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CP + CPP + LEIS PENAIS ESPECIAIS

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2021

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CP

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CPP

+

LEIS PENAIS ESPECIAIS

COMO SÃO COBRADOS NAS PROVAS DE CONCURSOS?

ROBERVAL ROCHA

ROGÉRIO SANCHES CUNHA

(2)

CÓDIGO PENAL

>>>Atualizado até a Lei 14.110/20.

Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940.

O Presidente da República, usando da atribui-ção que lhe confere o art. 180 da Constituiatribui-ção, decreta a seguinte Lei:

PARTE GERAL

(ARTS. 1 AO 120)

TÍTULO I – DA APLICAÇÃO DA LEI

PENAL

(ARTS. 1º AO 12)

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Anterioridade da lei

Art. 1º Não há crime sem lei anterior que o

de-fina. Não há pena sem prévia cominação legal. 🅛 (Vunesp/Fisco/Guarulhos/Inspetor_Ren-das/2019) Não há crime sem lei anterior que o defina,

porém, pode haver pena sem prévia cominação legal.

🅓 (Cespe/Sefaz/RS/Assistente/2018) A falta de

co-minação legal não inviabiliza a aplicação de pena. ✘

“Determina o art. 1º do CP que não há crime sem lei anterior que o defina nem pena sem prévia imposi-ção legal: ‘nullum crimen, nulla poena sine praevia lege’. Não há crime sem que, antes de sua prática, haja uma lei descrevendo-o como fato punível. Por outro lado, a pena não pode ser aplicada sem lei anterior que a contenha.” Damásio de Jesus, Direito penal, v. 1.

🅓 (AOCP/PC/ES/Escrivão/2019) O art. 1º do Código

Penal afirma que não há crime sem lei anterior que o defina e que não há pena sem prévia cominação legal.

O mencionado dispositivo corresponde ao princípio da legalidade. ✔

“Em sua formulação clássica, diz-se que ‘nullum crimen, nulla poena sine praevia lege’, na consagrada fórmula de Feuerbach. Na redação do nosso Código Penal, diz-se: ‘Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal’ (art. 1º). O princípio da legalidade tem importân-cia ímpar em matéria de segurança jurídica, pois salvaguarda os cidadãos contra punições criminais sem base em lei escrita, de conteúdo determinado e anterior à conduta. Exige, ademais disso, que exista uma perfeita e total correspondência entre o ato do agente e a lei penal para fins de caracterização da infração e imposição da sanção respectiva.” André Estefam, Direito penal, v. 1.

🅓 (Cespe/PRF/Policial/2019) O art. 1º do Código

Pe-nal brasileiro dispõe que “não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação le-gal”. Considerando esse dispositivo legal, bem como os princípios e as repercussões jurídicas dele decorrentes, a norma penal deve ser instituída por lei em sentido estrito, razão por que é proibida, em caráter absoluto, a analogia no direito penal, seja para criar tipo penal in-criminador, seja para fundamentar ou alterar a pena. ✘

“Não há negar que a analogia é inadmissível em matéria penal para criar delitos e cominar penas (“analogia in malam partem”). Em se tratando, po-rém, de casos de leis penais não incriminadoras, é perfeitamente permitido o procedimento analógico (analogia ‘in bonan partem’).” Damásio de Jesus, Di-reito penal, v. 1.

sobre o mesmo tema:

🅓 (Cespe/TCE/RO/Auditor/2019) A analogia

não é permitida em relação a leis penais incri-minadoras nem a permissivas. ✘

🅓 (Cespe/CGE/CE/Auditor/2019) ”O desvio punível

não é o que, por características intrínsecas ou ontológi-cas, é reconhecido em cada ocasião como imoral, como naturalmente anormal, como socialmente lesivo ou coi-sa semelhante. É aquele formal e previamente indicado

(3)

Ar

t. 2º

pela lei como pressuposto necessário para a aplicação de uma pena”. (Luigi Ferrajoli. Direito e razão: teoria do garantismo penal. 3. ed. São Paulo: RT, 2002, p. 30, com adaptações). O texto precedente faz referência, principalmente, aos princípios penais da legalidade e da anterioridade. ✔

“O art. 1º do CP aloja dois princípios: o da reserva legal e o da anterioridade. A lei que cria o crime e a pena deve ser anterior ao fato que se pretende punir.”

Flávio Barros, Manual de direito penal.

🕬  Artigo Muito Cobrado nas Provas!

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Lei penal no tempo

Art. 2º Ninguém pode ser punido por fato que

lei posterior deixa de considerar crime, ces-sando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.

Parágrafo único. A lei posterior, que de

qual-quer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sen-tença condenatória transitada em julgado.

Abolitio criminis

🅛 (Cespe/Sefaz/RS/Auditor/2019) A lei penal nova

que torna atípica determinada conduta cessa os efei-tos penais da sentença condenatória decorrente dessa prática, ainda que já tenha transitado em julgado. ✔

“Portanto, a “abolitio criminis” pode ser entendida como a transmutação de um fato típico em atípico, onde determinada conduta antes tipificada como crime deixa de assim ser considerada em virtude da superveniência de lei que a torna atípica. Por decorrência, cessam os efeitos penais da sentença condenatória, nos termos do art. 2º do CP, excluí-dos os efeitos extrapenais (de natureza civil)”. STJ, HC 520766, rel. min. Nefi Cordeiro, dec. monocrática, DJ 6.9.2019.

sobre o mesmo tema:

🅛 (Cespe/TCE/RO/Auditor/2019) O advento

de lei penal que torne atípica determinada con-duta retroage para alcançar fatos anteriores já transitados em julgado, sendo mantidos alguns efeitos penais da condenação. ✘

↪ repetido nos concursos: AOCP/PC/ES/Investi-gador/2019, Fepese/SJC/SC/Agente_Penitenciá-rio/2019, Vunesp/Fisco/Guarulhos/Inspetor_Ren-das/2019, Ieses/TJ/SC/Cartórios/Provimento/2019.

🅛 (Selecon/GM/Boa_Vista/Guarda_Municipal/2020)

Pégaso é condenado pela prática de crime previsto em lei a quinze anos de reclusão, tendo a decisão judicial tran-sitada em julgado. Após dois anos de cumprimento da pena, surge lei nova que deixa de considerar como crime os fatos que levaram à condenação de Pégaso. Nesse caso, segundo os comandos normativos do Código Penal, a lei retroagirá para beneficiar o réu. ✔

🅛 (Cespe/Sefaz/RS/Assistente/2018) A lei penal não

retroage quando uma conduta deixa de ser considera-da crime. ✘

🅙 (Fundep/PGM/Ervália/Advogado/2019) O

prin-cípio da continuidade normativa típica ocorre quando uma norma penal é revogada, mas a mesma conduta continua sendo crime no tipo penal revogador, ou seja, a infração penal continua tipificada em outro disposi-tivo, ainda que topológica ou normativamente diverso do originário. ✔

“O princípio da continuidade normativa típica ocorre quando uma norma penal é revogada, mas a mesma conduta continua sendo crime no tipo penal revogador, ou seja, a infração penal continua tipificada em outro dispositivo, ainda que topologi-camente ou normativamente diverso do originário. Não houve “abolitio criminis” da conduta prevista no art. 214 c/c o art. 224 do Código Penal. O art. 224 do Estatuto Repressor foi revogado para dar lugar a um novo tipo penal tipificado como estupro de vulnerável.” STJ, HC 204.416/SP, rel. min. Gilson Dipp, 5ª T, DJe 24.5.2012.

sobre o mesmo tema:

🅙 (MPE/MS/Promotor/2018) O princípio da

continuidade normativa típica, conforme po-sição do Superior Tribunal de Justiça, ocorre quando uma norma penal é revogada, porém a mesma conduta continua tipificada em outro dispositivo, ainda que topologicamente diverso do originário. ✔

🅓 (Vunesp/TJ/RO/Juiz/2019) O princípio da

conti-nuidade normativa permite reconhecer “abolitio cri-minis” pela revogação da lei, se a conduta permanece típica em outro dispositivo legal. ✘

DoD Vejamos as principais diferenças entre “abolitio

criminis” e a continuidade normativa típica (com base em Rogério Cunha, Manual de direito penal)

“Abolitio criminis” Continuidade normativa típica

Há uma supressão formal e

material da figura criminosa. Há uma supressão apenas formal da figura criminosa. A conduta não mais será

nida (o fato deixa de ser pu-nível).

O fato permanece sendo pu-nível (a conduta criminosa, no entanto, é deslocada para outro tipo penal).

(4)

CÓDIGO PENAL 3

Ar

t. 2º

“Abolitio criminis” Continuidade normativa típica

A intenção do legislador é a de não mais considerar aque-la conduta como um fato cri-minoso.

A intenção do legislador é a de continuar considerando aquela conduta como um fato criminoso.

Ex.: o art. 240 do CP (crime de adultério) foi revogado e não existe mais nenhuma lei no ordenamento jurídico que afirme que esta conduta é crime.

Ex.: o art. 1º da Lei n. 2.252/54 (corrupção de menores) foi revogado, mas o ordenamen-to jurídico continua prevendo esta conduta como criminosa, porém em um outro disposi-tivo legal (art. 244-B do ECA).

sobre o mesmo tema:

🅓 (Cespe/DPF/Delegado/2018) Manoel

pra-ticou conduta tipificada como crime. Com a entrada em vigor de nova lei, esse tipo penal foi formalmente revogado, mas a conduta de Manoel foi inserida em outro tipo penal. Nessa situação, Manoel responderá pelo crime prati-cado, pois não ocorreu a “abolitio criminis” com a edição da nova lei. ✔

🅓 (Cespe/PC/MA/Escrivão/2018) A aplicação do

princípio da retroatividade benéfica da lei penal ocorre quando, ao tempo da conduta, o fato é típico e lei pos-terior suprime o tipo penal. ✔

“O princípio constitucional da lei penal benéfica encontra guarida no art. 2º, parágrafo único, do Código Penal. Como fruto desse parágrafo, aplica-se o disposto no art. 2º, caput. Observa-se ser o caput do art. 2º uma consequência do disposto pelo pa-rágrafo único, afinal, a lei abolicionista, extirpando do universo penal determinada figura criminosa, retrocede no tempo para apagar rastros negativos porventura existentes em relação a qualquer pessoa. Cuida-se de nítida retroatividade da lei penal be-néfica. Em suma, o parágrafo único contém a regra (leis favoráveis retrocedem no tempo e beneficiam o agente), enquanto o caput encerra uma das moda-lidades de retroação (a ‘abolitio criminis’ retrocede no tempo para favorecer o agente).” Guilherme Nucci, Princípios constitucionais penais e processuais penais.

sobre o mesmo tema:

🅓 (Cespe/CGE/CE/Auditor/2019) A lei penal

mais benéfica retroagirá em benefício do réu, de acordo com o princípio da retroatividade bené-fica penal. ✔

Lex mitior

🅛 (Vunesp/Fisco/Guarulhos/Inspetor_Rendas/2019)

Lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agen-te, aplica-se aos fatos anteriores, mas apenas se ainda não decididos por sentença condenatória transitada em julgado. ✘

↪ repetido nos concursos: FCC/Sefaz/SC/ Auditor_Fiscal/2018, AOCP/PC/ES/Investiga-dor/2019, Cespe/Sefaz/RS/Auditor/2019, Fe-pese/SJC/SC/Agente_Penitenciário/2019, Vu-nesp/Pauliprev/Procurador/2018, Vunesp/TJ/ RO/Juiz/2019.

🅛 (FGV/MPE/RJ/Estágio_Forense/2018) Jorge

cum-pre pena em razão de condenação definitiva pela práti-ca de determinado crime. Na mesma unidade prisional, mas em outra ala, Antônio encontra-se preso preventi-vamente em virtude de ação penal, sem sentença, pela suposta prática de delito idêntico ao de Jorge. Em de-terminada data, Jorge e Antônio descobrem que entrou em vigor nova lei penal reduzindo a sanção penal em abstrato prevista para o delito imputado a ambos, in-clusive sendo a pena máxima atual inferior àquela apli-cada na sentença de Jorge. Considerando as informa-ções narradas, a inovação legislativa: poderá beneficiar Jorge e Antônio, pois, em sendo mais favorável, deverá retroagir para atingir situações pretéritas, ainda que já amparadas pela coisa julgada. ✔

🅛 (Fepese/Prefeitura/Itajaí/Fiscal/2020) A lei penal

jamais retroagirá, nem mesmo para beneficiar o réu. ✘ 🅛 (Cespe/DPF/Agente/2018) Depois de adquirir um

revólver calibre 38, que sabia ser produto de crime, José passou a portá-lo municiado, sem autorização e em desacordo com determinação legal. O compor-tamento suspeito de José levou-o a ser abordado em operação policial de rotina. Sem a autorização de porte de arma de fogo, José foi conduzido à delegacia, onde foi instaurado inquérito policial. Se, durante o processo judicial a que José for submetido, for editada nova lei que diminua a pena para o crime de receptação, ele não poderá se beneficiar desse fato, pois o direito penal brasileiro norteia-se pelo princípio de aplicação da lei vigente à época do fato. ✘

🅛 (Cespe/Sefaz/RS/Auditor/2019) A lei penal nova

que estabelece nova hipótese de extinção de punibili-dade não se aplica aos fatos anteriores. ✘

🅛 (Acesso/PC/ES/Delegado/2019) A garantia penal

positivada na Constituição Federal brasileira (1988) promove a retroatividade da lei penal mais benéfica quando o condenado, por uma conduta típica, apresen-ta residência fixa, após cometimento do ilícito penal. ✘

“CF. Art. 5º. XL – a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.”

🅙 (Vunesp/TJ/AC/Juiz/2019) É incabível a aplicação

retroativa da Lei nº 11.343/2006, ainda que o resulta-do da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei nº 6.368/76, permitida, no entanto, a combinação das mencionadas leis para beneficiar o agente. ✘

“Súmula 501-STJ. É cabível a aplicação retroativa da Lei n. 11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis”.

(5)

Ar

t. 2º

sobre o mesmo tema:

🅙 (Cespe/TJ/DFT/Cartórios/Remoção/2019)

De acordo com o direito penal, a aplicação de nova lei, no caso de esta estabelecer nova causa de diminuição de pena e nova causa de aumen-to para um tipo penal incriminador existente, deve ser afastada a fato ocorrido antes de sua vigência, ainda que em benefício do réu. ✘

🅓 (Fundep/PGM/Ervália/Advogado/2019) Depois

do trânsito em julgado da condenação, se a aplicação da lei penal mais benéfica depender de mera operação matemática, o juiz da execução da pena é competente para aplicá-la. Por outro lado, se for necessário juízo de valor para aplicação da lei penal mais favorável, o interessado deverá ajuizar revisão criminal para des-constituir o trânsito em julgado e aplicar a lei nova. ✔

“Depois do trânsito em julgado, qual o juiz compe-tente para aplicar a lei penal mais benéfica? A respos-ta a esse questionamento dependerá do conteúdo da lei penal benéfica. Se a sua aplicação depender de mera operação matemática, o juiz da execução da pena é competente para aplicá-la. Por outro lado, se for necessário juízo de valor para aplicação da lei penal mais favorável, o interessado deverá ajuizar revisão criminal (art. 621 do CPP) para desconsti-tuir o trânsito em julgado e aplicar a lei nova. Dessa maneira, podemos dizer que a Súmula nº 611 do STF, dispondo que ‘transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juiz da execução a aplica-ção de lei mais benigna’, é incompleta, já que, se a lei mais benigna implicar juízo de valor, competirá ao juízo revisor, ou seja, àquele responsável pelo julgamento da revisão criminal.” Rogério Sanches Cunha, Manual de direito penal, v. 1.

🅓 (Acesso/PC/ES/Delegado/2019) A lei penal possui

ultra-atividade, nos casos em que, mesmo após sua re-vogação por lei mais gravosa, continua sendo válida em relação aos efeitos penais mais brandos da lei que era vigente no momento da prática delitiva. ✔

“É de boa técnica dizer-se que, às vezes, a lei antiga apresenta ultratividade. Se for mais favorável, preva-lecerá ao tempo da vigência da lei nova. Prevapreva-lecerá, apesar de já estar revogada.” Basileu Garcia, Instituições de direito penal, v. 1, t. 1.

sobre o mesmo tema:

🅓 (Cespe/PC/MA/Delegado/2018) Em relação

à lei penal no tempo e à irretroatividade da lei pe-nal, é correto afirmar que à lei penal mais severa aplica-se o princípio da ultra-atividade. ✘ ↪ repetido nos concursos: MPE/SP/Promo-tor/2019, Cespe/Ebserh/Advogado/2018.

Lex gravior

🅛 (FGV/ALE/RO/Analista/2018) Deputados

estadu-ais estão reunidos para analisar a penalização do crime

de estupro, chegando ao consenso de que é inadequa-da a ausência de previsão no Código Penal sobre causa formal de aumento de pena para quando o delito é pra-ticado com emprego de arma branca ou de fogo. Admi-tindo a possibilidade de realizar uma campanha para a alteração legislativa do tema, os deputados solicita-ram dos seus assessores que avaliassem as consequ-ências dessa alteração para os que estão condenados por atos praticados nessas circunstâncias, para os que respondem à ação penal e para os que teriam pratica-do fatos com essas peculiaridades, mas sequer foram denunciados. Deverá ser esclarecido pelo assessor que eventual aumento de pena, em razão do emprego de arma no crime de estupro, não poderá ser imposto aos que praticaram fatos e não foram denunciados, aos que respondem ações penais e nem aos condenados defi-nitivamente, mas só àqueles que praticarem a conduta após a entrada em vigor da lei, já que prejudicial. ✔ 🅛 (Fepese/PGE/SC/Procurador/2018) A lei posterior

aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. ✘ 🅛 (Cespe/Sefaz/RS/Assistente/2018) A lei penal

re-troage quando uma conduta passa a ser considerada crime pelo ordenamento jurídico. ✘

🅛 (Cespe/Sefaz/RS/Auditor/2019) A lei penal nova

que tipifica penalmente a conduta de deixar de cumprir alguma obrigação fiscal acessória retroage. ✘

🅙 (Cespe/CGE/CE/Auditor/2019) A lei penal mais

benéfica aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, ainda que ocorra superveniência de lei penal mais gravosa ao longo da atividade delitiva. ✘

“Súmula 711-STF. A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência”.

DoD Exemplo: Carlos subtrai 50 reais no dia 01/07

do caixa da padaria; no dia 02/07, subtrai mais 50 reais; no dia 03/07, Carlos não vai trabalhar e nesta data entra em vigor uma nova lei aumentando a pena do furto; no dia 04/07, Carlos subtrai mais 50 reais. Assim, após 10 dias ele consegue retirar os 500 reais. Desse modo, perceba que uma parte dos furtos que Carlos praticou foram sob a égide da lei antiga e os demais furtos ocorreram quando já estava em vigor a lei nova. Indaga-se: Carlos irá responder com base na lei antiga ou na lei nova? Resposta: lei nova. Isso porque, com a entrada da nova lei mais gravosa Carlos poderia ter desistido da prática dos delitos, mas, mesmo assim, persistiu, de forma que deverá responder pela nova legislação, ainda que mais severa. Esse é objeto da Súmula 711 do STF. Cuidado: A redação da súmula dá a entender que a lei mais grave é sempre aplicável. Isso não é correto. Na verdade, o que é sempre aplicada é a lei penal mais nova, independentemente de ser mais grave ou não. A redação mais exata da súmula deveria ser: “A lei penal nova mais grave aplica-se (...).”

(6)

CÓDIGO PENAL 5

Ar

t. 3º

sobre o mesmo tema:

🅙 (Cespe/Emap/Analista/2018) João

come-teu crime permanente que teve início em feve-reiro de 2011 e fim em dezembro desse mesmo ano. Em novembro de 2011, houve alteração le-gislativa que agravou a pena do crime por ele cometido. Nessa situação, deve ser aplicada a lei que prevê pena mais benéfica em atenção ao princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa. ✘

🅙 (FCC/Sefaz/SC/Auditor_Fiscal/2018) A lei

penal mais grave aplica-se ao crime continua-do ou ao crime permanente, somente se a sua vigência for anterior ao início da prática delitiva, em razão do princípio da irretroatividade da lei penal mais severa. ✘

↪ repetido nos concursos: Cespe/PGE/PE/Analis-ta/2019, Vunesp/TJ/RO/Juiz/2019, Vunesp/TJ/AC/ Juiz/2019, MPE/SP/Promotor/2019, Fundep/MPE/ MG/Promotor/2018, Cespe/STJ/Analista/2018, Fun-dep/PGM/Ervália/Advogado/2019.

🅓 (AOCP/PC/ES/Escrivão/2019) A impossibilidade

de a lei penal nova mais gravosa ser aplicada em caso ocorrido anteriormente à sua vigência é chamada de princípio da irretroatividade. ✔

“Princípio da irretroatividade da lei e sua exceção: consagra-se aqui o princípio constitucional da irre-troatividade da lei penal, ressalvada a reirre-troatividade favorável ao acusado – ‘a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu’ (art. 5º, XL, CF; art. 2º, CP). O princípio vem previsto legislativamente pela primeira vez na Declaração de Maryland, de 1776: ‘As leis retroativas que punem fatos praticados antes de sua existência, e declarados criminosos somente por elas, são opressivas, injustas e incompatíveis com a liberdade, portanto não devia ser elaborada qualquer lei ex post facto’ (art. 15). A Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 o acolhe nos termos seguintes: ‘Ninguém será condenado por ações ou omissões que no momento de sua prática não forem delitivas segundo o Direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena mais grave do que a aplicável no momento da comissão do delito’ (art. 11.2). Fundamenta-se a regra geral nos princípios da reserva legal, da taxatividade e da segurança jurídica – princípio do ‘favor libertatis’ –, e a hipótese excepcional em razões de política criminal (justiça). Trata-se de restringir o arbítrio legislativo e judicial na elaboração ou aplicação re-troativa de lei prejudicial.” Luiz Regis Prado, Bem Jurídico-Penal e Constituição.

🅓 (Fundep/PGM/Ervália/Advogado/2019) A

“nova-tio legis” incriminadora, como norma irretroativa, é a lei que não existia no momento da prática da conduta e que passa a considerar como delito a ação ou omissão realizada. ✔

“‘Novatio legis’ incriminadora: hipótese de advento de uma nova lei que incrimina conduta até então

impune. Nesses casos, aplica-se a proibição de re-troatividade, eis que viria em desfavor do réu, não podendo ser alcançados fatos pretéritos à entrada em vigor da nova lei.” Paulo Busato, Direito penal.

🅓 (Vunesp/TJ/RO/Juiz/2019) A lei intermediária

– vigente entre a data do fato e do julgamento – se mais favorável, terá dupla extra-atividade: irretroativi-dade quanto à lei vigente na data do fato e ultrativiirretroativi-dade quanto à vigente na data do julgamento. ✘

“Não oferece dificuldade saber qual a lei aplicável quando três são sucessivamente editadas, da época do fato à do julgamento, e a menos severa surge intermediariamente. Esta é que se aplica, conforme o entendimento mais comum entre os autores. Ela tem retroatividade, que lhe dá primazia sobre a anterior, e ultratividade em relação à subsequente”. Basileu Garcia, Instituições de direito penal, v. 1, t. 1.

Lei excepcional ou temporária

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Art. 3º A lei excepcional ou temporária,

em-bora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determina-ram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.

🅛 (Vunesp/Fisco/Guarulhos/Inspetor_Rendas/2019)

A lei excepcional ou temporária não se aplica ao fato praticado durante sua vigência. ✘

↪ repetido nos concursos: Cespe/Sefaz/RS/Assis-tente/2018, FCC/Sefaz/SC/Auditor_Fiscal/2018, Vunesp/Pauliprev/Procurador/2018, Fepese/SJC/ SC/Agente_Penitenciário/2019, Cespe/TJ/DFT/ Cartórios/Remoção/2019.

🅛 (FGV/Câmara/Salvador/Advogado/2018) Em

ra-zão da situação política do país, foi elaborada e publi-cada, em 01.01.2017, lei de conteúdo penal prevendo que, especificamente durante o período de 01.02.2017 até 30.11.2017, a pena do crime de corrupção passiva seria de 03 a 15 anos de reclusão e multa, ou seja, su-perior àquela prevista no Código Penal, sendo que, ao final do período estipulado na lei, a sanção penal do de-lito voltaria a ser a prevista no Art. 317 do Código Penal (02 a 12 anos de reclusão e multa). No dia 05.04.2017, determinado vereador pratica crime de corrupção pas-siva, mas somente vem a ser denunciado pelos fatos em 22.01.2018. Considerando a situação hipotética narra-da, o advogado do vereador denunciado deverá escla-recer ao seu cliente que, em caso de condenação, será aplicada a pena de 3 a 15 anos, diante da natureza de lei temporária da norma que vigia na data dos fatos. ✔

(7)

Ar

t. 4º

🅛 (Cespe/TCE/RO/Auditor/2019) A lei temporária,

com o término do período de sua duração, perde total-mente sua vigência e aplicação. ✘

🅛 (Cespe/TJ/PR/Juiz/2019) Nas disposições penais

da Lei Geral da Copa, foi estabelecido que os tipos pe-nais previstos nessa legislação tivessem vigência até o dia 31 de dezembro de 2014. Considerando-se essas informações, é correto afirmar que a referida legislação é um exemplo de lei penal temporária. ✔

🅓 (Vunesp/TJ/RO/Juiz/2019) As leis intermitentes

vigoram por prazo determinado e têm por característi-ca a não ultratividade. ✘

“As leis temporária e excepcional têm duas carac-terísticas essenciais: (a) autorrevogabilidade: as leis temporária e excepcional são autorrevogáveis, daí porque chamadas também de leis intermitentes. Esta característica significa dizer que as leis temporária e excepcional se consideram revogadas assim que encerrado o prazo fixado (lei temporária) ou ces-sada a situação de anormalidade (lei excepcional); (b) ultra-atividade: por serem ultra-ativas, alcançam os fatos praticados durante a sua vigência, ainda que as circunstâncias de prazo (lei temporária) e de emergência (lei excepcional) tenham se esvaído, uma vez que essas condições são elementos tem-porais do próprio fato típico. Observe-se que, por serem (em regra) de curta duração, se não tivessem a característica da ultra-atividade, perderiam sua força intimidativa. Em outras palavras, podemos afirmar que as leis temporárias e excepcionais não se sujeitam aos efeitos da ‘abolitio criminis’ (salvo se houver lei expressa com esse fim).” Rogério Sanches Cunha, Manual de direito penal, v. 1.

🕬  Artigo Muito Cobrado nas Provas!

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Tempo do crime

Art. 4º Considera-se praticado o crime no

momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.

🅛 (Vunesp/Fisco/Guarulhos/Inspetor_Ren-das/2019) Considera-se praticado o crime no

momen-to do resultado, ainda que outro seja o momenmomen-to da ação ou omissão. ✘

repetido nos concursos: AOCP/PC/ES/ Perito/2019, Marinha/Corpo_Auxiliar/1º_Te-nente/2019, Idib/GM/Petrolina/Guarda_Munici-pal/2019, AOCP/PC/ES/Escrivão/2019, Fepese/ SJC/SC/Agente_Penitenciário/2019.

🅛 (Fepese/PGE/SC/Procurador/2018) Considera-se

praticado o crime no momento do resultado lesivo. ✘

🅛 (AOCP/PC/ES/Escrivão/2019) O momento do

co-metimento do crime é irrelevante para o direito penal. ✘ 🅛 (Idib/GM/Petrolina/Guarda_Municipal/2019)

Para fins penais, o tempo e o lugar do crime são idên-ticos. ✘

🅛 (Acesso/PC/ES/Delegado/2019) Tício, morador do

Rio de Janeiro, começou a namorar Gabriela, uma jo-vem moradora da cidade de São Paulo. Com o passar do tempo e os efeitos da distância, Tício, motivado por ciúmes, resolveu tirar a vida de Gabriela. Pôs-se então a planejar a prática do crime em sua casa, no Rio de Ja-neiro, tendo adquirido uma faca, instrumento com o qual planejou executar o crime. No dia em que seguiu para São Paulo para encontrar Gabriela, que lhe o esperava na rodoviária, Tício combinou com a jovem uma viagem a passeio para o Espírito Santo. Ao ingressarem no ôni-bus que os levaria de São Paulo para o Espírito Santo, Tício afirmou para Gabriela que iria matá-la. Todavia, dada a calma de Tício, a jovem achou que se tratava de uma brincadeira. Durante o trajeto, Tício, ofereceu a ela uma bebida contendo substância que causava a perda dos sentidos. Após Gabriela beber e dormir, sob efeito da substância, enquanto passavam pela BR-101, no Rio de Janeiro, Tício passou a desferir golpes com a faca no peito da jovem. Quando chegou ao destino, Tício se entregou para polícia, e Gabriela, embora tenha sido so-corrida, veio a óbito ao chegar ao Hospital. O crime des-crito no texto foi praticado, de acordo com a lei penal, no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado. Trata-se, portanto, do momento em que Tício desferiu os golpes em Gabriela. ✔

🅓 (Ieses/TJ/SC/Cartórios/Provimento/2019) Com

relação ao tempo do crime, o Código Penal adotou, nos termos de seu art. 4º, a teoria da atividade, con-siderando praticado o delito no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resul-tado. ✔

“A reforma da parte geral do Código Penal, por força de seu art. 4º, consagrou expressamente o princípio da atividade. É esta que mais intimamente está li-gada à vontade do agente; é, por excelência, nesse momento que, conscientemente, ele incorre no juí-zo de reprovação social. O resultado não depende exclusivamente do elemento volitivo do agente: há entre esse elemento e ele fatores imponderáveis que se subtraem à vontade ou ação do agente – pense-se no fato de uma pessoa atirar contra outra, ocorrendo não acertar, feri-la de leve, gravemente ou matá-la. Consequentemente é a ação que determina qual a lei do tempo do delito. É, hoje, a opinião predomi-nante.” Magalhães Noronha, Direito penal, v. 1.

sobre o mesmo tema:

🅓 (Vunesp/PC/BA/Investigador/2018) A

teo-ria adotada pela legislação quanto ao tempo do crime é a da retroatividade. ✘

🅓 (Cespe/PGE/PE/Analista/2019) O Código

(8)

CÓDIGO PENAL 7

Ar

t. 6º

qual o delito deverá ser considerado praticado no momento da ação ou da omissão e o local do crime deverá ser aquele onde tenha ocorrido a ação ou a omissão. ✘

↪ repetido nos concursos: Cespe/CGE/CE/Au-ditor/2019, Vunesp/Pauliprev/Procurador/2018, AOCP/PC/ES/Escrivão/2019, Cespe/Emap/Ana-lista/2018, FGV/MPE/RJ/Estágio_Forense/2018.

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Territorialidade

Art. 5º Aplica-se a lei brasileira, sem

prejuí-zo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.

§ 1º Para os efeitos penais, consideram-se

como extensão do território nacional as em-barcações e aeronaves brasileiras, de nature-za pública ou a serviço do governo brasilei-ro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo cor-respondente ou em alto-mar.

§ 2º É também aplicável a lei brasileira aos

crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar ter-ritorial do Brasil.

Território nacional

🅛 (Vunesp/PC/BA/Investigador/2018) Ao crime

co-metido no território nacional, aplica-se a lei brasileira, independentemente de qualquer convenção, tratado ou regra de direito internacional. ✘

🅛 (Marinha/Corpo_Auxiliar/1º_Tenente/2019)

Apli-ca-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tra-tados e regras de direito internacional, ao crime come-tido no território nacional. ✔

🅛 (Vunesp/PC/SP/Investigador/2018) No que diz

respeito ao lugar do crime, o CP adotou a teoria da ter-ritorialidade estendida, ou seja, considera-se praticado no Brasil o crime cometido a bordo de embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou privada, onde quer que se encontrem. ✘

🅛 (Inaz/Core/SP/Assistente_Jurídico/2019)

Aplica--se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, trata-dos e regras de direito nacional, ao crime cometido no território nacional. ✘

🅛 (Cespe/TJ/DFT/Cartórios/Remoção/2019) Crime

praticado em embarcação de propriedade de governo estrangeiro, quando se encontrar em mar territorial brasileiro, ficará sujeito à lei penal brasileira. ✘

🅓 (Cespe/PC/MA/Delegado/2018) No crime

con-tinuado, somente será aplicada a lei nacional quando todos os fatos constitutivos tiverem sido praticados em território brasileiro, por se tratar de delito unitário. ✘

“No delito permanente e no crime continuado: nas ações consideradas juridicamente como unidade, o crime tem-se por praticado no lugar em que se verifica um dos elementos do fato unitário.” Fernando Capez, Curso de direito penal, v. 1.

Aeronaves e embarcações nacionais

🅛 (AOCP/PC/ES/Investigador/2019) Para os efeitos

penais, consideram-se como extensão do território cional as embarcações e aeronaves brasileiras, de na-tureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aé-reo correspondente ou em alto-mar. ✔

🅛 (Selecon/GM/Niterói/Guarda_Municipal/2019) A

aeronave Tropicália é de propriedade da União e está sobrevoando país estrangeiro quando Joecy, passagei-ro da aepassagei-ronave, é acusado de cometer crime culposo durante o voo. Nesse caso, de acordo com a parte geral do Código Penal, a aeronave é considerada extensão do território nacional brasileiro. ✔

🅛 (Crescer/PGM/Jijoca_de_Jericoacoara/Procura-dor/2019) Crimes cometidos em embarcações oficiais

brasileiras em alto mar serão de competência da justiça brasileira em razão do princípio da territorialidade. ✔

🅛

(Selecon/GM/Boa_Vista/Guarda_Munici-pal/2020) Esquimó é acusado de cometer crime

ocor-rido em aeronave que realiza voo internacional. Nos termos do Código Penal, são consideradas extensão do território para fins de aplicação da lei brasileira as ae-ronaves brasileiras em voo no espaço aéreo nacional. ✔

Aeronaves e embarcações estrangeiras

🅛 (AOCP/PC/ES/Perito/2019) Em nenhuma

situa-ção, a lei brasileira pode ser aplicada aos crimes pra-ticados a bordo de aeronaves ou embarcações estran-geiras de propriedade privada. ✘

🕬  Artigo Muito Cobrado nas Provas!

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Lugar do crime

Art. 6º Considera-se praticado o crime no

lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.

(9)

Ar

t. 6º

🅛 (Cespe/TCE/RO/Auditor/2019) Considera-se

pra-ticado o crime no lugar em que tiver ocorrido a ação ou omissão, ainda que outro seja o local em que tenha sido produzido o resultado. ✘

↪ repetido nos concursos: Marinha/Corpo_Auxi-liar/1º_Tenente/2019, Idib/GM/Petrolina/Guarda_ Municipal/2019, AOCP/PC/ES/Investigador/2019.

🅓 (Ieses/TJ/SC/Cartórios/Provimento/2019) Com

relação ao lugar do crime, para efeito de aplicação da lei brasileira e sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, o Código Penal adotou a teoria da ubiquidade, nos termos do seu art. 6º, con-siderando praticado o delito no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. ✔

DoD O critério para definir onde o crime ocorreu é

fixado pela lei. A legislação do país pode adotar uma das seguintes opções: (a) Teoria da atividade: adota como critério que o lugar do crime é o local onde ocorreu a conduta delituosa, ou seja, onde o sujeito praticou a ação ou a omissão; (b) Teoria do resultado (evento): considera que o lugar do crime é o local onde o delito se consumou (crimes consumados) ou onde foi praticado o último ato de execução (no caso de crimes tentados). Obs.: os autores de direito penal, por conta da redação do CP, afirmam que, pela teoria do resultado, lugar do crime é o local em que se produziu ou deveria produzir-se o resultado; (c) Teoria da ubiquidade (mista): entende que lugar do crime é tanto o local onde ocorreu a ação ou omissão como também onde se deu o resultado. Em suma, este critério abrange as duas teorias. Qual foi a teoria adotada pelo Brasil?

Código Penal

(reformado em 1984) Código de Processo Penal(1941)

Teoria da Ubiquidade Art. 6º Considera-se pratica-do o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resul-tado. (Redação dada pela Lei 7.209/84)

Teoria do Resultado

Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de ten-tativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de exe-cução.

Como compatibilizar os dois dispositivos? O art. 6º do CP revogou o art. 70 do CPP? NÃO. O art. 6º do CP não revogou o art. 70 do CPP. Os dois dispositivos convivem harmoniosamente. Em que casos é utilizado o art. 6º do CP? O art. 6º do CP é uma regra destinada a resolver a competência no caso de crimes envolvendo o território de dois ou mais países. Trata-se, portanto, de uma norma de aplicação da lei penal no espaço. Assim, a regra do Código Penal foi prevista pelo legislador para definir se o Brasil é competente nos casos de crimes envol-vendo territórios de outros países, ou seja, situações de conflito internacional de jurisdição. Diz-se que o art. 6º do CP resolve a competência nas hipóteses de

crime à distância. Crime à distância (ou de espaço máximo): é o delito que envolve o território de dois países. A execução do crime inicia-se em um país e a sua consumação ocorre em outro. Ex.: tráfico de drogas provenientes de Letícia (Colômbia) com destino a Tabatinga (Brasil). Obs.: LFG afirma que existe ainda outra classificação chamada de “crime em trânsito”, que seria o delito que envolveria o território de mais de dois países. Ex.: tráfico inter-nacional de drogas envolvendo Letícia (Colômbia), Tabatinga (Brasil) e Santa Rosa (Peru). Esta nomen-clatura, contudo, é pouco difundida entre os demais autores e na jurisprudência. Em que casos é utilizado o art. 70 do CPP? O art. 70 do CPP é uma regra destinada a resolver crimes envolvendo o território de duas ou mais comarcas (ou duas ou mais seções judiciárias). Trata-se de uma regra de competência interna (não há discussão envolvendo a jurisdição de outros países). Assim, a regra do CPP foi prevista pelo legislador para definir qual comarca (se for da Justiça Estadual) ou seção/subseção judiciária (se for da Justiça Federal) será competente em crimes cuja execução iniciou-se em uma cidade e a consumação ocorreu em outra, ambas dentro do Brasil. Resolve conflitos de competência territorial. Diz-se que o art. 70 do CPP resolve conflitos de competência territorial na hipótese de crimes plurilocais, que são aqueles que envolvem duas ou mais comarcas/ seções judiciárias dentro do país.

Art. 6º do CP Art. 70, caput, do CPP

Adotou a teoria da

ubiquida-de (mista). Adotou a teoria do resultado. Lugar do crime é local em

que...

(a) ocorreu a ação ou omissão (no todo ou em parte); (b) bem como onde se produ-ziu ou deveria produzir-se o resultado.

Lugar do crime é o local em que se consumou a infração, ou, no caso de tentativa, o lugar em que for praticado o último ato de execução. Regra destinada a resolver a

competência no caso de cri-mes envolvendo o território de dois ou mais países (con-flito internacional de jurisdi-ção).

Regra destinada a resolver crimes envolvendo o territó-rio de duas ou mais comarcas (ou seções judiciárias) ape-nas dentro do Brasil (conflito interno de competência terri-torial).

Define o se o Brasil será com-petente para julgar o fato no caso de crimes à distância.

Define qual o juízo compe-tente no caso de crimes plu-rilocais.

sobre o mesmo tema:

🅓 (Cespe/TJ/DFT/Cartórios/Remoção/2019)

O direito penal estabelece, com fundamento na teoria da atividade, que deve ser analisado todo o desdobramento da ação criminosa para se es-tabelecer o local do delito. ✘

🅓 (Cespe/CGE/CE/Auditor/2019) Em relação

ao lugar do crime, o direito penal brasileiro ado-ta a teoria do resulado-tado. ✘

(10)

CÓDIGO DE PROCESSO PENAL

>>>Atualizado até a Lei 13.964/19.

Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941.

O Presidente da República, usando da atribui-ção que Ihe confere o art. 180 da Constituiatribui-ção, decreta a seguinte Lei:

LIVRO I – DO PROCESSO EM GERAL

(ARTS. 1º AO 393)

Título I – Disposições Preliminares

(arts. 1º ao 3º)

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🅻🅻🅻

Art. 1º O processo penal reger-se-á, em todo

o território brasileiro, por este Código, ressal-vados:

I – os tratados, as convenções e regras de di-reito internacional;

II – as prerrogativas constitucionais do Presi-dente da República, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribu-nal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2º, e 100); III – os processos da competência da Justiça Militar;

IV – os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122, nº 17); V – os processos por crimes de imprensa.

Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto,

este Código aos processos referidos nos ns. IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso.

🅛 (Cespe/PC/MA/Escrivão/2018) A lei processual

penal não se sujeitará a tratados, convenções ou regras de direito internacional. ✘

🅛 (Cespe/STJ/Analista/2018) O Código de Processo

Penal será aplicado a todas as ações penais e correla-tas que tiverem curso no território nacional, nelas inclu-sas as destinadas a apurar crime de responsabilidade cometido pelo presidente da República. ✘

🅛 (Vunesp/PC/BA/Escrivão/2018) A lei processual

penal admite aplicação em todo o território brasileiro, sem exceção. ✘

🕬 Artigo Muito Cobrado nas Provas!

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Art. 2º A lei processual penal aplicar-se-á

desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.

🅛  (Cespe/Abin/Oficial/2018)  A lei processual penal

vigente à época em que a ação penal estiver em curso será aplicada em detrimento da lei em vigor durante a ocorrência do fato que tiver dado origem à ação penal.

↪ repetido nos concursos: Cespe/PC/MA/Escri-vão/2018, Cespe/STJ/Analista/2018, Cespe/TJ/ CE/Juiz/2018, Vunesp/PC/BA/Delegado/2018. 🅛 (Cespe/PC/MA/Delegado/2018) Na esfera da

le-gislação processual penal, a repristinação somente se aplicará se houver expressa determinação legal. ✔

“LINDB. Art. 2º. (...). § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.”

🅛 (UFF/GM/Maricá/Guarda_Municipal/2019) De

acordo com o Código de Processo Penal, a lei processu-al penprocessu-al aplicar-se-á retroativamente quando, de quprocessu-al- qual-quer modo, favorecer o agente, aplicando-se inclusive

(11)

Ar

t. 2º

aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. ✘

🅛 (Vunesp/PC/SP/Delegado/2018) Tício está sendo

processado pela prática de crime de roubo. Durante o trâmite do inquérito policial, entra em vigor determina-da lei, reduzindo o número de testemunhas possíveis de serem arroladas pelas partes no procedimento or-dinário. A respeito do caso descrito, não se aplica a lei revogada porque a instrução ainda não se iniciara quando da entrada em vigor da nova lei. ✔

🅛 (Vunesp/TJ/RS/Cartórios/2019) Imagine que, no

curso de uma ação penal, nova lei processual extinga um recurso que era exclusivo da defesa, antes da pro-lação da decisão anteriormente recorrível. A esse res-peito, não será possível manejar o recurso, pois a lei processual penal aplicar-se-á desde logo. ✔

🅓 (Cespe/TJ/BA/Juiz_Leigo/2019) Em razão da

su-cessão de leis genuinamente processuais penais, será observado, nos processos em andamento, o sistema do isolamento dos atos processuais. ✔

“Como o ordenamento jurídico não é estanque, é possível que ocorra o conflito de leis processuais no tempo em razão do surgimento de nova lei pro-cessual. Disso, então, surgirá um conflito de leis no tempo. Buscando solucionar eventual impasse, três sistemas surgem: i) unidade: a lei vigente no início no processo irá regulá-lo até o seu fim, ainda que nova legislação surja no decurso do processo; ii) fases do processo: a lei vigente regulará a fase em que o processo se encontra. Divide-se o processo em três fases: (a) postulatória, (b) instrutória e (c) decisória. Iniciada a fase postulatória, por exemplo, a lei vigente irá incidir até o seu fim, ainda que nova lei surja no caminho do processo; encerrada esta fase e havendo lei nova vigente, passa-se a aplicar a novel lei em relação à próxima fase, instrutória. iii) isolamento dos atos do processo (‘tempus regit actum’): a lei será aplicada unicamente em relação ao ato processual; uma vez praticado este, a nova lei processual já poderá ter incidência sobre os atos futuros. É o sistema adotado no Brasil.” Fábio Roque Araújo & Klaus Negri Costa, Processo penal didático.

sobre o mesmo tema:

🅓 (Cespe/PC/MA/Investigador/2018) O

Bra-sil adota, no tocante à aplicação da lei proces-sual penal no tempo, o sistema da unidade pro-cessual. ✘

🅓 (Cespe/TJ/CE/Juiz/2018) De acordo com o

princí-pio da irretroatividade da lei processual penal, a regra nova não pode retroagir, mesmo quando eventualmen-te beneficiar o réu. ✘

“Uma vez que as regras sejam modificadas, quanto a um deles, podem existir reflexos incontestes no campo do direito penal. Imagine-se que uma lei crie nova causa de perempção. Apesar de dizer respeito a situações futuras, é possível que, em determinado

caso concreto, o querelado seja beneficiado pela norma processual penal recém-criada. Deve ela ser retroativa para o fim de extinguir a punibilidade do acusado, pois é nítido o seu efeito no direito material (art. 107, IV, CP). (...) Registre-se que a aplicação imediata da norma processual penal, ainda que mais rigorosa, é a regra, desde que não envolva questão de direito material ou o ‘status libertatis’ do indivíduo. E mais: quando se verifica a retroatividade da lei processual penal material benigna ou a sua ultrati-vidade, deve-se levar em conta os atos processuais ou relativos ao desenvolvimento do processo e não simplesmente a data do fato criminoso.” Guilherme Nucci, Curso de direito processual penal.

sobre o mesmo tema:

🅓 (FGV/ALE/RO/Consultor/2018) Com base

no princípio da irretroatividade da lei proces-sual penal, uma lei de conteúdo exclusivamente processual penal, em sendo mais gravosa ao réu, não poderá retroagir para atingir fatos an-teriores a sua entrada em vigor. ✘

🅓 (Cespe/TJ/DFT/Cartórios/2019) A norma

proces-sual material mais benéfica ao acusado, mesmo depois de revogada, continuará a regular os fatos ocorridos durante a sua vigência. ✔

“Às normas processuais materiais se aplica o mes-mo critério do direito penal, isto é, tratando-se de norma benéfica ao agente, mesmo depois de sua revogação, referida lei continuará a regular os fatos ocorridos durante a sua vigência (ultratividade da lei processual penal mista mais benéfica); na hipótese de ‘novatio legis in mellius’, referida norma será dotada de caráter retroativo, a ela se conferindo o poder de retroagir no tempo, a fim de regular os fatos ocorridos anteriormente a sua vigência.” Renato Brasileiro de Lima, Manual de processo penal.

sobre o mesmo tema:

🅓 (Cespe/PC/MA/Investigador/2018) Em

caso de normas processuais materiais – mistas ou híbridas –, aplica-se a retroatividade da lei mais benéfica. ✔

📌

Mais sobre esse artigo:

DoD (Ir)retroatividade da norma que altera a natureza

de ação penal. A norma que altera a natureza da ação

penal não retroage, salvo para beneficiar o réu. STJ, 6ª T, HC 182.714/RJ, rel. min. Maria Thereza de Assis Moura, j. 19.11.2012.



caiu em concurso mais antigo:

(FCC/DPE/SP/Defensor/2013) A norma que

altera a natureza da ação penal não retroage, salvo para beneficiar o réu, nos termos do artigo

(12)

CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 255

Ar

t. 3º-B

5º, inciso XL, da Constituição Federal, não tendo pronta aplicabilidade nos moldes do artigo 2º do Código de Processo Penal. ✔

STF “Súmula 325-STF. As emendas ao Regimento do

Supremo Tribunal Federal, sobre julgamento de questão constitucional, aplicam-se aos pedidos ajuizados e aos recursos interpostos anteriormente à sua aprovação.”

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Art. 3º A lei processual penal admitirá

inter-pretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito.

🅛 (Cespe/PC/MA/Escrivão/2018) A lei processual

penal não admitirá aplicação analógica. ✘

🅛 (FGV/TJ/SC/Técnico/2018) No curso de ação penal

em que Roberto figurava como denunciado, entrou em vigor lei que versava sobre processamento de ação pe-nal em procedimento comum ordinário, com conteúdo exclusivamente processual penal, prejudicial ao réu. O técnico judiciário, no momento de auxiliar no proces-samento do feito, deverá aplicar a nova lei processual penal, ainda que desfavorável ao réu, respeitando-se os atos já praticados, admitindo o Código de Processo Penal interpretação extensiva e aplicação analógica da lei processual. ✔

🅙 (Cespe/MPE/CE/Analista/2020) O STJ admite,

por analogia, a imposição de multa por litigância de má-fé em processo penal. ✘

DoD Não é possível a imposição de multa por

liti-gância de má-fé no âmbito do processo penal. Não é cabível a imposição de multa por litigância de má-fé no âmbito do processo penal. Isso porque não existe previsão expressa no CPP e aplicar as regras do CPC configuraria indevida analogia “in malam partem”.

STJ, 5ª T, HC 401.965/RJ, rel. min. Ribeiro Dantas, j. 26.9.2017. STJ, 6ª T, AgRg no AREsp 618.694/RS, rel. min. Nefi Cordeiro, j. 19.9.2017.

sobre o mesmo tema:

🅙 (MPE/GO/Promotor/2019) Consoante

ju-risprudência dominante do STJ, no âmbito do processo penal é incabível a fixação de multa por litigância de má-fé à defesa que abusa do direito de recorrer, interpondo, por exemplo, inúmeros recursos vazios e infundados de na-tureza evidentemente protelatória, tão somente com o intuito de procrastinar o trânsito em jul-gado da condenação. ✔

🅙 (Vunesp/PC/BA/Escrivão/2018) A lei processual

penal admite aplicação analógica apenas “in bonam partem”. ✘

DoD É possível a fixação de astreintes em desfavor de

terceiros, não participantes do processo, pela demo-ra ou não cumprimento de ordem emanada do Juízo Criminal. As normas do processo civil aplicam-se de forma subsidiária ao processo penal (art. 3º do CPP). O poder geral de cautela do processo civil também pode ser aplicado, em regra, ao processo penal. O emprego de cautelares inominadas só é proibido no processo penal se atingir a liberdade de ir e vir do indivíduo. Diante da finalidade da multa cominatória, que é conferir efetividade à decisão ju-dicial, é possível sua aplicação em demandas penais. Assim, o terceiro pode perfeitamente figurar como destinatário da multa. Vale ressaltar que essa multa não se confunde com a multa por litigância de má--fé. A multa por litigância de má-fé não é admitida no processo penal. STJ, 3ª S, REsp 1.568.445/PR, rel. min. Rogerio Schietti Cruz, rel. acd. min. Ribeiro Dantas, j. 24.6.2020, Informativo 676.

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Art. 3º-A O processo penal terá estrutura

acu-satória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação pro-batória do órgão de acusação. <Lei 13.964/19>

🅓 (FCC/DPE/AP/Defensor/2018) O sistema

acusató-rio se caracteriza por separar as funções de acusar e julgar e por deixar a iniciativa probatória com as partes.

“Próprio dos regimes democráticos, o sistema acu-satório caracteriza-se pela distinção absoluta entre as funções de acusar, defender e julgar, que deverão ficar a cargo de pessoas distintas. Chama-se ‘acusa-tório’ porque, à luz deste sistema ninguém poderá ser chamado a juízo sem que haja uma acusação, por meio da qual o fato imputado seja narrado com todas as suas circunstâncias. Asseguram-se ao acusado o contraditório e a ampla defesa. Como decorrência destes postulados, garante-se à defesa o direito de manifestar-se apenas depois da acusa-ção, exceto quando quiser e puder abrir mão desse direito.” Norberto Avena, Processo penal.

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sem questões em concursos recentes.

Art. 3º-B O juiz das garantias é responsável

pelo controle da legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos indi-viduais cuja franquia tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, com-petindo-lhe especialmente: <Lei 13.964/19>

I – receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII do caput do art. 5º da Constituição Federal; <Lei 13.964/19>

(13)

Ar

t. 3º-C

II – receber o auto da prisão em flagrante para o controle da legalidade da prisão, ob-servado o disposto no art. 310 deste Código;

<Lei 13.964/19>

III – zelar pela observância dos direitos do preso, podendo determinar que este seja con-duzido à sua presença, a qualquer tempo; <Lei 13.964/19>

IV – ser informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal; <Lei 13.964/19>

V – decidir sobre o requerimento de prisão provisória ou outra medida cautelar, observa-do o disposto no § 1º deste artigo; <Lei 13.964/19>

VI – prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como substituí-las ou revogá-las, assegurado, no primeiro caso, o exercício do contraditório em audiência pú-blica e oral, na forma do disposto neste Có-digo ou em legislação especial pertinente; <Lei 13.964/19>

VII – decidir sobre o requerimento de produ-ção antecipada de provas consideradas ur-gentes e não repetíveis, assegurados o contra-ditório e a ampla defesa em audiência pública e oral; <Lei 13.964/19>

VIII – prorrogar o prazo de duração do inqué-rito, estando o investigado preso, em vista das razões apresentadas pela autoridade policial e observado o disposto no § 2º deste artigo;

<Lei 13.964/19>

IX – determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver fundamento razo-ável para sua instauração ou prosseguimento;

<Lei 13.964/19>

X – requisitar documentos, laudos e informa-ções ao delegado de polícia sobre o andamen-to da investigação; <Lei 13.964/19>

XI – decidir sobre os requerimentos de: <Lei 13.964/19>

a) interceptação telefônica, do fluxo de comu-nicações em sistemas de informática e tele-mática ou de outras formas de comunicação;

<Lei 13.964/19>

b) afastamento dos sigilos fiscal, bancário, de dados e telefônico; <Lei 13.964/19>

c) busca e apreensão domiciliar; <Lei 13.964/19>

d) acesso a informações sigilosas; <Lei 13.964/19>

e) outros meios de obtenção da prova que res-trinjam direitos fundamentais do investigado;

<Lei 13.964/19>

XII – julgar o “habeas corpus” impetrado antes do oferecimento da denúncia; <Lei 13.964/19>

XIII – determinar a instauração de incidente de insanidade mental; <Lei 13.964/19>

XIV – decidir sobre o recebimento da denún-cia ou queixa, nos termos do art. 399 deste Código; <Lei 13.964/19>

XV – assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o direito outorgado ao investigado e ao seu defensor de acesso a todos os ele-mentos informativos e provas produzidos no âmbito da investigação criminal, salvo no que concerne, estritamente, às diligências em an-damento; <Lei 13.964/19>

XVI – deferir pedido de admissão de assisten-te técnico para acompanhar a produção da perícia; <Lei 13.964/19>

XVII – decidir sobre a homologação de acordo de não persecução penal ou os de colabora-ção premiada, quando formalizados durante a investigação; <Lei 13.964/19>

XVIII – outras matérias inerentes às atribui-ções definidas no caput deste artigo. <Lei 13.964/19>

§ 1º (Vetado). <Lei 13.964/19>

§ 2º Se o investigado estiver preso, o juiz das

garantias poderá, mediante representação da autoridade policial e ouvido o Ministério Pú-blico, prorrogar, uma única vez, a duração do inquérito por até 15 (quinze) dias, após o que, se ainda assim a investigação não for concluí-da, a prisão será imediatamente relaxada. <Lei 13.964/19>

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sem questões em concursos recentes.

Art. 3º-C A competência do juiz das garantias

abrange todas as infrações penais, exceto as de menor potencial ofensivo, e cessa com o re-cebimento da denúncia ou queixa na forma do art. 399 deste Código. <Lei 13.964/19>

§ 1º Recebida a denúncia ou queixa, as

ques-tões pendentes serão decididas pelo juiz da instrução e julgamento. <Lei 13.964/19>

§ 2º As decisões proferidas pelo juiz das

garantias não vinculam o juiz da instrução e julgamento, que, após o recebimento da de-núncia ou queixa, deverá reexaminar a neces-sidade das medidas cautelares em curso, no prazo máximo de 10 (dez) dias. <Lei 13.964/19>

§ 3º Os autos que compõem as matérias de

competência do juiz das garantias ficarão acautelados na secretaria desse juízo, à dis-posição do Ministério Público e da defesa, e não serão apensados aos autos do processo enviados ao juiz da instrução e julgamento, ressalvados os documentos relativos às provas irrepetíveis, medidas de obtenção de provas ou de antecipação de provas, que deverão ser remetidos para apensamento em apartado.

<Lei 13.964/19>

§ 4º Fica assegurado às partes o amplo

aces-so aos autos acautelados na secretaria do juí-zo das garantias. <Lei 13.964/19>

(14)

CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 257

Ar

t. 4º

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sem questões em concursos recentes.

Art. 3º-D O juiz que, na fase de investigação,

praticar qualquer ato incluído nas competên-cias dos arts. 4º e 5º deste Código ficará im-pedido de funcionar no processo. <Lei 13.964/19>

Parágrafo único. Nas comarcas em que

fun-cionar apenas um juiz, os tribunais criarão um sistema de rodízio de magistrados, a fim de atender às disposições deste Capítulo. <Lei 13.964/19>

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sem questões em concursos recentes.

Art. 3º-E O juiz das garantias será designado

conforme as normas de organização judiciária da União, dos Estados e do Distrito Federal, observando critérios objetivos a serem perio-dicamente divulgados pelo respectivo tribu-nal. <Lei 13.964/19>

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sem questões em concursos recentes.

Art. 3º-F O juiz das garantias deverá

asse-gurar o cumprimento das regras para o tra-tamento dos presos, impedindo o acordo ou ajuste de qualquer autoridade com órgãos da imprensa para explorar a imagem da pessoa submetida à prisão, sob pena de responsabili-dade civil, administrativa e penal. <Lei 13.964/19>

Parágrafo único. Por meio de regulamento, as

autoridades deverão disciplinar, em 180 (cen-to e oitenta) dias, o modo pelo qual as infor-mações sobre a realização da prisão e a iden-tidade do preso serão, de modo padronizado e respeitada a programação normativa aludida no caput deste artigo, transmitidas à impren-sa, assegurados a efetividade da persecução penal, o direito à informação e a dignidade da pessoa submetida à prisão. <Lei 13.964/19>

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Mais sobre esse artigo:

DoD Observação: no dia 22.01.2020, o Ministro Luiz

Fux proferiu decisão monocrática nas ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305, suspendendo a eficácia de diversos dispo-sitivos da Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime). Os arts. 3º-A, 3º-B, 3º-C, 3º-D, 3ª-E e 3º-F do CPP, que tratam do juiz das garantias, encontram-se suspensos até que o Plenário do STF aprecie a decisão cautelar. Ao estudar, confira se essa decisão foi mantida ou não e se o dispositivo está produzindo efeitos.

Título II – Do Inquérito Policial

(arts. 4º ao 23)

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🅻🅹🅹🅳🅳

Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas

autoridades policiais no território de suas res-pectivas circunscrições e terá por fim a apu-ração das infrações penais e da sua autoria.

Parágrafo único. A competência definida

neste artigo não excluirá a de autoridades ad-ministrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.

🅛 (AOCP/PC/ES/Perito/2019) A competência de

apuração das infrações penais e da sua autoria não excluirá a de outras autoridades administrativas que não a polícia judiciária, a quem, por lei, seja cometida a mesma função. ✔

🅙 (AOCP/PC/ES/Investigador/2019) A presidência

da investigação de natureza criminal é privativa da po-lícia judiciária. ✘

DoD Ministério Público pode realizar diretamente a

investigação de crimes. O STF reconheceu a legiti-midade do Ministério Público para promover, por autoridade própria, investigações de natureza penal, mas ressaltou que essa investigação deverá respeitar alguns parâmetros que podem ser a seguir listados: (1) Devem ser respeitados os direitos e garantias fundamentais dos investigados; (2) Os atos investi-gatórios devem ser necessariamente documentados e praticados por membros do MP; (3) Devem ser observadas as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição, ou seja, determinadas diligências somen-te podem ser autorizadas pelo Poder Judiciário nos casos em que a CF/88 assim exigir (ex.: intercepta-ção telefônica, quebra de sigilo bancário etc.); (4) Devem ser respeitadas as perrogativas profissionais asseguradas por lei aos advogados; (5) Deve ser assegurada a garantia prevista na Súmula vinculante 14 do STF (“É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento in-vestigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”); (6) A investigação deve ser realizada dentro de prazo razoável; (7) Os atos de investigação conduzidos pelo MP estão sujeitos ao permanente controle do Poder Judiciário. A tese fixada em repercussão geral foi a seguinte: “O Mi-nistério Público dispõe de competência para pro-mover, por autoridade própria, e por prazo razoável, investigações de natureza penal, desde que respeita-dos os direitos e garantias que assistem a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do Estado, observadas, sempre, por seus agentes, as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição e, também, as prerrogativas profissionais de que se

(15)

Ar

t. 5º

acham investidos, em nosso País, os advogados (Lei 8.906/1994, art. 7º, notadamente os incisos I, II, III, XI, XIII, XIV e XIX), sem prejuízo da possibilida-de – sempre presente no Estado possibilida-democrático possibilida-de Direito – do permanente controle jurisdicional dos atos, necessariamente documentados (Enunciado 14 da Súmula Vinculante), praticados pelos mem-bros dessa Instituição”. STF, Pleno, RE 593727/MG, red. p/ ac. Min. Gilmar Mendes, j. 14.5.2015, repercussão geral, Informativo 785. STF, 1ª T, HC 85011/RS, red. p/ ac. Min. Teori Zavascki, j. 26.5.2015, Informativo 787.

🅙 (Cefet/MPE/BA/Promotor/2018) O poder de

polí-cia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso de crime cometido nas suas dependências, com-preende a prisão em flagrante do agente e a instaura-ção do inquérito policial. ✔

“Súmula 397-STF. O poder de polícia da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, em caso de crime cometido nas suas dependências, compreen-de, consoante o regimento, a prisão em flagrante do acusado e a realização do inquérito.”

🅓 (MPE/PR/Promotor/2019) O membro do

“Par-quet”, com atuação na área de investigação criminal, pode avocar a presidência do inquérito policial, em sede de controle difuso da atividade policial. ✘

“O inquérito policial, então, é presidido pela auto-ridade policial – delegados de polícia e delegados federais – que, ao final do procedimento, lavra um relatório de todo o apurado (art. 10, CPP).” Eugênio Pacelli & Douglas Fischer, Comentários ao Código de Processo Penal e sua jurisprudência.

🅓 (Vunesp/PC/SP/Delegado/2018) Para saber qual

é a autoridade policial competente para um certo in-quérito policial, utiliza-se o critério “ratione loci” ou “ra-tione materiae”. ✔

“Autoridade competente para presidir inquérito é, em regra, o delegado de polícia – civil ou federal. Tecnicamente, a expressão ‘competência’, em proces-so penal, é utilizada para indicar o limite territorial ou material do poder jurisdicional; a esfera legal-mente permitida para o exercício da jurisdição pelo juiz natural. No art. 4º do CPP, a expressão é utilizada no sentido vulgar, como designativo da esfera de atribuições da autoridade policial, que, exatamente por não ser detentora de jurisdição, também não detém competência ‘stricto sensu’. Mas é certo que o exercício das funções de autoridade policial também se encontra delimitado, ‘a priori’, em determinado território, tecnicamente denominado circunscrição, e mesmo em razão da natureza do delito, conforme dispuser regra específica, do que decorre a existência de delegacias especializadas, como servem de exem-plo as delegacias de furtos e roubos, de drogas, de homicídios, antissequestros, da mulher, do idoso, do consumidor etc.” Renato Marcão, Código de Processo Penal comentado.

🕬 Artigo Muito Cobrado nas Provas!

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🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅻🅹🅹🅳🅳🅳 🅳🅳🅳🅳🅳🅳🅳

Art. 5º Nos crimes de ação pública o inquérito

policial será iniciado: I – de ofício;

II – mediante requisição da autoridade judi-ciária ou do Ministério Público, ou a requeri-mento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.

§ 1º O requerimento a que se refere o no II

conterá sempre que possível:

a) a narração do fato, com todas as circuns-tâncias;

b) a individualização do indiciado ou seus si-nais característicos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer; c) a nomeação das testemunhas, com indica-ção de sua profissão e residência.

§ 2º Do despacho que indeferir o

requerimen-to de abertura de inquérirequerimen-to caberá recurso para o chefe de Polícia.

§ 3º Qualquer pessoa do povo que tiver

co-nhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbal-mente ou por escrito, comunicá-la à autori-dade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito.

§ 4º O inquérito, nos crimes em que a ação

pública depender de representação, não po-derá sem ela ser iniciado.

§ 5º Nos crimes de ação privada, a autoridade

policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

Ação pública

🅛 (FCC/TRT/2R/Técnico/2018) A autoridade policial

somente poderá proceder a inquérito policial, nos cri-mes de ação pública, se houver representação da víti-ma ou de quem tiver qualidade para representá-la. ✘ 🅛 (Ieses/TJ/SC/Cartórios/2019) O inquérito policial

poderá ser iniciado por requisição da autoridade judi-cial ou do Ministério Público, ou por requerimento do ofendido ou seu representante, nos crimes de ação pú-blica incondicionada. ✔

🅛 (MPE/PR/Promotor/2019) O inquérito policial

pode ser instaurado de ofício, por requisição do Minis-tério Público e a requerimento do ofendido em casos de crime de ação penal pública incondicionada. ✔

Referências

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