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ANÁLISE DO EQUILÍBRIO E DA QUALIDADE DE VIDA DE PORTADORES DE DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC)

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ANÁLISE DO EQUILÍBRIO E DA QUALIDADE DE VIDA DE PORTADORES DE DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC)

Camila do Nascimento Fortunato1;Frinye Regina de Moraes Santos2;Katiúscia Pereira de Resende2; Flávia Martins Gervásio3

1 Bolsista PBIC/UEG, graduanda do Curso de Fisioterapia, UnU Goiânia - ESEFFEGO 2PVIC/UEG, graduandas do Curso de Fisioterapia, UnU Goiânia - ESEFFEGO.

3 Orientador, Docente na Universidade Estadual de Goiás, UnU Goiânia - ESEFFEGO RESUMO

Além de todo o acometimento pulmonar, indivíduos com DPOC apresentam anormalidades extrapulmonares, as quais alteram toda a mecânica corporal e, possivelmente, interferem no equilíbrio corporal e na qualidade de vida dos portadores desta patologia. O presente estudo teve como objetivo relatar as alterações respiratórias e suas conseqüências sistêmicas no portador de DPOC em relação ao equilíbrio corporal e a qualidade de vida dos mesmos. Realizou-se uma revisão de literatura em que foram selecionados livros e artigos (bases de dados Pubmed, Lilacs e Scielo) com o tema DPOC, equilíbrio e qualidade de vida. Foram encontrados 40 artigos e 1 livro de interesse. Destes, 20 artigos e 1 livro foram relevantes para a elaboração desse estudo. Houve uma equivalência no número de artigos abordando a DPOC e o equilíbrio isoladamente, mas apenas 2 artigos abordaram a qualidade de vida. Apenas 2 artigos mostraram uma correlação indireta entre DPOC e equilíbrio, evidenciando a escassez de referências. Contudo, o material encontrado serviu de base para a elaboração de uma inovadora discussão sobre o tema. A partir dos estudos consultados, acredita-se que as alterações músculo-esqueléticas advindas da DPOC podem gerar alterações de equilíbrio estático, porém, são necessários mais estudos com instrumentação adequada que comprovem esta hipótese.

Palavras-chave: doença pulmonar obstrutiva crônica, equilíbrio, qualidade de vida.

INTRODUÇÃO

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (2004), a DPOC é uma patologia prevenível, tratável e não totalmente reversível caracterizada pela presença de

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obstrução crônica do fluxo aéreo. A obstrução aérea é geralmente progressiva e está associada à resposta inflamatória pulmonar anômala frente a partículas ou gases nocivos, principalmente os provenientes do cigarro.

Embora a limitação ventilatória seja o foco principal da DPOC, estudos realizados por Dourado et al (2006) têm fornecido evidências de que esta enfermidade está freqüentemente associada a anormalidades extrapulmonares, os chamados "efeitos sistêmicos da DPOC". Estes efeitos são clinicamente relevantes e podem contribuir para a melhor compreensão e gestão da doença.

Uma queixa comum em pacientes é a limitação ao exercício físico, sendo explicada pelo aumento do trabalho respiratório e pela hiperinsuflação dinâmica advinda da limitação ao fluxo aéreo característico da doença (AGUSTI, 2003). A intolerância ao exercício é um dos maiores determinantes dos prejuízos à qualidade de vida em pacientes com DPOC (STAV et al, 2009).

As informações sensoriais e a atividade muscular se relacionam de forma contínua durante a manutenção da postura ereta (BARELA, 2000). Assim, qualquer alteração sensorial ou muscular resultará em uma instabilidade corporal. Uma vez que o portador de DPOC apresenta alteração motora em decorrência da disfunção músculo-esquelética confirmada na literatura, acredita-se que ele está propenso a um maior déficit de equilíbrio em relação aos não portadores da enfermidade.

A importância da avaliação do equilíbrio corporal é justificada na medida em que, prevenindo-se as conseqüências do déficit de estabilidade postural, medidas terapêuticas precoces poderão ser tomadas para minimizar os prejuízos psicossociais, físicos e econômicos da população que já está arcando com as adversidades decorrentes da patologia de base, que é a DPOC (BONFIM et al, 2008).

Diante destes fatos, o presente estudo teve como objetivo relatar as alterações respiratórias e suas conseqüências sistêmicas nos portadores de DPOC em relação ao equilíbrio corporal e a qualidade de vida dos mesmos.

MATERIAIS E MÉTODOS

Estudo de revisão de literatura sobre o tema DPOC, equilíbrio e qualidade de vida. Somente foram incluídos artigos de relevância e desde que publicados nos anos de 2000 a 2009. Exceção se faz ao artigo de Imbiriba (1997), que foi incluído devido à relevância do estudo. De forma complementar, também foram pesquisados livros relacionados ao tema. Na

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pesquisa dos artigos, foram consultadas as bases de dados Pubmed, Lilacs e Scielo, utilizando os descritores: DPOC ou doença pulmonar obstrutiva crônica, equilíbrio e qualidade de vida e seus correspondentes em inglês. Os descritores foram usados isoladamente e em combinação na pesquisa. A coleta de dados ocorreu no período de janeiro a julho de 2009.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No período de coleta, partindo da combinação dos descritores, foram encontrados 40 artigos de referência. Destes, 20 foram considerados relevantes e utilizados na elaboração desse trabalho. Conforme o assunto abordado, os artigos foram divididos em 3 áreas de interesse: 1) DPOC e alterações sistêmicas; 2) equilíbrio e controle postural; 3) qualidade de vida.

Observa-se que a maioria das referências constitui-se de artigos (20), havendo apenas um livro. O livro abrangeu a DPOC. Praticamente, houve uma equivalência no número de artigos abrangendo a DPOC (10) e o equilíbrio corporal (8). Apenas 2 artigos abordaram a qualidade de vida, um deles correlacionou-a à DPOC e o outro, ao equilíbrio.

De todo o material utilizado, apenas 2 artigos correlacionaram áreas diferentes: equilíbrio e DPOC, as quais foram o foco do estudo. Todavia, tratou-se de uma correlação indireta, isto é, um dos artigos tratou da interdependência da respiração com o restante do corpo na forma de cadeias musculares, considerando a presença da disfunção músculo-esquelética nos portadores da doença. O outro utilizou a instrumentação em laboratório e comprovou, quantitativamente, que a respiração gera perturbações posturais, as quais se mantêm nos limites de estabilidade.

Pela ausência de referências explicitando uma correlação direta entre equilíbrio e DPOC, as mesmas foram utilizadas para a realização de uma discussão inovadora, abordando uma correlação indireta sobre o tema.

Assim sendo, a partir do levantamento bibliográfico realizado as características clínicas mais comuns da DPOC incluem tosse geralmente produtiva, secreção, sibilos e dispnéia progressiva. A dispnéia é o principal sintoma associado à incapacidade, redução da qualidade de vida e pior prognóstico (SNIDER et al, 2004).

A diminuição do débito aéreo, a retenção de ar no final da expiração e a hiperinsuflação característicos da DPOC ocorrem em decorrência da resposta inflamatória crônica anormal que induz à lesão do parênquima e conseqüente fibrose das pequenas vias. (MAC NEE et al, 2004). Essa obstrução das vias aéreas, por sua vez, diminui a capacidade

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inspiratória e aumenta a capacidade residual funcional, o que leva a uma limitação na capacidade de atividade física e falta de ar. A obstrução das vias aéreas também resulta em desequilíbrio na relação ventilação-perfusão, resultando em hipoxemia e hipercapnia. (TARANTINO e SOBREIRO, 1997 ).

A resistência aumentada ao débito aéreo impõe uma elevação da energia necessária ao ato de respirar. A hiperinsuflação provoca desvantagem mecânica ao diminuir a elastância. A presença dessas cargas resistivas e elásticas impõe um significativo aumento do trabalho aos músculos inspiratórios nos doentes com DPOC e, à medida que o volume pulmonar aumenta, esses músculos sofrem um encurtamento passivo (RODRIGUES, 2004).

Além de todo o acometimento pulmonar descrito acima, a patologia também possui características clínicas não limitadas ao grau de obstrução brônquica. As anormalidades extrapulmonares também causam um impacto importante na qualidade de vida do paciente (ZIELINSKI et al, 2008).

De acordo com Mador e Bozkanat (2001), a disfunção musculoesquelética é comum em pacientes com DPOC e pode ter papel significativo na limitação destes ao exercício. Tanto a força muscular quanto a tolerância ao exercício estão diminuídos, tornando o músculo mais fatigável. Esta fadiga é explicada pelas alterações nos tipos de fibras, redução da capilaridade, diminuição da capacidade oxidativa enzimática e alterações bioenergéticas alveolares, levando à hipotrofia e à perda da resistência muscular.

O equilíbrio corporal é definido como a manutenção de uma postura particular do corpo com um mínimo de oscilação ou a manutenção da postura durante o desempenho de uma habilidade motora que tenda a perturbar a orientação do corpo. Qualquer limitação de força, amplitude de movimento, dor ou mesmo de controle dos pés (base de suporte) irá afetar o controle postural (CARVALHO e ALMEIDA, 2008).

O controle postural considera a manutenção do alinhamento corporal e do tônus em relação à gravidade, à superfície de suporte, às referências internas e às informações sensoriais. Também depende da habilidade de manter o centro de massa dentro dos limites de estabilidade (BANKOFF et al, 2007).

Mecanicamente, as condições de equilíbrio do corpo dependem das forças e momentos de força que sobre ele são aplicados. Um corpo está em equilíbrio mecânico quando a somatória de todas essas forças e momentos de força é igual à zero. Dentre as forças perturbadoras do equilíbrio estão diversos fatores fisiológicos: batimentos cardíacos, retorno venoso e respiração, que são forças internas atuantes sobre o corpo (BARROS, 2008).

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IMBIRIBA (1997) confirmou, em sua tese de mestrado, a participação da respiração normal nas oscilações posturais durante a banda espectral entre 0,2 e 0,45Hz, utilizando a promediação dos deslocamentos do centro de pressão durante os ciclos respiratórios. Os protocolos mostraram que esses deslocamentos foram similares entre os 16 indivíduos na direção y e com respiração controlada, isto é, as oscilações corporais coincidiram com o movimento do esterno e da caixa torácica na direção antero-posterior durante o ato da respiração.

Para Ungier (2005), o acometimento respiratório altera toda a mecânica corporal uma vez que todos os músculos do corpo humano estão ligados entre si através de fáscias e aponeuroses, formando cadeias musculares. Moraes (2002) corrobora afirmando que cadeia muscular é organização dos músculos em cadeias de forma integrada e global, visando a manter o indivíduo em equilíbrio postural.

O indivíduo necessita ter o domínio do controle postural para a realização das atividades de vida diária através da capacidade de manter-se em várias posições, responder automaticamente a movimentos voluntários do corpo e das suas extremidades e reagir adequadamente a perturbações externas (FIGUEIREDO et al, 2007).

As manifestações dos distúrbios de postura e equilíbrio corporal têm grande impacto na qualidade de vida, pois há redução da autonomia social, há menos realização de atividades de vida diária e mais predisposição a quedas e fraturas, trazendo sofrimento, imobilidade corporal, medo de cair novamente e altos custos com o tratamento de saúde (ABREU e CALDAS, 2008).

Desta forma, entende-se que a atuação sobre a mecânica respiratória não pode se desvincular de uma abordagem sobre a organização da totalidade do corpo, de tal forma que uma intervenção sobre disfunções ósteo-musculares em regiões periféricas pode produzir efeitos benéficos sobre o equilíbrio global, aí incluída a respiração (UNGIER, 2005).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir dos estudos consultados, há fortes indícios de que as alterações pulmonares e músculo-esqueléticas advindas da DPOC possam gerar perturbações maiores no equilíbrio, levando a uma piora da qualidade de vida dos indivíduos. Entretanto, não há ensaios clínicos com instrumentação adequada que comprovem esta hipótese. Sugerem-se pesquisas futuras no intuito de investigar esta hipótese e nortear os programas de reabilitação.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABREU, S. S. E.; CALDAS, C. P. Velocidade de marcha, equilíbrio e idade: um estudo correlacional entre idosas praticantes e idosas não praticantes de um programa de exercícios terapêuticos. Rev. Bras. Fisioterapia, São Carlos, v.12, n.4, 2008.

AGUSTI, A. G. N.; NOGUERA, A.; SAULEDA, J.; SALA, E.; PONS, J.; BUSQUETS, X. Systemic effects of chronic obstructive pulmonary disease. Eur Respir Journals Ltd, v.21, p. 347-360, 2003

BANKOFF, A. D. P.; CAMPELO, T. S.; CIOL, P.; ZAMAI, C. A. Postura e equilíbrio corporal: um estudo das relações existentes. Movimento & Percepção: Espírito Santo do Pinhal, v.7, n.10, p.89-104, 2007.

BARELA, J.A. Estratégias de controle em movimentos complexos: ciclo percepção-ação no controle postural. São Paulo: Revista Paulista de Educação Física, supl. 3, p. 79-88, 2000. BARROS, M.B. Desenvolvimento de um Estabilômetro para estudo do equilíbrio humano. Porto Alegre; 2008. (Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de pós-graduação da Universidade Católica do Rio Grande do Sul)

BONFIM, A. F. F.; BOTELHO, H. A.; MENEZES, R. L.; LEMOS, T. V. Estudo comparativo de instrumentos de avaliação do equilíbrio corporal de idosos. Efdeportes – Revista Digital: Buenos Aires, ano 13, n.125, 2008

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