APRESENTAÇÃO
’’HARLANIA
ENIGMATICA’’, UM
ICNOFÓSSIL NEM TÃO
ENIGMÁTICO ASSIM
Por Lílian Bergqvist
LANÇAMENTO DO LIVRO
ZOO IN RIO - UMA
HSTÓRIA DA FAUNA
CARIOCA, DO BRASIL
COLONIAL AO ESTADO
NOVO
Por Antonio Carlos S. Fernandes
Por Alexander Kellner
AS COMEMORAÇÕES DOS
201 ANOS DO MUSEU
NACIONAL - UMA VIRADA
DE PÁGINA
DIÁRIO DE UM
PALEONTÓLOGO
Nº 24, abr-jun de 2019
ISSN 2318-7298
UFRJ- Universidade Federal do Rio de Janeiro
UNIRIO- Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Hermínio Ismael de Araújo-Júnior
Biênio 2018-2020
UFES- Universidade Federal do Espírito Santo Antonio Carlos Sequeira Fernandes
Rio de Janeiro
Sociedade Brasileira de Paleontologia
ISSN 2318-7298
Paleonotícias On-line nº 24 Abr - Jun de 2019
Núcleo RJ/ES
Corpo Editorial
Lílian Paglarelli Bergqvist
UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Dimila Mothé
Museu Nacional- Universidade Federal do Rio de Janeiro Fernando Henrique de Souza Barbosa
UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro Rodrigo Giesta Figueiredo
Edição e Diagramação
ANM - Agência Nacional de Mineração
CPRM- Serviço Geológico do Brasil E-mail: [email protected] Márcia A. dos Reis Polck
Web: https://sites.google.com/site/paleonoticiasonline/ Rafael Costa da Silva
Com colaboração de:
SUMÁRIO
EXPEDIENTE
Por Antonio Carlos S. Fernandes
LANÇAMENTO DO LIVRO
ZOO IN RIO - UMA HSTÓRIA
DA FAUNA CARIOCA, DO
BRASIL COLONIAL AO ESTADO
NOVO
’’HARLANIA ENIGMATICA’’,
UM ICNOFÓSSIL NEM TÃO
ENIGMÁTICO ASSIM
APRESENTAÇÃO
Por Lílian Bergqvist
AS COMEMORAÇÕES DOS
201 ANOS DO MUSEU
NACIONAL - UMA VIRADA
DE PÁGINA
Por Alexander Kellner
DIÁRIO DE UM
PALEONTÓLOGO
PAG.
3PAG.
7PAG.
5 4PAG.
10PAG.
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3
NÚCLEO SBP RJ/ES NÚCLEO SBP RJ/ESEVENTOS
SVP Annual Metting De 9 a 12 de Outubro de 2019 Queensland - AustraliaV Simpósio Brasileiro de Patrimônio Geológico
De 14 a 19 de Outubro de 2019 Crato - CE 16º Geosudeste De 20 a 23 de Outubro de 2019 Campinas - SP http://geosudeste.com.br/
XXVI Congresso Brasileiro de Paleontologia
De 21 a 25 de Outubro de 2019 Uberlândia - MG Paleo Nordeste De 02 a 05 de Dezembro de 2019 Maceió - AL Paleo RJ/ES Dezembro de 2019 São Gonçalo - RJ Paleo SP 29 e 30 de Dezembro de 2019 Sorocaba - SP
APRESENTAÇÃO
Por Hermínio Ismael de Araújo-Júnior
Presidente do Núcleo RJ/ES da Sociedade Brasileira de Paleontologia
A Edição nº 24 do Boletim Paleonotícias On-line traz consigo relatos dos últimos acontecimentos no cenário paleontológico dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A comemoração dos 201 anos do Museu Nacional e o lançamento do livro “Zoo in Rio” são destaques desta edição.
A vice-presidente do Núcleo RJ/ES da SBP, Lílian Paglarelli Bergqvist, descreveu a experiência de participar do lançamento do livro “Zoo in Rio”, que detalha a fauna carioca do Brasil colonial ao Estado Novo. O livro é de autoria dos paleontólogos Francisco Figueiredo, Valéria Gallo e Bruno Absolon, todos da UERJ. No livro, os autores contam um pouco da história dos estudos zoológicos ocorridos do século XVI ao XX, e nos convidam a viajar pelo Rio de Janeiro do passado, explorando descobertas e personagens que determinaram os rumos da história da Zoologia no Brasil, num livro repleto de belas e raras imagens, algumas delas pouco conhecidas.
Em mais um “Diário de um Paleontólogo”, Rafael Costa da Silva apresenta o projeto “Museu em Movimento”, do Museu de Ciências da Terra/CPRM. Atualmente, o museu passa por um O Museu Nacional virou mais uma página de sua história. As comemorações de 201 anos da mais antiga instituição científica do país marcaram um novo momento da vida do Museu Nacional. Alexander Kellner, diretor do Museu, relatou como se deram as comemorações do aniversário da instituição e deu detalhes sobre novas parcerias, projetos e avanços da instituição. Mas ainda há muito para fazer. Nas palavras do Diretor, “Estamos no início de uma jornada muito longa. Progressos estão acontecendo: os projetos, tanto de restauração da fachada como do interior do futuro Museu, estão sendo desenvolvidos. Também estamos trabalhando na conceituação de um projeto inicial das novas exposições”.
O paleontólogo Antonio Carlos Sequeira Fernandes apresenta o imbróglio envolvendo um selo lançado pelo serviço postal do Chade, o qual, em 1998, apresentou uma série de selos envolvendo temáticas paleontológicas e arqueológicas. “Harlania enigmatica”, icnoespécie equivocadamente designada dois anos antes, está representada em um desses selos. Antonio Carlos descreve toda a história taxonômica desse icnotáxon, o qual, hoje, é sinônimo de
Arthrophycus.
Desejamos a todos uma boa leitura!
processo de reestruturação com a reforma de seus edifícios históricos e construção de novas instalações para pesquisa e guarda das coleções científicas. Essa readequação implicará na disponibilização total do maior acervo geocientífico do Brasil ao público.
No dia 29/04/2019, na Capela Ecumênica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ocorreu o lançamento do livro ZOO IN RIO – uma história da fauna carioca, do Brasil colonial ao Estado Novo, de autoria dos paleozoólogos Dr. Francisco Figueiredo, Dra. Valéria Gallo e Dr. Bruno A. Absolon.
Os interessados em adquirir o livro deverão contatar os autores, através do e-mail [email protected]. O valor do livro é de R$ 50,00 (cinquenta reais).
O evento contou com a presença do Prof. Mario Sergio Alves Carneiro, diretor do Centro Biomédico da UERJ, e da Profa. Norma Albarello, vice-diretora do Instituto de Biologia da UERJ, de paleontólogos e de muitos estudantes.
O livro já começa nos surpreendendo pelo prefácio, feito por um paleontólogo (não um zoólogo!) italiano (não um brasileiro!): Dr. Giuseppe Leonardi. Nele, Leonardi expõe os principais pontos abordados no livro, entremeados com suas curiosas experiências no Brasil.
No livro ZOO IN RIO, os autores contam um pouco da história dos estudos zoológicos ocorridos do século XVI ao XX, e nos convidam a viajar pelo Rio de Janeiro de outrora, explorando d e s c o b e r t a s e p e r s o n a g e n s ( a q u e l e s pesquisadores hoje mormente conhecidos pelas e s p é c i e s q u e o s h o m e n a g e i a m ) , q u e determinaram os rumos da história da Zoologia no Brasil, num livro repleto de belas e raras imagens, algumas delas pouco conhecidas.
LANÇAMENTO DO LIVRO ZOO IN RIO - UMA HISTÓRIA DA FAUNA
CARIOCA, DO BRASIL COLONIAL AO ESTADO NOVO
Por Lílian P. Bergqvist
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro
Foto de Márcia Polck Foto de Márcia Polck Foto de Márcia Polck
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NÚCLEO SBP RJ/ES
Foto de Márcia Polck
Foto de Márcia Polck
Foto de Márcia Polck (3)
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Quando o serviço postal do Chade lançou em dezembro de 1998 uma série de selos tendo como temática fósseis e pinturas rupestres do país, seus responsáveis não poderiam imaginar que estariam divulgando, também, uma icnoespécie então denominada equivocadamente dois anos antes como “Harlania enigmatica”. Aliás, uma icnoespécie que, de fato, nunca existiu. Entretanto, para se entender o imbróglio envolvendo a criação dessa icnoespécie, é preciso que se compreenda, de forma sucinta, os rumos nomenclaturais envolvendo dois icnogêneros hoje considerados sinônimos, Harlania e Arthrophycus, sendo somente o segundo válido atualmente.
Aparentemente, a confusão com a designação da nova icnoespécie começou quando
Arthrophycus foi originalmente descrito
como Fucoides face à interpretação de que seria fruto da preservação de algas por Richard Harlan em 1831, designação que permaneceu por 20 anos até que dois paleontólogos, o norte-americano James Hall e o alemão Johann Heinrich Robert Göppert, estudando independentemente fósseis provenientes dos Apalaches, criaram, respectivamente, dois novos icnogêneros,
Arthrophycus e Harlania. Como haviam sido
descritos no mesmo ano, em 1852, e face à ausência de maiores informações de qual designação teria sido criada em primeiro lugar, ambos permaneceram válidos por pouco mais de um século. Tentativas de revisão quase ao final do século XIX mantiveram a validade dos dois, mas com o entendimento equivocado em uma das tentativas de que Harlania teria a prioridade. O problema somente foi solucionado em 1962 quando W. Häntzschel, no volume Miscellania da conhecida obra Treatise on Invertebrate
Paleontology, optou pela designação de Arthrophycus como sinônimo sênior (vide
Rindsberg & Martin, 2003 para maiores detalhes e referências bibliográficas). Apesar disso, por desconhecimento ou simples opção, alguns autores posteriormente continuaram a utilizar a designação Harlania para os icnofósseis, como ocorreu com Pierre Vincent, M. Jacqué e Alain Beauvilain ao identificar a presença de
Arthrophycus alleghaniensis no norte da África
como pertencente ao icnogênero Harlania.
Beauvilain, residindo no Chade e sem dispor de bibliografia especializada e dos atuais recursos de internet, baseou-se nos estudos de Beauvilain conheceu a tese de Pierre Vincent sobre os vulcões cenozoicos do Chade datada de 1963, onde o autor fez referências à presença e distribuição de “Harlania”, fóssil que segundo Beuvilain era bem conhecido por Vincent e interpretado como enigmatica por se desconhecer a sua origem, se animal ou vegetal. U l t e r i o r m e n t e , M . J a c q u é , e m 1 9 9 3 , provavelmente também ciente do trabalho de Vincent, teceu comentários sobre os fósseis das diferentes formações paleozoicas do Fezzan sul-oriental, fazendo a seguinte citação para os fósseis: “Enigmatica (Tigillites, Harlani,
Spirophyton), bois, lingules, brachiopodes dévono-carboniferes”. Apesar dessas informações
não serem por si só totalmente esclarecedoras, elas auxiliam na interpretação dos fatos que levaram à criação da nova designação icnoespecífica.
Alain Beauvilain divulgou a nova designação em 1996 numa publicação do “Centre national d'appui à la recherche” (CNAR). O artigo intitulado “Pages
d'histoire naturelle de la terre Tchadienne” citava
e ilustrava a presença de “Harlania enigmatica” nas rochas paleozoicas existentes no Chade, mas sem maiores informações descritivas e de procedência dos fósseis. Formado em geografia, Beauvilain começou sua vida profissional como professor de história e geografia no liceu de Tombuctu, no Mali, trabalhando depois por 11 anos na República dos Camarões e por mais 13 anos no Chade, desde 1989, chegando a ocupar o c a r g o d e c o o r d e n a d o r d a s a t i v i d a d e s paleontológicas na República do Chade. No âmbito de suas funções, organizou cerca de 29 missões no Saara chadiense e, nesse interim, recebeu os professores Michel Brunet, paleontólogo de Poitiers, e Pierre Vincent, um vulcanólogo emérito da Universidade de Clemont-Ferrand. Ambos participaram das missões exploratórias no Chade, q u a n d o o c o r r e ra m a s d e s c o b e r t a s d o
Australopithecus bahrelghazali e Sahelanthropus tchadensis, apelidado como o homem de Toumai,
além do registro dos grandes impactos de meteoritos de Aorounga e Gwéni Fada.
Foto de Thompson Pereira
Nº 24, Abr - Jun 2019
“HARLANIA ENIGMATICA”, UM ICNOFÓSSIL NEM TÃO
ENIGMÁTICO ASSIM
Museu Nacional/UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro Por Antonio Carlos Sequeira Fernandes
(1)
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Foto de Ian Scheibub
Foto de Ian Scheibub
Foto de Ian Scheibub Faço um agradecimento especial a Andrew
Rindsberg e a Alain Beauvilain pela gentileza em ceder cópias dos trabalhos citados e informações pessoais importantes incluídas no texto. [Apoio: CNPq]
Vincent e, desconhecendo a atualização da sinonímia de Harlania como Arthrophycus, designou e ilustrou os exemplares como “Harlania
enigmatica”. Entretanto, por não atender às
determinações do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, “H. enigmatica” pode ser considerada um nomen nudum. Por fim, a análise da ilustração publicada de “H. enigmatica”, tanto no artigo de Beuavilain em 1996 e no selo postal em 1998, permite claramente identificar o icnofóssil como sendo um belo exemplar de A.
alleghaniensis. Mais recentemente essa
icnoespécie foi registrada nas camadas de idade siluriana inferior da Líbia e do Chade por outros autores como Pflüger (1999) e Seilacher (2000). Solucionado o mistério, conclui-se que a nova icnoespécie não era tão enigmática assim.
Quanto à emissão postal, foi Beauvilain quem indicou ao serviço postal chadiense a utilização das fotos do artigo intitulado “Pages
d'histoire naturelle de la terre Tchadienne”, o qual
teve 5.000 exemplares impressos e que Beauvilain, durante suas missões através do Chade, distribuía nas escolas presentes ao longo dos seus trajetos. Beauvilain divulgava assim aos jovens chadienses, tão sofridos pelas constantes guerras e situações precárias, um pouco do patrimônio geológico de seu país.
Foto de Thompson Pereira Foto de Thompson Pereira
Bibliografia
Beauvilain, A. 1996. Pages d'histoire naturelle de
la terre Tchadienne. Centre national d'appui à la
recherche, CNAR. Centre d'appui à la formation et l'évaluation, CAFÉ. 24 p.
Jacqué, M. 1963. Reconnaissance géologique du
Fezzan oriental. Paris, Compagnie française des
pétroles, Notes et mémoires 5, 43 p.
Pflüger, F. 1999. Matground structures and redox facies. Palaios, 14: 25-39.
Rindsberg, A.K. & Martin, A.J. 2003. Arthrophycus in the Silurian of Alabama (USA) and the problem of compound trace fossils. Palaeogeography,
Palaeoclimatology, Palaeoecology, 192: 187-219.
Seilacher, A. 2000. Ordovician and Silurian Arthrophycid Ichnostratigraphy. In: Sola, M.A. & Worsley, D. (eds.) Geological Exploration in
Murzuk Basin. Amsterdam, Elsevier, p. 237-258.
Vincent, P. 1963. Les volcans tertiaires et
quaternaires du Tibseti occidental et central (Sahara du Tchad). Thèsis. Paris. Bureau de
recherches géologiques et minières, 23, 307 p.
Selo da República do Chade com "Harlania enigmatica"
Envelope de Primeiro Dia de Circulação (FDC) com a série onde se encontra o selo com "Harlania enigmatica".
7
NÚCLEO SBP RJ/ES
Entre as novidades, o Museu iniciou uma parceria com o Serviço Social do Comércio do Rio de Janeiro (SESC-RJ), fundamental para o sucesso do evento. O SESC-RJ trouxe consigo uma maior diversificação das atividades para as crianças: animadores incluindo palhaços, bolhas de sabão gigante e muitos jogos foram algumas das novidades para os visitantes, em especial as crianças. Sem contar com um sistema de som eficiente, onde muitos artistas se apresentaram com músicas que variavam desde modernas até clássicas. Também teve samba e tai chi chuan e o já famoso T. rex!
Uma grande tenda foi montada na alameda das sapucaias, com um bom sistema de ar-condicionado. Nela, pesquisadores, técnicos e alunos do Museu mostraram para o público as atividades que estão sendo desenvolvidas na instituição. Foram mais de 30 apresentadas naquele fim de semana! O Departamento de Vertebrados, por exemplo, exibiu em espaços separados mamíferos, peixes, aves e répteis - alguns podendo inclusive ser tocados. O Departamento de Botânica se dividiu mostrando, entre outros, aspectos das plantas do Estado do Rio de Janeiro e a importância de sua conservação. O Laboratório Central de Conservação e Restauração (LCCR) apontou princípios básicos de como são restauradas peças do acervo e a importância da preservação patrimonial para a cultura e o desenvolvimento científico. A Seção de Assistência ao Ensino (SAE) apresentou a sua coleção didática que foi salva do incêndio e o Setor de Museologia fez uma enquete Pouco mais de 10 meses se passaram depois da tragédia de 02 de setembro de 2018. Como diversas vezes ressaltado, o incêndio do Museu Nacional, instituição científica mais antiga do país, transcendeu as fronteiras brasileiras. Porém, passado o choque, temos que iniciar uma nova fase: a fase da reconstrução. Essa virada de página foi anunciada durante as comemorações do aniversário de 201 anos do Museu, que foi celebrado em grande estilo no fim de semana de 8 e 9 de junho de 2019, no parque da Quinta da Boa Vista.
Em termos de paleontologia, vários laboratórios do Departamento de Geologia e Paleontologia apresentaram os seus projetos e coleções. O LAPUG (Laboratório de Sistemática e Tafonomia de Vertebrados Fósseis) se concentrou na pesquisa da Antártica, desenvolvendo, inclusive, uma roda de conversa com o público ("Quebrando o Gelo"). O PalinoLab se preocupou em apresentar a formação dos paleopalinólogos e a importância desse estudo. O Setor de Paleovertebrados, como sempre, deu a oportunidade para o visitante tocar em fósseis de milhões de anos. Sem contar com a Paleoarte que não pode faltar em um evento desses, arrastando dezenas de pessoas para as reconstruções em vida dos dinossauros. Teve, também, um destaque para a atividade de resgate, com apresentação de algumas peças raras recentemente recuperadas dos escombros do palácio. Muita coisa bacana que levantou o astral de todos - visitantes e o corpo social do Museu. A coroação do evento foi um ´grande abraço´ ao palácio no final da tarde de domingo.
para saber o que o público gostaria de ver no novo museu. A Direção também teve o seu espaço, onde pessoas podiam `brincar´ em uma maquete e montar como gostariam de ver as futuras exposições, além de apresentar comentários sobre o que eles gostariam para o novo Museu. E teve muito mais...
AS COMEMORAÇÕES DOS 201 ANOS DO MUSEU NACIONAL -
UMA VIRADA DE PÁGINA
Por Alexander W. A. Kellner
Museu Nacional - UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro
Foto de Alexander Kellner
No interim, continuamos solicitando a todos que participem e façam a divulgação das atividades do Museu Nacional para amigos e conhecidos, incluindo pelas redes sociais. Lembro que temos uma exposição no Centro Cultural Casa da Moeda do Brasil que acaba de ser prorrogada até o final do ano em cartaz: ´Quando nem tudo era gelo - novas descobertas no continente antártico´. Também teremos um evento no final de semana de 31 de agosto e 1 de setembro, onde marcaremos um ano da tragédia. Pretendemos fazer uma prestação de contas pública e apresentar as iniciativas que estão sendo realizadas. Alias, a prestação de contas das doações que recebemos via SOS Museu Nacional pode ser acessada por qualquer pessoa ( https://www.samn.org.br/post/relatorio-de-prestacao-de-contas-sos-museu-nacional). Veja c o m o v o c ê p o d e c o n t i n u a r a j u d a n d o (https://www.samn.org.br/principais-acoes). Sempre é bom ressaltar um aspecto importante da reconstrução do Museu Nacional: é bom para o Rio, é bom para o Brasil. O Museu pertence a todos nós!
Mas ainda há muito para fazer. Estamos no início de uma jornada muito longa. Progressos estão acontecendo: os projetos, tanto de restauração da fachada como do interior do futuro Museu, estão sendo desenvolvidos. Também estamos trabalhando na conceituação de um projeto inicial das novas exposições. Em breve serão lançadas campanhas informando como as pessoas poderão participar desse importante trabalho com a suas sugestões e opiniões.
Foto de Alexander Kellner Foto de Alexander Kellner Foto de Alexander Kellner Foto de Alexander Kellner
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NÚCLEO SBP RJ/ES
Foto de Lucas Henrique M. da Silva Foto de Lucas Henrique M. da Silva Foto de Lucas Henrique M. da Silva
Nº 24, Abr - Jun 2019
DIÁRIO DE UM PALEONTÓLOGO
Por Rafael Costa da SilvaServiço Geológico do Brasil – CPRM
Os museus de história natural são antes de tudo grandes repositórios de objetos naturais de valor científico, testemunhos da bio e geodiversidade, a partir dos quais são construídos modelos e teorias, e testadas as hipóteses resultantes, sendo por isso essenciais ao processo normal da ciência. Esses objetos devem estar constantemente à disposição dos cientistas a fim de se testar novos modelos e hipóteses, e a q u a n t i d a d e d e s s e s o b j e t o s u l t ra p a s s a enormemente a capacidade expositiva dos museus. Como resultado, a maior parte do acervo é invisível ao público, mas não é menos relevante por isso.
Exposições em um museu fechado
Museu de Ciências da Terra
Outra das principais características dos museus de história natural é que as narrativas são muito dependentes do acervo, com exposições fortemente centradas nos objetos. Isso funciona muito bem no ambiente confinado do museu, mas há dificuldades em se transpor essas barreiras e levar o acervo até o público, como seria possível com outros tipos de exposição.
Para dar continuidade às suas atividades educativas e de divulgação científica, o Museu de Ciências da Terra criou o programa “Museu em Movimento”, atividade que tem por objetivo levar parte do acervo paleontológico, geológico e mineralógico às escolas e à comunidade em geral através de iniciativas como exposições itinerantes, atividades lúdicas, treinamento de O Museu de Ciências da Terra é responsável pelo maior acervo paleontológico e geocientífico do país, iniciado ainda no tempo do Brasil Imperial devido às comissões geológicas e posteriormente à fundação do Serviço Geológico e Mineralógico em 1908, sendo ampliado ao longo do século 20 com as pesquisas do Departamento Nacional da Produção Mineral. Nos últimos anos, o museu tem se empenhado em divulgar seu acervo e as geociências no Brasil através de exposições e eventos sediados em seu próprio prédio.
Atualmente, o museu passa por um processo de reestruturação que deverá resultar em uma nova estrutura física e organizacional, com a reforma de seus edifícios históricos e construção de novas instalações para pesquisa e guarda das coleções científicas, o que permitirá que o maior acervo geocientífico do país fique disponível integralmente ao público. Devido a este processo, que poderá durar vários anos, o museu encontra-se fechado ao público desde dezembro de 2018.
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NÚCLEO SBP RJ/ES Nº 24, Abr - Jun 2019
O público alvo do programa Museu em Movimento tem sido primariamente crianças e adolescentes em idade escolar, com diversas das atividades sendo organizadas diretamente nas escolas ou ao menos direcionadas a elas. Estas atividades geralmente são guiadas por mediadores do próprio Museu de Ciências da Terra, a maioria estudantes de museologia, ou mediadores das instituições recebedoras treinados por profissionais do museu. Embora algumas das atividades sejam totalmente abertas ao público, como a exposição "Dinossauros e Geoparques do Brasil", o público escolar acaba sendo mais numeroso devido às visitas agendadas de escolas. A formação dos professores na área de geociências também tem sido priorizada nessas atividades. Assim, a integração de professores e professores e palestras, entre outros. Através desse programa, o museu tem investido para aumentar seu portfólio de atividades que serão o principal meio de interlocução com o público pelos próximos anos. Em poucos meses de duração, o projeto já foi levado a mais de dez mil pessoas através de diversas ações de itinerância, como a atividade "De Férias no Museu", organizada em frente ao Museu de Ciências da Terra, a exposição "Dinossauros e Geoparques do Brasil", montada em Petrópolis (RJ), e a colaboração com o projeto "Caravana da Ciência", da Fundação CECIERJ, nas cidades de Macuco e Resende (RJ) e na Ilha do Governador (Rio de Janeiro, RJ).
alunos visa gerar agentes multiplicadores do conhecimento para a sociedade através da educação museal e científica. O museu também tem realizado atividades em parceria com o Instituto Benjamin Constant, centro de referência nacional na área da deficiência visual, no sentido de aprimorar a acessibilidade de suas atividades.
Desde o início fica evidente que uma porcentagem pequena do acervo pode ser levada à itinerância. Fragilidade, peso, raridade, tamanho e importância científica são fatores que limitam a saída de materiais do museu. Materiais pesados, grandes e/ou raros exigem balcões apropriadamente dimensionados e vitrines protetoras, o que junto com os custos de preparação, embalagem, transporte e seguro acabam consumindo grande parte dos recursos. A retirada dos fósseis e minerais do museu também As demandas da itinerância museológica têm levado a diversos questionamentos, autocríticas e soluções sobre como levar um acervo inerentemente raro e frágil até o público com qualidade e segurança, mantendo seu caráter único sem comprometer sua conservação. Mais do que apenas apresentar o acervo ao público, o desafio consiste em levantar as questões científicas embasadas por ele e transformá-las em uma narrativa compreensível e relacionada com assuntos atuais e cotidianos, como a exploração mineral, a geoconservação e o desenvolvimento sustentável.
compromete a disponibilidade do material para pesquisa científica, em especial no caso de exemplares raros, únicos ou de maior relevância científica. Os exemplares mais belos e interessantes ao público são frequentemente de maior importância para a ciência, pois costumam ser os mais completos. O que resta dessa triagem simplesmente não permite mostrar o que o museu tem de melhor.
As atividades itinerantes, por sua própria natureza, são também mais intimistas. O conteúdo é levado até o público, que por sua vez passa a interagir mais com o tema e os objetos fora do ambiente potencialmente intimidador do museu clássico. A tradicional placa "Não Toque" pode não funcionar tão bem nesse contexto. De fato, não é o que se deseja com as exibições modernas, que tendem a priorizar a interatividade e acessibilidade. O "Não Toque" não resulta de mero ciúmes do curador, mas é um recurso para minimizar danos potenciais em exemplares únicos e frágeis. Isso vem a impactar também a acessibilidade do material a toda a diversidade de visitantes. Diferentemente de acervos biológicos, os fósseis e minerais que compõe acervos geocientíficos via de regra não emitem sons ou cheiros, e se o toque não é permitido as exibições se tornam essencialmente visuais. Estas são questões relevantes dos museus atuais, e se tornam ainda mais significativas no ambiente incerto das atividades itinerantes.
O uso de técnicas tradicionais de replicagem aliadas a tecnologias modernas de modelagem digital podem contornar os principais gargalos relacionados à disponibilidade de material para itinerância. Réplicas de alta qualidade podem ser confeccionadas de forma a serem extremamente leves, resistentes e duráveis, com a mesma aparência e textura do original, utilizando apenas resinas, silicones, tintas e um pouco de aptidão artística. Com os devidos cuidados, mesmo fósseis grandes e pesados ou frágeis e delicados podem ser replicados, facilmente transportados e exibidos sem necessidade de balcões robustos ou de vitrines. Podem ser tocados e manipulados sem grandes riscos. Da mesma forma, a modelagem d i g i t a l p e r m i t e r e c o n s t r u i r o o b j e t o tridimensionalmente através de técnicas como a tomografia computadorizada, escaneamento a laser e fotogrametria 3D. Os modelos digitais podem ser manipulados, reconstruídos e impressos em 3D, originando uma nova gama de recursos didáticos e expositivos. O Museu Nacional, através do LAPID (Laboratório de Processamento de Imagem Digital), tem sido pioneiro nessas técnicas e seria essencial para o Museu de Ciências da Terra investir nesse segmento a fim de compor uma coleção de réplicas físicas e digitais não apenas para alimentar o programa Museu em Movimento nos próximos anos, mas também para gerar uma biblioteca disponível para que usuários externos usem em seus próprios projetos.
Com um maior acervo disponível para itinerância, o museu tem maior liberdade para explorar a narrativa mais adequada para cada atividade. Nesse contexto, a escolha da narrativa é tão importante quanto a escolha dos objetos. Mais que apenas mostrar os fósseis, rochas e minerais, o importante são as histórias que eles podem contar acerca da evolução do planeta e como elas se conectam com o nosso cotidiano. Ao mesmo tempo, novos objetos podem ser criados através das técnicas citadas acima na forma de materiais didáticos como reconstruções, modelos, dioramas e outros, de forma a atender as necessidades da narrativa. Nesse sentido, o acervo e as atividades itinerantes devem ser criados e crescer em conjunto, adaptados à realidade dos diferentes públicos a que se destinam. Velhos ossos, afinal, sempre podem contar novas histórias.
Museu Nacional- Universidade Federal do Rio de Janeiro
Dimila Mothé
UNIRIO- Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
2º Secretário
Antonio Carlos Sequeira Fernandes
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro
Lílian Paglarelli Bergqvist
1ª Secretária
Biênio 2018-2020
Sociedade Brasileira de Paleontologia
Presidente
Hermínio Ismael de Araújo-Júnior
UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Núcleo RJ/ES
Vice-presidente
2º Tesoureiro
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Márcia A. dos Reis Polck
UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Rodrigo Giesta Figueiredo
Fernando Henrique de Souza Barbosa
Diretora de Publicações
ANM - Agência Nacional de Mineração
1º Tesoureiro
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Foto de Márcia Polck