• Nenhum resultado encontrado

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.58 número1

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Rev. Assoc. Med. Bras. vol.58 número1"

Copied!
1
0
0

Texto

(1)

7

CORRESPONDÊNCIA

Rev Assoc Med Bras 2012; 58(1):7

Relação profissional-paciente e bioética: uma discussão sempre atual

FABIANO MALUF

Aluno do Curso de Doutorado em Ciências da Saúde, Universidade de Brasília; Cirurgião-dentista, 1º Ten. Odt. Ex-HFA, Hospital das Forças Armadas, Brasília, DF, Brasil

©2012 Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados.

Infelizmente, a natureza humana se adapta ao meio. Atos norteiam pensamentos, moldando-os, e não o con-trário. Os proissionais de saúde apenas há pouco têm conseguido se adequar ou posicionar eticamente a situa-ções que foram impostas pela realidade cultural e históri-ca e pelo impressionante avanço técnico-cientíico expe-rimentado nos últimos 20-25 anos.

O ponto de partida para essa conscientização ética na relação proissional-paciente foi a sórdida combinação do avanço tecnológico com a sombra do medo a vagar pelo (in)consciente do proissional, preocupado com um eventual deslize que pudesse lhe trazer dissabores e cons-trangimentos. Mas a morosidade em se ambientar à nova realidade que vislumbramos e nos açoita é imperdoável...

Um instrumento que permite um caminhar seguro frente a esta nova realidade é o Consentimento Infor-mado, não no sentido de apenas se possuir um recurso jurídico concreto e palpável, mas também para relexão acerca da competência e saber cientíico, exercício do equilíbrio entre poder moral e poder técnico, o respeito à autonomia de outro ser humano fragilizado e a compai-xão humana.

Esse recurso mostra, para proissional e paciente, não só um novo direito a ser exercido, mas também indica uma possibilidade de ambos repartirem vitórias e suces-sos, percalços e diiculdades, enim, responsabilidades. Em linhas gerais, o paciente troca o “descanso” de ser conduzido cegamente através de um tratamento imposto e o proissional troca a (in)cômoda situação de ditador tirano da saúde pelas vantagens de se dividirem respon-sabilidades.

Pode-se inferir que ainda existem alguns conlitos a que os proissionais de saúde devem estar atentos, rela-cionados à linguística, à autonomia, à falta de poder real de decisão dos pacientes, à beneicência e a atitudes pater-nalistas capazes de inviabilizar mecanismos que possam proporcionar uma comunicação horizontal e eiciente1.

O importante é estar alerta para evitar que a relação assuma característica unilateral, de dominação. Deve o proissional, sem abrir mão da condução dos procedi-mentos, tendo em vista a responsabilidade inerente ao exercício, prestar informação de forma clara e comple-ta ao paciente, e permitir, naquilo que for cabível, que o mesmo interaja com ele2.

O direito à informação e à escolha dentre as alternati-vas de tratamento não são simplesmente recomendações éticas, mas algo contemplado na legislação de defesa do consumidor, em cujo dispositivo está incluída a presta-ção de serviços em saúde2.

Essas deveriam ser as reais vantagens/benefícios do Consentimento Informado, sendo a proteção legal e jurí-dica uma função secundária e, por que não dizer, desne-cessária, quando a relação proissional saúde-paciente é bem conduzida, com excelente comunicação não apenas no início, mas durante todo o tratamento.

REFERÊNCIAS

1. Garrafa V, Prado MM, Bugarin Jr JG. Bioética e odontologia. In: Vieira TR, organizador. Bioética nas proissões. Petrópolis: Vozes, 2005. p.85-100. 2. Primo WQSP, Garrafa V. Análise ética da revelação do diagnóstico e

Referências

Documentos relacionados

Em outras ocasiões, utilizamos o termo para informações que não podem ser comprovadas, tais como a realização de um exame (a cuja imagem ou laudo não tivemos acesso) na

Houve grande difusão do EEGq como extensão do EEG convencional no estudo de várias condições clínicas, procurando ampliar a contribuição da análise da ativida- de

Efect of nesiritide (B-type natriuretic peptide) and dobutamine on ventricular arrhythmias in the treatment of patients with acutely decompensated congestive heart failure:

Na revisão de literatura observa-se que os casos de colite isquêmi- ca secundária ao uso de cocaína independem da forma de administração da droga (endovenosa ou inalatória) e,

Figura 2 – Tomografia computadorizada de quadril mostran- do protrusão difusa da cavidade da cabeça femoral direita, além de derrame articular sem sinais de espessamento cap-

Após cinco anos, não há diferença na melhora dos sintomas, ou efeitos adversos, ou no escore de qualidade de vida entre pacientes com DRGE erosiva e não erosiva.. submetidos

Na DRGE, o inibidor da bomba de prótons deve ser utilizado em dose única ou em duas tomadas diárias.. Rabeprazol 10 mg em duas tomadas aumenta a gravidade

We found that CA-125 average concentrations were sig- niicantly higher in cases when compared to controls, both at irst and second periods of collection, and soluble CD-23