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Crescimento e transformações estruturais da agropecuária

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(1)

CRESCIMENTO E TRANSFORMAÇÕES ESTRUTURAIS DA AGROPECUÁRIA CEARENSE

(2)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

DEPARTAMENTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA

CRESCIMENTO E TRANSFORMAÇÕES ESTRUTURAIS DA AGROPECUÁRIA CEARENSE

Monaliza de Oliveira Ferreira

Dissertação submetida à Coordenação do Curso de Pós-Graduação em Economia Rural, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre.

(3)

Esta Dissertação foi submetida à Coordenação do Curso de Mestrado em Economia Rural, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Economia Rural, outorgado pela Universidade Federal do Ceará, e encontra-se à disposição dos interessados na Biblioteca Setorial do Departamento de Economia Agrícola da referida Instituição.

A citação de qualquer trecho dessa Dissertação é permitida, desde que seja feita em conformidade com os princípios da ética científica.

___________________________________ Monaliza de Oliveira Ferreira

DISSERTAÇÃO APROVADA EM 27/2/2003.

______________________________________ Professora Lúcia Maria Ramos Silva, D.L.

Orientadora

______________________________________ Professor Antônio Lisboa Teles da Rosa, Dr.

Co-Orientador

_____________________________________ Professora Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima, Dra.

Membro da Banca Examinadora

(4)
(5)

AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, pelo bom exemplo de vida e demonstrações de carinho constantes, sempre com muita fé em Deus.

Aos meus irmãos, Joel, Mirella e Jardel, e amigos, especialmente à turma do Mestrado, pelo consolo nas horas difíceis e pelas belas gargalhadas.

Aos colegas mais próximos que se tornaram amigos, Sonia, Cida, Eliane, Sandra, Débora, Gabi e Josemar.

À Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP) pelo apoio financeiro, fundamental para a realização deste trabalho.

À Professora orientadora, Lúcia Maria Ramos Silva, por sua incansável dedicação, paciência e esmero para que fosse efetivado, com os melhores resultados, o presente ensaio.

Ao Professor Antônio Lisboa Teles da Rosa, que esteve presente em quase todos os momentos de minha vida acadêmica, na qualidade de professor e orientador na Graduação e, agora, como co-orientador na Dissertação.

À Professora Patrícia Verônica Pinheiro Sales Lima, pela valiosa contribuição e apoio dados para a realização deste estudo.

Ao Dr. Lucas Antônio de Sousa Leite, pelas sugestões, discussões esclarecedoras, paciência e apoio constantes.

A todo o corpo docente com quem cursei disciplinas, muito particularmente à Professora Maria Irles de Oliveira Mayorga, pela compreensão em todas as horas.

A todos os funcionários do Programa de Mestrado, desde os jovens da Secretaria – Mônica, Ricardo e Brian, às meninas da Biblioteca – Rita e Margareth, à dupla dinâmica do Laboratório – Dermivan e Joãozinho, à Conceição e, é claro à mascote da Economia Rural, Dona Valda.

(6)

SUMÁRIO

Página

RELAÇÃO DE QUADROS... ix

RELAÇÃO DE TABEÇA ... x

RELAÇÃO DE FIGURAS ... xii

RELAÇÃO DE FIGURAS DO APÊNDICE ... xiv

RELAÇÃO DE TABELAS DO APÊNDICE ... xv

RELAÇÃO DE TABELAS DO ANEXO ... xvi

RESUMO ... xviii

INTRODUÇÃO ... 01

CAPÍTULO 1 – COMPORTAMENTO DA ECONOMIA CEARENSE . 08 1.1 Origens da Economia Cearense ... 08

1.2 Breve Histórico das Secas no Ceará ... 15

1.3 As Políticas Públicas e a Agricultura Cearense .... 21

1.4 Caracterização Econômica das Mesorregiões .... 27

CAPÍTULO 2 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 35

2.1 Referencial Teórico ... 35

2.2 Métodos de Análise .,... 40

2.3 Definição das Variáveis e Métodos de Análise .... 44

2.4 Área de Estudo ... 48

CAPÍTULO 3 – APROXIMAÇÃO À PRODUTIVIDADE TOTAL: TERRA, TRABALHO E CAPITAL ... 51

3.1 Produtividade da Terra ... 51

(7)

CAPÍTULO 4 – EVOLUÇÃO DA PRODUTIVIDADE TOTAL DOS

FATORES ... 61

4.1 Índice Agregado do Produto ... 61

4.2 Índice Agregado de Fatores ... 63

4.3 Produtividade Total dos Fatores ... 65

CAPÍTULO 5 – AVALIAÇÃO DA ESPECIALIZAÇÃO PRODUTIVA E MUDANÇA ESTRUTURAL ... 71

5.1 Especialização Produtiva ... 71

5.2 Mudança Estrutural ... 77

CONCLUSÕES E SUGESTÕES ... 90

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ... 92

APÊNDICE A – EVOLUÇÃO DAS PRODUTIVIDADES TOTAL E PARCIAIS, 1975-1995 ... 100

APÊNDICE B – PARTICIPAÇÃO DOS CINCO PRINCIPAIS PRODUTOS NO TOTAL DA PRODUÇÃO DOS PRODUTOS SELECIONADOS, POR MESORRE- GIÕES CEARENSES, 1975-1995 ... 105

(8)

Página

ANEXO B – PARTICIPAÇÃO ABOSOLUTA E RELATIVA DO NÚME- RO DE ESTABELECIMENTOS QUE UTILIZAM ASSIS- TÊNCIA TÉCNICA, IRRIGAÇÃO, ADUBOS, E CORRE- TIVOS, CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS, CON- SERVAÇÃO DO SOLO, ENERGIA ELÉTRICA, SEGUN DO AS MESORREGIÕES CEARENSES, 1995/1996 .... 110

ANEXO C – NÚMERO DE ESTABELECIMENTOS POR CONDIÇÕES DO PRODUTOR, UTILIZAÇÃO DAS TERRAS, PESSOAL OCUPADO, NÚMERO DE TRATORES E EFETIVOS DA

PECUÁRIA, POR MESORREGIÕES CEARENSES, 1995/

96 ... 112

ANEXO D – POPULAÇÃO TOTAL E DO SETOR RURAL, POR MESO-

REGIÕES CEARENSES ... 114

ANEXO E – FREQÜÊNCIA ABSOLUTA E RELATIVA DO GRUPO

DE ATIVIDADE ECONÔMICA RURAL, POR MESO-

(9)

RELAÇÃO DE QUADROS

QUADRO Página

1 Produtos utilizados no Cálculo do Índice do Produto ... 46

2 Fatores de Produção usados no Cálculo do Índice de

(10)

RELAÇÃO DE TABELAS

TABELA Página

1 Índices de Produtividade da Terra para o Estado do Ceará

e as Mesorregiões, 1975-1995 ... 52

2 Taxas Anuais de Crescimento da Produtividade da Terra para o Estado do Ceará e Mesorregiões, 1975-1995 ... 54

3 Índices de Produtividade do Trabalho para o Estado do Ceará e Mesorregições, 1975-1995 ... 55

4 Taxas Anuais de Crescimento da Produtividade do Trabalho para o Estado do Ceará e Mesorregiões, 1975-1995 (%) ... 56

5 Índices de Produtividades do Capital para o Estado do Ceará e Mesorregições, 1975-1995 ... 59

6 Taxas Anuais de Crescimento da Produtividade do Capital para o Estado do Ceará e Mesorregiões, 1975-1995 (%) ... 60

(11)

TABELA Página

8 Taxas Anuais de Crescimento do Índice Agregado do Produto

para o Estado do Ceará e Mesorregiões, 1975-1995 (%) ... 63

9 Índice Agregado de Fatores para o Estado do Ceará e Mesorre- giões, 1975-1995 ... 64

10 Taxas Anuais de Crescimento do Índice Agregado de Fatores

para o Estado do Ceará e Mesorregiões, 1975-1995 (%) ... 65

11 Produtividade Total dos Fatores para o Estado do Ceará e Meso- regiões, 1975-1995 ... 66

12 Anuais de Crescimento da Produtividade Total dos Fatores para o Estado do Ceará e Mesorregiões, 1975-

1995 (%) ... 67

13 Índice de Especialização da Agropecuária Cearense, por Mesor-

regiões Cearenses, 1975-1995 ... 72

14 Índice de Mudança Estrutural da Agropecuária Cearense, por

Mesorregiões, 1975-1995 ... 78

15 Índice de Mudança Estrutural para Lavouras no Estado do Ceará e Mesorregiões, 1975-1995 ... 83

(12)

RELAÇÃO DE FIGURAS

1 FIGURA Página

2 Gráfico Ilustrativo do Índice de Mudança Estrutural ... 44

3 Índice de Especialização – CEARÁ e Noroeste Cearense,

1975-1995 ... 73

4 Índice de Especialização – CEARÁ e Norte Cearense,

1975-1995 ... 73

5 Índice de Especialização – CEARÁ e Metropolitana de

Fortaleza, 1975-1995 ... 74

6 Índice de Especialização – CEARÁ e Sertões Cearenses,

1975-1995 ... 75

7 Índice de Especialização – CEARÁ e Jaguaribe,

1975-1995 ... 75

8 Índice de Especialização – CEARÁ e Centro-Sul

Cearense, 1975-1995 ... 76

9 Índice de Especialização – CEARÁ e Sul Cearense,

(13)

FIGURA Página

10 Índice de Mudança Estrutural da Agropecuária Cearense,

1975-1998 ... 79

11 Índice de Mudança Estrutural da Agropecuária Cearense, 1980-1985 ... 81

12 Índice de Mudança Estrutural da Agropecuária Cearense, 13 1985-1995 ... 82

14 Índice de Mudança Estrutural – CEARÁ, 1975-1995 ... 84

15 Índice de Mudança Estrutural – Noroeste Cearense, 1975-1995 ... 85

16 Índice de Mudança Estrutural - Norte Cearense, 1975-1995 86

17 Índice de Mudança Estrutural – Metropolitana de Fortaleza, 1975-1995 ... 86

18 Índice de Mudança Estrutural - Sertões Cearenses, 1975- 1995 ... 87

18 Índice de Mudança Estrutural – Jaguaribe, 1975-1995 ... 87

19 Índice de Mudança Estrutural - Centro-Sul, 1975-1995 ... 88

(14)

RELAÇÃO DE FIGURAS DO APÊNDICE

FIGURA Página

A1 Evolução das Produtividades Total e Parciais no Ceará,

1975-1995 ... 101

A2 Evolução das Produtividades Total e Parciais no Noroeste

Cearense, 1975-1995 ... 101

A3 Evolução das Produtividades Total e Parciais no Norte

Cearense, 1975-1995 ... 102

A4 Evolução das Produtividades Total e Parciais na Mesorregião

Metropolitana de Fortaleza, 1975-1995 ... 102

A5 Evolução das Produtividades Total e Parciais nos Sertões,

1975-1995 ... 103

A6 Evolução das Produtividades Total e Parciais no Jaguaribe,

1975-1995 ... 103

A7 Evolução das Produtividades Total e Parciais no Centro-Sul

Cearense, 1975-1995 ... 104

A8 Evolução das Produtividades Total e Parciais no Sul Cearen-

(15)

RELAÇÃO DE FIGURAS DO APÊNDICE

FIGURA Página

B1 Participação Relativa dos Cinco Principais Produtos no Total da Produção dos Produtos Selecionados, por Mesorregiões

(16)

RELAÇÃO DE TABELAS DO ANEXO

FIGURA Página

A1 Evolução da Área Agropecuária Cearense, 1975-1995 ... 109

A2 Evolução da Área Agropecuária Cearense, em Seus Diversos

Usos, 1975-1995 ... 109

B1 Número de Estabelecimentos que Utilizam Assistência Técnica, Irrigação, Adubos e Corretivos, Controle de Pragas e Doenças, Conservação do Solo, Energia Elétrica, Segundo as Mesorrgi-

ões Cearenses, 1995/96... 111

B2 Participação Relativa no Número de Estabelecimentos que Uti- zam Assistência Técnica, Irrigação, Adubos e Corretivos, Con- trole de Pragas e Doenças, Conservação do Solo, Energia Elé-

trica, Segundo as Mesorregiões Cearenses, 1995/96 ... 111

C1 Condução do Produtor, Uso das Terras, Pessoal Ocupado,

Tratores e Efetivos da Pecuária – CEARÁ ... 113

C2 Condução do Produtor, Segundo as Mesorregiões Cearenses,

1995-96 ... 113

D1 Freqüência Absoluta e Relativa da População Rural Cearense,

(17)

D2 Freqüência Absoluta da População em Idade Ativa do Setor

Rural, por Faixa Etária e por Mesorregiões Cearenses, 1996 ... 115

D3 Freqüência Relativa da População em Idade Ativa do Setor

Rural, por Mesorregiões Cearenses, 1996 ... 115

D4 Freqüência Relativa da População em Idade Ativa do Setor

Rural, por Faixa Etária, 1996 ... 116

FIGURA Página

D5 Participação da População em Idade Ativa do Setor Rural em Relação à População Total do Setor Rural, por Mesorregiões

Cearenses, 1996 ... 116

E1 Freqüência Absoluta do Grupo de Atividade Econômica, por

Mesorregiões Cearenses, 1996 ... 118

E2 Freqüência Absoluta do Grupo de Atividade Econômica, por

(18)

RESUMO

(19)
(20)

INTRODUÇÃO

As incertezas econômicas e sociais, aliadas ao desgaste dos recursos naturais

e crescimento da população, especialmente nos países pobres, levam as nações

periféricas a optar, necessariamente, pela transformação da agricultura; investindo

em pesquisa de alta qualidade, dentro da qual a Biotecnologia terá um papel cada

vez maior, ao lado de políticas de investimento e de mudanças estruturais (VILELA,

1999).

O discurso internacional sobre desenvolvimento econômico situa a agricultura

como setor estratégico para aferição de taxas maiores de crescimento econômico,

acompanhadas de um melhor padrão de vida da população. Ressalte-se que foi a

partir dos incentivos à agricultura que os avanços tecnológicos viabilizaram a

industrialização nos países centrais.

Embora estes países tenham crescido, inicialmente, em razão do avanço

industrial, houve algumas nações que se desenvolveram no passado recente,

principalmente, em razão de amplas mudanças na produtividade agrícola. Esse fato

ficou bastante evidente com o fim da Segunda Guerra Mundial (1945).

Os países centrais passaram a investir em produtividade agrícola, reduzindo o

valor das exportações na balança comercial dos países em vias de desenvolvimento

que, em geral, eram os principais produtores e exportadores de produtos primários.

Nessas nações, um grande desafio tem sido transformar a agricultura tradicional,

pouco produtiva, numa agricultura moderna e rentável.

A literatura mostra que no desenvolvimento econômico dos países houve

participação importante da agricultura, fornecendo matérias-primas e produtos para

consumo interno e para a exportação, o que exigiu do setor agropecuário o aumento

de sua produtividade e apresentasse melhor alocação dos recursos produtivos.

Verifica-se, portanto, que a agricultura desempenhou e continua

desempenhando papel decisivo no crescimento econômico e no combate à pobreza

(21)

Ademais, a densidade populacional comum a vários desses países requer que

atendam suas demandas por alimentação através do aumento da produtividade,

especialmente, quando não existem fronteiras de expansão. Nesse contexto,

difundiram-se as idéias de THEODORE SCHULTZ que se resumem, conforme

SAMPAIO (1994:531), em que os produtores rurais são eficientes à luz dos fatores

de produção disponíveis, sendo necessários pesquisa, extensão e introdução de

insumos modernos como pré-condição para a elevação da produtividade (...) .

A modernização da agricultura no mundo, desembocou na chamada Revolução

Verde, que se baseava na premissa de que diferenças substanciais de produtividade

agrícola entre países poderiam ser alteradas a partir do momento em que nações

menos desenvolvidas adotassem tecnologias avançadas disponíveis em Estados

desenvolvidos [HAYAMI, HUTTAN (1998) apud SOUZA (2000)].

O setor agrícola brasileiro enfrentou vários problemas ao longo dos anos. A

reestruturação produtiva desse setor pode ser observada em três momentos distintos,

de acordo com ELIAS, SAMPAIO (2002):

a) em fins da década de 1950, com a intensificação dos insumos ditos

modernos (fertilizantes, agrotóxicos, tratores, colheitadeiras etc.), modificando as

condições naturais do solo, bem como a intensidade e ritmo da jornada de trabalho;

b) meados da década de 1960, com o desenvolvimento dos complexos

agroindustriais (CAIs) e com a organização do agronegócio nacional, onde os

principais produtos são soja, suco de laranja e cana;

c) na década de 1970, com a integração de capitais, ou seja, fusões, holdings,

cartéis, trustes. Esse período também revela grandes transformações na esfera da

biotecnologia, afetando diretamente a velocidade de rotação do capital.

De acordo com HOFFMMAN (1996) apud SOUZA (2002), a modernização

contemplou, além do uso de insumos modernos e a mudança das relações de

trabalho, a mecanização que, forçosamente, levou à melhoria qualitativa na produção

agrícola. Também o autor destaca o uso de insumos, máquinas e equipamentos

(22)

Todavia, essa modernização da agricultura brasileira, intensificada em meados

da década de 1960, levou a uma subordinação crescente da agricultura à indústria,

acarretando transformações sociais, econômicas e ambientais no campo, que

levaram, dentre outras coisas, à concentração da estrutura fundiária, como relata

REIS JÚNIOR (1996). Além disso, esse desenvolvimento agrícola não acontecem de

forma homogênea no País, privilegiando regiões como o centro-sul.

Isso porque, até meados dos anos 1960, embora se reconhecesse a

importância da agricultura, a industrialização sempre foi a prioridade. Aliás,

posteriormente, ainda que mais brandamente, continuou sendo assim. Nesse

período, a ordem era impulsionar a industrialização através da substituição de

importações e incentivos às exportações. Segundo SARRIS (op. cit.), as hipóteses

eram de que a produção agrícola não seria afetada em razão da inelasticidade da

oferta agrícola com relação aos preços, e que o investimento industrial produziria

taxas de retornos mais elevadas.

A partir de 1970 foi intensificada a modernização da agricultura brasileira,

através de políticas de crédito subsidiado, preços mínimos, pesquisa e extensão rural.

Nos anos 1980 a política para o setor agropecuário foi mais tímida, em virtude das

condições macroeconômicas desfavoráveis, com redução do crédito e eliminação de

subsídios. Mesmo assim, nessa década, enfatizou-se a agricultura como setor líder,

demonstrando que o crescimento agrícola era de suma importância para a geração

de demanda por produtos locais até aquele momento não comercializados,

estimulando a produção e o crescimento econômico, estratégia essa conhecida como

industrialização conduzida pela demanda agrícola (ADLI) [MELLO (1976), ADELMAN

(1984) apud SARRIS (op.cit.)].

Nesse período, a modernização agrícola considerada indutora do crescimento,

era definida, segundo KAGEYAMA (1996) apud SOUZA (2000), como as mudanças

na base técnica da produção agrícola, de forma a permitirem a substituição da

agricultura extensiva pela intensiva.

(23)

regida pelo mercado, ainda que somente nos anos de 1990 ela tenha se tornado

mais influenciada pelo mercado mundial, em virtude da redução nas barreiras

alfandegárias do comércio internacional, por conta da abertura comercial iniciada no

País.

Nos anos de 1990, a abertura econômica possibilitou a disputa dos mercados,

sendo necessário o aumento da eficiência em todas as fases da produção no

complexo agroindustrial, conforme VICENTE, ANEFALOS, CASER (2001). Nessa

década, de acordo com DIÓGENES (2002), algumas mudanças na produção

agrícola podem ser verificadas, sobressaindo-se o aumento da produtividade, que

levou à expansão da fronteira agrícola em diversas regiões brasileiras.

Pode-se verificar é que essa reestruturação produtiva da agropecuária

brasileira não ocorreu da mesma forma em todas as regiões. Como tem acontecido

historicamente, beneficiou mais o Sudeste do País em detrimento do Nordeste

brasileiro. No próprio espaço nordestino, as transformações não ocorreram de forma

homogênea, e sim seletivamente, tanto no que diz respeito ao espaço quanto aos

produtos.

A modernização da agropecuária nordestina e cearense tomou impulso na

década de 1970, com a construção de grandes perímetros irrigados públicos – que

associava à irrigação pública projetos de assentamento, produção de alimentos,

colonização e incentivo à produção familiar. Foram construídos 27 desses perímetros

irrigados, dentre os quais, nove no Ceará, incluindo as bacias hidrográficas do

Jaguaribe, Salgado, Acaraú e Curu.

Apesar dos índices de crescimento atribuídos à Região nordestina pelas

instituições competentes, esta ainda está muito aquém do padrão nacional, tanto no

que se refere aos indicadores econômicos quanto aos sociais. As condições

climáticas constituem um dos fatores que mais afetam a produção agropecuária.

Ademais, essa Região apresenta heterogeneidade na sua estrutura agrícola,

onde coexistem subemprego, instabilidade no emprego e baixa renda, além de

(24)

empregados. Somado a isso, a prática intensiva da pecuária é um dos fatores

responsáveis pela migração rural que, em razão da baixa produtividade da terra e a

conseqüente falta de renda, leva contingentes de pessoas cada vez maiores aos

centros urbanos (DIÓGENES, 1992).

Similarmente ao setor agropecuário da região Nordeste, no Estado do Ceará,

enfrenta-se sérios problemas. A agricultura, em especial, caracteriza-se pela

presença de grande número de pequenos produtores agropecuários, grande

concentração de terra, baixa produtividade e irregularidades das chuvas.

Embora haja grande diversidade de produtos cultivados no Estado, o baixo

nível tecnológico adotado nos cultivos explica, em boa parte, o atraso, a grande

vulnerabilidade e a baixa produtividade da economia agrícola cearense.

Relativamente aos pequenos produtores, parte considerável ainda se dedica à

agricultura de subsistência, ficando, portanto, mais predispostos e bastante

influenciados pelos efeitos dos fatores citados. Ademais, defrontam-se com outros problemas que influenciam seus resultados, tais como a escassez de recursos

financeiros próprios ou financiados e a comercialização, especialmente, por sua baixa

escala de produção e pouco ou nenhum poder de barganha (KHAN, MOURA, SILVA,

et alii, 1999).

Apesar dos problemas mencionados, a agricultura é um setor particularmente

importante para a economia cearense e tem dado, historicamente, uma

inquestionável contribuição ao desenvolvimento do Estado, participando na geração

de emprego, renda e divisas. Nos últimos anos, o Ceará vem demonstrando

crescimento sucessivo do PIB, com taxas superiores às do Nordeste e Brasil, além de

índices crescentes em suas exportações (ROSA, ALVES, 2001). A população urbana

tem se beneficiado com alimentos relativamente baratos e grande parte das divisas é

oriunda das exportações dos produtos agropecuários cearenses, o que possibilita

importação de máquinas, equipamentos e insumos (CEARÁ, 1999).

Por outro lado, o Estado tem atraído empresas, como a Grandene,

revendedoras da Mercedes-Benz e da Volvo, a Frutinari (empresa de fruticultura

(25)

estimuladas por incentivos fiscais, redução de impostos, mão-de-obra barata e fácil

acesso às principais capitais nordestinas, ainda não modificaram a estrutura

econômica e social das regiões onde estão instaladas. O que se percebe, entretanto,

é a passagem de regiões eminentemente agrícolas (caso do Cariri) para regiões com

setores mais voltados à indústria e serviços (BALSADI, JULIO, 2002).

Não resta dúvida de que o Estado cresceu no período próximo passado, mas

os dados indicam que este crescimento não ocorreu da mesma forma nos diversos

setores e/ou regiões e a distribuição desse crescimento é que viabiliza o

desenvolvimento econômico.

(...) o crescimento alavancado por um determinado setor da economia só pode

ser durável se os benefícios do surto inicial forem distribuídos de maneira suficientemente

igualitária que permitam a expansão e o aprofundamento dos mercados. (...) tanto mais

favorável ao crescimento será o perfil da demanda quanto menos desigual for a distribuição de

renda [ MURPHY, SHEIFER, VISHNY (1989) apud VEIGA (2000:179)].

Destarte, o grande questionamento que se faz é: em que medida as

transformações ocorridas com a economia agropecuária cearense no período de

1975 a 1995 afetaram o produto? O crescimento do produto foi acompanhado de

mudanças estruturais?

No intuito de responder a essas questões buscou-se neste trabalho, analisar

as mudanças estruturais e a produtividade total dos fatores na agropecuária cearense

no período de 1975-1995. Especificamente, pretende-se:

a) determinar os índices de produtividade da terra, do trabalho e do

capital nas mesorregiões cearenses;

b) estabelecer as taxas de crescimento da produtividade total dos

fatores e produtividades parciais – terra, trabalho e capital nas

mesorregiões cearenses;

c) decompor as taxas de crescimento da produtividade do trabalho em

(26)

d) determinar os índices agregados do produto, dos fatores de

produção e o índice de produtividade total dos fatores, nas

mesorregiões cearenses;

e) calcular e analisar o índice de especialização na agropecuária

cearense; e

f) calcular e analisar o índice de mudança estrutural na agropecuária

cearense.

Dessa forma, este trabalho foi desenvolvido em cinco capítulos:

Nesta introdução, observam-se algumas considerações gerais, a

problematização, justificativa e objetivos da pesquisa.

No primeiro capítulo, são trazidas informações sobre a agropecuária cearense,

discorrendo sobre sua evolução e transformação ao longo dos anos.

O segundo oferece um panorama sobre os aspectos conceituais e teóricos da

metodologia, bem como a definição das variáveis e fonte dos dados.

Nos capítulos três quatro e cinco, tem-se o desenvolvimento do ensaio, a partir

(27)

CAPÍTULO 1

COMPORTAMENTO DA ECONOMIA CEARENSE

1.1 Origens da Economia Cearense1

A história do Ceará tem início com a criação da "Capitania do Siará", doada

em 1535 a Antônio Cardoso de Barros. Em 1603, uma expedição comandada pelo

açoriano Pêro Coelho de Souza fundou, na região, a colônia denominada Nova

Luzitânia. Juntamente com o grupo, chegou também um rapaz de 17 anos, Martim

Soares Moreno, considerado o verdadeiro fundador do Ceará. Conhecedor da língua

e dos costumes indígenas, mantinha amizade fraternal com os nativos, o que lhe

valeu fundamental apoio para a derrocada dos franceses e holandeses que também

pretendiam colonizar a região.

Como é do conhecimento de todos, o Ceará foi descoberto por espanhóis dois

meses antes de os portugueses chegarem ao Monte Pascoal. Após a divisão das

terras brasileiras em capitanias, o Ceará ficou esquecido durante longos anos, tanto

que no século XVI o que se conhecia do atual Território cearense nada mais era do

que a faixa litorânea e a zona da Ibiapaba.

A falta de interesse da Coroa Portuguesa para com a Capitania cearense

decorria da ausência do pau-brasil na região, mesmo que se encontrasse madeira de

ótima qualidade como o pau-violête e outras espécies empregadas na marcenaria.

Findo o interesse português pelo pau-brasil, inicia-se a era da cana-de-açúcar.

Já que a terra brasileira não se tinha prestado para os objetivos de metais preciosos,

seria pois na exploração agrícola que a Colônia mostraria seu valor, a partir de uma

economia primária exportadora e monocultora, alicerçada no trabalho escravo. Entre

1605-06, a primeira e pavorosa seca que a história cearense registra castigou toda a

região, expulsando inclusive os conquistadores da nova terra, como Pero Coelho e

(28)

sua comitiva, que fugiram atravessando em balsas o Jaguaribe em direção ao Rio Grande do Norte.

Até 1612, a costa cearense esteve entregue à sorte de todo tipo de traficância

e pirataria, já que as tentativas de colonização até então haviam fracassado. Em

1619, depois de muitas lutas contra invasores estrangeiros, naufrágios e prisões,

Soares Moreno obteve uma carta régia que lhe dava o título de Senhor da Capitania

do Ceará, aqui se fixando por muitos anos. Seu lendário romance com a índia

Iracema foi imortalizado pelo escritor cearense José de Alencar, em seu livro

intitulado "Iracema".

O Ceará fez parte do Estado do Maranhão e Grão-Pará em 1621. Foi ainda

invadido duas vezes, em 1637 e 1649, pelos holandeses que ocupavam a região

onde hoje se encontra o Estado de Pernambuco, mantendo-se a ele subordinado até

conquistar sua autonomia, em 1799.

O desenvolvimento da pecuária em Pernambuco e na Bahia levou criadores a

ocuparem o interior do Ceará. As vilas foram se formando junto às grandes fazendas

ou nos pontos de descanso das tropas vindas do sul.

Na primeira invasão holandesa ao Ceará, em 1637, o interesse pela região

decorria do desejo de encontrar sal e âmbar2. A segunda invasão holandesa,

comandada por Matias Beck em 1649, tinha o objetivo de explorar a prata, que se pensava, existia no monte Itarema, serra do Maranguape. Eis um depoimento da

época com relação aos solos e riquezas cearenses:

A terra arenosa é ruim, imprópria para o plantio da cana-de-açúcar, sem madeiras e outras coisas de proveito. Há lugares onde se encontra sal, mas de péssima qualidade. Quanto ao âmbar-gris, tudo não passa de exagero dos índios, pois até então somente logramos ver quatro pedrinhas que mal pesam três onças. Agradamos os cablocos, porém eles nunca trazem o tal âmbar, embora afirmem percorrer as praias à sua procura (SAMPAIO, 1971:31).

(29)

Quando os holandeses invadiram Pernambuco, muitas famílias fugiram para o

Ceará, fixando-se, principalmente, no vale do Jaguaribe, onde se dedicaram ao

cultivo das terras e à criação do gado.

No início do século XVIII, o comércio do Ceará, ou Siará Grande, limitava-se à

venda de gado de corte, com vistas a atender o consumo local, aproveitando o couro

artesanalmente. Como o negócio do rebanho vivo não foi lucrativo, transformou-se o

gado em carne-seca, ou melhor, nas charqueadas.

O negócio do charque trouxe para a Capitania transformações econômicas,

sociais e políticas, além de possibilitar o encontro do homem do litoral com o

sertanejo. Assim surgiram os novos núcleos urbanos, além de impulsionar os

mercados interno e externo. Os centros que mais se destacaram nesse período

foram Aracati e Sobral, chegando a concorrer com Fortaleza, o centro administrativo da Capitania.

Aracati, próximo à foz do rio Jaguaribe, ponto de saída da produção, tornou-se

importante pelo preparo e exportação da carne de charque, sendo denominada

pulmão da economia cearense. Os ganhos com o comércio da carne e do couro levaram Aracati a prover o resto da Capitania de fazendas e objetos de luxo.

Sobral destacou-se como grande coletor de algodão e matérias-primas. De

outro lado, a exportação de carne, couro e sola possibilitou a importação de

pratarias, porcelanas, cristais, móveis de jacarandá, materiais de construção, entre

outros, contribuindo para sua suntuosidade.

Crato, com condições climáticas mais favoráveis, voltou-se à cultura da

cana-de-açúcar.

A partir de 1799, o Ceará, que já havia sido jurisdição do Maranhão e de

Pernambuco, torna-se independente, o que o faz comercializar diretamente com Portugal.

A partir da segunda metade desse século, a cultura do algodão rompe o

exclusivismo pastoril e vai se tornar a principal atividade econômica, em razão,

(30)

Em fins do século XVIII, termina o poderio da carne seca cearense. Concorreram para esse fim as duas grandes secas ocorridas no Estado, em 1777-78

e em 1790-93 - que praticamente dizimaram os rebanhos - além da concorrência do

charque gaúcho.

O Estado começou a se desenvolver na segunda metade do século XIX, com

a chegada da navegação a vapor, das estradas de ferro, da iluminação a gás e do

telefone. Foi a primeira província brasileira a libertar os escravos, em 1884, e

também uma das primeiras a aderir à República.

A projeção cearense no mercado internacional deu-se a partir da exportação

do algodão e seu auge aconteceu com a Revolução Industrial Inglesa, ainda naquele

século, quando os tecidos ingleses passam a ter o algodão como matéria-prima em

substituição à lã e ao linho. Esse comércio inseriu a capitania cearense na divisão

internacional do trabalho:

De início era só a pecuária, entra em cena o algodão. Daí o binômio gado-algodão, que criou as bases da organização do espaço. Tudo era gado... era couro... até que o algodão sai do Ceará para o mundo, por Fortaleza, que se foi firmando como o grande centro urbano, consolidando sua função de capital do Estado, sede do poder, resultado da integração do Ceará à economia nacional, que se deu durante o período da internacionalização da economia capitalista ( ORIÁ, JUCÁ, 1998:11, apud SOUSA, s/d).

Foi também com o algodão, com fibra considerada de boa qualidade,

resistente e de bom comprimento, que o porto de Fortaleza tornou-se mais

desenvolvido, ainda que sob bases muito precárias, pois esse produto apresentava

os maiores preços do mercado internacional, em razão da interrupção da remessa

norte-americana à Inglaterra, por conta da Guerra da Secessão entre em 1861-65.

Nessa época, também se destacaram o açúcar, couro e café brasileiros no comércio

exterior.

O desenvolvimento dos meios de transporte e as estradas que se abrem de

Fortaleza para o interior e litoral asseguraram o escoamento da produção além de

consolidar a capital como verdadeiro centro político, econômico e social da

(31)

com o pólo de comércio de gado. A partir de 1808, com a chegada da Família Real

Portuguesa, o Ceará não só atendia à demanda por produtos de Portugal como

também de outras nações. Dessa forma, o Ceará-colônia desenvolveu-se a partir da

expansão das fazendas de gado. E, mesmo com o desenvolvimento da lavoura

algodoeira, a pecuária extensiva não desapareceu.

Um costume da época era a quarta , divisão dos bezerros nascidos entre o

proprietário da terra e o vaqueiro na proporção de quatro para um, melhorando as

condições de vida do vaqueiro que cultivava plantas de ciclo curto – milho, feijão e

mandioca - por constituírem colheita rápida, embora extremamente frágil. Essa

agricultura permitia apenas a subsistência da família do agricultor ou vaqueiro,

mantendo, todavia, a situação de pobreza vigente, segundo NEVES (2000).

Na segunda metade do século XIX, o Ceará foi alvo de algumas modificações

sociais e econômicas, especialmente na área urbana, quando Fortaleza se consolida

como centro político-econômico do Estado, com razoável infra-estrutura. No campo,

destaca-se o período áureo da cotonicultura local, ainda que também se

destacassem outros produtos, como o café, a cera de carnaúba e a borracha de

maniçoba.

A partir de 1850, as terras passam a ser valorizadas como um bem

econômico, através da Lei de Terras, quando começa efetivamente a retirada das

tribos indígenas de seus aldeamentos.

Em 1909, com a criação do IOCS (Inspetoria de Obras contra as Secas),

posteriormente DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra as Secas),

inicia-se a prática da agricultura irrigada ainda que com pequena dimensão técnica e

econômica.

Até a década de 1960, a economia cearense dependia quase que

exclusivamente da criação de bovinos, ovinos e caprinos (pecuária extensiva); da

produção de feijão, milho e mandioca (agricultura de subsistência); algodão

(agricultura comercial); além da castanha de caju e carnaúba, especialmente

(32)

além do fator climático, o fato de a maior parte do Estado estar inserida na região

denominada de Polígono das Secas, com uma estrutura fundiária concentrada, base

técnica rudimentar e uma oligarquia agrária reacionária, conforme ELIAS, SAMPAIO

(op.cit.).

Após a década de 1970, tem destaque a criação da Empresa Brasileira de

Assistência Técnica e Extensão Rural (EMBRATER) e suas correlacionadas

estaduais, as empresas estaduais de assistência técnica e extensão rural

(EMATER’s); e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), que

conta hoje com 42 centros de pesquisa espalhados por todo o Território nacional,

dois dos quais localizados no Ceará: Município de Sobral, o Centro Nacional de

Pesquisa de Caprinos (CNPCa), especializado em caprinocultura e ovinoprinocultura;

e em Fortaleza, o Centro Nacional de Pesquisa de Agroindústria Tropical (CNPAT),

especializado na agroindústria tropical, e hoje direcionado para toda a cadeia

produtiva da fruticultura. Outro órgão muito importante na modernização da

agropecuária cearense foi a extinta Empresa de Pesquisa Agropecuária do Ceará

(EPACE), que junto com a Embrapa, obteve importantes avanços no melhoramento

genético, manejo cultural, pós-colheita e processamento do caju.

A década de 1980, embora marcada por um cenário macroeconômico

desfavorável, que se refletiu em redução nos gastos públicos, impulsionou o setor

agropecuário a partir da criação de dois grandes programas para o Nordeste: o

Programa Nacional de Aproveitamento Racional de Várzeas Irrigáveis

(PROVÁRZEAS), em 1981, e o Programa de Financiamento para Equipamentos de

Irrigação (PROFIR), em 1982. Esses programas eram voltados para a irrigação

privada, enquanto o DNOCS encarregava-se da irrigação pública (ELIAS, SAMPAIO,

op.cit.)

No plano local, criou-se o Programa de Valorização Rural do Baixo e Médio

Jaguaribe (PROMOVALE), uma espécie de programa estadual do PROVÁRZEAS. O

PROMOVALE apoiou a irrigação privada nas várzeas dos rios Jaguaribe, Quixerê e

Banabuiú. Outra ação importante foi a criação do Ministério Extraordinário para

(33)

Nesse contexto, o Ceará, que tradicionalmente baseou sua economia no

extrativismo vegetal, pecuária extensiva e agricultura de subsistência, com

pouquíssimo destaque na divisão do trabalho agropecuário do País, busca, a partir da

reestruturação de sua produção, os tão almejados aumentos de produtividade e

competitividade exigidos pelo novo padrão do mercado globalizado.

Essa tendência de pólos agroindustriais, baseados em produtos de alto valor

agregado, tem na fruticultura tropical voltada para a exportação de frutas frescas e

processadas (sucos e polpas) uma possível solução para a crise de produção advinda

da agricultura semi-árida. Nesse sentido, salienta-se a importância da criação do

Programa de Apoio e Desenvolvimento da Fruticultura Irrigada no Nordeste, em 1997.

Destaca-se o papel das duas secretarias estaduais que atuam no sentido do

promover essa reestruturação produtiva na agropecuária cearense, conforme ELIAS,

SAMPAIO (op.cit.):

a) a Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), criada em 1987, que atualmente

estáàs voltas com a construção de açudes, incluindo o Castanhão, o maior de toda a

história do Ceará, que terá grande impacto sobre a agropecuária, agroindústria e

piscicultura cearenses;

b) a Secretaria de Agricultura Irrigada (SEAGRI), criada em 1999, voltada para

a articulação do agronegócio e da agricultura irrigada no Estado, sendo seu principal

projeto o Programa Cearense de Agricultura Irrigada (PROCEAGRi), envolvendo seis

agropólos: Ibiapaba, Baixo Acaraú, Metropolitana de Fortaleza, Baixo Jaguaribe,

Centro-Sul Cearense e Cariri. Essas regiões foram escolhidas com base em seu

potencial hidroagrícola.

Mas a década de 1990 e o início do século XXI também foram marcados pelo

encolhimento de importantes órgãos públicos. A antiga Secretaria de Estado da

Agricultura e de Abastecimento - SAAb tinha a ela vinculados diversos órgãos, como

a EMATERCE, EPACE (Empresa de Pesquisa Agropecuária do Ceará), FUNCEME

(34)

Desenvolvimento Agropecuário), ITERCE (Instituto de Terras do Ceará), IDACE

(Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará) e CEASA-CE (Companhias de

Abastecimento do Ceará). A FUNCEME fora transferida para a SRH; já a CEPESCA,

CODAGRO, e ultimamente, a EPACE foram extintas. Com toda essa reestruturação

estadual, a sociedade privou-se de alguns benefícios, como as pesquisas de

melhoramentos tecnológicos do feijão macassar e mandioca realizadas pela EPACE

e que hoje não têm continuidade porque não fazem parte do objeto de estudo da

EMBRAPA (AEAC, 2001).

Atualmente, a agropecuária cearense apresenta a seguinte distribuição

espacial, de acordo com ELIAS, SAMPAIO (op.cit.): a) litoral – cultivo do caju, coco e

algumas outras frutas, b) Região Metropolitana – destaque para a avicultura; c)

serras úmidas – predomina a horticultura; d) sertão – predomínio da pecuária, além da

produção de milho, feijão e mandioca.

1.2 Breve Histórico das Secas no Ceará

As secas cearenses e nordestinas sucedem-se, freqüentemente, em períodos

de aproximadamente 1 a 3 anos. Quando severas, essas secas registram casos de

até 3 anos consecutivos. Nesses períodos, além da fome, as pestes epidêmicas

constituem em grandes males, muitas vezes matando mais do que a própria fome.

A ausência absoluta de chuvas caracteriza a seca total; já a ausência parcial

de chuvas assinala a seca parcial ou repiquete, ou ainda, seca verde. O clima

semi-árido, característico do chamado Polígono das Secas, é um entrave para a

consolidação das atividades econômicas cearenses, que se tornam extremamente

vulneráveis.

Ao longo do tempo, contudo, a falta de chuva constituiu um sério problema

para as colheitas e para a pecuária, que era levada para outra área onde o pasto

pudesse ser preservado. Os trajetos migratórios eram muito árduos e, muitas vezes,

as reses morriam nos caminhos, exaustas, com fome e sede, onde as estradas se

(35)

Também as pessoas saem do campo em tempos muito secos em busca da Capital, onde chegam famintas, debilitadas e desnutridas (NEVES, op.cit.:81):

No semi-árido, a produção inteiramente destruída, os moradores consomem suas últimas sementes e, aos poucos, mas numa onda irresistível, vão deixando para trás seus casebres e suas terras arrendadas. Saem famintos de seus lares e começam a vaguear pelos caminhos e estradas em busca de auxílio. O caminho da capital cedo transformar-se-á na única opção para a sobrevivência: os moradores das fazendas de criar transformam-se em retirantes.

Para amenizar os efeitos nocivos sobre a Cidade, o Governo selecionava

alguns locais no próprio meio rural, onde homens, mulheres e crianças trabalhavam

arduamente em troca da comida.

Além de Fortaleza, havia desses locais em Crato, Cariús, Quixeramobim, Ipu e

Senador Pompeu. Neles, exigia-se muita disciplina e adaptação às novas formas de

convívio social: vida e banheiros comuns, rigidez nos horários, hábitos de higiene

pessoal e vacinação, entre outros.

Os trabalhadores rurais agora tinham que conviver com as ordens de

engenheiros, chefes de seção e feitores, dedicando-se apenas a um tipo de atividade

durante todo o dia. Esse sistema funcionou até 1933. Há que se lembrar ainda da

indústria da seca que, numa relação direta com as verbas concedidas, possibilitava

desvios, favorecimentos, usos políticos etc.

Atualmente, comunga-se com a idéia de que a seca é um fenômeno climático e

social. Entretanto, já havia diversos enfoques sobre a problemática das secas.

SOUZA, MEDEIROS FILHO (1983) explicitam os três principais:

a) enfoque tradicionalista – visão fatalista da seca, corroborada pela

repetida experiência de secas, analfabetismo da população e uso de

tecnologias arcaicas. O misticismo é usado tanto para explicar a situação

da seca como para a busca de soluções para seu desaparecimento;

b) enfoque tecnicista – a seca decorre de irregularidades das precipitações

(36)

e das populações rurais. Com esse enfoque, surge o IOCS (posteriormente

DNOCS);

c) enfoque sócio-político – encara o fenômeno, sobretudo, como problema

estrutural, em razão do colapso na agricultura de subsistência e de

exportação, na desarticulação do processo de acumulação e pela

desagregação das famílias e aglomerados humanos, quando nesse

período faltoso de chuvas.

Segue-se a evolução das principais secas que assolaram o Ceará, de acordo

com os dados da SUDENE apud VIEIRA, MAYORGA (2002) e SAMPAIO (1971).

Há registros de pavorosas secas desde o século XVI, quando pereceram

criaturas humanas e animais, lavouras e pastagens.

As secas, desde a criação do IOCS, passaram a ser combatidas através da

criação de um sistema de barragens, açudes e poços para acumular água,

podendo-se utilizá-la, posteriormente, em tempos de escassez, no que se convencionou

chamar de solução ou fase hidráulica.

Em 1903, registra-se uma grande seca, quando ocorreu a perda total das

lavouras. Em 1906, é criada a primeira grande obra hídrica do Ceará, o Açude do

Cedro e seu primitivo sistema de irrigação. Em 1910, são instalados os postos

hidrométricos, para medir vazão, no rio Jaguaribe, em Lavras da Mangabeira e no rio

Palhano, em Russas.

Em 1915, evidenciou-se um ano terrível de seca. A partir desse período, os

retirantes passaram a ser chamados de flagelados , porque a irregularidade das

chuvas passou a ser vista como um flagelo que açoita a população cearense

periodicamente.

Em 1932, a seca trouxe assaltos, saques e depredações. Abrangeu uma área

até hoje ressequida com seus efeitos. Em 1936, fica determinado por lei que a zona

afetada pelo fenômeno climático da seca denominar-se-á Polígono das Secas .

Em 1942, a seca acontece em plena campanha contra o nazi-facismo e a

(37)

mandá-los para a ocupação da Amazônia, numa campanha nacional denominada

Batalha da Borracha .

Nessa última seca, foram realizados novos alistamentos para os trabalhos nas

obras do Governo, obras essas de qualidade muitas vezes duvidosa, uma vez que

alguns açudes se desfaziam logo após as primeiras chuvas.

A seca de 1951-53 levou o Governo a intervir mais uma vez na região, uma

vez que só em 1953 o percentual de perda da safra agrícola foi superior a 30%. Com

a perda de fé na solução hidráulica, passou-se à idéia de que a Região necessitava de

novos elementos, especialmente, de recursos financeiros para o fortalecimento da economia.

Na seca de 1958-59, a produção agropecuária ficou quase paralisada. Ocorreu

desemprego em massa e invasão das cidades pelos flagelados. A Hospedaria

Getúlio Vargas, construída para receber 1.200 pessoas, acolheu cerca de 11.000

retirantes. O momento político era bem delicado, com a campanha pela Reforma

Agrária, agitações das Ligas Camponesas, atividades do clandestino Partido

Comunista.

A pesca foi liberada nos açudes públicos e particulares para qualquer pessoa;

todas as terras de vazantes foram aproveitadas; foi permitido o acesso de qualquer

pessoa a quaisquer meios de abastecimentos de água para uso doméstico (poços,

açudes particulares e públicos); muitas frentes de trabalho foram abertas; houve

distribuição de vacinas, medicamentos, leite e farinhas alimentícias; foi implantada

assistência médico-odontológica junto à população carente.

Em 1962 a seca aumentou o número de invasões nas cidades. Novas frentes

de trabalho foram abertas e carros-pipa foram adquiridos para abastecer a população

afetada pela falta de água. Em 1964 foram criados programas de irrigação.

Em 1970, mais intervenções do Governo. Isso porque, nessa seca, a perda da

safra agrícola foi da ordem de 59%. Dessa vez, buscou-se a reorientação da

agricultura para o mercado, procurando modificar tanto sua estrutura agrícola como o

(38)

A seca de 1972 afetou somente parte do Estado, o Sertão dos Inhamuns e

parte do Cariri. A partir daqui, passou-se a aproveitar o trabalho dos agricultores dentro das propriedades rurais, em lugar das frentes de trabalho tradicionais; ou seja,

trabalhos para o agricultor no próprio lugar de morada.

A seca de 1976 acarretou frustrações de cerca de 52,1% para culturas

alimentares e cerca de 64,9% para culturas industriais, conforme VIEIRA,

MAYORGA (2002). Mais uma vez, contou-se com distribuição de medicamentos,

vacinação e assistência médica, mas só para os trabalhadores alistados. A população

recebeu gêneros alimentícios. Foram realizados trabalhos como construção e

conservação de estradas, construção e melhoramentos de açudes, além de fossas

sépticas, calçamentos e ampliações em prédios públicos. Também foi concedida

prioridade para o Programa de Irrigação

Com a seca de 1978-83, as políticas assistencialistas do Governo mudaram

de nome: frentes de emergência , bolsões da seca , frentes de serviço , mas

continuaram com o mesmo propósito – atividades árduas, temporárias e mal

remuneradas. Mas a SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste)

também implantou algumas políticas com vistas a apoiar o pequeno produtor e tornar

suas economias semi-áridas menos vulneráveis. Essa seca foi considerada a maior

dos últimos cem anos, havendo-se perdido 90% da safra de grãos.

Em 1983, foram detectados casos de pelagra (doença associada à

subnutrição) nos sertanejos das frentes de serviço. Nesse ano, a agricultura, a

pecuária, avicultura e derivados da produção animal, extrativismo vegetal, produção

vegetal e pesca, conjuntamente, apresentaram um decréscimo de 68,1% da produção

agropecuária. Já o setor de serviços apresentou uma redução de 0,3% e a indústria

cresceu 22,6%, segundo VIEIRA, MAYORGA (op.cit.).

Nesse ano, o Cariri, considerado oásis do Ceará , foi consideravelmente

afetado pelo fenômeno, com grandes fábricas fechando e uma população de

flagelados de cerca de 1 milhão de pessoas. Todo o Estado foi afetado,

excetuando-se Fortaleza como área não crítica para efeito de programas de absorção de mã

(39)

Em 1987, a seca atingiu 600 mil famílias no Ceará. Considerada como seca

verde, já que a paisagem não ficara tão seca, por conta das poucas chuvas que

caíram, perdeu-se grande parte da produção e o desemprego também foi em massa,

necessitando de mais um programa emergencial do Governo. Foram construídos

canais de irrigação e hortas comunitárias.

Em 1992, o Ceará mais uma vez está em estado de calamidade pública: fome,

sede e desemprego. Os carros-pipa são insuficientes para abastecer a população e o

gado morre de sede. A fome leva os flagelados a comerem todo tipo de animais e,

como não bastasse, ainda sofrem a perseguição do IBAMA (Instituto Brasileiro do

Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis). Os deslocamentos se dão em

transportes rodoviários, em lombos dos animais e até mesmo a pé. O Governo

intervém através da distribuição de água e implementação de frentes de serviço.

No ano seguinte, é registrada uma das piores secas da região. Apesar disso,

obtém-se uma safra 57,16% superior à conseguida durante a seca de 1983. Neste

ano, 1993, é construído o Canal do Trabalhador, com o objetivo de evitar o colapso

do abastecimento de água em Fortaleza.

Em 1997, o Estado evidencia um dos piores verões dos últimos anos: ausência

de caça do mato, falta de crédito nas mercearias, água encontrada nos poços é

salgada, plantações irrigadas interrompidas, escolas rurais fechadas, êxodo rural,

mendicância. Todo o Ceará é afetado, mas a situação é mais crítica nos Sertões

Cearenses. São distribuídas cestas básicas, abastecimento de água via carros-pipa,

aberturas de frentes de serviço e a criação dos chamados terraços verdes3 .

Com as denúncias de genocídio por parte das entidades de direitos humanos

e Igreja Católica, a partir da década de 1980, o Governo foi responsabilizado pelas

milhões de mortes das vítimas do flagelo da seca, que poderiam ter sido evitadas,

conhecidas que são a sua periodicidade.

Dessa forma, pode-se delinear os efeitos nocivos da seca da seguinte forma:

destruição das colheitas, migrações descontroladas, fome, miséria e desnutrição,

(40)

conflitos sociais, saques, corrupção, manipulação política, e tantos outros males.

Assim, apesar de ser um fenômeno climático, também é um fenômeno social, e se

não há formas de combatê-lo, de certo haverá maneiras de convívio com ele, a partir

da transformação da vulnerabilidade econômico-social a que essas populações estão

expostas.

1.3 As Políticas Públicas e a Agricultura Cearense

No Brasil-colônia a agricultura brasileira não se consolidou como um setor

econômico propriamente dito, já que as lavouras tinham caráter nômade e

extrativista. Até então predominavam a grande lavoura e a agricultura de

subsistência como práticas de cultivo. A agricultura de subsistência constituiu-se

numa atividade secundária à grande lavoura de exportação. Esta, por sua vez,

apresentava técnicas de cultivos bem primitivos, consistindo quase que numa

agricultura extrativista.

O cultivo do café deslocou o centro econômico do Nordeste para o Sudeste do

País. As condições para a lavoura do café eram mais favoráveis em todos os

sentidos: mais investimentos, principalmente em infra-estrutura de transportes; solos

férteis e mão-de-obra abundante, em razão da chegada dos imigrantes europeus.

Esses fatores, entre outros, levaram o Brasil a se tornar o maior produtor e

exportador mundial de café nesse período, o que lhe deu uma certa autonomia sobre

os preços.

A agroindústria canavieira tornou-se arcaica demais, comprometendo a

competitividade no mercado internacional, restringindo-se a épocas de elevação da

demanda ou dos preços externos. Outras culturas que tiveram alguma importância no

século XIX foram o algodão herbáceo e o cacau.

No século XX, as relações de troca dos produtos agropecuários tornaram-se

mais complexas, ou seja, não se fizeram mais diretamente entre produtores e

consumidores, sendo intermediadas por outros agentes e instituições, conforme

(41)

Com a idéia de que o atraso nordestino frente ao resto do País decorria do

clima semi-árido, em que a característica marcante é a ausência de chuvas por

períodos prolongados, o Governo inicia um conjunto de ações na Região.

Assim, tem-se, em 1909, a criação do IOCS (Inspetoria de Obras Contra as

Secas), posteriormente IFOCS (Inspetoria Federal de Obras Conta as Secas),

destinado a atuar no semi-árido, a partir da concepção de que a irregularidade das

chuvas provocada pela seca dificultava a agricultura e o abastecimento das cidades.

Posteriormente, em 1945, esse órgão foi transformado em DNOCS (Departamento

Nacional de Obras Contra as Secas).

O primeiro período do DNOCS, denominada de fase hidráulica, enfocava a

acumulação de água para a solução de todos os problemas enfrentados com as

secas. Atualmente, sua área de atuação cobre todo o Polígono das Secas, ou seja,

abrange os Estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco,

Alagoas, Sergipe, Bahia e parte do norte de Minas Gerais.

No início da década de 1930, é criado o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA)

para defender a atividade açucareira no Nordeste.

Em 1948, é criada a Comissão do Vale São Francisco (CVSF), passando

posteriormente, em 1967, para Superintendência do Vale do São Francisco

(SUVALE) e para Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco

(CODEVASF).

Em 1952 surge o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), um instituto federal

localizado no Nordeste e voltado para os problemas locais. Essa instituição tinha por

objetivos: a) financiamento para indústrias e empresas agropecuárias; b) crédito de

longo prazo para obras de infra-estrutura física; c) realização de estudos e pesquisas

sobre os problemas da região; d) treinamento de pessoal para a região e para o

próprio banco.

A partir do relatório emitido pelo GTDN (Grupo de Trabalho para o

Desenvolvimento do Nordeste), em 1959, sob a orientação de Celso Furtado, surge a

(42)

industriais, para possibilitar a expansão manufatureira; b) transformar a economia

agrícola da faixa úmida para abastecer de alimentos os centros urbanos; c)

transformação progressiva das zonas semi-áridas, elevando a produtividade e

tornado-as mais resistentes ao impacto das secas; d) deslocar a fronteira agrícola do

Nordeste para as terras úmidas do hinterland maranhense, que estariam em

condições de receber os excedentes populacionais criados com a reorganização do

semi-árido.

A partir de então, surge a idéia de que o subdesenvolvimento local não é

conseqüência exclusiva das condições climáticas e o desenvolvimento,

necessariamente, deveria ocorrer através da industrialização, como relata SIMPLÍCIO

(1985). Encerra-se a fase hidráulica e a ênfase agora é no melhor aproveitamento dos

recursos. A SUDENE deveria atuar, mais especificamente, nas áreas consideradas

como vazios demográficos , ou seja, regiões do Maranhão e Amazônia, com o intuito

de desafogar as regiões com inchaço de população.

Para tal, foram criados o Programa de Integração Nacional (PIN) e o Programa

de Redistribuição de Terras e Incentivos à Agricultura do Norte e do Nordeste

(PROTERRA), respectivamente em 1970 e 1971. Ambos tentaram minorar os efeitos

das secas tanto no Ceará como em todo o Nordeste.

O PIN deveria abrir as portas para a conquista da Amazônia, absorvendo

assim parte do excedente demográfico da zona semi-árida nordestina. Além disso,

deveria oferecer as condições necessárias para o aumento da produção e da

produtividade da agricultura nas áreas submetidas aos processos de irrigação e

colonização, conforme REN apud VIEIRA, MAYORGA (s/d).

O PROTERRA tinha por objetivos: a) redistribuição da terra, através de

aquisição de terras para serem vendidas a pequenos e médios agricultores, custeio

de legalização das terras e empréstimos para pequenos e médios produtores rurais,

tanto para aquisição como para ampliação das terras; b) modernização agrícola,

através da assistência financeira, subsídios para aquisição de insumos agrícolas

modernos e garantia de preços mínimos para estimular o produtor; c) recursos

(43)

Nacional) e até do Exterior. Esse programa deveria atuar em Pernambuco, Paraíba,

Ceará, Piauí e Maranhão.

Em 1973, foram criados outros órgãos voltados ao desenvolvimento do setor

rural, como as comissões estaduais de planejamento agrícola (CEPA’s); a Empresa

Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA); a Empresa Brasileira de

Assistência Técnica e Extensão Rural (EMBRATER) e suas correlacionadas

estaduais, as Empresas Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural

(EMATER’s).

Em 1974 surge o Programa de Desenvolvimento de Áreas Integradas do

Nordeste (POLONORDESTE) com o objetivo de apoiar o pequeno produtor, melhorar a infra-estrutura rural, transformando a agricultura tradicional em comercial, mediante o emprego de insumos modernos, com vistas a elevar a produtividade

agrícola. Contou com apoio do Banco Mundial (BIRD) e do Banco Interamericano de

Desenvolvimento (BID). Posteriormente, esse programa iria transformar-se no Programa de Apoio ao Pequeno Produtor (PAPP).

Em 1976, o Programa Especial de Apoio ao Desenvolvimento da Região

Semi-Árida do Nordeste (PROJETO SERTANEJO) surgiu com o objetivo tornar o

semi-árido mais resistente às secas, através do consórcio entre a agricultura irrigada e a

agricultura de sequeiro, com ações que freassem o fluxo migratório e fornecessem

alimentos aos grandes centros urbanos.

Todos esses programas foram fundamentados nos planos nacionais do Governo federal. Em seguida, ainda surgiram o Programa de Aproveitamento de

Recursos Hídricos do Nordeste (PROHIDRO), em 1979, e o Programa Especial de

Apoio às Populações Pobres das Zonas Canavieiras do Nordeste (PROCANOR).

Este último era voltado para a oferta de serviços básicos (água, saneamento, energia

elétrica, assistência médica e dentária, educação e habitação), de acordo com

SIMPLÍCIO (op.cit.).

O PROHIDRO deveria proporcionar a utilização mais racional das águas no

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instalação de poços particulares; perenização de rios; e concessão de recursos

financeiros aos estados para compra de perfuratrizes.

Em 1982, surge o Projeto Nordeste, que previa a execução dos seguintes

programas, segundo VIEIRA, MAYORGA (op.cit.):

a) Programa de Apoio ao Pequeno Produtor Rural (PAPP) – ação integrada de

terra, água, crédito rural, assistência técnica, pesquisa adaptada, apoio à

comercialização e às comunidades;

b) Programa de Irrigação;

c) Programa de Apoio a Pequenos Negócios Não Agrícolas;

d) Programa de Educação no Meio Rural;

e) Programa de Ações Básicas de Saúde no Meio Rural; e

f) Programa de Saneamento Básico no Meio Rural.

Em 1986, surge o Programa de Integração das Ações Comunitárias

(PROURB); em 1987, o Programa de Açudagem em Cooperação (PRONAN); em

1988, o Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura Irrigada às Margens

de Rios e Reservatórios (PROMAR).

Em 1995, a CODEVASF propõe um projeto de desenvolvimento voltado para

o semi-árido nordestino e o Vale do São Francisco, com o objetivo de aumentar a

oferta hídrica através de obras de regulamentação de alguns afluentes do São

Francisco e captação de bacias vizinhas para garantir o funcionamento do sistema

de reservatórios interligados por 3.700 quilômetros de canais, conforme VIEIRA,

MAYORGA (op.cit.).

Nesse mesmo ano, surge o Projeto São José, encampando as ações do

PAPP, no intuito de frear o fluxo migratório, com incentivos de ocupação e renda.

Em 1998, surgem diversos programas e ações menores, que também visam a

minorar os efeitos da seca na região:

a) Programa Comunidade Solidária – distribuição de cestas básicas;

b) Programa de Alfabetização Solidária – aprendizado profissionalizante;

(45)

d) perfuração de poços, instalação de dessalinizadores, construção de

barragens sucessivas e pequenas barragens subterrâneas, construção de

açudes e instalação de adutoras;

e) frentes de serviços e distribuição de cestas básicas;

f) construção do canal de integração Pacoti-Riachão – com a finalidade de

manter a regularidade do abastecimento de água em Fortaleza, sendo

considerada a maior estação de bombeamento de água do Nordeste.

Além dos investimentos diretos do Governo, esses programas e ações

contaram com o apoio de instituições como a Cáritas Regional, a Pastoral da Criança

e o Comitê de Oferta de Águas para o Abastecimento - formado pela Secretaria de

Desenvolvimento Urbano (SDU)/Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE)

e Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH)/Companhia de Gerenciamento dos

Recursos Hídricos (COGERH).

É importante contextualizar a economia cearense considerando também a

estrutura macroeconômica nacional e assim frisar as políticas do País que se

refletiram na agricultura brasileira e, por conseguinte, na cearense, ao longo desse

período. Na segunda metade da década de 1960, surgiram as políticas de crédito

rural e garantia de preços mínimos, bastante utilizadas na década de 1970 e início

dos anos de 1980, conforme DIAS, AMARAL (2001).

Entretanto, o esquema de subsídios e preços relativos, artificialmente criados

pelo Governo, privilegiou a produção de alimentos em detrimento dos produtos de

exportação, inibindo a vocação natural exportadora da agricultura. Assim, alguns

produtos como algodão, soja, milho, arroz e trigo tiveram a produção efetiva abaixo

da esperada.

Na década de 1970, ainda havia o sistema de substituição de importações de

insumos agroindustriais, como tratores, fertilizantes, equipamentos mecânicos etc. A

substituição desses insumos deu-se com taxas de juros subsidiadas e programas de

sustentação de preços mínimos financiados pelo Governo federal.

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TABELA 2: Taxas Anuais de Crescimento da Produtividade da Terra  para o Estado  do Cear á  e Mesorregi õ es, 1975-1995 (%)
TABELA  4:  Taxas  Anuais  de  Crescimento  da  Produtividade  do  Trabalho  e  seus
TABELA 6: Taxas Anuais de Crescimento da Produtividade do Capital para o Estado  do Cear á  e Mesorregi õ es, 1975-1995 (%)
TABELA  7:  Í ndice  Agregado  do  Produto  para  o  Estado  do  Cear á   e  Mesorregi õ es,  1975-1995
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Referências

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