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PODER JUDICIÁRIO SÃO PAULO

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PODER JUDICIÁRIO

SÃO PAULO

SEGUNDO TRIBUNAL DE ALÇADA CIVIL

Décima Câmara

APELAÇÃO SEM REVISÃO Nº 571.352-0/5 - FRANCA Apelantes: Instituto Nacional do Seguro Social

João Teixeira Nunes (Adesivo) Apelados : Idem

ACIDENTE DO TRABALHO. Traumatismo craniano e lesões no tornozelo direito e no joelho esquerdo. Segurado que recebe auxílio-acidente de 50%. Pedido de revisão. Ausência de prova do agravamento das lesões incapacitantes. Inviabilidade da conversão em aposentadoria por invalidez acidentária. Lesão incapacitante já assegurada e provas que não autoriza a conversão. Ação Improcedente. Recurso autárquico provido, prejudicado o adesivo.

Voto nº 3.947

Visto.

JOÃO TEIXEIRA NUNES ingressou com Ação de

Prestações por Acidente do Trabalho contra o INSTITUTO NACIONAL

DO SEGURO SOCIAL - INSS, qualificação e caracteres das partes nos

autos, afirmando ter sofrido acidente típico em 2/12/87, com

traumatismo craniano e lesões no tornozelo direito e no joelho esquerdo,

advindo-lhe seqüelas incapacitantes.

Adotado procedimento ordinário (correto seria sumário),

formalizada a angularidade o Requerido apresentou contestação, que foi

impugnada. O Perito Judicial e o Assistente Técnico do Autor firmaram

laudos distintos. Em audiência, sem conciliação, foram colhidos

depoimentos de testemunhas arroladas pelo Segurado. Encerrada a

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instrução as partes travaram debates (através de memoriais),

manifestando-se a Promotoria de Justiça.

Houve entrega da prestação jurisdicional e, procedente a

pretensão, foi o INSS condenado ao pagamento da aposentadoria por

invalidez acidentária “... nos termos da Lei 8.212/91 e 8.213/91, e, Dec.

n. 611/92 e demais legislações pertinentes, concedendo-lhe as demais

indenizações previstas nas leis vigentes, desde a data da alta médica

(setembro/1995), acrescida de pecúlio, abono anual, assistência médica e

previdenciária, cuja renda deverá ser calculada com base nos últimos 36

meses de contribuição ...”

(folha 229)

.

Recorreram:

1- O INSS. Aduz que, tendo concedido auxílio-doença

acidentário e, depois, auxílio-acidente de 50%, tornou o Apelado

carecedor da ação, uma vez que as seqüelas incapacitantes não o restaram

total e permanentemente incapacitado

“... para o exercício de qualquer

atividade, mas somente aquela de pedreiro ...”

(folha 233)

.

Acrescentou tratar-se de segurado com 41 anos de idade,

saudável e que perdeu visão parcial do olho direito, não se enquadrando

as seqüelas no Anexo III do Decreto nº 611, de 1992.

Alternativamente pede que a aposentadoria tenha início

na data do laudo médico oficial, seja excluído da condenação o pecúlio,

admitida a prescrição qüinqüenal e que as parcelas atrasadas sejam

corrigidas pelo critério da Lei nº 8.213, de 1991.

2- O Segurado, de forma adesiva. Reclama a fixação dos

honorários advocatícios em face da sucumbência.

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contrariedades sustentando suas posições.

A PROMOTORIA DE JUSTIÇA concluiu pelo não

provimento do recurso principal e pela acolhida do adesivo. A

PROCURADORIA DE JUSTIÇA inferiu pelo parcial provimento do

INSS, concedendo-se auxílio-doença acidentário a partir da indevida alta

médica, compensando-se com o auxílio-acidente, afastando-se o pecúlio,

e pela acolhida do adesivo fixando-se os honorários advocatícios em 15%

sobre o valor devido até a liquidação.

É o relatório, adotado no mais o da r. sentença.

O Perito Judicial concluiu:

“... o autor é portador de estrabismo divergente olho direito, cefaléia esporádica, tontura e diplopia, como sequela de traumatismo cranio encefálico, estando impossibilitado de exercer sua ativiade de pedreiro, porém pode exercer atividade de nivel inferior de complexidade ...”(folha 162)

.

“... O autor vitimado por um Acidente de Trabalho, teve Traumatismo Craniano, que levou a intervenção Cirurgica Neurologica, para drenar um Hematoma Extradural (é um hematoma por fora da membrana que reveste o cerebro chamada Duramater, externo portanto, ao tecido cerebral propriamente dito).

Neste caso o procedimento se justifica para estancar a Hemorragia, evitando ainda, compressão do tecido cerebral pela denominada Hipertensão Intracraneana, uma vez que o arcabouço osseo da cabeça não se expande.

Pelo fato de haver associado fratura orbitaria e nasal houve comprometimento no aparelho ocular correspondente (á direita) á nivel central; ou seja, do nervo encarregado de conduzir as informações visuais ao cerebro, reduzindo parcialmente a acuidade visual, e causando também a Diplopia (visão dupla); e a nivel periferico no nervo encarregado da mobilidade ocular, houve Paralisia de um grupo

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Muscular, fazendo com que predomine a ação do Musculo antagonista, justificando o desvio lateral do olho. Vale ressaltar que á despeito deste fato, o autor tem ainda alguma função de mirada ocular medial (campo nasal) não sendo, portanto, total a lesão muscular.

Os testes de acuidade visual acusaram 100% de visão do olho esquerdo e 66% de visão no olho direito afetado, além de que, a Campimetria é normal (não há perda parcial de campo visual).

A Diplopia, significando visão dupla, é subjetiva, sendo impossivel a acareação do seu grau e se realmente está presente.

Este fato é preponderante, uma vez que presente a Diplopia dificulta de sobremaneira a lide de Pedreiro, se lembrarmos do prumo de parede, assentamento de esquadrias, rejuntes de pisos etc, além da queixa das tonturas referidas, quando sobe em desnivel, trazendo Risco de Acidentes.

A dor referida em tornozelo direito pode ser melhorada por suporte medicamentoso e fisioterapia, além de medidas locais (tornozeleiras). Lembramos que não houve fratura na epoca, o que facilita o tratamento das partes moles, e o exame local que efetuamos é normal.

Isto posto, podemos concluir que houve limitação da atividade laboral de Pedreiro, restando entretanto, aptidão para que se readapte á outro tipo de atividade que lhe garanta subsistencia ...” (folhas 176/177).

A sentença, após analisar as provas periciais e orais,

concluiu:

“A atividade exercida pelo requerente exige uma cautela diferenciada. Trata-se de atividade perigosa, em que uma falha pode acarretar inúmeros, e graves, acidentes. Não possui, o autor, a desenvoltura necessária para as atividades de eletricista; chegou, inclusive, a perder o dedo mínimo no acidente.

Não deferir o pedido inicial será, no mínimo, deixar o requerente a mercê de um novo acidente, que poderá ser fatal ...” (folha

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228).

Na inicial o Segurado discorre sobre o acidente típico e,

para dizer-se impossibilitado do exercício da mesma atividade (pedreiro),

sustenta:

“Desde aquela época o autor devido as lesões sofridas, sente fortes dores de cabeça, tontura, falta de raciocínio, não enxerga da vista ôlho direito, ficou com o ôlho direito torto (vesgo), resultou grandes seqüelas devido o acidente sofrido, portanto, não pode mais exercer as funções de PEDREIRO, função que exerceu a vida inteira.

4) - O acidente de trabalho sofrido pelo autor, tirou sua capacidade para o serviço, impedindo-lhe o exercício da profissão, não consegue mais trabalhar nas funções de PEDREIRO, desde a data do acidente nunca mais trabalhou em nenhum serviço, acarretou-lhe perda anatômica com incapacidade para o serviço em caráter definitivo e permanente ...” (folhas 04/05).

Ao final mescla os sistemas previdenciário com o

acidentário e pugna pela concessão da aposentadoria acidentária.

Inquestionável o acidente típico, o apelante concedeu ao

Segurado o auxílio-doença acidentário em 19 de outubro de 1992,

requerido em 9 de dezembro de 1992

(folha 101)

.

“O auxílio doença consiste na assistência dada pelo órgão segurador obrigatório ao trabalhador segurado das áreas urbana e rural, vítima de acidente do trabalho ou de doença profissional ou do trabalho”1.

A Conclusão da Perícia Médica de Acidentado do Trabalho

expedida pelo Apelante em 17 de agosto de 1995, ao admitir as

conseqüências do acidente e que elas impedem o exercício da atividade

profissional, justificando a concessão do auxílio-acidente, mas não o de

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aposentadoria por invalidez acidentária, concedeu (administrativamente)

o benefício acidentário correspondente à conclusão pericial, que encontra

harmonia plena nos laudos firmados pelo Perito e pelo Assistente Técnico

do Apelado, compreendido no auxílio-acidente.

Trata-se (auxílio-acidente) de benefício que deve ser

concedido ao segurado quando, após a consolidação das lesões

decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem seqüelas que

impliquem redução de capacidade para o trabalho que habitualmente

exercia

2

.

A aposentadoria por invalidez será devida ao acidentado

que, estando ou não em gozo de auxílio-doença, for considerado incapaz

para o trabalho e insuscetível de reabilitação para o exercício de atividade

que lhe garanta a subsistência, ou seja, quando concluir-se pela existência

de incapacidade total e definitiva para o trabalho.

Não houve agravamento das seqüelas do acidente, e a

redução da incapacidade constatada (permanente e parcial) já se

encontra amparada pelo auxílio-acidente.

“Não estando o obreiro total e permanentemente incapacitado, deve prevalecer o auxílio-acidente outrora deferido, tornando insubsistente a pretensão à aposentadoria por invalidez acidentária 3”.

“Quando a questão já foi decidida em anterior ação acidentária e não há alteração da situação de fato, por ausência de agravamento da lesão, prevalece a coisa julgada a impedir a ampliação do benefício 4 ”.

Em face ao exposto, dá-se provimento ao recurso do INSS

2- Lei nº 8.213, de 24/7/91, art. 86, pela redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97.

3 - 2º TACivSP - Ap.s/Rev. 391.154 - 9ª Câm. - Rel. Juiz RADISLAU LAMOTTA - J. 8.6.94. No mesmo sentido: Ap.s/Rev. 397.978 - 10ª Câm. - Rel. Juiz EUCLIDES DE OLIVEIRA - J. 7.3.95.

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e declara-se prejudicado o adesivo do Segurado.

IRINEU PEDROTTI

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