A Realidade Social do Idoso e a Política de Assistência Social

Texto

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ARTIGOS

A REALIDADE SOCIAL

DO IDOSO E A POLÍTICA

DE ASSISTÊNCIA SOCIAL*

IVONE FÉLIX DE SOUSA** MARLI BUENO DE CASTRO***

ELINE ALCOFORADO MARANHÃO DE SÁ****

O

interesse pelos direitos da pessoa idosa vem desde a década de 1990, descrito no código civil. No entanto, as políticas públicas voltadas para o idoso se efetivaram somente a partir da instituição do Estatuto do Idoso. Dentro des-te condes-texto busca-se endes-tender como se dá a construção histórica da política de assistência social voltada para o idoso no Brasil e no Estado de Goiás. E qual o impacto desta política nesta sociedade contemporânea.

Este estudo se torna importante pelo fato de se fazer conhecer a história do desenvol-vimento da política de assistência social voltada para o idoso. Momento em que o olhar para o idoso deixou de ser meramente assistencialista para tornar-se Política de Assistência Social.

Resumo: apresenta-se a evolução histórica do desenvolvimento da política de assistência

social ao idoso (Brasil e Estado de Goiás), as questões relativas aos marcos legais, ao impacto do estatuto do idoso na realidade brasileira e ao BPC. Conclui-se que as políticas voltadas ao idoso estão avançando, embora existam desafios a serem alcançados para obter proteção e defesa dos direitos do idoso.

Palavras-chave: idoso. Realidade social. Políticas públicas. Política de assistência social.

* Recebido em: 01.10.2012. Aprovado em: 10.10.2012.

** Mestra e doutoranda em Psicologia Social na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). Professora e orientadora desta mesma instituição, tanto na graduação, quanto nas pós-graduações. Assessora Técnica de Coorde-nação do Programa de Gerontologia Social da PUC Goiás. E-mail: ivonefelixsousa@gmail.com.

*** Mestra em Psicologia Social pela PUC Goiás. Professora e Coordenadora do Programa de Gerontologia Social da PUC Goiás. Tem experiência nas áreas clínica, social, escolar e gerontológica, com ênfase em psicologia social, atu-ando principalmente nos seguintes temas: envelhecimento, comunitária e escolar. E-mail: marlibueno@hotmail.com. **** Especialista em políticas públicas pela PUC Goiás. Professora da PUC Goiás e Assessora Técnica de Coordenação

na PUC Goiás. Tem experiência nas áreas de política pública de assistência social, entre outras. E-mail: elineamsa@ yahoo.com.br.

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Entende-se por assistencialismo as ações voltadas para o clientelismo, para a caridade e o voluntariado, o que reforça a condição de dependência dos usuários dos serviços (REIS; PESTA-NO, 2006; FIDELIS, 2005). E por política de assistência social, aquelas cujo objetivo é garantir o direito das pessoas menos favorecidas enquanto política pública, construída a partir da Constitui-ção Federal de 1988 e da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) em 1993 (FIDELIS, 2005).

Ainda nos dias atuais é comum a confusão na utilização dos termos assistência e as-sistencialismo. Essa confusão ocorre durante a aplicabilidade das ações voltadas para o idoso: o que torna importante conhecer os conceitos e o seu desenvolvimento no contexto histórico para que os direitos sociais sejam garantidos, impedindo o retrocesso na prática da política pública voltada ao idoso.

Diante do exposto, a partir dos referenciais teóricos estudados busca-se compreen-der como ocorre o desenvolvimento da Política de Assistência Social voltada para o idoso no Brasil, (mais especificamente, no Estado de Goiás).

REALIDADE SOCIAL DO IDOSO

No Brasil, o crescimento populacional relativo à pessoa idosa é cada vez mais re-levante, tanto em termos absolutos quanto proporcionais (TERRA; SILVA; SCHIMEDT, 2009). Nas últimas décadas, o Brasil tem registrado redução significativa na participação da população com idades até 25 anos e aumento no número de idosos. E a diferença é mais evi-dente se comparadas as populações de até 4 anos de idade e acima dos 65 anos. Em 2010, de acordo com a Sinopse do Censo Demográfico, o país tinha 13,8 milhões de crianças de até 4 anos e 14 milhões de pessoas com mais de 65 anos.

Em 1991, o grupo de 0 a 15 anos representava 34,7% da população. Em 2010 esse número caiu para 24,1%. Já entre a população com mais de 65 anos, em 1991, correspondia a 4,8% da população e passou para 7,4%, em 2010 (Figura 1).

Figura 1: Composição da população residente total, por sexo e grupo de idade – Brasil- 1991/2010

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Esses dados refletem a situação de que desde 2010 existem menos crianças e adoles-centes no país do que há 10 anos e que a população de idosos aumentou, como afirma Fer-nando Albuquerque, gerente da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE (Figura 1).

Embora no Brasil apresente esta mudança em que a população idosa vem aumen-tando significativamente, a forma em que esta realidade se concretiza não ocorre da mesma forma nas regiões brasileiras. Por exemplo, na Região Norte, apesar do contínuo envelheci-mento, ainda, segundo o IBGE, ela apresenta uma estrutura bastante jovem. A população de crianças menores de 5 anos da Região Norte, que era de 14,3% em 1991, caiu para 12,7% em 2000, chegando a 9,8% em 2010. Já a proporção de idosos na população passou de 3% em 1991 e 3,6% em 2000, para 4,6% em 2010.

Em relação às regiões Sudeste e Sul, estas são as mais envelhecidas do país. As duas regiões tinham, em 2010, um contingente de idosos com 65 anos ou mais de 8,1%. Nesse mesmo ano, a população de crianças menores de 5 anos era de 6,5% no Sudeste e de 6,4% no Sul.

Já a Região Centro-Oeste apresenta uma estrutura etária semelhante à média nacio-nal. O percentual de crianças menores de 5 anos em 2010 chegou a 7,6%, valor que era de 11,5% e 9,8% em 1991 e em 2000, respectivamente. A população de idosos teve um cresci-mento, passando de 3,3%, em 1991, para 4,3%, em 2000, e 5,8%, em 2010.

Dados do Censo de 2010 indicam que a quantidade de idosos em Goiás subiu 56,7% na última década e hoje é maior que a população de crianças com idade de até 4 anos. A po-pulação com idade acima de 60 anos chegou a 561 mil, quantidade superior aos 442 mil dos menores de 4 anos (FABIANA, 2012). De acordo com o IBGE, a população goiana cresceu acima da média: “Goiás tem a oitava maior taxa de crescimento populacional do País (1,84%). Isso significa dizer que o Estado cresceu acima da média nacional nos últimos dez anos.

Segundo as projeções da ONU, haverá em 2025 um total de aproximadamente 1,2 bilhões de pessoas com mais de 60 anos e até 2050 haverá 2 bilhões de idosos no mundo. Já a projeção da população brasileira com mais de 60 anos, para 2025, aumentará em 14%, ou seja, serão aproximadamente 32 milhões de idosos (ANDRADE; PORTELA, 2010).

Essa mudança demográfica no Brasil se deu pelo aumento da longevidade, pela redução da mortalidade, melhores condições de saneamento básico e esgoto, melhoria da renda das famílias, maior domínio das doenças infectas contagiosas, campanhas de vacina-ções sistemáticas e pelos novos e modernos processos terapêuticos existentes no combate às doenças em geral.

Diante do exposto, percebe-se que o Brasil, que era tido como um país de jovens, hoje já é visto como um país de idosos. Dentro desta realidade, o envelhecimento tornou-se uma questão de grande relevância para as políticas públicas brasileiras (ANDRADE; POR-TELA, 2010). Em razão desse crescimento, que há a necessidade permanente de alcançar formas de acolhimento do cidadão idoso no ambiente público.

Para que este acolhimento seja efetivado, um dos primeiros quesitos é entender qual é o marco inicial da velhice. Pelo ponto de vista da coletividade, esse momento ocorre com a aposentadoria: logo, a pessoa se torna idosa no exato momento em que se aposenta, porém, a velhice se apresenta de diversas formas (MOREIRA, 2008). Nesse período da vida, as pessoas passam a ser vistas pela sociedade como pessoas velhas, expressão que acaba por ofender alguns indivíduos, pois esses relacionam essa expressão com a palavra ‘velho’, o que induz ao

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significa-do de algo já usasignifica-do, gasto e, portanto sem utilidade. No entanto este significasignifica-do vai além deste estereótipo criado pela sociedade. Como Rodrigues (2010) preleciona a velhice deve ser tida como mais uma etapa da vida que ainda pode ser composta de muitas realizações.

Os estereótipos são criados e mantidos pela sociedade, visto o despreparo desta em assimilar que esta é uma etapa do desenvolvimento do ser humano, e que, portanto, é um período em que todos estão fadados a passar por ele. A manutenção destes, muitas vezes ocorre por falta do empoderamento do idoso em relação aos seus direitos. O idoso muitas vezes se torna um alienado dentro da sociedade, por várias questões sociais. Questões essas que vão desde a dificuldade de obter as informações, até mesmo a conformidade com o que se vivencia.

De acordo com Oliveira, Oliveira e Scortegagna (2012) a velhice se encontra em um estado de marginalização, por isso, os idosos são considerados desempoderados, pois são vitimizados culturalmente, resultados da vulnerabilidade, preconceitos e esteriótipos nega-tivos relanega-tivos à velhice. À medida que o idoso se conscientiza e desenvolve a criticidade de forma a intervir em relação aos seus direitos, ele se apodera, ou seja, gera transformação, na busca da equidade social (OLIVEIRA; OLIVEIRA; SCORTEGAGNA, 2012).

Entende-se por empoderamento o processo dinâmico, centrado na comunidade lo-cal e que envolve a dignidade recíproca, a reflexão crítica, a participação e o cuidado do grupo (VAN DER EIKEN, 1990 apud OAKLEY; CLAYTON, 2003; OLIVEIRA; OLIVEIRA; SCORTEGAGNA, 2012). Portanto, o empoderamento acontece na medida em que se con-quista e se distribui entre muitos o poder de realizar ações. Não é a mera realização de tarefas que define o empoderamento e sim a ação conectada a um senso de responsabilidade pelo trabalho, pela aquisição de conhecimento e pela capacidade de produzir mudanças a partir da aquisição do empoderamento. Assim, quando o idoso apodera-se de novos conhecimentos que possibilita melhora na qualidade de vida, este encontra um novo sentido em viver.

O empoderamento se concretiza a partir de três componentes importantes: enten-der-se a si em relação ao contexto no qual se opera; entender o contexto e como este se opera; e o desenvolvimento das competências (conhecimento, habilidades e atitudes) individuais. Percebe-se na atualidade a dificuldade de o idoso em se apoderar de seus direitos. Isso ocorre pelo fato da ausência de oportunidades em obter as informações de forma que possibilite mudanças nas suas atitudes.

Diante do exposto até aqui, saber que a população brasileira está envelhecendo é uma realidade, porém, que ela apresenta qualidade de vida, está é uma questão que ainda merece muita reflexão. E isso se dá pelo fato de que o “idoso flutua instável entre a medicina, que prolonga a sua vida, e a sociedade ou o poder público que não lhe preservam a plena dignidade de vida nas últimas etapas desta” (CENEVIVA, 2004, p. 13). Para que se concre-tize esta melhora na qualidade de vida tem-se dois desafios: a apropriação do que a medicina proporciona ao idoso e também que esse idoso se apodere de seus direitos.

Para entender melhor como se configura o empoderamento do idoso se faz neces-sário compreender como que se dá a linha do tempo referente às conquistas dos seus direitos. MARCO LEGAL

O processo de envelhecimento da população tem sido discutido e acompanhado por medidas destinadas a proteger os idosos, que são cidadãos cada vez mais presentes nas

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sociedades mundiais. No Brasil é recente (1994) a implantação de uma política nacional vol-tada para as pessoas idosas. Até a década de 1970, do século XX, no Brasil, os idosos recebiam, principalmente, atenção de cunho assistencialista e curativo de instituições não-governamen-tais, tais como entidades religiosas e filantrópicas. No aspecto legislativo, o que houve antes, na busca pela proteção a esse segmento populacional, consta em alguns artigos do Código Civil (1916, Lei 3.071), do Código Penal (1940, Decreto-Lei 2.848), do Código Eleitoral (1965, Lei 4.737), além da Lei Nº 6.179, que criou a Renda Mensal Vitalícia (1974) e o Programa de Assistência ao Idoso, vinculado ao então Instituto Nacional de Assistência Social (1976) e de inúmeros decretos, leis, portarias, que neste capítulo não serão detalhados (RODRIGUES 2001; RODRIGUES, at. al., 2007; ALENCAR, 2010).

O Código Civil de 1916, já instituía o direito aos alimentos ao idoso, ou seja, o direito de receber de seus familiares subsistência alimentar e de vestuário, assistência médica e habitação, momento em que o idoso começou a ter seus direitos e deveres previstos em lei. Neste código é descrita a reciprocidade entre cuidar e ser cuidado: direito de ajuda e amparo como dever de fornecer prestação alimentícia aos idosos, assim como estes tiveram como dever, que ajudar, amparar e fornecer prestação alimentícia a seus filhos ou netos (MOREIRA, 2008).

A Lei de Alimentos, promulgada posteriormente, instrumentalizou este direito, in-dicando meios para a sua busca jurisdicional por intermédio das Ações de Alimentos. O Có-digo Civil (1916) ainda garantia a faculdade de tutela a pessoas, podendo o idoso se escusar desta responsabilidade, em razão de sua provável hipossuficiência, sendo esta previsão poste-riormente substituída pelos artigos 1.694 e 1.696, do Código Civil de 2002. Outro aspecto mencionado no Código Civil é que preconiza o Estado brasileiro em seu sistema de proteção civil, em que busca a proteção dos bens dos cidadãos considerados idosos, ao estabelecer a obrigatoriedade do regime de separação de bens no casamento da pessoa maior de 60 anos (MOREIRA, 2008).

É considerada como o marco inicial das discussões direcionadas aos idosos a pri-meira Assembléia Mundial (Organização das Nações Unidas – ONU) sobre o Envelhecimen-to. Este fórum ocorreu em Viena (Áustria), no período de 26 de julho a 6 de agosto de 1982. Teve representação de 124 países de todo o mundo, incluindo o Brasil. Estabeleceu-se neste fórum um Plano de Ação para o Envelhecimento. Este plano foi posteriormente publicado em Nova Iorque, em 1983 (RODRIGUES, at. al., 2007).

O Plano de Ação para o Envelhecimento foi baseado na Declaração Universal dos Direitos Humanos e assim foi considerado um importante documento de estratégias e re-comendações prioritárias nos aspectos econômicos, sociais e culturais do processo de enve-lhecimento de uma população. Neste documento estabeleceram-se alguns princípios para a implementação de políticas para o envelhecimento sob responsabilidade de cada país (RO-DRIGUES, at. al., 2007).

Destes princípios, destacam-se os seguintes: a estipulação da família, nas suas diversas formas e estru-turas, como a unidade fundamental mantenedora e protetora dos idosos; cabe ainda às políticas sociais prepararem as populações para os estágios mais tardios da vida, assegurando assistência integral de ordem física, psicológica, cultural, religiosa/espiritual, econômica, de saúde, entre outros aspectos. Ainda como estabelecido, aos idosos deve ser proporcionada a oportunidade de contribuição para o desenvolvimento dos seus países, bem como a participação ativa na formulação e implementação de políticas, incluindo aquelas a eles direcionadas; os órgãos governamentais, não-governamentais e todos que têm

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responsabili-dades com os idosos devem dispensar atenção especial aos grupos vulneráveis, particularmente aos mais pobres, mulheres e residentes em áreas rurais (RODRIGUES, at. al., 2007, p. 537).

Este Plano de Ação teve como objetivo sensibilizar os governos e sociedades para a necessidade de direcionar políticas públicas voltadas para os idosos, assim como alertar para o desenvolvimento de estudos futuros sobre os aspectos do envelhecimento (RODRIGUES,

at. al., 2007).

Outro marco importante relativo às discussões sobre as leis que devem estabelecer melhora para a qualidade de vida do idoso foi a Constituição Federal promulgada em 1988. Nesta constituição foram introduzidos avanços na tentativa de corrigir injustiças sociais histó-ricas, consagrando a saúde como um direito constitucional, instituido em seu art. 230. Neste artigo consta que passou a ser dever da família, da sociedade e do Estado amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar, garantindo também o direito a vida. Ademais, no que tange as discriminações entre segurado e não segurado, entre campo e a cidade, como evidencia a constitucionalidade para a pessoa idosa, especificamente nos seguintes artigos 141, 2032 e 2293 (BRASIL, 1988).

É importante destacar que na Carta Magna os direitos da pessoa idosa estão presen-tes nos capítulos referenpresen-tes à assistência, a família, ao trabalho e a previdência. Estão presenpresen-tes também, os direitos decorrentes da solidariedade e reciprocidade, por exemplo: os de cober-tura de situações de extremo risco (não contributivos) ou os decorrentes da contribuição e do trabalho. Assim, no âmbito dos direitos assistenciais, a Lei Orgânica da Assistência Social foi a primeira a ser instituída para este fim específico, e conceitua, inicialmente, a Assistência Social como o atendimento das necessidades básicas, independentemente de contribuição à Seguridade Social, instituindo com obrigatoriedade a assistência social como política pública, fundamentada no direito e focada nos segmentos vulneráveis da população, nesta incluída a prestação gratuita de benefícios e serviços de qualquer natureza, inclusive os de saúde (MO-REIRA, 2008).

Posteriormente, em 1993 foi editada a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), n° 8.742, que regulamenta os artigos da Constituição e estabelece normas e critérios para organização da política de assistência social. O art. 1º da LOAS preconiza que a Assistência Social é direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contribu-tiva, que provê os mínimos sociais, realizada por meio de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas (BRASIL, 1993).

A LOAS tem como principal diretriz a responsabilidade do Estado na condução da política de assistência social em cada esfera de governo, por meio de ações, em um siste-ma participativo, constituído pelas entidades e organizações de assistência social, que têm finalidades em diversos setores envolvidos na área. Ela não exige qualquer contribuição, ao contrário do que ocorre na Lei de Previdência Social, bastando à pessoa estar em estado de vulnerabilidade social e comprove a situação de incapacidade para o seu sustento, garantindo um mínimo social, ao necessitado (BRASIL, 1994).

É fato que a LOAS instituiu um novo paradigma a partir de sua inclusão no tripé da Seguridade Social, juntamente com a Saúde e a Previdência Social. A Assistência Social, tal como se coloca neste novo paradigma, é orientada pelos seguintes princípios, conforme o art.4º da LOAS. A Supremacia do atendimento às necessidades sociais; a universalização dos

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direitos sociais; respeito à dignidade do cidadão; a igualdade dos direitos no acesso ao atendi-mento, sem discriminação de qualquer natureza; divulgação ampla dos benefícios, serviços, programas e projetos assistenciais (PNAS, 2004).

No ano seguinte, em reconhecimento à importância do envelhecimento populacio-nal no Brasil, em 4 de janeiro de 1994 foi aprovada a Lei Nº 8.842/1994, que estabelece a Política Nacional do Idoso, posteriormente regulamentada pelo Decreto Nº 1.948/96. Esta Política Nacional do Idoso tem por objetivo assegurar os direitos sociais do idoso, crian-do condições para promover sua autonomia, integração e efetiva participação na sociedade. Logo, o idoso está protegido em todas as searas das concepções de direito, que é a forma con-cedida pela lei de praticar um ato, de possuir, usar, exigir ou dispor de alguma coisa e também o conjunto de leis ou normas que regem as relações entre os homens (RODRIGUES, at. al., 2007; ALENCAR et. al., 2010, p.27).

O direito à assistência social é garantido pelo conjunto integrado de ações de ini-ciativa dos poderes públicos e da sociedade, que também são destinadas a assegurar outros di-reitos, como à saúde e à previdência social, com a criação de instituições responsáveis pelo atendimento à população. Para promoção desses direitos foi prevista pela lei a instituição do Conselho Nacional de Assistência Social, responsável pela proposição, aprovação e fiscaliza-ção da Política Nacional de Assistência Social, pela normatizafiscaliza-ção de ações que regulam a pres-tação de serviços de natureza pública e privada no campo da assistência social, além de avaliar recursos, projetos, propostas orçamentárias, estabelecer novas diretrizes, zelar pela efetivação do sistema, dentre outras incumbências (PNAS, 2004).

No que tange aos direitos sociais constitucionalmente garantidos aos cidadãos bra-sileiros, especificamente aos idosos, é garantido o direito a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a moradia, previdência e assistência aos desamparados. Garantias estas que tratam do bem estar físico, social e econômico, para uma vida digna, com proteção e garantia social. É importante ressaltar que a assistência social apresenta avanços na medida em que saiu do estágio de alternativa de direito, ou antidireito, passando a ser de fato um direito do cidadão e dever do Estado; exigindo redefinições legais, teóricas e filosóficas, que lhe conferiram um paradigma próprio, fundamentado no princípio do direito.

Em janeiro de 2004, foi criado o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), responsável pela política nacional de assistência social com ênfase na integração entre serviços e benefícios sócio assistenciais e as ações de segurança alimentar e nutricional.

A Política Nacional de Assistência Social é também reconhecida como Política de Pro-teção, em vez de seguridade, considerando que como proPro-teção, a Assistência Social terá a missão de prover a proteção a vida, reduzir danos, monitorar populações em risco e prevenir a incidência de agravos à vida em face das situações de vulnerabilidade. Nesse contexto, como ação protetora a Assistência Social deve propiciar três tipos de segurança: de sobrevivência, de acolhida e de convívio (BRASIL, MDS, 2005).

A Lei 8.842/1994, que regulamenta a Política Nacional do Idoso (PNI) é regida por princípios que orientam a responsabilidades da família, da sociedade e do Estado, para garantir seus direitos à dignidade, bem-estar e à vida da pessoa idosa. Essa lei, em sua essên-cia, surgiu para garantir a inclusão social do idoso na sociedade, capacitando-o, educando-o, atendendo-o prioritariamente, promovendo seus estudos, quando deles necessitar, informan-do-os sobre sua condição, uma vez que o processo de envelhecimento é inerente a todos, já que se trata de algo natural no decorrer da vida humana (BRASÍLIA, 2004).

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A implementação desta Política Nacional do Idoso fortaleceu os direitos dos ido-sos no âmbito da promoção da Assistência Social, pois nela se prevê a atuação direta do Estado por intermédio de políticas públicas destinadas à prestação de serviços voltados às necessidades e demandas desse segmento, mediante participação das famílias, da socieda-de e das entidasocieda-des governamentais. Asocieda-demais, priorizou o idoso na socieda-destinação socieda-de programas habitacionais, valorizou o registro da memória e a transmissão de informações e habilidades dos idosos aos mais jovens e incentivou a criação de programas de lazer, esportes e atividades físicas para proporcionar o então chamado envelhecimento saudável (BRASÍLIA, 2004).

É importante entender o presente contexto (das conquistas legais), porque isso nos remete às discussões sobre o valor da cidadania e a sua relação com o direito, pois ambos caminham juntos. Ser cidadão é um exercício individual, mas construído coletiva-mente. A Constituição Federal de 1988 preceitua que os cidadãos são sujeitos de direito, vi-vem em família, bairros, cidades e devi-vem ser respeitados com base no principio da dignidade da pessoa humana (BRASIL, 1988).

Corroborando esse avanço legal, em 1998 foi aprovado o Programa Nacional de Direitos Humano, com ações de curto, médio e logo prazos específicos para o idoso; em 1999, a Portaria Interministerial 5.163 instituiu o Programa Nacional de Cuidadores de Ido-sos, ocupação reconhecida pelo Ministério do Trabalho (ALENCAR et. al., 2010).

Um dos principais instrumentos de direito do idoso foi sancionado em 2003, pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por meio da Lei Nº 10.741, de outubro de 2003 e entrou em vigor em 1º de janeiro de 2004. Sua aprovação representou um passo importante da legislação brasileira no contexto de sua adequação às orientações do Plano de Madri. O Estatuto corrobora os princípios norteiam as discussões sobre os direitos humanos da pessoa idosa. É uma conquista voltada para a efetivação de tais direitos, especialmente por tentar proteger e formar uma base para a reivindicação de atuação de todos (família, socieda-de e Estado) para o amparo e respeito aos idosos (RODRIGUES, at. al., 2007).

A discussão deste Estatuto iniciou-se com o Projeto de lei nº 3.561 de 1997, de ini-ciativa do movimento de aposentados, pensionistas e idosos vinculados à Confederação Bra-sileira dos aposentados e Pensionistas (COBAP). Em 2000, foi instituída na Câmara Federal uma Comissão Especial para tratar das questões relacionadas ao Estatuto do Idoso e ainda em 2000 e 2001 foram realizados Seminários Nacionais para discussões sobre a temática. Conforme observado, o Estatuto não apenas acrescenta novos dispositivos ao Plano Nacional do Idoso, mas consolida os direitos já assegurados na Constituição Federal, sobretudo na proteção ao idoso em situação de risco social. É um documento do qual são estabelecidas san-ções penais e administrativas para quem descumpra os direitos dos idosos, nele estabelecidos (RODRIGUES, at. al., 2007).

Este documento discute ainda, os direitos fundamentais do idoso relacionados aos seguintes aspectos: à vida, à liberdade, ao respeito e à dignidade, a alimentos, saúde, educação, cultura, esporte e lazer, profissionalização do trabalho, previdência social, assistência social, habitação e ao transporte. Além disso, discorre sobre medidas de proteção, política de atendi-mento ao idoso, acesso à justiça e crimes (RODRIGUES, at. al., 2007).

Dentre as prerrogativas da Lei 10.741 destaca-se a implementação da Política Na-cional de Assistência Social (PNAS, 2004) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), em 2005, este mecanismo permite interromper a fragmentação que até então marcou os pro-gramas da área e instituir, efetivamente, uma política pública articulada em rede.

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A proposta do SUAS, criado em 2005, é, nos termos da lei, uma estratégia de or-ganização dos preceitos, disposições, ações e procedimentos previstos na LOAS e na PNAS. Este sistema objetiva garantir, do ponto de vista operacional, a implementação e a gestão da Política. Portanto, o SUAS define como os serviços, benefícios, programas e projeto previstos na LOAS e na Políticas de Assistência Social vão ser organizados e colocados a serviços da população. Os padrões de atendimento, além das formas de acompanhamento e avaliação do Sistema.

Destaca-se que a proteção social ao idoso, no âmbito da assistência social, implica tanto a garantia de renda como de serviços especializados conforme a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993 (Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS) e a Política Nacional de As-sistência Social (PNAS/2004).

O IMPACTO DO ESTATUTO DO IDOSO NA REALIDADE BRASILEIRA

O Estatuto do Idoso é um instrumento que define medidas de proteção às pessoas com idade igual ou superior aos 60 anos. Por meio dos seus 118 artigos, o Estatuto se propõe a proteger e garantir a execução dos direitos do idoso, nas suas relações civis, em suas relações com o Estado, e com serviços da rede de atenção do terceiro setor.

O Estatuto do Idoso veio implementar a participação da sociedade civil, especifi-camente dos idosos, por intermédio de entidades representativas institucionalizando os con-selhos, que por sua vez, conforme preceitua a Lei 8.842/94, tem por objetivo deliberar sobre políticas públicas, controlar ações de atendimento, além de zelar pelo cumprimento dos direi-tos do idoso, conforme estabelece o art.7°. Essa legislação, elaborada com intensa participação das entidades de defesa dos interesses das pessoas idosas, foi aprovada e sancionada em 1º de outubro de 2003, após tramitar sete anos pelo Congresso Nacional. Veio para garantir e am-pliar os direitos dessa população (BRASIL, 2003).

Nesse contexto tem-se que o Estatuto é um regulamento, que determina ou estabe-lece normas, sendo uma lei federal que normatiza os direitos dos cidadãos brasileiros maiores de 60 anos em todo o país. Garante ao idoso o direito à liberdade, à dignidade, à integridade, à educação, à saúde, a um meio ambiente de qualidade, entre outros direitos fundamentais, assim como os individuais, sociais, difusos e coletivos, cabendo ao Estado, à Sociedade e à família a responsabilidade pela proteção e garantia desses direitos (ANDRADE et. al., 2010). Segundo a autora a legislação brasileira é a mais ampla e considerada uma das me-lhores do mundo pelos mais categorizados juristas, que também a consideram a mais liberal, porém é necessária a conscientização da população, pois, segundo a autora:

...o brasileiro faz questão mais dos privilégios do que dos direitos universais. O cha-mado jeitinho brasileiro põe em risco e até descrédito as melhores e mais abrangen-tes. A população que envelhece (cada vez mais numerosa) merece um amparo seguro, baseado no bom senso, no respeito à dignidade humana, no cumprimento da legislação, bem como na garantia e possibilidade do exercício pleno da cidadania como autentico cidadão brasileiro (ANDRADE et. al., 2010, p.12).

Várias foram às vantagens advindas com o Estatuto do Idoso, dentre elas: a am-pliação à resposta do Estado e da sociedade às necessidades dessa população, uma vez que aborda os mais variados aspectos de suas vidas, abrangendo desde os direitos fundamentais

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até a punição para crimes mais comuns cometidos contra os idosos; regula direitos especiais dos maiores de 60 anos assegurando seus direitos fundamentais e de cidadania, bem como, a assistência judiciária (MUSSI; PIARDI, 2004). Ademais, essa lei se preocupa com a efetivação dos direitos pelas entidades de atendimento que o promovem, também se volta para a sua vigilância e defesa, por intermédio de instituições públicas. Corroborando dessa ideia Mussi e Piardi (2004), preleciona que o Estatuto estabelece um sistema jurídico-político-institu-cional que compreende a priorização absoluta da efetivação dos direitos, a descentralização político-administrativa e participação da população. Essa participação populacional é estabe-lecida pela institucionalização dos Conselhos (municipais, estaduais e nacional) consolidando a democracia participativa, por meio do controle social da sociedade na gestão da política de atendimento.

Os Conselhos do Idoso são espaços institucionais em que a sociedade civil, por in-termédio das entidades representativas, paritariamente, participa de deliberações em políticas públicas específicas (idosos) e exercita o controle das ações de atendimento. Todo Conselho deve ser entendido como locus de mediação e não como de cooptação. Buscando-se nos conselhos a explicitação dos conflitos (sociedade civil e poder público), e a constituição de consensos mínimos, visando estabelecer a solução sensata e justa, em função dos direitos dos idosos ameaçados e ou violados (BRASIL, 2003).

A descentralização político participativa é percebida pela defesa da articulação das ações governamentais e não governamentais da União, dos Estados e dos Municípios, e na formulação e execução da política de atendimento ao idoso. Conforme explicita os artigos a seguir

Art. 46. A política de atendimento ao idoso far-se-á por meio do conjunto articulado de ações governamentais e não-governamentais da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Art. 7o Os conselhos nacionais, estaduais, do distrito e municipais do idoso, previsto na Lei n° 8.842, de 4 de janeiro de 1994, zelarão pelo cumprimento dos direitos do idoso, definidos nesta Lei (BRASIL, 2003).

A prioridade absoluta prevista no Estado está embasada no princípio da “prevalên-cia do melhor interesse do idoso” (MUSSI; PIARDI, 2004, p. 22). Nesse sentido Neto (1999 apud MUSSI; PIARDI, 2004, p. 22) coloca que “o interesse dela (prioridade) prevalente se faz direito, ao ser declarado ou constituído em uma situação de fato, em uma situação de atendimento pelo poder público”, o qual importa o interesse dele prevalentemente se faz di-reito, ao ser declarado ou constituído em uma situação de fato, situação de atendimento pelo poder público (MUSSI; PIARDI, 2004, p. 22).

No Estatuto do Idoso essa prioridade é constatada da seguinte forma (BRASIL, 2003):

Art. 3o É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar

ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dig-nidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:

I – atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e privados prestadores de serviços à população; II – preferência na formulação e na

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exe-cução de políticas sociais públicas específicas; III – destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção ao idoso; IV – viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso com as demais gerações; V – priorização do atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento do aten-dimento asilar, exceto dos que não a possuam ou careçam de condições de manutenção da própria sobrevivência; VI – capacitação e reciclagem dos recursos humanos nas áreas de geriatria e gerontologia e na prestação de serviços aos idosos; VII – estabelecimento de mecanismos que favoreçam a divulgação de informações de caráter educativo sobre os aspectos biopsicossociais de envelhecimento; VIII – garantia de acesso à rede de serviços de saúde e de assistência social locais; IX – prioridade no recebimento da restituição do Imposto de Renda.

Assim, a simples alegação de que há falta de recursos não pode mais ser utilizada pelo poder público, pois a vontade política deve privilegiar a garantia dos direitos dos idosos acima de outras prioridades governamentais, com a viabilização de programas e projetos que ampliem o acesso deste seguimento.

Ademais, o Estatuto indica os mecanismos de exigibilidade e garante que a fiscali-zação e a promoção desses direitos sejam cumpridas pelo Ministério Público, pelo Conselho do Idoso, pela Ordem dos Advogados do Brasil e pelas associações que contenham em seus estatutos sociais a possibilidade de demandar em juízo para a garantia de direito dos idosos.

De acordo com Filho e Silva (2004, p. 23), os mecanismos de exigibilidade situ-am-se em duas dimensões: Políticas públicas e Instrumentos Judiciais. As Políticas públicas possibilitam ao governo atuar de forma preventiva a fim de evitar a ocorrência de violações a direito dos idosos; e os Instrumentos judiciais, são utilizados pelo judiciário como meca-nismos processuais que exercem o papel repressivo minorando as consequências de possíveis violações ocorridas, embora em alguns casos possam se utilizados preventivamente (os quais podem ser assim listados: habeas corpus, mandado de segurança, habeas data, mandado de injunção, ação popular, ação civil pública e direito de petição).

O ESTATUTO DO IDOSO NO ENFRENTAMENTO À POBREZA – O BENEFÍCIO DA PRESTAÇÃO CONTINUADA (BPC)

A pretensão de abordar o BPC como uma temática que traz os pontos mais re-levantes da LOAS/PNAS, se justifica por considerarmos que essa discussão é importante para a compreensão da necessidade de lutar para ampliá-lo, uma vez que o seu alcance é restrito e a sua rigorosa seletividade quanto ao público alvo é um fato.

A Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) veio regulamentar os artigos 203 e 204 da Constituição Federal de 1988 que definem e garantem o direito à assistência social, desta forma a LOAS institui benefícios, serviços, programas e projetos destinados ao enfren-tamento da exclusão social dos seguimentos mais vulnerabilizados da população. O BPC portanto, é um benefício regulamentado pela LOAS (Figura 2).

Conforme o preconizado na LOAS, o artigo 20 e os parágrafos, estabelecem o se-guinte:

Art. 20. O benefício de prestação continuada é a garantia de um salário-mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família.

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§ 1o Para os efeitos do disposto no caput, a família é composta pelo requerente, o

côn-juge ou companheiro, os pais e, na ausência de um deles, a madrasta ou o padrasto, os irmãos solteiros, os filhos e enteados solteiros e os menores tutelados, desde que vivam sob o mesmo teto.

§ 2o Para efeito de concessão deste benefício, considera-se pessoa com deficiência aquela

que tem impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

§ 3o Considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa com deficiência ou idosa a

família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto) do salário-mínimo. § 4o O benefício de que trata este artigo não pode ser acumulado pelo beneficiário com

qualquer outro no âmbito da seguridade social ou de outro regime, salvo os da assistência médica e da pensão especial de natureza indenizatória. [...]

Em 1995, foi instituído o Decreto nº. 1.744 para regulamentar melhor o BPC, definindo quem seriam os beneficiários, quais seriam os requisitos para sua concessão, o que se poderia esperar do benefício e como mantê-lo. No mesmo ano, o Ministério de Previdência Social elaborou uma resolução, de nº. 324, que surgiu para uniformizar, garantir eficácia e manutenção dos benefícios, uma vez que para alguns idosos, é a única fonte de renda recebida para prover o seu sustento. (MOREIRA, 2008)

Na atualidade, o BPC se constitui como o grande avanço relacionado às Políticas Públicas no Brasil, pois por meio deste benefício (de um salário mínimo, mensal) o idoso pode obter melhora na qualidade de vida. O BPC é um direito garantido pela Constituição

Figura 2: Estrutura Legal do BPC Fonte: Brasil (2012)

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Federal e regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). É um benefício de assistência social, que integra o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e é pago pelo Governo Federal e permite o acesso de idosos e pessoas com deficiência às condições mínimas de uma vida digna (BRASIL, 2012). Para que o idoso receba o BPC, ele deve ter idade acima de 65 anos e comprovar que não tem meios para garantir o próprio sustento, nem tê-lo pro-vido por sua família. Este benefício não pode ser acumulado com aquele previsto pela Lei de Seguridade Social, ou de outro regime previdenciário ou assistencial (BRASIL, 1993).

Atualmente, segundo dados do MDS, são 3,6 milhões (dados de março de 2012) beneficiários do BPC em todo o Brasil, sendo 1,9 milhões pessoas com deficiência e 1,7 ido-sos. Na região Centro-oeste o BPC tem um total de 226 mil e 100 beneficiados, destas 105 mil e 600 são deficientes e 120 mil e 500 pessoas são idosas. Em Goiânia o BPC contempla 20.894 pessoas, destas 10.071 deficientes e 10.823 pessoas idosas (2009) (MDS.gov.br, 2012).

No processo de operacionalização desse programa de enfrentamento da pobreza, o BPC deve passar por revisões de dois em dois anos. Isso significa que, a cada dois anos, é verificado se as condições que garantiram o direito ao beneficio, ainda são as mesmas. Essa revisão é realizada pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Assistência Social, junto com o INSS e com o Ministério do Desenvolvimento Social.

Enfim, o BPC, constitui-se numa conquista dos movimentos sociais, bem como, um avanço da política de Assistência Social, regulamentado pela LOAS, mesmo reconhecen-do seus aspectos restritivos, seletivos e estigmatizantes, quanreconhecen-do alcança somente aqueles que vivem abaixo da linha da pobreza.

Em suma, a assistência social constitui uma área estratégica para a manutenção de uma ampla rede de proteção para as pessoas idosas que, para além do benefício de prestação continuada, previsto na Constituição, inclui: “centros de convivência, casas lares, abrigos, centros de cuidados diurnos, atendimento domiciliares, dentre outros, em articulação com as demais políticas públicas” (CARVALHO et. al., 1998).

CONCLUSÃO

À guisa de conclusão, percebe-se que o desenvolvimento das Políticas Públicas, principalmente as voltadas para à pessoa idosa vem ocorrendo com maior precisão a partir da regulamentação do Estatuto do Idoso. Assim, as várias regiões brasileiras vêm aplicando as Leis específicas para o idoso possibilitando o reconhecimento das necessidades de amparo e proteção de forma normatizada.

O estado de Goiás vem buscando, por meio da assistência social, novas possibilida-des de enfrentamento as dificuldapossibilida-des advindas do envelhecimento o que trouxe avanços para a melhora da qualidade de vida da população idosa desta região.

Embora existam avanços, muitos desafios ainda precisam ser conquistados, portan-to, novos estudos devem ser realizados em direção à busca pela proteção e defesa dos direitos da pessoa idosa.

THE SOCIAL REALITY THE ELDERLY AND THE SOCIAL ASSISTANCE POLY Abstract: the historical evolution of the elderly social assistance policy development (Brazil and

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the Brazilian reality, and the BPC are presented. It is concluded that the policies related to the elderly are progressing, although there are challenges to be met in obtaining elderly rights protec-tion and defense. 

Keywords: Elderly. Social reality. Public policies. Social assistance policy. Notas

1 Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: [...] § 1º - O alistamento eleitoral e o voto são: [...] II - facultativos para: b) os maiores de setenta anos;

2 Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;

II - o amparo às crianças e adolescentes carentes; III - a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.

3 Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade (BRASIL, 1988).

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Imagem

Figura 1: Composição da população residente total, por sexo e grupo de idade – Brasil- 1991/2010

Figura 1:

Composição da população residente total, por sexo e grupo de idade – Brasil- 1991/2010 p.2
Figura 2: Estrutura Legal do BPC Fonte: Brasil (2012)

Figura 2:

Estrutura Legal do BPC Fonte: Brasil (2012) p.12

Referências