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Fisioter. Pesqui. vol.21 número2

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Academic year: 2018

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ORIAL

Endereço para correspondência: Marco Orsini – Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação – Praça das Nações, 34 – CEP: 21041-021 – Bonsucesso (RJ), Brasil – E-mail: [email protected]

A

s doenças neuromusculares (DNM) são um grupo heterogêneo de desordens da região anterior da medula espinal, nervos periféricos, junção neuromuscular e musculatura estriada esquelética. É consenso que os programas de exercícios podem otimizar as funções motora e cardiovascular, além de prevenir a atroia por de-suso e o descondicionamento nos indivíduos com DNM. A literatura sugere a abordagem indivi-dualizada, submáxima e adaptada às particulari-dades de cada afecção, com metas de tratamento criteriosas e frequentemente reanalisadas, para se evitar o supertreinamento (“overtraining”).

Existe a crença de que o treinamento motor em pacientes com DNM pode ser deletério e cau-sar a síndrome do supertreinamento, caracteriza-do pela instalação de sintomas que reletem uma relação não ideal entre o esforço e a tolerância a ele, exteriorizando-se com diminuição de desem-penho físico, aumento de lesões musculares e até imunossupressão, aumentando a susceptibilidade às infecções. Muitas DNM de caráter crônico, progressivo, e muitas vezes inexorável, precisam ser abordadas com enfoque no gerenciamento da fraqueza muscular, e não no incremento da força, regra que também é válida para os músculos da deglutição e da respiração.

O treinamento extenuante com exercícios aeróbicos intensos acelera a degradação do de-sempenho motor e o óbito em modelos animais

Doenças neuromusculares:

rediscutindo o “

overtraining

Marco Orsini1,2,3, Renata Hydee Hasue², Marco Antônio Araújo Leite³, Sara Lúcia Silveira de Menezes¹,

Júlio Guilherme Silva¹, Acary Bulle Oliveira4

¹Programa de Mestrado em Ciências da Reabilitação do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM) – Bonsucesso (RJ), Brasil. ²Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) – São Paulo (SP), Brasil.

³Serviço de Neurologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) – Niterói (RJ), Brasil.

4Departamento de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – São Paulo (SP), Brasil.

da Esclerose Lateral Amiotróica; por outro lado, exercícios de baixa intensidade aumentam sua sobrevida. O tipo de exercício também parece inluenciar a morte neuronal. A natação causa menor perda de motoneurônios que o exercí-cio em esteira, principalmente dos de tamanho médio que inervam ibras musculares fásicas, pre-serva o número de astrócitos e oligodendrócitos da região anterior da medula espinal e aumenta a sobrevida em experimentos animais. Deve ser ressaltado que ainda são poucos os estudos ran-domizados controlados em seres humanos com DNM veriicando os efeitos dos exercícios te-rapêuticos de resistência, o que os torna incon-clusivos. Em pacientes com Síndrome Pós-Pólio, o exercício terapêutico submáximo pode contri-buir para melhor controle da fraqueza muscular, aptidão cardiorrespiratória e padrão de deam-bulação, devendo ser evitadas as atividades que causam fadiga muscular ou dor nas articulações.

Esse princípio também é válido para algumas distroinopatias, em que a ativação muscular repe-tida e exaustiva aumenta tanto o oxigênio como o nitrogênio muscular e, agudamente, afeta a função contrátil. Nas miopatias mitocondriais, o exercício aeróbico moderado mostrou-se eicaz em melho-rar o desempenho muscular. Exercícios aeróbicos no cicloergômetro também foram benéicos para aumentar a VO2 max e a força muscular em mem-bros inferiores de pacientes com distroia muscular

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Fisioter Pesq. 2014;21(2):101-102

de Becker, sem provocar aumento nos níveis de enzima

creatina quinase (CK) e alterações no tecido muscular

ou no ecocardiograma. Se prescritos adequadamente e com precaução, há indícios de que a eletroestimulação neuromuscular focando as ibras de contração lenta e os exercícios resistidos de baixa intensidade também são benéicos para melhorar a força e a funcionalidade de pacientes distróicos. Entretanto, se ocorrer o supretrei-namento da unidade motoras, danos funcionais prova-velmente ocorrerão.

Como conclusão, podemos encarar a unidade mo-tora como um grande gerador elétrico que necessita

Referências

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