Relatório Anual
Projeto: 114
A influência de diferentes ligantes na síntese de
nano-partículas de prata e avaliação de suas propriedades
antifúngica para o tratamento do bambu
Aluno Bolsista PIBIT: Eric Luz
Orientadores: Omar Pandoli e Fatima Ventura Pereira Meirelles
Apresentação
Este trabalho é fruto de uma parceria entre o Grupo de Pesquisa em Materiais e Tecno-logias não Convencionais, do Departamento de Engenharia Civil e o Departamento de Quí-mica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
1. Introdução
Atualmente na construção civil há uma preocupação pelo estudo de materiais, equi-pamentos e técnicas que possibilitem o barateamento da habitação popular. Os países em de-senvolvimento possuem uma grande reserva de materiais potencialmente utilizáveis, mas faz-se necessário o defaz-senvolvimento e implantação de técnicas de baixo consumo de energia, ao mesmo tempo em que se incentive a renovação dos produtos naturais.
O bambu é uma gramínea cuja macroestrutura e mesoestrutura possibilitam sua clas-sificação como material compósito inteligente. O baixo consumo de energia em sua produção, a grande abundância e seu baixo preço o caracterizam como material potencialmente promis-sor para esta finalidade. Assim, a utilização do bambu pode ser de fundamental importância para o desenvolvimento sustentável, principalmente no que diz respeito às habitações popula-res [1].
A preservação do bambu pode ser alcançada por diferentes métodos, a depender do tempo em que está sendo feito o tratamento e da infraestrutura disponível [2]. Neste estudo, a preservação do bambu será realizada através da impregnação da matrix vegetal do bambu com soluções coloidais de nanoparticulas de prata (Ag) através da difusão passiva das NPs-Ag sob vácuo. É notório que as NPs-NPs-Ag de tamanho de 5-100 nm, são excepcionais bacterici-das já utilizabacterici-das em diferentes materiais [3].
Os principais agressores microscópicos do bambu são os fungos, microorganismos eucariotos formados por hifas, estruturas filamentosas e cilíndricas. Apresentam duas princi-pais partes: o micélio, um conjunto de hifas, (parte celular) e os esporângios, responsável pela esporulação, a parte reprodutiva. Os fungos por apresentarem maior resistência do que as bac-térias e o pouco estudo da ação das nanopartículas sobre estas espécies, tornam esse trabalho inédito e de mais difícil comparação com a literatura.
No trabalho anterior [4] foram testadas a forma de condução da síntese das nanopar-tículas, a proporção de prata e ligante, e suas influencias na morfologia da nanopartícula além de suas propriedades antimicrobianas. Foram determinados a proporção ideal entre os reagen-tes e que a sínreagen-tese por química microfluídica apresentavam melhor reprodutividade.
Esta etapa do projeto tem como objetivo descobrir qual ligante produzirá nanopartículas com boa capacidade antifúngica com vistas ao posterior tratamento do bambu e preservação de sua matriz biológica melhorando suas propriedades mecânicas.
2. Materiais e Métodos experimentais
2.1 Síntese da nanopartículas de prata (NP-Ag)
Neste projeto todas as sínteses de nanopartícula de prata foram executas com o auxílio de dispositivos microfluídicos (Figura 1). Para tal, as soluções de AgNO3 e ligante orgânico
são inseridas em duas seringas respectivamente, e através de bombas seringas de infusão (fi-gura 2), as soluções são injetadas no microreator (fi(fi-gura 3) onde ocorre a formação do com-plexo prata-ligante. No recipiente de coleta, onde ocorrerá a redução da prata sob agitação constante, encontra-se o borohidreto de sódio (NaBH4). Os ligantes avaliados nesta etapa
fo-ram: citrato trissódico (Na3C6H5O7), oxalato de sódio (Na2C2O4), polietilenoglicol-PEG-200
(C2nH4n+2On+1) e quitosana (C6H11O4n)n . A reação pode ser simplificadamente representada
abaixo.
AgNO3 + Ligante + NaBH4 Agº /Ligante + ½ H2 + ½ B2H6 +NaNO3
Figura 1: Síntese em Fluxo [5]
As condições de sínteses das nanopartículas de prata estão apresentadas na tabela 1. Foi padronizada, a velocidade de fluxo de 0,25 mL/min com agitação de 900 RPM e temperatura 25 ºC.
Tabela 1: Condições de sínteses das NP-Ag
NP-Ags Ligante Ag:Lig [Ag+] (mol/L) [Ligante] (mol/L)
RB28 Oxalato Na+ 1:1 0,001 0,001 RB29 Oxalato Na+ 1:4 0,001 0,004 RB30 PEG 1:1 0,001 0,001 RB31 PEG 1:4 0,001 0,004 RB32 Quitosana nd 0,001 60 µg/ml RB33 Quitosana nd 0,001 120 µg/ml RB35 Oxalato Na+ 1:1 0,001 0,001 RB36 Oxalato Na+ 1:4 0,001 0,004 RB37 PEG 1:1 0,001 0,001 RB38 PEG 1:4 0,001 0,004 RB47 Citrato Na+ 1:1 0,01 0,01 RB48 Citrato Na+ 1:1 0,001 0,001
2.2 Caracterização e estabilidade das nanopartículas de prata:
A solução coloidal preparada de acordo com a tabela 1 foi caracterizada pela determina-ção de tamanho e dispersão das NPs-Ag.
A caracterização morfológica e as dimensões das nanopartículas de prata foram deter-minadas utilizando-se um espectrômetro UV-VIS (Perkin-Elmer 950 lambda) (Figura 4). Para analise espectrofotométrica, as amostras foram diluídas com H2O Milli-Q na proporção (1:4).
O diâmetro das nanopartículas é proporcional ao comprimento de onda λ onde a absorção é máxima, próximo a 400 nm, e pode ser calculado pela equação 1 [5]. A Figura 5 demostra o efeito plasmônico, responsável por esta absorbância.
D = - 0,005441(λmax)2 + 5,654(λmax) – 1367 (1)
Figura 4: Espectrômetro UV-Vis Figura 5: Esquema da oscilação de um plas-mônico para uma esfera, e o deslocamento eletrônica dos elétrons [5]
Para caracterização microscópica, evaporou-se 2,5 mL de solução de nanopartículas numa grelha de microscopia electrónica de transmissão de carbono (carbono perfurado). A microscopia eletrônica de varredura de emissão de campo (FEG-SEM) (JEOL, JSM-6701F) foi operado no modo de transmissão (STEM) a 30 kV com uma distância de trabalho de 6,0 mm por meio do detector brilhante-arquivado.
Realizou-se periodicamente espectroscopia UV-Vis a fim de determinar a influência do ligante na estabilidade das nanopartículas.
2.3 Testes Microbiológicos:
2.3.1 Micro-organismo:
Neste estudo utilizou-se o fungo Aspergillus niger como microrganismo teste. O aglo-merado de células, os micélios, se apresentam como uma massa esbranquiçada e os esporos como pequenos grãos escuros.
2.3.2 Preparo de meios de cultura e esterilização de materias:
Dissolve-se o Agar Saubourad ou Agar PDA (meios de cultura especifico para fungos) em água destilada mantendo a concentração descrita no rotulo. Despeja-se o conteúdo num erlenmeyer, lacrando-o com uma rolha de algodão.
Todo material (ponteiras, placas, erlenmeyer com o meio) é embrulhado com papel a-propriado e colocado na autoclave (Figura 6) durante 20 minutos na temperatura de 121 ºC a pressão de 1 atm.
Após termino da esterilização, na câmara de fluxo laminar (Figura 7), um ambiente es-téril, despeja-se o meio de cultura nas placas Petri, antes que ocorra o endurecimento do meio.
2.3.3 Repique (inóculo) do Fungo:
A fim de manter o fungo vivo foi necessário fazer um repique a cada quinze dias, isto é, transferi-lo para uma nova placa com meio de cultura e deixa-lo crescer. O repique poder ser feito por dois métodos:
2.3.3.1 Técnica de esgotamento:
Este método [6] é muito utilizado para fazer repiques de manutenção de estirpes, devido à sua praticidade:
Flamba-se a alça de inóculo,
Raspa-se um pouco da estirpe mãe,
Numa nova placa faz-se linhas de estrias (rabiscos) tentado ocupar o máximo da su-perfície da placa e obtendo-se diferentes concentrações celulares. (Figura 8).
Figura 8: Técnica de esgotamento para obtenção de cultura pura: (a) modo espalhamento do inóculo; (b) aspecto da placa estriada após incubação. Notar a presença de crescimento na região correspondente ao início do procedimento e de colônias isoladas no final do processo [6]
2.3.3.2 Diluições Sucessivas:
Este método [6] é usado para testar efeitos de uma determinada substância sobre o mi-cro-organismo. Pode-se controlar a quantidade de células inoculadas através de diluições su-cessivas a partir de uma suspensão inicial (Figura 9).
Figura 9: Ilustração método das Diluições Sucessivas [6].
Por meio de alça de inoculo, raspa-se um pouco da estirpe mãe e suspende-se em tam-pão.
Realiza-se diluições sucessivas da suspensão celular até que alcance a concentração desejada.
Avalia-se o crescimento das células proporcionalmente as diluições feitas
2.3.4 Teste de Avaliação de Propriedades Antimicrobianas das NPs em Meio Semi-sólido
Espalha-se o volume desejado da cultura microbiana com a alça de Drigalski, de forma uniforme na placa com meio de cultura
Espalha-se o volume desejado da solução contendo NP com a alça de Drigalski, de forma uniforme na placa com meio de cultura
2.3.5 Teste de Avaliação de Propriedades Antimicrobianas das NPs em Meio Liquido
Neste teste microbiológico, a ação das nanopartículas sobre o fungo Aspergillus niger foi avaliada através da medição progressiva do peso seco da cultura de fungo. Para cada na-nopartícula testada, utilizou-se de três a quatro vidrarias, uma para cada amostragem de tem-po. Foram utilizados diferentes frascos a fim de determinar a melhor opção (condições de areação) para o crescimento do fungo, para obtenção de uma massa celular significativa. Cada vidraria teve seu volume ocupado conforme a tabela 2.
Tabela 2: Sistemas de cultivo: vidrarias utilizadas e seus volumes ocupados.
Tubo Slant Erlenmeyer 25 mL Erlenmeyer 50 mL
Meio liq. Sabouraud 1 mL 5 mL 10 mL
Suspensão de fungo 0,1 mL 0,5 mL 1 mL
Solução de NP 0,1 mL 0,5 mL 1 mL
Volume total 1,2 mL 6 mL 12 mL
Os sistemas acima foram incubados a 29ºC durante uma semana variando o modo de incubação:
Sem agitação numa estufa
3. Resultados e Discussão:
3.1 Caracterização das Nanopartículas de prata
Os parâmetros principais do espectro UV-Vis das nanopartículas de prata sintetizadas durante este trabalho encontram-se nas tabelas 3 e 4. O diâmetro das nanopartículas foram estimados pela equação 1. São apresentados também os resultados encontrados, após estoca-gem das NP por diferentes tempos a 25±3 ºC
Tabela 3: Estabilidade das nanopartículas em 5 meses
NP Ligante 0 dias 1 mês 5 meses
Abs. λmáx(nm) Diâmetro(nm) Abs. λmáx(nm) Diâmetro(nm) Abs. λmáx(nm) Diâmetro(nm)
RB28 Oxalato 0,28 393,00 14,66 0,35 394,01 16,05 0,38 403,87 28,99 RB29 Oxalato 0,30 392,30 13,70 0,39 393,90 15,90 0,48 402,06 26,70 RB30 PEG 0,27 393,57 15,45 0,25 394,48 16,69 0,19 407,87 33,94 RB31 PEG 0,24 393,87 15,86 0,34 394,42 16,61 0,25 400,90 25,21 RB32 Quitosana 0,33 406,73 32,55 0,29 401,67 26,20 0,26 400,76 25,03 RB33 Quitosana 0,23 404,99 30,40 0,24 401,17 25,55 0,30 400,87 25,17
Espectro 1: Espectro UV-Vis da NP RB28, 1 de Ag para 1 Oxalato
Espectro 2: Espectro UV-Vis da NP RB29, 1 de Ag para 4 Oxalato
Espectro 3: Espectro UV-Vis da NP RB30, 1 de Ag para 1 PEG
Espectro 4: Espectro UV-Vis da NP RB31, 1 de Ag para 4 PEG
As nanopartículas sintetizadas utilizando como ligante PEG e oxalato apresentaram o λ onde a absorbância é máxima parecidos (~393 nm) e intensidades também parecidas (~0,30) exceto a RB31 que apresentou uma absorvancia máxima de 0,23. Porém ao decorrer do tempo as nanopartículas com oxalato apresentaram maior estabilidade, pode-se ser observado nos espectros 1 e 2 que no período de 5 meses, a banda permanece com quase a mesma largura e com pequeno deslocamento batocrômico, com uma variação no lambda de intensidade máxi-ma de aproximáxi-madamente 10 nanômetros. As nanopartículas com PEG apresentaram boa esta-bilidade até 1 mês após a síntese, porém após 5 meses apresentaram uma coloração verde e uma banda com base larga, o que indica uma grande polidispersão devido a agregação das nanopartículas (espectros 3 e 4). Com o Oxalato (RB28 e RB29) e PEG (RB30 e RB31), não se observa muita diferença no efeito da proporção de prata e ligante, tanto no tamanho das nanopartículas como em suas estabilidades.
Espectro 5: Espectro UV-Vis da NP RB32, 1 de Ag para 60 µg/ml de Quitosona
Espectro 6: Espectro UV-Vis da NP RB33, 1 de Ag para 120 µg/ml de Quitosana
As nanopartículas sintetizadas com quitosana apresentaram uma coloração mais escura como o λ máximo de absorbância maior, aproximadamente 405 nm. Inicialmente estas nano-partículas apresentaram os piores espectros, uma banda larga e localizada numa região de mais baixa energia, indicando nanopartículas relativamente grandes comparando-se com as sintetizadas com as NPs com Oxalato e PEG, porém no período de 5 meses elas sofreram um deslocamento hispocrômico e um estreitamento em sua banda, indicando uma diminuição na polidispersão e formação de nanopartículas menores. Aparentemente a proporção de 1 mol/L de prata para 120 µg/ml de quitosana fornece uma nanopartícula menor, com menos polidis-persão e mais estável (espectro 6).
Tabela 4: Diâmetro estimado pela equação 1 NP Ligante Diâmetro (nm) RB47 Citrato 11,30 RB48 Citrato 18,46
Espectro 7: Espectro UV-Vis da NPs RB47 e RB48
Para o citrato, avaliou-se duas concentrações de reagentes diferentes, RB 47 apresenta uma concentração de reagentes dez vezes maior do que RB48 (tabela 1). Os espectros da RB47 e RB48 (espectro 7), apresentam bandas da absorbância máximas centradas nos com-primentos de onda λ em 390,58 nm e 395,79 nm, respectivamente. Para analise espectrofoto-métrica UV-Vis, a RB47 teve uma diluição 1:40 e a RB48 1:4, ambas utilizando H2O Milli-Q.
A tabela 4 contém os diâmetros estimados pela equação 1.
A figura 10.a apresenta a imagem STEM da NP RB47. A estatística da distribuição da nanopartícula foi obtida através da análise de imagem, utilizando um algoritmo do software J.
Figura 10: Imagem STEM da nanoparticula com citrato RB47 e seu histograma de diametros
O histograma da distribuição estatística do diâmetro das nanopartículas de prata apre-senta um valor médio de 14,3 ± 3,6 nm. Este histograma (figura 10.b) foi construído a partir da média das estatísticas em série dos eixos maior e menor das nanopartículas de prata. O diâmetro calculado pela equação 1 (11,30 nm) foi confirmado pela microscopia STEM (14,3 ± 3,6 nm).
3.2 Testes anti-microbiológicos
3.2.1 Teste de avaliação de propriedades anti-microbianas das nanoparticulas em tubos
Os experimentos em meio liquido foram realizados inicialmente em tubos devido a pe-quena quantidade de NPs disponível. Não foi possível medir a absorvancia nos tempos supe-riores a 24 horas devido ao modo de crescimento não homogêneo do fungo Aspergillus niger nestes tubos. Neste teste ele cresceu na forma de micélios como pode-se observar na Figura 11
Nos tubos contendo meio de cultura e nanopartículas, não ocorreu o turvamento, o que indica que não houve crescimento de qualquer micro-organismo em 72 horas (figura 12). Este fato indica que todas as NP têm propriedades microbicidas, já que nenhum dos reagentes utilizados na síntese foram esterilizados.
Figura 11: Fungo incubados nos tubos a 29 ºC após 72 h
Figura 12: Tubos slants contendo meio de cultura e NPs em 72 h
Não foi possível quantificar a massa obtida após filtração a vácuo devido ao seu peque-no contingente, algumas vezes obtendo uma massa maior na tara (papel filtro puro) do que após filtragem e secagem (papel com micélios). Como alternativa, fotografou-se os papeis filtros após pesagem (tabela 5).
Tabela 5: Papeis de filtro após a filtração a vácuo, secagem e pesagem
Ag+:Ligante 1:1 1:4 1:1 1:4 1: (60 µg/ml) 1: (120 µg/ml
µg/ml)
Ligante Oxalato Oxalato PEG PEG Quitosana Quitosana
Controle RB28 RB29 RB30 RB31 RB32 RB33
24
h
48
h
72
h
Analisando a tabela 5, verificou-se que em 24h, a massa de fungos ainda é pequena, sendo praticamente imperceptível em todos os frascos. Em 24 horas só é possível observa micélios macroscópicos no controle, RB29 e RB32. Com o passar do tempo, verifica-se que as nanopartículas RB33 e RB28 apresentaram melhor capacidade de retarda o crescimento celular. No tempo 48 horas constata-se menor quantidade de micélios nas amostras contendo as nanopartículas RB28 e RB33. Algumas amostras apresentam um tom de preto devido a uma possível esporulação do fungo, sendo esta mais intensa no controle e na RB32. No último marco horário (72 horas), as amostras com RB33 e RB28 apresentaram uma tonalidade mais clara e menor massa celular, sendo a RB33 (com quitosana) com melhores propriedades anti-fúngicas.
3.2.2 Comparação entre as nanopartículas comercias e sintetizadas
Compararam-se as nanopartículas sintetizadas neste estudo com nanopartículas co-mercias da TED-Pella Inc, a qual sua capacidade antifúngica foi comprovada[7, 8]. O Gráfico 1 encontra-se a massa seca do fungo, no tempo de 48 horas de incubação, subme-tido a duas nanopartículas sintéticas (RB47 e RB48) e três comercias de 20 nm (CO-20), 40 nm (CO-40) e 60 nm (CO-60) de diâmetro, todas utilizando o citrato como ligante.
Gráfico 1: Massa seca do fungo obtida após 48 horas de crescimento
Analisando o gráfico 1, quase todas NPs demonstraram alguma capacidade antifún-gica, exceto a RB47 e CO-60 que forneceram crescimento próximo do controle. Para na-nopartículas com mesma ordem de grandeza de concentração (RB-48, CO-20, CO-40, CO-60), observou-se uma relação de proporcionalidade gradativa entre o tamanho e sua capacidade de atrasar o crescimento do fungo. A RB-48 com diâmetro médio de 15 nm apresentou uma menor coluna (massa de fungo), o que indica melhor capacidade antifún-gica, do que as nanopartículas de 20, 40 e 60 nm. A RB47 e a RB48 apresentam tama-nhos próximos (tabela 4), porém a mais concentrada (RB47) forneceu maior crescimento, fato que precisa ser melhor compreendido.
3.2.3 Avaliação de Propriedades Antimicrobianas das nanopartículas em erlenme-yer
Sabendo-se que o erlenmeyer permite maior crescimento do fungo, outros experimentos foram realizados para avaliar melhor eficiência antimicrobiológica da nanopartícula.
Na figura 13 pode-se observar diferença na coloração na cor do meio devido a presença das nanopartículas. As NPs concentradas fornecem coloração mais forte. O crescimento em 24 horas é muito pequeno sendo mais evidente no controle e no frasco contendo nanopartícula comercial de 20 nm. Comparando a figura 13 com a figura 14, percebe-se a diferença no cres-cimento do fungo utilizando erlenmeyers de 25 mL e 50 mL.
Figura 13: Fungo crescido por 24 horas num erlenmeyer 50 ml
Figura 14: Fungo crescido por 24 horas num erlenmeyer 25 ml
O fungo Aspergillus niger por ser um microorganismo aeróbico apresenta um cresci-mento maior no recipiente que apresenta maior superfície de contato entre o meio e o ar, fonte de oxigênio, neste caso o erlenmeyer de 50 mL. Uma avaliação qualitativa pode ser feita a partir das Tabela 6.
Tabela 6: Crescimento Celular no erlenmeyer de 50 mL(maior disponibilidade de oxigênio)
Controle RB48 RB47 CO-20 Concentração ~30,8195 µg/mL ~308,195 µg/mL 22 µg/mL 48 hor as 72 hor as N/d
Um aspecto a ser observado é a quantidade e o tamanho dos aglomerados de celulas. Na maioria dos casos os erlenmeyers contendo fungo e nanopartículas apresentaram menor quan-tidade de micélios, porém estes aparentam serem maiores do que os micélios do controle. Em 48h verifica-se que as nanopartículas RB47 e RB48 fornecem um crescimento celular menor do que o controle, porém a nanopartícula comercial de 20 nm (CO-20) parece não ter
influen-ciado no crescimento celular. Os fungos em contato com a RB47 apresentaram micélios com coloração marrom. No período de 72 horas, a RB48 continuou atrasando o crescimento celu-lar e a CO-20 propiciou a formação de uma quantidade menor de micélios do que o controle. Na tabela 7 contém a vista superior do erlenmeyer de 25 mL, no qual pode-se realizar uma análise qualitativa do crescimento do fungo aonde a superfície de contato com ar é um pouco menor do que o erlenmeyer de 50 mL.
Tabela 7: Crescimento Celular no erlenmeyer de 25 mL
Controle RB48 CO-20 Concentração ~30,8195 µg/mL 22 µg/mL 48 hor as 72 hor as
Os fungos cultivados nos erlenmeyer de 25 mL apresentaram um crescimento inferior aos cultivados nos erlenmeyer de 50 mL, tornando a analise visual menos precisa. Como foi verificado nos erlenmeyer de 50 mL, em 48 horas a RB48 apresentou o menor crescimento e a CO-20 sem influencia no crescimento celular (tabela 7). Estes dados corroboram os resultados anteriores de que o oxigênio interfere fortemente no efeito das NPs sobre o fungo.
Um efeito interessante observado neste teste foi a aparente biossorção, isto é, a retenção e concentração de metais em solução por sistemas biológicos. Este efeito é mais evidente na nanopartícula concentrada de coloração marrom (RB47). Após a aplicação da nanopartícula ao meio, este apresentou uma coloração escura (figura 15.D). Após 48 horas o meio de cultura encontrava-se límpido e os micélios do fungo apresentavam uma cor marrom (figura 15.E). Não se observa este efeito no controle, o fungo sem nanopartícula (figura 15.C).
Figura 15: Comportamento do fungo Aspergillus niger na presença e ausência da RB47 3.2.4 Avaliação das propriedades microbianas dos ligantes
Na avaliação das propriedades anti-microbianas dos ligantesa estão as fotos das placas de Petri inoculadas com o fungo Aspergillus niger e as respectivas substancias testadas no topo da cada coluna. A primeira coluna da esquerda é o controle, o fungo crescendo normal-mente no meio de cultura (tabela 8).
Tabela 8: resultados do teste avaliação de propriedades microbiológicas
Substância AgNO3 Tartarato Citrato Oxalato PEG Quitosana
2 4 h o ra s 4 8 h o ra s 7 2 h o ra s
Observado a tabela 8 que a maioria das substancia não afetaram o crescimento do fungo Aspergillus niger. Nas primeiras 24 horas todas placas tiveram crescimento parecidos, exceto
o oxalato que retardou o crescimento do fungo. Em 48 horas, observa-se um escurecimento na maioria das placas, indicando um possível início da esporulação do fungo. Na parte direita da placa com oxalato observa-se um crescimento sucinto do fungo. No período de 72 horas to-das placas estavam cobertas com tapete espesso de fungo com alguns pontos ocorrendo espo-rulação, exceto a placa com oxalato que apresentou um crescimento sucinto.
4. Conclusao
Sabe-se que a morfologia, estabilidade e as propriedades químicas das nanoparticulas de prata podem ser influenciadas pelos ligantes utilizados durante a síntese. Comparando-se os espectros UV-VIS de diferentes ligantes, a maioria das nanopartículas testadas apresentou um deslocamento batocrômico em seus espectros ao longo do tempo, isto é, as bandas se desloca-ram para direita o que indica uma agregação das nanopartículas. As nanopartículas utilizando a quitosana como ligante, apresentaram um deslocamento hipsocrômico, isto é, as bandas se deslocaram para esquerda indicando uma possível diminuição do diâmetro médio das nano-partículas com o passar do tempo. Através da microscopia STEM, utilizando uma nanopartí-culas com citrato validou-se a equação empírica que estimava o diâmetro das nanopartínanopartí-culas (equação 1).
Pela análise visual todas nanopartículas, exceto a RB32, apresentaram capacidade de re-tarda o crescimento do fungo Aspergillus niger. As nanopartículas RB28 (Ag+ 1:1 Oxalato) RB48 (Ag+ 1:1 Citrato) e RB33 (Ag+ 1: 120 µg/ml quitosana), apresentaram os melhores re-sultados. Entre as nanopartículas testadas numa escala de 13,7 a 32,5 nm, a NP RB33 mesmo sendo a segunda maior nanopartícula (d=~30,40nm) e com grande polidispersão, apresentou um dos melhores resultados de estabilidade e de propriedades antifúngicas. De acordo com a literatura [9] e com teste comparativo entre as nanopartículas comercias e sintéticas, a eficiên-cia antimicrobiana é inversamente proporcional ao diâmetro das nanopartículas de prata. Este resultado demostra que para propriedades antimicrobianas o ligante é mais relevante do que tamanho das nanopartículas, pelo menos para fungo.
O aparente efeito da biossorção (retenção de metais por sistemas biológicos) observado com a NP RB47 que precisar ser mais estuda, pode ser um dos caminhos para compreensão do mecanismo de ação das nanopartículas de prata sobre o fungo.
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