• Nenhum resultado encontrado

Jacinto Lucas Pires Exactamente Antunes

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2022

Share "Jacinto Lucas Pires Exactamente Antunes"

Copied!
60
0
0

Texto

(1)

JA 2011

EI N O R

M A IO

2011

(2)
(3)

“Minhas senhoras e meus senhores, vai começar!”

Autor: Peço desculpa. Hoje não estou nos meus dias. Ontem

sim, ou anteontem. Desculpem. Desculpem hoje não ser dos meus dias. Mas isto estava marcado para hoje, tem de ser hoje.

Peço desculpa. Porém, tive uma ideia, que me parece que não é para desprezar. Não me lembro do que tinha de dizer. Quer dizer, não me esqueci do que ia dizer. Não me lembro é da ordem das palavras, mas sei exactamente – exactamente, pois – o que elas queriam dizer. Era… Era… uma coisa muito impor‑

tante. (Pausa.) Só desejo que tenhais vindo também, como eu, por uma coisa muito importante. Nem doutro modo vos estimaria. (Pausa.) Para mim e para vocês, o mais importante é cada um de nós. Nem estamos aqui para outra coisa.

É isto o que nos interessa – nós estarmos vivos. Vamos espreitar para tantos vivos que houve antes de nós e para tantos outros que há em volta de nós, para aprendermos a estar vivos. Antes de começar, pressinto que tudo vai acontecer bem. Temos aqui dentro desta sala tudo quanto nos é neces‑

sário – somos nós. Ainda que algum de vocês tenha vindo hoje aqui por acaso, não faz mal nenhum, é isto o que faz as pessoas – ter a certeza do acaso. Agora vou soltar palavras, pôr palavras à solta por cima das cabeças à espera de corações. (Pausa.) As pessoas estão sentadas à espera de ver se gostam. O verbo gostar. Hã. Ainda bem que nem eu nem vocês fazemos parte do público. Vai começar. (Pausa.) Não duvideis de mim, porque é a dúvida – ter a dúvida é saber exactamente o que estou a dizer.

Vai começar. Vai começar. (Pausa.) Como vedes, começa pelo princípio. Quantos ramos de flores e quantas navalhas abertas trazem vocês aí nas mãos, atrás das costas? Não digam, não respondam. Acreditam que se pode esconder o que se pensa?

Já repararam nos meus olhos? Reparem bem nos meus olhos, não são meus, são os olhos do nosso século. Os olhos que furam por detrás de tudo, vai começar. Minhas senhoras e meus senhores, vai começar! •

Jacinto Lucas Pires Exactamente Antunes

(4)

JAn-MAI 2011

MSBV ·· 11 Jan-31 Mai

LeituRas No MosteiRo

coordenação Daniel Pinto, Nuno M Cardoso, Paula Braga

iniciativa Novo Grémio do Porto, TNSJ

O TNDM II no TNSJ / TNSJ ·· 13-23 Jan

1974

encenação Miguel Seabra

co ‑produção TNDM II, Teatro Meridional

O TNDM II no TNSJ / TeCA ·· 20-30 Jan

o HoMeM eLefaNte

de Bernard Pomerance encenação Sandra Faleiro

co ‑produção TNDM II, Primeiros Sintomas

TNSJ ·· 26 Jan-20 Mar

MaRiaNa siLva No tNsJ

iniciativa integrada na exposição Às Artes, Cidadãos!

parceria Fundação de Serralves, TNSJ

MSBV ·· 28+29 Jan

odisseia: CoLóquio

coordenação José Luís Ferreira

organização TNSJ, Centro Cultural Vila Flor, Theatro Circo, Teatro de Vila Real

em colaboração com União dos Teatros da Europa

(5)

TNSJ ·· 5+6 Fev

as LágRiMas de saLadiNo

direcção e coreografia Rui Horta

co ‑produção Centro Cultural de Belém, O Espaço do Tempo, Centro Cultural Vila Flor, TEMPO – Teatro Municipal de Portimão, Câmara Municipal de Montemor ‑o ‑Novo, TNSJ

MSBV ·· 7-12 Fev

odisseia:

ofiCiNa de esCRita

coordenação Jean ‑Pierre Sarrazac, Alexandra Moreira da Silva

organização TNSJ, Centro Cultural Vila Flor, Theatro Circo, Teatro de Vila Real

em colaboração com União dos Teatros da Europa

TeCA ·· 11-13 Fev

taLk sHow

coreografia Rui Horta

co ‑produção Centro Cultural de Belém, O Espaço do Tempo, Centro Cultural Vila Flor, TEMPO – Teatro Municipal de Portimão, Teatro de la Laboral, TNSJ

TNSJ ·· 17-19 Fev

soMbRas

uma criação de Ricardo Pais

produção TNSJ

em co ‑produção com Centro Cultural Vila Flor, Teatro Viriato, São Luiz Teatro Municipal

TeCA ·· 18-20 Fev

beLa adoRMeCida

texto e encenação Tiago Rodrigues

co ‑produção Mundo Perfeito, Companhia Maior, CCB

TeCA ·· 25-27 Fev

sNapsHots

texto e encenação Carlos J. Pessoa

co ‑produção TNDM II, Teatro da Garagem, Teatro Municipal de Bragança

OdIsseIA:

dIA MundIAl dO TeATrO

Odisseia: DMT / TNSJ ·· 17 Mar-17 Abr

exaCtaMeNte aNtuNes

de Jacinto Lucas Pires a partir de Almada Negreiros

encenação Cristina Carvalhal, Nuno Carinhas

produção TNSJ

Odisseia: DMT / Estúdio Zero ·· 24-27 Mar

HoLiday

concepção e encenação Adriano Cortese texto Raimondo Cortese

produção Ranters Theatre (Austrália)

Odisseia: DMT / TeCA ·· 26 Mar-3 Abr

gLóRia, ou CoMo peNéLope MoRReu de tédio

texto e encenação Cláudia Lucas Chéu

co ‑produção AJ Produções, TNDM II, TNSJ

Odisseia: DMT / Casa da Música ·· 27 Mar

a febRe

de Wallace Shawn

encenação Marcos Barbosa interpretação João Reis

produção Teatro Oficina

(6)

TeCA ·· 8-17 Abr

azuL LoNge Nas CoLiNas

de Dennis Potter

encenação Beatriz Batarda

co ‑produção TNDM II, TNSJ, Culturproject, Centro das Artes Casa das Mudas

Praça da Batalha ·· 15-17 + 22-25 Abr

odisseia: poRtos

comissário Hélder Moutinho/HM Música

organização TNSJ, Centro Cultural Vila Flor, Theatro Circo, Teatro de Vila Real

em colaboração com União dos Teatros da Europa

28 Abr-1 Mai

odisseia: (a)MostRa

organização TNSJ, Centro Cultural Vila Flor, Theatro Circo, Teatro de Vila Real

em colaboração com União dos Teatros da Europa

Odisseia: (A)mostra / TNSJ ·· 28 Abr-1 Mai

exaCtaMeNte aNtuNes

Odisseia: (A)mostra / THSC ·· 28 Abr-1 Mai

a MoRte do dia de HoJe

de Howard Barker

encenação e interpretação Fernando Mora Ramos, João Cardoso

co ‑produção Teatro da Rainha, ASSéDIO

Odisseia: (A)mostra / MSBV ·· 28 Abr-15 Mai

a MoRte do paLHaço

texto Raul Brandão encenação João Brites

co ‑produção Teatro o bando, TNSJ

Odisseia: (A)mostra / TeCA ·· 29 Abr-1 Mai

LoCaL geogRapHiC

direcção e coreografia Rui Horta

co ‑produção CCB, O Espaço do Tempo, Centro Cultural Vila Flor, TNSJ

TNSJ+TeCA+MSBV ·· 5-22 Mai

odisseia:

teatRo do MuNdo

organização TNSJ, Centro Cultural Vila Flor, Theatro Circo, Teatro de Vila Real

em colaboração com União dos Teatros da Europa

TNSJ+TeCA+MSBV ·· 27 Mai-5 Jun

o fitei No tNsJ

organização FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica

apoio TNSJ

(7)

fo ra dE pO rTas gLóRia, ou CoMo peNéLope MoRReu de tédio

TNDM II (Lisboa) ·· 6‑30 Jan

soMbRas

Teatro Viriato (Viseu) ·· 13‑15 Jan São Luiz Teatro Municipal (Lisboa) ·· 28‑30 Jan

Teatro Micaelense (Açores) ·· 19 Mar Théâtre de la Ville (Paris) ·· 11+12 Abr

uma criação de Ricardo Pais produção TNSJ

em co ‑produção com Centro Cultural Vila Flor, Teatro Viriato, São Luiz Teatro Municipal

O TNSJ no TNDM II

taMboRes Na Noite

TNDM II (Lisboa) ·· 14‑23 Jan

de Bertolt Brecht encenação Nuno Carinhas produção TNSJ

aNtígoNa

Teatro Municipal de Almada ·· 3+4 Fev Teatro Aveirense (Aveiro) ·· 12 Fev

de Sófocles

encenação Nuno Carinhas produção TNSJ

azuL LoNge Nas CoLiNas

TNDM II (Lisboa) ·· 10‑20 Mar

Centro Cultural e de Congressos do Porto Santo (Madeira) ·· 22‑24 Abr

Centro das Artes Casa das Mudas (Madeira) ·· 29 Abr‑1 Mai

MaioRCa

TEMPO – Teatro Municipal de Portimão ·· 19 Mar

coreografia Paulo Ribeiro

co ‑produção Companhia Paulo Ribeiro, Centro Cultural Olga Cadaval, São Luiz Teatro Municipal, Teatro Viriato, TNSJ

paisageNs…

oNde o NegRo é CoR

Teatro ‑Cine de Torres Vedras ·· 26 Mar Teatro Virgínia (Torres Novas) ·· 2 Abr

coreografia e direcção Paulo Ribeiro

co ‑produção Companhia Paulo Ribeiro, Teatro Viriato, Centro Cultural de Belém, A Oficina / Centro Cultural Vila Flor, Teatro Micaelense, Teatro ‑Cine de Torres Vedras, Teatro Académico de Gil Vicente, Teatro Virgínia, Teatro Aveirense, TNSJ

(8)

11, 25 · JANEI rO 8, 22 · FEVE rEI rO 8, 22 · MA rÇO 5, 19 · AB rIL 3, 17, 31 · MAIO

(9)

Escassos quatro meses após o seu início, as Leituras no Mosteiro tornaram ‑se num dos segredos mais mal guardados das noites do Porto. Continuam a destinar ‑se a uns happy few, que a intimidade não se compadece de chusmas, mas esta estranha forma de felicidade que é a leitura não é exclusi‑

vista e os leitores tendem, bíblica e bibliografica‑

mente, a crescer e a multiplicar ‑se. “A Escritura cresce com aqueles que a lêem”, professava um monge beneditino de outras épocas. No Centro de Documentação do TNSJ, instalado no Mosteiro de São Bento da Vitória, este princípio é reanimado na leitura – seguida de heterodoxo debate, inter‑

rogações, desvios – de textos clássicos e contem‑

porâneos da dramaturgia universal. Nos textos a partilhar nesta leitura comunitária e em voz alta, estabelecem ‑se remissões para a programação do TNSJ e privilegiam ‑se autores incluídos nos progra‑

mas das escolas de teatro da cidade e do mestrado em Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, ensaiando ‑se também evasões menos didácticas ou programáticas. De Lorca a Arrabal, de Strindberg a Lars Norén ou de Shakespeare a Howard Barker, passando pelos novíssimos nacionais, o novo ciclo de Leituras no Mosteiro não se destina a matar o tempo. Anotou Maria Gabriela Llansol: “A leitura viva é o sinal dos tempos vivos”. •

Centro de Documentação do TNSJ Mosteiro de São Bento da Vitória

Rua de São Bento da Vitória · 4050 ‑543 Porto T 22 339 50 56 · F 22 339 50 69 · [email protected] Horário: seg‑sex 14:30 ‑18:00

coordenação Daniel Pinto Nuno M Cardoso Paula Braga

————————————

iniciativa Novo Grémio do Porto TNSJ

————————————

Calendário 11+25 Jan 8+22 Fev 8+22 Mar 5+19 Abr 3+17+31 Mai

Mosteiro São Bento da Vitória 11 Jan 31 Mai 2011

ter 21:00

COOrdENAÇÃO dANIEL PINTO NUNO M CArdOSO · PAULA BrAGA

(10)
(11)

Este espectáculo devolve ao espec‑

tador, reapropriadas pelos corpos e rostos dos actores, as memórias de um breve momento de comunhão absoluta, que mal rompeu com a vida salazarenta de antes do 25 de Abril logo se esfumou diante dos olhos dos portugueses. O facto de essa experi‑

ência de paralisia, ruptura e dispersão só poder ser reconstituída da melhor maneira em palco, sem palavras, mas com recurso a estímulos sensoriais dispostos com mestria, parece ser o segredo da adesão a este espectáculo.

O autor de um dos mais fiéis e fulgu‑

rantes testemunhos artísticos desta transição, José Mário Branco, é o responsável pela sonoplastia e música

deste espectáculo, ele que já era co ‑inventor da banda sonora real dos portugueses. O fruto deste trabalho é uma poética da presença, que consegue tocar onde poucos chegam.

É o espectáculo que o teatro portu‑

guês pedia já há que tempos. • Jorge Louraço Figueira

Excerto de “Um teatro a sul do tempo”. Público:

Ípsilon (26 Nov. 2010).

O Teatro Meridional avista Portugal do alto de um promon‑

tório, o ano de 1974, ponto a partir do qual é possível, entre continuidades e rupturas, esboçar um antes e um depois na nossa história contemporânea. O Estado Novo, o 25 de Abril, a integração europeia e a “normalidade democrática” – maté‑

ria exposta para indagar, de uma forma mais evocativa do que ilustrativa, essa abstracção que leva o nome de “identi‑

dade portuguesa”. E como vem sendo habitual no trabalho deste colectivo (recordemos Para Além do Tejo e Por Detrás dos Montes), essa indagação faz ‑se por via de uma contida e expressiva rede de gestos e músicas, que quase prescinde da palavra para comunicar. Onze actores contam então com o corpo o tempo e o modo deste país eternamente adiado, levantando pequenas fábulas sobre a “efemeridade da utopia”, para pegarmos nas palavras do encenador Miguel Seabra, esse superlativo orquestrador de sentidos. Com 1974, retomamos contacto com o Meridional num momento parti‑

cularmente feliz do seu percurso: foi distinguido em 2010 com o XII Prémio Europa Novas Realidades Teatrais, atribuído pela União dos Teatros da Europa. •

Teatro Nacional São João 13-23 Jan 2011

O T N D M I I N O T N S J

————————————

criação Teatro Meridional

————————————

encenação Miguel Seabra assistência artística Jean Paul Bucchieri dramaturgia Francisco Luís Parreira espaço cénico e figurinos Marta Carreiras desenho de luz Miguel Seabra música original e sonoplastia José Mário Branco coordenação geral Natália Luiza

————————————

interpretação Carla Galvão Cláudia Andrade David Pereira Bastos Emanuel Arada Filipe Costa Inês Lua Inês Mariana Moitas João Melo Miguel Damião Rui M. Silva Susana Madeira

————————————

co ‑produção TNDM II Teatro Meridional

————————————

estreia [18Nov2010]

Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa)

qua‑sáb 21:30 dom 16:00 dur. aprox. [1:30]

M/12 anos

(12)

o H o M eM E L e F A N T e

(13)

A história de O Homem Elefante não começou nas ruas de Londres.

Começou no Chiado com a Companhia do saudoso Mário Viegas. Na altura, eu tinha vinte anos e fui convidada pelo Mário para participar, como actriz, precisamente nesta peça de Bernard Pomerance. Podem imaginar o que representou para mim traba‑

lhar com o senhor poesia da minha infância. Um sonho e uma honra.

Trabalhámos durante quatro meses, com o Mário já bastante doente, até que ele desistiu e decidiu encenar Uma Comédia às Escuras, de Peter Shaffer. Ainda hoje não percebo a razão dessa desistência. Talvez fosse a trágica lucidez de estar perto do fim que o levou à inevitável comédia.

Quando a Companhia Teatral do Chiado fez cinco anos, convidou ‑me para encenar o Vai e Vem de Samuel Beckett, a minha estreia na encenação. Foi ele que me deu confiança para agarrar num texto e interpretá ‑lo para outros o interpre‑

tarem, primeiro os actores e depois o público. E, desde então, nunca mais esqueci a história deste homem singular. Um monstro que afinal não era um monstro, mas que queria ser igual aos outros. •

Sandra Faleiro

Excerto de “O Homem Viegas”. In O Homem Elefante: [Programa]. Lisboa: Teatro Nacional D. Maria II, 2010.

A história de Joseph Merrick – inglês da segunda metade do século XIX, vítima de uma doença rara que lhe deformou cara e corpo – começou a ser imortalizada por David Bowie, que protagonizou a peça de Bernard Pomerance durante longos oito meses nos palcos da Broadway. Imortalizou ‑a definitivamente John Hurt, no filme de David Lynch que tinha por teaser uma das declarações de Merrick: “Eu não sou um elefante! Eu não sou um animal! Eu sou um ser humano!

Eu sou… um homem!” Retomando um projecto gorado de Mário Viegas em que participava como actriz, Sandra Faleiro encena O Homem Elefante, descrevendo ‑nos a trajectória desta criatura que de atracção em freak shows passa a curio‑

sidade da comunidade científica e, finalmente, a coqueluche do meio artístico e aristocrático. O espectáculo desencadeia um jogo de espelhos, privilegiando uma leitura mais alegó‑

rica que naturalista: ao revelar a humanidade que se esconde sob uma repulsiva monstruosidade, dá também a ver a subtil monstruosidade que radica sob uma aparência de normali‑

dade… “Venham ver que eu monstro ‑vos.” •

Teatro Carlos Alberto 20-30 Jan 2011

O T N D M I I N O T N S J

————————————

de

Bernard Pomerance tradução e dramaturgia Miguel Castro Caldas

————————————

encenação Sandra Faleiro cenografia Stéphane Alberto figurinos Paulo Mosqueteiro sonoplastia e música original Sérgio Delgado desenho de luz José Manuel Rodrigues

————————————

interpretação António Fonseca António Mortágua Cláudio da Silva Manuel Coelho Ricardo Neves ‑Neves Rita Lello Vera Kalantrupmann

————————————

co ‑produção TNDM II Primeiros Sintomas

————————————

estreia [30Set2010]

Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa)

qua‑sáb 21:30 dom 16:00 dur. aprox. [1:50]

M/12 anos

E L e F A N T e

(14)

MARIANa

s ILvA NO TNSJ

(15)

Circula por aqui um desejo imenso de interrogar as intersecções entre a arte e o político, no interior de duas institui‑

ções culturais que habitam a mesma cidade. Falamos de uma ideia de comu‑

nidade quando falamos da extensão da exposição Às Artes, Cidadãos! – organi‑

zada pela Fundação de Serralves – ao Teatro Nacional São João. Uma série de peças interdependentes assinadas por Mariana Silva (Lisboa, 1983) – a refe‑

rência ao teatro e aos seus protocolos tem sido uma constante no seu traba‑

lho – coloca em relação dois espaços icónicos da aventura democrática: o Museu e o Teatro. No Museu de Arte Contemporânea de Serralves, a artista concebe uma peça sonora que remete para o momento de entrada e saída do público numa sala de espectáculos.

No TNSJ, o vídeo Como deveremos ser chamados, a instalação S/ título (arco) e a performance Notações para a descida do pano de cena (uma visita guiada conduzida por um actor) reflec‑

tem sobre a questão da revolta dos espectadores contra conhecidas obras teatrais. Memória e revolta, ou o ques‑

tionamento do papel do espectador e do seu grau de intervenção na recep‑

ção da arte – coordenadas possíveis para a construção de uma consciência política. •

Teatro Nacional São João 26 Jan 20 Mar 2011

iniciativa integrada na exposição Às Artes, Cidadãos!

————————————

comissariado João Fernandes Óscar Faria parceria

Fundação de Serralves TNSJ

26‑30 Jan Como deveremos ser chamados S/ título (arco) qua‑dom 15:00+16:00+17:00

————————————

26‑30 Jan

Notações para a descida do pano de cena interpretação David Santos Como deveremos ser chamados S/ título (arco) qua‑dom 17:30

————————————

8+9 Fev Como deveremos ser chamados ter+qua 18:30

————————————

8+9 Fev

Notações para a descida do pano de cena interpretação David Santos ter+qua 19:00

————————————

19+20 Mar

Notações para a descida do pano de cena interpretação David Santos sáb+dom 11:00

————————————

19+20 Mar Como deveremos ser chamados sáb+dom 12:45

(16)
(17)

Mosteiro São Bento da Vitória 28+29 Jan 2011

concepção do projecto Odisseia

José Luís Ferreira

————————————

organização TNSJ

Centro Cultural Vila Flor Theatro Circo Teatro de Vila Real em colaboração com União dos Teatros da Europa

Dos despojos de Tróia até regressar a Ítaca, Ulisses errou durante vinte anos. A sua viagem, feita de empreendimento e astúcia, de fado e perigo, de descidas ao inferno da verdade, de uma candura poética que resgata a mentira e a sedição, de um turvo olhar ocidental sobre o outro, é a fonte de todas as viagens, é o espelho vertiginoso onde, tal como Ulisses conta a sua viagem aos Feaces, nos transformamos nos narradores de nós próprios. Essa viagem é a Odisseia. Para a desbravar, convidamos um número apreciável de pessoas interessantes, que vêm dos universos da política, da filo‑

sofia, da criação artística, das universidades, de Portugal e do mundo lá fora. Desde as releituras da obra em tradução até à interpelação da criação artística nas aras da cidadania e das novas sociedades multiculturais, cheias de viajantes sem retorno, até à utopia de uma cultura da política, outra que não esta espécie de teia de Penélope, sempre fazendo‑

‑se e desfazendo ‑se enquanto os pretendentes arruínam o presente afirmando construir um futuro, de tudo um pouco se discutirá ao longo destes dois dias de Janeiro.

Odisseia: Colóquio é o primeiro passo de uma iniciativa conjunta do Teatro Nacional São João, do Centro Cultural Vila Flor, do Theatro Circo de Braga e do Teatro de Vila Real, com o envolvimento activo da União dos Teatros da Europa, um projecto que tenderá a envolver a comunidade teatral da região Norte, dos criadores aos públicos, dos programadores aos mediadores, num processo de interrogação e qualificação das suas experiências, à descoberta dos mecanismos reais de diálogo entre a criação artística teatral e os processos políti‑

cos e sociais que determinam a contemporaneidade. •

(18)

Teatro Nacional São João

5+6 Fev 2011

Teatro Carlos Alberto

11-13 Fev 2011

TALK SHOW

ruI HorTA

ruI HorTA

(19)

coreografia, espaço cénico, desenho de luz, multimédia Rui Horta

música original Tiago Cerqueira textos

Rui Horta, Tiago Rodrigues composição vídeo Guilherme Martins

————————————

interpretação Anton Skrzypiciel Vivien Wood Beatriz Pereira João Martins

————————————

co ‑produção Centro Cultural de Belém, O Espaço do Tempo, Centro Cultural Vila Flor, TEMPO – Teatro Municipal de Portimão, Teatro de la Laboral, TNSJ

————————————

estreia [15Out2009] Centro Cultural de Belém (Lisboa)

————————————

sex+sáb 21:30 dom 16:00 dur. aprox. [1:15]

M/12 anos

direcção, espaço cénico, desenho de luz Rui Horta coreografia Rui Horta, em conjunto com todos os intérpretes textos

Rui Horta, Tiago Rodrigues música e direcção musical João Lucas

————————————

interpretação Gilles Baron Katarzyna Sitarz Marcus Baldemar Milán Újvári Noemí Viana Garcia Silvia Bertoncelli VVít Barták

————————————

músicos Anthony Wheeldon (guitarra e electrónica), DJ Ride (turntable e electrónica), Marco Santos (percussão e electrónica), Paulo Temeroso (sopros e electrónica) banda filarmónica Banda da Sociedade Carlista (Montemor ‑o ‑Novo)

————————————

co ‑produção Centro Cultural de Belém, O Espaço do Tempo, Centro Cultural Vila Flor, TEMPO – Teatro Municipal de Portimão, Câmara Municipal de Montemor ‑o‑

‑Novo, TNSJ

————————————

estreia [5Mar2010] Centro Cultural de Belém (Lisboa)

————————————

sáb 21:30 dom 16:00 dur. aprox. [1:30]

M/12 anos

Se o critério fosse a escala, caminharíamos do maior para o mais pequeno na sequência de apresentação das obras que Rui Horta conce‑

beu, enquanto artista associado do Centro Cultural de Belém, na temporada 2009 ‑2010.

Um concerto sinfónico (As Lágrimas de Saladino), selvagem e babélico, onde baila‑

rinos de sete nacionalidades convivem com uma miríade de músicos e de músicas, para em conjunto produzirem uma amálgama de sons e sentidos, sinalizando assim este território sem fronteiras levantado em palco. Rui Horta roubou o título desta sua criação ao 10.º capítulo de As Cruzadas Vistas pelos Árabes, de Amin Maalouf.

Quando entrou em Jerusalém no ano de 1187, após 91 anos de sangrenta ocupação pelos combatentes cristãos do Ocidente, Saladino deu ordens aos seus soldados para evitar a pilhagem e o massacre. Quando a religião volta a ser o ponto de todas as discórdias, o coreógrafo parte deste “acto de compaixão” para nos propor uma reflexão sobre a construção da incógnita, lugar de permanente tensão mas de incomensurável poesia.

Uma peça de música de câmara (Talk Show), para quatro intérpretes e duas colunas de som.

Um questionamento sobre o corpo enquanto sistema comunicante e sobre o seu desapare‑

cimento ao longo da vida no território maior da sua evidência: o amor. Um homem e uma mulher falam um com o outro à frente de uma plateia.

As suas linguagens são simultaneamente a voz e o corpo. O corpo é a nossa única propriedade, tudo o que realizamos tem a sua medida, tanto no espaço como no tempo. Talk Show é um road movie do corpo. Um exercício de curiosidade e inquietude perante o desconhecido.

Finalmente, uma suite para instrumento solo (Local Geographic), que apresentaremos em finais de Abril, fechando em modo intimista a compilação em cena dos últimos capítulos da obra de uma personalidade central na afirma‑

ção, aquém e além ‑fronteiras, da dança contem‑

porânea portuguesa. •

(20)
(21)

Uma perspectiva ampla sobre um processo de qualificação da experiência dos diversos protagonistas que concorrem para o acto teatral não poderia prescindir de um raciocínio sobre a escrita dramática. Da torrente de ideias que terá emergido do colóquio de Janeiro, organiza ‑se um processo de criação em ambiente de formação capaz de as deter em ficções dramatizáveis. Jean -Pierre Sarrazac, professor no Instituto de Estudos Teatrais de Paris III, Sorbonne Nouvelle, autor de obra dramática e de análises fundamentais sobre a natureza do acto dramatúrgico (o TNSJ publicou, em 2002, O Futuro do Drama e apresta ‑se a publicar Eu Vou ao Teatro Ver o Mundo), saberá ser não apenas um motor da escrita como uma inesgotável fonte de informação qualificada sobre o património herdado e sobre as estratégias da dramatur‑

gia contemporânea. A acompanhá ‑lo, Alexandra Moreira da Silva, investigadora em Estudos Teatrais e Estudos de Tradução, garante não apenas o trânsito entre línguas e a constância de acompanhamento dos formandos, como reforça essa intenção de juntar ao gesto de criação uma estrutura sólida de conhecimento, condição prévia a qual‑

quer real emergência do novo. •

Mosteiro São Bento da Vitória 7-12 Fev 2011

coordenação Jean ‑Pierre Sarrazac Alexandra Moreira da Silva

————————————

organização TNSJ

Centro Cultural Vila Flor Theatro Circo Teatro de Vila Real em colaboração com União dos Teatros da Europa

OdisSeia:

oFICINA dE ESCrITA

COOrdENAçÃO · JEAN-PIErrE SArrAZAC, aLexaNdRa MOReiRa dA siLva

(22)
(23)

Sombras é naturalmente atraves‑

sado pelo fado, o género musical por excelência, e pelas suas canções.

O fado, a que as vozes de José Manuel Barreto e Raquel Tavares dão esplen‑

didamente corpo, é definido com perspicácia por Ricardo Pais como

“flamengo impotente” e, acres‑

centaríamos nós, exangue, literal‑

mente dessangrado: nas imagens projectadas, duas das personagens‑

‑intérpretes vomitam sangue (alusão à figura da jovem Maria de Frei Luís de Sousa, tuberculosa). Imagem de uma

“beleza convulsa”, diriam os surrea‑

listas, simboliza a doença da paixão ou a paixão como doença e restitui de um modo perfeito o mood conta‑

minado de Sombras, uma mistura de romântico e gótico a deslizar em direcção ao grand guignol e, por fim, ao cabaré, naturalmente metafí‑

sico, isto é, sem corpo, mas pleno de ironia. Intensifica ‑se um contínuo

intercâmbio de atributos entre as personagens, a diluição de fronteiras entre actores, performers e músicos nas duas metades do espaço cénico, a pulverização de qualquer limite físico que alude naturalmente à pulveri‑

zação de todas as fronteiras entre géneros, numa lógica que torna ainda mais labiríntica a arquitectura drama‑

túrgica e a encenação de Ricardo Pais. •

Bruno Di Marino

Excerto de “Uma estética da desencarnação”.

In Sombras: [Programa]. Porto: Teatro Nacional São João, 2010.

Teatro Nacional São João 17-19 Fev 2011

Sombras de Ricardo Pais é e não é teatro. Tem o seu coração no Fado e inclui composições originais de Mário Laginha, mas – ao contrário do que acontecia em Raízes Rurais. Paixões Urbanas (1997) e Cabelo Branco é Saudade (2005) – a lógica dramatúrgica não advém exclusivamente da música.

Sombras assenta num apurado guião de textos onde Frei Luís de Sousa e Castro detêm um valor matricial, e é atra‑

vessado pelos nossos fantasmas lendários, o gosto das pequenas histórias, a melancolia das variedades, o vigor do fandango, o prazer cénico de experimentar os opostos, o desdobramento dos olhares sobre nós próprios – e a força percussiva da mais alta literatura dramática. Após a assom‑

brosa recepção em Novembro passado, e antecedendo a apresentação no Théâtre de la Ville (Paris), Sombras reapa‑

rece no seu palco originário. Três oportunidades apenas para avaliar da materialidade destes assombramentos e incandescências da nossa natureza teimosa e paradoxal.

Definitivamente, como se dizia a propósito de Fados (1994), do mesmíssimo e sempre diferente Ricardo Pais, “a nossa alma é uma coisa concreta”. •

uma criação de Ricardo Pais

————————————

vídeos Fabio Iaquone Luca Attilii

música original e direcção musical

Mário Laginha coreografias Paulo Ribeiro cenografia Nuno Lacerda Lopes figurinos Bernardo Monteiro desenho de luz Rui Simão desenho de som Francisco Leal voz e elocução João Henriques consultor musical (fados) Diogo Clemente guião e encenação Ricardo Pais

assistência de encenação Manuel Tur

————————————

interpretação José Manuel Barreto, Raquel Tavares (fadistas), Emília Silvestre, Pedro Almendra, Pedro Frias (actores), Carla Ribeiro, Francisco Rousseau, Mário Franco (bailarinos), Mário Laginha, Carlos Piçarra Alves, Mário Franco, Miguel Amaral, Paulo Faria de Carvalho/Diogo Clemente (músicos), Albano Jerónimo António Durães, João Reis e Teresa Madruga (participação especial em vídeo)

————————————

produção TNSJ

em co ‑produção com Centro Cultural Vila Flor Teatro Viriato São Luiz Teatro Municipal colaboração OPART

————————————

estreia [18Nov2010]

TNSJ (Porto)

qui‑sáb 21:30 dur. aprox. [1:45]

M/12 anos

(24)

beLA AdOrMECIda

(25)

Teatro Carlos Alberto 18-20 Fev 2011

texto e encenação Tiago Rodrigues cenografia e desenho de luz Thomas Walgrave figurinos Patrícia Raposo vídeo Bruno Canas assistência de encenação Cláudia Gaiolas

————————————

interpretação António Pedrosa Carlos Nery Celeste Melo Cristina Gonçalves Diana Coelho Helena Marchand Isabel Millet Isabel Simões Iva Delgado Júlia Guerra Kimberley Ribeiro Manuela de Sousa Rama Michel

Vítor Lopes

————————————

co ‑produção Mundo Perfeito Companhia Maior CCB

————————————

estreia [28Out2010]

Centro Cultural de Belém (Lisboa)

Como na fábula, quem dá corpo a esta Bela Adormecida é alguém a acordar para o mundo. Chama ‑se Companhia Maior, não porque seja especialmente numerosa ou porque a sua actividade seja invulgarmente vasta, mas porque tem a particularidade (inédita, em Portugal) de ser constituída por pessoas – actores, músicos, bailarinos, e não só – que exce‑

deram já a fasquia dos 60 anos e se encontram afastadas dos palcos, dos ecrãs, dos microfones. Não se trata, contudo, de uma espécie de generation gap invertido. O espectáculo é assinado por um actor, dramaturgo e encenador nascido em 1977, Tiago Rodrigues, que encontrou no conto de fadas matéria ‑prima privilegiada para pensar as questões que informaram o gesto fundador da companhia: a passagem do tempo, o valor da experiência, o dom da memória, as segundas oportunidades. Variação contemporânea, em tom maior, de um clássico, Bela Adormecida compõe ‑se também do material decantado de histórias e experiências pessoais dos intérpretes, revelando ‑se em vozes mais roucas, cabelos brancos e óculos de ver ao perto. •

Bela Adormecida contém, enquanto fábula e enquanto obra canónica para as artes do palco durante o último século, diversos elementos que nos remetem para esta reflexão acerca da passagem do tempo. Bela Adormecida é um terreno fértil para um espectá‑

culo que pensa o próprio conceito que levou à criação desta companhia. É possível acordar num tempo que não é o seu e torná ‑lo seu?, pergunta ‑nos esta ficção. Será sequer possível que o presente seja pertença de alguém?

E que lugar reserva o mundo para aqueles por quem passou um século de sono, enfeitiçados, e que agora acordam no futuro? •

Tiago Rodrigues

Excerto de “O espectáculo como contemporaneidade pela via da memória”.

In Companhia Maior: [Dossier do Projecto].

Lisboa: CCB, 2010.

No tradicional conto de fadas, o tempo não passou nesses anos de esquecimento. Aurora desperta para a vida, com juventude. O beijo condensa felicidade e redenção. Na Bela Adormecida escrita e encenada pelo dramaturgo Tiago Rodrigues para peça inaugural da nova Companhia Maior, não é bem assim. A verdade cola ‑se à fantasia, põe carga em cada gesto, e os ponteiros sublinham o tiquetaque do relógio. Não para que deixemos de acreditar em fadas. Ao contrário: para que acreditemos, mesmo perante a inelutável passagem do tempo. •

Ana Dias Cordeiro

Excerto de “A Bela Adormecida tem uma segunda oportunidade”. Público: Ípsilon (29 Out. 2010).

sex+sáb 21:30 dom 16:00 dur. aprox. [1:30]

M/12 anos

(26)

S N AP S H O TS

(27)

25

Teatro Carlos Alberto 25-27 Fev 2011

texto, encenação, concepção plástica Carlos J. Pessoa dramaturgia David Antunes cenografia e figurinos Sérgio Loureiro música Daniel Cervantes desenho de luz Miguel Cruz vídeo Pedro dos Santos Teresa Azevedo Gomes fotografia Teresa Azevedo Gomes

————————————

interpretação Ana Palma António Banha Carolina Sales David Cabecinha Dinis Machado Fernando Nobre José Neves Maria João Vicente Miguel Mendes Nuno Nolasco Nuno Pinheiro Tiago Lameiras

————————————

co ‑produção TNDM II Teatro da Garagem Teatro Municipal de Bragança

————————————

estreia [19Nov2010]

Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa)

Adélia Z e O Significado da Mobília chegaram ‑nos em 2004, quatro anos depois de aqui termos co ‑produzido in(sub)- missão, espectáculos onde a resistência ao sentido era equa‑

cionada com o impulso de contar histórias. Muitos mistérios e muitas histórias depois, o Teatro da Garagem volta a ocupar os nossos palcos para responder à pergunta: “Haverá em cada snapshot uma história de amor irreprimível?” Snapshots coloca a resposta em movimento. O cenário é o estúdio de Miss Mara: um ecrã negro que ocupa o fundo de cena onde se projectam vídeos, o chão é uma piscina de fotografias.

Miss Mara anda sempre com uma máquina fotográfica e fotografa sem olhar – é a mão que vê. Miss Mara tenta cons‑

truir possibilidades ficcionais a partir do material fotográfico e cénico disponível. Cada história desenvolve ‑se a partir de uma fotografia e cada fotografia gera cada uma das perso‑

nagens, que assim se intrometem no meio das coisas deste mundo. “Do mundo como aventura”, nota o autor e encena‑

dor Carlos J. Pessoa em chave vitalista. Este espectáculo, recorda, é “um convite à liberdade”, um memento vivere, expressão latina para “lembra ‑te de viver”. O teatro, a ter de servir para alguma coisa, também serve para nos dizer isto. •

Em cada espectáculo fotografamos os espectadores, o teatro, a nós mesmos, o aqui e agora, e dispomo‑

‑nos a encontrar as histórias de amor patentes num gesto, no fragmento.

Supomos que a natureza do discurso amoroso suporta essa fragmentação, esse inacabamento. Se amar é decidir pelo cuidado afectuoso, essa decisão pressupõe um alimento contínuo, uma luta, que implica o empenho de todas as nossas forças. Não há alter‑

nativas ao amor assim que decidimos

amar. Se amar é esgotarmo ‑nos, o ardil fotográfico, a morte ‑vida, o negativo ‑positivo que se desprende da imagem capturada, pode dar, desse esgotamento, testemunho? • Carlos J. Pessoa

Excerto de “Sobre Snapshots”. In Snapshots:

[Dossier do Projecto]. Lisboa: Teatro da Garagem, 2010.

sex+sáb 21:30 dom 16:00 dur. aprox. [1:50]

M/12 anos

S N AP S H O TS

(28)

“Nós não somos do século de inventar as palavras. As palavras já foram inventadas.

Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.”

Com Exactamente Antunes, é como se Jacinto Lucas Pires – concitado por Nuno Carinhas – respondesse ao apelo de Almada Negreiros, desencaminhando‑

‑lhe Nome de Guerra para a cena. Obra de uma prodigiosa frescura e ingenuidade, o romance instala ‑nos no percurso (ou carrossel) iniciático de Antunes, provin‑

ciano sacudido pelos acasos da sorte na grande cidade, que, entre o clube nocturno e o quarto de hotel, acumula a experiência bastante para concluir que…

nenhum saber resulta da acumulação de experiência. Partilhando com Almada o prazer dos paradoxos e a lúdica reinvenção da linguagem, Jacinto Lucas Pires explora a teatralidade que informa este “espectáculo de um homem em luta livre consigo mesmo”, ora pirandellizando -o – por lá irrompe, em futurista fato ‑macaco, o Autor em busca da sua personagem –, ora brechtianizando -o, ao projectar em cena títulos de capítulos e outras sentenças, irónicas e desconcertantes. Nuno Carinhas assume, enquanto cenógrafo e figurinista, o papel de tridimensionar esta “obra ‑prima de desenho”, como lhe chamou David Mourão ‑Ferreira. A encenação, partilha ‑a com Cristina Carvalhal, num gesto de cele‑

bração do génio de Almada, para quem o teatro é “o escaparate de todas as artes”. •

EX aCTA MeNt E

ANtunEs

(29)

Teatro Nacional São João 17 Mar 17 Abr 2011

E s t re i a a b s o lu ta

————————————

de Jacinto Lucas Pires a partir de Nome de Guerra, de Almada Negreiros

————————————

encenação Cristina Carvalhal Nuno Carinhas cenografia e figurinos Nuno Carinhas desenho de luz Nuno Meira desenho de som Francisco Leal

————————————

interpretação Joana Carvalho João Castro Jorge Mota José Eduardo Silva Lígia Roque Paulo Freixinho Paulo Moura Lopes

————————————

produção TNSJ

qua‑sáb 21:30 dom 16:00 M/12 anos

EX a CTAMeNt E ANtunEs

Antunes quer tornar ‑se no que é, mas não sabe como. A história de um homem de brandos costumes que se apaixona ‑ou ‑qualquer ‑coisa por uma mulher da vida com um nome falso – Judite, nome de guerra – e descobre a grande pergunta da identi‑

dade. E tudo isso – fluxo de consci‑

ência, comédia romântica, folhetim realista, tragédia clássica, falso melodrama, documentário social, farsa musical, etcétera e tal – aconte‑

cendo no português moderno e sempre justo de Almada. Que privi‑

légio para um dramaturgo ser convi‑

dado a entrar num Nome assim. Que alegria o trabalho de traduzir um livro tão vivo para língua de teatro. E logo no São João!

Mas quem é, afinal de contas, este Antunes? Um problema em LXIV capítulos. Diz Judite: “Fiteiro!

Cínico!” Diz D. Jorge: “O amigo mais fixe que encontrei em toda a minha vida!” Diz o Narrador: “É o retarda‑

tário que não está a horas na vida”.

Diz a Rapariga que passa: “Parece parvo!” Diz o próprio: “Que não me encontraste. Que já saí”. E digo eu:

A vida de Antunes é de uma portu‑

guesíssima dificuldade, uma vida em forma de saudade ‑de ‑si ‑mesma. Em cima de uma tristeza sem causa – uma tristeza ao mesmo tempo profunda e vaga, “existencial” e “histórica”, confusa e simples –, uma série de puros espantos, as mais virgens felici‑

dades, uma inocência desconcer‑

tante. Antunes é um triste, claro, mas também alguém ainda capaz de ver como que pela primeira vez: a cidade, o corpo, as estrelas. Alguém que sabe demais e não sabe o básico. Enfim, um homem “dentro da realidade, com a porta fechada e sem chapéu”.

Antunes, pois, só podia acontecer em Portugal e em português. Antunes só podia ser Antunes. Que mistério que alguém feito de palavras possa ser assim tão exactamente. •

Jacinto Lucas Pires

(30)

HolIdaY

(31)

Estúdio Zero 24-27 Mar 2011

concepção e encenação Adriano Cortese texto Raimondo Cortese desenho de som David Franzke desenho de luz Niklas Pajanti cenografia Anna Tregloan

————————————

interpretação Paul Lum Patrick Moffatt

————————————

produção

Ranters Theatre (Austrália)

————————————

estreia [8Ago2007]

Arts House (Melbourne, Austrália)

É o regresso ao Porto da companhia australiana Ranters Theatre, dos irmãos Cortese (Adriano, o encenador;

Raimondo, o dramaturgo) e dos talking heads ou tagarelas compulsivos que habitam o seu teatro. Visitaram ‑nos pela primeira vez em plena Capital Europeia da Cultura, num PoNTI que durou todo o ano de 2001; voltaram em 2003, à boleia de Coimbra – Capital Nacional da Cultura; e regressam agora, a bordo do Odisseia, para celebrar o teatro e o seu Dia Mundial. De Holiday pode ‑se dizer que é uma gentil provo‑

cação. Num pacato dia de férias, dois estranhos descansam junto a uma piscina. Nada têm para fazer, e provavelmente nada têm para dizer. Todavia, sob diálogos aparentemente inconsequentes e longos silêncios, circulam fantasias ínti ‑ mas, ansiedades e culpas encapotadas, inquietações que se plasmam em inesperadas canções barrocas, cantadas a cappela pelos actores em calções de banho. Uma incur‑

são nas complexidades do chamado “homem simples”, feita num frugal quadro cénico, uma das imagens de marca da companhia de Melbourne, a par do primado absoluto de uma representação viva. •

qui‑dom 21:30 dur. aprox. [1:20]

M/12 anos

Esta peça sobre nada contém magní‑

ficas camadas de temas estimulantes.

Apesar de não sabermos nada de importante sobre estes dois homens, cada palavra e cada frase ganham muito mais sentido porque quem eles são, a sua identidade e relação um com o outro, é algo que está a ser construído instante a instante. Não há história, no sentido de uma narra‑

tiva em desenvolvimento, apenas uma sequência de momentos crista‑

linos que podem ir de aborrecidos a belos num só salto. O cenário de Anna Tregloan – uma caixa branca inten‑

samente iluminada que contém a piscina, várias cadeiras e um par de bolas de praia – contradiz a comple‑

xidade que palpita sob a simplicidade aparentemente minimalista da peça.

As interpretações de Lum e Moffatt são requintadamente moduladas e

refinadas, produzindo um naturalismo que nunca parece forçado. Os irmãos Raimondo e Adriano Cortese têm vindo a criar uma poderosa obra sob a égide dos Ranters, e esta peça afável, de tonalidades subtis e intelectual‑

mente rigorosa é claramente um dos seus melhores trabalhos. •

John Bailey

The Age (19 Aug. 2007).

(32)
(33)

Este projecto foi escrito para ir a cena.

Este projecto fala da espera, mas não quer fazer ‑se esperar. Fala também da não ‑inscrição, mas quer com toda a certeza inscrever ‑se no panorama teatral nacional. É a oportunidade de reflectir sobre a possibilidade de podermos desacelerar, num mundo que circula cada vez mais veloz e se consome de forma descartável.

Esperar o tempo certo para que a fruta ou o vinho amadureçam, tornando ‑os especiais de reserva; e de como isto se transfere para as relações humanas.

Em Glória, queremos também reflectir sobre o porquê de cada vez mais não nos inscrevermos na sociedade e de

como isso se espelha no discurso e no corpo de quem vive aqui e agora.

Segundo José Gil (filósofo português residente em Paris), os portugueses não fazem o luto e com isto prolongam ad nauseam a espera, como se as coisas não estivessem realmente inscritas no presente, mas se inscre‑

vessem em alguma coisa que ainda está para vir. Subscrevendo total‑

mente esta ideia, escrevi Glória. • Cláudia Lucas Chéu

Em Glória, ou Como Penélope Morreu de Tédio ressoam temas e personagens da epopeia grega, mas este projecto olha de frente para a psicopátria lusa. Chega ‑nos com aquele sentido de urgência que caracteriza grande parte da novíssima dramaturgia portuguesa, território em expansão de onde emerge o nome de Cláudia Lucas Chéu, actriz que se tem aventurado na pele de autora e encenadora. Neste solo a várias vozes interpretado por Albano Jerónimo, colocam ‑se em tensão aspectos do modo atávico de ser português – a transmissão do medo, a paralisia da espera, a recusa do luto –, espécie de variação crítica do mito de D. Sebastião feita a partir de personagens inspiradas na Odisseia de Homero. Há uma figura, Pathos, que compõe um hino dedicado à espera da mãe, e esse filho e essa mãe poderiam chamar ‑se Telémaco e Penélope, condenados a desesperar pelo regresso de Ulisses a Ítaca, de onde partiu para combater na guerra de Tróia. Em Glória, a espera é um bem precioso que convida ao silêncio e à reflexão, mas é também um prejuízo, porque é o compasso vazio entre o passado (as memórias vividas) e o futuro por vir que ideali‑

zamos nas nossas cabeças. •

Teatro Carlos Alberto 26 Mar 3 Abr 2011

texto e encenação Cláudia Lucas Chéu espaço cénico e figurinos Ana Limpinho espaço sonoro Vítor Rua desenho de luz Nuno Meira realização vídeo Sérgio Graciano direcção de fotografia Miguel Manso assistência de encenação Solange Freitas

————————————

interpretação Albano Jerónimo participação especial Grupo de Teatro Comunitário As Avozinhas de Palmela (direcção Dolores Matos)

————————————

co ‑produção AJ Produções TNDM II TNSJ

————————————

estreia [6Jan2011]

Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa)

qua‑sáb 21:30 dom 16:00 dur. aprox. [1:30]

M/16 anos

(34)

A fEBre

(35)

33

Casa da Música 27 Mar 2011

de Wallace Shawn tradução Jacinto Lucas Pires

————————————

encenação Marcos Barbosa cenografia F. Ribeiro figurinos Susana Abreu desenho de luz Pedro Carvalho assistência de encenação Emílio Gomes

————————————

interpretação João Reis

————————————

produção Teatro Oficina

————————————

estreia [29Abr2009]

Centro Cultural Vila Flor (Guimarães)

dom 21:30 dur. aprox. [1:30]

M/12 anos

A Febre é um texto político, com certeza, mas não como esses outros, aqueles outros, esses tais que sabiam a verdade toda, e a verdade logo com V grande, ó caneco, e não admitiam qualquer “senão”, nenhum

“porém”, nem sequer um tremeli‑

cante “quê?”. Não, este A Febre não é nenhuma cassete desbobinada a partir do púlpito ou do palanque, aqui não há nada dessa pose de

“dono da verdade” de tanto texto dito “político”. Aqui “político” não precisa de aspas, aqui “político” não é a tradução nacional ‑porreirista de

“fraquito”, ou “ali entre o medíocre e o mediano”, ou chato ‑como ‑a‑

‑potassa ‑mas ‑aguentem ‑lá ‑em ‑nome‑

‑da ‑crença ‑ideológica ‑ou ‑clubística‑

‑cá ‑da ‑malta. Nesta magnífica peça – monólogo? conto? ensaio? discurso?

– de Wallace Shawn, o político vem do

próprio texto, não aparece imposto de fora, caído de pára ‑quedas, descido dos céus para nos vender uma qualquer metáfora ‑lição em palavras de pedra. Aqui o político surge das entrelinhas da vida; de uma vida na primeira pessoa que nos é mostrada mais do que explicada. Aqui o político implica ‑nos de imediato porque parte de um viver concreto, de uma história bem feita, isto é, feita verdade. • Jacinto Lucas Pires

Excerto de “Punho fechado”. In Solos: [Programa].

Porto: Teatro Nacional São João, 2010.

O teatro e a música trocam de casa para se celebrarem:

a Casa da Música comemorou, no dia 1 de Outubro, o Dia Mundial da Música no TNSJ, que no dia 27 de Março retribui o gesto, assinalando o Dia Mundial do Teatro no edifício de Rem Koolhaas. Na ocasião, João Reis interpreta A Febre, monólogo incómodo de Wallace Shawn, actor que reconhe‑

cemos de filmes de comédia norte ‑americanos, mas que é também autor de peças politicamente controversas. Neste texto de 1990, o dramaturgo explora sem piedade a ambigui‑

dade moral da América liberal na relação com os países do

“terceiro mundo”. Num cenário de guerra, um homem adoece num miserável quarto de hotel. Olhar pela janela implica testemunhar execuções e outras atrocidades. Mergulho em profundidade na consciência da culpa, este A Febre ence‑

nado por Marcos Barbosa tem em João Reis um intérprete inteiro, que nos devolve um teatro para ver o mundo no dia em que o mundo olha para o teatro. •

A fEBre

(36)

aZuL loNGe

NAs COlINAS

(37)

Teatro Carlos Alberto 8-17 Abr 2011

de Dennis Potter tradução Daniel Jonas

————————————

encenação Beatriz Batarda cenografia e figurinos Cristina Reis música Bernardo Sassetti desenho de luz Nuno Meira

assistência de encenação Sara Carinhas

————————————

interpretação Albano Jerónimo Bruno Nogueira Dinarte Branco Elsa Oliveira Francisco Nascimento Luísa Cruz Nuno Nunes

————————————

co ‑produção TNDM II TNSJ Culturproject Centro das Artes Casa das Mudas um projecto Arena Ensemble

————————————

estreia [10Fev2011]

Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa)

qua‑sáb 21:30 dom 16:00 dur. aprox. [1:10]

M/12 anos

Comparada com a maioria das peças que escrevi, é de longe a mais simples na forma e no conteúdo, uma vez que decorre sem obstáculos, artifícios, diversões ou qualquer tipo de enredo secundário; às personagens – sendo crianças – é ‑lhes vedada eloquência, introspecção consciente, retórica ou ainda os consolos úteis (e costumeira mentira dramática) de um pensa‑

mento minimamente articulado.

A única significativa excepção de enrugar a superfície do natura‑

lismo (que, no geral, sempre consi‑

derei uma piscina estagnada, onde as ovas nunca chegarão a gerar girinos, muito menos sapos e príncipes) foi a minha decisão prévia de insistir que

as crianças fossem representadas por adultos. Quase escrevi “crescidos”, mas percebi então que estava a falar de actores, que muito provavelmente devem a parte mais significativa do seu talento ao narcisismo devastador do “Olhem para mim!”, que mantém a maioria deles – incluindo os octoge‑

nários – enredados numa adoles‑

cência emocional. • Dennis Potter

In Blue Remembered Hills and Other Plays.

London: Faber and Faber, 1996. p. 39.

Atravessemos este sonho aflitivo de uma tarde de Verão pela mão do seu autor, o dramaturgo britânico Dennis Potter (1935 ‑1994): “Quando sonhamos com a infância transpor‑

tamos o que agora somos. Não é o mundo adulto escrito em letra pequena; a infância é o mundo adulto escrito em letra grande”. Willie, Peter, John, Raymond, Donald, Angela e Audrey brincam no bosque. Libertos da presença inibidora dos adultos, entregam ‑se a jogos de fantasia e selvajaria. Mas à medida que o jogo avança, a sua inocência ameaça perder‑

‑se para sempre… Miúdos de sete anos fisicamente drama‑

tizados por corpos adultos, máscara ficcional que Potter engendrou para sublinhar os aspectos mais negros e mais ternos da imaginação das crianças, compondo um retrato ambivalente dessa “terra do azul” (paraíso perdido ou inferno reencontrado?) evocada no poema de A.E. Housman que lhe serve de mote e epílogo (irónico, ou talvez não). Com Azul Longe nas Colinas, peça escrita para televisão que a BBC estreou em 1979, a actriz Beatriz Batarda volta a sentar ‑se na cadeira da encenação, para materializar em palco estes ecos distantes de uma memória em eterna reconstrução. •

(38)

comissário Hélder Moutinho/HM Música

————————————

organização TNSJ

Centro Cultural Vila Flor Theatro Circo Teatro de Vila Real em colaboração com União dos Teatros da Europa apoio

Turismo de Portugal Porto Lazer/CMP

Antecedendo a realização de um showcase e de um festival internacional, o Odisseia faz da Praça da Batalha o seu ancoradouro, resgatando ‑a da costumeira condição de descampado nocturno.

Iniciativa realizada com o apoio do Turismo de Portugal e da Porto Lazer, Portos faz desembar‑

car, entre a fachada do São João e as escadarias da Igreja de Santo Ildefonso, o fado, a música tradicional portuguesa, a percussão e os ritmos africanos, as sonoridades ibéricas, a música

Praça da Batalha 15-17

OdisSeia:

POrTOs

(39)

organização TNSJ

Centro Cultural Vila Flor Theatro Circo Teatro de Vila Real em colaboração com União dos Teatros da Europa

28 Abr 1 Mai 2011

OdisseiA:

(A) MOs tra

A relação internacional, matéria ‑prima e território de base para a criação artística contemporânea, constrói ‑se com o conhecimento real e concreto dos artistas e dos projectos que transportam. Teatro não se pode exportar em palettes.

Não se vende por catálogo. Partilha ‑se com outros públi‑

cos através da mediação dos responsáveis artísticos de outros teatros, companhias, festivais, redes internacionais.

E apenas se partilha quando se estabelece a confiança necessária, ou a intimidade mínima, que permite libertar as dúvidas e assumir um risco. A qualificação do universo da criação artística portuguesa passa pela sua exposição a outros olhares e pela sua abertura ao discurso crítico.

Convocamos assim espectáculos e encontros, discussões, viagens e regurgitações para dar a conhecer a algumas dezenas de parceiros do espaço internacional como é o teatro enrolado na língua de Luís de Camões. •

(40)

de

Jacinto Lucas Pires a partir de Nome de Guerra, de Almada Negreiros

————————————

encenação Cristina Carvalhal Nuno Carinhas cenografia e figurinos Nuno Carinhas desenho de luz Nuno Meira desenho de som Francisco Leal

————————————

interpretação Joana Carvalho João Castro Jorge Mota José Eduardo Silva Lígia Roque Paulo Freixinho Paulo Moura Lopes

————————————

produção TNSJ

————————————

estreia [11Mar2010]

TNSJ (Porto)

No âmbito do showcase Odisseia, reapresenta ‑se essa portuguesíssima variante de Ulisses que é Antunes, personagem inventada pelo artista plástico do modernismo que foi também poeta, ensaísta, dramaturgo, caricaturista, actor, bailarino: José Sobral de Almada Negreiros (1893‑

‑1970). Mas ao adaptar, reescrever e/ou reinventar esse peculiar

“romance de aprendizagem” que é

de fato ‑macaco e grandes “olhos almada ‑negreiristas”. Com encenação de Cristina Carvalhal e Nuno Carinhas, Exactamente Antunes será quase tudo e o seu contrário:

comédia romântica, folhetim lisboeta, documentário social, musical ameri‑

cano, falso melodrama. Ou tão ‑só um teatro para experimentar a ingenui‑

dade e o engenho de Almada – esse

“menino com olhos de gigante”, nas qui‑sáb 21:30 dom 16:00

Teatro Nacional São João 28 Abr 1 Mai 2011

EXaCTA- Me Nt E

ANtunEs

Referências

Documentos relacionados

Caso seu Fogão apresente algum problema de funcionamento, antes de ligar para o Serviço Autorizado, verifique abaixo se a causa da falha não é simples de ser resolvida ou se não

A ortografia nos textos encontrados na região do mar Morto é típica do período dos Hasmoneus (séc. II a.C.), sendo empregada pelos escribas na composi- ção dos manuscritos.

Os dados de produção, determinados em função das diferentes lâminas totais de água aplicadas (precipitação + irrigação), considerando os dois mercados-alvo

Para a realização deste trabalho, (a análise de Mq 7,8-20) utilizamos as teorias da intertextualidade, ou seja, os contatos literários nos livros dos Doze Profetas Menores e o

• Os n´ umeros reais, que s˜ao os elementos do conjunto dos reais, satisfazem esses axiomas, mas apenas esses axiomas n˜ao caracterizam os n´ umeros reais, isto ´e, n˜ao s˜ao

Em alternativa, ou se o produto não for solúvel em água, absorver o derrame com um material inerte e seco e colocá-lo num recipiente para eliminação de resíduos adequado.. Assim

Nas equac¸˜oes de transporte discretizadas ´e necess´ario conhecer a viscosidade turbulenta so- bre os centroides dos volumes de controle, que n˜ao est˜ao, necessariamente,

nhas, Cine-Teatro Solar Boa Vista, Cen- tro Cultural Plataforma, Espaço Cultural Alagados, Centro de Cultura de Guanam- bi, Centro de Cultura Amélio Amorim (Feira de Santana),