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PE. VIRGINIO BATTEZZATI de 90 anos

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Academic year: 2021

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INSTITUTO INTERNACIONAL SALESIANO “SãO TARCISIO”

VIA APPIA ANTICA, 102 - 00179 - Roma

Caríssimos Irmãos,

no dia 04 de dezembro de 1978 concluía a sua longa existência em «São Tarcísio» — Roma — um dos mais antigos dos irmãos da nossa Inspetoria Central

PE. VIRGINIO BATTEZZATI

de 90 anos

superior prudente, mestre de espírito, amoroso guarda da terra dos Mártires nas Catacumbas de São Calisto.

O sentido da sua vida está recolhido nestas palavras, lidas na juventude e recordadas em idade veneranda. “Todo cristão é um portador da Palavra de Deus que é Jesus. Ele vive em cada um de nós como no seu templo. Tal palavra expressa em mim deve revelar-se aos outros de modo a obriga-los a pensar em Deus e minha humilde vida como uma história Sagrada”.

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2 Deixou-nos – outras tantas anotações e fichas – um volumoso documento datilografado (299 páginas) com o título “LEMBRANÇAS DE UM SALESIANO” que é a história de uma alma levada – como nos recorda no leito de morte – a “espiritualizar-se para espiritualizar”.

Nasceu em Monte, uma fração de Valenza Po, no dia da Anunciação, 25 de março de 1888. Na família eram oito: padre Virgínio conservará pelo seu pai José Sindone e a mamãe Maria Garbarino uma lembrança e uma veneração sempre atual, como se o tempo não houvesse nunca atenuado as memórias da adolescência.

Quando – depois de ter passado alguns anos de colégio em Alessandria e Valdocco –, padre Virgínio revelará na metade de agosto de 1905, durante o almoço, a decisão de entrar no noviciado salesiano de Foglizzo, o pai assim comentará, entre o estupor dos irmãos e da mãe: “O interessado é você. Basta que faça bem as coisas para não voltar atrás. Meu dever é de deixar aos filhos a sua estrada quando for aquela do temor de Deus”.

Com o noviciado começa a escrever a história “sagrada” da sua vida: daquele ano 1905-1906, sob a guia do padre Barberis e do padre João Zolin, começa a amar a leitura de livros de espiritualidade que resumia e comentava com notas sábias. Também nestes últimos meses recordava que foi ele que apresentou na edição francesa ao Servo de Deus padre Felipe Rinaldi o seu livro preferido “A alma de todo apostolado” que depois fez traduzir para o italiano pelo padre Júlio Álbera e difundir nas nossas casas de formação.

Vamos respingar algumas notas dos seus escritos que nos darão mais de cada reflexão, o seu retrato espiritual.

Numa caderneta de 1906 – ano do noviciado – no término dos Exercícios Espirituais escreve: “Quero renovar-me todo para santificar-me segundo a minha vocação de cristão, e mais ainda de religioso, tudo fazendo por Maria, com Maria, em Maria para viver com Jesus, por Jesus”. Poderia parecer fervores de um noviço. Mas quatro anos depois, no dia anterior à sua profissão perpétua (08.08.1910) assim escreve: “Oração, Meditação, Visita, oração com a intenção de cumprir a vontade de Deus: meu brasão!” E pensando no dia seguinte: “Estou contente e o faço com todo coração e com e com todo o desejo de minha alma. É com impulso de amor que eu faço a minha oferta a Jesus sem reserva alguma, sem nenhuma outra aspiração senão agradar-lhe e consagrar todas as minhas forças, faculdades e potências a Ele e para ele na Congregação

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3 Salesiana”. Tinha 21 anos: poderia parecer também isto um impulso de juventude. Com 35 anos, porém, em Lavrinhas (Brasil) 01.04.1923: “Toda a minha vida; minha mente para Deus; o meu coração para Maria Santíssima, as minhas forças para a Congregação”. Depois com caligrafia diferente: “Confirmado no 60º aniversário de ordenação! Roma 25.04.74”.

Depois de uma conferência do Beato padre Miguel Rua: “Toda vez que toca o sino do ‘angelus’ renova os teus votos de castidade, obediência e pobreza” (1907) e depois de uma conferência do Card. Cagliero: “Ame mais a Congregação do que a você mesmo. Isso o salvará”.

Terminado o Liceu em Valsalice, sob a guia do padre Piscetta e do Servo de Deus, padre Cimatti, o tirocínio em Intra com o diretor padre Fedele Giraudi, a teologia em Foglizzo com o diretor, padre Varvello, e os professores Dom Luiz Olivares, padre Aléssio Barberis e padre Vismara, num crescendo de disponibilidade a Deus e à Congregação recebe a ordenação sacerdotal antecipada por causa da deflagração da grande guerra (05.08.1914): o lema de seu sacerdócio: “Tu és meu Pai, ó Deus; a rocha da minha salvação” (Sl 88,27).

Partiu para o Brasil em novembro no mês de novembro como professor de italiano no exterior em troca da dispensa do serviço militar levando consigo pequena biblioteca de livros espirituais que conservou por toda a vida: os nove volumes de Sauvé: “Elévatione dogmatiques”, presente de seus pais; dois volumes “A Graça e a Glória” de Terrien, presente do padre Piscetta e algumas cópias de “A alma de todo apostolado”, recebido de uma irmã, expulsa da França por causa das leis anterreligiosas: uma destas cópias apresentou ao padre Rinaldi e outra à Madre Coppa do Conselho Superior das F.M.A.

No Brasil ficou 12 anos na casa de formação em Lavrinhas, primeiro como catequista com os diretores que recorda com grande admiração, o padre Ângelo Alberti e o padre Antonio de Almeida Lustosa; depois, de 19121 a 1928, como mestre dos noviços. Num pequeno caderno conservou os nomes dos seus noviços anotando com alegria que grande parte perseverou na Congregação e desses, cinco se tornaram bispos. A última carta – já agonizante – para os augúrios de Natal a recebeu do seu mais querido noviço, o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom João Resende Costa.

Retornou para a Itália em 1928 com a saúde muito abalada, mas o período vivido no Brasil, ficará para o padre Battezzati como uma experiência fundamental de sua vida. “Recordo com estima e afeto o bom povo brasileiro! É um povo religioso, respeitoso, educado... sempre encontrei grande competição

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4 para ter um sacerdote como hóspede, para quem era oferecido o que tinham: moradia, alimentação, gentileza’.

Passados alguns meses de descanso, incerto ainda com relação à obediência, depois da conferência da Boa Morte feita pelo padre Rinaldi, na iminência da beatificação de Dom Bosco (conferência, da qual nos deixa um amplo resumo) escrevia (03.04.1929): “Ó meu Deus, que vos direi? Veja em que trevas me encontro: saúde, posição, disposições interiores. Tudo incerto, obscuro. Tenho suspiros de graça e de gozo, como hoje, e de grande abatimento. De tudo estou contente e gozo paz. Mas lhe peço uma coisa só: trace, delineie bem o que o senhor quer de mim. Quantas coisas me passam pela mente que me parece que o senhor quer de mim: quer sofrimentos, vida obscura, não compreensão? Eis-me. Socorre-Eis-me. Dá-me luz e força somente”. Recuperada a saúde, os superiores lhe confiaram a direção do incipiente aspirantado para Coadjutores no Colle Don Bosco (1933-1939) e depois o de Cumiana (1939-1942). Com o ano 1942 começa sua estadia em Roma no complexo das Catacumbas alternando a função de diretor entre os dois Institutos de São Calisto e de São Tarcísio que mesmo mudando destinatários, são sempre casas de formação.

A responsabilidade dos cargos não enfraquece a sua vida interior: aos “05 de agosto de 1949... 33 anos de missa – escreve – quanto o Senhor me deu! Oh Senhor, quantas graças! A que ponto me encontro? Não sei como dizer” Certo: poderia ter feito mais: sofrer melhor, rezar mais intensamente, trabalhar com maior entusiasmo, viver mais unido ao Senhor. Misericórdia, meu Jesus”. Ao término dos Exercícios Espirituais de 06.03.63 faz esta oração: “Mãe dulcíssima, Maria Santíssima, dá-me o vosso amor, o vosso coração para que com ele ame Jesus como a Senhora o amou”. Tinha 75 anos.

Viveu em Roma com consciência cristã, seguindo com paixão – também pelas amizades e adesões contraídas como diretor das Catacumbas – os acontecimentos da Igreja nestes últimos decênios. Era fascinado pela Urbe que se encontrava onde quer que haja um sinal cristão. Partilhava o pensamento do padre Dehon: “gostava de Roma, da Roma cristã, daquela que falava à fé e à piedade; aspirava seus perfumes suaves e consoladores, bebia das suas fontes sagradas, me comunicava com seu espírito que é o espírito da Igreja, isto é, espírito de fé, de apostolado, de caridade”.

Mas a idade aumentava e num caderno a parte, numa página, anota: “DATA para lembrar para agradecer ao Deus das misericórdias e a Maria, mãe da misericórdia; DEIXOU DE SER DIRETOR 18.09.1966”.

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5 Agora duas breves anotações: em 1972: “Oh, meu Deus, sou velho! Logo pela vossa misericórdia completarei 84 anos. Desejo que os meus anos sejam aqueles que o Senhor me quiser conceder, como também os anos que me concede que sejam teus: aqueles que vieram de ti”. Em 1974: “Oh Jesus, Oh Jesus , a menos que eu vejo você na luz da fé, mais você é porque você está sempre em toda parte. E é sempre a fé, também na escuridão, no mistério que tu estás”. A vida interior foi o grande sermão – testemunhado pela vida – que o padre Battezzati fez para nossas comunidades salesianas e a tantas outras de diversas denominações religiosas.

Um escrito que lhe estava no coração nos últimos nãos traz o título: “Espiritualizar-se para espiritualizar”. No título tem esta nota escrita a mão: “Poucos são os que se dão em aprofundar as insondáveis verdades da vida sobrenatural de que Deus misericordioso enriquece a pobre humanidade por meio da Redenção”. Na capa da edição de “A alma de todo apostolado” escreve: “Este livro é para os apóstolos ativos e zelosos ou para tornarem-se tais”. Não é para os apáticos. Este livro é, segundo meu frágil parecer, A Imitação de Cristo dos nossos dias”. Fiquei feliz quando soube que – depois de tanto tempo esquecido – Papa João Paulo I ter citado Chautard em uma de suas límpidas catequeses numa quarta-feira de setembro passado.

A nós que o temos assistido filialmente nas últimas semanas permanece a lembrança da sua palavra que nos repetia agradecido depois de cada humilde serviço: “Isto está escrito no paraíso”.

A nossa comunidade de São Tarcísio, composta de sacerdotes provenientes de muitas Inspetorias da Congregação, assistiu com edificação o apagar-se deste grande salesiano. Visitado várias vezes pelo Rev.mo Reitor Mor, pelos superiores do Conselho Superior, demonstrava o seu reconhecimento por um interesse tão fraterno. Muitos sacerdotes e irmãs se aproximaram de seu leito para ouvir seus últimos conselhos. A morte atenta – como várias vezes havia afirmado – marcou o início da sua verdadeira vida.

Na missa exequial uniram-se muitos irmãos da Casa Geral, da Inspetoria Romana, da Universidade Salesiana, do Vaticano e de Turim. Partilharam conosco a dor, os Irmãos da Casa de São Calisto. Presidiu a concelebração o Rev.mo padre Luiz Ricceri e fez o elogio fúnebre o Vigário Geral da Congregação, o padre Caetano Scrivo, presentes também tantas Comunidades de Religiosas e uma representação da Comissão de Arqueologia Sacra.

O elogio fúnebre, afetuoso, do padre Scrivo tomou inspiração na Dedicatória do manuscrito “Lembranças” feitas ao Reitor Mor que “em nome de Dom Bosco

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6 conserva na nossa Congregação tudo o que do passado é valido e lança o salesiano no futuro naquilo que a Igreja indica e promove par ao bem das almas”. Era um ato de fé do veterano na Congregação ligada e atenta à sua atualização.

Aos parentes – de modo particular ao irmão Natal, missionário salesiano coadjutor em Corumbá (Brasil), - enquanto renovamos nossas afetuosas condolências, desejamos assegurar que a lembrança do padre Virgínio permanecerá viva entre nós como um testemunho de fidelidade à Igreja e a Dom Bosco.

Em união de oração , confiamos o nosso querido irmão a seus sufrágios.

pela comunidade de São Tarcisio em Roma Pe. Aldo Fantozzi

DADOS PARA O NECROLÓGIO

PE. VIRGINIO BATTEZZATI

* Monte, uma fração de Valenza Po, 25-3-1888 e † Roma, 4-12-1978 com

90 anos de idade

72 anos de profissão religiosa salesiana e 64 anos de sacerdócio.

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