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Curso de Formação de. Agentes de Desenvolvimento

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Academic year: 2021

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Curso de Formação de

Agentes de Desenvolvimento

Etapa 1 – Formação Básica

Módulo 1 – Agente de Mudanças

Unidade 4 – Mobilização para o Desenvolvimento

GUIA DO FACILITADOR

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COPYRIGHT © 2010, FRENTE NACIONAL DE PREFEITOS E CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE MUNICÍPIOS

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – É permitida a reprodução total ou parcial, de qualquer forma ou

por qualquer meio, desde que divulgadas as fontes. FRENTE NACIONAL DE PREFEITOS – FNP

Presidente: João Carlos Coser (Prefeito de Vitória/ES)

1º Vice-presidente nacional: Edvaldo Nogueira (Prefeito de Aracaju/SE) 2º Vice-presidente nacional: Eduardo Paes (Prefeito do Rio de Janeiro/RJ)

1ª Vice-presidenta de Relações Internacionais: Luzianne Lins (Prefeita de Fortaleza/CE) Secretária - geral: Maria do Carmo Lara Perpétuo (Prefeita de Betim/MG)

Secretário- executivo: Gilberto Perre

PROJETO INCENTIVO PARA O DESENVOLVIMENTO CONVÊNIO FNP E SEBRAE

Coordenação Geral: Antônio Carlos Granado FNP - BRASÍLIA

SRTVS – Quadra 701, Bloco H, Loja 10, Edifício Record, Sala 603 70.340-910 – Brasília – DF

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CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE MUNICÍPIOS – CNM Presidente: Paulo Ziulkoski

1º Vice-presidente: vago por desincompatibilização 2º Vice-presidente: Luiz Benes Leocádio de Araujo 3° Vice-presidente: Pedro Ferreira de Souza 4° Vice-presidente: Valtenis Lino Da Silva CONVÊNIO CNM E SEBRAE NACIONAL Coordenação Geral: Augusto Braun CNM - BRASÍLIA

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SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS – SEBRAE Diretor Presidente: Paulo Tarciso Okamotto

Diretor Técnico: Carlos Alberto dos Santos

Diretor de Administração e Finanças: José Cláudio dos Santos SEBRAE NACIONAL - BRASÍLIA

SEPN - Quadra 515 - Lote 03 - Bloco C - Asa Norte CEP 70.770-530 – Brasília – DF

www .sebrae.com.br

Ficha Catalográfica

VERAS, Claudio; BARCELLOS, Flávio; OLIVEIRA, Inocêncio; SOUZA, Carlos; DIAS, Antônio Carlos.

Curso para Agentes de Desenvolvimento: Agente de Mudanças - Mobilização para o Desenvolvimento - Brasília: FNP, CNM e Sebrae NA, 2010.

36 p.

1. Agente 2. Desenvolvimento 3. Pequenas Empresas I - Título

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO: O que vem a ser, na prática, a promoção do

desenvolvimento? ...4

1.1.Como compreender a mobilização social ...7

1.2.Dimensões recomendáveis para um projeto de mobilização. ...8

1.2.1. Anúncio de um propósito e imaginário atraentes ...8

1.3.Identificação dos atores essenciais ao processo de mobilização...8

1.3.1. Compreendendo o que vem a ser o Produtor Social ...9

1.3.2.Compreendendo o que vem a ser o Editor Social ...10

1.3.3.Compreendendo o que vem a ser o Re-editor Social...11

1.4.Compreendendo o que vem a ser o Campo de Atuação ...12

2. Pesquisa Bibliográfica ...13

3. Transparências ...15

4. Roteiro de Atividades de Apoio Didático à Unidade 4 ...25

5. Referências ...31

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Mobilização para o Desenvolvimento

1. ]INTRODUÇÃO: O que vem a ser, na prática, a promoção do desenvolvimento?

O processo de desenvolvimento é complexo e difícil de ser explicado, em razão das múltiplas variáveis que o implicam. Quando buscamos saber o que é o desenvolvimento, deparamo-nos com a dificuldade de circunscrevê-lo.

O índice populacional, avançada urbanização, conglomerados de casas, prédios, rodovias asfaltadas não explicam o fenômeno do desenvolvimento. O desenvolvimento de uma comunidade expressa-se pelo bem-estar de quem nela vive, se é ou não um bom lugar para se viver.

O desenvolvimento de uma comunidade ou região só ocorre se todas as dimensões forem contempladas: o desenvolvimento humano, o desenvolvimento social, desenvolvimento econômico e desenvolvimento sustentável.

Em outras palavras, o desenvolvimento só acontece quando se melhora a vida das pessoas (dimensão humana) que compõem uma sociedade, sem excluir quem quer que seja (social) com olhos para o presente e para o futuro (sustentável).

Crescer economicamente é, sem dúvida, necessário. Contudo, não é suficiente. Para que uma localidade ou região cresça é necessário que ela favoreça não apenas o acesso à renda, mas também às riquezas, ao conhecimento, ao poder e/ou à capacidade de influenciar nas decisões públicas. Mas isso é sabido. O que se desconhece é a fórmula, a receita para se alcançar esse estágio.

Por muito tempo, admitia-se, que existia somente um tipo de capital relacionado aos bens e serviços produzidos e à renda gerada por eles, o econômico. No entanto, atualmente sabemos que existem outros tipos de capitais que são inerentes ao desenvolvimento: o capital humano, o social e o natural.

O capital humano se refere ao conhecimento e à criação. Está ligado à capacidade de partir de um conhecimento e transformá-lo em outro. Esse

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capital influi diretamente na educação, na nutrição, alimentação, cultura, pesquisa, etc. Baixos níveis de capital humano apontam para o baixo índice de desenvolvimento humano.

O capital social é relativo aos níveis de organização da sociedade. Tem a ver com o caráter democrático do perfil associacionista, cooperativista e de confiabilidade dos membros de uma sociedade, que tem o objetivo de defender a coletividade e proporcionar espaço para o exercício da cidadania. Baixos níveis de capital social apontam para o baixo índice de desenvolvimento social.

O capital natural está relacionado às condições ambientais de uma região, que definem o potencial de produtividade e fertilidade. Relaciona-se, também, aos aparatos tecnológicos disponíveis, para maximizar o desempenho dessa herança ecológica. Baixos níveis de capital natural apontam para o baixo índice de desenvolvimento natural.

Assim, apesar de não compreendermos qual a liga que associa todas essas dimensões do desenvolvimento, sabemos que o desenvolvimento pleno de uma região exige o investimento nesses três tipos de capitais. No entanto, existem evidências de que o alto desenvolvimento de um desses tipos de capital pode compensar o baixo rendimento de outro.

Dessa forma, se o Brasil tivesse maior desenvolvimento humano (pessoas com nível mais elevado de escolaridade, por exemplo) ou maior desenvolvimento social (maior número de pessoas reunidas em organizações civis), provavelmente seria um país mais desenvolvido.

A certeza é: o aumento do PIB pode significar a concentração da renda, no entanto, a riqueza, o conhecimento e o poder, se não forem melhor distribuídos, não haverá desenvolvimento. É pouco provável que o PIB se eleve duradoura e significativamente, enquanto houver tão alta concentração de riqueza, conhecimento e poder.

A base do desenvolvimento, então, consiste em quatro ações básicas: 1. Favorecer a geração de renda;

2. Multiplicar a quantidade de proprietários produtivos; 3. Elevar o nível de escolaridade;

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4. Intensificar o número de organizações civis.

Em outras palavras, fazer crescer a produção e proporcionar a todos igual acesso à riqueza, escolaridade, conhecimento e poder, visando o empoderamento das populações, compõe a mobilização para o desenvolvimento.

Em síntese, a promoção do desenvolvimento envolve o incremento de cinco tipos de capital – a renda, o capital empresarial, o capital humano, o capital social e o capital natural.

Tudo isso ainda não esclarece a forma através da qual essas variáveis estão tão proximamente relacionadas. Mas é visivelmente perceptível que o investimento nesses fatores deve ocorrer de maneira simultânea: o capital humano gera capital social, que gera capital empresarial, que gera renda e assim sucessivamente. Quando o sistema se habituar a esse ritmo, teremos alcançado um círculo virtuoso chamado desenvolvimento humano e social sustentável.

Para que isso ocorra, é necessário promover as condições para que o desenvolvimento aflore. Não cabe, nessa perspectiva, apenas o planejamento. A ação e o desencadeamento do processo se fazem indispensáveis.

Essa argumentação incita uma discussão necessária: os governos argumentam, favoravelmente, pela valorização do planejamento e do planejador do desenvolvimento local e regional, papel que atribui a ele mesmo. Essa é uma maneira de resistir às mudanças globais que estão tirando o foco da atuação protagonizada pelo Estado. O novo projeto de desenvolvimento não é mais mérito do Estado. Ele é construído socialmente com a participação dos setores governamental, social e empresarial.

Assim, compreendemos por que o desenvolvimento, enquanto processo, necessita ser Local, Integrado e Sustentável.

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1.1. Como compreender a mobilização social

Mobilização social sugere ser um aglomerado de pessoas, manifestando-se em praça pública, em forma de passeatas, podendo ser também, uma reunião de pessoas. No entanto, essa é uma percepção equivocada.

A mobilização se dá quando um grupo de pessoas voluntariamente assume objetivos comuns, tomando ações e decisões cotidianas, com vistas a resultados almejados por todos. Daí, deriva que contribuir para um processo de mobilização é uma escolha, uma decisão livre. As pessoas são convidadas a compartilhar de um processo de mobilização, mas a decisão pela participação apenas se dá quando elas, voluntariamente, vêem-se como responsáveis e potenciais atores da transformação.

Bernardo Toro (1995) conceitua mobilização, com propriedade, através da expressão “convocar vontades”, significando convocar discursos, decisões e ações à procura de um propósito comum, com interpretação e sentido compartilhados, para assunção de um compromisso que abraça todo o cotidiano.

A mobilização social objetiva alguma coisa. Constitui-se em um propósito comum e racional. Parte-se do pressuposto de que haja uma certeza comum de ganho social coletivo, e de que essa consciência generaliza-se a todos que compartilham dela. A mobilização trabalha com um cenário de futuro. Trabalhar no curto prazo significaria emprestar à mobilização um caráter de evento ou de uma campanha transitória. No entanto, os resultados de uma mobilização abre-se a um cenário de longo prazo, mas serão contabilizados cotidianamente.

Bernardo Toro compreende a mobilização social como um ato de comunicação, pelo qual se compartilham discursos, informações e visões. O autor afirma que o que torna um processo de mobilização social estável é a certeza de que as ações e decisões contínuas, tomadas por um, em um determinado espaço de atuação, são as mesmas ações e decisões tomadas por outros, em seus respectivos espaços de atuação, com as mesmas metas e objetivos, da mesma forma e pelo mesmo caminho, gerando efeito sinérgico peculiar a uma ação coletiva.

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1.2. Dimensões recomendáveis para um projeto de mobilização.

1.2.1. Anúncio de um propósito e imaginário atraentes

O anúncio de um propósito e imaginário atraentes empresta um caráter de convocação e de convite. Tal anúncio substitui de maneira sedutora a explicitação das metas que se pretende atingir, promovendo a motivação, aspirações e o desejo de compartilhar do propósito anunciado.

Desta maneira, pretende-se gerar entusiasmo a partir de fundamentos racionais e emocionais. O propósito deverá provocar uma adesão coletiva, e ao mesmo tempo retratar o interesse comum, permanecendo a motivação individual, independentemente do nome que se lhe dê: propósito, meta, objetivo, missão e assim por diante.

Nesse contexto, as diferenças individuais serão não só respeitadas, mas também valorizadas, como forma de enriquecer o propósito comum. A idéia é de que prevaleça um clima e um processo democrático.

Bernardo Toro considera que a mobilização social não é a congregação de pessoas para viabilizar o sonho de um ou de alguns. É a união de pessoas para a construção de um sonho comum e de todos. Havendo nesse sonho exclusão de uns, os excluídos podem descomprometer-se com o objetivo comum, podendo somar nocivamente e colocar em risco a estrutura social. O imaginário exprime um futuro a ser construído, sendo fonte de possibilidades de ação e pensamento. Serve como uma experiência de perspectiva tátil, para referenciar os seus atores sobre a efetividade da sua participação, na busca do objetivo comum, e sobre as possibilidades de se extrapolarem as ações já concretizadas.

1.3. Identificação dos atores essenciais ao processo de mobilização Bernardo Toro explicita diferentes papéis a serem desempenhados por instituições, grupos ou pessoas, cuja função consiste em criar a dinâmica fundamentada no imaginário anunciado. Há papéis a serem desempenhados

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nesse processo, que podem ser ocupados por um ou mais de um. E, contrariamente, um pode ocupar vários papéis, desde que orientados pelos princípios e valores consensados. Tais papéis podem ser assim compreendidos:

1.3.1. Compreendendo o que vem a ser o Produtor Social

O Produtor Social pode ser uma pessoa ou instituição que tenha aparato econômico, técnico, profissional e institucional para colocar em marcha um processo de mobilização. É responsabilidade do Produtor Social viabilizar o movimento e conduzir as negociações que darão legitimidade política e social ao imaginário e à concretização do movimento.

O Produtor Social objetiva transformar a realidade. Assim, cabe-lhe compartilhar suas intenções e anunciar os seus propósitos. À medida que as pessoas forem aderindo e apoiando o movimento, elas se apropriarão e se responsabilizarão pela disseminação e ampliação do propósito. A credibilidade do Produtor Social é garantida pela legitimidade que lhe é conferida. Tal legitimidade aumenta, se a condução estiver sendo bem sucedida.

É extremamente relevante que o Produtor Social não seja visto como proprietário, mas como precursor do movimento. Para isso, ele deve considerar os seguintes aspectos:

 Respeitar e confiar na capacidade das pessoas de tomarem decisões em conformidade com suas escolhas, incentivando o surgimento dessas iniciativas e a sua continuidade. A indolência e a passividade das pessoas serão desestimuladas, procurando transformá-las em autênticas cidadãs, pelo reconhecimento incondicional de sua capacidade de agir e decidir, a partir dos seus referenciais próprios.

 Conscientizar-se da necessidade de despertar a energia, a criatividade e o espírito empreendedor das pessoas e da coletividade. A iniciativa e a pró-atividade integram o ambiente democrático e produtivo. Tal ambiente pode e deve ser ensinado. É necessário converter uma proposta de ação em ação realizada: o empreendedorismo social alinha-se à mobilização social. A criatividade e a descoberta de soluções fazem parte desse aprendizado.

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O Produtor Social precisa ajudar as pessoas a visualizarem os problemas como oportunidades e desafios de atuação, ajudando-as a evadirem-se do comportamento e do discurso conformistas e fatalistas.

Ele promoverá a leitura da realidade social. Deverá conhecer e interpretar os significados, os valores, os símbolos, a legislação, as necessidades e prioridades da realidade social em que se encontra inserido.

 Ele assumirá como missão orientar o Editor Social, esclarecendo-o sobre as formas mais eficazes de comunicação, bem como os seus limites. Os meios de comunicação são instrumentos recomendados, necessitando de um uso adequado e oportuno, na dimensão eficaz.

 Sensibilidade e tolerância para favorecer a autonomia e iniciativa das redes de Re-editores, para que se apropriem do seu próprio sentido. O Produtor Social necessitará de sensibilidade para interagir com as redes, sem burocratizá-las ou subordiná-las.

 “Ter conceitos claros de democracia, cidadania, público e participação”. Bernardo Toro recomenda tais conceitos como de fundamental importância, para que se gere uma imagem social positiva, de forma que os Re-editores viabilizem os seus interesses em condições igualitárias.

1.3.2. Compreendendo o que vem a ser o Editor Social

Cabe ao Produtor Social convocar Re-editores a que produzam leitura de sua respectiva realidade e adequações à sua atuação.

A mobilização requer que as mensagens sejam editadas, que se convertam em formas, objetos, símbolos e signos adequados ao campo de atuação dos Re-editores. Estes, por sua vez, irão decodificar e recodificar, conforme a percepção que tenham de sua realidade. Ao profissional ou a instituição especializados e competentes a esse tipo de comunicação, doravante, chamaremos de Editor Social.

O sucesso e eficácia da mobilização compartilhada dependem da maneira como o Editor introduz a mensagem no campo de atuação dos Re-editores.

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A primeira missão do Editor Social é convocar a vontade dos Re-editores para concretizarem mudanças em seu espaço de atuação. Para tanto, é necessário que ele tenha conhecimento e visão sistêmicas do processo de mobilização.

A maneira, o conteúdo e os códigos a serem utilizados pelo Editor, em sua comunicação, devem ser criteriosamente elaborados e selecionados. Ele precisa ter clareza de quem são os Re-editores e quais os seus respectivos espaços de atuação.

Compreender o espaço de atuação dos Re-editores é fundamental para que se possa provê-los de alternativas de ação e decisão e para que se possa dar a eles compreensão do processo como um todo, de suas partes, dos papéis e suas funções. Com o tempo, os Re-editores poderão fazer individualmente essa análise, bem como irão encontrar sua própria maneira de realizar o seu trabalho, mas inicialmente precisam de um estímulo.

É, também, função do Editor Social assegurar aos Re-editores fornecimento de instrumentos de trabalho, o que inclui materiais e contatos que possam facilitar alguns acessos, bem como orientações sobre meios de comunicação, dentre outros. É importante que o Editor transmita segurança aos Re-editores, para que possam levar adiante o seu propósito e legitimar o seu discurso, perante o seu público.

1.3.3. Compreendendo o que vem a ser o Re-editor Social

A função primeira do Re-editor Social é adequar a mensagem recebida, de acordo com as circunstâncias e objetivos, à realidade de sua atuação. Ele possui um público próprio, que lhe confere credibilidade e legitimidade. A partir desse reconhecimento social ele pode negar, afirmar, transformar, introduzir, criar novos sentidos e terá o acolhimento necessário. É dessa maneira que ele consegue estimular os sentimentos, os pensamentos, as atitudes e as impressões da sua comunidade.

Alguns exemplos de Re-editores sociais são os educadores, os professores, os líderes comunitários, líderes religiosos, gerentes, dentre outros. No entanto, eles são diferentes dos multiplicadores, que transmitem a mensagem o mais fiel possível à mensagem original recebida.

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Os Re-editores adaptam e ampliam a mensagem, de maneira a adequá-la ao seu público. Ele enriquece a mensagem com elementos da cultura e da história do grupo, da experiência, dos princípios e valores predominantes na sua comunidade. O Re-editor incrementa a mensagem, mas sem deixar de colocar em evidência o imaginário da mobilização.

Os Re-editores Sociais diferenciam-se dos militantes tradicionais. Acreditam no convencimento de cada um, e não na conversão. As ações dos militantes possuem um tom de quem necessita de um salvador, de alguém que resolva a desordem instaurada. Millôr Fernandes já dizia: “O povo que precisa de um salvador, não merece ser salvo”. O Re-editor crê no conceito de democracia e de cidadania, no empoderamento da sociedade de se estabelecer e estabelecer sua própria ordem.

1.4. Compreendendo o que vem a ser o Campo de Atuação

Novamente, coletando contribuições de Bernardo Toro, que assim diz: “não se faz mobilização social com heroísmos. As mudanças são construídas no cotidiano por pessoas comuns, que se dispõem a atuar coletivamente, visando alcançar propósitos compartilhados.”

Muitas pessoas encontram-se motivadas a participar de um processo de mudança. No entanto, precisam encontrar algumas respostas às perguntas sobre como elas podem contribuir dentro do seu espaço, no dia-a-dia.

Para ajudá-las é necessário subsidiá-las das seguintes informações:

 Quais os propósitos e objetivos pretende a mobilização alcançar. Como se caracteriza a situação atual e quais as características e prioridades de cada etapa da mobilização. As pessoas necessitam ser informadas sobre o projeto a que pretendem aderir. O desconhecido amedronta e afugenta.

 É necessário assegurar às pessoas, pretendentes à adesão, que suas formas de agir e pensar serão respeitadas, valorizadas e reconhecidas, uma vez que ninguém se dispõe a ser coagido, pressionado, ameaçado de exclusão ou mal compreendido.

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 As pessoas precisam sentir que os demais participantes reconhecem suas potencialidades de contribuição e que elas são dignas de sua confiança.

Assim sendo, o projeto de mobilização social deverá promover, junto aos partícipes:

a) Explicações concretas sobre o problema a ser resolvido, sobre as circunstâncias a serem promovidas ou transformadas, sobre o sentido e propósito das decisões e ações a serem tomadas diariamente, em seu espaço de trabalho.

b) Esclarecimentos sobre as decisões e ações de sua alçada, dentro do espaço de sua atuação e trabalho, juntamente com a explicação quanto à forma e à razão, pelas quais contribuem com o objetivo traçado.

Tal leque de sugestões deve ser aberto de forma transparente e estimulante para que culmine, posteriormente, na criação voluntária, autônoma e no desenvolvimento de novas formas de participação. Assim, as pessoas não se sentirão manipuladas, nem acomodadas e terão sua liberdade garantida.

2. Pesquisa Bibliográfica

A construção do conhecimento sobre a Mobilização Social deve muito a José Bernardo Toro, principalmente à sua obra intitulada: “Mobilização Social: um modo de construir a democracia e a participação” – Eidtora Autêntica, 2004 – para a qual contou com a co-autoria de Nísia Maria Duarte Werneck. Bernardo Toro é pensador, educador, filósofo e sociólogo colombiano, e presidente da Confederação Colombiana de ONG’s. É considerado o filósofo da Ética. A ele tributamos a inspiração para a redação desse texto.

Nísia Maria Duarte Werneck é educadora, palestrante e professora da Fundação Dom Cabral.

A redação desse texto teve, também, como fonte de inspiração contribuições de Augusto de Franco a partir de conceitos por ele formulados

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em sua obra: “Por que precisamos de Desenvolvimento Local Integrado e Sustentado”, Separata da Revista Século XXI – Instituto de Política, Millennium, 2000.

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4. Roteiro de Atividades de Apoio Didático à Unidade 4 4.1. Dinâmica Alternativa 1:

“Mapeamento das Relações”

Natureza da Atividade: Esta atividade é adequada para o exercício de reflexão e tomada de consciência do postulante ao papel de Agente de Desenvolvimento, sobre a cadeia de relações influentes em seu município, como base para sua atuação estratégica.

Objetivos: Possibilitar, aos participantes, a oportunidade:

Diagnosticar preliminarmente, a rede de influências existente no município e compartilhar com os demais colegas.

Compreender o espaço de possibilidades de influência que possa o Agente de Desenvolvimento ter em seu município.

Conscientizar-se de seu papel e instrumentar-se desse diagnóstico, como forma de situar-se no contexto sócio-político do seu município, e como forma de projetar estratégias de ações.

Tamanho do Grupo: Até 25 pessoas.

Tempo Requerido: Até 01:00 h

Arranjo Físico:

Auditório com carteiras móveis ou mesas, com layout em formato de “U”.

Recursos ou Materiais Necessários:

Uma folha de Flip-Chart para cada participante. 8 jogos de canetas “hidrocor” de cores variadas. 5 rolos de fita crepe.

Formulários para preenchimento pelo participante.

Especificação da Atividade: “MAPEAMENTO DAS RELAÇÕES”

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Descrição do Processo: Momento I:

Orientações

O Facilitador dará aos participantes as seguintes instruções:

1. Trabalhe no formulário recebido denominado “MAPEAMENTO DAS RELAÇÕES”, como o formulário sugere.

2. Identifique a pessoa que você julga mais influente de sua cidade, colocando seu nome no círculo central. Doravante nós o chamaremos de Sol.

3. Nomeie de três a cinco pessoas que recebem influência direta do Sol e em torno dele gravitam. A estes chamaremos de Planetas.

4. Resgate nomes de até três pessoas que gravitam em torno dos Planetas. A estes daremos o nome de Satélites.

5. Adote para o Sol, Planetas e Satélites, pseudônimos que, com humor, caracterizem os estilos das pessoas que você identificou.

6. Agora reflita sobre o mapa encontrado e prepare-se para apresentá-lo a um pequeno grupo, tecendo considerações sobre a realidade que diagnosticou.

7. Concluída a fase individual, os participantes se reunirão em grupos de cinco a seis pessoas.

8. Cada qual apresentará o seu MAPEAMENTO DE RELAÇÕES tecendo ligeiras considerações e respondendo a questionamentos surgidos. 9. Após a apresentação individual, o grupo escolherá um dos mapas para

ser apresentado em plenário, obedecendo a critérios de curiosidade, complexidade, clareza e válida instrumentação para aprendizagem.

Momento II:  Processamento

Concluído o Momento I, cada grupo apresentará em plenário, o MAPEAMENTO DE RELAÇÕES por ele eleito.

Ao término das apresentações, o facilitador convocará a turma para uma reflexão sobre as realidades apresentadas, a partir das questões:

1. Como pensar o Campo de Atuação do Agente de Desenvolvimento? 2. Com quais dificuldades mais freqüentes se depararão?

3. Quais habilidades serão necessárias ao enfrentamento da realidade? 4. O que se pode aprender dessa reflexão, para transpor à realidade?

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“Mapeamento das Relações” – Parte I

Instruções: O mapa abaixo deverá ser preenchido da seguinte maneira: 1. Identifique a pessoa que você julga mais influente de sua cidade,

colocando seu nome no círculo central, que nós o chamaremos de Sol. 2. Nomeie de três a cinco pessoas que recebem sua influência e em torno

dele gravitam. Doravante os chamaremos de Planetas.

3. Resgate nomes de até três pessoas que gravitam em torno dos Planetas. Doravante lhes daremos o nome de Satélites.

4. Adote para o Sol, Planetas e Satélites, pseudônimos que caracterizem os estilos das pessoas que você identificou, com humor.

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“Mapemanto das Relações – Parte II

Que ações prioritárias eu devo planejar na atuação do meu papel de Agente de Desenvolvimento e na Mobilização de atores relevantes do município:

1.___________________________________________________________ ___________________________________________________________ 2.___________________________________________________________ ___________________________________________________________ 3.___________________________________________________________ ___________________________________________________________ 4.___________________________________________________________ ___________________________________________________________ 5.___________________________________________________________ ___________________________________________________________

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4.2. Dinâmica Alternativa 2:

“Seminário Diversificado sobre o Tema: MOBILIZAÇÃO PARA O

DESENVOLVIMENTO

Natureza da Atividade: Esta atividade propõe-se a estimular os participantes a pesquisarem conceitos e noções no texto disponível, a partir de questões formuladas pelo facilitador.

Objetivos: Possibilitar, aos participantes, a oportunidade:

Adquirirem conhecimentos, conceitos e noções relevantes, a partir do texto disponível: “Mobilização para o Desenvolvimento”.

Tamanho do Grupo: Até 25 pessoas. Tempo Requerido: Até 01:00 h

Arranjo Físico:

Auditório com carteiras móveis ou mesas, com layout em formato de “U”. Recursos ou Materiais Necessários:

Uma folha de Flip-Chart para cada pequeno grupo. Canetas para Flip-Chart de diferentes cores.

Especificação da Atividade:

“SEMINÁRIO DIVERSIFICADO SOBRE O TEMA: MOBILIZAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO”

Descrição do Processo: Momento I:

 Orientações

O Facilitador distribuirá os participantes em pequenos grupos, atribuindo a cada um, uma das seguintes questões, solicitando que reflitam sobre elas e busquem referência no texto disponível: “Mobilização para o Desenvolvimento”.

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Mobilizar é convocar vontades para atuar na busca de um propósito comum, sob uma interpretação e um

sentido também compartilhados

(Bernardo Toro, 1995)

1.Como interpretar a profundidade da seguinte assertiva

2.Como compreender a seguinte expressão e o significado de sua extrapolação, exemplifique:

Um imaginário convocante e um horizonte atraente

(Bernardo Toro, 1995)

3. Esclareça e exemplifique o que vem a ser: Produtor Social e Editor Social

4.Como compreender o perfil do: Re-editor Social

5. Analise, comente e esclareça a seguinte assertiva

Respeite e confie na capacidade das pessoas de decidirem coletivamente sobre suas escolhas e estimule o desenvolvimento desses comportamentos.

(Bernardo Toro, 1995)

6. Analise e responda a seguinte questão, a partir do texto: Mobilização para o Desenvolvimento

O que proporcionar para que as pessoas se disponham a participar e descubram sua forma de

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Momento II:  Processamento

Concluído o Momento I, cada grupo apresentará em plenário, em folha de Flip-Chart, as conclusões encontradas coletivamente.

O facilitador poderá processar as conclusões dos grupos, ao término da exposição de cada um, ou mesmo, ao final de todas as apresentações, sempre buscando valorizar e contribuir com o que foi apresentado. Durante o processamento do facilitador, é importante que ele faça

alusões ao texto ou às transparências projetadas, identificando-se com o papel de editor e convidando os participantes a se pensarem como reeditores.

Atividade didática elaborada por Inocêncio Magela de Oliveira.

5. Referências

 FRANCO, Augusto de — Porque precisamos de Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável; separata da Revista Século XXI, nº 3, p. 21 a 26, Ed Millennium, março de 2000.

 TORO, J. B., La Calidad de la Educación Primária. Medios de Comunicación Massiva y Comunidad civil: EI Proyecto “Primero mi primário para Triunfar” en BOLETIN UNESCOOREALC, n.28, Santiago de Chile, 1992, p.98.

6. Lista de materiais

 Arquivo eletrônico CAD_M1U4.ppt  Computador

 Projetor tipo data-show  Parede ou tela para projeção  Flip-chart

 Canetas para flip-chart  Formulários impressos  Lápis e Borracha O que proporci onar para que as

Referências

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