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APOSTILA DE DESENHO TÉCNICO Aula 01

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Academic year: 2021

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APOSTILA DE

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Antônio Marcos Alves de Melo 1

Introdução

Desenho técnico é uma linguagem de caráter universal. Por meios de símbolos, convenções e normas disseminados e adotados em todo mundo torna um desenho técnico, feito dentro das regras, de fácil compreensão por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo.

Através do desenho o desenhista ou o projetista materializa no papel a idéia que nasceu em sua mente. Nele estão contidas todas as dimensões e informações para se construir, por exemplo, todas as peças de um motor.

Quais as diferenças entre o desenho técnico e o desenho artístico?

No desenho artístico, os artistas transmitem suas idéias e seus sentimentos de maneira pessoal. Um artista não tem o compromisso de retratar fielmente a realidade. O desenho artístico reflete o gosto e a sensibilidade do artista que o criou.

Estes são exemplos de desenhos artísticos:

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Antônio Marcos Alves de Melo 2 Cada área ocupacional tem seu próprio desenho técnico, de acordo com normas específicas.

Observe alguns exemplos.

Desses desenhos, as representações foram feitas por meio de traços, símbolos, números e indicações escritas, de acordo com normas técnicas.

A execução e a interpretação da linguagem gráfica do desenho técnico exigem treinamento específico, porque são utilizadas figuras planas (bidimensionais) para representar formas espaciais.

Na prática pode-se dizer que, para interpretar um desenho técnico, é necessário enxergar o que não é visível e a capacidade de entender uma forma espacial a partir de uma figura plana é chamada visão espacial.

Visão Espacial

Visão espacial é um dom que, em princípio todos têm, dá a capacidade de percepção mental das formas espaciais. Ela permite a percepção (o entendimento) de formas espaciais, sem estar vendo fisicamente os objetos.

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A Origem do Desenho Técnico

A representação de objetos tridimensionais em superfícies bidimensionais evoluiu gradualmente através dos tempos. Conforme histórico feito por HOELSCHER, SPRINGER E DOBROVOLNY (1978) um dos exemplos mais antigos do uso de planta e elevação está incluído no álbum de desenhos na Livraria do Vaticano desenhado por Giuliano de Sangalo no ano de 1490.

No século XVII, por patriotismo e visando facilitar as construções de fortificações, o matemático francês Gaspar Monge, que além de sábio era dotado de extraordinária habilidade como desenhista, criou, utilizando projeções ortogonais, um sistema com correspondência biunívoca entre os elementos do plano e do espaço. O sistema criado por Gaspar Monge, publicado em 1795 com o título “Geometrie Descriptive” é a base da linguagem utilizada pelo Desenho Técnico.

No século XIX, com a explosão mundial do desenvolvimento industrial, foi necessário normalizar a forma de utilização da Geometria Descritiva para transformá-la numa linguagem gráfica que, a nível internacional, simplificasse a comunicação e viabilizasse o intercâmbio de informações tecnológicas. Desta forma, a Comissão Técnica TC 10 da International Organization for Standardization – ISO normalizou a forma de utilização da Geometria Descritiva como linguagem gráfica da engenharia e da arquitetura, chamando-a de Desenho Técnico.

Nos dias de hoje a expressão “desenho técnico” representa todos os tipos de desenhos utilizados pela engenharia incorporando também os desenhos não projetivos (gráficos, diagramas, fluxogramas etc.).

O Desenho Técnico e a Engenharia

Todo o processo de desenvolvimento e criação dentro da engenharia está intimamente ligado à expressão gráfica. O desenho técnico é uma ferramenta que pode ser utilizada não só para apresentar resultados como também para soluções gráficas que podem substituir cálculos complicados.

Apesar da evolução tecnológica e dos meios disponíveis pela computação gráfica, o ensino de Desenho Técnico ainda é imprescindível na formação de qualquer modalidade de engenheiro, pois, além do aspecto da linguagem gráfica que permite que as idéias concebidas por alguém sejam executadas por terceiros, o desenho técnico desenvolve o raciocínio, o senso de rigor geométrico, o espírito de iniciativa e de organização.

Assim, o aprendizado ou o exercício de qualquer modalidade de engenharia irá depender, de uma forma ou de outra, do desenho técnico.

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Desenho técnico projetivo

Desenho resultante de projeções do objeto em um ou mais planos de projeção e correspondem as vistas ortográficas e as perspectivas usadas em todas as modalidades de engenharia como, por exemplo, projeto de máquinas, equipamentos, edificações, etc..

Desenho técnico não projetivo

São desenhos que não usam “medidas” e compreendem os desenhos de organogramas, gráficos, diagramas, fluxogramas, etc..

Como é elaborado um desenho técnico

Às vezes, a elaboração do desenho técnico envolve o trabalho de vários profissionais. O profissional que planeja a peça é o engenheiro ou o projetista. Primeiro ele imagina como a peça deve ser. Depois representa suas idéias por meio de um esboço, isto é, um desenho técnico à mão livre. O esboço serve de base para a elaboração do desenho preliminar. O desenho preliminar corresponde a uma etapa intermediária do processo de elaboração do projeto, que ainda pode sofrer alterações.

Depois de aprovado, o desenho que corresponde à solução final do projeto será executado pelo desenhista técnico. O desenho técnico definitivo, também chamado de desenho para execução, contém todos os elementos necessários à sua compreensão.

O desenho para execução, que tanto pode ser feito na prancheta como no computador, deve atender rigorosamente a todas as normas técnicas que dispõem sobre o assunto.

O desenho técnico chega pronto às mãos do profissional que deve ler e interpreta-lo para que possa executar a peça. Quando o profissional consegue ler e interpretar corretamente o desenho técnico, ele é capaz de imaginar exatamente como será a peça, antes mesmo de executá-la. Para tanto, é necessário conhecer as normas técnicas em que o desenho se baseia e os princípios de representação da geometria descritiva.

Desenho digital

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Instrumentos de desenho

Prancheta

Mesa apropriada para a execução de desenhos.

Lápis / lapiseira

Variam de acordo com a espessura e dureza do grafite. Os da série B (ex.: B, 2B) são mais macios e produzem traços mais largos, os da série H (ex,: H, 2H), são mais duros e produzem traços mais estreitos, os intermediários são HB e F. A escolha do grafite depende da habilidade e experiência do desenhista, de acordo com o tipo de traço e acabamento desejado no desenho. A espessura do grafite para lapiseira deve ser também escolhida em função de seu uso, 0.3 ou 0.5 para traços estreitos, 0.7 ou 0.9 para traços largos.

Borracha

É uma auxiliar importante, pois apaga os erros e as linhas que não serão mais necessárias quando o desenho estiver acabado. Deve ser macia para não rasurar o trabalho.

Régua

Tem a função de medir e auxiliar no desenho de linhas retas, portanto deve ser de boa qualidade e não ter deformações ou rebarbas em seus vértices.

Esquadros

Normalmente utilizamos um “jogo” composto por dois esquadros formando triângulos retângulos com os seguintes ângulos: um de 45°/45°/90° e outro de 30°/60°/90°. Com esses instrumentos é possível traçar paralelas perpendiculares e ângulos derivados de cada um dos cantos dos esquadros ou ainda somatória de ângulos.

Régua paralela ou "T"

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Escalímetro

É uma régua em forma de prisma triangular contendo em cada face duas escalas de redução

Ex: 1/20 e 1/25; 1/50 e 1/75; 1/100 e 1/125.

A escala 1:100 corresponde a 1m = 1cm, e pode ser usado como uma régua comum (1:1).

Transferidor

Régua graduada em forma de circunferência ou semicircunferência usada para marcar medidas angulares.

Gabaritos

Réguas vazadas com diferentes formas para execução de figuras repetidas ou de difícil execução (ex.: elipses, circunferências, mobiliário, setas etc.).

Curva francesa

Utilizada para traçar segmentos de curva e linhas sinuosas com diversos raios.

Compasso

Usado para traçar circunferências e para transportar medidas. O compasso tradicional possui uma ponta seca e uma ponta com grafite, com alguns modelos com cabeças intercambiáveis para canetas de nanquim ou tira-linhas.

Em um compasso ideal, suas pontas se tocam quando se fecha o compasso, caso contrário o instrumento está descalibrado. A ponta de grafite deve ser apontada em “bizel”, feita com o auxílio de uma lixa.

Canetas

É usada com nanquim – para diversas espessuras para traços e escritas.

Tira-linhas

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Tecnígrafo

É um aparelho que substituí o conjunto de esquadros, régua “T” e transferidores.

Papel

O formato básico do papel, designado por A0 (A zero), é o retângulo cujos lados medem 841mm e 1.189mm, tendo a área de 1m2. Do formato básico, derivam os demais formatos.

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Recomendações Gerais

 O material de desenho deve estar sempre limpo.

 Verificar as condições do material e do papel antes do início do desenho.

 Estabelecer uma distribuição racional do material sobre a mesa de desenho, para facilitar sua utilização deixando a mesa o mais livre possível.

 Cuidar da limpeza do material, do papel e da mesa, também durante a execução do desenho, retirando partículas de borracha e apontando o grafite longe da mesa.

 Fixar a folha de papel sobre a mesa, com fita adesiva, cuidando para não invadir as margens e retirar a fita de dentro para fora, para não danificar a folha.

 Usar a aresta superior da régua paralela ou "T" para desenhar.

 Usar o escalímetro apenas para marcar medidas, não traçando linhas com ele.

 Proteger a parte concluída do desenho para não sujar.

 Não apoiar objetos sobre o desenho que possam vir a danificá-lo ou sujá-lo.

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Padronização

A padronização do desenho técnico é através de normas técnicas. No Brasil as normas são elaboradas e publicadas através da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e são registradas pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) como NBR e estão de acordo com a ISO (International Organization for Standardization – Organização Internacional para Padronização) atendendo às necessidades de intercâmbio de tecnologia entre países.

As principais normas aplicadas ao desenho técnico são:

 NBR 8196 – EMPREGO DE ESCALAS, que fixa as condições exigíveis para o emprego de escalas e suas designações em desenhos técnicos.

 NBR 8402 – EXECUÇÃO DE CARACTER PARA ESCRITA EM DESENHO TÉCNICO que, visando à uniformidade e à legibilidade para evitar prejuízos na clareza do desenho e evitar a possibilidade de interpretações erradas, fixou as características de escrita em desenhos técnicos.

 NBR 8403 – APLICAÇÃO DE LINHAS EM DESENHOS – TIPOS DE LINHAS – LARGURAS DAS LINHAS, que fixa tipos e o escalonamento de larguras de linhas para uso em desenhos técnicos e documentos semelhantes.

 NBR 8993 – REPRESENTAÇÃO CONVENCIONAL DE PARTES ROSCADAS EM DESENHO TÉCNICO, que fixa as condições exigíveis do método convencional de representação simplificada de partes roscadas em Desenhos Técnicos.

 NBR 10067 – PRINCÍPIOS GERAIS DE REPRESENTAÇÃO EM DESENHO TÉCNICO, que fixa a forma de representação aplicada em Desenho Técnico.

 NBR 10068 – FOLHA DE DESENHO LAYOUT E DIMENSÕES, cujo objetivo é padronizar as dimensões das folhas utilizadas na execução de desenhos técnicos e definir seu layout com suas respectivas margens e legenda.

 NBR 10126 – COTAGEM EM DESENHO TÉCNICO, que padroniza as características dimensionais das folhas em branco e pré-impressas a serem aplicadas em todos os desenhos técnicos.

 NBR 10582 – APRESENTAÇÃO DA FOLHA PARA DESENHO TÉCNICO, que normaliza a distribuição do espaço da folha de desenho, definindo a área para texto, o espaço para desenho etc.. Como regra geral deve-se organizar os desenhos distribuídos na folha, de modo a ocupar toda a área, e organizar os textos acima da legenda junto à margem direita, ou à esquerda da legenda logo acima da margem inferior.

 NBR 10647 – DESENHO TÉCNICO – NORMA GERAL, cujo objetivo é definir os termos empregados em desenho técnico. A norma define os tipos de desenho quanto aos seus aspectos geométricos (Desenho Projetivo e Não Projetivo), quanto ao grau de elaboração (Esboço, Desenho Preliminar e Definitivo), quanto ao grau de pormenorização (Desenho de Detalhes e Conjuntos) e quanto à técnica de execução (À mão livre ou utilizando computador)

 NBR 13142 – DESENHO TÉCNICO – DOBRAMENTO DE CÓPIAS, que fixa a forma de dobramento de todos os formatos de folhas de desenho: para facilitar a fixação em pastas, eles são dobrados até as dimensões do formato A4.

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Folha para desenho

Fixação da folha

Recomenda-se que seja fixada corretamente a folha na prancheta, podendo seguir:

 Coloque a folha embaixo da régua paralela;

 Nivelar a borda inferior da folha pela régua paralela;

 Comece a fixar a folha com um pequeno pedaço de fita adesiva, de dentro para fora da folha;

 Coloque cada fita adesiva em diagonal.

É importante observar que o alinhamento da folha é em relação a régua paralela, e não pela prancheta.

Espaço para desenho

 Os desenhos são dispostos na ordem horizontal ou vertical.

 O desenho principal é colocado acima e à esquerda, na área para desenho.

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Antônio Marcos Alves de Melo 11 Observe alguns exemplos da disposição dos desenhos:

Espaço para texto

 Todas as informações necessárias ao entendimento do conteúdo do espaço para desenho são colocadas no espaço para texto.

 O espaço para texto é colocado à direita ou na margem inferior do padrão de desenho.

 Quando o espaço para texto é colocado na margem inferior, a altura varia conforme a natureza do serviço.

 A largura do espaço de texto é igual a da legenda ou no mínimo 100 mm.

 O espaço para texto é separado em colunas com larguras apropriadas de forma que possível, leve em consideração o dobramento da cópia do padrão de desenho, conforme padrão A4.

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Legenda

 Usada para informação, indicação e identificação do desenho, a saber: designação da firma, projetista, local, data, assinatura, conteúdo do desenho, escala, número do desenho, símbolo de projeção, logotipo da firma, unidade empregada, escala, etc.

 A legenda deve ter 178 mm de comprimento nos formatos A2, A3 e A4, e 175 mm nos formatos A0 e A1.

Segue alguns exemplos de legenda: a)

b)

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Dobragem

Toda folha com formato acima do A4 possui uma forma recomendada de dobragem. Esta forma visa que o desenho seja armazenado em uma pasta, que possa ser consultada com facilidade sem necessidade de retirá-la da pasta, e que a legenda esteja visível com o desenho dobrado.

Os originais dos desenhos não devem ser dobrados, no sentido de permitir sempre a obtenção de cópias sem vincos marcados, em situações posteriores. Devem ser guardados em rolos, ou de preferência, estendidos dentro de armários de arquivo. Estes podem ser com gavetas largas e baixas (arquivos horizontais), ou especiais, em que os originais ficam arquivados na posição vertical, suspensos em varões por meio de tiras de cartolina ou outro material resistente. Os armários de arquivo não costumam ter dimensões que permitam arquivar originais de formato superior ao A0, guardando-se geralmente em rolos os de maiores dimensões.

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Referências

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