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Educ. rev. número46

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Academic year: 2018

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Dossiê

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Apresentação

Dagmar Estermann Meyer Guacira Lopes Louro

Seria, ainda, necessário enfatizar a importância que as dimensões de gênero e sexualidade adquiriram na teorização social, cultural e política contemporânea? Ou justificar a relevância da proposição de um dossiê que discuta as relações entre gênero, sexualidade e educação no contexto de um periódico científico como o Educação em Revista? A resposta para ambas as perguntas tanto pode ser não quanto sim. Ela vai depender, é claro, da perspectiva com que olharmos tais provocações.

Diríamos que não há necessidade de justificativas se considerarmos que, desde os anos 70 do século XX, uma ampla, complexa e profícua produção acadêmica já vem ressaltando a impossibilidade de se ignorarem essas relações quando se busca analisar e compreender questões sociais e educacionais. Estudiosos/as e pesquisadores/as de várias nacionalidades e filiações teóricas e disciplinares participaram e continuam participando da construção desses campos, numa perspectiva que focaliza tanto relações de gênero e sexualidade quanto suas importantes articulações com dimensões como raça/etnia, classe, geração, nacionalidade, religião, dentre outras.

Esse movimento que, no plano acadêmico internacional, surgiu com os departamentos de Women Studies e que, posteriormente, se ampliou para os Gender Studies e para os Gays’s and Lesbian’s Studies

multiplicou-se, em muitas instituições. Serviu, também, como impulsionador de ampla gama de pesquisas que passou a interrogar, a partir de perspectivas diversas, campos como a Educação, a História, o

Educação em Revista. Belo Horizonte. n. 46. p. 197-199. dez. 2007

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Direito, a Literatura, a Arte, a Saúde, a Teologia, a Política, etc. A expansão no plano internacional, no entanto, ainda não se visibiliza do mesmo modo nos currículos formais de graduação e pós-graduação em educação do Brasil e, apesar dos vários núcleos e grupos de estudo sobre o tema, cadastrados no CNPq, é possível dizer que continua existindo, hoje, uma lacuna curricular no que diz respeito a essas temáticas. Elas também ainda não aparecem, com muito destaque, na pauta dos grandes eventos ou na agenda de revistas importantes da área da Educação. Portanto, sob esta perspectiva, justifica-se fortemente a necessidade de se continuar enfatizando a relevância social e política destas temáticas.

A proposição de um dossiê sobre Gênero, sexualidade e educaçãoem um importante periódico como é Educação em Revistaé, pois, indicativa de um movimento de consolidação acadêmica e política em andamento em várias instituições de ensino superior do País. É possível dimensionar este movimento, por exemplo, se observarmos o leque das instituições nas quais se inscrevem as autoras aqui reunidas. Simultaneamente, o dossiê evidencia a pluralidade temática e teórico-metodológica que acompanha a produção de conhecimento nesta área.

Assumimos hoje, talvez com menos dificuldade que alguns anos atrás, que as várias formas de viver a sexualidade e os gêneros são experimentadas e representadas, socialmente, de distintos modos. Entendemos que algumas dessas formas detêm o selo da legitimidade, podem ser afirmadas e exercidas com aprovação; outras, contudo, são desaprovadas, marginalizadas ou condenadas. Cada sociedade produz, historicamente, seus critérios para determinar o que (ou quem) é adequado ou inadequado, legal ou ilegal, sadio ou doente, moral ou imoral. A escola, a justiça, as igrejas, a mídia, as famílias, enfim, as mais variadas instâncias sociais, através de distintas estratégias e técnicas, ensinam a todos esses lugares sociais. Na atribuição dessas posições sociais estão implicadas disputas e choques. Assim, uma dinâmica de

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poder, cada vez mais complexa, está em ação nas sociedades contemporâneas. Admitir que há intensos e eficientes processos pedagógicos em ação nas relações sociais e que esses processos são atravessados por relações de poder, implica portanto lidar com a idéia de que o educativo vai muito além da escola. Implica também supor que nós, educadoras e educadores estamos envolvidos/as nestas dinâmicas. Para melhor compreender nossa própria inserção nestes jogos e buscar caminhos para fazer frente aos desafios que essa compreensão nos coloca, é importante tomar conhecimento do que vem se produzindo e discutindo nestes campos. Este dossiê traz uma pequena amostra desta produção. Estamos convencidas da relevância desta publicação. Com ela,

Educação em Revista certamente contribui para ampliar e aprofundar o debate nos campos dos Estudos de Gênero e Sexualidade no Brasil.

Porto Alegre/Belo Horizonte, primavera de 2007.

Educação em Revista. Belo Horizonte. n. 46. p. 197-199. dez. 2007

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