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E NGENHARIA DEM ATERIAIS

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Academic year: 2019

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(4)
(5)

Dedicatória Especial

Ao meu filho Lucas, pelo entendimento de minhas ausências e ser constante

(6)

Agradecimentos

A Deus por oportunizar acontecimentos na minha vida;

Aos meus pais Antônio da Gama e Nilda, pelo amor, dedicação e princípios ensinados;

A minha esposa Karla, pelo companheirismo e afeto durante esta jornada.

Aos meus irmãos: Aline, Eduardo, Juliana e minha cunhada Adenilda, doutores no saber e na vida,

recolhedores de pedras e aparadores de espinhos deste meu caminho de retomada aos estudos.

A todos do CEFET – MG pelo carinho, incentivo e apoio;

Ao Prof. Dr. Rodrigo Fernando Bianchi, pela paciência, orientação, ensinamentos e vivências sendo

um exemplo de docente a ser seguido.

A Profa.Msc. Giovana, por ter aceitado a co2orientação nesse meu trabalho.

Aos meus amigos pela amizade, incentivo e ajuda; em especial aos colegas de curso de

especialização em engenharia de materiais realizado em Araxá.

Aos colegas do Laboratório de Polímeros e Propriedades Eletrônicas de Materiais 2 LAPPEM, pela

ajuda e paciência, em especial a Mariana de Melo Silva e ao Thiago Schimitberger;

Aos professores, técnicos e corpo administrativo do Departamento de Física da Universidade

Federal de Ouro Preto 2 DEFIS/UFOP.

(7)

A OBSERVAÇÃO INTELIGENTE FOCADA NA AÇÃO DOS PENSAMENTOS EMPREENDE REALIZAR PROJETOS TIRANDO DA INÉRCIA IDÉIAS MUMIFICADAS PELO TEMPO.

(8)

Sumário

1 – Capítulo 1 – Introdução...01

1.1 – Apresentação...01

1.2 – Objetivos do trabalho ...04

1.3 – Descrição do trabalho... 04

2 – Capítulo 2 – O Estado da Arte...05

2.1 – Esterilização por radiação ultravioleta ...05

2.2 2 O Ozônio e a absorção da radiação solar ultravioleta ...05

2.3 – Radiações e o espectro eletromagnético...08

2.4 – Radiações ultravioleta C ...12

2.5 – Lâmpadas UVC ...14

2.6 – Monitoramento e Controle da radiação ultravioleta...17

2.7 – Polímeros e as Radiações...18

2.7.1 – Influência das radiações ultravioletas nas propriedades físico2químicas dos polímeros...19

2.7.2 – Aplicação de polímeros conjugados em eletrônica orgânica ...22

2.8 2 Polímeros conjugados como sensores de radiação ... 25

2.9 – Dosimetria das radiações ...27

3 – Capítulo 3 – Métodos e Procedimentos Experimentais...29

3.1 2 Metodologia...29

3.1.12 Reagentes e compostos utilizados...29

3.2 – Preparo das soluções e filmes ...30

3.3– Desenvolvimento dos dosímetros...35

4 2 Capítulo 4 – Equipamentos e técnicas de medida...37

4.1 – Sensibilização dos dosímetros ...37

4.2 2 Medidas óticas...39

4.2.1 – Espectrofotômetro UVVIS SHIMADZU série 1650 ...39

4.2.2 – Espectrofotômetro Ocean Optics USB 2000...40

4.3 – Diagrama de cromaticidade...41

(9)

5 – Capítulo 5 – Resultados experimentais ...43

5.1 – Evolução da mudança de cor dos selos de MDMO2PPV/PS...43

5.2 – Caracterização ótica dos filmes de MDMO2PPV/PS...45

5.3 2 Projeto e fabricação dos detectores de radiação UVC ...64

5.4 2 Desenvolvimento do protótipo...64

5.5 – Discussão dos resultados...66

6 – Capítulo 6 – conclusão...70

(10)

Lista de figuras

FIGURA 1: Imagem global da exposição ao UV diário extraída do TOMOS... 3

FIGURA 2.1: Exemplos conhecidos de utilitários dentro do espectro eletro magnético...9

FIGURA 2.2: Posicionamento da radisção UV, dentro do espectro eletro magnético... 13

FIGURA 2.3: Figura esquemática do impacto da UV2C no ADN normal e a direita a quebra

do ADN, surgindo um ADN modificado por radiação Ultravioleta... 14

FIGURA 2.4: Figura esquemática da ação da radiação UVC na célula. ...15

FIGURA 2.5: Imagem da lâmpada de tubo gerador de UVC... 16

FIGURA 2.6: Monitores UV para monitoramento das intensidades uv relativa e absoluta..17

FIGURA 2.7: Sensores UV para monitoramento das intensidades UV relativa e absoluta. 17

FIGURA 2.8: Escala de condutividade elétrica para diversos materiais, incluindo os

polímeros convencionais e os polímeros conjugados... 22

FIGURA 2.9: Nome, fórmula estrutural e valores dos gaps de alguns polímeros conjugado...23

FIGURA 2.10: Sensores em desenvolvimento no LAPPEM. Soluções de MEH2PPV

expostas à radiação azul, desenvolvimento no LAPPEM... 27

FIGURA 3.1: Fórmula molecular do MDMO – PPV: (C19H28O2) n 2 Poli (22metoxi252

(3'27'2dimethyloctyloxy) 21,4 fenilenovinileno)... ... 31

FIGURA 3.2: Embalagem comercial do MDMO –PPV (a); Pó de MDMO2PPV (b) e Filme

de MDMO2PPV (c)... 32

FIGURA 3.3: Fórmula estrutural do poliestireno – PS... 33

FIGURA 3.4 : Espectro de absorção no visível do poliestireno2 PS e grânulos ( ) de

PS... 34

FIGURA 3.5: Formula molecular e apresentação espacial 3D do triclorometano... 35

FIGURA 3.6 Dosímetros indicadores de índice UV [63] .disponíveis no mercado... 37

FIGURA 4.1: (a) Dosímetro a base de MDMO2PPV para detecção de radiação não

ionizante; (b) dosímetros exposto a radiação proveniente de um equipamento de luz ultra

violeta e (c) Aparato experimental usado na exposição das amostras poliméricas a radiação

ultra violeta... 38

FIGURA 4.22 Caixa escura utilizada para as exposições dos filmes de MDMO2PPV á luz

(11)

FIGURA 4.3: a) Aparelho UV2VIS; b) Máscaras desenvolvidas para o equipamento

UV2VIS...40

FIGURA4.4: Aparato experimental projetado e fabricado no LAPPEM usado para excitação e aquisição dos espectros de fotoluminescência das amostras utilizadas neste trabalho. (a) aparato experimental projetado usado para excitação e aquisição dos espectros de fotoluminescência... 41

FIGURA 4.5: Fotos do LED com emissão de luz roxa tirada com filtro para a luz roxa e sem filtro para a luz roxa, posicionado para emissão da luz sobre o filme sensibilizado pela exposição a radiação ultra violeta, que terá sua emissão captada por uma fibra ótica e seus dados analisados... 42

FIGURA 4.6: Diagrama de Cromaticidade... 43

FIGURA 5.1: Foto dos filmes de MDMO2PPV com concentrações de 200µg/ml, 100µg /ml e 50µg /ml; da esquerda para a direita, respectivamente, antes da exposição a radiação... 45

FIGURA 5.2: Foto da Evolução da degradação relação dose/ tempo avaliadas nos filmes de MDMO2PPV/PS... 46

FIGURA 5.3 :Espectros de absorção de amostra A1, virgem, exposta à 0 h, 24 h e 48 h á radiação UVC... 47

FIGURA 5.4 :Espectros de emissão da amostra A1, virgem e exposta à 0 h a 48 h á radiação UVC... 49

FIGURA 5.5: Gráfico de cromaticidade dos selos de A1... 50

FIGURA 5.6: Sensor de concentração A1... 51

FIGURA 5.7: Gráfico de absorção dos selos de A2... 52

FIGURA 5.8: Gráfico de fotoemissão dos selos de A2... 53

FIGURA 5.9: Gráfico de cromaticidade dos selos de A2... 54

FIGURA 5.10: Sensor dos selos de A2... 55

(12)

FIGURA 5.12: Gráfico de fotoemissão dos selos de A3... 57

FIGURA 5.13: Gráfico de fotoemissão dos selos de A3... 58

FIGURA 5.14: Sensor dos selos de A3... 59

FIGURA 5.15: Gráficos de absorção dos selos em a) A1, em b) A2 e em c) A3, no tempo 0 h e 48 h...61

FIGURA 5.16: Gráficos de absorção dos selos em a) A1, em b) A2 e em c) A3... 62

FIGURA 5.17: Gráficos de fotoluminisência dos selos em a) A1, em b) A2 e em c) A3...63

FIGURA 5.18: Gráfico de absorção dos selos A1, A2 e A3...64

FIGURA 5.19: Cartão com três concentrações A1, A2 e A3...65

(13)

Lista de tabelas

Tabelas:

(14)

Lista de Notações

OMS Organização Mundial da Saúde

UNEP Proteção ao meio ambiente das nações unidas

IC2NIRP Comissão Internacional de Proteção à Radiação Não2Ionizante

UVC Radiação ultravioleta 2 C

MDMO2PPV [Poli (22metoxi252(3'27'2dimethyloctyloxy) 21,4 fenilenovinileno)]

CFCs Clorofluorcarbonos

IV Infravermelho

UHF Ultra High Frequency

SHF Super High Frequency

VHF Very High Frequency

UVA Radiação ultravioleta 2 A

UVB Radiação ultravioleta – B

pH potencial hidrogeniônico

THMs Trihalomethanes

PPV Poli ( 2fenilenovinileno)

HST Telescópio Espacial Hubble

ISS Estação Espacial Internacional

FEP Etileno2propileno fluoretizado

POM polyacetal

PC Polycarbonate

ABS acrylonitrile – butadiene – styrene copolymer

PA polyamide

PET polyethylene terephthalate

PP polypropylene

HDPE high – density – polyethylene

PES polyether sulfore

PPO polyphenylene oxide

PBT polybutylene terephthalate

(15)

PI polyimide

PEI polyether imide

FWA Agentes branqueadores fluorescentes

HALS Hindered Amine Light Stabilizer

PL Photoluminescence

MIT Massachusetts Institute of Technology

HOMO Orbital molecular de maior energia

LUMO Orbital molecular de menor energia

MEH2PPV Poli (22metóxi252(22etilhexiloxi)2p2fenilenovinileno)

PSS Poli(42estirenosulfonado)

HCFC222 hidroclorofluorocarbono

CHCl3 Clorofórmio

CAS Chemical Abstracts Service

USB Universal Serial Bus

LED Dispositivo emissor de luz

UV2Vis Espectroscopia na região do ultravioleta e visível

σ π Orbitais moleculares ligantes

σ π Orbitais moleculares antiligantes

σ2σ*,π2π* Transições entre orbitais eletrônicos

Letras gregas

(16)

Resumo

A radiação UVC, germicida, é pouco utilizada nos processos de esterilização

hospitalares, odontológicos e laboratoriais por se tratar de um procedimento pouco

confiável, uma vez que geralmente não há uma aferição de fácil entendimento e manuseio

por parte de quem a aplica. Uma alternativa de solução seria o uso de um dosímetro

desenvolvido com propriedades poliméricas fotoluminescentes sensíveis a essa radiação

ultravioleta. O estágio atual de desenvolvimento da área de polímeros semicondutores,

focada no desenvolvimento de dispositivos emissores de luz, tem contribuído cada vez mais

para a investigação do potencial tecnológico desses sistemas como elemento ativo de outros

dispositivos e como, por exemplo, sensores de radiação. No entanto, a degradação desses

polímeros, quando na presença de oxigênio, tem sido um dos principais problemas que

limitam a eficiência dos dispositivos emissores de luz. Logo, essa característica possibilita

o desenvolvimento de outros dispositivos que se apóiam na fotodegradação do polímero

semicondutor. Vários estudos têm se preocupados em entender como estes agentes, luz e

oxigênio, atuam na degradação dos polímeros, mas pouco ainda se conhece a ponto de

evitá2los. Este trabalho teve como objetivo desenvolver e caracterizar um novo sensor de

acúmulo de dose de radiação UVC à base de um derivado do MDMO2PPV o poli[22metoxi2

52(3,72dimetiloctiloxi)]2p2 fenilenovinileno em matriz de poliestireno, para aplicar como

detector da UVC para fins de monitorar os processos de esterilização germicida. A

preparação de tal dispositivo foi realizada por meio da técnica de enquanto sua

caracterização pelas técnicas de espectroscopia de absorção, de fotoemissão e diagrama de

cromaticidade. Os resultados obtidos mostraram que o sistema polimérico fabricado

apresenta mudança de cor do vermelho – laranja ao amarelo claro com a radiação

permitindo, portanto, usar esta característica para aferir a dose de radiação prescrita para o

material ativo. De baixo custo e fácil utilização e leitura, o material desenvolvido foi

utilizado como elemento ativo de um crachá para aferir a dose de radiação de processos de

esterilização. Finalmente evidencia2se que este dosímetro desenvolvido apresenta grande

potencial para aplicação comercial devido suas características de baixo custo e baixa

complexidade de produção e ausência de similar no mercado.

(17)

Abstract

The UVC radiation is not widely used for sterilization because it is an unreliable

procedure, since there is not usually a gauge for easy understanding and handling on the

part of those who apply. An alternative solution would be to use a dosimeter developed

properties with photoluminescent polymer sensitive to ultraviolet radiation. What current

stage of development in the area of polymer semiconductors, focused on developing light

emitting devices, has contributed increasingly, for the investigation of the technological

potential of these systems as active element of other devices, for example, sensors.

However, the degradation of these polymers in the presence of oxygen has been one of the

main problems that limit the efficiency of LEDs, this feature enables the development of

other devices that rely on the degradation of the polymer semiconductor. Several studies

have been concerned to understand how these agents, light and oxygen, acts on the

degradation of polymers, but little is know about to avoid them. This study aimed to

develop radiation detector for UVC radiation. The preparation of the dosimeter for

monitoring radiation lies between the blue and ultraviolet was developed by the technique

of casting and its characterization by absorption spectroscopy and photoemission. It was

found that the proposed device can be used in monitoring the ultraviolet radiation used for

sterilization, due to the properties of semiconducting polymers. It shows that this dosimeter

developed has great potential for commercial application due to its characteristics of low

cost, low complexity of production and lack of market competition.

(18)

Introdução

Neste capítulo, são apresentados os conceitos básicos que motivaram o

desenvolvimento desse trabalho para confecção de um dosímetro para acompanhar os

processos de esterilização por UVC.

1.1 " Apresentação

A fototerapia foi primeiramente utilizada a partir do uso da radiação ultravioleta pelo

médico dinamarquês Niels Ryberg Finsen (1860"1904), que culminou na entrega do prêmio

Nobel de Medicina em 1903 a esse cientista, principalmente, pela sua contribuição no

tratamento de doenças, principalmente o [1]. Blum, em 1959, demonstrou o

limite de µW/cm2 para exposição diária de 7 h em instalações médicas, onde se utilizavam

lâmpadas germicidas. Anos depois, em 1976, foi realizado o 7º Congresso Internacional de

Fotobiologia em Roma, onde se postulou que a exposição à luz solar também pode causar

danos à saúde devendo, portanto, ser evitada, mesmo em quantidades moderadas. Em 1994,

por sua vez a Organização Mundial da Saúde, junto com a proteção ao meio ambiente das

nações unidas e com a comissão internacional de proteção à radiação não"ionizante,

formaram um grupo de trabalho para rever os efeitos biológicos da radiação ultravioleta[5].

Essa comissão elaborou um documento conhecido como

[2,6]

, que descreve as conseqüências e cuidados quanto à exposição à

radiação UV. Nessa linha de pesquisa, a literatura vem relatar como o uso da radiação

UVC, principalmente pela sua capacidade de destruir bactérias potencialmente patogênicas,

característica que faz com que seja utilizada em dispositivos com o objetivo de manter a

assepsia em diversos processos de esterilização. Outro uso dessa fonte de radiação é a

aceleração da polimerização de certos compostos, pois muitas substâncias, ao serem

expostas à radiação UV, se comportam de modo diferente de quando expostas à luz visível,

tornando"se fluorescente[1,2]. Por outro lado, trabalhos recentes relatam que a exposição à

(19)

Apesar de possíveis efeitos indesejáveis para a saúde humana, a radiação ionizante

pode contribuir com alguns processos, entre estes, atuar em reações químicas acelerando e

melhorando a qualidade de produtos naturais e sintéticos [3].

Ademais tais fontes de radiação também podem ser empregadas em diversas áreas

de atividade humana, visando ampliar e estender os efeitos da radiação e desenvolver

processos para aplicações industriais, educacionais e médicas hospitalares [3]. Apesar do uso

da UVC (220"280nm), como radiação para esterilização tanto de salas cirúrgicas, como de

ambientes com necessidade de esterilização, água, ar refrigerado, superfícies contaminadas,

substancias e alimentos, registra"se na literatura, que este campo ainda é pouco explorado e

carente de sistemas de medida de baixo custo e bom desempenho para uso tanto como

elemento de saúde pública, para controle de exposição de trabalhadores civis e rurais á

radiação ultravioleta, como também para controle dos processos de esterilização

odontológicos, médicos e hospitalares. Neste sentido, o desenvolvimento de um dosímetro

sensível, de fácil manuseio e custo razoável se faz necessário [2]. Por outro lado, o uso de

métodos dosimétricos adequados, ou dosimetria, é essencial para a utilização segura e

aceitável da radiação. Assim, para o desenvolvimento de sensores de radiação, que é o tema

principal desse trabalho, diversos dosímetros vem sendo desenvolvidos no mundo, cada um

com características próprias e peculiares. Em particular, um desses dosímetros têm sido

proposto pela equipe do Laboratório de Polímeros e Propriedades Eletrônicas de Materiais "

LAPPEM do DEFIS/UFOP para uso em fototerapia com luz azul. Neste sistema, polímeros

luminescentes estão sendo usados para a confecção de sensores de acúmulo de dose de

radiação na forma de filmes finos [4]. De um modo geral, tais sensores têm seu princípio de

operação baseado na fotodegradação de um polímero luminescente quando exposto a

radiação. Tal comportamento abre, portanto, a possibilidade de confecção de novos

dosímetros cujo princípio de operação baseia"se na curva dose"cor, como sua característica

de maior relevância tecnológica. A título de ilustração, a Figura 1 mostra a imagem global

da exposição UV. Como os riscos são grandes quando o ser humano fica exposto à radiação

UVC, sem proteção, o potencial de dispositivos detectores dessa radiação apresentam

características tecnológicas relevante tanto para o mercado brasileiro e para o mercado

(20)

Exposição á Radiação ultravioleta kJ/m2

(21)

1.2 " Objetivos do Trabalho

O objetivo principal desse trabalho é a fabricação e a caracterização de filmes

orgânicos luminescentes para uso como elemento ativo de detectores da radiação UVC

(220 nm – 280 nm) para uso no controle dos processos de esterilização. Filmes finos á base

poli (2"metoxi"5"(3'"7'"dimetiloctiloxi) "1,4 fenileno vinileno) – MDMO"PPV, um polímero

luminescente comercial e poliestireno – PS, uma matriz transparente devem ser fabricados

e expostos a radiação UVC proveniente de lâmpadas germicidas de potencia 15W. Os

filmes, uma vez fabricados e expostos a radiação, devem ser caracterizados por técnicas de

espectroscopia de absorção UV"VIS, fotoemissão e cromaticidade para análise das

propriedades óticas e, conseqüentemente, das curvas dose – cor dos dispositivos fabricados.

1.3 " Descrição do trabalho

Pra atingir os objetivos desse trabalho, essa dissertação foi dividida em 7 capítulos

que apresenta no a introdução, os objetivos e descrição do trabalho, a revisão da

literatura no são apresentados os conceitos principais envolvidos nos processos

de fluorescência e de degradação induzida por radiação e de polímeros conjugados, como

também uma breve descrição das necessidades de monitoramento da radiação UVC. Em

seguida, no , são apresentadas as características do Poli [(2"metoxi"5"(3'"7'"

dimethyloctyloxy) "1,4 fenilenovinileno)] " MDMO"PPV, que foi o polímero utilizado

como elemento ativo dos sensores de UVC, além do modo de preparo dos sistemas

orgânicos fabricados e caracterizados. Nos por sua vez são descritos e

discutidos os resultados obtidos, sendo que no são apresentadas às conclusões e

seqüência dos trabalhos para a obtenção de um novo sensor de monitoramento da radiação

UVC para uso em processos de esterilização e por último no são apresentadas

(22)

O ESTADO DA ARTE

Neste capítulo são apresentados os conceitos básicos e as características da radiação

ultravioleta, bem como as principais características de polímeros conjugados necessários

para o desenvolvimento dos detectores da radiação.

2.1 – Esterilização por radiação ultravioleta

De um modo geral, a esterilização por radiação UV se dá através de lâmpadas cuja

faixa de emissão se situa entre 220 a 280 nm com o comprimento de onda de 265 nm sendo

o mais efetivo[5].

Porém, o uso de câmaras de vidro ou outros sistemas feitos com este material

reduzem consideravelmente a eficiência desse processo, pois, os raios UV têm um poder de

penetração fraco e não podem passar por uma fina camada de vidro. Portanto, não se pode

confiar totalmente nesse processo para esterilização perfeita quando se tem um anteparo de

vidro entre os raios ultravioleta e o objeto a ser esterilizado. Ademais a ação dos raios UV

gera uma ação deletéria por que causam danos ao DNA da célula e, conseqüentemente, leva

ao mau funcionamento desta e, portanto, a sua morte [5,6,7].

2.2 – Ozônio e a absorção da radiação solar ultravioleta

A radiação pode ser classificada como não ionizante, ionizante diretas ou

indiretas. Quando a transferência de energia para a matéria é realizada por partículas que

possuem carga elétrica, tais como partículas alfa, beta e elétrons e interagem com muitos

átomos, é dita ionizante direta. Radiações ionizantes indiretas são aquelas que não possuem

carga, tais como nêutrons e radiação eletromagnética (raios"X e gama). Interagem

individualmente transferindo sua energia para os elétrons que irão provocar novas

ionizações. De modo inverso, quando radiações eletromagnéticas, tal como a luz visível,

(23)

A radiação ultravioleta foi descoberta em 1801 pelo cientista alemão Johan Ritter,

que percebeu que uma forma invisível de luz, além do violeta, é capaz de oxidar haletos de

prata. Além de ocupar ampla faixa de comprimento de onda na região não ionizante do

espectro eletromagnético, entre 100 nm e 400 nm [10].

Em meados do século XIX, o químico suíço Christian Friedrich Schönbein

observou que o odor notado quando se produziam descargas elétricas na atmosfera era

similar àquele notado quando a água era decomposta por uma corrente voltaica. Schönbein

acreditou que esse odor poderia ser atribuído à existência de um gás atmosférico de odor

peculiar. A esse gás atribuiu o nome ozônio, da palavra grega para cheiro – “ ” [11].

O ozônio é um gás produzido naturalmente na atmosfera terrestre, reativo e capaz

de oxidar metais como ferro, chumbo e arsênico [12]. A descoberta de que o ozônio pode

despolarizar eletrodos de platina foi a principal motivação para que o mesmo começasse a

ser estudado e medido com maior atenção. Em seguida, Schönbein concluiu que o ozônio

tinha um papel ainda mais importante, utilizando"o como um eficaz desinfetante durante

epidemias infecciosas [12].

O primeiro método de detecção de ozônio consistia de um papel embebido em uma

solução de iodeto de potássio e amido que, ao ser exposto ao ar, podia adquirir uma escala

arbitrária de tons de azul. Até 1916, mais de um milhão de medidas foram realizados por

esse método. Porém, desde o fim do século XIX, estudos de espectroscopia já constatavam

que a presença desse gás é maior na alta atmosfera do que nas proximidades do solo. A

partir de então, duas linhas distintas de medições foram utilizadas em campanhas

experimentais. A primeira, denominada troposférica, baseou"se inicialmente em medições

de ozônio superficial. Com o avanço tecnológico, a partir de 1930, levou"se em

consideração a troposfera como um todo. A segunda, denominada estratosférica, teve início

a partir de investigações ópticas orientadas à determinação do espectro solar, sobretudo em

sua parte ultravioleta.

Porém, somente no início do século XX os esforços para explicar as bases químicas

da existência do ozônio na alta atmosfera começaram a ser realizados, de onde se destacam

nomes famosos como Hartley, Chappuis e Huggins. Nos últimos 40 anos, devido à maior

compreensão do papel de outras espécies atmosféricas na existência do ozônio

(24)

ter um papel fundamental na redução da concentração do ozônio em altitude e,

ironicamente, exercer um papel relevante no aumento da concentração do ozônio próximo à

superfície. Tal fato está intimamente ligado à saúde dos seres vivos na Terra, já que o

ozônio, além de ser responsável pela absorção da radiação solar ultravioleta, em

concentrações elevadas também pode causar problemas respiratórios em seres humanos [13].

O ozônio (O3) é produzido pela ação da luz ultravioleta proveniente do Sol sobre o

oxigênio (O2) do ar. A camada de ozônio é uma porção da estratosfera situada à cerca de

22 km do nível do solo. O ozônio esta constantemente sendo produzido e destruído dentro

desta camada: este é formado quando a radiação ultravioleta do Sol interage com as

moléculas de oxigênio (O2)[10]. A luz ultravioleta divide o oxigênio em dois átomos

separados (O). Estes átomos livres recombinam com as moléculas de oxigênio para formar

o ozônio (O + O2 = O3). A molécula resultante absorve novamente a radiação ultravioleta e

reinicia o processo. Dessa forma a radiação ultravioleta não chega à superfície da Terra [14].

Foi demonstrado que estas reações são afetadas pela presença de alguns gases,

principalmente dos clorofluorcarbonos (CFCs). Estes gases são provenientes dos sprays

aerosóis, resfriadores para geladeira, ar condicionado e indústrias químicas que produzem

espuma plástica. Os CFCs produzem "buracos" na camada de ozônio. A conscientização

internacional sobre o surgimento de um "buraco" na camada de ozônio sobre a Antártida,

em 1980, levou a um movimento pela proibição de produtos baseados nos CFCs[15].

Alterações da intensidade da radiação UV que chegam à superfície da terra, dependem da

posição da Terra em relação ao sol [16].

Quando o sol está mais baixo no Céu (sombra longa), os raios UV atravessam um

caminho mais longo na camada de ozônio e mais raios UV são filtrados, os índices da

radiação UV é mais baixo. Quando o sol está mais alto no céu (sombra curta), o caminho

dos raios na atmosfera é mais curto e menos raios UV são filtrados, o índice de radiação

UV é mais elevado. A uma altitude maior a espessura da atmosfera é mais reduzida e

menos radiação UV é filtrada. O índice UV aumenta cerca de 10% por cada 1000 metros de

altitude. A neve reflete cerca de 40% a 90% da radiação UV, a água cerca de 10% a 30% e

a areia cerca de 5% a 25% [16].

(25)

2.3 " Radiações e espectro eletromagnético

Espectro eletromagnético (E. E), é o intervalo completo da radiação eletromagnética

que contém desde as ondas de rádio, o microondas, o infravermelho (IV), a luz visível, os

raios ultravioleta (UV), os raios X, e a radiação gama (Figura 2.1). Além disso, o E. E

contém o espectro visível (ou espectro óptico), que é a porção do espectro eletromagnético

cuja radiação composta por fótons pode ser captada pelo olho humano. Identifica"se esta

radiação como sendo a luz visível, ou simplesmente luz. Esta faixa do espectro situa"se

entre a radiação infravermelha e a ultravioleta, mais precisamente, entre os 400 e 700 nm.

Para cada freqüência da luz visível é associada uma cor [17].

Exemplos conhecidos de utilitários situados dentro do espectro

eletromagnético [17].

A energia é a característica que diferencia os tipos de radiação eletromagnética. A

radiação infravermelha é a radiação não ionizante na porção invisível do espectro

eletromagnética que está adjacente aos comprimentos de onda longos, ou final vermelho do

espectro da luz visível. A radiação infravermelha (IV) está dividida segundo os seus efeitos

biológicos em três categorias: radiações infravermelhas curta, média e longa. As ondas de

rádio são também radiações eletromagnéticas que apresentam um comprimento de onda

maior e freqüência menor do que a radiação infravermelha. É usada para a comunicação em

rádios amadores, radiodifusão (rádio e televisão) etc. Estão também incluídas as ondas do

tipo VHF e UHF.

Outro exemplo de ondas eletromagnéticas são as microondas, também designadas

(26)

infravermelhos, mas menores que o comprimento de onda das ondas rádio, variando de

10 cm até 1 mm. Estas ondas têm várias aplicações como, por exemplo, o forno

microondas, televisão por cabo, internet, radar, entre outras, pois estas têm a capacidade de

atravessar quase todos os objetos dentro da atmosfera terrestre [ 18].

A radiação ultravioleta é mais energética do que radiação visível e tem

conseqüentemente um comprimento de onda mais curto. Pode"se dizer que o Sol emite

energia em, praticamente, todos os comprimentos de onda do espectro eletromagnético

permeados pelas diversas linhas de absorção. A radiação ultravioleta (UV) é a radiação

eletromagnética com um comprimento de onda menor que a da luz visível e maior que a

dos raios X. Seu nome significa mais alta que (além do) violeta (do latim ), pelo fato

que o violeta é a cor visível com comprimento de onda mais curto e maior frequência. A

radiação UV pode ser subdividida em !" #$ (comprimento de onda de 380 até

200 nm " mais próximo da luz visível), !" % (10 nm á 200 nm) e !" $

(1 a 31 nm). Nesse contexto, no que se refere aos efeitos à saúde humana e ao meio

ambiente, classifica"se como !"& (320 – 400 nm, também chamada de "luz negra" ou onda

longa), !"' (280 á 320 nm, também chamada de onda média) e !" (100 á 280 nm,

também chamada de UV curta ou "germicida" [19].

Segundo a Organização Mundial de Saúde, todas as pessoas estão expostas à

radiação solar e esta tem um efeito cumulativo no organismo humano. Além disso, a

capacidade do corpo humano para se proteger e reparar os danos induzidos pela radiação

UV decresce ao longo da vida. Embora existam alguns aspectos positivos associados à

exposição ao sol, como permitir ao organismo a absorção de vitamina D (importante para

os ossos, por exemplo) [20], o excesso de radiação ultravioleta pode conduzir a problemas

agudos e crónicos para a saúde, com graves repercussões nomeadamente ao nível da pele,

olhos e sistema imunitário [21].

A maior parte da radiação UV emitida pelo sol é absorvida pela atmosfera terrestre.

A quase totalidade (99%) dos raios ultravioleta que efetivamente chegam a superfície da

Terra são do tipo UV"A. A radiação UV"B é parcialmente absorvida pelo ozônio da

atmosfera e sua parcela que chega à Terra é responsável por danos à pele. Já a radiação

UV"C é totalmente absorvida pelo oxigênio e o ozônio da atmosfera. Efeitos fisiológicos da

(27)

bronzeamento direto da pele com eritema fraco, ou sub queimadura [21]. A reação máxima

do eritema é atingida em 72 horas, após exposição ao sol. Havendo exposição contínua, não

somente se acelera o envelhecimento da pele, mas também ocorre implicação

carcinogênica. Contudo, os raios da faixa UVB (comprimento de onda 280 " 320 nm),

causam resposta de eritema e, em associação, bronzeamento indireto da pele. Sob

irradiação intensa e freqüente, o UVB pode produzir carcinomas de pele (reação máxima

dá"se de 6 a 20 horas, após exposição), no entanto os da faixa UVC (comprimento de onda

100 " 280 nm) compreende a parte do espectro solar que não alcança a terra, já que os

comprimentos de onda abaixo de 290nm são absorvidos pela camada de ozônio da

atmosfera. A radiação UVC é germicida e mostra"se altamente danosa à pele humana,

devido ao seu alto teor de energia [18,22].

Os efeitos da radiação ultravioleta são manifestos na pele, porém também

prejudicam o DNA das células, em até 15 minutos depois da exposição solar. A reparação

dessas lesões ocorre durante as 6 horas seguintes. A síntese do ADN é suspensa durante

dois dias, seguindo"se uma acentuada síntese durante 5 a 10 dias. Ao mesmo tempo, a

síntese protéica é diminuída durante a primeira hora após a queimadura solar e permanece

deficiente durante pelo menos 4 dias. Três semanas depois da queimadura solar, a pele

parece ter voltado ao normal. No entanto, durante mais de um ano estarão presentes os

efeitos da mudança de cor da pele [23,24,25].

Os efeitos da exposição aos raios ultravioleta podem sensibilizar as pessoas que

passam grande parte do tempo em ambientes com alta intensidade de UV, trabalhando ao ar

livre ou sobre iluminação fluorescente por mais de 40 horas semanais, pacientes

submetidos a cirurgias oculares, como catarata e procedimentos de correção, a necessitarem

de proteção contra a exposição ultravioleta. Há também que ter cuidado com pacientes em

tratamento usando vários medicamentos foto sensibilizadores de uso comum tais como,

diuréticos, anti"diabéticos, anti"hipertensivos, anticoncepcionais, antibióticos, até mesmo

adoçantes artificiais, como os ciclamatos [26].

A não observância de cuidados pode resultar em sérias complicações relacionadas à

exposição à radiação UV. Os raios UV podem causar sérios danos aos olhos. Estudos

clínicos têm demonstrado uma correlação entre a exposição solar e certos tipos de doenças

(28)

exposição crônica ao sol, mas também dos efeitos acumulados de uma exposição “normal”

aos raios UV sem a proteção adequada. Dentre as complicações podem ser destacadas:

Fotoceratite, Pterígeo, Catarata, Degeneração macular e Câncer de olhos [22].

Recentemente foi demonstrado um efeito contrário da ação dos raios ultravioletas

sobre a pele. Pesquisadores conseguiram direcionar o efeito das drogas que atuam contra o

câncer com a aplicação de raios ultravioletas sobre a pele. Segundo os pesquisadores da

Universidade de Newcastle, da Inglaterra, o corpo não produz anticorpos específicos para

essa doença. Nos experimentos realizados por esses pesquisadores, a luz teria ativado esses

anticorpos. Um dos maiores desafios dos oncologistas é fazer com que os anticorpos atuem

sobre um alvo específico: o tumor em si, poupando as células saudáveis, o que representaria

um avanço no tratamento do câncer [27].

Para o efeito germicida é importante a dose que multiplica a densidade da potência

de radiação pelo tempo (t) em segundos, é expressa em J/m², sendo que 1 joule = 1 watt"

segundo.

A resistência dos microorganismos frente a radiação UV varia bastante [28,29]. Além

do mais, o entorno do microorganismo influi na dose necessária para sua destruição. A

água, por exemplo, pode absorver uma parte da radiação efetiva, dependendo da

concentração de matéria estranha nela contida. Sais férricos em solução são conhecidos

inibidores. Íons férricos absorvem a radiação UV. Seu efeito bactericida faz com que seja

utilizada em dispositivos com o objetivo de manter a assepsia de certos estabelecimentos

(29)

2.4 " Radiação UV (100 – 400 nm)

As radiações UV apresentam um intervalo de comprimento de onda muito característico, conforme apresentado abaixo:

UVC UVB UVA ESPECTRO NO VISÍVEL INFRAVERMELHO

Posicionamento da radiação UVC, dentro do espectro eletro magnético [17].

Radiacão UVA (320nm – 400 nm)

Radiacão UVB (320nm – 280 nm)

Radiacão UVC (100nm – 280 nm)

Luz visivel (comprimento de onda de 400 – 780 nm)

A parte invisivel ao olho humano, a radiação calórica infravermelha (comprimento de onda de 780 nm – 1 mm)

A radiação ultravioleta (100 nm – 400 nm).

Para as bactérias, a irradiação UVC tem efeito letal. Nestes casos a UVC aplica o

efeito fotolítico, onde a radiação destroi os microorganismos e assim impede a sua

proliferação. Isto significa que as bases de timina que ficam emparelhadas sobre a fita DNA

estabelecem uma ligação química, assim constituindo uma ponte. Quando tiverem se

formado suficiente pontes, o DNA não mais consegue se replicar. Contudo, há alguns

microorganismos que conseguem se regenerar através da absorção de UVA. Em outros

casos, UVC e também UVA ou UVB podem ocasionar a quebra de um composto na

molécula, resultando radicais livres que com freqüência são extremamente inestáveis e

podem reagir sobre um produto final inativo [30,31]. Na desinfecção, esses efeitos aparecem

com comprimentos de banda menores que 320nm, com o seu valor ótimo em torno de

260nm. O efeito distorcionante ou letal sobre os microorganismos independe do valor pH,

da temperatura, ou se estes se encontram presentes num meio líquido, sólido ou gasoso. O

importante é que a radiação possa atingir o organismo. Diferente de outras técnicas, a

fotólise UVC praticamente não produz subprodutos potencialmente perigosos[32].

(30)

A radiação ultravioleta apresenta a capacidade de produzir alterações físicas quando

absorvida por substâncias orgânicas. No caso de sistemas de desinfecção da água utilizam

radiação ultravioleta como meio mais rápido e eficiente de tratamento de água, sem o uso

de substância química. Utilizando apropriadamente a radiação UV, esta destrói

microrganismos presentes na água, atuando diretamente e alterando o material genético

(ADN) das células, tornado"as inócuas, impedindo assim a sua reprodução, e ainda

atingindo uma eficiência de destruição de até 99%; sendo o genoma o conjunto completo de

genes de uma espécie ao ter sua função impedida, uma célula é considerada morta, porque

não consegue mais se multiplicar, ou seja, se reproduzir (Figura 2.3).

Figura esquemática do impacto da UV"C no DNA normal e a direita a

quebra do DNA, surgindo um DNA modificado por radiação Ultravioleta [5,6].

A Figura 2.3 mostra um esquema representativo onde ocorre na célula à ação da

radiação UVC, modificando o material genético da mesma e provocando a sua não

reprodutibilidade. Nesta figura, é mostrado que a ação da radiação UVC ocorre no núcleo

da célula, onde se encontra o ribossomo que contém o DNA, responsável pela replicação e

manutenção das funções vitais da célula.

DNA Normal

(31)

Figura esquemática da ação da radiação UVC na célula [7] .

2.5 " Lâmpadas UVC

O pico do comprimento de onda germicida está em 264 nm. Existem dois tipos

principais de luz UV, as lâmpadas de baixa pressão e lâmpadas de médio a alta pressão [7].

As lâmpadas de baixa pressão produzem praticamente toda a sua produção UV no

comprimento de onda de 254 nm, o que é muito próximo ao comprimento de onda

germicida de 264 nm, estas lâmpadas geralmente podem converter até 40% de sua entrada

em watts utilizável em UV"C, muito maior do que outras classes de lâmpadas [33].A

dosagem de UV recomendada varia de acordo com o organismo e legislação em cada país.

Em geral, para água potável e efluente tratado se usam dosagens de 30 a 100 mW"seg/cm2,

respectivamente.

O sistema de esterilização por ultravioleta (UV) tem sido utilizado com segurança

em hospitais, clínicas, laboratórios e indústrias alimentícias, farmacêuticas, cosméticas, de

laticínios, há mais de cinqüenta anos. Aparelhos domésticos de radiação ultravioleta (UV),

na Europa e EUA, se tornaram populares devido à tendência do uso em piscinas

substituindo o cloro formador de cloraminas (THMs). A radiação UV usada para

(32)

sistema UV também pode controlar odores indesejáveis que ocorrem em ambientes

residenciais e comerciais, uma vez que age sobre a origem do odor, normalmente por

contaminações microbiológicas [34].

A UV também pode ser usada para desinfecção de ar condicionado, uma vez que

ondições precárias de limpeza do sistema de condicionamento de ar e dutos de circulação

desenvolvem contaminações microbiológicas, mas apresenta como desvantagem com a

possibilidade de que as pessoas apresentem náusea, fadiga crônica, renite, asma, entre

outros [29].

A Figura 2.5 mostra uma lâmpada usada em processos de esterilização. Conhecida

como lâmpada germicida, tal fonte apresenta as seguintes características:

(a) " Emitem radiação UV de onda com um pico de 254 nm (UV"C) com ação germicida;

(b) " Matam ou neutralizam bactérias, vírus e outros organismos primitivos;

(c) " Utilizadas em diversos processos fotoquímicos.

(33)

Na Tabela I observa"se as dosagens para controle de organismos em µWs/cm2

usando um comprimento de onda de 254 nm, onde pode"se notar que tanto bactérias,

fungos, algas, protozoários vírus e levedos foram controlados facilmente.

(34)

2.6 – Monitoramento e controle da radiação ultravioleta

A técnica de medição da radiação ultravioleta disponível inclui unidades simples associadas como um reator para resultar em um sistema de monitoramento e de dispositivos de medição especiais.

Monitores UV para monitoramento das intensidades uv relativa e absoluta.

Outra forma encontrada é através de sensores, que captam a presença da radiação UV e mensuram sua intensidade, como mostra o equipamento apresentado na Figura 2.7.

(35)

2.7 – Polímeros e as radiações

A palavra polímero vem do grego que significa (muitas) e (partes,

unidades ou repetição). São compostos orgânicos com massa molar da ordem de 104 á 106

gramas formados pela repetição de um grande número de unidades químicas. São grandes

moléculas formadas principalmente de átomos de carbono e hidrogênio ligados através de

ligações covalentes e eventualmente apresentam oxigênio, nitrogênio e alguns halogênios

em sua estrutura [36].

Estes compostos orgânicos são moléculas cuja cadeia principal é formada por

ligações covalentes entre átomos de carbonos. Os polímeros representam uma classe destes

compostos, comumente chamados de plásticos, cuja estrutura é formada por unidades

químicas que se repetem ao longo de suas cadeias poliméricas principais conhecidas como

meros[34]. Na indústria eletro"eletrônica estes materiais foram durante muito tempo

aplicados como isolantes elétricos, porém com a descoberta da eletroluminescência em

cristais de antraceno [36] em 1963, da alta condutividade elétrica do "poliacetileno ( "

PA) [37] em 1977 e da descoberta da eletroluminescência do PPV ( "fenilenovinileno) em

1990 [38], essa classificação mudou drasticamente e, os polímeros começaram a ser

investigado não apenas como isolantes elétricos, mas também como semicondutores e

condutores de eletricidade. Como resultado dessas descobertas e dos avanços nas pesquisas

científicas e tecnológicas desses materiais, sobretudo na área de dispositivos eletrônicos,

iniciou"se o desenvolvimento de uma nova área da eletrônica, a chamada eletrônica

orgânica [39].

A partir de então, as moléculas orgânicas conjugadas (polímeros ou cristais

orgânicos) tornaram"se o foco de estudo de inúmeros grupos de pesquisa em todo mundo

devido, principalmente, aos seus baixos custos de preparação atrelados às facilidades de

processamento e de manufatura dos seus dispositivos emissores de luz. Entretanto, a

degradação dos materiais orgânicos, sobretudo os poliméricos, quando expostos à radiação

não ionizante, umidade e/ou oxigênio é atualmente um dos principais obstáculos para

inserção comercial de seus dispositivos emissores de luz [39,40].

De modo geral, a degradação dos polímeros com a radiação implica na perda da

(36)

principalmente, a substituição dos grupos vinílicos (C=C) por carbonilas (C=O) nas suas

cadeias principais [41]. Todavia, se por um lado o efeito da (foto) degradação constitui

atualmente uma barreira comercial para os dispositivos emissores de luz orgânicos [39,42],

por outro o controle desse efeito abre a possibilidade de desenvolvimento de sensores de

acúmulo de dose de radiação [15,44], onde as mudanças na cor e nos espectros de absorção e

emissão de polímeros luminescentes expostos à radiação são mais importantes do que a

minimização da durabilidade dos seus dispositivos eletroluminescentes.

2.7.1 – Influência da UV nas propriedades Físico – Químicas dos polímeros.

A radiação UV pode causar efeitos fotoquímicos dentro da estrutura do polímero, que

pode ser tanto benéfica como também pode provocar a degradação de alguns tipos de

materiais. Observou"se que, em comparação com a pele humana, a UVC de maior energia

provavelmente afeta as propriedades físicas e químicas desses materiais.

Os principais efeitos visíveis são aparência de giz, mudança de cor na superfície do

material e na superfície do componente. Outros componentes que são possivelmente

afetados pela exposição solar incluem os assentos dos estádios, os móveis ao ar livre, os

revestimentos das estufas, as molduras das janelas e as peças de automóvel. Também,

alguns plásticos podem ser expostos a maiores níveis de radiação que os encontrados na

terra. Componentes do Telescópio Espacial Hubble (HST) e da Estação Espacial

Internacional (ISS), por exemplo, exigem plásticos resistentes ao ambiente espacial.

Fluoropolímeros, como FEP e polimidas, como o Kapton, são plásticos que foram

utilizados com êxito no HST e no ISS [44].

Os efeitos acima são predominantes na camada da superfície do material e não se

estendem a profundidades acima de 0,5mm na estrutura. No entanto, concentrações de

estresse causadas pela natureza altamente delicada de certos plásticos de produtos de

consumo podem conduzir a uma falha completa do componente. Existem grandes

benefícios dos revestimentos poliméricos protetores curados por radiação UV, como

acrilatos poliuretano no exterior de componentes de automóvel. Um elemento mais

benéfico para muitos é a radiação UV encontrada nos purificadores de água sobre a pia e

nos refrigeradores de água que é auxiliada pelas boas propriedades de transmissão da

(37)

Enquanto muitos plásticos puros não podem absorver radiação UV, a presença de resíduos

catalisadores e outras impurezas irão agir, geralmente, como receptores, causando sua

degradação. Uma pequena quantidade de impureza basta para que a degradação ocorra.

Tipos de plásticos não modificados que são conhecidos por possuírem resistência

inaceitável a UV são o POM (Acetal), PC, ABS e PA6/6. Outros plásticos, como o PET,

PP, HDPE, PA12, PA11, PA6, PES, PPO, PBT e PPO, são considerados relativamente

estáveis. Os únicos polímeros encontrados com excelente resistência são as

Polimidas(PI)[44]

.

Uma interação útil entre o UV e os polímeros relaciona"se aos agentes

branqueadores fluorescentes (FWA). Na luz natural, muitos produtos de polímeros podem

apresentar uma aparência amarela. Ao adicionar um FWA, a luz UV absorvida é emitida na

região azul da luz visível (comprimento de onda de 400"500 nm), ao invés da região do

amarelo. A utilização de estabilizadores, absorventes ou bloqueadores é alternativa para

evitar a degradação de UV em plásticos. Para muitas aplicações externas, a simples adição

de carbono a um nível de aproximadamente 2% irá fornecer a proteção para a estrutura

através do processo de bloqueamento. Outros pigmentos, como dióxido de titânio, também

podem ser efetivos [44]. Componentes orgânicos como benzofenonas e benzotriazóis são

absorvedores típicos que absorvem seletivamente o UV e emite no mínimo um

comprimento de onda prejudicial, principalmente como calor. Um tipo de benzotiazol é

útil, pois possui um nível de cor baixo e pode ser utilizado a taxas de dose baixas, abaixo

de 0.5%. Outro mecanismo principal para proteção é adicionar um estabilizador, onde o

mais comum é um HALS (Hindered Amine Light Stabilizer), que absorve os grupos em

estado excitado e evita a reação química dos radicais podendo ser interessante adicionar

antioxidantes a certos plásticos para evitar a foto"oxidação. Porém, a escolha do

antioxidante é importante neste processo, pois alguns podem atuar como um absorvente de

UV, e favorecer o processo de degradação [44].

Os polímeros podem ainda apresentar alternância de ligações simples e duplas entre

os átomos de carbono de sua estrutura principal, sendo neste caso, denominados neste caso

polímeros conjugados [36].

Materiais poliméricos durante muito tempo se destacaram na área industrial e de

(38)

que na década de 1970 descobriram características semicondutoras especificas e muito

distintas das antes conhecidas nos polímeros convencionais, uma classe de polímeros até

então inexistente. Do ponto de vista de condução elétrica os polímeros eram classificados

como materiais isolantes, até que em 1977, com a descoberta das propriedades elétricas do

trns"poliacetileno(t"PA) [37] , os grupos científicos e industriais vislumbram aplicações

totalmente diferentes e distintas das aplicações nas quais os materiais poliméricos eram

utilizados.

Quando foi descoberto que o poliacetileno (t"PA) poderia ter sua condutividade

alternada reversivelmente pela simples exposição de filmes destes polímeros a

determinados gases como gases de iodo. Sua condutividade pode variar de isolantes, típica

de polímeros passando por semicondutores até muito condutores, similar a condutividade

de materiais metálicos exemplificado na Figura 2.8

Escala de condutividade elétrica para diversos materiais, incluindo os polímeros convencionais e os polímeros conjugados.

Depois dessa descoberta o interesse nessa nova classe de materiais aumentou pela

variedade de aplicações nas quais tais polímeros poderiam ser utilizados, principalmente

como materiais eletrônicos. Desta forma, vários outros polímeros conjugados foram

sintetizados e estudos a fim de se compreender e desvendar os fenômenos que permitiam

(39)

A Figura 2.9 apresenta a formula estrutural e o nome de alguns polímeros conjugados.

Polianilina Polipirrol Politiofeno Poli (p"fenileno)

Nome, fórmula estrutural de alguns polímeros conjugado [15].

As propriedades eletroluminescentes de materiais poliméricos são observadas

exclusivamente em polímeros conjugados, ou seja, que tem suas ligações, entre suas

ligações, entre os carbonos da cadeia polimérica, alternadas entre ligações simples e duplas,

sendo que tais carbonos apresentam configuração eletrônica sp3, ou seja, átomos de carbono

nos quais um orbital s se funde com dois orbitais p, formando três orbitais híbridos sp2.

Logo tais materiais podem ser considerados nobres por apresentar boas propriedades

mecânicas e vantagens quanto ao seu processamento típicas de polímeros, combinadas a

excelentes propriedades eletroluminescentes.

2.7.2 " Aplicação de polímeros conjugados em eletrônica orgânica

A utilização de materiais orgânicos luminescentes em dispositivos eletrônicos apresenta a

vantagem de facilidade de processamento, flexibilidade e custo baixo, além da

possibilidade da construção de painéis planos com grande área. A luminescência de

polímeros conjugados, as boas propriedades mecânicas além do baixo custo e facilidade de

processamento permitiram a fabricação de vários equipamentos eletrônicos utilizando esses

materiais, impulsionando a fabricação de displays luminosos orgânicos e flexíveis com

grande área. Atualmente são conhecidos inúmeros polímeros luminescentes, e existem

diferentes materiais que apresentam emissão em praticamente todas as cores na região do

visível do espectro eletromagnético, permitindo qualquer composição de cor desejada, com

(40)

Já existem inúmeras e incríveis aplicações destes materiais, como células

fotovoltaicas de grande área que apresenta baixo custo e consumo de energia, já está em

uso pelas forças armadas dos Estados Unidos tendas cujo topo é recoberto por esses

dispositivos para geração de energia [46]. Existem também displays flexíveis com excelente

resolução e nitidez de imagem [47], além de painéis de iluminação de grande área, alta

eficiência luminosa e baixo custo energético [48]. Os polímeros também poderão ser usados

na iluminação em, por exemplo, semáforos de transito. Protótipos de telas de monitores, de

telefones portáteis já são uma realidade, havendo inúmeras possibilidades de aplicação

destes polímeros além das tradicionalmente conhecidas como tintas, roupas e embalagens

no geral [49] .

Apesar do atual estágio de desenvolvimento tecnológico dos displays

poliméricos, fenômenos responsáveis pela diminuição de eficiência luminosa e pelo curto

tempo de vida desses dispositivos ainda são pouco compreendidos [50]. Apesar do

surgimento de idéias de novas aplicações o fraco desempenho destes sistemas e as

mudanças de suas propriedades em função do tempo são problemas que inviabilizam sua

aplicação e competitividade no mercado. Desta forma a compreensão dos motivos dessas

mudanças e, a procura por métodos que aumentam o tempo de vida, qualidade e eficiência

luminosa destes dispositivos têm sido motivação de inúmeros estudos, que apontam que um

meio de desvendar e minimizar estes efeitos apenas serão possíveis quando os mecanismos

ligados a degradação destes materiais forem compreendidos. Destes mecanismos a

fotoxidação da cadeia polimérica destes materiais, tem sido muito citada na literatura por

limitar a comercialização destes dispositivos como emissores de luz. Devido á presença de

luz e oxigênio, a cadeia polimérica é oxidada com formação de compostos

carbonílicos[15,39] diminuindo a extensão da conjugação da cadeia, o que modifica as

propriedades eletrônicas dos polímeros e influencia o desempenho de seus dispositivos

luminosos[42,45,46] .

Apesar de muito estudados os mecanismos e os produtos finais da fotoxidação

ainda não são completamente estabelecidos ainda havendo controvérsias na literatura,

destaca"se neste trabalho, estudos da fotoxidação dos polímeros derivados de PPV com

descoberta e relatos da oxidação e quebra da cadeia polimérica com formação de radicais

(41)

discrepância em relação aos produtos finais formados pela degradação, bem como o

conseqüente retardo da degradação destes polímeros pela ausência de oxigênio e adição de

antioxidantes e a fabricação de blendas com polímeros com permeabilidade a gases [42,4547] .

Em suma o estudo e compreensão dos mecanismos de reação responsáveis pelos efeitos da

perda da eficiência luminosa induzida pela presença de oxigênio e radiação, que ocasionam

na inviabilidade comercial destes dispositivos, são de grande interesse e importância

científica e tecnológica. Entretanto a compreensão dos mecanismos responsáveis por tais

alterações não são objetivo deste trabalho, mas sim a utilização do processo de degradação

induzido por radiação no desenvolvimento de detectores de radiação, uma vez que estes

polímeros apresentam alterações de suas propriedades óticas induzidas pela exposição à

radiação. É importante a existência de dispositivos que indique a presença de um campo de

radiação, ou ainda a dose emitida por uma fonte de radiação. Desta forma se por um lado à

degradação destes materiais limita suas aplicações na eletrônica orgânica, aqui ela surge de

forma oportuna, pois possibilita sua aplicação em dosimetria de acúmulo de radiação, uma

vez que apresentam variações nas suas propriedades ópticas quando expostos a diferentes

tipos e doses de radiação. Tornando o controle e monitoramento de radiação uma

oportunidade de desenvolver novos detectores e sensores à base de materiais luminescentes.

Esses dosímetros têm grande potencial para aplicação na área médico hospitalar, já que há

necessidade de controle da dose incidida no paciente em alguns tratamentos ou até mesmo

na aferição de equipamentos hospitalares. Neste contexto os polímeros conjugados têm

recebido especial destaque por apresentarem mudanças drásticas em suas propriedades

óticas quando expostos a radiação, especialmente o poli [2"metóxi,5"(2"etil"hexiloxi)"p"

fenileno vinileno] (MEH"PPV), por apresentar mudança nas propriedades óticas na região

do visível, determinante na fácil leitura de dispositivos à base desse material,quando

exposto a radiação ionizante ou não, como radiação azul e raios X utilizados

respectivamente na fototerapia neonatal e no tratamento de pacientes oncológicos[48] .

Atualmente sabe"se que as ligações vinílicas são oxidadas com a exposição do MEH"PPV à

radiação e ocorre a formação de carbonilas. No entanto, como observado por outros

resultados, provavelmente também ocorre formação e cisão de outras ligações na cadeia

polimérica[48]. No LAPPEM"UFOP tem sido desenvolvidos e patenteados dosímetros de

(42)

aceleradores nucleares utilizados em tratamento de câncer. Esses dispositivos apresentam

como princípio de funcionamento a mudança de tonalidade da coloração da solução de

MEH"PPV/PS, bem como da intensidade de fotoluminescência. Além de apresentarem

vantagens como fácil leitura e baixo custo, são inéditos na literatura.

Diante do exposto as medidas de fotoluminescência são importantes para

caracterizar os filmes semicondutores. Elas se baseiam na análise da luz que é emitida pelo

material analisado (amostra) quando este é submetido a uma excitação. Analisada, através

de um espectrômetro, a luz emitida pela amostra, fornece informações sobre os estados

existentes no do material [50].

Muitas substâncias, ao serem expostas à radiação UV, se comportam de modo

diferente de quando expostas à luz visível, tornando"se fluorescentes. Este fenômeno se dá

pela excitação dos elétrons nos átomos e moléculas dessa substância ao absorver a energia

da luz invisível. E ao retornarem aos seus níveis normais (níveis de energia), o excesso de

energia é remetido sob a forma de luz visível [44].

2.8 " Polímeros conjugados como sensores de radiação

Nos últimos 20 anos, polímeros conjugados como materiais para detecção de

radiação, baseado, nas propriedades óticas e/ou elétricas, vem sendo aplicado [51]. Filmes

de poli(p"fenilenovinileno)"PPV e seus derivados foram apontados como dosimetros para

radiações ionizantes. Desde então, diversas pesquisas foram realizadas onde primeiramente,

os polímeros conjugados foram estudados com objetivo de detectar partículas carregadas

como elétrons [51], prótons [52] e partículas α[53].

Poli (2"metóxi"5"(2"etilhexiloxi)"p"fenilenovinileno) " MEH"PPV " apresenta alta

sensibilidade no espectro de absorção quando dissolvido em clorofórmio, não sendo

observado o mesmo comportamento para filmes confeccionados com as mesmas soluções

que apresentam mudanças no espectro de absorção [53]. O solvente ou outros elementos

como oxigênio pode ter grande influência na degradação do polímero. Pois, tanto a água

como oxigênio, são bem conhecidos como agentes que favorecem a degradação

influenciando diretamente nos fenômenos responsáveis pela eficiência. Sabe"se que na

(43)

carbonílicas e quebrando a conjugação da cadeia, o que modifica as propriedades

eletrônicas dos polímeros e influencia o desempenho de seus dispositivos luminosos [54].

No LAPPEM foi patenteado e realizado um trabalho sobre um dosímetro de

radiação azul com aplicação em fototerapia neonatal. Esse dispositivo apresenta como

princípio de funcionamento a mudança de tonalidade da coloração da solução de MEH"

PPV, bem como da intensidade de fotoluminescência. Tal dosímetro apresenta vantagens

como fácil leitura e baixo custo, além de ser o primeiro tipo apresentado na literatura [53].

Soluções de MEH"PPV expostas à radiação azul[48].

Nos últimos anos, os compostos orgânicos vêm sendo estudados como dosímetros

para radiações ionizantes, onde misturam materiais orgânicos com materiais

inorgânicos [54,55]. O fato dos espectros de absorção e fotoluminescência de materiais

orgânicos luminescentes, como o MEH"PPV, sofrerem alterações quando expostos a

radiação UV"C abre possibilidades para a confecção de sensores de radiação ou % (

com grande potencial de aplicação na área de desinfecção. Além do MEH"PPV, também é

utilizado para o desenvolvimento de dosímetros o polímero MDMO"PPV [Poli (2"metoxi"

(44)

2.9 " Dosimetrias das Radiações

A dosimetria das radiações determina a dose absorvida resultante das interações da

radiação com um dado meio. Para isto se utilizam os dosímetros, que são dispositivos com

a capacidade de fornecer informações que estão relacionadas à dose absorvida. Existem

diversos processos pelos quais diferentes radiações podem interagir com o meio material

utilizado para medir ou indicar características dessas radiações. Entre esses processos, os

mais utilizados são os que envolvem a geração de cargas elétricas, a geração de luz, a

sensibilidade de películas fotográficas, a criação de traços (buracos) no material, a geração

de calor e alterações da dinâmica de certos processos químicos interagindo com o meio e

provocando mudanças nas propriedades ópticas[48].

Normalmente um detector de radiação é constituído de um elemento ou material

sensível à radiação e um sistema que transforma esses efeitos relacionados a uma grandeza

de medida específica [2]. A integração entre um detector e um sistema de leitura (medidor),

como um eletrômetro ou a embalagem de um detector, é denominada monitor de radiação.

Os sistemas detectores que indicam a radiação total a que um objeto foi exposto são

chamados de dosimetros [57]. Os efeitos produzidos pela interação da radiação e o detector

permitem identificar a quantidade e as propriedades da radiação detectada.

Em virtude da diversidade de tipos de dosímetros que abrangem um grande número

de aplicações, não é possível quantificar o potencial de cada tipo específico de dosímetro,

em geral os possíveis fatores que influenciam a detecção precisa da radiação são: variação

na resposta de um grupo de dosímetros irradiados com o mesmo nível de dose; variação na

espessura ou massa de cada dosímetro; análise da instrumentação do sistema dosimétrico

por exemplo: variação na leitura, comprimento de onda, etc [58], reprodutibilidade da dose

absorvida e estabilidade de resposta do dosímetro [57,58].

Um material para ser empregado com sucesso na dosimetria das radiações deve

apresentar algumas propriedades dosimétricas que são consideradas fundamentais, dentre

elas: linearidade " o dosímetro deve apresentar uma sensibilidade adequada em um

determinado intervalo de dose absorvida, fornecendo resposta linear dentro de limites

estabelecidos, facilitando os cálculos e a interpretação dos resultados; estabilidade " deve

Imagem

Figura  esquemática  do  impacto  da  UV&#34;C  no  DNA  normal  e  a  direita  a  quebra do DNA, surgindo um DNA modificado por radiação Ultravioleta  [5,6]
Figura esquemática da ação da radiação UVC na célula  [7]  .
Gráfico de absorção dos selos de A 2 .
Gráfico de fotoemissão dos selos de A 2 .
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Referências

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