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A
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Voto consciente Perfil do Congresso5
Governos Estaduais Eleição em números DIAP participa de campanha pelo voto éticoDIAP, outras instituições e cientistas políticos antecipam perfil partidário do novo Congresso, a ser eleito em 6 de outubro Veja a tendência de eleição dos governadores por partido Conheça os principais números desta eleição
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vida do próximo
presiden-te não será fácil. De um
lado será pressionado a honrar o
acordo com o FMI, o que exige o
aprofundamento do ajuste,
inclu-sive com reforma constitucional.
De outro, não contará com
maio-ria própmaio-ria no Congresso para
aprovar seu programa de
gover-no. A solução, além de pacientes
negociações, exige a formação de
coalizões, temporárias ou
perma-nentes, para garantir minimamente
a governabilidade.
De fato, a política de superávit
primário, a manutenção do
câm-bio flutuante e o compromisso
com metas de inflação, agravadas
com a perda de receita, poderá
forçar o próximo governo a
insis-tir na reforma da previdência, na
prorrogação da alíquota de 27,5%
do imposto de renda, na cobrança
de contribuição dos aposentados,
bem como no corte de despesas,
como forma de equilibrar as
con-tas públicas, mais uma vez às
cus-tas dos assalariados.
Mas o próximo presidente
(seja ele Lula, Serra, Garotinho
ou Ciro) não contará mais com o
rolo compressor que FHC teve a
sua disposição, por falta de uma
base consistente capaz de
apro-var todas as iniciativas do
gover-no. Assim, terá que negociar
exaustivamente suas propostas,
sob pena de as mais relevantes
Fim do rolo compressor
no Congresso
delas não saírem do papel.
A grosso modo, a estimativa é
que o próximo presidente terá um
apoio consistente de algo como
200 deputados, o apoio
condicio-nado pouco acima de 150 e a
opo-sição em torno de 150, o que
exi-girá negociações pontuais com os
parlamentares e partidos
classifi-cados como apoio condicionado,
o que requer enorme disposição
para o diálogo do novo governo.
A parte boa dessa notícia é
que chegou ao fim a era do rolo
compressor no Congresso e as
dificuldades para suprimir
direi-tos dos assalariados serão
mai-ores. A ruim é que a
dependên-cia excessiva do presidente dos
partidos e parlamentares,
inclu-sive para aprovar uma agenda
de interesse da sociedade,
po-derá forçar o retorno de
práti-cas fisiológipráti-cas e clientelistas,
com enorme custo político e
fi-nanceiro para o país.
O nosso desafio, portanto, será
combater eventuais reformas em
bases neoliberais e exigir do
go-verno uma agenda de reformas
com mudanças em favor da
maio-ria da população, sempre produto
de entendimentos feitos de forma
transparente, com princípios éticos
e voltados exclusivamente para os
interesses público e nacional.
A Diretoria
Voto proporcional Como são eleitos nossos deputados
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Artigo Assessora do DIAP expõe fragilidades da democracia brasileira6
Publicação do
DIAP - Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
BOLETIM DO DIAP
Ano X - NO 145 - SETEMBRO/2002
Publicação mensal do DIAP -Departamento Intersindical de
Assessoria Parlamentar
SBS - Edifício Seguradoras - Salas 301/7 70093-900 - Brasília-DF
Fones: (0xx61) 225-9704/9744 Fax: (0xx61) 225-9150.
Supervisão: Ulisses Riedel de Resende
Editora: Viviane Sena
Redação:
Alysson de Sá Alves, Antônio Augusto de Queiroz, Marcos Verlaine da Silva Pinto, Maria Lúcia de Santana
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(SINPRO/SP)
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Garcia (SINDSAÚDE/DF) Secretário: Izac Antonio de Oliveira
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(SENGE/DF) Itamar Revoredo Kunert (Sind. Adm. de Santos/SP) Vladimir Nepomuceno (CNTSS) Suplentes: Vicente Venuck Pretko
(SINTRACARP/PR) Wellington Teixeira Gomes
(FITEE/MG) José Aquiles de Almeida
(CNTEEC)
Boletim do
DIAP participa da
campanha pelo voto ético
ntitulada Voto não tem preço, tem conseqüências a campanha reúne várias entidades da sociedade civil como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Depar-tamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), além de várias entidades sindicais de trabalhadores, partidos políticos, associações de clas-se e movimentos populares.
Relançada no dia 10/09/2002 no âmbito do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, a campanha pela valorização do voto ético e conscien-te conscien-teve início ainda em 1999 quando foi apresentado o Projeto de Lei de Iniciativa Popular, transformado em setembro do mesmo ano na Lei 9.840/99, que visa combater a
cor-rupção eleitoral. Em 2000, nas eleições municipais, vários comitês populares de combate à corrupção foram cria-dos. Nesse período, ficou claro que a aplicação da lei depende essencial-mente da mobilização da sociedade.
Nas eleições de 2002, o Movimen-to de Combate à Corrupção EleiMovimen-toral pretende incentivar a mobilização so-cial e criar vários comitês com o obje-tivo de garantir a realização de elei-ções limpas, livres de qualquer fraude e sem nenhum tipo de constrangi-mento ou pressão sobre os eleitores brasileiros.
Mais informações podem ser obti-das na página www.lei9840.org.br e as denúncias de irregularidades po-dem ser feitas por meio do endereço eletrônico [email protected].
I
A proposta orçamentária para 2003 poderá tramitar em pra-zos mais curtos, conforme de-fende o vice-líder do Governo, senador Romero Jucá (PSDB/ RR). A idéia é agilizar a análise e votação dos relatórios setoriais para evitar a prorrogação dos trabalhos legislativos após 15 de dezembro de 2002. Pelo rito nor-mal de tramitação, o relator da matéria, senador Sérgio Macha-do (PMDB/CE) tem até o dia 22 de setembro para apresentar
pa-Prazos mais curtos na
tramitação da proposta
orçamentária para 2003
O resultado final do plebiscito que aferiu a opinião do brasileiro acerca da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) foi entregue no dia 17/09 ao primeiro secretário da Câmara dos Deputados, depu-tado Severino Cavalcanti (PPB/PE). Além de entregar o resultado, os
recer preliminar, que receberá emendas até o dia 25 de se-tembro e será votado até 1° de outubro. Paralelamente às ativi-dades do Congresso, represen-tantes de entidades da socieda-de civil anunciam a criação do Fórum Brasil do Orçamento para participar dos debates na Comis-são Mista do Orçamento sobre a proposta para 2003 e, poste-riormente, divulgar informações para a população por meio de encontros e seminários.
95% da população
brasileira disse não a Alca
organizadores da consulta solicita-ram ao deputado que o Legislativo autorize a realização de um plebis-cito oficial sobre a Alca. Quase dez milhões de pessoas de quatro mil municípios brasileiros participaram da votação e 95% delas disseram não à adesão do Brasil a Alca.
O
Composição partidária
do futuro Congresso
Estimativa de composição da futura Câmara dos Deputados
DIAP, desde 1990, sempre que há eleição para o Congres-so, produz um prognóstico sobre a futura composição da Câmara e do Senado Federal, traçando um rápido perfil partidário do Poder Legislativo Federal, conforme quadro publicado a seguir.
Para realização do estudo, publica-do sempre no mês que antecede a eleição, o DIAP consulta várias fontes, que vão desde a rede de sindicatos filiados nos Estados, agências que ori-entam campanha, jornais de circula-ção estadual, passando por parlamen-tares e cientistas políticos, até o exa-me de pesquisas eleitorais.
Além das fontes mencionadas, o DIAP, para chegar aos números de sua previsão, considera uma série de variáveis, entre as quais a estrutura partidária nos Estados, as alianças e coligações eleitorais, o perfil qualitati-vo dos candidatos, a relação deles com os candidatos majoritários, a experiência política e administrativa, o vínculo com categorias econômicas ou profissionais, o apoio de mídia, re-cursos financeiros e materiais.
O estudo, que também serve para enriquecer o banco de dados do ór-gão, limita-se a traçar o perfil partidá-rio do Poder Legislativo, sem citar nominalmente os candidatos com chance de eleição, para não favore-cer nomes que despontam entre os que pleiteiam uma vaga no Legislati-vo.
O DIAP, com base nos dados cole-tados e em sua estrutura de análise, adota um critério que considera o número provável de candidatos a se-rem eleitos por partido e, a partir des-se número, estabelece um desvio pa-drão, de modo que eventuais mudan-ças na tendência não alterem profun-damente a previsão. Para chegar ao número, a partir do qual é instituído o desvio padrão, basta somar os dois índices (máximo e mínimo) e dividir o resultado por dois.
O resultado do estudo prospecti-vo sobre a nova composição da Câ-mara e do Senado Federal, que leva em consideração a metodologia an-teriormente mencionada, pode ser analisado sob dois pontos de vista. O
primeiro, mais realista, considera o desempenho eleitoral de cada partido na eleição de 1998. O segundo, no qual os partidos cresceram ou decres-ceram artificialmente ao longo da le-gislatura, considera o quadro atual.
Se considerarmos, para efeito de comparação, o resultado da eleição de 1998 com a previsão das bancadas a serem eleitas em outubro de 2002, a estimativa do DIAP aponta para uma redução das bancadas que deram sustentação ao governo FHC (PFL, PSDB, PMDB e PPB) e um crescimen-to da oposição, tancrescimen-to de esquerda, quanto de centro-direita. Do bloco de sustentação ao governo, todos redu-zem suas bancadas, porém nenhum perde mais que 30% de sua compo-sição. Os partidos de oposição divi-dem-se em dois grupos: os de esquer-da e os de centro-direita. No primeiro grupo, com exceção do PDT, todos crescem, especialmente e nesta or-dem o PPS, o PT, o PC do B e o PSB. No segundo, tendem a crescer, nesta ordem, o PL e o PTB.
Entretanto, se compararmos a pre-visão do DIAP com a composição atual da Câmara (com crescimento artificial do PPS, PL, PC do B, PTB e PMDB e redução de bancadas do PFL, PSDB, PPB, PDT e PSB durante a atual legis-latura), constata-se que a futura
com-posição vai variar pouco nos grandes partidos, de tal modo que nenhum crescerá ou reduzirá sua bancada em número superior a 20. Continuam como os maiores partidos na Câma-ra, nesta ordem, o PFL, o PSDB, o PMDB e o PT.
Esse tipo de levantamento é feito também por cientistas políticos, como David Fleischer, e por empresas de consultoria política, como a Arko Ad-vice, de Murillo de Aragão, e por insti-tutos como o IBEP, de Walder de Góes, e o INESC, que tem como con-sultor o jornalista Marcondes Sampaio, um dos mais competentes e prova-velmente o pioneiro neste tipo de es-tudos. Cada analista ou instituição adota metodologia própria.
Para uma rápida comparação, compilamos a previsão sobre a futura composição do Congresso feita pelo DIAP e também por institutos e cien-tistas políticos. A tabela está dividida em oito campos. O primeiro para identificação dos partidos. O segun-do para indicar as bancadas eleitas em 98. O terceiro para mostrar a banca-da atual. O quarto com a previsão do DIAP. O quinto com a projeção da Arko Advice. O sexto com a estimati-va do INESC. O sétimo com a previ-são do IBEP. E o oitavo com a proje-ção do prof° David Fleischer, da UnB.
Boletim do
Renovação e perda de quadros na Câmara
O índice de renovação da Câmara dos Deputados, segundo as projeções do DIAP, será menor do que os índices registrados nas últimas três eleições, devendo ficar num patamar de 40%. Nas duas primeiras eleições do período pós-constituinte, o índice de renova-ção da Câmara dos Deputados supe-rou os 50%; em1990 foi de 62% e em 94, de 54%. Já na eleição de 1998, esse percentual caiu para 43%. As ra-zões para tanto são muitas, desde o elevado custo das campanhas, passan-do pelas vantagens comparativas passan-dos atuais deputados (que têm serviços prestados, nome conhecido, bases elei-torais definidas, financiadores de cam-panha e estrutura de apoio) até o re-duzido tempo de rádio e TV para os candidatos proporcionais.
Embora se considere que dos 513 titulares, 102 não sejam candidatos à reeleição e que tenha aumentado de 3.417 para 4.665 o número de candi-datos a deputado federal, o certo é que haverá uma renovação pequena e, mais do que isto, tudo indica que ha-verá uma circulação no poder, já que muitos dos 108 suplentes que assumi-ram o mandato nesta legislatura, pro-vavelmente estarão entre os eleitos em 6 de outubro. Se somarmos a estes outros que já exerceram mandato ele-tivo (vereador, deputado estadual, fe-deral, senador ou governador) ou car-go público de livre provimento (secre-tário de Estado, ministro, secre(secre-tário executivo de Ministério etc) ficará evi-dente que a renovação real será mui-to pequena.
Assim, a taxa de renovação real, será de algo como 15%, se conside-rarmos como novos apenas aqueles sem experiência política anterior. É que muitas das vagas deixadas pelos que desistiram ou não forem reeleitos
se-rão preenchidas por caciques regionais - governadores, prefeitos, secretários estaduais ou municipais, ex-deputados federais e ex-deputados esta-duais fato que caracteriza mais um rodízio, do que propriamente uma re-novação. E os chamados novos, muitos deles são parentes de postu-lantes a cargos majoritários, descen-dentes de velhas oligarquias, ou serão eleitos por força do poder econômico, por serem ricos ou apoiados por cor-porações patronais, por serem mem-bros de seitas religiosas ou apresenta-dores de rádio e TV, ou, ainda, intelec-tuais renomados e profissionais com trabalho de atendimento direto à po-pulação, como médicos, por exemplo. Entretanto, o fato de a renovação não ser tão grande quanto se imagi-nava inicialmente não significa que a nova composição será conservadora ou refratária a mudanças. Isto depen-de muito do âmbito político, da con-juntura econômica, das lideranças par-tidárias, da presidência da Câmara e, principalmente, das iniciativas do pre-sidente da República, que certamente formará coalizões de partidos e propo-rá mudanças.
Um dado, entretanto, não dá para negar. A Câmara ficará privada de gran-des quadros na próxima legislatura, embora ganhe alguns relevantes, como Roberto Freire e Denise Frossart, porém insuficientes para substituir as perdas que terá. Entre os que saem cabe citar o deputado Aécio Neves, candidato ao governo de Minas; o de-putado José Genoíno, candidato ao governo de São Paulo; os deputados Waldir Pires (PT/BA), José Aníbal (PSDB/SP), Artur Virgílio (PSDB/AM), Aloizio Mercadante (PT/SP), candidatos ao Senado em seus Estados; os depu-tados Antônio Kandir (PSDB/SP),
Mo-reira FerMo-reira (PFL/SP) e Pimenta da Veiga (PSDB/MG), que desistiram de concorrer neste pleito, entre outros de grande prestígio.
Presidência da Câmara A presidência da Câmara, segundo a tradição da casa, pertence ao maior partido. Entretanto, a possibilidade de formação de bloco parlamentar pode anular essa suposta vantagem do mai-or partido, como ocmai-orreu em feverei-ro de 2001, quando Aécio Neves, in-tegrante do segundo maior partido, foi eleito presidente da Casa em detrimen-to de Inocêncio Oliveira, que pertencia ao maior partido individualmente.
Neste particular, independentemen-te de quem venha a ser o maior parti-do, a presidência da Casa estará dire-tamente vinculada ao projeto de po-der do próximo presidente. Ele, se qui-ser manter o núcleo de poder no Palá-cio do Planalto com seu partido (en-tendido como núcleo de poder a área econômica, a coordenação política do governo) terá que negociar espaço aos partidos que farão parte de sua coali-zão de apoio, inclusive a presidência da Câmara e as três lideranças do gover-no gover-no Congresso.
Assim, numa eventual eleição de Lula, ele dificilmente faria o presidente da Câmara, salvo de resolvesse abrir mão do núcleo central do governo. Do contrário, poderia ser derrotado por um partido do porte do PMDB ou do PSDB, já que seria improvável seu apoio a um nome do PFL. Num eventual governo José Serra, a situação seria mantida como atualmente, com o PSDB na presidência da Câmara, com Arnaldo Madeira, Jutahy Junior, Aloísio Nunes Fer-reira ou Alberto Goldman, e outro parla-mentar do PMDB no Senado.
Renovação quantitativa e qualitativa no Senado
O Senado Federal é composto de 81 senadores, três por cada uma das 27 unidades da Federação. A reno-vação da Casa que representa os Es-tados brasileiros, cujos titulares têm mandato de oito anos, ocorre de quatro em quatro anos, sendo um terço (27 vagas) numa eleição e dois terços (54) na seguinte. Nesta elei-ção, segundo estimativa do DIAP, a renovação no Senado será de algo como 45%, superior à renovação da Câmara, apesar de estarem em
dis-puta apenas 2/3 das vagas.
Pelo menos 63 dos 81 senadores irão às urnas, entre os quais os 54 ou 2/3 cujos mandatos vencem este ano e mais nove dos 27 que têm mandato até 2007. Dos 2/3 com mandato ven-cendo agora, oito não disputarão ne-nhum cargo, 34 tentarão renovar os seus mandatos por mais oito anos e os demais disputarão outros cargos, sendo cinco para governador de Es-tado, quatro para deputado federal, um para deputado distrital, um para a
Presidência da República e um para suplência de senador.
Quantitativamente, portanto, o ín-dice de renovação realmente será muito elevado, qualquer que seja o parâmetro. Se considerarmos apenas as vagas em disputa, a renovação será superior a 60%. Se estendermos a re-novação ao total das vagas, mesmo assim será superior a 45%. Na estima-tiva do DIAP, dos 33 que concorrerem à reeleição, apenas 20 têm chances reais, o que significaria um renovação
de 2003.
Já do ponto de vista qualitativo, parece fora de dúvida que o Senado, ao contrário da Câmara, ganha. Entre os nomes de peso que chegam, seja pelas qualidades intelectuais ou pela experiência política e administrativa, podemos citar Cristóvam Buarque (PT/ DF), Aloizio Mercadante (PT/SP), Ar-tur Vírgilio (PSDB/AM), Marco Maciel (PFL/PE), Eduardo Azeredo (PSDB/ MG), ACM (PFL/BA), Tasso Jereissati (PSDB/CE), Roseana Sarney (PFL/MA), Dante de Oliveira (PSDB/MT), entre outros.
O DIAP, tal como fez em relação à previsão de composição da futura Câ-mara dos Deputados, também publi-ca a projeção de outros instituitos e analistas, para efeito de comparação. Cada instituto possui sua metodologia, porém há poucas divergências, como se poderá constatar da tabela a seguir. Para facilitar a leitura, possui seis colunas: a primeira destinada ao parti-do. A segunda reservada para três in-formações: i) os senadores eleitores em
98, ii) a composição atual dos partidos; E : estimativa de senadores a serem eleitosT: total de senadores na próxima legislatura
DIAP. A quarta a estimativa da Arko do profº David Fleischer.
Estimativa de composição
da futuro Senado da República
Situação eleitoral nos Estados
Faltando menos de um mês para as eleições, já é possível fazer algumas projeções referentes às eleições para os governos estaduais. Em alguns ca-sos, as eleições já serão decididas no primeiro turno e, em outros, elas fica-rão adiadas para 27 de outubro, data prevista para o 2º turno.
Para fazer essa projeção, o DIAP adotou os seguintes critérios: (a) ava-liação de pesquisas eleitorais de to-dos os institutos; (b) acompanha-mento do noticiário da imprensa lo-cal e regional; (c) entrevistas com ci-entistas políticos, políticos e jornalis-tas; (d) análise do perfil e da vida política dos candidatos, e) exame das alianças, coligações e estrutura par-tidária, f) recursos financeiros e g) disputa no exercício do cargo e rela-ção com o Governo Federal.
Assim, foram construídos três ce-nários possíveis. O primeiro deles, um cenário pessimista, que pressupõe que os partidos somente conseguirão ele-ger seus respectivos candidatos que contam com mais de 50% das inten-ções de voto. O outro, um cenário mais otimista, pressupõe que aqueles can-didatos mais bem posicionados nas
pesquisas eleitorais têm chances de serem eleitos em um eventual segun-do turno. O terceiro cenário, um mais realista, preocupou-se em ir além dos números divulgados pelas pesquisas eleitorais. Para tanto, foram levados em consideração critérios de caráter qua-litativo, como a vida política do candi-dato, o seu índice de rejeição e as opi-niões de jornalistas, cientistas políticos e políticos.
A análise dos resultados da pesqui-sa pode ser feita de duas maneiras. A primeira delas levando-se em conside-ração o desempenho eleitoral ou o número de governadores que cada partido elegeu em 1998. A segunda considera o quadro atual.
No primeiro caso, o PSDB tende a repetir a performance de 1998 e po-derá continuar com o maior número de governadores, enquanto o PMDB, no melhor cenário, elege a metade do que elegeu em 1998. O segundo maior partido, segundo a projeção do DIAP, será o PFL, que perde em relação à composição atual, porém poderá, no melhor cenário, repetir o desempenho de 98, quando elegeu seis governadores. O PT no pior
ce-nário mantém a performance de 98 e no melhor chega a cinco governa-dores, o mesmo número que possui atualmente. A surpresa ficará por conta do PSB, que no pior cenário repete 1998 e no melhor dobra a bancada. O melhor desempenho, entretanto, fica por conta do PPS que salta de zero para no mínimo um e no máximo três.
Do ponto de vista de importância política, indiscutivelmente, o PSDB será o maior beneficiário. Segundo as projeções, o partido pode eleger os governadores de São Paulo, de Mi-nas Gerais, Ceará, Goiás e Paraíba, entre outros. Já o PMDB poderá ele-ger em Pernambuco e Paraná, dois colégios de médio porte, além do DF. O PFL, fora a Bahia, de médio a gran-de porte, só tem chance gran-de eleger em pequenos colégios eleitorais, como Tocantins, Piauí, Sergipe, Ma-ranhão e Rondônia. O PT, além do Rio Grande do Sul, Acre e Mato Grosso do Sul, poderá disputar o segundo turno em São Paulo, Piauí, Amapá e DF. O PSB, entre os partidos de es-querda, pode ganhar no Rio de Ja-neiro, Espírito Santo, Alagoas e Pará,
além do Rio Grande do Norte. O PPS tem boas chances no Amazonas, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. O PPB, além de Santa Catarina, poderá disputar o governo de São Paulo.
Por outro lado, se compararmos a previsão da futura composição dos governos estaduais com base no quadro atual, ela não será muito di-ferente. A esquerda manterá um nú-mero de governadores próximo do que detém hoje, sendo o mesmo válido para os partidos conservado-res - PMDB, PSDB, PFL e PPB. As modificações serão mais significativas em termos de ranking e de trocas de governos entre partidos de mesma linha ideológica.
A seguir, veja a tabela com os re-sultados da pesquisa do DIAP.
Representação partidária nos Estados
Boletim do
Maria Lúcia de Santana Braga Para muitos brasileiros e brasilei-ras mencionar ou citar a democracia brasileira como um ganho expressivo nas últimas décadas pode parecer pi-ada de mau gosto ou uma atitude cíni-ca e jocosa frente aos milhares de ci-dadãos excluídos do sistema repre-sentativo ou impedidos por motivos variados de exercer seus direitos polí-ticos. Esses brasileiros podem argumen-tar (se tiverem capacidade para tanto) que a existência de várias instituições políticas como o Congresso Nacional, as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais, os tribunais, além de todos os governos executivos em suas várias instâncias, não preenche os requisitos considerados necessários em uma soci-edade democrática.
Conforme lembra o cientista políti-co Robert Dahl, pelo menos cinpolíti-co cri-térios precisam ser identificados em um processo democrático: a participação efetiva de todos os membros, a igual-dade de voto, a aquisição de entendi-mento esclarecido por todos os mem-bros, o controle do programa de pla-nejamento e a inclusão de todos os adultos. De imediato, dois desses pri-meiros critérios fundamentais, a parti-cipação efetiva e a igualdade de voto, não são cumpridos em sua integralidade no Brasil. Por quê?
O eleitorado brasileiro, que atingiu o montante de 115 milhões em 2002, está ainda cindido por uma linha de renda que cerceia a capacidade de participação política e o direito legíti-mo e autônolegíti-mo de escolher os
candi-A ilusão da democracia brasileira
e as eleições de 2002
datos mais preparados ideológica e politicamente. Apenas 8% do eleitora-do percebem mais de R$ 2.000,00 por mês, o que indica que os demais 92% desfrutam de condições econômicas mínimas. As implicações para o perfil do eleitorado são variadas, conforme já apontei em outros artigos já dispo-níveis na página do DIAP, na seção Elei-ções 2002.
Cabe ressaltar ainda que o perfil do eleitorado que recentemente emerge não é dos melhores em termos quali-tativos para o fortalecimento e o cum-primento dos critérios democráticos citados acima. Ou seja, é um eleitor sujeito ao poder midiático, que tem sua opinião balizada somente pela pouca informação repassada pelos princi-pais canais de televisão. Os sinais des-sa mudança freqüente e errática do voto do eleitor estão presentes nas pesquisas eleitorais dos últimos me-ses. O eleitor, fragilizado e sem ponto de apoio, muda de intenção de voto ao sabor dos ventos e das breves e rápidas informações que colhe ao aca-so e que de uma forma ou de outra representam os seus anseios por mu-danças e atendimento de suas neces-sidades imediatas. Os exemplos elei-torais mais candentes são os fenôme-nos Roseana Sarney e Ciro Gomes.
Além de não satisfazer plenamen-te os critérios de um regime democrá-tico, correremos o risco de novamen-te enfrentar um dos mais graves e fun-damentais problemas políticos que é o domínio autocrático. De novo, Robert Dahl ajuda a destacar que tal tipo de governo implica em custos humanos e
sociais tão expressivos quanto a fome, a doença e a guerra.
De certa forma, por longas déca-das sofremos periodicamente os efei-tos nefasefei-tos da ausência democrática aqui debaixo do Equador. Mesmo não tendo sofrido durante o século XX as perdas ocorridas em duas guerras como na Europa, o Brasil padece de uma ilusão democrática que atingiu inu-meráveis gerações. A fragilidade das instituições democráticas e o desejo por um domínio autocrático ainda es-tão muito presentes no país, o que si-naliza para sérios problemas na de-mocracia brasileira.
Isto não quer dizer que países como o Brasil não possam preencher os cri-térios destacados acima. Todavia, te-remos que percorrer um longo cami-nho existente entre a ignorância políti-ca e a autonomia de voz, voto e renda, ainda tão distante de boa parte do elei-torado nacional.
Cabe aos autores políticos mais ex-pressivos não se limitarem à pequena política segundo a acepção gramsciana. Ou seja, de só atuarem nos quadros da ordem existente e da política do Parlamento e de outras arenas. É pre-ciso, como lembra o filósofo Carlos Nelson Coutinho, lutar contra essa americanização da política e agir no âmbito da grande política que implica na transformação da estrutura social brasileira excludente e individualista.
Maria Lúcia de Santana Braga é socióloga, doutora em Sociologia pela UnB e assessora parlamentar do DIAP
* Não considera absenteísmo, votos brancos e nulos poderá ser reduzido em até 45% ** Resultado da divisão entre o número de candidatos pelo número de vagas
Eleição em números
o dia 06 de outubro, os eleitores brasileiros estarão indo às urnas para votar para presidente da República, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual ou distrital, no caso de Brasília. O qua-dro eleitoral brasileiro, em termos nu-méricos, sofreu pequenas alterações. O número de eleitores registrou um aumento de 10,86% se comparado com as eleições de 1998, passando de 106.076.088, em 1998, para 115.271.811, em 2002, não contabilizados os 69.936 eleitores no exterior.
O aumento do eleitorado significa, necessariamente, um aumento no quo-ciente eleitoral. O quoquo-ciente eleitoral é o resultado da divisão do número de votos válidos apurados, excluindo os brancos e nulos, pelo número de vagas destina-das ao Estado. Na tabela a seguir, publi-camos o quociente eleitoral tendo por base a presença e validade dos votos de todos os eleitores. Entretanto, há um alto índice de absenteísmo não compareci-mento às urnas e um elevado número de votos brancos e nulos, reduzindo sig-nificantemente o quociente eleitoral da tabela de referência. Para se ter uma idéia, nas eleições proporcionais de 1994, 17,7% dos eleitores não compareceram às urnas, 33,72% votaram em branco ou anularam seus votos. Já nas eleições para presidente da República em 1998, 21,49% do eleito-rado nacional não votou e 18,7% dos vo-tos apurados foram em branco ou nulos. Como se vê, o quociente eleitoral po-derá ser menor que aquele mostrado na tabela. Ele irá depender do índice de votos brancos, nulos e do não comparecimento. Calcula-se que esse índice poderá chegar próximo de 45%, reduzindo na mesma pro-porção o quociente.
Um dado interessante é o aumento quantitativo do número de candidatos concorrendo ao cargo de deputado fede-ral. Nas eleições de 1994, foram 3.464 candidatos contra 3.424 registrados em 1998 e 4.901 nestas eleições de 06 de outubro. Esse aumento se justifica, em parte, pelo grande número de parlamen-tares que tentarão a reeleição. Levanta-mento do DIAP concluído após o térmi-no do prazo das coligações partidárias, em 30 de junho, e do registro das candi-daturas junto ao TSE, no dia 05 de julho, identificou que dos 513 deputados fede-rais 492 tentarão renovar seus manda-tos e que apenas 21 parlamentares não disputarão cargos eletivos.
O aumento do número de candidatos não representará, entretanto, grande al-teração no percentual de renovação no Congresso Nacional. As estimativas de renovação do futuro Congresso giram em torno de 40%, menores, portanto, que as duas anteriores, que foram de 54% em 1994 e de 43% em 1998.
Paralelo à baixa renovação, a
Câma-ra dos Deputados, independentemente do resultado das eleições, perderá par-lamentares expressivos como os depu-tados Aécio Neves, José Aníbal, Pimen-ta da Veiga, Antônio Kandir, Sampaio Dó-ria, José Genoíno, Aloísio Mercadante, Paulo Paim, Waldir Pires, Jaques Wag-ner, Esther Grossi, Nilmário Miranda, Til-den Santiago, Milton Temer, Geraldo Ma-gela, Padre Roque, Wellinton Dias, Harol-do Lima, José Antonio Almeida, Rubens Bueno, Rita Camata, Germano Rigotto, Hélio Costa, Antonio Carlos Konder Reis, Efraim Morais, Hugo Biehl e Gerson Pe-res, que concorrem a cargos majoritários ou não disputam cargos eletivos nessas eleições.
O levantamento do DIAP exposto na tabela abaixo revela que concorrem às 513 vagas de deputado federal, em todo o país, 4.901 candidatos, estabelecen-do, portanto, que para cada vaga de mandato federal estão disputando cerca de 9.55 candidatos, distribuídos em 4.278 candidatos do sexo masculino, 578 candidatos do sexo feminino e 45 não informados.
Destaca-se, também, que a relação de candidato por vaga nos três maiores colégios eleitorais brasileiros, São Pau-lo, com 22,26% do eleitorado nacional,
Minas Gerais, com 11%, e Rio de Janei-ro com, 8.86%, não representam neces-sariamente as maiores relações de can-didato por vaga. O Estado de São Paulo apresenta a sexta relação de candidato por vaga, Rio de Janeiro a quarta posi-ção e Minas Gerais a oitava relaposi-ção.
Entre as maiores relações de candi-dato por vaga estão os Estados de Ron-dônia, com 15.12, o Distrito Federal, que apresentou 9.12 nas eleições de 1998 e, agora, 14.87, e Mato Grosso do Sul, com 13.25 candidatos concorrendo a uma vaga de deputado Federal. Outro destaque refere-se à relação nacional de candidatos por vagas, que teve uma gran-de variação (9.55), se comparada com as eleições de 1994 (6.75) e 1998 (6.67). Os Estados do Sul detêm a menor relação. Isso se deve, em parte, ao fato de que muitos parlamentares de proje-ção nacional dos Estados da Região Sul estão nessas eleições concorren-do a cargos majoritários ou, simples-mente, não estão disputando cargos eletivos. Quanto aos Estados do Nor-deste, destaca-se a Bahia, que perma-nece com baixa relação de candidatos por vaga (4.25), em função de a vida política local ser dominada por famíli-as tradicionais.
Boletim do
Como são eleitos os deputados
no nosso sistema eleitoral?
sistema eleitoral proporcional, pelo qual se elegem os depu-tados, é dividido em duas modalidades: a de lista fechada e a de lista aberta. Pela modalidade de lista fechada, o partido define, em convenção e antes da realização do pleito, a ordem dos candidatos em uma lista chamada de bloqueada. Assim, o eleitor vota no partido e não nos candidatos. Se o par-tido, hipoteticamente, atingir quocien-te para três vagas, os três primeiros da lista são os eleitos, os demais são suplentes. Este sistema pressupõe a fi-delidade partidária, já que o mandato pertence ao partido e não ao parlamen-tar. Já pelo sistema de lista aberta, que é o adotado no Brasil, o eleitor tem duas alternativas, a de votar no candi-dato ou no partido. Se a soma dos votos atribuídos aos candidatos ou ao partido ou partidos, no caso de coliga-ção, atingir o quociente eleitoral, ou seja, o número de votos que lhe asse-gure uma ou mais vagas no Parlamen-to, serão automaticamente eleitos os candidatos mais votados, ficando os demais na condição de suplente.
Numa análise apressada, a modali-dade de lista aberta parece perfeita, porque ao votar, o eleitor expressa o desejo de ser representado por um determinado partido e, mais especifi-camente, pelo candidato de sua esco-lha. Entretanto, essa vontade do elei-tor de ser representado pelo partido x e, mais especificamente, pelo candida-to y, pode ser completamente desvir-tuada, porque o voto é contabilizado para a legenda ou coligação e, portan-to, tanto pode ser transferido para outro candidato mais votado do parti-do ou até de outra legenda, na hipó-tese de coligação, quanto o partido ou coligação pode não atingir o quocien-te eleitoral, situação em que o voto será perdido.
O quociente eleitoral indica o nú-mero de votos necessários para ele-ger um deputado federal, estadual ou distrital ou um vereador. Defi-ne-se o quociente eleitoral a partir da divisão do número de votos válidos (excluídos os brancos e nulos) pelo número de vagas a que tem direito cada unidade da federação. Apenas para ilustração: se o número de
vo-tos válidos para eleição proporcional para a Câmara dos Deputados for de 800.000 e o número de vagas for oito, caso muito parecido com o do Distrito Federal, o quociente eleitoral será de 100.000 votos. Assim, o par-tido ou coligação que contabilizar, entre votos dados aos seus candida-tos ou aos candidacandida-tos da coligação, bem como à legenda ou legendas partidárias, um número de votos igual ou superior a 100.000, terá re-presentação no Parlamento. Para cada 100.000 votos, o partido ou coligação terá direito a uma vaga, que será preenchida pelos candidatos mais votados.
Ocorre, entretanto, que nem sem-pre os votos que excedem o quocien-te eleitoral são redondos. Se, no exem-plo acima, um partido ou coligação al-cançar 324.000 votos, ele terá direito a três vagas e ficará com uma sobra de 24.000. Nesta hipótese, é quase certeza, sobrará uma ou mais vagas para distribuição pelo sistema de so-bras. Existem pelo menos duas regras consagradas de distribuição das sobras para efeito de definição do partido que terá direito à vaga ou vagas restan-tes: a) regra do resto maior e b) regra de maior média. No Brasil, utiliza-se a regra de maior média, que invariavel-mente beneficia os maiores partidos. Chega-se a maior média dividindo-se o número de votos atribuídos a cada partido pelo número de lugares por ele obtido, mais um, cabendo a cadeira a preencher ao partido que apresentar o maior quociente. Caso haja ainda cadeiras restantes, repete-se a opera-ção, sempre atribuindo a cadeira a maior média.
Na situação hipotética abaixo, para descobrir com quem ficará a oi-tava vaga, procede-se da seguinte
forma. Divide-se o número de votos pelo número de vagas já assegura-das mais uma, ficando esta vaga com quem alcançar a maior média. Assim, o resultado da divisão é o seguinte: A 324.000/4 = 81.000; B -245.000/3 = 80,333 e C - 326.000/ 3 = 78.666. Como se vê, a maior média ficou com o partido A, a quem competirá a oitava vaga, ficando com 4 no total.
Esse sistema, em seu formato atu-al, compromete a representatividade das Casas Legislativas eleitas pelo voto proporcional, no caso a Câmara dos Deputados, as Assembléias Legislativas e as Câmaras de Vereadores. Para se ter uma idéia, na eleição de 1998, o índice de abstenção para a Câmara Federal em relação ao eleitorado total foi de 21,49%. Dos que comparece-ram às urnas, 20,03% votacomparece-ram em branco ou anularam seus votos. Em números absolutos, dos 106,1 milhões de eleitores, apenas 66,6 milhões su-fragaram candidatos ou partidos. Do universo de eleitores habilitados, 22,8 milhões não compareceram às urnas, 8,52 milhões votaram em branco e 8,16 milhões anularam seus votos, numa demonstração inequívoca da in-conformidade com o sistema eleitoral e partidário brasileiro.
As distorções do nosso sistema elei-toral são de tal monta que a represen-tatividade da Câmara dos Deputados, na atual legislatura, considerando o to-tal de eleitores do país, segundo apu-rou o DIAP, ficou limitada a apenas 33,4% dos eleitores. Ou seja, somen-te 35,5 milhões de eleitores elegeram os atuais deputados, dando-lhes pode-res para, por exemplo, aprovar emen-das constitucionais. Com este sistema, nossa democracia representativa se aproxima perigosamente de fraude.
Partido votos quociente cadeiras resto A 324.000 100.000 3 24.000 B 241.000 100.000 2 41.000 C 236.000 100.000 2 36.000 Total 800.000 7 100.000