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COMO SER FELIZ. Índice

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Academic year: 2022

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Índice

Felicidade Meditação Desejo Atitude Paz

Compaixão

Compaixão pelo Inimigo O Bom Coração

Iluminação

Autoapreço e Apreço pelos Outros Mente

Trabalho Amor Ignorância Karma Etiquetar Vazio Morte 11

17 25 31 39 43 47 53 57 61 65 73 77 81 87 97 103 111

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Meditações Dar e Receber

Oferecer o seu Corpo Dedicar o Mérito Sobre o Autor 117

119 123 131 135

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Felicidade

T

odos nós desejamos ser felizes, e não só em determinadas alturas do nosso dia-a-dia:

queremos sentir uma felicidade imutável e defi ni- tiva, que jamais desapareça.

Todos nós tentamos acabar com os nossos problemas e atingir a paz. Não obstante o sítio onde vivemos, a nossa raça ou cultura, a religião ou fi losofi a que seguimos ou a língua que falamos, todos desejamos ser felizes e não ter problemas.

Na verdade, todos os seres vivos têm como desejo elementar sentirem-se felizes e evitarem o sofri- mento.

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Mas, as nossas tentativas para atingirmos a felicidade acabam, muitas vezes, por provocar ain- da mais dor.

Temos de ter consciência de todo o potencial da nossa mente e temos de entender como a bon- dade é importante para a nossa própria felicidade e para a felicidade do mundo. Agora, e futuramente, temos de aprender a transformar as nossas tarefas diárias para que estas passem a ser a origem da nossa felicidade em vez de serem problemas. E te- mos de aprender como transformar cada uma das nossas vivências – saúde e doença, riqueza e po- breza, vida e morte – em felicidade. A meditação é a ferramenta mais poderosa que se pode empregar para obter tal resultado. Através do poder da me- ditação, podemos obter uma paz e uma felicidade duradouras e, muito principalmente, levar a paz e a felicidade a outros.

Alimente a ideia de que toda a gente que

se cruza no seu caminho, em todas as circunstâncias, está a concretizar os seus desejos. Este é o caminho para a verdadeira felicidade.

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A existência e a ausência de problemas não sur- gem do exterior. A existência e a ausência de pro- blemas, bem como toda a paz e toda a felicidade, apenas advêm da sua própria mente. A sua mente tem potencial para travar os problemas provenien- tes da sua mente. E, no entanto, essa mesma mente – outro tipo de pensamento, de atitude – pode im- pedir todos os problemas e proporcionar-lhe paz e felicidade.

Enquanto acreditarmos que a felicidade só pode vir do exterior, de outras pessoas ou do meio externo, sempre que tivermos um problema, atri- buiremos a culpa disso a algo do exterior. Muita

O sol da verdadeira felicidade só começará a iluminar a sua vida quando você começar a dar valor aos outros.

A mente de um buda, ou de um qualquer ser sagrado, pode ser enxertada em si.

A paz, a felicidade e a satisfação têm de vir da sua própria mente.

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gente, por exemplo, pensa que os problemas que têm são causados pelos seus pais. Essas pessoas dizem: «Eu sou assim por causa dos meus pais.

A culpa é dos meus pais.» A cultura ocidental, de certo modo, ensina as crianças a culpar os pais pelos problemas que têm, em vez de enfatizar o quão bondosos são os pais ao trazerem os fi lhos ao mundo. Mas a verdadeira felicidade nada tem a ver com o passado, com a nossa história, ou a forma como fomos criados. A verdadeira felicida- de surge quando nos libertamos da nossa mente descontente que tudo deseja. A satisfação apare- ce quando nos libertamos da sempre descontente mente que tudo deseja.

A felicidade proveniente de um progresso ma- terial é artifi cial, é somente um tipo de excitação externa – como o mais breve de todos os relâmpa- gos no céu noturno. A verdadeira alegria, a alegria duradoura, provém das profundezas do coração.

O sofrimento é a vassoura que afasta o karma negativo.

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Rejeite a felicidade que provoca sofrimento; dê valor à felicidade que pode advir do sofrimento.

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Meditação

V

ocê não consegue tornar o seu corpo fl exí- vel só por pensar que o vai tornar fl exível. Só conseguirá fazer isso praticando; o próprio corpo tem de tornar o corpo fl exível. Tal como a fl exibi- lidade física tem de ser desenvolvida pelo nosso corpo, a fl exibilidade mental – que é outro nome para a derradeira paz e felicidade – tem de ser criada pela nossa mente através do treino.

A meditação é um treino mental.

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Meditar é uma técnica psicológica que serve para prevenir ideias erradas e para dar início a uma for- ma de pensar correta, que leva a um estado de paz, felicidade e harmonia. A palavra meditação soa a um qualquer tipo de termo religioso, mas, na ver- dade, trata-se da prática mais vasta de psicologia.

Meditar protege a mente e mantém-na consciente da realidade. Ao prepará-lo para estar consciente de como os outros são bondosos para si, a meditação também o ajuda a manter a sua mente direcionada para a bondade; e, ao ter consciência de como os outros sofrem, ajuda-o a ter sempre compaixão.

Dedicar-se a uma meditação genuína, a uma prática espiritual verdadeira, é transformar o so- frimento em felicidade – e isso depende da sua mente, da sua atitude.

Você terá de se esforçar para conseguir desen- volver a sua mente, gradualmente, de dia para dia Como podemos preencher o vazio que sentimos nos nossos corações? A resposta é meditar.

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e de ano para ano. Até poderá demorar eternida- des. Afi nal de contas, este tipo de treino mental é a prática da paciência.

Determinadas práticas de meditação são idên- ticas à destruição das raízes de uma planta vene- nosa – para que esta não possa produzir sementes e não volte a crescer sem parar, fazendo imenso mal: você tem de destruir a raiz do karma que pro- voca sofrimento para que essa semente não possa crescer e causar problemas.

Um mestre de meditação faz parte de uma ope- ração de resgate de emergência, tal como quando polícias, paramédicos e equipas de salvamento entram em ação com as sirenes a retumbar, luzes vermelhas e azuis a piscar, helicópteros às voltas no ar, apontando luzes para todos os lados, para ajudar pessoas que se estão a afogar ou em perigo.

O próprio Dharma é como um colete salva-vi- das. Contudo, cabe-lhe a si usar o colete salva-vi- das à medida que atravessa o mar turbulento do sofrimento; cabe-lhe a si praticar.

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Meditar é a forma de deixar a sua mente calma, livre e estável; é a forma de a impedir de lhe fa- zer mal. Meditar é uma forma de trazer paz; por fi m, é a forma de parar de criar problemas. Mas não basta que apenas você tenha paz de espírito.

O objetivo mais importante a atingir ao praticar a meditação é desenvolver o bom coração, bodhicitta – o desejo de fazer menos mal aos outros e de os benefi ciar mais. No entanto, apesar de você ainda não ter desenvolvido a sua mente ao ponto de já ter parado por completo de prejudicar os outros e de ter passado a benefi ciá-los, você deveria con- tinuar a esforçar-se para aperfeiçoar o bodhicitta.

Esforce-se sempre para melhorar a sua mente, melhorar a sua atitude. Em vez de usar a sua in- teligência e o vasto potencial que tem como ser humano para causar mais problemas a si próprio e ao mundo, desenvolva o bom coração, bodhicit- ta, e desenvolva a sabedoria. Treine a sua mente para que esta se torne cada vez menos furiosa e mais paciente, menos egoísta e mais afetuosa, mais compassiva e mais preocupada com a felicidade dos outros. Todavia, se não trabalhar ativamente

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para isto, a sua mente permanecerá simplesmen- te na mesma, ou tornar-se-á, mais provavelmente, pior, acumulando mais fúria, mais orgulho, mais desejo, mais descontentamento. É assim que se forma toda a violência.

A nossa mente é como água a ferver: a borbulhar com superstições, alucinações e muitos pontos de vista desnecessários e errados, que só fazem mal e não trazem paz alguma à sua vida.

Ao aprendermos métodos para apaziguar- mos os nossos pensamentos inquietantes, para acalmarmos a nossa mente fervente, estamos a aproveitar a oportunidade para nos libertarmos a nós próprios das causas dos problemas e da infe- licidade.

A sabedoria signifi ca, simplesmente, consciência da realidade.

Meditar é a forma infalível de se livrar dos problemas.

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Quando qualquer uma das cinco ilusões surgir – ignorância, ira, apego, inveja, avareza —, encare-a como sendo um tipo de mente de sabedoria. Quando sentir o forte sentimento de desejo, limite-se a con- centrar-se na natureza desse desejo, pensando que ela é a sabedoria transcendental do discernimento da mente pura e sagrada de um buda, a manifestação do dharmakaya, fundamentalmente de uma natureza pura. As ilusões são travadas quando se olha para a natureza delas. Quando se medita deste modo, mes- mo que seja por um instante, as cinco ilusões desa- parecem e você também deixa uma marca positiva na sua consciência – o que pode vir a evoluir para aquele tipo de sabedoria transcendental.

A essência dos ensinamentos de Buda é a subju- gação da sua própria mente – e o método essencial para se subjugar a mente é através da meditação.

Todavia, apesar de atingirmos tantas outras coi- sas nas nossas vidas, achamos que desenvolver a nossa mente é muito difícil. A nossa mente reage do mesmo modo que reagia antes de aprender- mos fosse o que fosse acerca da meditação: a nossa mente fi ca perturbada e nós fi camos descontentes

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e zangados. Isto acontece porque não praticamos verdadeiramente a ação de observar e, mais impor- tante ainda, não nos esforçámos para subjugarmos a nossa mente. Se a nossa prática principal tivesse sido subjugar a nossa mente, esta ter-se-ia certamente desenvolvido de ano para ano, de mês para mês, de semana para semana e até mesmo de dia para dia.

Não há dúvida de que a mente se desenvolve se se recorrer às causas e às condições necessárias para tal – uma prática diligente de meditação, de treino da mente. Por favor, comprove-o você mesmo!

O derradeiro objetivo da meditação, de praticar o Dharma, é levar felicidade a todos os seres, ago- ra e ininterruptamente. O nosso objetivo é levar felicidade a todos os seres até que nós e eles, em conjunto, ponhamos fi m ao ciclo da morte e do renascimento para os problemas e para o sofri- mento.

Porque não aproveitar a oportunidade, neste preciso momento, para desfrutar da sua vida através do Dharma?

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Desejo

Q

uando a sua mente fi ca dominada por um sentimento forte de desejo, este interfere com a sua maneira de ver a realidade, não permi- tindo que a veja claramente. O desejo agarra-se à aparência exagerada do aspeto do objeto que se deseja como sendo algo que é permanente e ver- dadeiramente bom e que tem uma existência pró- pria. Depois de você exagerar nas boas qualidades do objeto e de o classifi car como sendo «bom», você tem a ilusão de este parecer algo bom por si só – e então agarra-se a isso. Agarrar-se a essa apa- rência exagerada interfere com a capacidade de ver a derradeira natureza do objeto.

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Quando isto acontece, em vez de olhar para o objeto, pessoa ou coisa que deseja, deveria olhar para o sujeito, a sua mente. Simplesmente observe a sua mente. Transfi ra a sua atenção do exterior (a coisa sobre a qual está a alucinar) para o interior (a própria mente delirante). Em vez de pensar acer- ca do objeto exterior, desvie a sua atenção para a mente que está a pensar nesse objeto. Verifi cará uma alteração imediata mesmo ao praticar so- mente este tipo de meditação simples. Subitamen- te torna-se possível travar o sentimento de desejo irresistível. A sua mente tem espaço para ver a sua própria natureza e a do objeto do seu desejo. Se fi zer isto, mesmo que por um instante, começará a conseguir controlar, acalmar, subjugar a mente que sente o desejo.

A mente descontente que sente o desejo é uma das principais causas do stress.

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Você persegue o desejo com o intuito de obter satisfação. O seu objetivo vale a pena e você tem razão ao desejar atingi-lo – mas o método é o er- rado e o resultado resume-se somente a descon- tentamento.

Você segue o desejo e não fi ca satisfeito. Volta a segui-lo e uma vez mais não fi ca satisfeito. Volta a tentar e volta a não fi car satisfeito.

Libertar-se do apego não signifi ca perda;

você não estará a perder nada. Sinceramente, ao libertar-se do sofrimento, está a ganhar paz interior e uma satisfação mais profunda.

Seguir o desejo não o conduzirá à satisfação.

Agarrar-se a um pequeno prazer torna-se um obstáculo na obtenção do maior prazer possibilitado pela derradeira felicidade.

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Pode parecer que estou a dizer-lhe para desistir da sua felicidade quando digo que deverá abdicar do desejo – mas não é bem assim! Se alguma vez analisar verdadeira e profundamente o desejo e os objetos do desejo, verá que, apesar de essas coi- sas aparentarem ser prazeres, não há prazer algum que possa ser retirado delas. Contudo, eliminar o desejo não signifi ca eliminar a felicidade – longe disso! Na verdade, ao renunciar ao desejo, está a abrir-se da única maneira possível para a verda- deira felicidade. Visto que pode ainda não ter vi- venciado esta felicidade genuína, você confunde o sofrimento subtil de desejar com a verdadeira paz – mas, assim que se aperceber dos benefícios de se renunciar ao egoísmo e ao desejo, este tipo de renúncia passará a ser um ato alegre.

Antes de usufruir dos benefícios de se renunciar ao desejo, muitas vezes é como se tivesse dois par- O apego é como mel no fi o da navalha:

parece-se com o prazer mas apenas oferece dor.

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tidos opostos no interior da sua mente: o partido do desejo e o partido da sabedoria. Você tem de optar por um deles. Em vez de optar pelo desejo, escolha a sabedoria do Dharma. Esta simples ação é como escolher a realidade em vez da alucinação.

O prazer do Samsara, que depende de elemen- tos externos, não é senão sofrimento. Quando um problema é resolvido e se dá início a outro proble- ma, mas este ainda não evoluiu, chamamos a isto

«prazer». Nós projetamos a aparência do prazer e acreditamos nisso. E, deste modo, encaramos a prisão insuportável do Samsara como um parque exuberante e bonito – que, afi nal de contas, não passa de uma alucinação.

Nenhum tipo de prazer do Samsara é novidade, é somente mais sofrimento.

Enquanto seguir o desejo, jamais atingirá a satisfação.

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Atitude

A

s emoções ou as lembranças com que é difí- cil lidar só são problemas se você não tiver métodos para as transformar. Se você não se lem- brar ou não aplicar esses métodos na transforma- ção dos pensamentos, as emoções e as lembranças complicadas apenas lhe trarão sofrimento. Con- tudo, se você usar as ferramentas certas, as ferra- mentas para a transformação dos pensamentos, quanto mais se deparar com coisas deste género, mais prática ganhará! Não é maravilhoso?

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Sempre que enfrentar um problema, pense: «Es- tou a passar por este problema para bem de todos os seres. Em vez de permitir que várias outras pes- soas passem por isto, eu próprio me ocuparei disto para que todas as outras pessoas possam libertar-se destes problemas.» Esta atitude trava o problema ao purifi car a origem dele, que está sempre no in- terior da sua mente. Vivenciar os seus problemas desta forma mantém a sua mente num estado de felicidade e benefi cia os outros – e, como é óbvio, quando o seu problema benefi cia os outros, tam- bém o benefi cia a si.

Sempre que se sentir em baixo – quando estiver extremamente deprimido, quando o seu «amor»

É verdade que é possível transformar toda a sua vida e toda a sua mente na essência do próprio Dharma.

Tudo depende do modo como você usa a sua mente.

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o deixar, quando perder o seu emprego —, é nes- sa altura que deve lutar contra o seu verdadeiro inimigo: a ilusão. Pense para si mesmo: «É altura de ir à luta, de entrar em guerra com as emoções do Samsara. Está na hora de perceber que o Sa- msara nunca me trouxe nenhuma felicidade.» Ao fazer isto, estará a declarar guerra ao seu inimigo interior; estará a dar vários passos para conquistar o inimigo que o tem derrotado durante renasci- mentos infi nitos do Samsara, desde o início dos tempos. Assim que o inimigo interior tiver sido derrotado, nenhum outro inimigo aparente con- seguirá sobreviver por muito tempo.

Já que passamos pela doença, porque não passar por ela pensando que estamos a benefi ciar os ou- tros?

Dar valor a si próprio é a solução para todos os obstáculos. Dar valor desinteressadamente aos outros, mesmo a um outro ser, é a solução para toda a felicidade.

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Já que passamos pela perda, porque não pas- sar por ela pensando que estamos a benefi ciar os outros?

Já que passamos por difi culdades, porque não passar por elas pensando que estamos a bene- fi ciar os outros?

Já que passamos por problemas nas nossas relações, porque não passar por eles pensando que estamos a benefi ciar os outros?

Já que temos de passar pela morte, porque não passar até mesmo por ela pensando que esta- mos a benefi ciar os outros?

Que tipo de vida poderia ser mais feliz ou ter mais signifi cado do que esta?

Ao viver em qualquer estado negativo – mesmo depressivo – pelos outros (pelos inúmeros seres que estão em sofrimento por todo o lado), isso transforma-se no caminho que pode percorrer para atingir a iluminação. Até mesmo a depressão poderá ser um amuleto da sorte, o mais precioso de todos, que lhe concede, a si, todos os seus de- sejos de atingir a felicidade e concede os desejos a todos os seres.

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As pessoas não veem o interior da sua mente, o que as pessoas veem é uma manifestação da sua atitude através das suas ações corporais e do seu discurso. Pratique a atitude bodhisattva todos os dias; permita que as ações do seu corpo e o seu discurso expressem a sua vontade de proporcio- nar a derradeira felicidade a todos os seres.

Enquanto não mudarmos a nossa atitude, nem mesmo o facto de ouvirmos todos os ensinamen- tos de todos os budas de todos os tempos nos aju- dará a desenvolver a compreensão na nossa men- te. Jamais seremos verdadeiramente felizes, jamais

Transforme todas as condições indesejadas, aceitando voluntariamente todas as difi culdades.

Não se preocupe se ouvir falar sobre problemas

— os nossos ouvidos foram feitos para ouvir problemas. Os problemas são como brincos:

meras decorações para as orelhas!

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seremos livres, se não mudarmos a nossa atitude.

É por isto que, apesar de haver inúmeros budas e bodhisattvas a trabalhar incansável, ininterrupta e constantemente, ainda há tantos seres em sofri- mento. Não se deve ao facto de os seres divinos não estarem a ajudar-nos; é porque, da nossa par- te, ainda não tentámos mudar a nossa atitude.

Se dependesse apenas dos budas e dos bo- dhisattvas (ou, já agora, de Deus), não haveria ne- nhum ser em sofrimento. Mas, de facto, estar livre do sofrimento depende de nós e dos seres divinos.

Os budas e os bodhisattvas são como médi- cos e os ensinamentos que dão são como medica- mentos. E, tal como acontece com a doença física, mesmo que tenhamos um médico excelente, que saiba tudo acerca da nossa doença e do respetivo tratamento e que seja realmente capaz de a curar, não recuperaremos dela se não seguirmos os con- selhos dele. A culpa não será do médico, se não re- cuperarmos e não tivermos seguido os conselhos dele! O que poderá o médico fazer, se estivermos doentes e não lhe dermos ouvidos? Nada.

É muito importante que compreenda e se lembre disto.

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O desenvolvimento da mente de uma pessoa pode afetar o meio em que está inserida; pode transformar o meio.

Veja o exemplo do meu mestre, o Lama Ye- she. O Lama Yeshe considerava todas as pessoas como seres muito bondosos. A meu ver, o bom co- ração do próprio Lama fazia com que toda a gen- te ao redor dele se tornasse bondosa e tivesse um bom coração. Estar perto do Lama transformava a mente das outras pessoas ou, podemos afi rmar que, abençoava a mente das outras pessoas. Isto signifi ca que essa outra mente passou de negati- va para positiva, de uma mente egoísta para uma mente bondosa.

A forma de resolver os problemas da sua vida é abrir o seu coração aos outros.

Não interessa o quão difíceis são as difi culdades, ou quantas são, ao ocuparmo-nos delas pelos outros, estamos a transformar a nossa vida.

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Você tem de estar constantemente atento à sua atitude, vinte e quatro horas por dia. É muito pe- rigoso fazer somente aquilo que a sua mente lhe diz para fazer, é muito perigoso acreditar em tudo o que a sua mente lhe diz – normalmente é isso que as ilusões pretendem e não o que o bodhisattva quer.

Não subestime o poder da atitude!

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Paz

A

o levantar-se de manhã, pense no signifi cado da sua vida humana, pense na sua responsa- bilidade universal: «Sou responsável por todos os seres. Agirei de modo a amenizar todo o sofrimen- to por que eles passam e para lhes trazer felicida- de.» Enquanto estiver a vestir-se, pense: «Estou a vestir estas roupas porque tenho de cumprir a mi- nha responsabilidade universal.» Quando estiver a comer, volte a lembrar-se do signifi cado, do pro- pósito, desta valiosa vida humana. Pense na sua comida como sendo um medicamento que o man- terá forte para que você possa servir melhor todos os seres. Quando for dormir, volte a lembrar-se do

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signifi cado desta vida humana. Dormir também é como um medicamento – você dorme para restau- rar as suas energias de modo a que amanhã possa voltar a trabalhar diligentemente para cumprir a sua responsabilidade universal. Dedique todas as suas atividades aos outros. Coma para os outros, durma para os outros, trabalhe para os outros, viva para os outros. E, quando chegar a altura de morrer, faça até mesmo isto para os outros.

Esta é uma contribuição real e prática para a paz mundial, que você pode fazer em qualquer altura, seja de dia ou de noite.

Toda a paz e toda a felicidade – de famílias, socie- dades, países – dependem da bondade que todos nós concedemos uns aos outros. Cada um de nós é absolutamente responsável pela felicidade de to- dos os outros seres. Cada um de nós tem esta res- ponsabilidade universal. Depende totalmente de nós. Ao usar a sua mente, aquilo que está a fazer A sua própria bondade proporciona felicidade a todos os seres vivos.

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é real, é a derradeira solução para se atingir a paz mundial – e não só a paz na Terra, como também para todos os seres dos inúmeros universos exis- tentes.

Até podemos ter muitas ideias de como contri- buir para a paz no mundo, contudo, se não formos capazes de levar paz à nossa própria família, ao nosso local de trabalho – até mesmo à nossa pró- pria mente —, como é que poderemos começar?

A ausência circunstancial e temporária da guerra não corresponde a uma paz verdadeira.

A paz verdadeira apenas provém do coração.

Referências

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