• Nenhum resultado encontrado

Bol. da PM n.º 061 07MAI APF no Direito Brasileiro Orientações

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Bol. da PM n.º 061 07MAI APF no Direito Brasileiro Orientações"

Copied!
11
0
0

Texto

(1)

3. A PRISÃO EM FLAGRANTE NO DIREITO BRASILEIRO – DISCIPLINA JURÍDICA.

A prisão em flagrante, uma espécie do gênero prisão provisória ou cautelar, é ato extremo através do qual o PODER DE POLÍCIA experimenta a sua maior conseqüência, dado que implica na privação da liberdade do indivíduo, estando a medida disciplinada nos seguintes diplomas legais:

- Art. 5°,inciso LXI, CF; e,

- Art. 301, obedecidas às condições estabelecidas noart. 302,incisosI eII(está cometendo e acaba de cometer→flagrantePRÓPRIO); incisoIII(é perseguido logo após o fato delituoso em situação que faça acreditar

ser ele o seu autor →flagrante IMPRÓPRIOou QUASE-FLAGRANTE); e, finalmente, inciso IV (é encontrado,

logo depois, com instrumentos, objetos, material ou papéis que façam presumir a sua participação no fato delituoso→

flagranteFICTOouPRESUMIDO), ambos do CPP e correspondentes no CPPM,arts. 243e244.

O flagrante abarca dois tipos: oFACULTATIVOe oCOMPULSÓRIO. No primeiro, art. 301, 1ª parte, CPP, qualquer do povo pode efetuar a prisão, o que está perfeitamente consoante com o art.144, caput, CF (Se-gurança Pública: dever do Estado, direito e RESPONSABILIDADE DE TODOS), ou seja, na prática é um “poder de polícia facultativo” que o Estado permite ao cidadão.No segundo caso, art. 301, 2ª parte, CPP, a prisão é um dever da autoridade policial, civil ou militar, e seus agentes, sob pena de responsabilidade criminal.

Da análise dos dispositivos que regem a matéria, na sua interpretação puramente literal, deixa trans-parecer que a medida pode incidir contra qualquer pessoa e envolve todos os tipos de delito, quando na verdade isso não acontece, mesmo porque, a igualdade de todos perante a LEI (penal, processual, trânsito, etc.), da forma como mostra o art 5°, caput, CF, não é absoluta e, sim, relativa.

Dessa interpretação, resulta que algumas categorias seja pelo cargo, função, mandato ou representati-vidade que exercem perante o governo brasileiro, não podem ser apanhados pelos dispositivos retromencionados, cujo campo de ação das autoridades, estão demarcados por outros comandamentos legais.

Com efeito, antes de se adotar qualquer atitude em relação a um ato de polícia que deva ser praticado, seria de extrema importância que a autoridade ou agente policial, civil ou militar, primeiramente identifique a pessoa contra quem vá agir e, a seguir, o tipo de delito cometido, vez que há que ser considerado neste contexto a existência dasimunidades diplomáticas,parlamentarese asprerrogativas de funções, as quais passaremos a expor:

1 -AS IMUNIDADES DIPLOMÁTICAS consistem na liberdade que os representantes estrangei-ros possuem no território nacional, calcada no respeito e na consideração deferida ao Estado alienígena, bem como, na necessidade de cercar tais autoridades de garantias, no perfeito desempenho de suas missões diplomáticas, extensíveis aos Chefes de Estados e comitivas, quando em visita oficial ao Brasil.

Encontra amparo na Convenção de Viena sobre relações diplomáticas, de 18-04-61, aprovada pelo Decreto Legislativo n° 103, de l964, e ratificada em 23-02-65, e Convenção de Viena sobre relações consulares, de 24-04-63, aprovada pelo Decreto Legislativo n° 06, de l967, ratificada em 20-04-67.

Incidem, particularmente, sobre quaisquer tipos de delitos (penais e extrapenais, p. ex., infrações de trânsito), bens pessoais e particulares, quando a serviço das embaixadas ou representações (veículos, imóveis, etc.) e se estendem a todos os agentes diplomáticos:embaixadores, secretários das embaixadas, pessoal técnico e adminis-trativo das representações, bem como, aos respectivos membros de suas famílias e aos funcionários das organiza-ções internacionais (ONU, OEA, etc.), estes, quando em serviço. Estão fora dessa relação, os empregados particula-res dos agentes diplomáticos, ainda que da mesma nacionalidade, a não ser que o próprio Estado a reconheça(art. 37, § 4°, da Convenção de Viena sobre relações consulares). Em conseqüência, não podem ser presos e nem responder criminalmente por quaisquer crimes praticados no território brasileiro, em face da imunidade absoluta.

Os CÔNSULES, que representam interesses privados ou comerciais de pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras, não gozam de ampla imunidade, salvo se houver tratado entre os países interessados. Assim, à luz da le-gislação brasileira, não respondem criminalmente pelos atos praticados no exercício da função (art. 41 a 43, Conven-ção de Viena sobre relações consulares) e, sim, perante as autoridades dos países que os nomearam.

Quanto às sedes diplomáticas, embora não mais consideradas extensões do território alienígena, são invioláveis. Dessa forma, não estão sujeitasà busca, apreensão, requisição, embargo judicial ou qualquer outra me-dida determinada por autoridade brasileira, extensivo à residência oficial ou particular do protegido. Há que se ate-nuar apenas e por razões lógicas, os delitos praticados no interior das embaixadas ou qualquer outro local coberto pela imunidade, se o autor for pessoa comum, desde que respeitados os demais requisitos estabelecidos em lei, notadamen-te no que refere aos atos de investigação e do processo.

À luz do direito objetivo brasileiro, as imunidades diplomáticas estão implicitamente consagradas no artigo 1°, inciso I, do CPP; art. 5°, do CP; art. 1º, § 1º e art. 4°, do CPPM; e art. 7º, do CPM.

(2)

assegu-radas aos membros do Congresso Nacional (Deputados e Senadores), para que possam atuar com liberdade e indepen-dência no exercício do mandato, sendo, portanto, invioláveis por suas opiniões, palavras e votos, resultando, daí, a chamada imunidade material ou absoluta, cujo direito passa a existir após a diplomação, estendendo-se até o fim do mandato (art. 53, caput e §§, CF), não podendo, assim, serem responsabilizados civil e penalmente por qualquer ato.

A imunidade absoluta incide, pois, sobre os chamados “delitos da palavra ou de opinião”, dentre os quais citamos ainjúria, difamação, calúnia, desacato, incitação ao crime, apologia do crime ou fato criminoso e ou-tros em que a expressão oral forma a conduta típica. Além de irrenunciáveis, não se estendem ao co-autor do delito considerado, salvo se coberto pela mesma ou outra imunidade.

É importante salientar, ainda, que praticando crimes inafiançáveis ou afiançáveis, embora nos segun-dos nunca sujeitos à prisão em flagrante, os parlamentares federais (deputasegun-dos e senadores), com a quebra da imunida-de para crimes comuns (PEC 610/98, aprovada em imunida-dezembro imunida-de 2001, que alterou o art. 53 e §§, CF), agora poimunida-dem ser processados criminalmente, independente de autorização da casa legislativa aos quais pertençam, porém, as ações pe-nais propostas perante o Supremo Tribunal Federal podem ser sustadas no prazo de 45 dias, por maioria de votos, até a decisão final, se o colegiado parlamentar considerar que o processo foi motivado por perseguição política. Caso a sus-tação venha a ocorrer, o prazo prescricional do crime cometido fica suspenso, continuando a persecução penal após o encerramento do mandato do parlamentar, salvo se reeleito.

Os deputados estaduais possuem as mesmas imunidades dos deputados Federais e Senadores, porém, restritas ao âmbito do território do mandato (art. 27, § 1°, CF). Quanto aos Vereadores, somente gozam do privilégio por suas opiniões, palavras e votos, mas restritas ao âmbito do Município (art. 29, VIII, CF).

CRIMES INAFIANÇÁVEIS, para efeito da prisão em flagrante, são:

- Todos aqueles definidos no CP e Leis especiais, aos quais são cominados, em abstrato, penas míni-mas de reclusão superiores a 02 anos (roubo, extorsão, homicídio, extorsão mediante seqüestro, estupro, atentado violento ao pudor, lesão corporal seguida de morte, incêndio, explosão, latrocínio, dentre outros) ou mesmo aqueles punidos comreclusão, independente da pena, mas que provoquem clamor público e tenham sido cometidos com vi-olência a pessoa ou grave ameaça(art. 323, incisos I e V, CPP);

- Todos os previstos no CPM,independente da sanção cominada em abstrato; e,

- Os definidos no art. 5°, CF, incisosXLII(racismo-raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional: Lei Federal 7.716/89 e suas alterações),XLIII(tortura: Lei Federal 9.455/98, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins: Lei 6.368/76, terrorismo e crimes hediondos: Lei 8.072/90) eXLIV(ação de grupos armados, civis e militares, contra a ordem constitucional e Estado Democrático: Lei Federal 9.034/95); contra o sistema financeiro (Lei Federal 7.492/86, art. 31); e contra a fauna (Lei Federal 5.197/67, art. 34).

3-AS PRERROGATIVAS DE FUNÇÕESconsistem em privilégios que são assegurados a deter-minadas categorias profissionais, em razão do cargo que ocupam ou funções que exercem. Assim, o art. 1°, inciso II, do CPP, exclui da aplicação da Lei Processual Penal o Presidente da República, os Ministros de Estado nos crimes co-nexos com os do Presidente, bem como, os Ministros do STF nos crimes de responsabilidade, dentre outras autorida-des que, também, autorida-desfrutam dos mesmos direitos, consagrados na nossa Lei Maior.

Todavia, em razão de serem mais comuns os fatos envolvendo a POLÍCIA com membros doPoder Judiciário e doMinistério Público, estaduais ou federais, civis ou militares, bem como, daDefensoria Pública, fe-derais ou estaduais e os Advogadosem geral, centralizaremos o assunto nessas autoridades, cujas prerrogativas mais importantes para efeito da atividade policial militar, passamos a transcrever, nos forçando, inclusive, a fugir um pouco do tema principal, devido à importância para o nosso conhecimento.

Na Lei Orgânica da Magistratura Nacional, Lei Complementar Federal nº 35/79, artigo 33, que disciplina as prerrogativas dos Juízes Federais e Estaduais, dentre outras, destacamos as seguintes:

a) Serem ouvidos como testemunha em dia, hora e local, previamente ajustados com a autoridade po-licial (inciso I);

b) Não serem presos, senão por ordem escrita do tribunal competente,salvo nos casos de flagrante de crimes inafiançáveis, após o que serão apresentados ao Presidente do Tribunal responsável pelo julgamento do fei-to - TJ se estaduais e TRF se federais, etc. (inciso II), onde podemos notar na situação em destaque um caso de IMU-NIDADE;

c) Porte de arma (inciso V); etc.

d) Quando, no curso de investigação, houver indício da prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou militar, remeterá os respectivos autos ao Tribunal ou Órgão Especial competente para o julgamento, a fim de que prossiga na investigação (parágrafo único).

(3)

NaLei Orgânica Nacional do Ministério Público, Lei Complementar Federal nº 8.625/93, que dis-ciplina as prerrogativas dos membros dos Ministérios Públicos Federais e Estaduais, dentre outras, destacamos as se-guintes:

a) Serem ouvidos como testemunha em dia, hora e local, previamente ajustados com a autoridade po-licial (art. 40, inciso I);

b) Não serem presos, senão por ordem escrita do tribunal competente,salvo nos casos de flagrante de crimes inafiançáveis, após o que deverão ser apresentados aos Procuradores Gerais competentes (art. 40, inciso III), destacando na expressão que grifamos um caso típico de IMUNIDADE;

c) Não serem indiciados em inquérito policial, presidido por autoridades policiais civis ou militares, por atos praticados no exercício da função (art. 41, inciso II). Assim, quando no curso da investigação houver indício da prática de infração penal por parte de membro do MP, a autoridade policial civil ou militar, remeterá, imediatamen-te, sob pena de responsabilidade, os respectivos autos ao Procurador Geral competenimediatamen-te, a quem competirá dar prosse-guimento no feito (art. 41, inciso II c/c o seu parágrafo único);

d) Examinar em qualquer repartição policial, estando no exercício da função, autos de flagrante ou de inquérito, findos ou em andamento (art. 41, inciso VIII);

e) Estando no exercício da função, ter acesso a indiciado preso, a qualquer momento, mesmo inco-municável (art. 41, inciso XI); etc.

Os membros daDefensoria Pública da União; do Distrito Federal e dos Territórios; dos Estados, consoante a Lei Complementar Federal nº 80/94, respectivamente, artigos 44, 89 e 128, possuem, dentre outras, como principais prerrogativas:

a)Não serem presos, senão por ordem judicial escrita, salvo em flagrante, caso em que a autoridade

fará imediata comunicação ao Defensor Público-Geral competente (inciso II);

b)Comunicar-se, pessoal e reservadamente, com seus assistidos, ainda quando estes se acharem

pre-sos ou detidos, mesmo incomunicáveis (inciso VII);

c)Examinar em qualquer repartição policial, estando no exercício da função, autos de flagrante ou de

inquérito, findos ou em andamento (inciso VIII);

d)Ter o mesmo tratamento reservado aos magistrados e demais titulares dos cargos das funções es-senciais à justiça (inciso XIII). Nesse tratamento, da mesma forma que os juízes e promotores, deve ficar registrado a impossibilidade daprisão em flagrante por crimes inafiançáveis, embora o inciso II, transcrito na letra “a”, não re-gistre expressamente talIMUNIDADE. No mesmo sentido, essa compreensão em relação aos Defensores estaduais está inserida na Lei Complementar Estadual nº 06/77, art. 83, disciplinando que os membros da categoria possuem os mesmos direitos, garantias e prerrogativas concedidas aos Advogados em geral, dentre as quais a impossibilidade da medida, tal como veremos oportunamente;

e)Serem ouvidos como testemunhas em dia, hora e local, previamente ajustados com a autoridade policial (inciso XIV); etc.

Os ADVOGADOS, segundo o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei Federal n° 8.906/94, art 7°, § 2°), possui imunidade profissional, não podendo responder pelos crimes deINJÚRIA, DIFAMA-ÇÃOeDESACATO(a imunidade em relação aoDESACATO, foi considerada inconstitucional pelo STF em medi-da liminar, em ação direta argüimedi-da pelo Procurador Geral medi-da República - ADIn 1.127-8, MIRABETE: 1996, p. 67), quando praticados no exercício da profissão, restabelecendo o disposto no art. 142, inciso I, do CP, que somente prevê a imunidade nos dois primeiros delitos e desde que na discussão da causa. Exige-se, pois, um nexo, um liame entre a conduta profissional e a defesa do cliente,intra ou extraforo, sem o que a imunidade não deverá ser considerada, à luz

do dispositivo. E mais: nos termos do § 3°, do mesmo artigo, por motivo de exercício da profissão, somente podem ser PRESOS em flagrante de crimes INAFIANÇÁVEIS, sem prejuízo das demais responsabilidades em relação aos crimes AFIANÇÁVEIS (indiciamento em inquérito e julgamento sem privilégio de foro). Segundo o mesmo art. 7º, de relevante no mundo policial, possui ainda os seguintes direitos, dentre outros:

...

III – Comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração, quando es-tes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomu-nicáveis;

... VI – Ingressar livremente:

...

(4)

c) em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição judicial ou outro serviço público onde o advogado deva praticar ato ou colher prova ou informação útil ao exercício da atividade profissional, dentro do ex-pediente ou fora dele, e ser atendido, desde que se ache presente qualquer servidor ou empregado;

...

XIII - Examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Públi-ca em geral, autos de processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não estejam sujeitos a sigi-lo, assegurada a obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos;

XIV - Examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de in-quérito, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos;

XV - Ter vista dos processos judiciais ou administrativos de qualquer natureza, em cartório ou na re-partição competente, ou retirá-los pelos prazos legais, obedecido o disposto no § 1º, do mesmo artigo;

XVI - Retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo prazo de 10 (dez) dias, obede-cido o disposto no § 1º, do mesmo artigo;

...

Em relação aos crimes deRESISTÊNCIA(art. 329),DESOBEDIÊNCIA(art. 330) eDESACATO (art. 331), todos do Código Penal, é importante registrar que segundo entendimento atual dos nossos doutrinadores e jurisprudencial,os funcionários públicos ou pessoas equiparadas para efeitos penais(juizes, promotores, defenso-res, etc., se enquadram nessa situação) não podem cometê-los. A razão é simples: esses crimes, cuja interpretação dife-re na lei penal militar, estão no capítulo “Dos Crimes Praticados porPARTICULARcontra a Administração em Ge-ral”. Daí resulta que quem é funcionário não perde essa qualidade no exercício da função, em razão ou fora dela. Ao contrário, o enquadramento de alguém dessa categoria nos crimes citados, estar-se-ia dando ao dispositivo uma inter-pretação extensiva para criar um novo tipo penal, cujas leis não podem ser interpretadasin mallan parte, ou seja, para

prejudicar, sob pena de colidir frontalmente com oPRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL OU LEGALIDADE PE-NAL, conforme inserto no art. 5º, inciso XXXIX, 1ª parte, CF ou art. 1º, 1ª parte, CP (não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal). Por outro lado, dependendo da conduta, nada impede outras ca-pitulações, p. ex., CALÚNIA(art.138),INJÚRIA (art.139), DIFAMAÇÃO(art.139),RACISMO, etc. Sobre o as-sunto, encontramos as seguintes súmulas:

DESACATO. SUJEITO ATIVO. O desacato não é crime próprio; exige apenas que o sujeito passi-vo, e não o atipassi-vo, seja funcionário público no exercício de suas funções(STJ – RHC 6706/PB – 5ª Turma, Rel Min. Edson Vidigal, DJU 16.02.98, P. 114).

HC – PENAL – FUNCIONÁRIO PÚBLICO – ATO DE OFÍCIO – DESOBEDIÊNCIA – PRE-VARICAÇÃO. O Código Penal distingue (Título XI) crimes funcionais e crimes comuns. Evidente, quando o fun-cionário público (CP, art. 327) pratica ato de ofício, não comete delito próprio de particular. Assim, inviável a in-fração penal – desobediência (CP, art. 330 – crime praticado por particular contra a administração pública, Título XI, cap. II). Em tese, admitir-se-á prevaricação (CP, art. 330). Urge, no entanto, a denúncia descrever elementos constitutivos dessa infração penal (STJ – HC 2628/DF – 6ª Turma, Rel. Min. Luiz Vicente Cernicchiaro, DGJ 05.9.94, p. 23122).

A interpretação anterior, no entanto, não se aplica à Lei Penal Militar, considerando que os crimes de DESACATOeDESOBEDIÊNCIAfazem parte do Título VII (Dos Crimes Contra a Administração Militar), Capítu-lo I (Do Desacato e da Desobediência), enquanto o crime deRESISTÊNCIAestá inserido no Título II (Dos Crimes Contra a Autoridade e a Disciplina Militar), Capítulo VII (Da Resistência), não exigindo na definição da conduta cri-minosa, assim, a elementar “PARTICULAR”.

(5)

DP da área, até porque a lei não disciplinou nenhuma conduta em contrário.

Sobre o crime de ação privada ou pública mediante representação, assevera TOURINHO FILHO (Fernando da Costa.Código de Processo Penal Comentado. Vol. 1. São Paulo: Saraiva, 1996. p. 42):

A própria vítima pode prender o criminoso em flagrante. Torna-se necessário,contudo, que no auto de prisão em flagrante se consigne a declaração do titular do direito de queixa ou de representação no sentido de se instaurar a persecução.

Restou o seguinte questionamento:como os agentes policiais deverão proceder nas ocorrências de flagrantes de crimes AFIANÇÁVEIS(são os apenados com detenção ou prisão ou aqueles cujas penas mínimas se-jam inferiores a 02 anos de reclusão),envolvendo sujeito ativo coberto pela imunidade ou prerrogativa de função? Resposta: Somente fazer anotações da ocorrência (nome do autor, testemunhas e todos os demais elementos de prova), deslocando-se posteriormente à DP mais próxima, acompanhado da vítima, se for o caso e independente da presença do criminoso (não pode ser coagido nesse sentido), para que o Delegado disponha de elementos e, enfim, encontre subsídios suficientes para a apuração do fato ou encaminhar o registrado à autoridade competente para a persecução penal, no caso dos juízes (Presidente do TJERJ) e promotores (Procurador Geral de Justiça), nada impedindo, nesses dois últimos, que a própria vítima se dirija diretamente à autoridade máxima mencionada, através de REPRESENTA-ÇÃO CRIMINAL. Sendo o autor parlamentar, a própria polícia judiciária pode proceder a investigação criminal, aten-tando-se, porém, paraos delitos da palavra,que no contexto da imunidade absoluta, somente se justifica havendo co-nexão entre a conduta agressiva e o exercício do mandato, conforme asseveraMIRABETE(Julio Fabbrini.Processo Penal. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 1997, p. 65):

Ao contrário do preceito constitucional anterior, não é necessário que por ocasião do fato, o con-gressista se encontre no exercício de suas funções legislativas no momento do fato criminoso ou que a manifesta-ção constitutiva do ilícito penal verse sobre matéria parlamentar. Entretanto, segundo o Supremo Tribunal Fede-ral, mesmo não fazendo o dispositivo referência expressa ao exercício das funções legislativas, não se dispensa a existência de um nexo entre a manifestação do pensamento do congressista e sua condição. Inexistente mínima re-lação entre a manifestação do parlamentar e as funções do congressista, inexiste a imunidade absoluta. De outro lado, havendo tal correlação, a imunidade absoluta, nos novos termos constitucionais, estende-se a todos os crimes de opinião, também chamados de "crime da palavra”, não respondendo os parlamentares por delito contra a hon-ra, de incitação ao crime, de apologia de crime ou criminoso, etc., previstos no Código Penal, bem como pelos ilíci-tos definidos na Lei de Imprensa, na Lei de Segurança Nacional ou qualquer outra lei especial.

No contexto da prisão em flagrante, merece comentário, ainda, os chamados crimes de flagrante PROVOCADO,ESPERADO e FORJADO.

O primeiro, também conhecido na doutrina como crime putativo por obra do agente provocador, crime de ensaio, de experiência ou IMPOSSÍVEL, ocorrequando alguém de forma insidiosa provoca o agente à prática de um crime, ao mesmo tempo em que toma providências para que o fato não se consume (DAMÁSIO, 1991, p. 190). Na verdade, o agente é induzido a agir dolosamente, porém, o seu intento dificilmente será bem sucedi-do, porquanto, no momento da execução do crime ele será apanhado pela suposta vítima ou pessoas - que pode ser a própria polícia ou terceiros, que estavam mantendo vigilância sobre o bem jurídico a ser atingido, interpretação, esta, consagrada na súmula 145, do STF:Não há crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação.Exemplo: uma pessoa deixa uma mala com dinheiro em cima do banco de uma praça, ao mesmo tempo em que cerca todo o local com várias outras pessoas ou com a própria polícia, objetivando fazer uma repressão penal no local. Um transeunte apanha a mala e ao tentar evadir-se do local, é preso pela polícia ou por terceiros. CONCLUSÃO: prisão ilegal, porque o DOLO foi induzido, porém, haverá o crime se houver consumação.

Nosegundo caso, diferentemente, ocorre quando uma pessoa antecipadamente sabe que vai ser víti-ma de um crime, aciona a polícia ou esta já vinha víti-mantendo uvíti-ma vigilância sobre os criminosos que atuam em deter-minada área, sendo os mesmos presos no momento da execução ou exaurimento do crime. Nessa situação, pode ser ci-tado como exemplos uma operação levada a efeito para a prisão de ladrões de automóveis, que rotineiramente age na-quela área; pagamento a fiscais nos crimes de concussão, etc., notando-se, nesses casos, que o dolo dos criminosos não foram induzidos e sim preexistentes.

(6)

Quanto ao chamadoCRIME IMPOSSÍVEL, a figura está capitulada no Art. 32, do CPM,verbis:

Art. 32 - Quando, por ineficácia absoluta do meio empregado ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime, nenhuma pena é aplicável.

O crimeIMPOSSÍVELpode acontecer de duas formas:

- CRIME IMPOSSÍVEL POR INEFICÁCIA ABSOLUTA DO MEIO EMPREGADO: dá-se quando o meio empregado pelo agente, pela sua própria natureza, é absolutamente incapaz de produzir o resultado. Ex: envenenar a vítima com açúcar, supondo arsênico; disparar o revólver contra a vítima, porém, a arma estava des-carregada ou a munição era de festim; etc.

- CRIME IMPOSSÍVEL POR IMPROPRIEDADE ABSOLUTA DO OBJETO MATERIAL: dá-se quando inexiste o objeto material sobre o qual deveria recair a conduta do agente ou quando, pela sua situação ou condição, torna-se impossível o crime se consumar. Ex: tentar matar uma pessoa que já estava morta; prática abor-tiva por suposta gravidez; o agente, supondo de outrem um objeto, subtrai o próprio; roubo em pessoa que não está de posse de qualquer dinheiro ou objeto de valor (apenas constrangimento ilegal); POLICIAL MILITAR QUE TENTA INDUZIR OUTRO A CONCUSSÃO, PARA DEPOIS PRENDÊ-LO, etc. O crime impossível, por impropriedade ab-soluta do objeto material, filia-se a figura dodelito putativo por erro de tipo, considerando que a inexistência das e-lementares previstas no tipo penal são desconhecidas pelo agente.

Registre-se, finalmente, que a apreensão ocasional de res furtiva ou de qualquer outro elemento de

prova em poder do criminoso, no magistério deMIRABETE(Julio Fabbrini. Processo Penal.7ª ed. São Paulo:

A-tlas, 1997, p. 369/370), não prejudica a situação de flagrância do autor da conduta criminosa, sob a denominação de ficto ou presumido, uma vez que, diferentemente do inciso III, do artigo 302, CPP, o inciso IV, do mesmo artigo, não fala em perseguição e nem exige prévio conhecimento do fato à autoridade policial ou que alguém do povo esteja no encalço do criminoso, bastando, apenas, que seja encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele o autor do crime acabado de acontecer, tal como o citado doutrinador assevera:

A pessoa não é “perseguida”, mas “encontrada”, pouco importando se por acaso ou se foi procu-rado após investigações. Para a configuração da flagrância presumida, nada mais se exige do que estar o presumí-vel delinqüente na posse de coisas que o indigitem como autor de um delito acabado de cometer.

APRISÃO POR CASUALIDADE, no entanto, não encontra amparo legal se seus executores igno-ravam a situação de fato, o que, na verdade, faz demonstrar que as nossas Leis Processuais Penais exigem da autorida-de policial e seus agentes, sempre, o prévio conhecimento da ação criminosa do autor do crime,modus operandi, este,

que servirá de base para a nossa conduta nas Unidades. Nesse sentido, convergem os nossos Tribunais, em con-traposição ao entendimento deMIRABETE, alhures:

Não pode ser considerada em flagrante a prisão levada a efeito por mera casualidade, distante do local da cena delituosa, se seus executores ignoravam, até então, fosse o detido o autor do crime que averiguavam (STF, RTJ 35/171, 70/76, 106/996, 115/188, 117/639; TJSP, RT 527/304).

A apreensão ocasional deres furtiva, apesar das restrições defendidas pelos nossos Tribunais para

e-feito da prisão em flagrante delito, não significa evidentemente que o material probante não possa servir de referendo a procedimento apuratório contra o suposto autor da infração penal, através de inquérito, enquanto não extinta a punibi-lidade, posto que é exatamente esta a finalidade da Polícia Judiciária.

Restou ao policial militar finalmente saber por qual crime a pessoa está sendo presa, seCOMUMouMILITAR. Para que se tenha esta resposta, devem ser observadas as regras abaixo, com o necessário comentário sobre o art. 9º, do CPM.

Art 9º - Consideram-se crimes militares em tempo de paz:

De todos os artigos do CPM, com certeza, junto com o art. 1º, este é o mais importante, uma vez que se a conduta não está nele inserida, significa também dizer que não adianta procurar uma tipificação na parte especial, mesmo porque, o critérioRATIONE LEGISa que o código se refere, como conditio sine qua nonpara a existência do crime militar, possui o seu ponto de convergência exatamente neste dispositivo.

I - Os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diversos na lei penal comum ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial.

(7)

da justiça castrense federal; e, também, 3)os definidos de modo diverso na lei penal comum, que podem ser come-tidos por qualquer pessoa ou não, dependendo do tipo penal.

Quando o crime pode ser cometido por qualquer pessoa, à luz Justiça Militar Estadual somente se en-quadra militares estaduais ativos ou equiparados(vide art. 12, CPM), excetuando o civil, por força do art. 125, § 4º, CFe, por conseqüência, tal restrição também atinge os militares inativos, por estarem equiparados para efeitos pe-nais.Exemplos: oIngresso clandestino(art. 302), à luz da Justiça Castrense Federal, pode ser cometido por qualquer pessoa, assim como aOfensa às Forças Armadas(art. 219) e aTentativa contra a Soberania do Brasil (art. 142); o Incitamento(art. 155) e a Omissão de Socorro(art. 201), são exemplos de crimes que possuem definições diversas no CPM, podendo o primeiro ser cometido por qualquer pessoa, mas vide a restrição acima e o segundo, somente pelo Comandante; etc.

A expressão “salvo disposição especial”, exclui a “qualquer que seja o agente”, uma vez que exis-tem crimes propriamente militares ou com definição diversa no CP que, à luz da Justiça Castrense Federal, somente podem ser cometidos por determinadas pessoas, excluindo os civis ou militares inativos, dependendo do tipo penal. Ex:Deserção (art.187), só o militar ativo pode cometer;Insubmissão (art.183), só o convocado/civil pode cometer; Desacato a Superior(art. 298), só o militar subordinado ativo pode cometer;Publicação ou Crítica Indevida (art. 166), só o militar ativo pode cometer; etc.

As regras básicas para a Justiça Militar Estadual, à luz do dispositivo, são as seguintes:

a) Se o crime pode ser cometido por qualquer pessoa, somente se enquadra no inciso I, o policial mi-litar ativo ou equiparado (art. 12), porque a exclusão do civil (CF, art. 125, § 4º) também se estende ao mimi-litar inativo; e,

b) Se o crime só pode ser cometido por militar, implícita ou explicitamente, somente se enquadra no inciso I o militar ativo ou equiparado, porque, da mesma forma, a exclusão do civil se estende ao militar inativo.

Registre-se, outrossim, que o art. 5°, inciso LXI, da CF (regula que ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente), não incide sobre os crimes propriamente militares, porquanto, a autoridade de polícia judiciária militar ou o encarregado do inquérito, nos termos do art. 18, do CPPM, continuam com autoridade, ex offício, para deter o indiciado por até 30 dias, cumprindo

tão-somente cientificar a autoridade judiciária militar quanto à adoção da medida.

II - Os crimes previstos neste Código, embora também o sejam com igual definição na lei penal comum, quando praticados:

O dispositivo trata dos crimes impropriamente militares, ou seja, aqueles que possuem as mesmas de-finições no código penal comum e militar. Ex:Homicídio(respectivamente, arts. 121 e 205);Lesão Corporal (res-pectivamente, arts. 129 e 209); etc.

Somente se enquadram neste dispositivo, letras “a” até “e”, os militares da ativa ou equiparados, pe-los motivos já expostos anteriormente.

a) Por militar em situação de atividade ou assemelhado contra militar na mesma situação ou assemelhado.

Considera-se militar em situação de atividade aquele que se encontra naATIVAou, por equiparação, o da RESERVAouREFORMADOque se encontra empregado na administração militar, consoante disciplina o art. 12, CPM. Se o militar está sendo empregado na administração militar através de contrato com empresas particulares, como tem acontecido na PM, não às custas direta do erário, entende que esta equiparação ficaria prejudicada e como tal, qualquer conduta criminosa praticada pelo militar não se enquadra no CPM. OASSEMELHADO não existe na nossa estrutura e nem mais nas Forças Armadas.

Para efeito da letra em comento, é irrelevante onde o fato criminoso tenha ocorrido, bastando apenas que o acusado e a vítima sejam militares da ativa ou equiparados, mesmo porque, na lei penal militar vigem os princí-pios da territorialidadee extraterritorialidade, como regras, VIDE ART. 7º. Assim, se o homicídio aconteceu na China, sendo vítima e autor militares da ativa, ressalvado os tratados, convenções e regras de direito internacional, o crime será militarEX VI LEGIS.

(8)

Tais jurisprudências se fundaram no novo conceito de militar, dado pelos arts. 42 e 142, § 3º, ambos da CF, que segundo entendimento dos citados colegiados,REVOGARAMo artigo 22, do CPM.

Vejam o inteiro teor do acórdão do STJ:

CONFLITO DE COMPETÊNCIA. PENAL. CRIME PRATICADO POR POLICIAL MILITAR ESTADUAL CONTRA SOLDADO DAS FORÇAS ARMADAS EM VILA MILITAR. 1. Compete à Justiça Militar Estadual processar e julgar os crimes praticados por Policial Militar em atividade contra Soldado da Aeronáutica na mesma situação – art. 125, § 4º, da Constituição Federal. 2. A vila militar da Aeronáutica, onde teriam ocorrido os crimes, não pode ser considerada área sujeita à administração militar, a fim de atrair a compe-tência da Justiça Militar Federal. 3. Conflito de compecompe-tência conhecido para declarar a compecompe-tência da Justiça Militar Estadual.

Do acórdão do STM:

RECURSO CRIMINAL. REJEIÇÃO DA DENÚNCIA COM FUNDAMENTO NA INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR PARA JULGAR ILÍCITO PENAL PRATICADO POR SARGENTO DO EXÉRCITO CONTRA SOLDADO E CABO DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO, EM SITUAÇÃO DE SERVIÇO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM AFASTADA. MODIFICAÇÃO DO ENTENDIMENTO JU-RISPRUDENCIAL A PARTIR DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 18, QUE DEU NOVA REDAÇÃO AO ART. 42, DA CARTA DE 1988. I - A conjugação do art. 9º, inciso II, alínea “a”, do CPM, com os artigos 42, 125, § 4º, e 142, todos da Constituição Federal, conduz a concluir-se pela competência da Justiça Militar para processar e julgar crime militar, em tese, praticado por militar contra militar, todos em situação de atividade por definição constitucional; II - A Constituição Federal de 1988 não recepcionou o art. 22, do CPM. Do mesmo modo, a orien-tação contida no enunciado da Súmula 297, do Supremo Tribunal Federal, editada em 16/12/1963, encontra-se su-perada ante o novo texto constitucional; III - O crime que envolve militar federal e militar estadual desperta o inte-resse da União, já que a Justiça Militar Federal tutela inteinte-resses da Federação, como manutenção da ordem, disci-plina e hierarquia nas Corporações Militares estaduais e nas FFAA; IV - Apelo ministerial provido por maioria.

Vamos a um exemplo muito comum no meio militar, relacionado com a letra em comento:policial militar da ativa agride outro da ativa, mesmo estando de folga e fora da área sob administração militar. Pode ter acontecido as seguintes situações:

1 –Se não houve lesões e o agressor não sabia da qualidade militar do outro ou sabia, mas eram iguais: o único ilícito que aconteceu foi a CONTRAVENÇÃO DE VIAS DE FATO;

2 -Se houve lesões dolosa e o agressor não sabia da qualidade militar do outro ou sabia que e-ram iguais: aconteceu o crime capitulado no art. 209, caput (lesos corporais simples), do CPM, no mínimo;

3 -Se houve lesões dolosa e o agressor sabia da qualidade militar do outro, como superior hie-rárquico: aconteceu o crime capitulado no art. 157, § 3º (violência contra superior), cumulado com o art. 209, caput (lesos corporais simples), do CPM, no mínimo;

4 -Se houve lesões dolosa e o agressor sabia da qualidade militar do outro, como inferior hie-rárquico: aconteceu o crime capitulado no art. 175, parágrafo único (violência contra inferior), cumulado com o art. 209, caput (lesos corporais simples), do CPM, no mínimo;

5 -Se houve morte dolosa e o agressor sabia da qualidade militar do outro, como superior hie-rárquico: aconteceu o crime capitulado no art. 157, § 4º (violência contra superior, que resultou em morte), no míni-mo;

6 -Se houve morte dolosa e o agressor sabia da qualidade militar do outro, como inferior hie-rárquico: aconteceu o crime capitulado no art. 175, parágrafo único (violência contra inferior), cumulado com o art. 205 (homicídio), ambos do CPM, no mínimo; etc.

Convém lembrar, ainda, que o crime de lesões corporais também admite a modalidade tentada, caso em que o art. 209, das capitulações anteriores, quando for o caso, será acrescido do art 30, inciso II, do CPM. Impor-tante também trazer à colação nesta discussão, o art. 47, incisos I e II, do CPM, que poucos conhecem ou ignoram (daí o motivo da redação na parte final dos itens 3, 4 , 5 e 6, acima):

Art. 47 – Deixam de ser elementos constitutivos do crime:

I – A qualidade de superior ou a de inferior, quando não conhecida do agente;

(9)

No inciso II, do art. 47, aí vai um alerta, fica demonstrado que a lei penal militar procura preservar a hierarquia e a disciplina dentro do seu conceito mais amplo, não apoiando àqueles que desviam a sua conduta para a prática de atos ilegais, seja superior, inferior, oficial de dia, sentinela, etc., inserindo no seu contexto a possibilidade da repulsa a agressão, que pode ser moral ou física. Como a norma fala em injusta agressão, esta só pode estar relaciona-da com a legítima defesa, e como tal, a conduta repulsiva funciona como sendo uma causa de justificação ou de exclu-são de antijuricidade. Portanto, insultos e agressões morais nunca fizeram parte da lei substantiva castrense e nem pen-sem que a punição deADVERTÊNCIA VERBALpermite isso, pois não passa de umaADMOESTAÇÃO BRAN-DA.

b) Por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à admi-nistração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil.

A conduta ilegal exige o critério ratione loci (área sob administração militar) e que o militar esteja na ativa ou equiparado (art. 12), advertindo-se, porém, que se o crime for doloso contra a vida de civil, a Lei Federal nº 9.299/96, retirou a competência da Justiça Militar, sendo competente o foro comum, consoante o art. 9º, parágrafo único, CPM, combinado com o art. 82, § 2º, do CPPM.

Há que ser observado, finalmente, que o interior de agência bancária, de residência localizada em vi-las militares, dentre outras situações análogas, não se insere no contexto da letra em comento, conforme nos orienta a jurisprudência:

Não se inscreve no âmbito do art. 9º, inciso II, letra “b”, do Código Penal Militar, o crime pratica-do por militar contra a sua mulher no lar conjugal, ainda que situapratica-do este em área sob administração militar(CJ nº 6.556-PR, Trib. Pleno, STF, DJ de 07.02.84, p934).

Advirta-se, porém, que, se a conduta criminosa envolver militar da ativa contra militar na mesma si-tuação e estando de serviço ou atuando em razão da função, contra militar da reserva, reformado ou civil, mesmo no interior de residência ou de agência bancária, ambas as situações se enquadram no inciso II, respectivamente, letras “a” e “c”, sendo, portanto, inaplicável a jurisprudência acima transcrita.

c)Por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de natureza militar ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar da reserva, ou reforma-do, ou civil.

A conduta exige o critérioratione temporis, ou seja, a conduta criminosa somente será enquadrada na letra enquanto o militar permanecer naquelas situações fáticas, o que pressupõe um certo lapso temporal.

A expressão “atuando em razão da função”, foi acrescentada pela Lei Federal nº 9.299/96, o que serviu para dar mais relevância jurídica ao dever de agir do policial militar.

O crime pode ser praticado fora ou dentro do lugar sujeito à administração militar, sendo, portanto, ir-relevante o critérioratione loci(área sob administração militar).

A novidade no dispositivo é que se o militar estadual ativo estiver de folga, mas passe a atuar em razão da função, pode responder perante o foro castrense, caso venha a praticar algum ilícito, conforme jurisprudên-cias que se seguem,verbis:

Se o Policial Militar que interfere em ocorrência policial cumprido normas e deveres profissionais, se envolver em circunstância delituosa, esta é considerada de natureza militar, ainda que o miliciano esteja de fol-ga, em trajes civis e faça uso de sua própria arma(STF - HC 6.558-3 – MG – RT 578/418).

O policial militar, mesmo de folga, é obrigado a atuar, sob o ponto de vista policial, em qualquer local onde esteja, a fim de prevenir ou reprimir a prática de delito e, desde que não haja elemento ou força de servi-ço suficiente. A intervenção policial militar é dever e constitui ato de serviservi-ço, e a omissão, crime. É crime militar o praticado em tais circunstâncias(RSE 109 - Rel. Juiz Cel PM Laurentino de Andrade Filocre. Decisão: Acordam

os Juizes do Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais em dar provimento ao recurso. Acórdão de 13 Fev 8).

(10)

flagrante delito -de crime militar, lógico), c/c o art. 29, § 2º, ambos do CPPM, sendo, nestes últimos dispositivos, a-inda mais inquestionável o dever jurídico de agir do policial militar.

Sendo o crime doloso contra a vida de civil, da mesma forma, o foro competente será a justiça co-mum, conforme determinado na Lei 9.299/96, art. 9º, parágrafo único.

d) Por militar durante o período de manobras ou exercício, contra militar da reserva, ou re-formado, ou civil.

Esta letra é despiciendo (auto explicável). Adota o critérioratione temporis, devendo ser observado os mesmos comentários da letra anterior, no que for aplicável.

e)Por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra o patrimônio sob a administra-ção militar ou a ordem administrativa militar.

Para efeito da letra em comento, patrimônio sob a administração militar não é somente aquele que pertence às Instituições Militares, como também, os que se encontram sob a sua guarda e utilização, embora não lhes pertençam.

Crimes contra aORDEM ADMINISTRATIVA MILITAR são os que atingem a organização, a existência, a finalidade e o prestígio moral das Forças Armadas e Auxiliares(HC nº 39.412, RTJ 24/59).Exemplos:

Fuga de preso ou internado (art. 178), Ato obsceno (art. 239), Concussão (art. 303), Corrupção ativa (309), etc. Ainda em relação ao crime de fuga de preso ou internado, tanto na sua modalidade dolosa (art. 178), quanto culposa (art. 179), ambos os artigos do CPM, há que ficar registrado que caso a fuga ocorra em estabelecimento prisional comum, mesmo estando o preso sob a guarda e vigilância de policiais militares, o delito não será militar, pela aplicação da SÚMULA 075, STJ,verbis:

Compete à justiça comum estadual processar e julgar o policial militar por crime de promover ou facilitar a fuga de preso de estabelecimento penal.

f) Revogada pela Lei Federal nº 9.299/96.

III – Os crimes praticados por militar da reserva ou reformado ou por civil, contra as institui-ções militares, considerando-se como tais não só os compreendidos no inciso I, como os do inciso II, nos seguin-tes casos:

Seguindo o escólio de Lobão (Célio.Direito Penal Militar Atualizado. 1ª ed. Brasília: Brasília Jurí-dica, 1999. 431p), tal dispositivo não se aplica à Justiça Castrense Estadual, uma vez que se o art. 125, § 4º, da CF, ex-cluiu oCIVILcomo sujeito ativo para a prática de crime militar, tal restrição também, em regra, se estende aos MI-LITARES INATIVOS ESTADUAIS, por estarem todos equiparados para efeito penal, salvo se o agente ativo do crime estiver inserido no contexto do art. 12, do CPM,verbis:

Art. 12 – O militar da reserva ou reformado, empregado na administração militar, equipara-se ao militar em situação de atividade, para o efeito da aplicação da lei penal militar.

De qualquer forma, estando o policial militar inativo inserido no contexto do art. 12, em hipótese al-guma a sua conduta criminosa enquadrar-se-ia no inciso III e, sim, no inciso I ou II, por razões lógicas.

Face todo o exposto, observado o Art. 9º, CPM, identificado oCRIME COMO MILITAR, em hi-pótese alguma a ocorrência deverá ser levada à apreciação da Delegacia Policial Civil, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade e conseqüente responsabilidade da autoridade militar omissa. Assim sendo, havendo o flagrante delito, deverá o policial militar ser autuado no âmbito da OPM a que estiver subordinado, respeitado o rito estabelecido no art. 5º, incisos LXII, LXIII e LXIV, CF, ou então se os requisitos do flagrante não ficaram sedimentados, vide art. 244, CPPM, mas a conduta perpetrada apresenta indícios de crime militar, em tese, a autoridade de polícia judiciária militar competente procederá à devida investigação, através de IPM. Se o crime envolver mais de um policial militar e de OPM diversas, o flagrante deverá ser lavrado na DPJM responsável pela área, respeitada a condição hierárquica do a-gente ou se for o caso de instauração de IPM, deverá a CIntPM providenciar na esfera da sua competência. Se a hie-rarquia do policial militar criminoso não permitir que a autuação seja feita na sua Unidade Militar de origem ou numa das DPJM, a Chefia do EMG deverá designar um Oficial Superior para presidir lavratura do auto.

Advirta-se, porém, que existem condutas criminosas que mesmo estando o policial militar de serviço ou atuando em razão da função, não possui capitulação no CPM, caso em que competente para o processo e o julga-mento será a justiça comum, como p. ex., o CRIME DE QUADRILHA OU BANDO, o ATO OBSCENO, este quando praticado fora de área sob administração militar, oABORTO, etc.

(11)

possibilidade, por entender que o art. 144, § 4º, in fine, da CF, cujas normas devem ser interpretadas

TAXATIVA-MENTE, derrogou a primeira parte do art. 250, do CPPM, vide abaixo,verbis:

Art. 144, CF - ...

§ 4º - Às Polícias Civis, dirigidas por Delegados de Polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração das infrações penais, EXCETO AS MILI-TARES(grifo nosso).

Art. 250, CPPM – Quando a prisão em flagrante for efetuada em lugar não sujeito à adminis-tração militar, O AUTO PODERÁ SER LAVRADO POR AUTORIDADE CIVIL, ou pela autoridade militar do lugar mais próximo daquele em que ocorrer a prisão(grifo nosso).

Por derradeiro, a condução deverá sempre atentar para a situação hierárquica do preso. Ex: um CB PM pode prender em flagrante delito um TEN PM ou das FFAA, porém, para conduzi-lo à Unidade Militar a que esti-ver subordinado para lavratura do flagrante ou à DP da área, no caso de crime comum, somente poderá fazê-lo através de escolta, sob Comando de Oficial mais antigo ou superior hierárquico do preso.

Em conseqüência, os Comandantes, Chefes e Diretores de OPM, principalmente os relacionados com OS ÓRGÃOS DE ENSINO, deverão orientar adequadamente os seus subordinados ou instruendos, nos termos da presente publicação.

(Nota nº 1752 – 07 mai 08 – CintPM)

4. DOCUMENTO DE RAZÕES DE DEFESA – DECISÃO - PUNIÇÃO DE PRAÇA - ARQUIVAMENTO Ref.: CIntPM nº 01.383/2008 – DRD nº 0480/07 CIntPM nº 05.650/2007.

DEFENDENTE: CB PM RG 64.514 LUIZ ANTÔNIO DA SILVA,do 1º BPM. ORIGEM:Sindicância de Portaria nº 0017/2538/2007 – CIntPM n 05.650/2007.

Examinando o presente DRD, originário do procedimento em referência, verifica-se que o defenden-te, ao exercer o contraditório e a ampla defesa, não aduziu elementos que justificassem a sua conduta no que tange ao aspecto disciplinar, quanto ao fato de estar portando, no dia 28 de junho de 2006, carteira funcional da PMERJ de mo-delo antigo em desuso na Corporação, bem como está conduzindo veículo automotor de sua propriedade em desacordo com as leis vigentes no país.

Do exposto, o Comandante GeralDECIDE:

1 – Punir o CB PM RG 64.514LUIZ ANTÔNIO DA SILVA, do 1º BPM, pelo fato de no dia 28 de junho de 2006, por ocasião de sua oitiva na 1ª DPJM, portava carteira funcional da PMERJ de modelo antigo em desu-so na Corporação, bem como conduzia veículo automotor como de sua propriedade em desacordo com as leis vigentes no país, incidindo assim nos nº 7, 18, 20 e 79 do inciso II do Anexo I, do RDPMERJ, com atenuante do Inciso I do art 18 e agravante do Inciso V do art 19 do mesmo diploma legal.

TransgressãoLEVE.FicaDETIDOporQUATRO( 4 ) dias; 2 – Providencie o 1º BPM no que lhe couber; e

3 – Registrar e arquivar na CIntPM/SJD esta decisão.

(Nota nº 1751 – 07 Maio 2008 – CIntPM/RUP)

5. DOCUMENTO DE RAZÕES DE DEFESA DECISÃO – PUNIÇÃO DE PRAÇA

-ARQUIVAMENTO.

Ref: CIntPM nº 10.021/2007 - DRD nº 0163/2538/2007

.

DEFENDENTE: 3º SGT PM RG 51.333 CARLOS MAGNO DE SOUZA CHAIM, do 32º BPM.

ORIGEM:Sindicância de Portaria nº 0721/2538/2006 - CIntPM nº 25.060/2006.

Examinando a peça de defesa oriunda do procedimento em referência, o Comandante - Geral decide: 1.Considerar que o defendentenãologrou justificar o seu proceder;

2.Punir disciplinarmenteo 3º SGT PM RG 51.333 CARLOS MAGNO DE SOUZA CHAIM, do 32º BPM, pelo fato de ter deixado de confeccionar o T.R.O sobre a tentativa de roubo ao Motel Tropical, localizado na Praia Campista Macaé – RJ, ao atender a uma ocorrência naquele local no dia 12 de outubro de 2005, incidindo assim nos itens nº 7, 8, 20, 37 e 79, do inciso II, do Anexo I, com agravante do (s) inciso (s) II, V e VIII, do art. 19, tudo do RDPM. Providencie a CIntPM/SJD;

TransgressãoLEVE.FicaDETIDOporOITO( 8 ) dias; 3.Providencie o 32º BPM o que lhe couber; e

Referências

Documentos relacionados

1º - Os processos e procedimentos administrativos, no âmbito da administração direta e in- direta, que tenham como parte ou interveniente pessoa com idade superior a sessenta anos

[r]

[r]

[r]

§ 1º - Excetuam-se da regra do caput deste artigo os Oficiais Superiores ocupantes dos cargos de Secretário de Estado, de Coordenador Militar da Secretaria de Estado da Casa Civil,

1° - As unidades da Polícia Militar, da Polícia Civil do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro, que

Os indicadores aqui analisados convergem para as características das dimensões da gestão escolar, quais sejam Gestão Pedagógica, de Resultados Educacionais e a Participativa,

To demonstrate that SeLFIES can cater to even the lowest income and least financially trained individuals in Brazil, consider the following SeLFIES design as first articulated