Extremismo Violento no Sudeste da Ásia
Julia Mori Aparecido Antonio Augusto Pacito Arthur Somensi de Amorim Gabriella de Souza Vono João Victor Ponté
1I
ntrodução2Reconhece-se que o terrorismo, caracterizado por ataques a civis, não é atividade recente na história humana.
Inicialmente, atos hoje considerados terroristas eram praticados em conflitos de escala regional e assimétricos por grupos menos favorecidos. O que há de novo, e arrisca-se dizer, aterrorizador, é a proporção global que esses atos tomaram3. Suas definições são várias e discrepantes, mas através de pontos em comum pode- se compreender o terrorismo por conta de suas características, como:
[...] o uso ilegal ou ameaça do uso da violência; civis ou propriedades como alvos;
propósitos políticos dirigidos a uma instituição (Estado, organização) de modo a compelir seus agentes a agir ou abster-se de agir de determinada forma;
provocação ou manutenção de um estado de terror em uma população ou um setor dela4. A transformação qualitativa do terrorismo após a declaração da
“guerra contra o terror” dado ao atentado às Torres Gêmeas (2001), de reconhecimento e transmissão global,
somado à Guerra no Afeganistão (2002), seguida dos ataques terroristas em Madrid (2004), Londres (2005) e Mumbai (2008), dentre outros, levantou incertezas no âmbito da segurança internacional e evidenciou o caráter anárquico do sistema internacional5. O terrorismo no contexto próprio do sudeste asiático revela suas singularidades, por conta da “abundância de meios de financiamento, a disponibilidade de recrutas, a cartelização das organizações terroristas islâmicas”6. Soma-se a isso,
“o terrorismo surge na Ásia num contexto político-nacional de grande fragilidade, pontuado por Estados-nação de recente independência política, de imatura identidade nacional e onde o problema da coabitação, entre a maioria e as minorias, não foi adequadamente resolvido”7. Ainda, “pela inexistência de sólidas instituições supranacionais que promovam a integração regional e debilitem ódios e rivalidades históricas, a ação pacificadora da potência hegemônica do sistema (Estados Unidos) torna-se central ao acompanhamento da segurança regional”8.
A presente Série apresenta conceitos relacionados ao extremismo violento e aspectos históricos e formas de atuação de grupos radicais no sudeste da Ásia, focando na Tailândia, Malásia, Filipinas e Indonésia.
Mapa do sudeste da Ásia. Fonte: Wikimedia2
A radicalização e o extremismo violento, além da questão conceitual
Os estudos das ações de grupos radicais apresentam diversas terminologias.
Percebe-se uma certa preocupação com o que é veiculado, visto que cada termo carrega um valor e uma relação histórica.
O artigo The Concept of Radicalization as a Source of Confusion, publicado em setembro de 2010 por Mark Sedgwick, conceituou “radicalização” como termo padrão para “o que acontece antes da bomba explodir”9. Os principais dicionários definem o radicalismo como
“a crença de que deve haver uma grande ou extrema mudança social ou política”10 em que o termo é frequentemente utilizado para referir-se ao indivíduo caracterizado pela falta de moderação, transitoriedade ou flexibilidade ao aderir a determinadas ideias11. Entretanto, há incertezas quanto a definição exata do termo visto que as palavras carregam valores que variam em determinados contextos e são analisadas em níveis diferentes como o analítico e o oficial, o público e o político.12
Já o termo “extremismo violento” é definido pelos principais dicionários como “o fato de alguém ter crenças que a maioria das pessoas acredita serem irracionais e inaceitáveis”13 e também
“doutrina ou corrente que preconiza soluções extremas para os problemas sociais”14. Esse termo, segundo o estudo de R. Kim Cragin15, vem sendo adotado a partir do conceito de contraterrorismo nos Estados Unidos, Austrália, Canadá e Reino Unido. Da mesma forma que o termo “radicalização”, “extremismo violento” está sujeito a diversas definições. Com fim de exemplificação, em 2010 percebeu-se que o governo Obama cuidadosamente rebatizou, não oficialmente, o termo “guerra ao terror”16 por Countering Violent Extremism (CVE)17. Segundo Ambinder, “o combate ao extremismo violento é perceptível por duas palavras que não existem: alguma variante de ‘jihad’, que é o predicado preferido dos conservadores que lutam contra o terrorismo, e ‘guerra’[...].”18, uma tentativa do governo de desassociar a noção de combate à própria fé muçulmana. Um ano depois, em 2011, foi divulgada a nova Estratégia Nacional dos Estados Unidos para o Contraterrorismo, em que, em 26 páginas de documento somente uma vez referiu-se a extremistas violentos, como um termo geral aos terroristas, sobretudo
aos associados à Al Qaeda. Da mesma forma, o Reino Unido, em sua estratégia de prevenção, vincula explicitamente a Al Qaeda e o extremismo violento.
Em contraste, países como Austrália e o Canadá utilizam o termo de maneira diferente, o primeiro faz referência a mentalidades radicais, não limitadas ao comportamento, e ambos utilizam da terminologia para o que se estende além da Al Qaeda. Já a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na Convenção sobre Combate ao Terrorismo (ACCT), alerta que o “[...]terrorismo não pode e não deve ser associado a nenhuma religião, nacionalidade, civilização ou grupo étnico[...]”.19
Em síntese, há uma diferença significativa entre extremismo - o qual pode ser categorizado em várias esferas - e terrorismo que precisa ser considerada.
Deve-se ter a noção de que ser extremo em determinadas crenças religiosas nem sempre implica no emprego de práticas violentas. Para Wibisono, Louis e Jetten,
“a falha em entender a complexidade de o extremismo religioso corre o risco de estigmatizar alguns grupos religiosos como irracionais e de apoio à violência quando esse não é o caso”.20
o
terrorIsmo no sudesteasIátIco
O terrorismo no Sudeste Asiático ocorre desde a Guerra Fria, com grupos militantes etno-nacionalistas e religiosos que surgiram em reação à falta de vontade de vários governos da região em reconhecerem a autodeterminação de minorias, provocando uma maré recessionista que desafiou os Estados da sub-região. Porém, desde os anos 1990 tem-se o desafio residual do extremismo militante sub-estatal gerado em reação tanto à força da modernização tão perseguida por muitos governos da região quanto à influência política do Islã, este ampliado devido a força contemporânea do radicalismo do sul da Ásia, e aquele, almejado desde sempre pelo Sudeste Asiático.21 Ademais,
[...] o crescimento do radicalismo islamista, na Ásia, tem sido favorecido pelo revivalismo islamista que se verifica em todo o mundo muçulmano e pelo afluxo de dinheiro vindo do Médio Oriente.
Os fundos têm origem na Arábia Saudita e vem por duas vias: fundos
dirigidos a escolas e centros religiosos e fundos directamente destinados a grupos islamitas. Estes fundos têm incrementado o processo de arabização e consolidação das redes islamitas internacionais que vão do Médio Oriente à Ásia do Sul, passando pelo Sudeste Asiático22. A inteligência e fontes governamentais dos EUA expressam receios em relação à situação naquela região, que podem se tornar um ponto de saída de atos internacionais de terrorismo impactando diretamente a segurança ocidental. Assim, o extremismo político da região tem se tornado o foco principal de preocupação dos EUA para com o Sudeste Asiático.23 Nesse sentido, segundo Gershman:
A tendência de Washington de agrupar os vários grupos islâmicos no sudeste da Ásia elimina distinções cruciais entre o que, na verdade, são organizações muito distintas.
Os grupos se enquadram em várias categorias distintas: movimentos de revivalismo islâmico que se concentram na renovação cultural e espiritual, partidos políticos, organizações armadas e desarmadas que lutam pela autonomia ou secessão de áreas muçulmanas, grupos radicais islâmicos paramilitares e células e redes terroristas transnacionais. Mas a diferença entre eles foi obscurecida pela retórica do governo Bush, que enfatizou que os países ou estão
“conosco ou contra nós” na guerra contra o terrorismo. Esse paradigma simplista ignora o fato de que muitas organizações islâmicas genuinamente se opõem à Al Qaeda (e grupos extremistas semelhantes), mas também desaprovam a campanha militar dos EUA no Afeganistão e outras políticas do governo Bush, especialmente sua estratégia para o Oriente Médio. A maioria dos grupos islâmicos no sudeste da Ásia são de fato não violentos. Os maiores e mais influentes são partidos políticos ou organizações revivalistas (grifo nosso)24.
Organizações Consideradas Terroristas no Sudeste da Ásia Data
adicionada
Nome Área de operações
8 out. 1997 Abu Sayyaf Group (ASG) Filipinas 9 ago. 2002 Communist Party of the
Philippines/New People’s Army (CPP/NPA)
Filipinas
23 out. 2002 Jemaah Islamiya organization
(JI) Indonésia
19 set. 2011 Jamaah Ansharut Tauhid (JAT) Indonésia
28 fev. 2018 ISIS-Bangladesh Oriente Médio, países do sul da Ásia: Bangladesh, Paquistão e Índia, e países do sudeste asiático, como Indonésia e Filipinas
28 fev. 2018 ISIS-Philippines Filipinas
Fonte: EUA. Departamento de Estado. https://www.state.gov/foreign-terrorist-organizations/
Outra importante questão é a que abarca a jihad:
O fenômeno da jihad inserida no conflito se tornou um meio de propagação de ensinamentos identitários e a incorporação de questões religiosas na política do Estado, e agregou o engajamento na disputa. O jihadismo, apesar de diferentes interpretações, é considerado um grande motivo para que os muçulmanos lutem pela terra que lhes pertence. Etimologicamente, a palavra jihad significa ‘batalha’
e, dadas as instruções presentes no Corão, “enjoy good, forbid evil”, leva a interpretação de que o mal (evil) se refere àqueles que não seguem essa religião e, destarte, são ameaças.25
T
ailândiaA diferença entre jihad e jihadismo é de suma importância quando se trata do extremismo violento no sudeste da Ásia.
A parcela militante malaio-muçulmana trata a resistência ao Estado tailandês como sendo uma jihad, mesmo que seus objetivos sejam majoritariamente de cunho nacionalista. Deste modo, é caracterizado uma jihad “orientada para a nação”, a qual busca um confronto contra os que não são muçulmanos tendo como objetivo um território. Já o conceito de jihadismo neste contexto faz referência à movimentos como a Al-Qaeda, Estado Islâmico (antes denominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria), entre outros. Este conceito abrange a defesa do salafi- jihadismo – o qual faz parte do ideal de muitos jihadistas – que consiste em uma doutrina centrada na rejeição do Estado- nação como um ultraje à soberania de Deus, e que busca o estabelecimento
de um governo islâmico puro através de métodos violentos. Importante salientar que os militantes malaios-muçulmanos normalmente não aderem ao salafismo, porém são simpatizantes das formas tradicionais sunitas.26
A atuação da Al-Qaeda e do ISIS abrange todo o mundo muçulmano, porém é mais significativa em Estados onde o governo central carece de alicerces robustos. Contudo, o ISIS e outros grupos jihadistas não conseguiram adentrar no extremo sul da Tailândia, em razão da sociedade malaio-muçulmana não simpatizar com o jihadismo transnacional. As lideranças muçulmanas do país rejeitam a ideologia salafi-jihadista defendida pelo ISIS e a Al-Qaeda, o que diminui as chances do jihadismo se tornar uma realidade naquela região, porém não elimina o risco total de isso acontecer de fato.27 Apesar dos boatos da influência do ISIS na Tailândia, a região sul aparece como sendo a mais propensa para oferecer condições favoráveis à expansão jihadista, dado à ocorrência de três fatores significativos: primeiro, a proeminência de uma minoria sunita que constitui uma maioria na zona de conflito; segundo, a insurgência muçulmana que leva consigo uma narrativa de desapropriação nas mãos de colonizadores não muçulmanos; e terceiro, o conflito prolongado tratado com repressão e violência constantes pelas autoridades tailandesas. 28
O Barisan Revolusi Nasional Melayu Patani (Frente Revolucionária Nacional Patani-Malaia, ou BRN) é o movimento protagonista no extremo sul da Tailândia que dá cabo à insurgência. Foi fundado em 1960 com o intuito de buscar a independência da região de Patani.
Bandeira da Barisan Revolusi Nasional Melayu Patani29
Nos anos 90 conseguiu se reorganizar para lançar novos ataques no início dos anos 2000. Já no final do ano de 2001 uma nova onda de violência ascendeu no extremo sul, coincidindo com a
“guerra global contra o terrorismo”, fato que se fez pensar que a região sul da Tailândia poderia ser um novo alvo para as organizações terroristas. Importante salientar que o BRN, assim como outros grupos militantes em Patani, destoam em pontos significativos do ISIS e da Al- Qaeda. A distinção mais evidente se dá em relação ao sistema internacional, pois enquanto o ISIS o rejeita, os militantes Patani buscam a constituição de um estado dentro dele.30
A ameaça dos grupos terroristas no território tailandês aumentou de forma significativa após propagandas promovendo grupos como o ISIS aparecerem em redes sociais como YouTube e Facebook. Uma dessas propagandas ocorreu em abril de 2016 e mostrava a bandeira do ISIS sobreposta ao mapa do sul da Tailândia.
Mesmo sendo de origem desconhecida, a postagem se transformou em uma lacuna a ser explorada pela organização terrorista. Sabe-se que atualmente a preocupação maior do governo tailandês é proteger a economia dos danos que o terrorismo internacional poderia causar à indústria do turismo, dado o fato que esta contribui com mais de 20%
para o PIB do país. Porém, um fator que dificulta as medidas para tentar minar e prevenir o terrorismo é que a Tailândia não faz parte da coalizão apoiada pelos EUA para derrotar o ISIS e, dessa forma, a região poderia se tornar um alvo em potencial. Por outro lado, a Tailândia detém uma política de vistos extremamente flexível justamente para incentivar o turismo e manter a economia acesa, fator que facilita a fraude de documentos de identificação e, chama a atenção de operadores jihadistas
que usam o país para refúgio e logística, principalmente.31
Apesar dos fatores contribuintes para o terrorismo, muitos acreditam que a ideologia salafi-jihadista não tem potencial para criar raízes na Tailândia, pois o próprio Estado detém uma política de proteção e liberdade de religião que não interfere nas práticas religiosas dos muçulmanos, o que torna inconcebível a ascensão de narrativas que tentam estimular a repressão religiosa muçulmana. Outro fator determinante para o insucesso de organizações terroristas em solo tailandês, é que muitos salafistas enxergam o ISIS como sendo uma cria dos EUA que não tem o intuito de proteger o Islã e sua população, mas sim funcionar como um objeto de intrigas no sistema internacional.32 Uma das razões principais das frentes militantes de Patani rejeitarem afiliação com a Al-Qaeda ou o ISIS é que isso seria totalmente nocivo para um eventual apoio popular e sua legitimação no sistema internacional. Com essa filiação, a comunidade internacional negaria o reconhecimento necessário para concretizar o objetivo final dos militantes de autogoverno, além de minar o acesso ao porto seguro do movimento localizado no norte da Malásia e que é intolerante ao jihadismo transnacional.
Deste modo, o BRN demonstra interesse em fazer um trabalho conjunto com a comunidade internacional para conter o jihadismo no sul da Tailândia, pois seus membros acreditam que com um espaço político mais abrangente, iriam dispor de ferramentas mais promissoras para a defesa de Patani contra tais adversidades.33
Em suma, com todas as medidas preventivas em relação ao jihadismo transnacional no sul da Tailândia, a região permanece com fortes baluartes para a contenção de tal ameaça, principalmente com os esforços constantes por parte do Estado tailandês e dos militantes malaios-muçulmanos. Contudo, ainda é de importância fundamental manter um olhar atento sobre indivíduos particulares, grupos de menor escala e principalmente facções insatisfeitas, pois apesar de todo o empenho, a ameaça jihadista ainda pode explorar lacunas para tentar se alocar.34
Central World destruído em Bangkok – Tailândia em maio de 2010. Autor: UweBKK35
Indonésia
35O radicalismo islâmico perpassa o histórico da Indonésia desde sua independência em relação à Holanda no ano de 1949, quando o grupo Darul Islam (DI) se opôs ao novo Estado por não contemplar a sharia, lançando uma série de rebeliões em Java. Contudo, tais revoltas foram contidas com a chegada de Suharto ao poder em 1962, cuja repressão militar desencadeou o fim desse grupo como uma entidade organizada36. O DI e outras organizações similares estiveram presentes, desde então, em pequenas comunidades (jemaah), difundindo os ideais salafistas e, mais tarde, originando a organização mais letal no início de 2000, o Jemaah Islamiyah (JI)37.
Notoriamente, a onda de extremismo islâmico violento na Indonésia emergiu como uma ameaça potencial a partir da renúncia forçada do Presidente Suharto, em 1998, determinando o fim da ditadura que vigorou no país por décadas.
O novo regime democrático, contudo, não contemplou os anseios da sociedade civil e, paralelamente, provocou uma fragilização da autoridade do Estado em relação ao manejo dos conflitos violentos que eclodiam no país, a exemplo dos movimentos separatistas e das ações de grupos islâmicos radicais38. Ademais, concedeu-se o pleno direito à liberdade midiática e de organização, conduzindo a uma proliferação de grupos radicais e milícias, bem como a uma expansão da mídia extremista39.
A Indonésia está entre os países com o maior contingente populacional muçulmano (90% da população) do mundo40. A despeito da evidente heterogeneidade quanto ao nível de radicalização (ou não) dessa parcela populacional, considerável parte
dela não reconheceu o novo Estado democrático como legítimo por sua associação com os paradigmas da cultura política ocidental. Como consequência, ocorreu a radicalização de civis e logo surgiram dezenas de grupos classificados como radicais, todos com uma forte percepção do “ocidente” e dos não- muçulmanos como inimigos e como ameaça para a manutenção da religião islâmica “pura”. Tais grupos, sobretudo o JI e mais recentemente o Jamaah Ansharud Daulah (JAD), também condenam a parcela da comunidade islâmica que supostamente teve seus
“valores adulterados” e, por isso, são classificados como infiéis41. Segundo os radicais, esta situação só pode ser corrigida retornando ao Islã “primitivo”
dos líderes fundadores, condizente com os ideais salafistas.
4 2
Limpeza de rua após atentado terrorista em Bangkok – Tailândia em maio de 2010. Autor:
UweBKK42
Cabe ressaltar que existem frentes diversas do extremismo no país. Uma parte desses grupos defende a “purificação”
da sociedade pela implementação da sharia, todavia, não almejam destituir o poder vigente43. Por outro lado, os anti-estatistas, como o JI, somam essas intenções de “islamização” da sociedade a uma forte oposição ao regime político.
Essas organizações normalmente são as milícias armadas responsabilizadas por realizar os ataques ao Hotel Marriott (2003) e à Embaixada Australiana (2004). Além dos fins divergentes, cada grupo radical opera por meios diversos de recrutamento. Alguns empreendem a pregação para adquirir adeptos, enquanto outros penetram nas instituições de ensino para disseminar seus ideais. Esses grupos também divergem quanto ao uso ou não da violência44.
No início da década de 2000, ocorreram os mais letais ataques terroristas da
história do país. Em outubro de 2002, os ataques com bombas em Bali, sob tutela do JI, resultaram em um saldo de 200 mortos e outros 200 feridos.
No ano de 2005, outra ofensiva do mesmo grupo e na mesma ilha deixou 25 mortos e cerca de 130 feridos45. No entanto, a escala da violência empregada foi contraproducente. Primeiramente, as ações geraram descontentamento de membros e civis que até então apoiavam a causa. Além disso, a onda crescente de radicalismo alardeou a polícia nacional, desencadeando o aumento da repressão dos membros do JI e da vigilância contra a disseminação de seus ideais46.
Monumento comemorativo aos atentados de 12 out. 2002 em Bali. Autor: Arnaud Gaillard 47
Em um balanço geral, somente a partir de 2003 o governo classificou o terrorismo como uma questão de segurança de Estado48, levando ao aumento da pressão policial sobre as organizações extremistas. Foram executadas prisões, banimentos formais de grupos, treinamentos de policiais no exterior, esforços para desradicalização e acordos de cooperação regional no âmbito da ASEAN para o combate a crimes transnacionais, promulgando aparatos institucionais de modo a prevenir novos ataques radicais. Por conseguinte, houve um afrouxamento da situação nos anos seguintes.
Todavia, tais ações apenas mitigaram o problema momentaneamente, em face da manutenção da porosidade das fronteiras49, criminalidade endêmica, perspectivas radicais dentro de segmentos da população e do acesso facilitado às armas. Também deve-se considerar o papel da propaganda radical
e sua disseminação via internet no recrutamento de jovens50.
Nota-se um aumento considerável no número de ofensivas terroristas ocorridas na Indonésia, as quais somente no ano de 2018 implicaram na morte de mais de 50 pessoas, incluindo civis, militantes e policiais, na contramão da retração mundial do terrorismo após a queda do Califado no Iraque e na Síria. Hoje, a Indonésia representa um dos países do sudeste asiático apto a se tornar um polo da atividade terrorista na região, concentrando os maiores ataques a cristãos51. A principal entidade associada aos atentados recentes é a Jamaah Ansharud Daulah (JAD), criada em 2015 com o intuito de consolidar uma aliança entre os rebeldes internos com o terrorismo internacional pró-ISIS. A despeito da ausência de laços formais desta ligação, a convergência de seus alvos (forças de segurança, minorias religiosas e símbolos da democracia) demonstrada nos bombardeios simultâneos nas igrejas de Surabaia (2018)52, reiteram a provável associação53.
Como resposta aos ataques de 2018, o Estado promoveu uma revisão da Lei Antiterrorista para enrijecer seus mecanismos de segurança, consagrando medidas como o aumento do tempo de prisões preventivas e banimento legal do JAD. Entretanto, tais diretrizes ainda se mostram insuficientes, uma vez que a permanência desses grupos deriva dos vazios políticos que marginalizam comunidades inteiras, propiciando um terreno fértil para a atuação de organizações terroristas/extremistas que adotam a estratégia de criar um
“Estado paralelo”54. Defende-se, portanto, a urgência não só de medidas de segurança, mas também de políticas sociais para evitar que as comunidades fiquem vulneráveis ao recrutamento por grupos extremistas.
F
ilipinasApós a independência, as Filipinas passaram por duas décadas sem grandes conflitos internos. Os primeiros conflitos dentro do Estado surgiram no final da década de 60, com a influência da Guerra Fria, profunda desigualdade social, estagnação econômica e má governança, com o surgimento de grupos comunistas de teor revolucionário no
país. O New People’s Army (NPA) foi o primeiro grupo extremista do país a ganhar força. Com estratégias de guerrilha e discursos maoístas o grupo chegou a ter 28 mil membros na década de 80, porém, dados das forças armadas Filipinas afirmaram que o grupo possuía cerca de 6 mil membros em 2007.55 Mesmo que atualmente o NPA tenha menos membros que em seu período de glória, entender como ele permaneceu ativo por mais de 40 anos leva a observar o enraizamento do grupo em instituições ao redor do Estado.56 Por ser um país predominantemente católico, conflitos de grupos religiosos separatistas surgiram em várias partes do território nacional. As principais regiões afetadas são os Arquipélagos de Sulu e o Sudeste de Mindanao, duas regiões de maioria muçulmana. Apesar de representar apenas cerca de 6% da população nacional, de acordo com a Autoridade de Estatística das Filipinas (PSA), essa parcela da população se encontra quase que completamente nessas duas regiões citadas.57 58
Mapa da Região Autônoma do Mindanao Mu- çulmano. Autor: Tausug. 19 Mai. 201158.
O descaso do Estado com a população muçulmana levou a um sentimento de opressão e vitimismo pelo povo Moro59 e logo se tornou um conflito armado.
A Moro National Liberation Front (MNLF) se iniciou como representante dos interesses desse povo, com uma ideologia nacionalista que buscava a sua autodeterminação. Em 1996, o MNLF conseguiu uma grande vitória com o acordo de paz que levou a criação da Região Autônoma do Mindanao Muçulmano (RAMM).60
A criação da RAMM representava a possibilidade de independência política
e crescimento econômico da região, além da melhora nas relações entre o governo filipino e a população muçulmana.
Entretanto, a falsa autonomia da região dificultava a governabilidade que, junto com a corrupção e má administração, levaram ao surgimento de novos grupos extremistas. O descaso do governo central, principalmente na região de Mindanao, bem como pobreza extrema, marginalização e exclusão social são um dos principais motivos que levaram ao surgimento de grupos insurgentes como a Frente Moro de Libertação Nacional e a Frente Moro de Libertação Islâmica.
Em 1978, a Moro Islamic Liberation Front (MILF), que até então atuava como um braço militar da MNLF, se separou tornando-se uma organização autônoma com ideais separatistas. Na década de 1990, a organização passou a se relacionar com a Al Qaeda, em troca de treinamento militar e apoio internacional. Com isso, o MILF passou a dar assistência aos grupos Jemaah Islamiyah (JI) e Abu Sayyaf Group (ASG), na época, braços da Al Qaeda em território filipino. Dados de 2004 afirmam que o grupo parou de dar suporte às células ligadas a Al Qaeda.61 62
Emblema da MILF62
Após a experiência fracassada da RAMM, o governo filipino reformulou a zona autônoma e criou a Região Autônoma de Bangsamoro (BARMM), conseguindo um tratado de paz com a MILF. Membros da MNLF e da MILF se tornaram representantes da região e constituem parte das forças especiais.63 O Abu Sayyaf (ASG), ou Grupo Portador da Espada, está ligado com diversos atentados terroristas, contabilizando dezenas de sequestros.
Em 2004, o grupo juntamente com
Jemaah Islamiyah (JI) orquestrou o atentado de uma balsa que ocasionou na morte de 116 pessoas, até hoje é o maior ato terrorista das Filipinas e o maior ataque terrorista marinho do mundo. Após a morte de seu líder, Abdurajak Abubakar Janjalani, em 1998, o grupo passou por um período de reorganização. Atualmente trabalha como uma célula do ISIS nas Filipinas.64 O ataque patrocinado pelo ISIS e executado por seus filiados na cidade de Marawi, em 2017, causou um aumento de violência extremista nas Filipinas.
Liderados pelos Grupo Maute65, ASG e Ansharul Khilafah Philippines (AKP)66, o ataque coordenado tomou a cidade e gerou um cerco que perdurou por cinco meses, período em que as forças de segurança do governo filipino tentavam reconquistar a cidade capturada e os militantes. A batalha urbana se tornou a mais longa da história moderna das Filipinas, levando à morte cerca de mil membros desses grupos e 164 militares filipinos. O objetivo do ataque era de declarar um wilayah, ou seja, a cidade como uma província do ISIS.67 Os danos causados pela luta na cidade de Marawi foram calculados em cerca de 900 milhões de dólares para reconstruir e reabitar a cidade.68
Prédio em chamas em Marawi após um bombardeio da força aérea filipina. Autor: Mark
Jhomel. 15 Jun. 2017. 69
O governo filipino avança com passos curtos nas tentativas de gerar a paz internamente. O atentado à cidade de Marawi mostrou a importância dos acordos com o MNLF e MILF, uma vez que os dois grupos que assinaram acordos de paz com o governo o auxiliaram a retomar o controle sobre a cidade durante a luta contra o ISIS.
O MNLF posicionou tropas e afirmou estar preparado para orquestrar ataques contra as células terroristas70, enquanto o MILF organizou uma passagem
segura para a população que estava fugindo das batalhas, chamado de peace corridor que assegurou o bem estar dos civis com um trajeto seguro e acesso à ajuda humanitária.71
M
alásiaA situação da Malásia pode ser definida em duas partes: a de dentro de seu território, onde há grupos terroristas atuantes como o Estado Islâmico e Al- Qaeda72, além de células menores e atores independentes73; e a de fora de seu território, principalmente a ligação com a Tailândia. Com a histórica repressão tailandesa contra o povo malaio, acabou- se criando no sul tailandês, onde os dois países fazem fronteira, uma resistência malaia muçulmana extremista contra o governo da Tailândia, a qual se diferencia do jihadismo.74 Fora isso, o cenário da Malásia possui diversos fatores que fomentam e promovem o surgimento do extremismo violento na região.
A priori, pode-se citar a influência da mídia social na organização de ataques, recrutamento e interação de membros de grupos como o próprio Estado Islâmico através de mensagens criptografadas, muitas das quais foram descobertas pela polícia malaia.75 O uso de redes sociais na Malásia se aplica no intuito de propagar vídeos, mensagens e opiniões radicais.
Além disso, combatentes terroristas estrangeiros se abrigam no país, incluindo também malaios que receberam treinamento por grupos como o ISIS no exterior, por exemplo, nas Filipinas e Iraque, e retornaram ao país.
Extremistas estrangeiros que entram no país sem haver qualquer descendência malaia também marcam presença na região, por exemplo, o grupo terrorista do Iémen que empreendeu a criação de um centro de ensino na Malásia para disseminar ideais radicais na região. Em setembro de 2008, oito homens ligados à instituição foram detidos.76
Outro fator notável dentro do país é o aumento da radicalização entre mulheres, que passaram a realizar ataques de maneira independente, bem como de jovens universitários.77
Os malaios atuam no sul da Tailândia, no âmbito de principal grupo insurgente
da região, o Barisan Revolusi Nasional Melayu Patani (BRN). Nos anos 90, a BRN construiu uma rede clandestina nas províncias mais meridionais antes de lançar uma série de ataques no início dos anos 2000, marcando uma nova fase da insurgência.78
Apesar de todo o sudeste asiático estar submetido às interferências de grandes grupos como o Estado Islâmico, tendo agentes extremistas em diversos países, vale salientar que o movimento da BRN, baseado em uma narrativa malaia-nacionalista de resistência ao colonialismo tailandês e uma luta pela autodeterminação, é diferente do jihadismo. Bangkok evitou políticas anti-assimilacionistas desde os anos 1980, mas o BRN continua se aproveitando do descontentamento com uma rígida ênfase na identidade nacional tailandesa, controle político centralizado e uma percepção de status de segunda classe entre os muçulmanos malaios. É difícil avaliar o apoio popular ao grupo, mas a capacidade dos insurgentes de sustentar as operações por treze anos diante das contramedidas é revelador79.
As frentes militantes de Patani reconhecem que a afiliação com o ISIS ou a AL-Qaeda seria prejudicial, até autodestrutiva, e custaria ao movimento o acesso a seu porto seguro no norte da Malásia, que dificilmente tolerará atividades do ISIS ou da Al-Qaeda dentro de suas fronteiras80. No entanto, há uma preocupação recorrente de que um ambiente favorável ao extremismo muçulmano poderia surgir na Malásia, visto as atitudes polêmicas do partido United Malays National Organisation (Organização Nacional da Malásia Unida) politizando o discurso religioso para tentar cercar a oposição do Parti- Islam se-Malasya (Partido Islâmico Malaio)81.
Em geral, o ambiente terrorista na Malásia se mostra administrável por enquanto. Os malaios muçulmanos no sul da Tailândia não apresentam indicação de poderem se expandir ao país inteiro. Demagogias e radicais estrangeiros falham em se estabelecer na região. O Ministério de Assuntos Exteriores do Centro Regional do Sudeste Asiático para Contra- Terrorismo (SEARCCT no inglês) também têm se esforçado em criar
políticas que respeitem os direitos humanos, o que sinaliza uma melhora na situação.82
O governo tailandês tem indicado que se tornou mais apreciativo a uma abordagem leve e baseada em diálogo em relação ao conflito no sul. Como a Malásia está internamente ligada a seu vizinho, o sucesso da questão do extremismo violento à longo prazo depende dos tailandeses abordarem as fraquezas de suas forças de segurança e genuinamente empoderar muçulmanos malaios locais e garantir que estão adequadamente equipados para guiarem seu próprio futuro em diversas áreas83.
Funeral de soldados mortos em combate com o Abu Sayyaf. Autor: Robinson Ninal 84
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onclusãoCom relação ao extremismo nos países do sudeste da Ásia selecionados verifica-se que a Malásia é afetada por grupos extremistas famosos como o Estado Islâmico, que se aproveitam de fatores favoráveis à sua atuação e influência, como a radicalização de mulheres e universitários, e o movimento de terroristas do próprio país e estrangeiros. Na Tailândia, diversas evidências levaram a crer que o Estado necessita olhar com atenção a questão e sob os grupos paramilitares que já demonstraram algum interesse de iniciar uma campanha terrorista previamente. Por outro lado, de forma majoritária, a população tailandesa parece não ter uma integração com conteúdo ou influências que a leve a se filiar a grupos terroristas. Há um fator histórico-cultural que detêm ideais contra a leitura da jihad de forma extremista. A Indonésia provou ser um dos principais focos de radicalização e extremismo do sudeste asiático recentemente, demonstrando uma revitalização das tendências violentas de grande impacto que ocorreram no país no início dos anos 2000. Todavia, uma característica doméstica que destoa dos
demais países da região é o contingente muçulmano como parcela majoritária da população. Com efeito, o problema da violência no país vem da radicalização de parte dessa população sob os pilares da intolerância e sectarismo religioso, bem como do reacionarismo ao sistema democrático. Isso leva à necessidade de medidas mais estruturais que atuem sobre o problema da violência endêmica no país. Finalmente, nas Filipinas, conflitos internos aumentaram exponencialmente com o surgimento de grupos revolucionários, sendo o país com maior número de grupos ligados ao Estado Islâmico do sudeste asiático. A falta de qualidade de vida e estagnação econômica nas regiões mais pobres, além do conflito interno entre a maioria católica e a minoria muçulmana, permitiram o enraizamento de células consideradas terroristas dentro do país. O Estado filipino busca combater e impedir que essas células tenham novamente contato com grupos extremistas internacionais, para diminuir ou até impedir que atentados se repitam.
Percebe-se que o terrorismo no sudeste asiático, dentro de suas singularidades, surgiu devido às nações recém independentes, que possuem problemas de estruturação e a frágil coabitação entre as maiorias e minorias, e a uma onda recessionista que surgiu a partir do período da Guerra Fria. Ademais, a força da modernização e influência política do Islã, somada à abundância de meios financeiros advindos do Oriente Médio e o vertiginoso processo de aculturação que sofreram as denominadas minorias étnicas e culturais pela globalização, foram fontes de estímulo na busca pelo reconhecimento da autodeterminação dessas identidades. Assim, nota-se um extremismo advindo de questões políticas preponderante ao terrorismo e seu cunho de religiosidade extremada.
Apesar de ainda não apresentarem fortes atos violentos, o sudeste asiático vem sendo assistido com preocupação pelos demais órgãos do sistema internacional.
1 Discentes do Curso de Relações Internacionais da UNESP – Campus de Marília/SP e membros do
Observatório de Conflitos Internacionais (OCI).
2 Disponível em: https://www.google.com/
url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fcommons.wikimedia.org%2Fwiki%
2FFile%3AMap_of_Southeast_Asia(pt).png&psig=AOvVaw0lj91DlWlQx5 g1ywgAx88t&ust=1600537469370000&source=images&cd=vfe&ved=0C AIQjRxqFwoTCPCohO2g8-sCFQAAAAAdAAAAABAD
3 AGUILAR, Sérgio Luiz Cruz (org.). O Terrorismo e as Relações Internacionais. In: SALA, José Blanes; GASPAROTO, Ana Lúcia (org.).
Relações Internacionais: polaridades e novos/velhos temas emergentes.
Marília: Oficina Universitária, 2010, p. 93.
4 Idem, p. 97.
5 CRENSHAW, Martha. Terrorism, Strategies, and Grand Strategies. In CRONIN, Audry Kurth; LUDES, James M. (Eds.), Attacking Terrorism:
Elements of a Grand Strategy. Washington: Georgetown University Press, p.
74-93.
6 GONÇALVES, Arnaldo M. Terrorismo e Islamismo no Sudeste Asiático. Revista Segurança e Defesa, Portugal 2010. p. 53. Disponível em SSRN: https://ssrn.com/abstract=1734144. Acesso em: Acesso em: 1 ago.
2020.
7 GONÇALVES, loc. cit.
8 Idem, p. 54.
9 SEDGWICK, Mark. The Concept of Radicalization as a Source of Confusion. Terrorism and Political Violence, v. 22, n. 4, 8 set. 2010, p. 479.
10 RADICALISM. In: Cambridge Dictionary Online. Cambridge:
Cambridge University Press, 2020. Disponível em: http://dictionary.
cambridge.org, tradução nossa. Acesso em: 17 setembro 2020.
11 RADICAL. In: FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio:
o dicionário da língua portuguesa. 8a ed. Curitiba: Positivo, 2010.
12 SEDGWICK, 2010, op. cit, p. 479.
13 EXTREMISM. In: Cambridge Dictionary Online, op cit.
14 EXTREMISMO. In: FERREIRA, op. cit.
15 CRAGIN, R. Kim. Resisting Violent Extremism: a conceptual model for non-radicalization. Terrorism and Political Violence, v. 26, n. 2, 7 dez. 2013, p. 337-353. http://dx.doi.org/10.1080/09546553.2012.714820
16 Denominação que predominou durante o governo Bush (2001 - 2009).
17 AMBINDER, Marc. The New Term for the War on Terrorism. The Atlantic, 20 mai. 2010. Disponível em: http://www.theatlantic.com/
politics/archive/2010/05/the-new-term-for-the-war-on-terror/56969/.
Acesso em: 10 agosto 2020.
18 Idem, tradução nossa.
19 ASSOCIATION OF SOUTH-EAST ASIAN NATIONS. ASEAN Convention on counter terrorism. 2007. Disponível em: https://asean.org/
wp-content/uploads/2012/05/ACCT.pdf. Acesso em: 10 ago. 2020.
20 WIBISONO, Susilo; LOUIS, Winnifred R.; JETTEN, Jolanda. A Multidimensional Analysis of Religious Extremism. Frontiers in Psychology, v. 10, ed. 1, 18 novembro 2019, p.10. Disponível em: https://www.
frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2019.02560/full. Acesso em: 1 de mai. 2020.
21 CHALK, Peter; RABASA, Angel; ROSENAU, William; PIGGOTT, Leanne. The Evolving Terrorist Threat to Southeast Asia. RAND Corporation Monographs, 1 jan. 2009, p. 1. Disponível em: https://www.rand.org/pubs/
monographs/MG846.html. Acesso em: 28 jun. 2020.
22 GONÇALVES, op. cit., p. 57.
23 Idem, p. 2.
24 GERSHMAN, John. Is Southeast Asia the Second Front?
Foreign Affairs, v. 81, n. 4, jun./ago 2002, p. 63 DOI: http://dx.doi.
org/10.2307/20033240. Disponível em: https://www.jstor.org/
stable/20033240?origin=crossref. Acesso em: 11 ago. 2020.
25 ALVES, Rafael Queiroz; APARECIDO, Julia Mori; PONTÉ, João Victor. Os conflitos na região da Caxemira. Série Conflitos Internacionais, Marília, v. 6, n. 5, 5 out. 2019. Disponível em: https://www.marilia.unesp.
br/Home/ Extensao/observatoriodeconflitosinternacionais/jornal---v.-6-n.- 5-outubro-de-2019.pdf. Acesso em: 31 jul. 2020.
26 FEALY, Greg. Islamic Radicalism in Indonesia: The Faltering Revival?.
Southeast Asian Affairs, p. 104–121, 2004. Disponível em: https://www.
jstor.org/stable/27913255. Acesso em: 3 maio 2020.
27 Idem.
28 Idem.
29 Fonte: https://search.creativecommons.org/photos/41262de9-e0ab- 42aa-b5cd-450cbf696f4d. Acesso em: 16 ago. 2020.
30 Idem.
31 Idem.
32 Idem.
33 JONES, Sidney. The Ongoing Extremist Threat In Indonesia. Southeast Asian Affairs, 2011, p. 91–104. Disponível em: https://www.jstor.org/
stable/41418639. Acesso em: 16 maio 2020.
34 CHALK et al, 2009, op. cit.
35 Fonte: https://live.staticflickr.com/4041/4645891005_a7e621f573_b.
jpg. Acesso em: 16 ago. 2020.
36 Idem.
37 O grupo Jemaah Islamiyah (JI), em operação desde 1993, foi descrito como extensão operacional do Al- Qaeda no Sudeste Asiático, sendo classificado um grupo terrorista de atuação transnacional pela ONU após os primeiros ataques a bombas em Bali (2002). CHALK et al, 2009, op. cit.
38 FEALY, 2004, op. cit.
39 Idem.
40 MUNASINGHE, Sandun. et al. Global Extremism Monitor: Islamist Violence after ISIS. Tony Blair Institute for Global Change, jan. 2020.
Disponível em: https://institute.global/policy/global-extremism-monitor- islamist-violence-after-isis. Acesso em: 4 maio 2020.
41 Idem.
42 Fonte: https://search.creativecommons.org/photos/03f85768-ebda- 4bb5-9780-6d7cbcbea133. Acesso em: 16 ago. 2020.
43WIBISONO et al, 2019, op. cit.
44 Idem.
45 CHALK et al, 2009, op.cit.
Idem.
47 Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bali_kuta_blast_
monument_ag1.jpg. Acesso em: 16 ago. 2020.
48 JONES, 2011, op.cit.
49 O intercâmbio de integrantes rebeldes entre Malásia, Indonésia e Filipinas refletem o problema da porosidade das fronteiras.
50 NAHDOHDIN, Muh et al. Southeast Asia: Indonesia, Philippines, Malaysia, Myanmar, Thailand, Singapore. Counter terrorist trends and analyses, v. 11, ed. 1, p. 6-32, jan. 2019.
51 MUNASINGHE, 2020, op. cit.
52 O episódio ocorreu em maio de 2018 com ataques simultâneos de suicidas com bomba em três igrejas católicas, envolvendo uma mulher e crianças pela primeira vez na história do país e deixando um saldo de 20 mortos. MUNASHINGUE, 2020, op. cit.
53 O envolvimento da insurgência interna com o ISIS repercutiu após terroristas nacionais prometerem lealdade ao ex-líder falecido do. Hoje estima-se que 88% dos ataques são de grupos vinculados ao ISIS.
54 Idem.
55 CHALK at al, 2009, p 58.
56 Idem, p 57-63.
57 UNITED STATES DEPARTMENT OF STATE. Philippines 2019 International Religious Freedom Report. International Religious Freedom Report for 2019 , mai. 2020, p. 2-3. Disponível em: https://
www.state.gov/wp-content/uploads/2020/05/PHILIPPINES-2019- INTERNATIONAL-RELIGIOUS-FREEDOM-REPORT.pdf. Acesso em:
22 set. 2020.
58 Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bangsamoro.jpg.
Acesso em: 16 ago. 2020.
59 O povo Moro compreende os 13 grupos etnolinguísticos islamizados de Mindanao, Sulu e Palawan. Junto com o grupo conhecido como Lumad em Mindanao, os Moros são uma população indígena que vivia nas ilhas muito antes do advento do colonialismo espanhol.
60 Decreto n. 6734, de 01 de agosto de 1989. Ato orgânico para a região autônoma no Mindanao Muçulmano. REPUBLIC OF THE PHILIPPINES. H. No. 22929. Manila: Congress of the Philippines S No.
907, 1998.
Série Conflitos Internacionais é editada pelo Observatório de Conflitos Internacionais da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (UNESP) - Campus de Marília – SP
As opiniões, hipóteses e conclusões ou recomendações expressas nesse material são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem as visões do OCI ou da UNESP.
Editor: Prof. Dr. Sérgio L. C. Aguilar Diagramação: Gláucio Rogério de Morais ISSN: 2359-5809
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- As disputas marítimas no mar do sul da China:
antecedentes e ações militares no século XXI V. 6, n. 1 - A agressão militar da Federação Russa na Ucrânia V. 6, n. 2 - Conflitos no continente americano: Haiti, Nicarágua, Venezuela V. 6, n.3
- O Conflito Separatista no Camarões: Anglófonos e Francófonos V. 6, n. 4
- Os conflitos na região da Caxemira V. 6, n. 5 - A agenda da ONU para as crianças-soldado V. 6, n. 6 - O Conflito Sírio: A Retirada das Tropas Estadunidenses e a Investida Turca Contra os Curdos V. 7, n. 1
- Conflito Entre os Estados Unidos e o Irã V. 7, n. 2 - O conflito entre a Etiópia e a Eritréia V. 7, n. 3
sérIe conflItos InternacIonaIsmaIsrecentes:
61 CHALK et al, 2009, op. cit., p. 33-46.
62 Fonte: https://www.google.com/
url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fcommons.wikimedia.org%2Fwiki%2FFile
%3AMilf-emblem.gif&psig=AOvVaw1SGZj-B-1liwiO1MGhnTkL
&ust=1600536894009000&source=images &cd=vfe&ved=0CAIQj RxqFwoTCMDS8Nqe8-sCFQ AAAAAd AAAAABAD. Acesso em: 16 ago.
2020.
63 TRANSITION plan from ARMM to BARMM now in effect. Philippine News Agency. Cotabato City, 19 jun. 2019. Disponível em: https://www.
pna.gov.ph/articles/1072720. Acesso em: 20 jul. 2020.
64 Violent Extremism in the Philippines: A Country Needs Assessment.
In: TSN Report for GCERF. The Stabilisation Network, 2019. Disponível em: https://www.gcerf.org/wp-content/uploads/TSNGCERF-Violent- Extremism-in-the-Philippines-A-Country-Needs-Assessments-April-2019-.
pdf. Acesso em: 20 jul. 2020.
65 Também conhecido como Estado Islâmico de Lanao, é um grupo islâmico radical composto por ex-guerrilheiros da Frente Moro de Libertação Islâmica (MILF) e combatentes estrangeiros liderados por Omar Maute.
66 É um grupo militante baseado nas Filipinas que surgiu em agosto de 2014 quando lançou um vídeo jurando fidelidade ao ISIS. As Forças Armadas das Filipinas, no entanto, caracterizam o grupo como ‘bandidos’
envolvidos em atividades de roubo de gado e extorsão.
67 MARAWI: City destroyed in Philippines’ longest urban war.
INQUIRER, 19 out. 2017. Disponível em: https://newsinfo.inquirer.
net/939202/marawi-war-maute-terrorism-duterte-isnilon-hapilon-is- islamic-state. Acesso em: 20 jun. 2020.
68 ASIAN DEVELOPMENT BANK. The Marawi Relief Effort: $408 Million ADB Support for a City in Need of Rebuilding. 14 dez. 2018.
Disponível em: https://www.adb.org/news/features/marawi-relief-effort- 408-million-adb-support-city-rebuilding#:~:text=The%20government%20 has%20estimated%20it,alone%20may%20last% 2018%20months. Acesso em: 22 ago. 2020.
69 Fonte: https://search.creativecommons.org/photos/804ca276-9ee2- 4750-9a9c-4f484ff41ff6. Acesso em: 16 ago. 2020.
70 TERSIONA, Ben. MNLF in Marawi on standby to fight against Maute.
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71 GUTIERREZ, Pia. Duterte, MILF create ‘peace corridor’ in Marawi.
ABS-CBN News. 31 mai. 2017. Disponível em: https://news.abs-cbn.com/
news/05/31/17/duterte-milf-create-peace-corridor-in-marawi. Acesso em:
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72 ESTADOS UNIDOS. Department Of State. Bureau of
Counterterrorism. Country Reports on Terrorism 2019: Malaysia. Disponível em: https://www.state.gov/reports/country-reports-on-terrorism-2019/
malaysia/. Acesso em: 12 set. 2020.
73 NAHDOHDIN et al, 2019, op. cit.
74 JIHADISM in Southern Thailand: A Phantom Menace. Report 291.
Bruxelas: International Crisis Group, 8 nov. 2017. Disponível em: https://
www.crisisgroup.org/asia/south-east-asia/thailand/291-jihadism-southern- thailand-phantom-menace. Acesso em: 14 abr. 2020.
75 NAHDOHDIN et al, 2019, op. cit.
76 Idem.
77 Idem.
78 Idem.
79 JIHADISM…, 2017, op. cit.
80 Idem.
81 CHALK et al, 2009, op. cit.
82 ESTADOS UNIDOS, 2019, op. cit.
83 NAHDOHDIN et al, 2019, op. cit.
84 Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/
f5/The_15_gallant_soldiers_killed_in_combat_ with_the_Abu_Sayyaf_in_
Sulu_are_given_full_military_honors.jpg. Acesso em: 16 ago. 2020.