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SIC EPIDEMIOLOGIA EPIDEMIOLOGIA VOL. 3

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Academic year: 2022

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Texto

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SI C EP ID EM IO LO GI A EPI DEM IO LO GI A VO L. 3

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Autoria e colaboração

Alex Jones Flores Cassenote

Graduado em Biomedicina pelas Faculdades Integradas de Fernandópolis da Fundação Educacional de Fernan- dópolis (FEF). Mestre e doutorando em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Epidemiologista responsável por diversos projetos de pesquisa na FMUSP e na Universi- dade Federal de São Paulo (UNIFESP). Epidemiologista do Centro de Dados e Pesquisas do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Colabora- dor do Laboratório de Epidemiologia e Estatística (LEE) do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.

Marília Louvison

Graduada em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Especialista em Medicina Preventiva e Social pela UNIFESP. Mestre e doutora em Epidemiologia pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP). Médica da SES/SP - Coordenadora Es- tadual da Área Técnica de Saúde da Pessoa Idosa 2008.

Aline Gil Alves Guilloux

Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre e dou- toranda em Ciências pelo Programa de Epidemiologia Experimental e colaboradora de projetos do Laboratório de Epidemiologia e Bioestatística da Faculdade de Me- dicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP).

Augusto César Ferreira de Moraes

Graduado em Educação Física pelo Centro Universitá- rio de Maringá (CESUMAR). Especialista em Fisiologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mestre em Ciências pelo Programa de Pediatria e doutorando em Ciências pelo Programa de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Nathalia Carvalho de Andrada

Graduada em Medicina pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Especialista em Cardiologia Clínica pela Real e Benemérita Sociedade de Beneficência Portugue- sa de São Paulo. Título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Thaís Minett

Graduada em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Especialista em Clínica Médica e em Neurologia e doutora em Neurologia/Neurociências pela UNIFESP, onde é professora adjunta ao Departa- mento de Medicina Preventiva.

Valéria Troncoso Baltar

Graduada em Estatística pelo Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Universidade de Campinas (UNICAMP). Especialista em Demografia pelo Centro Latino-Americano e Caribenho de Demografia (CELADE). Mestre em Ciências pelo Instituto de Mate- mática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME- -USP). Doutora e pós-doutora em Epidemiologia pela Fa- culdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP). Professora adjunta do Departamento de Epidemiologia e Bioestatística do Instituto de Saúde da Comunidade da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Marina Gemma

Graduada em Obstetrícia pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH- -USP). Mestre em Ciências pela Faculdade de Saúde Pú- blica da Universidade de São Paulo (FSP-USP). Professo- ra assistente junto ao curso de Obstetrícia da EACH-USP.

Assessoria didática

Licia Milena de Oliveira

Atualização 2017

Alex Flores Jones Cassenote

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Apresentação

Os desafios da Medicina a serem vencidos por quem se decide pela área são tantos e tão diversos que é impossível tanto determiná-los quanto mensurá-los. O período de aulas práticas e de horas em plantões de vários blocos é apenas um dos antecedentes do que o estudante virá a enfrentar em pouco tempo, como a maratona da escolha por uma especialização e do ingresso em um programa de Residência Médica reconhecido, o que exigirá dele um preparo intenso, minucioso e objetivo.

Trata-se do contexto em que foi pensada e desenvolvida a Coleção SIC Principais Temas para Provas, cujo material didático, preparado por profis- sionais das mais diversas especialidades médicas, traz capítulos com inte- rações como vídeos e dicas sobre quadros clínicos, diagnósticos, tratamen- tos, temas frequentes em provas e outros destaques. As questões ao final, todas comen tadas, proporcionam a interpretação mais segura possível de cada resposta e reforçam o ideal de oferecer ao candidato uma preparação completa.

Um excelente estudo!

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Índice

Capítulo 1 - Conceitos básicos e defi nições ....15

1. Introdução ...16

2. Defi nições, conceitos básicos e usos ... 17

3. Relação entre Medicina Preventiva e Epidemiologia ...20

4. Relação entre Clínica Médica e Epidemiologia ...22

5. Raciocínio, método e prática ... 24

6. As bases do conhecimento em Epidemiologia 28 7. Conquistas e perspectivas da Epidemiologia ..30

8. Apresentação do material ...30

Resumo ...32

Capítulo 2 - Saúde e doença ...33

1. Introdução ... 34

2. Conceito de “saúde” e “doença” ... 34

3. Os modelos explicativos do processo saúde–doença (MSD) ...35

4. Outros modelos explicativos do processo saúde–doença ...46

Resumo ...47

Capítulo 3 - Medidas de frequência I: morbidade ... 49

1. Introdução ...50

2. Incidência ...50

3. Taxa de ataque ... 54

4. Prevalência ... 54

5. Relação entre prevalência e incidência ... 56

Resumo ... 59

Capítulo 4 - Medidas de frequência II: mortalidade e outros indicadores ...61

1. Introdução ... 62

2. Construção de indicadores ... 63

3. Principais indicadores de saúde ... 66

Resumo ... 82

Capítulo 5 - Dinâmica de transmissão e distribuição de doenças ... 85

1. Introdução ...86

2. Modo de transmissão de doenças ...88

3. Distribuição temporal...90

4. Tendência histórica ou secular ...91

5. Variações cíclicas ... 92

6. Variações sazonais ... 92

7. Variações irregulares ...93

Resumo ... 103

Capítulo 6 - Vigilância em saúde com ênfase em vigilância epidemiológica ... 105

1. Introdução ...106

2. Componentes e ações da vigilância em saúde ...106

3. Vigilância Epidemiológica ...109

4. Doenças de notifi cação compulsória ...116

5. Vigilância epidemiológica de agravos não transmissíveis ...124

Resumo ...126

Capítulo 7 - Transição epidemiológica, demográfi ca e nutricional ...129

1. Introdução ... 130

2. Transição demográfi ca ... 130

3. Transição epidemiológica ...135

4. Transição nutricional ...139

Resumo ...140 Questões:

Organizamos, por capítulo, questões de instituições de todo o Brasil.

Anote:

O quadrinho ajuda na lembrança futura sobre o domínio do assunto e a possível necessidade de retorno ao tema.

Questões

Cirurgia do Trauma

Atendimento inicial ao politraumatizado 2015 - FMUSP-RP

1. Um homem de 22 anos, vítima de queda de moto em ro- dovia há 30 minutos, com trauma de crânio evidente, tra- zido pelo SAMU, chega à sala de trauma de um hospital terciário com intubação traqueal pelo rebaixamento do nível de consciência. A equipe de atendimento pré-hos- pitalar informou que o paciente apresentava sinais de choque hipovolêmico e infundiu 1L de solução cristaloide até a chegada ao hospital. Exame físico: SatO2 = 95%, FC = 140bpm, PA = 80x60mmHg e ECG = 3. Exames de imagem:

raio x de tórax e bacia sem alterações. A ultrassonografia FAST revela grande quantidade de líquido abdominal. A melhor forma de tratar o choque desse paciente é:

a) infundir mais 1L de cristaloide, realizar hipotensão permissiva, iniciar transfusão de papa de hemácias e en- caminhar para laparotomia

b) infundir mais 3L de cristaloide, aguardar exames labo- ratoriais para iniciar transfusão de papa de hemácias e encaminhar para laparotomia

c) infundir mais 3L de cristaloide, realizar hipotensão permissiva, iniciar transfusão de papa de hemácias e plasma fresco congelado e encaminhar para laparotomia d) infundir mais 1L de cristaloide, iniciar transfusão de papa de hemácias e plasma fresco congelado e encami- nhar o paciente para laparotomia

Tenho domínio do assunto Refazer essa questão Reler o comentário Encontrei dificuldade para responder 2015 - SES-RJ

2. Para avaliar inicialmente um paciente com traumatis- mo cranioencefálico, um residente utilizou a escala de Glasgow, que leva em conta:

a) resposta verbal, reflexo cutâneo-plantar e resposta motora

b) reflexos pupilares, resposta verbal e reflexos profundos c) abertura ocular, reflexos pupilares e reflexos profundos d) abertura ocular, resposta verbal e resposta motora

Tenho domínio do assunto Refazer essa questão Reler o comentário Encontrei dificuldade para responder 2015 - UFES

3. A 1ª conduta a ser tomada em um paciente politrau- matizado inconsciente é:

a) verificar as pupilas b) verificar a pressão arterial c) puncionar veia calibrosa d) assegurar boa via aérea e) realizar traqueostomia

Tenho domínio do assunto Refazer essa questão Reler o comentário Encontrei dificuldade para responder 2015 - UFG

4. Um homem de 56 anos é internado no serviço de emergência após sofrer queda de uma escada. Ele está inconsciente, apresenta fluido sanguinolento não coa- gulado no canal auditivo direito, além de retração e movimentos inespecíficos aos estímulos dolorosos, está com os olhos fechados, abrindo-os em resposta à dor, e produz sons ininteligíveis. As pupilas estão isocóricas e fotorreagentes. Sua pontuação na escala de coma de Glasgow é:

a) 6 b) 7 c) 8d) 9

Tenho domínio do assunto Refazer essa questão Reler o comentário Encontrei dificuldade para responder 2015 - UFCG

5. Um homem de 20 anos foi retirado do carro em cha- mas. Apresenta queimaduras de 3º grau no tórax e em toda a face. A 1ª medida a ser tomada pelo profissional de saúde que o atende deve ser:

a) aplicar morfina b) promover uma boa hidratação c) perguntar o nome d) lavar a face e) colocar colar cervical

Tenho domínio do assunto Refazer essa questão Reler o comentário Encontrei dificuldade para responder 2014 - HSPE

6. Um pediatra está de plantão no SAMU e é acionado para o atendimento de um acidente automobilístico.

Ao chegar ao local do acidente, encontra uma criança de 5 anos próxima a uma bicicleta, sem capacete, dei- tada no asfalto e com ferimento cortocontuso extenso no crânio, após choque frontal com um carro. A criança está com respiração irregular e ECG (Escala de Coma de Glasgow) de 7. O pediatra decide estabilizar a via aérea

Cirurgia do Trauma Questões

Comentários:

Além do gabarito oficial divulgado pela instituição, nosso corpo docente comenta cada questão. Não hesite em retornar ao conteúdo caso se sinta inseguro. Pelo contrário: se achá-lo relevante, leia atentamente o capítulo e reforce o entendimento nas dicas e nos ícones.

Comentários

Cirurgia do Trauma

Atendimento inicial ao politraumatizado Questão 1. Trata-se de paciente politraumatizado, ins- tável hemodinamicamente, com evidência de hemope- ritônio pelo FAST. Tem indicação de laparotomia explo- radora, sendo que a expansão hemodinâmica pode ser otimizada enquanto segue para o centro cirúrgico.

Gabarito = D

Questão 2. A escala de coma de Glasgow leva em con- ta a melhor resposta do paciente diante da avaliação da resposta ocular, verbal e motora. Ainda que a avaliação do reflexo pupilar seja preconizada na avaliação inicial do politraumatizado, ela não faz parte da escala de Glasgow.

Gabarito = D

Questão 3. A 1ª conduta no politraumatizado com rebai- xamento do nível de consciência é garantir uma via aérea definitiva, mantendo a proteção da coluna cervical.

Gabarito = D

Questão 4. A pontuação pela escala de coma de Glasgow está resumida a seguir:

Abertura ocular (O)

Espontânea 4

Ao estímulo verbal 3 Ao estímulo doloroso 2

Sem resposta 1

Melhor resposta verbal (V)

Orientado 5

Confuso 4

Palavras inapropriadas 3 Sons incompreensíveis 2

Sem resposta 1

Melhor resposta motora (M)

Obediência a comandos 6 Localização da dor 5 Flexão normal (retirada) 4 Flexão anormal (decor-

ticação) 3

Extensão (descerebração) 2 Sem resposta (flacidez) 1 Logo, o paciente apresenta ocular 2 + verbal 2 + motor 4 = 8.

Gabarito = C

Questão 5. O paciente tem grande risco de lesão térmica de vias aéreas. A avaliação da perviedade, perguntando- se o nome, por exemplo, é a 1ª medida a ser tomada. Em caso de qualquer evidência de lesão, a intubação orotra- queal deve ser precoce.

Gabarito = C

Questão 6. O tiopental é uma opção interessante, pois é um tiobarbitúrico de ação ultracurta. Deprime o sistema nervoso central e leva a hipnose, mas não a analgesia. É usado para proteção cerebral, pois diminui o fluxo sanguí- neo cerebral, o ritmo metabólico cerebral e a pressão in- tracraniana, o que é benéfico para o paciente nesse caso.

Gabarito = A

Questão 7. Seguindo as condutas preconizadas pelo ATLS®, a melhor sequência seria:

A: via aérea definitiva com intubação orotraqueal, man- tendo proteção à coluna cervical.

B: suporte de O2 e raio x de tórax na sala de emergência.

C: garantir 2 acessos venosos periféricos, continuar a infusão de cristaloides aquecidos e solicitar hemoderi- vados. FAST ou lavado peritoneal caso o raio x de tórax esteja normal.

D: garantir via aérea adequada e manter a oxigenação e a pressão arterial.

E: manter o paciente aquecido.

Logo, a melhor alternativa é a “c”.

Gabarito = C

Questão 8. O chamado damage control resuscitation, que deve ser incorporado na próxima atualização do ATLS®, está descrito na alternativa “a”. Consiste na contenção precoce do sangramento, em uma reposição menos agressiva de cristaloide, mantendo certo grau de hipo- tensão (desde que não haja trauma cranioencefálico as- sociado), e no uso de medicações como o ácido tranexâ- mico ou o aminocaproico.

Gabarito = A

Questão 9. O tratamento inicial de todo paciente poli- traumatizado deve sempre seguir a ordem de priorida- des proposta pelo ATLS®. A 1ª medida deve ser sempre garantir uma via aérea pérvia com proteção da coluna cervical. Nesse caso, a fratura de face provavelmente in- viabiliza uma via aérea não cirúrgica, e o paciente é can- didato a cricotireoidostomia. Após essa medida, e garan-

Cirurgia do Trauma Comentários

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Conceitos básicos e defi nições

Marília Louvison Thaís Minett

Neste capítulo inicial sobre Epidemiologia, vamos abor- dar as defi nições principais da disciplina, bem como sua relação e interação com os diversos assuntos das áreas da Saúde e sua importância no contexto da saúde coletiva, nos processos saúde–doença e na educação

médica.

1

Alex Jones F. Cassenote

Marina Gemma

(6)

sicepidemiologia

16

1. Introdução

A Epidemiologia agrega variadas linhas de conhecimento, que serão discutidas a seguir e que emergiram fortemente a partir do século XVII.

Naomar de Almeida Filho, epidemiologista brasileiro de destaque in- ternacional, explica que o século em questão foi inovador nos senti- dos político e social, pois a necessidade de “calcular” a população passa a ser fundamental para o Estado (por questões políticas e questões militares). Nesse contexto, surgem linhas como a “aritmética política”

de William Petty (1623-1697) e a “estatística médica” de John Graunt (1620-1674) (ALMEIDA FILHO, 1986).

John Graunt foi o primeiro a quantificar os padrões de natalidade e mor- talidade e a ocorrência de doenças, identificando características impor- tantes, entre elas: existência de diferenças entre os sexos e na distribuição urbano-rural, elevada mortalidade infantil e variações sazonais existen- tes. Foi ele o responsável pelas primeiras estimativas de população e a elaboração de uma tábua de mortalidade, também conhecida como tábua de vida (procedimento para estimar expectativa de vida da população).

O trabalho que marcou não somente o início formal da Epidemiologia, como também uma das mais espetaculares conquistas, foi a desco- berta, por John Snow, de que o risco de contrair cólera estava rela- cionado ao consumo de água de uma fonte específica (BEAGLEHOLE;

BONITA; KJELLSTRÖM, 2010). Snow marcou a moradia de cada pessoa que morreu de cólera em Londres entre 1848 e 1849 e 1853 e 1854, ana- lisando a relação entre a distância das fontes de água e a ocorrência de óbitos (Figura 1). Foi com base nessa investigação que o médico cons- truiu uma teoria sobre a transmissão das doenças infecciosas, suge- rindo que a cólera era disseminada por meio da água contaminada, fato que antecede a descoberta do Vibrio cholerae e evidencia que, desde 1850, os estudos epidemiológicos têm indicado as medidas apropriadas de saúde pública a serem adotadas.

Figura 1 - Mapa de John Snow, que demarca as residências com óbitos por cólera em Londres, no ano de 1854; os pontos azuis indicam bombas d’água, e os vermelhos, residências com morte por cólera. Note os pontos vermelhos agrupados no entorno de uma bomba específica

Fonte: http://donboyes.com/2011/10/14/john-snow-and-serendipity/; com modificações.

(7)

Dinâmica de transmissão e distribuição de doenças

Alex Jones F. Cassenote Marina Gemma

Neste capítulo, sobre dinâmica de transmissão, serão abordados temas que incluem a relação entre o ser humano, o ambiente onde ele vive e um agente infec- cioso que transita entre eles. Entender como essas relações funcionam é fundamental para entender a cadeia de causalidade e a forma como ocorrem determi- nadas doenças nas populações e com que periodicidade

acontecem.

5

(8)

sicepidemiologia

86

1. Introdução

As doenças humanas provenientes da relação entre hospedeiro (pes- soa), agente (bactéria, vírus ou outro agente) e meio ambiente (alimen- tos ou água contaminados) resultam de uma interação entre fatores biológicos e ambientais, com o equilíbrio exato variando conforme as diferentes doenças (embora algumas sejam de origens amplamente ge- néticas). Muitos dos princípios subjacentes que fundamentam a trans- missão das doenças são mais claramente demonstrados utilizando doenças transmissíveis como modelo. Contudo, os conceitos discutidos podem ser extrapolados para doenças não infecciosas ou mesmo a ou- tros agravos à saúde (GORDIS, 2010).

Dica

As doenças são descritas como resultado de uma tríade epidemiológica, ou seja, são um produto de interação de um hospe- deiro humano, um agente infeccioso (ou de outro tipo) e um ambiente que promova a exposição.

Vetores, como mosquitos e carrapatos, são frequentemente envolvi- dos. Para tal interação ocorrer, o hospedeiro deve estar suscetível. A suscetibilidade humana é determinada por uma infinidade de fatores, incluindo antecedentes genéticos e fatores nutricionais e imunológicos.

O estado imunológico de um indivíduo é determinado por muitos fato- res, incluindo contato prévio com o agente, por infecção natural ou por imunização.

Os fatores que podem levar ao desenvolvimento de doenças são bio- lógicos, físicos e químicos, bem como outros tipos, como estresse, que pode ser mais difícil de classificar (Tabela 1). Poder-se-ia pensar na agregação desses fatores em, pelo menos, 3 grandes grupos de doen- ças/agravos à saúde: doenças infecciosas e parasitárias, doenças crôni- cas não transmissíveis e causas externas de morbidade e mortalidade.

Todas elas poderiam ser consideradas, de algum modo, dentro do mo- delo clássico da tríade epidemiológica.

Uma doença transmissível (ou infecciosa) é aquela causada pela trans- missão de um agente patogênico específico para um hospedeiro sus- cetível. Agentes infecciosos podem ser transmitidos para humanos:

diretamente – de outros humanos ou animais infectados – e indireta- mente – por meio de vetores biológicos ou físicos, partículas aéreas ou outros veículos (BEAGLEHOLE; BONITA; KJELLSTRÖM, 2010).

Figura 1 - Tríade epidemiológica das doenças Fonte: GORDIS, 2010; com modificações.

Tabela 1 - Fatores associados ao aumento de risco de doença nos seres humanos

Características do hospedeiro - Idade;

- Sexo;

- Raça e/ou etnia;

- Religião;

- Costumes;

- Ocupação;

- Perfil genético;

- Estado civil;

- Antecedentes familiares;

- Doenças anteriores;

- Estado imunológico.

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SI C Q UE ST ÕE S E C OM EN TÁ RIOS EP ID EM IO LO GI A VO L. 3 - RE VA LID A

(10)

QUESTÕES

Cap. 1 - Conceitos básicos e defi nições ...147 Cap. 2 - Saúde e doença ...149 Cap. 3 - Medidas de frequência I: morbidade ...150 Cap. 4 - Medidas de frequência II: mortalidade e

outros indicadores ...153 Cap. 5 - Dinâmica de transmissão e distribuição

de doenças... 155 Cap. 6 - Vigilância em saúde com ênfase em

vigilância epidemiológica ...156 Cap. 7 - Transição epidemiológica, demográfi ca e

nutricional...158

COMENTÁRIOS

Cap. 1 - Conceitos básicos e defi nições ...161 Cap. 2 - Saúde e doença ...163 Cap. 3 - Medidas de frequência I: morbidade ...164 Cap. 4 - Medidas de frequência II: mortalidade e

outros indicadores ...166 Cap. 5 - Dinâmica de transmissão e distribuição

de doenças...168 Cap. 6 - Vigilância em saúde com ênfase em

vigilância epidemiológica ...170 Cap. 7 - Transição epidemiológica, demográfi ca e

nutricional...172

Índice

As questões INEP e UFMT, que compõem a maior parte dos testes utilizados neste volume, foram extraídas de provas de revalidação. Por isso, nos casos de temas ainda não abordados ou pouco explorados nas provas do Revalida, selecionamos questões de Residência Médica como complemento de estudo.

(11)

Ep idem iol og ia Que st õe s

Questões

Epidemiologia

Conceitos básicos e defi nições

2016 - INEP - REVALIDA

1. Como estratégia de enfrentamento ao grande núme- ro de casos de acidente vascular encefálico nos idosos moradores de uma determinada área de abrangência da Estratégia de Saúde da Família, propõe-se um projeto de intervenção coletiva centrado na prevenção primá- ria de tal adoecimento. Das ações específi cas listadas a seguir, aquela que deve ser priorizada nesse projeto de prevenção primária é:

a) buscar um controle efetivo da hipertensão arterial sistêmica nos pacientes idosos da região, sendo alvos do tratamento anti-hipertensivo os níveis tensionais inferiores ou iguais a 120x80mmHg

b) realizar palestras e outras atividades educativas, com destaque para a adesão a um plano dietético mais saudável, pobre em sal e rico em verduras, legumes e frutas, bem como para o combate ao sedentarismo e ao tabagismo

c) realizar rastreamento primário na população idosa local por meio de ultrassonografi a com Doppler de artérias carótidas e vertebrais, com o objetivo de avaliar a ocorrência de placas ateroscleróticas clinica- mente silenciosas

d) prescrever anticoagulação crônica adequada, asso- ciada a controle laboratorial de acordo com o fármaco utilizado, para portadores de fi brilação atrial crônica cuja pontuação no escore CHADS2 seja igual ou supe- rior a 2 pontos

Tenho domínio do assunto Refazer essa questão

Reler o comentário Encontrei difi culdade para responder

2015 - INEP - REVALIDA

2. Em uma cidade ocorrem vários casos de uma doença de notifi cação compulsória, sufi cientes para ultrapassar o limite endêmico superior em determinado período. A equipe da Vigilância Epidemiológica, após realizar in- vestigação, elaborou o gráfi co ilustrado a seguir, que considera a distribuição de número de casos (eixo ver- tical) e o máximo de incubação dessa doença (linha mais espessa, abaixo do eixo horizontal).

Com base nos dados apresentados, como deveria ser ca- racterizada essa epidemia?

a) exposição maciça, de fonte comum e prolongada b) exposição maciça, de fonte comum, curta duração ou

explosiva

c) exposição múltipla, epidemia progressiva ou pro- pagada

d) exposição maciça, de fonte múltipla, seguida de casos secundários

Tenho domínio do assunto Refazer essa questão

Reler o comentário Encontrei difi culdade para responder

2015 - INEP - REVALIDA

3. Na enfermaria de um quartel militar, constatou-se um aumento súbito e importante de casos de afecções en- téricas. Foram identifi cados 180 indivíduos adultos, do sexo masculino, que apresentaram, às 14 horas (media- na de tempo de início dos sintomas) do dia 13 de janeiro de 2015, quadro de diarreia frequente e não volumosa, contendo pus ou sangue, dores abdominais intensas e febre. Não foram detectados casos de maior gravidade.

Todos os doentes haviam participado de um jantar come- morativo ocorrido no quartel no dia anterior. Estavam presentes no jantar 220 pessoas. Após a investigação, o fato foi considerado surto de doença diarreica aguda por transmissão alimentar. Duas possíveis fontes de infecção foram identifi cadas, conforme a Tabela a seguir:

Número total de indivíduos adultos, do sexo masculino, que participaram do jantar comemorativo no quartel, no dia 13 de janeiro de 2015

Comeram ovos Não comeram ovos

Doentes Sadios Total Doentes Sadios Total

Não comeram

frango 90 10 100 4 6 10

Comeram

frango 83 17 100 3 7 10

Analisando os dados do surto epidêmico e a Tabela, é correto concluir que:

a) a ingestão de frango associada à de ovos diminui a probabilidade de adoecimento durante o surto epidê- mico avaliado

b) o ovo pode ser apontado como o alimento com maior probabilidade de ser a fonte de contaminação do sur- to epidêmico descrito

c) a ingestão de frango associada à de ovos aumentou a probabilidade de adoecimento durante o surto epidê- mico avaliado

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Comentários

Epidemiologia

Conceitos básicos e defi nições

Questão 1. Para a questão, é necessário saber que as me- didas de prevenção primária podem ser específi cas (me- didas de proteção específi ca à saúde) e inespecífi cas (me- didas de promoção à saúde). Analisando as alternativas:

a) Incorreta. O controle efetivo da hipertensão arterial sistêmica, principal fator de risco para o acidente vascu- lar cerebral, realmente poderia ser uma medida de pro- teção contra esse acidente. No entanto, o tratamento anti-hipertensivo é destinado a níveis tensionais eleva- dos, não menores ou iguais a 120x80mmHg.

b) Incorreta. Palestras e atividades educativas, que dis- cutam a adoção de hábitos de vida saudáveis, enqua- dram-se como medidas inespecífi cas de prevenção pri- mária.

c) Incorreta. Medidas de rastreamento são exemplos de ações voltadas para o diagnóstico e tratamento preco- ces, ou seja, para a prevenção secundária.

d) Correta. Trata-se de uma medida específi ca, voltada para a proteção deste problema de saúde. A relação de causa e efeito entre fi brilação atrial e acidente cerebro- vascular é estreita, e as evidências científi cas apontam para a efi cácia da anticoagulação na prevenção de aci- dente vascular encefálico em pacientes com fi brilação.

Gabarito = D

Questão 2. Analisando as alternativas:

a) Incorreta. A alternativa está incorreta somente em relação ao período de tempo em que os suscetíveis ti- veram acesso à fonte de contaminação, pois, de acordo com a representação gráfi ca, não se trata de uma fonte persistente, haja vista a rápida diminuição do número de casos.

b) Correta. Na perspectiva epidemiológica, qualquer agravo à saúde deve ser descrito em função das circuns- tâncias em que ocorrem nas coletividades, ou seja, em função de variáveis relacionadas a tempo, pessoa e lu- gar. As variações na ocorrência das doenças ao longo do tempo podem ser classifi cadas como cíclicas, sazonais, de tendência secular, endemias e epidemias. As epide- mias se caracterizam pelo aumento, signifi cativo e ines- perado, do número de casos da doença para além do limite endêmico esperado, comparado às incidências de períodos anteriores. Em geral, quando a epidemia aco- mete um elevado número de pessoas de uma vez, trata- -se de uma epidemia por fonte comum. Ou seja, todos

os suscetíveis têm acesso direto a uma única fonte de contaminação, podendo ser por curto espaço de tempo (fonte pontual), como no caso deste exercício, ou por es- paço de tempo mais longo (fonte persistente).

c) Incorreta. A epidemia não se propaga, o que seria ca- racterizado por novos picos de aumento do número de casos no Gráfi co. Igualmente, como elucidado, quando a epidemia acomete um elevado número de pessoas de uma vez, trata-se de uma epidemia por fonte comum.

d) Incorreta. A epidemia não é de fonte múltipla nem se- guida de casos secundários, devido aos aspectos já men- cionados nas alternativas anteriores.

Gabarito = B

Questão 3. Analisando as alternativas:

a) Incorreta. A ingestão de ovo e frango teve a 2ª maior taxa de ataque, não diminuindo a probabilidade de adoe- cimento.

b) Correta. Para a investigação de surtos epidêmicos entre populações bem defi nidas, uma medida bastante utilizada é a taxa de ataque, defi nida como o número de casos da doença em função do número total de pessoas expostas ao risco – sempre expressa em porcentagem.

Em geral, o tempo não é explícito, pois se sabe quan- to tempo depois da exposição a maioria dos casos se desenvolveu, não sendo muito diferente para cada um dos expostos. A taxa de ataque para cada tipo de refei- ção foi: somente ovo 90%, ovo e frango 83%, somente frango 30% e nem ovo ou frango 40%. A maior taxa de ataque é a da refeição somente com ovos. Além disso, quanto maior é a diferença entre a taxa de ataque das pessoas que comeram e não comeram determinado alimento, maior é a desconfi ança de que a diferença positiva esteja associada ao consumo do alimento es- pecífi co. Se realizarmos esses cálculos com as pessoas que comeram e não comeram ovos, perceberemos uma diferença considerável, o que aumenta a força da asso- ciação entre o surto de afecções entéricas e o consumo de ovos.

c) Incorreta. A ingestão de ovo e frango teve a 2ª maior taxa de ataque.

d) Incorreta. A ingestão somente de frango teve uma baixa taxa de ataque, o que não torna esse alimento a provável fonte de contaminação.

Gabarito = B

Questão 4. Analisando as alternativas:

a) Incorreta. Somente as assertivas II e V são verdadei- ras, conforme os aspectos mencionados a seguir.

Ep idem iol og ia C om ent ár io s

Referências

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