que nao somente os atos do Legislativo devem ser editados conforme a Carta Magna, mas tambem os atos do Poder Executivo e do Poder Judiciario, sobretudo as decisoes ja transitados em julgado.

E neste ponto, quanto a obrigatoriedade de conformidade das decisoes do Judiciario a Carta Magna, que surgem questionamentos em torno da relativizacao da coisa julgada inconstitucional, ou melhor, da possibilidade de relativizacao da coisa julgada material independentemente do uso da Acao Rescisoria, quando a decisao proclamada pelo juiz for contraria as normas constitucionais.

Tal problema, que se apresenta intimamente ligado ao Principio da Seguranca dos atos jurisdicionais, obviamente atinge a filosofia do direito, configurando uma das principals

questoes juridicas ainda sem solucao ideal. Trata-se precisamente da tensao existente entre o principio do Direito de Justica e o principio da Seguranca Juridica.

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Ve-se ainda, que o debate se sobrepoe com mais louvor, porque o ordenamento juridico preve que a lei desconforme com a Constituicao devera ser expurgada do sistema

legal qualquer que seja o tempo decorrido desde sua entrada em vigor. Sendo assim, e de se indagar que se a lei e atingida pelos efeitos de inconstitucionalidade, porque nao seria a coisa julgada, tendo em vista, que e contraria a Constituicao, desprestigiando os direitos e garantias

fundamentals e o interesse de toda uma sociedade embasada em uma norma suprema.

Ademais, para uma melhor compreensao do tema, o presente trabalho foi estruturado em tres capitulos. No primeiro capitulo estudar-se-a a coisa julgada, partindo-se da sua origem e evolucao historica, para depois analisar seu posicionamento no ordenamento juridico atual, observando o seu conceito, limites e fundamento, regime juridico, natureza, classificacao, suas formas de revisao, a sua ligacao com o Principio da Seguranca Juridica e por fim, verificar-se-a a nova tese da relativizacao da coisa julgada. Percebe-se, que sera feito um estudo pormenorizado da res iudicata levando-se em consideracao a sua importancia na preservacao da certeza juridica.

No capitulo segundo, a pesquisa pautar-se-a no controle de constitucionalidade, analisando o principio da Supremacia da Constituicao, as formas de controle, a competencia do exejrcicio do controle de constitucionalidade, bem como, as acoes cabiveis para controlar os atos desconformes com a Constituicao, preservando sempre, o direito do cidadao e da sociedade consubstanciada na Lei Maior.

No ultimo capitulo analisar-se-a o foco do presente trabalho, ou seja, serao trabalhados os efeitos da inconstitucionalidade na coisa julgada no controle difuso e concentrado, bem como, o conceito de coisa julgada inconstitucional. Comparar-se-a tambem a coisa julgada frente os principios constitucionais, as posicoes contrarias e a favor da relativizacao da coisa julgada desconforme a Constituicao, configurando por doravante, a possibilidade no ordenamento juridico da relativizacao da coisa julgada inconstitucional e os instrumentos processuais de seu controle.

Diante disso, cabe dizer que o presente trabalho nao tern a intencao de esgotar o tema, mas, sim, ao contrario, pretende-se contribuir para o estudo critico da coisa julgada inconstitucional, adotando os posicionamentos doutrinarios mais recentes, instigando dai, para que outros continuem a se debrucar sobre ele. Alem do mais, pretende-se tambem enriquecer o raciocinio juridico e academico que se posiciona na defesa da possibilidade do efetivo cumprimento da Constituicao.

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Em face do exposto, o estudo sera estruturado, com uma coordenada sistematizacao e pragmatismo na exposicao de ideias e contribuira de forma concreta para a area de conhecimento em que se situa.

(14)

O Estado tern como fim ultimo, na prestacao jurisdicional, a resolucao de conflitos de interesses que seus membros levem ao seu conhecimento. A parte leva seu pedido ao Judiciario, o qual decide se e procedente ou nao, colocando fim a situacao litigiosa. Tal decisao deve ser respeitada por todos e visa dar garantia e seguranca para as relacoes entre os membros da coletividade.

Todavia, como o ordenamento brasileiro adota o sistema do duplo grau de jurisdicao, e possivel que essa decisao seja reexaminada e modificada por um orgao superior. A parte inconformada pode requerer este exame por meio de recurso, que e um remedio voluntario, que visa a reforma, invalidacao, o esclarecimento ou integracao de decisao judicial. Ate aqui, pode-se falar que a decisao ainda podera ser alterada, levando em consideracao que ainda nao foi dada uma decisao definitiva ao caso.

Apos chegar ao termino do processo e com fim de alcancar uma solucao imutavel sobre a lide, conferindo forca e seguranca a decisao, surge o instituto da coisa julgada, que nada mais e, do que a solucao definitiva dada ao litigio, tornando-o material e formalmente imodificavel.

O insigne doutrinador, Wambier (2006, p.501), destaca que "se algo pode dizer a respeito da coisa julgada e que se trata de instituto ligado ao fim do processo e a imutabilidade daquilo que tenha sido decidido".

Assim, a coisa julgada e um instituto que visa dar firmeza a tutela jurisdicional, tendo como objetivo, apos ser esgotado ou nao utilizado os recursos previstos em lei, dar-se como encerrado o debate, colocando a decisao como perpetua para garantir estabilidade e seguranca ao ordenamento juridico.

1.1 Coisa Julgada como protecao Constitucional

I

A res iudicata e a autoridade que cria para o juiz um impedimento de proferir nova decisao sobre materia em que tenha se verificado a resolucao da lide. Esta prevista na Carta Magna, no art. 5°, inciso X X X V I , que dispoe que a lei nao prejudicara o direito adquirido, o ato juridico perfeito e a coisa julgada.

(15)

Em essentia, o que ai se veda e a retroatividade da lei, isto e, lei posterior que passe a reger fatos passados. Entretanto, a protecao constitutional da coisa julgada nao impede que a lei preordene regras para a sua rescisao mediante atividade jurisdicional.

Nesse sentido, Silva (2003, p.435) ao dispor sobre este principio preleciona que:

A Constituicao ao dizer que a lei nao prejudicara a coisa julgada, quer-se tutelar esta contra a atuacao direta do legislador, contra ataque direto de lei. A lei nao pode desfazer (rescindir ou anular ou tornar ineficaz) a coisa julgada. Mas pode prever licitamente, como fez o art. 485 do Codigo de Processo Civil, sua rescindibilidade por meio da acao rescisoria.

A acao rescisoria, como acao autonoma de impugnacao da decisao de merito transitado em julgado, nao ofende a Constituicao, pois nao ha retroatividade quando se rescinde sentenca, proferindo-se novo julgamento, com base na mesma legislacao existente ao tempo da sentenca rescindida.

Ademais, apesar do status constitutional que a coisa julgada possui, cabe ao legislador infraconstitucional tracar o seu perfil dogmatico, onde se pode da como exemplo a Lei de Introducao do Codigo Civil, art. 6°, §3°, na qual define que a coisa julgada ou caso julgado e a decisao judicial de que ja nao caiba recurso.

1.2 O Principio da Seguranca Juridica

O Principio da Seguranca Juridica nao e expresso na Constituicao Federal de 1988, este e decorrencia logica do Estado de direito, pois so podera haver Direito onde houver Seguranca Juridica, que e complementado pelo principio da legalidade, pela garantia a coisa julgada, ao direito adquirido e ao ato juridico perfeito, isto e, pelo principio da irretroatividade

da lei.

A seguranca juridica e a essentia do direito, haja vista, que se uma norma cria Direito ou se uma sentenca declara direitos, devem ambos ser protegidos e seguros de qualquer ataque, como forma de evitar surpresas nas relacoes entre particulares e entre eles e o Poder Publico. Este principio faz parte do corpo de toda sociedade democratica, tendo em consideracao que e primordial para a estabilidade da convivencia social.

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Aqui, destaque-se Canotilho (1991, p. 105):

0 homem necessita de seguranca para conduzir, planificar e conformar autonoma e responsavelmente a sua vida. Por isso, desde cedo se consideram os principios da seguranca juridica e da protecao da confianca com elementos constitutivos do Estado de direito.

' Sobre o principio da seguranca juridica, ainda, elucida Silva (2003, p. 431):

A seguranca juridica consiste no "conjunto de condicoes que tornam possivel as pessoas o conhecimento antecipado e reflexivo das consequencias diretas de seus atos e de seus fatos a luz da liberdade reconhecida'. Uma importante condicao da seguranca juridica esta na relativa certeza de que os individuos tern de que as relacdes realizadas sob o imperio de uma norma de perdurar ainda quando tal norma seja substituida.

Diante disso, percebe-se que a importancia do principio da Seguranca Juridica esta na confianca que a sociedade deposita no Direito, de que naquele determinado momento as regras sao aquelas e nada podera modifica-las, tendo em vista todo um conjunto de acoes que sob ela se fundaram. Se assim nao fosse, o estado de inseguranca reduziria absurdamente a forma^ao de uma ideia acerca da liberdade, ja que poderia haver mudancas repentinas e inesperadas nas normas que regulavam um fato.

1.3 Evolucao historica da coisa julgada

Antes de fazer um estudo peculiar do instituto da coisa julgada, faz-se necessario estabelecer paradigmas historicos, a fim de saber sua evolucao durante os tempos remotos, para sua consubstanciacao e implementacao atualmente.

Primeiramente deve-se falar da coisa julgada no Direito Romano, onde sucederam tres sistemas de processos: legis actiones, processo formular e o da extraordinaria cognicio.

(17)

i O sistema da legis actiones representa o ponto inicial, cujos tracos se encontram na

Lei das X I I Tabuas. Tal sistema e marcado por um extremado formalismo, uma vez que segue a rituais imutaveis e a palavras solenes.

A legis actiones, e dividido por duas fases, a primeira perante o magistrado, que e o orgao publico (fase no tribunal, in iure), e a segunda perante o juiz popular ou o iudex (fase

apud iudicem, in iudicio), que e indicado pelo juiz ou pelas partes, na qual devera proferir a

sentenca.

Nessa primeira fase o magistrado fixava o litigio que deveria ser objeto de decisao pelo juiz popular, firmando o ato solene conhecido de litis contestatio, que nada mais e, do que o momento de exaurimento do exercicio da determinada legis actio, asseverando que o mesmo direito nao podia ir mais ao Juizo, mesmo que ainda nao julgado pelo juiz privado escolhido pelas partes. E nesse ponto que se presencia os pontos historicos da coisa julgada.

Com a expansao mediterranea de Roma e os problemas que surgiram com o avanco do corhercio international que intensificaram os litigios entre os romanos e os estrangeiros, surgiu o processo formular, desregrado de menos formalismo que o processo anterior.

Este processo tambem segue duas fases, a primeira perante o magistrado (pretor-orgao estatal), que apos ouvir as partes, nomeara um juiz popular e a redacao da formula e, por fim, celebrara a litis contestatio, que e um contrato judicial na qual o autor e o reu concordavam em submeter o litigio ao juiz popular, sob os termos da formula; a segunda fase e realizado perante o juiz popular, que perante as provas apresentadas, tern o poder de absolver ou condenar o reu, segundo os limites tracados pela formula. Neste sistema a sentenca prolatada pelo juiz particular, pode representar a coisa julgada, justamente porque o referido juiz adquiriu o poder de comando outorgado pela formula definida pelo pretor.

Posteriormente, surgiu em Roma um novo sistema processual denominado cognitio

extra ordinem, deixando de lado as regras impostas pela antiga ordo (a ordo judiciorum privatorum), ou seja, nao ocorrendo mais a separacao do processo em duas fases, tendo agora

apenas um unico julgador, o orgao publico.

O processo romano nesta epoca, tern na figura do magistrado o titular do poder dever de examinar as provas produzidas pelas partes e proferir a sentenca, tornando-a pela primeira vez na historia um ato exclusivo do juiz, nao tendo, por conseguinte, mais carater arbitral (privado), mas sim expressao de vontade soberana, bem como, devemos dizer que a sentenca a partir deste momento podera tambem ser reexaminada por orgao superior, separando assim a coisa julgada da sentenca.

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Com a derrocada do Imperio Romano, se ganha relevo o estudo da legislacao visigotica, onde, encontravam-se nos codigos visigodos forte influencia das leis romanas, na qual, na parte relativa aos juizes e a sentenca, existem textos que poe em relevo a autoridade da coisa julgada e a proibicao do no bis idem.

Neste periodo, os juristas identificavam a autoridade da coisa julgada na presuncao de verdade contida na sentenca, onde apos passada em julgada equiparava-se a verdade, transfdrmando-se em lei para os litigantes. Cabe frisar, que a maioria das aspiracoes doutrinaria revela o fundo romano, com relevante destaque para A Glossa Ordindria ou

Magna Glossa elaborada por Accursio.

Alvim (apud MACHADO, 2005, p. 16) leciona que a presuncao de verdade da sentenca pelos glossadores, traduzia-se na seguinte frase: " A coisa julgada faz do branco preto; origina e cria coisas; transforma o quadrado em redondo; altera os lacos de sangue e transforma o falso em verdadeiro".

No direito moderno, a coisa julgada continuou como debate entre os juristas, onde podemos citar o magisterio de Savigny {apud MACHADO, 2005) na qual o estudo referente a esse mestre chega a ser considerado o marco divisor entre a velha e a nova doutrina. O mesmo tachou a incerteza dos direitos como um perigo imenso que deveria ser afastado pela forca legal da sentenca, que outra coisa nao e do que a ficcao da verdade, na qual a sentenca passada em julgada e garantida contra qualquer tentativa futura de impugnacao.

' No inicio do seculo X X , surge o mestre Chiovenda ( A L V I M apud MACHADO, 2005) a respeito da coisa julgada em suas obras Principii di Dirittoo Processuale Civile e

Istituzione di Diritto Processuale Civi, vislumbrando que a res iudicata e emanada na vontade

do Estado, que se expressa atraves da aplicacao, pelo juiz, da vontade da Lei no caso concreto. Assim, sendo a sentenca um ato de vontade do Estado, a coisa julgada seria a autoridade do Estado sobre a norma concretizada da sentenca.

A posteriori, vem Carnelutti (apud MACHADO, 2005) asseverar que a coisa julgada ou autoridade da sentenca nada mais seria do que a imperatividade da decisao e alcancaria tanto o ato quanto o efeito de decidir, sendo que, a producao dos efeitos da sentenca ocorreria antes mesmo do transito em julgado.

Por fim, temos a teoria de Liebman (1981), que seguiu os passos de Chiovenda, mas com uma abrangencia maior, definindo acerca da coisa julgada como uma qualidade da sentenca e nao como um dos seus efeitos, distinguindo entao a eficacia juridica da sentenca da autoridade da coisa julgada.

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Para seus seguidores Liebman propoe que a coisa julgada seria uma qualidade dos efeitos da decisao, em suas precisas palavras, depreende-se mais, que seria uma qualidade nao so dos efeitos como do conteudo da decisao. O ordenamento brasileiro adota esta ultima teoria, considerando a coisa julgada como uma qualidade dos efeitos da sentenca.

1.4 Coisa julgada e sua previsao legal

Neste topico sera debatido acerca do instituto processual da coisa julgada frente a sua previsao legal, detalhando a sua finalidade em face dos interesses sociais, a sua natureza juridica, a classificacao, os seus efeitos e regime juridico.

1.4.1 Conceito

No sistema do ordenamento juridico brasileiro, o juiz ao proferir a sentenca configurara a esta apenas uma resolucao de uma situacao juridica, na medida em que as partes podem ainda adentrar com recurso, seja para reformar parcialmente ou totalmente a decisao. Apenas no momento em que a sentenca nao esta mais suscetivel de recurso ou quando ja estiver decido todos os atos impugnados no mesmo, e que teremos o transito em julgado da sentenca e consequentemente a coisa julgada, passando a ser conhecida pela ordem juridica como a emanacao da vontade da Lei.

Machado (2005, p. 50), referindo-se a coisa julgada e especificamente ao transito em Julgado, estabelece que:

Diz-se. entao, que a sentenca tera for?a de lei entre as partes, 'nos limites da lide e das questoes decididas' (Codigo de Processo Civil, artigo 468), sendo que, contra seu conteudo logico-juridico nao poderao reagir nem os tribunals, proibidos estarao de decidir novamente a mesma lide (CPC, artigo 471), nem os legisladores, impedidos estao de legislar, retroativamente, em prejuizo da res iudicata (Constituicao, artigo 5°, inciso X X X V I ) .

(20)

Cabe frisar, que o Codigo de Processo Civil, no art. 301, § 1° e 3°, trouxe a positivacao do instituto, definindo que a coisa julgada ocorre quando se repete acao que ja foi decidida por sentenca e que ja nao caiba recurso.

Diante disso, percebe-se que a coisa julgada e aquela sentenca que ja nao e suscetivel de reformulacao, tendo em vista que a lei nao concede mais recurso, e cuja finalidade e concretizar estabilidade e seguranca as relacoes juridicas.

1.4.2 Fundamento da coisa julgada

O Fundamento da coisa julgada tenta definir o porque da existencia da res iudicata, a funcao essencial da mesma para com a sociedade e a sua importancia para o ordenamento juridico.

Ressalte-se as palavras do professor Teodoro Junior (2005, p.486), que retrata o objetivo do legislador ao instituir a coisa julgada:

i

Ao instituir a Coisa Julgada, o legislador nao tern nenhuma preocupacao de valorar a sentenca diante dos fatos (verdade) ou dos direitos (justi^a). Impele-o tao-somente uma exigencia de ordem pratica, quase banal, mais imperiosa, de nao mais permitir que se volte a discutir acerca das questoes ja soberanamente decididas pelo Poder Judiciario. Apenas a preocupacao de seguranca nas relacoes juridicas e de paz na convivencia social e que explicam a res iudicata.

Assim, a coisa julgada tern como fundamento precipuo, a estabilidade e seguranca das relacoes juridicas, fazendo com que, nao haja uma perpetuacao dos litigios, tendo em vista a paz social e a manutencao da ordem juridica.

Cabe frisar, que o fundamento da ordem juridica da coisa julgada nao possui um entendimento unilateral na doutrina, havendo varias teorias a respeito, entre elas pode-se catalogar: aquela que acha que o fundamento da coisa julgada se da com o argumento da tese de que a sentenca termina numa presuncao de verdade; outra vertente acha que a coisa julgada tern cdmo fundamento a extincao da obrigacao jurisdicional; e por fim, tem-se a teoria que fundamenta a coisa julgada como um direito novo, criado na sentenca, e que possui forca de lei.

(21)

Ressalte-se, entretanto, que a maioria da doutrina, bem como, o Codigo de Processo Civil Patrio, segue a teoria de Liebman (1981), na qual retrata que a coisa julgada e uma qualidade especial do julgado, que reforca sua eficacia atraves da imutabilidade conferida ao conteudo da sentenca como ato processual, formando a coisa julgada formal, e na imutabilidade dos seus efeitos, formando a coisa julgada material.

1.4.3 Natureza juridica

I Na doutrina brasileira, a coisa julgada possui duas acepcoes acerca da natureza juridica. A primeira posicao considera que a coisa julgada tern natureza processual, tendo em

mira, que a mesma se da no piano do processo, alem do mais, observa-se que este instituto e uma qualidade dos efeitos da sentenca, aonde, esta ultima, e julgada processualmente. Entre os processualistas que defendem esta tese, cite-se: Daniel Carneiro Machado, Celso Neves e Frederico Marques.

Diferentemente da primeira, a segunda posicao defende a ideia que a coisa julgada e o direito material estabelecido pelos efeitos da sentenca de merito Esta teoria e a substancialista, onde os mestres que a proclamam sao os elencados a seguir: Rosemiro Pereira Leal, Fabiano Holz Beserra, entre outros.

Vale dizer, que a grande parte da doutrina e o Codigo de Processo Civil patrio, seguem a primeira posicao, na medida em que a coisa julgada e uma qualidade dos efeitos da sentenca, seguindo claramente a teoria de Liebman (1981).

1.4.4 Classificacao da Coisa Julgada

O Codigo Processual Civil no decorrer da sua sistematizacao divide a coisa julgada em formal e material, levando-se em consideracao os seus efeitos para alem do processo. A coisa julgada formal ocorre quando nao se pode discutir no processo o que ja se decidiu, alem do mais, deve-se dizer que a sentenca prolatada pelo juiz apenas irradia seus efeitos dentro da relacao processual em foi proferida, decorrendo isto na imutabilidade pela impossibilidade de interposicao de recursos.

(22)

Ademais, a coisa julgada formal nao impede que o objeto do julgamento volte a ser discutido em outra demanda, haja vista que atua apenas dentro da relacao processual (relacao endoprocessual) em que a decisao terminativa foi proclamada.

' Didier Jr. (2007, p. 479), define a coisa julgada formal da seguinte forma:

A coisa julgada formal e a imutabilidade da decisao judicial dentro do processo em que foi proferida. porquanto nao possa mais ser impugnada por recurso - seja pelo esgotamento das vias recursais, seja pela perda do prazo do recurso cabivel. Trata-se de fenomeno endoprocessual, decorrente da irrecorribilidade da decisao judicial. Revela-se na verdade, uma especie de preclusao, constituindo-se na perda do poder de impugnar a decisao judicial no processo em foi proferida. Seria a preclusao maxima dentro um processo jurisdicional. Tambem chamada de transito em julgado.

Por conseguinte, nas palavras de Nunes (2004, p.276), a coisa julgada formal mostra sua incidencia quando:

Ocorre o transito em julgado da sentenca terminativa.

Torna imutavel e indiscutivel o que foi decidido na sentenca, ou seja, o encerramento da relacao processual.

Nao tern qualquer repercussao no direito material controvertido, de forma que ele pode ser discutido em outro processo.

Percebe-se que a coisa julgada formal ocorre quando preclui o poder de impugnar a decisao judicial que foi proferida, fazendo com que a decisao se torne imutavel dentro do processo, todavia, nao impede que a parte entre com uma nova acao para garantir o seu direito.

Ja em relacao a coisa julgada material, esta ocorrera quando o juiz ao proferir uma sentenca, acolhendo parcialmente ou totalmente o pedido, estiver solucionando a pendencia em determinado processo. Sendo assim, a partir do momento que a sentenca nao mais se sujeita a Recurso Ordinario ou Extraordinario para impugnar o fato resolvido, passa-se a ter autoridade de coisa julgada, nao podendo as partes bater as portas do judiciario para resolver novamente o litigio, haja vista que a decisao emanada ja se tornou imutavel e com forca de Lei para ambos os litigantes.

(23)

A coisa julgada material tern efeito endo/extraprocessual, a contento que a imutabilidade dada no processo tern reflexos, tambem, para fora do mesmo, impedindo com isso, a renovacao da lide em outros processos.

A res iudicata nesse caso so diz respeito ao julgamento da lide, ou seja, quando o juiz emana uma decisao de merito solucionando o conflito de interesses estabelecidos entre as partes. Assim sendo, apenas as sentencas definitivas produzem a eficacia material da coisa julgada, deixando a sentencas terminativas com o efeito endoprocessual da coisa julgada

formal.

Didier Jr. (2006, p.479) registra que:

I

A coisa material e a indiscutibilidade da decisao judicial no processo em que foi produzida e em qualquer outro. Imutabilidade que se opera dentro e fora do processo. A decisao judicial (em seu dispositivo) cristaliza-se, tornando-se inalteravel. Trata-se de fenomeno com eficacia endo/extraprocessual.

Perceba-se, contudo, que a coisa julgada formal e um degrau necessario, para que se forme a coisa julgada material. Em outros termos, a coisa julgada material tern como pressuposto a coisa julgada formal.

Ainda cabe elucidar a explicacao dada por Marinone (2006, p.636) sobre como se manifesta a coisa julgada:

Como fixacao da lei no caso concreto que e, a coisa julgada somente se manifesta em relacao as sentencas definitivas, ou seja, em relacao as sentencas que efetivamente examinam o pedido do autos, acolhendo-o ou rejeitando-o. Somente essa sentenca certifica e estabelece a vontade concreta do direito em face do caso concreto. Nao se produz, portanto, coisa julgada material sobre as sentencas meramente terminativas, nem sobre as sentencas homologatorias.

Diante disso, merece oportuna razao, que a coisa julgada material e a verdadeira res

iudicata, tendo em vista, que aqui realmente importa e constitui verdadeiramente, o ambito de

relevancia da coisa julgada.

1.4.5 Regime juridico da coisa julgada

(24)

I Para que a coisa julgada tenha caracteristicas proprias, formando um perfil so seu, e imprescindivel que exista normas juridicas que a estruturem e a delimitem. Estas normas formam o regime juridico da coisa julgada, na qual e analisado sobre tres dados, os limites objetivos, os limites subjetivos e o modo de producao.

1.4.5.1 Limites objetivos

O juiz ao prolatar uma sentenca, esta resolvendo um litigio entre as partes conflituosas, fazendo com que, a decisao dada a lide se torne lei nos limites das questoes decididas. Cabe frisar, que a sentenca estar limitada ao pedido feito pela parte autora, tendo em mira, que conforme o artigo 128 do CPC, o juiz decidira o litigio nos limites em que foi proposto, sendo-lhe defeso conhecer de questoes, nao suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa das partes.

Ademais, o nosso Codigo Processual Civil, limitando objetivamente mais ainda a coisa julgada, especifica no art. 469 que os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentenca, a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentenca e a apreciacao da questao prejudicial, decidida incidentemente no processo nao fazem coisa julgada.

Isto posto, deve-se concluir que a sentenca so podera ser estabelecida nos limites das questoes consignadas pelas partes, sendo que, apenas a decisao de merito emanada na parte dispositiva e que tera autoridade de coisa julgada, formando com isso a lei no caso concreto. Desta feita, considera-se que nao podera adentrar novamente com acao perante o Judiciario que obtenha o mesmo pedido e causa de pedir ja decidido.

Santos (1998, p.62) preleciona como os limites da coisa julgada se encontram:

i

Na conclusao da sentenca, no seu dispositivo, o pronunciamento do juiz sobre o pedido, acolhendo-o ou rejeitando-o. Esse pronunciamento, que consiste num comando acolhendo ou rejeitando o pedido, e, pois, atribuindo ou nao ao autor o bem pretendido, e que se toma lirme e imutavel por forca da coisa julgada. A sentenca se prende ao pedido e ao pedido se liga a coisa julgada que da sentenca dimana.

(25)

Corroborando com o entendimento dos doutrinadores, pode-se dizer que objetivamente a coisa julgada apenas refere-se ao dispositivo da sentenca, pois os fundamentos nao estao inseridos no comando estatal que julga procedente ou improcedente o pedido.

1.4.5.2 Limites subjetivos

Os limites subjetivos tern como escopo averiguar quern incide na autoridade da coisa julgada, estabelecendo os sujeitos que ficam a merce da imutabilidade do comando contido na

sentenca.

O Codigo de Processo Civil patrio, no seu artigo 472, estabelece que a sentenca faz coisa julgada as partes entre as quais e dada, nao beneficiando nem prejudicando terceiros. Este artigo citado foi inspirado nos principios da Ampla Defesa e do Contraditorio, haja vista, que ninguem sera atingido pelos efeitos de uma decisao, sem que lhe tenha sido garantido o acesso a justica.

O Codigo de Processo Civil quis estabelecer a coisa julgada inter partes, que e aquela que so se impoe para aqueles que figuraram no processo como parte. Contudo, como toda r^gra tern sua excecao, nao se pode deixar de citar a coisa julgada ultra partes e a erga

omnes.

A coisa julgada ultra partes acontece quando os efeitos da coisa julgada atingem tambem terceiros, pessoas estas que nao participaram do processo. Nesse contexto, tem-se o caso do substituto processual que tera sua esfera de direitos alcancada pelos efeitos da coisa julgada; o legitimado concorrente que tambem sera atingido pela imutabilidade da res

iudicata; a decisao emanada a favor de um credor solidario, na qual tera efeitos aos demais

solidarios; e por ultimo, subsiste a coisa julgada ultra partes nas acoes coletivas em sentido estrito, na qual a decisao emana seu efeito para toda classe, categoria e grupo.

Ja a coisa julgada erga omnes, tern como fim, expandir os seus efeitos para todos os jurisdicionados. Podemos dar como exemplo as acoes coletivas que versem sobre direitos difusos ou individuals homogeneos, as acoes de controle concentrado de constitucionalidade, dentre outras acoes.

(26)

Sobre os limites subjetivos da coisa julgada, pode-se elencar o pensamento de Lima (1997, p. 15), que define bem esse limite correlacionado:

Com limite subjetivo da coisa julgada sequer denota a definicao dos atingidos pela coisa julgada, ai incluindo o estudo da possibilidade de a sentenca produzir efeitos num universo de individuos maior do que daqueles atingidos pelas demais eficacias da sentenca, ou seja, limite subjetivo da coisa julgada e a definicao das pessoas que se submetem a imutabilidade do comando inserido na sentenca, bem assim das pessoas que sofrem qualquer laivo de eficacia decorrente de decisao.

Cabe mencionar ainda, que no litisconsorcio necessario, a todos os interessados a sentenca devera produzir a coisa julgada, levando em consideracao que por lei ou pela natureza da relacao juridica e obrigatorio a participacao destes na mesma acao processual.

i

1.4.5.3 Modo de producao

A res iudicata passara a existir a partir de um determinado momento que se forma na relacao juridica processual por diferentes tipos. Podemos citar em principio a coisa julgada

pro et contra, onde e aquela que se forma independentemente do resultado do processo, do

teor da decisao proferida. Este modo de producao e a regra do Codigo Processual Civil patrio. Deve-se colacionar tambem a coisa julgada secundum eventum litis, que e aquela que somente e produzida quando a demanda for julgada procedente, podendo, por conseguinte, quando for improcedente, ser reproposta, pois a acao nao produzira coisa julgada material. Neste caso, dar-se como exemplo a coisa julgada formada em acao coletiva que verse sobre direitos individuals homogeneos.

Cite-se tambem, a coisa julgada secundum eventum probationis sendo aquela que so se forma em caso de esgotamento das provas, ou seja, a coisa julgada so se da se exaurido todos os meios de prova. E o caso das acoes coletivas que versem sobre direitos difusos ou direitos coletivos em sentido estrito, acao popular e o mandado de seguranca individual ou coletivo.

(27)

1.4.6 Efeitos da coisa julgada

Ao ser declarada a coisa julgada, esta irradiara efeitos para as relacoes juridicas, vinculando as partes ao conteudo decisorio emanado pelo juiz. Estes efeitos podem ser positivo, negativo ou preclusivo.

Cabe dizer, primeiramente, que quando prolatada uma sentenca, seja procedente ou improcedente, estar-se-a decidindo um litigio que as partes motivaram o judiciario para ver-se resolvido. Uma vez emanada esta decisao, sera estabelecido a coisa julgada, que tera como objetivo dar certeza as relacdes juridicas, vinculando com plenitude as partes e o juiz.

A coisa julgada e caracterizada por dois pontos fundamentals: a priori, vincula definitivamente as partes; a posteriori, impede que as partes e juiz restabelecam a mesma controversia do processo encerrado. Tendo isso em vista pode-se concluir que a res iudicata irradia efeitos negativo e positivo.

Partindo do que foi exposto, percebe-se que o efeito negativo e aquele que exclui a possibilidade de reproposicao da acao exaurida pelo extinto processo. Nao obstante, temos que o efeito positivo e aquele que impoe as partes e o juiz obediencia ao caso julgado.

Didier Jr. (2006, p. 493) ao falar dos efeitos da coisa julgada, define que o efeito positivo e o negativo partem da seguinte ideia:

(

O efeito negativo da coisa julgada impede que a questao principal ja definitivamente decidida seja novamente julgada como questao principal em outro processo. O efeito positivo determina que a questao principal ja definitivamente decidida e transitada em julgado, uma vez retomado ao judiciario como questao incidental, nao possa ser decidida de modo distinto como foi no processo anterior, em que foi questao principal.

0 efeito positivo da coisa julgada gera, portanto, a vinculacao do julgador de outra causa ao quanto decidido na causa em a coisa julgada foi produzida.

Assim, para que a coisa julgada ao ser formada tenha eficacia e eficiencia, e necessario que irradie efeitos, para poder vincular as partes ao caso julgado, impossibilitando a apreciacao novamente pela via judiciaria. Logo, os efeitos positivos e negativos tern como fim ultimo garantir a efetivacao e execucao da res iudicata.

I Quanto ao efeito preclusivo da coisa julgada, previsto no artigo 474 do Codigo de Processo Civil, razao assiste dizer que e a perda do poder de propor argumentos e provas que

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as partes tinham a alegar ou produzir em favor de sua tese, apos ser formada a coisa julgada. Expoe que confirmada que passada em julgado a sentenca de merito, reputam-se deduzidas e repelidas todas as alegacoes e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como rejeicao do pedido.

Sendo assim, a eficacia preclusiva da coisa julgada significa a perda do tempo, com o transito em julgado, pelas partes, de propor novos argumentos para a discussao do litigio no processo.

Verifica-se, tendo em consideracao a corrente majoritaria, que a eficacia preclusiva so atinge argumento e provas que sirvam para embasar a causa petendi deduzida pelo autor. Desta feita, afirma-se ser possivel propor nova acao deduzindo o mesmo pedido, desde que fundado em nova causa de pedir.

| Diante disso, deve-se embasar que a segunda acao proposta e uma acao diferente, pois foi mudado um dos seus elementos identificadores que foi a causa de pedir. Assim sendo, o Judiciario tera que examinar e julgar a nova acao, sob pena de causar ofensa ao direito Constitutional de acao, do Devido Processo Legal e do Contraditorio.

Didier Jr. (2007, p. 494), afirma que com a formacao da coisa julgada preclui:

A possibilidade de rediscussao de todos os argumentos, alegacoes e defesas, que poderiam ter sido suscitadas, mas nao foram. A coisa julgada torna preclusa a possibilidade de discutir o deduzido e torna irrelevante suscitar o que poderia ter sido deduzido (o dedutivel) (...) A objecao da coisa julgada so pode ser invocada, no caso de uma acao identica - com mesmo objeto litigioso - aquela pendente ja ter sido decidida por sentenca passada em julgado, sob pena de privar o cidadao do seu direito constitucional de acao e a um processo devido.

| Ve-se que o efeito preclusivo da coisa julgada ocorre para que nao se tenha um julgamento interminavel, onde as partes podem argumentar novas provas o tempo todo, obstaculizando a execucao da decisao. Porem, essa objecao so podera ocorrer em caso de acao identica, pois se a acao contem alguma questao diferente devera ser apreciada, sob pena de ofender os principios constitutionals ja citados.

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O Codigo de Processo Civil patrio permite que a coisa julgada material seja desconstituida e tenha uma nova reapreciacao do seu merito por meio da acao rescisoria, que nada mais e, do que uma acao de competencia originaria dos Tribunals por meio da qual se pede a rescisao da sentenca de merito transitado em julgado.

I O fundamento essencial da citada acao e a necessidade de reparar injusticas contidas em decisoes transitados em julgado e prover a reestabilizacao das relacoes juridicas. Para ser proposta deve estar presente uma das hipoteses de cabimento do art. 485 do CPC, respeitando-se o prazo decadencial de 02 (dois) anos, cujo termo inicial e a data do transito em julgado.

Cabe frisar, que com a reforma do processo de execucao surgiu a querela nulitatis, que e um meio de rescisao da sentenca de merito transitado em julgado em que se funda a execucao, independentemente de acao rescisoria. Essa impugnacao deve ser emanada por vicios transrescisorios, que existem quando: a decisao for proferida em desfavor do reu em processo que correu a sua revelia por falta ou nulidade da citacao, conforme dispoe o art. 475-L, I , e art. 741, I , do Codigo de Processo Civil patrio. Esta acao e diferente da rescisoria por referir-se a hipoteses de cabimento mais restritas e por ser imprescritivel.

Deve-se citar tambem a revisao da coisa julgada baseada em sentenca inconstitucional, por previsao no art. 475-L, §1° e art. 741, § unico, do CPC, que proclama a inexigibilidade de titulo judicial fundado em lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo STF, ou fundado em aplicacao ou interpretacao da lei ou ato normativo tidas pelo STF como incompativeis com a nossa Carta Magna. O Codigo Processual Civil brasileiro nao designou um prazo, contudo utiliza-se o de decadencial de dois anos da rescisoria.

Alem das hipoteses ja mencionadas, tem-se tambem o caso de rescisao da sentenca por erro material, que ocorre quando ha um equivoco manifesto na forma de expressao do julgamento, jamais no conteudo na sentenca. O juiz, em conformidade com o art. 463, I , do CPC, podera alterar a sentenca a qualquer tempo, baseado em erro material, como ocorre nos erros de calculo ou na datilografia.

1.6 Relativizacao da coisa julgada

Em busca pela primazia da justica, alguns renomados juristas vem defendendo uma nova disciplina no tratamento da coisa julgada, no sentido de propor limites a imutabilidade

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dos efeitos do julgado. Os mesmos defendem a rediscussao do que foi afirmado pela sentenca transitado em julgado, argumentando que a indiscutibilidade da res iudicata nao pode preyalecer sobre a realidade, e por isso dever ser possivel rever a conclusao formada.

A tese e a da relativizacao da coisa julgada, que seria uma forma de rediscussao de uma acao que outrora foi solucionada, ou seja, de uma forma que foi decidido o litigio.

No entanto, apesar de ser um tema novo e bastante estudado pelos juristas, nao existe um ponto pacifico, ocorrendo varias divergencias a cerca do tema, ate mesmo nas decisoes dos Tribunals, tendo em mira, que a relativizacao possui dois pontos antagonicos, tal seja o principio da Seguranca Juridica e do outro lado a Justica Social.

Necessario se faz esclarecer que o Codigo de Processo Civil nao elencou a relativizacao da coisa julgada, dispondo expressamente apenas a Acao Rescisoria com prazo decadencial e outras formas de rescisao mencionadas anteriormente.

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O Estado Democratico de Direito tern como objetivo assegurar a igualdade entre todos os homens, bem como, garantir a construcao de uma sociedade livre, justa e solidaria. Significando assim, nao apenas impor a submissao de todos ao imperio da lei, mas configurar um Estado promotor de justica social.

O principio da legalidade e tambem um principio basilar do Estado Democratico de DireitQ, tendo em mira, que o Estado deve sujeitar-se ao imperio da lei, que propague os valores da justica, igualdade, liberdade, dignidade, moralidade, entre outros valores. A lei e ato oficial de maior realce na vida politica, pois e emanada da atuacao da vontade popular em que o poder estatal propicia ao viver social modos predeterminados de conduta.

O ponto de partida para a consagracao normativa desses valores e a Constituicao, conjunto de normas supremas e originarias do Estado do qual derivam todas as demais. A Carta Soberana do Estado preordena regras quanto a formacao dos direitos politicos, forma de govemo, aquisicao e limitacao do poder de governar, determinando competencias, direitos, garantias e deveres aos cidadaos.

A Constituicao Federal de 1988 nasceu no sentido de formar uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceito, embasada em um Estado Democratico de Direito, em que o poder emana do povo, e deve ser exercido em proveito do povo, diretamente ou por meio de representante eleitos, que o exercem atraves do Executivo e Legislative

| Cabe esclarecer, que nao foi possivel tratar na Constituicao brasileira de todas as areas existentes no direito, sendo necessario, que os representantes eleitos, elaborem normas infraconstitucionais, respeitando sempre a Lei maior.

Percebe-se assim, que e necessario impor limites a esse poder discricionario dos governantes, dispondo de mecanismos para que o cidadao se proteja de leis criadas de forma contraria as normas constitucionais. Existem dois principios que norteiam este obice, sendo eles o principio da Supremacia da Constituicao e o Controle de Constitucionalidade.

Novelino (2007, p.279), ao dispor sobre estes principios na manutencao da ordem constitucional estabelece que:

A manutencao da supremacia exige uma fiscalizacao por parte de determinados orgaos, e a existencia de mecanismos aptos a invalidar os atos infraconstitucionais que nao se conformarem aos comandos da Lei maior. O controle de

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constitucionalidade consiste no conjunto de instruments criados com o objetivo de assegurar a supremacia da constituicao.

I

E interessante ressaltar que controlar a constitucionalidade e ato normativo significa impedir a subsistencia da norma contraria a Constituicao e a conferencia de eficacia plena a todos os preceitos constitutionals.

2.1 Principio da Supremacia da Constituicao

A Constituicao e tida como a norma suprema de um Estado, pois e nela que se busca a validade das normas existentes no sistema juridico. E clarividente que se uma norma tiver validade, e porque foi produzida em concordancia dos ditames da norma superior, que representa seu fundamento essential.

O principio da Supremacia da Constituicao insere a Lei maior no vertice do sistema juridico do pais, uma vez que a mesma preve normas fundamentals de um Estado, norteando

assim sua superioridade em relacao as demais normas juridicas. Segundo Silva (2003, p.47):

O principio da supremacia da constituicao resulta o da compatibilidade veitical das normas da ordenacao juridica de um pais, no sentido de que as normas de grau inferior somente valerao se forem compativeis com as normas de grau superior, que e a constituicao. As que nao forem compativeis com ela sao invalidas, pois a incompatibilidade vertical resolve-se em favor das normas de grau mais elevado. que funcionam como fundamento da validade das inferiores.

Esta superioridade Constitutional constitui uma garantia de liberdade e dignidade do individuo, levando-se em consideracao que obriga a enquadrar os atos normativos as regras prescritas na Constituicao.

Faz-se mister esclarecer, que devido a essa qualidade especial da Carta Soberana, como tambem a necessidade de da seguranca aos cidadaos, e que o poder constituinte originario a qualifica com rigidez, ou seja, para que ocorra alteracao na Constituicao e preciso passar por uma maior dificuldade do que as outras normas.

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Ferrari (2004, p.62) elucida que:

Dessa rigidez e que decorre, como primeira conseqiiencia, a supremacia constitucional, consistindo na mais eficaz garantia da liberdade do individuo, ja que, como norma suprema, confere validade ao sistema juridico e legitimidade aos poderes estatais, que so podem atuar dentro da competencia por ela conferida.

Diante disso, pode-se observar que o principio da Supremacia da Constituicao conferp autoridade e rigidez a Lei maior, porque, principalmente, toda estrutura governamental e os direitos fundamentals do cidadao estao consubstanciado na mesma. Assim, todas as normas que integram a ordenacao juridica so serao legitimas quando se conformarem com a Constituicao Federal de 1988.

2.2 Controle de constitucionalidade

Controle de constitucionalidade e o instrumento pelo qual assegura a Supremacia da Constituicao, tendo em mira, que invalida leis e atos normativos que afrontem a Carta Soberana do Estado.

Segundo Moraes (2006, p. 636): "controlar a constitucionalidade significa verificar a Cao (compatibilidade) de uma lei ou de um ato normativo com a constituicao, verificando seus requisitos formais e materiais".

Observa-se que o citado controle so e possivel no sistema constitucional escrito-rigido, a contento, que so quando ha diferenciacao entre leis constitucionais e infraconstitucionais, de tal forma que reconheca a superioridade daquela em relacao a esta, e que existe a necessidade de comprovar a adequacao das primeiras frente as segundas.

Cabe esclarecer, que o controle de constitucionalidade deve ser exercido por um orgao diferente daquele que elaborou a Lei, pois uma norma so estara garantida se o orgao controlador for diferente do Legislativo.

Ademais, como a inconstitucionalidade e medida excepcional, deve-se respeitar a lei ate que venha a ser formalmente declarada invalida, nome este que os doutrinadores chamam de presuncao de constitucionalidade da lei.

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2.2.1 Sistemas de controle de constitucionalidade

Cada ordenamento constitucional e livre para outorgar a competencia para controlar a constitucionalidade das leis ao orgao que entenda conveniente. A depender da opcao do legislador, pode-se ter controle politico, controle judicial ou controle misto.

No politico quem exerce o poder de controle e um orgao distinto do Judiciario, sendo que, este orgao e especialmente designado para este fim, cujo objetivo e garantir a protecao da Supremacia da Constituicao. Pode-se dar como exemplo o Presidium do Soviete Supremo da ex-Uniao Sovietica e o conseil constitutionnel da vigente Constituicao francesa de 1958 (SILVA, 2003).

J a no controle jurisdicional, como o proprio nome estabelece, quem exerce o poder de declarar a inconstitucionalidade e o Judiciario. Esta forma de controle teve origem nos Estado|S Unidos, generalizando hoje em dia para a grande maioria dos paises, inclusive o Brasil.

E por fim, tem-se o controle misto, que se realiza quando a Constituicao submete certas categorias de leis ao controle politico e outras ao controle jurisdicional. Como exemplo, pode-se citar a Suica, onde as leis locais sao submetidas ao controle jurisdicional e as leis federais ao controle politico da Assembleia Nacional (SILVA, 2003).

Desta feita, percebe-se que todos os tres sistemas de controle de constitucionalidade possuem a mesma funcao, na medida em que adequam as leis ou atos normativos a Supremacia da Constituicao.

2.2.2 Formas de inconstitucionalidade

i

A inconstitucionalidade decorre do antagonismo entre uma determinada norma e um comando constitucional. Atendo a isto, necessario se faz saber quando uma norma padecera de vicio de inconstitucionalidade, a partir de que momento o caso afronta a Constituicao.

Ve-se que essa afronta pode se dar de v arias formas, seja quanto ao tipo de conduta, quanto a norma constitucional ofendida, quanto a sua extensao e quanto ao momento que ocorre.

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Quanto ao tipo de conduta, a inconstitucionalidade podera decorrer de uma acao ou de uma omissao. Ocorre a inconstitucionalidade por acao quando o desrespeito a Constituicao resulta de uma conduta comissiva praticada por um orgao estatal, ou seja, o poder publico age ou edita normas em desacordo com a Carta Magna.

Por outro lado, ocorre a inconstitucionalidade por omissao quando o orgao do poder, por silencio ou inercia, deixar de praticar o ato exigido pela Lei Maior. Vale dizer, que ao desrespeitar uma determinacao constitucional de legislar, obstaculizando o exercicio de um direito' dependente de regulamentacao, estara o legislador tambem desrespeitando a Supremacia Constitucional, dando azo a declaracao da inconstitucionalidade de sua inercia.

Para Novelino (2007, p. 280):

Pode ocorrer uma inconstitucionalidade: a) Por acao: Quando e praticada uma conduta positiva {facere) contraria a um preceito constitucional. [...] b) Por omissao: Ocorre naqueles casos em que nao sejam praticados os atos legislatives ou executivos necessarios (conduta negativa, non facere ou non praestare) para tornar plenamente aplicaveis as normas constitucionais carentes de legislacao regulamentadora.

Observa-se que para uma lei se tornar inconstitucional, e necessario que haja uma exteriorizacao de conduta, pelo orgao competente, por meio de uma acao ou omissao, por onde o legislador elaborara ou deixara de elaborar uma norma, em discordancia com a Constituicao.

Ademais, tendo em relevo a norma constitucional ofendida, pode-se dizer que o desrespeito podera ser tanto o conteudo do ato ou o processo de elaboracao prescrito na Carta Magna. Quando o conteudo do ato contraria a norma constitucional, estar-se-a vendo a inconstitucionalidade material, que nada mais e, do que a incompatibilidade de uma norma com a Constituicao. Cita-se como exemplo, o caso de uma lei que introduz no Brasil a pena de morte em circunstancias normais. Tal fato seria padecido de inconstitucionalidade material por afrontar o art. 5°, X L V I I , da Lei Maior (PAULO, 2007).

Nao obstante, tem-se tambem a inconstitucionalidade formal, que ocorre quando ha um desrespeito a Lei Maior no tocante ao processo de elaboracao da norma, podendo alcancar tanto o requisito competencia, quanto o procedimento legislativo. Da-se como exemplo, o caso em que uma emenda a Constituicao nao e aprovada em dois turnos em cada uma das Casas do Congresso Nacional, por tres quintos dos respectivos membros, ocasionando assim,

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vicio formal por afrontar o procedimento previsto no art. 60, § 2° da Carta Magna (PAULO, 2007).

Ressaltando, outrossim, a extensao da declaracao de inconstitucionalidade, cabe mencionar que o orgao competente podera atingir totalmente ou parcialmente a Lei viciada. A invalidade total do ato ocorre quando o conteudo da norma contraria plenamente a Constituicao, bem como, quando ha vicio formal na elaboracao da norma, seja por incompetencia ou por vicio na elaboracao legislativa.

Ja quanto a inconstitucionalidade parcial, pode-se afirmar que acontece quando a invalidade atinge apenas alguma parte da norma, em outras palavras, afirma-se que a afericao de validade da norma e feita dispositivo por dispositivo, materia por materia, e nao globalmente.

Contudo, cabe frisar, que a declaracao de inconstitucionalidade parcial nao pode mudar o intuito da lei, mudando o seu sentido e alcance, sob pena de ofensa ao principio da separal^ao dos poderes. Se assim fosse, o orgao teria que declarar a inconstitucionalidade de toda a lei, tendo em mira que o mesmo nao pode da sentido a norma diferente da pretendida pelo legislador.

Por fim, analisando o momento que ocorre a ofensa a norma constitucional, ve-se que esta podera ser originaria ou superveniente. A inconstitucionalidade originaria e aquela que macula o ato no momento da sua producao, em razao de desrespeito aos principios e regras da Constituicao entao vigente. Neste caso o ato violador surge apos a vigencia da norma Constitucional.

Assim elucida Paulo (2007, p. 702):

O reconhecimento da inconstitucionalidade originaria pressupoe o confronto entre a lei e a constituicao vigente no momento da sua producao. Por exemplo, se estivermos nos referindo a inconstitucionalidade originaria de uma lei produzida em , 1985, certamente o confronto desta sera com a Constituicao de 1969, que vigorava

quando este diploma foi elaborado.

Diz-se, por outro lado, que a inconstitucionalidade superveniente ocorre quando a invalidade da norma resulta da incompatibilidade com o novo texto constitucional que dispoe em sentido diverso. De acordo com entendimento do STF, nao se admite a inconstitucionalidade superveniente, uma vez que nao se trata de inconstitucionalidade, mas sim, de um conflito intertemporal de normas.

(37)

E de bom alvitre ressaltar, que quando uma Constituicao e elaborada, todas as outras normas feitas anteriormente se forem contrarias ao texto constitucional serao revogadas, e as que nao contrariarem serao recepcionadas na nova ordem juridica. Levando em consideracao tal fato, percebe-se que se opera simples revogacao da norma anterior a Constituicao, cujo conteudo se tornou incompativel com a Lei Maior vigente no momento.

^ Sobre a inconstitucionalidade superveniente, Paulo (2007, p.703) estabelece que:

Fala-se em inconstitucionalidade superveniente quando a invalidade da norma resulta da sua incompatibilidade com texto constitucional futuro, seja ele originario ou derivado. [...] Em que pese a relevancia desse conhecimento, o fato e que, entre nos, a jurisprudencia do STF nao admite a existencia da inconstitucionalidade superveniente. Para a corte, a superveniencia de texto constitucional opera a simples revogacao do direito preterito com ele materialmente incompativel, nao havendo razoes para se falar em inconstitucionalidade superveniente.

Verifica-se assim, que a inconstitucionalidade somente podera ocorrer se for originaria, a contento que apenas nessa forma de inconstitucionalidade estara se violando a Carta Soberana, pois a norma ou o ato foi elaborado apos a vigencia da Constituicao da Republica.

Desta feita, diante dos fatos narrados, observa-se que para ocorrer a desconformidade de uma norma a Constituicao e necessario que se tenha uma conduta, que esta ofenda o conteudo ou processo de elaboracao previsto na Lei Maior, e que tal norma viciada seja criada apos a vigencia da Carta Magna. Assim sendo, apos ser declarado a inconstitucionalidade, sera verificada se a ofensa atinge totalmente ou parcialmente a Constituicao Federal de 1988.

2.2.3 Formas de controle de constitucionalidade

A elaboracao de uma lei, pelo orgao Legislative e consubstanciada por procedimentos formais, que possuem o intuito de da garantia, sustentabilidade e eficacia a norma legal. Essa forma mais rigida de elaboracao tern por fim salvaguardar os direitos dos cidadaos, ja que as mesmas sao feitas representando a vontade da sociedade.

' Quando o controle de constitucionalidade acontece neste processo de elaboracao, estar-se-a ocorrendo o controle preventivo, que tern a responsabilidade de impedir que alguma

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norma eivada de vicios ingresse no ordenamento juridico. Segundo Lenza (2006, p.90) "O controle previo e o controle realizado durante o processo legislativo de form acao de ato normativo".

O controle preventivo podera ser realizado pelo Legislativo (Comissao de Constituicao, Justica e Redacao da Camara e pela Comissao de Constituicao, Justica e Cidadania do Senado) e pelo Executivo, atraves do veto juridico, nos termos do art. 66, § 1° da Constituicao Federal. Observa-se ainda, que o Judiciario tambem podera realizar o controle preventivo, que ocorre quando um parlamentar aciona o judiciario para que o mesmo garanta o devido processo legislativo na elaboracao de projeto de lei, vedando a sua participacao em procedimento desconforme com as regras da Constituicao.

Nao obstante, tem-se tambem o controle repressivo, que e a fiscalizacao realizada apos ajentrada da lei no ordenamento juridico, com o intuito de expurgar a norma editada em desrespeito da Constituicao. Nesse sentido, Lenza (2006, p. 94) proclama que "o controle posterior ou repressivo sera realizado sobre a lei e nao mais sobre o projeto de lei, como ocorre no controle preventivo".

Esta ultima forma de controle e a regra do controle existente no pais, na qual e praticada pelo Judiciario, a quem compete a declaracao de inconstitucionalidade. Contudo, o controle repressivo podera tambem ser exercido pelo poder Legislativo, conforme os art. 49, V e art.62 da CF, que estabelece ser competencia exclusiva do Congresso Nacional sustar os atos normativos do poder executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegacao legislativa, bem como, podera a atividade legiferante declarar inconstitucional a medida provisoria expedida pelo Presidente.

2.2.4 Fjxercicio do controle jurisdicional

Na analise de constitucionalidade das leis, o Poder Judiciario podera realiza-lo por duas formas, quais sejam: o controle difuso e o controle concentrado. Esses tipos de controle poderao proteger so os interesses das partes no processo ou de toda a sociedade no sentido geral.

Quanto ao controle difuso, este teve origem marcada nos Estados Unidos (EUA), e por esse motivo e conhecido por sistema americano de controle. Tal forma de fiscalizacao

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baseia-se no reconhecimento da inconstitucionalidade por qualquer componente do Poder judiciario, juiz ou Tribunal, em face de um caso concreto submetido a sua apreciacao.

A parte ofendida pressiona o juizo, pedindo algo fundamentado na inconstitucionalidade de um ato normativo relacionado com a lide. Ve-se que e preciso que o Judiciario aprecie a inconstitucionalidade para poder analisar o merito, proferindo a sua decisao.

E facil notar, que a legitimidade ativa para este tipo de controle, pertence a qualquer interveniente no processo, haja vista, que o controle incidental da-se no curso de uma acao submetida a apreciacao do Poder Judiciario. Assim, possuem legitimacao para suscitar o incidente de inconstitucionalidade, as partes do processo, os terceiros intervenientes, o Ministerio Publico, o juiz e o Tribunal, sendo que estes ultimos podem argiiir de oficio.

Ademais, o incidente de inconstitucionalidade pode ser iniciado em toda e qualquer acao submetida ao Poder Judiciario, inclusive atraves de mandado de seguranca, habeas

corpus, acao popular, acao ordinaria e acao civil publica com feicao de controle incidental.

Sobre este aspecto, Ferrari (2004, p. 178) preleciona que:

Na via de defesa, a arguicao de inconstitucionalidade ocorre no curso de um processo comum e sera possivel a qualquer interessado suscitar a questao em qualquer processo, qualquer que seja sua natureza, qualquer que seja o juizo, cuja apreciacao e condicao para decisao da lide. [...] A apreciacao de inconstitucionalidade e feita para decidir determinada relacao de direito, isto e, quando surge o problema da validade da lei ou ato normativo face a constituicao, ele deve ser resolvido para que possa haver a decisao sobre a relacao de direito, objeto da acao.

Vale lembrar, por oportuno, que a parte insatisfeita podera interpor recurso da decisao proferida pelo juizo a quo, na qual sera encaminhado para o Tribunal competente. O juizo ad quem so declarara a inconstitucionalidade da lei, se o voto da maioria absoluta de

seus membros ou dos membros do orgao especial existente a aprovar, conforme o art. 97 da Carta Soberana brasileira, que estabelece a Reserva de Plenario.

Cabe mencionar, ainda, que a parte inconformada podera interpor Recurso Extraordinario, encaminhado ao STF, para que o mesmo analise e declare a inconstitucionalidade inter partes. Neste caso, este orgao supremo julgara a constitucionalidade em consonancia com a Reserva de Plenario, com excecao, se o plenario ou orgao especial do STF ja tiver julgado incidentalmente algum processo sobre a questao,

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caso em que sera decidido desde logo a lide, nos termos do o art. 481, paragrafo unico do CPC.

Apos a lei ser declarada inconstitucional, o STF oficiara o Senado Federal para que este, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituicao Federal, suspenda a execucao, no todo ou em parte, da lei viciada que ofenda as normas constitucionais. Porem, o Senado Federal nao esta obrigado a proceder a edicao de resolucao suspensiva do ato estatal cuja inconstitucionalidade, em carater irrecorrivel, foi declarada.

Vislumbra-se assim, que e o controle difuso e o mais celere, tendo em vista, principalmente, que e o meio mais rapido que o individuo tern para proteger os seus interesses e garantir a norma Constitucional.

| No entanto, podera ser suscitado tambem o controle concentrado, que como o proprio nome ja diz, e aquele que a declaracao de inconstitucionalidade concentra-se em um unico tribunal, que no Brasil e o Supremo Tribunal Federal na esfera federal, e os Tribunals de Justica na esfera estadual.

Para Hans Kelsen (apud MORAES, 2006), a escolha de um unico orgao para exercer o controle de constitucionalidade justifica-se pelo fato de que se a Constituicao conferisse a toda e qualquer pessoa competencia para decidir esta questao, dificilmente haveria uma lei que vinculasse os suditos e os orgaos juridicos. Pensando assim, ve-se que e imprescindivel que a Constituicao apenas confira competencia a um determinado orgao juridico.

Diante disso, percebe-se que o STF e o orgao exclusivamente competente para processar e julgar as acoes pertencentes ao controle concentrado, retirando do mundo juridico a lei ou ato normativo federal ou estadual que afrontar a Carta Magna, conforme estabelece o art. 102, I , a, da Constituicao Federal. Cabe frisar tambem, que a CF preve no art. 125, § 2°, que as, leis municipals ou estaduais que afrontarem a Constituicao Estadual, deverao ser julgadas pelo Tribunal de Justica de cada Estado.

Vale dizer, por oportuna razao, que por meio deste controle procura-se obter a invalidacao da lei viciada, independentemente da existencia de um caso concreto, com fim de garantir seguranca as relacoes juridicas que nao podem ser baseadas em normas inconstitucionais. Ve-se, por obvio, que o objeto principal da acao e a declaracao de inconstitucionalidade, diferentemente do controle difuso, onde o pedido de inconstitucionalidade e fundamento da acao principal.

Ademais, nesta forma de controle nao podera ocorrer a desistencia da acao proposta e muito menos a revisao da decisao por acao rescisoria, tendo em vista a peculiaridade da funcao desse controle, que nada mais e, do que o meio de protecao dos direitos da sociedade.

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