Nome : Júlia Soares Parreiras E-mail : [email protected] RG : MG-14.206 CPF : 10428009603 RNE : Sexo : F Data de Nascimento : 21/11/1989 Logradouro Residencial : Rua Campanha
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Júlia Soares Parreiras
EDUCAÇÃO PARA PREVENÇÃO: uma alternativa para
melhoria da qualidade da água e das condições sanitárias de
comunidades carentes
Trabalho apresentado à disciplina de Biologia do Curso Técnico de Edificações do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), realizado entre janeiro e agosto de 2008.
Orientadora: Andréa Rodrigues Marques Guimarães
Belo Horizonte
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)
Avenida Amazonas, 5253. Nova Suíça, Belo Horizonte – MG. CEP. 30.480.000
Introdução
O acesso à água potável e ao saneamento básico é fundamental para melhorar a qualidade de vida e reduzir a pobreza. No mundo, 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso à água e 2,6 bilhões estão sem saneamento. A água não tratada, sendo um veículo de diversas doenças, pode impossibilitar as crianças de freqüentar a escola aumentando a desigualdade de aquisição de conhecimento. A organização mundial de Saúde (OMS) estima que, por ano, 25 milhões de pessoas morrem no mundo devido a doenças transmitidas pela água (Zancul, 2006). Os principais agentes causadores de doenças veiculadas pela água são as bactérias, os protozoários e os vírus. Há também aquelas transmitidas por vetores que se desenvolvem na água e outras em que o hospedeiro é aquático (Amabis & Martho, 2004).
Classes rurais excluídas muitas vezes se vêem obrigadas, pela falta de recursos financeiros, a morar em margens de rios, sem a menor infra-estrutura no que se refere ao tratamento da água, coleta e tratamento do esgoto e do lixo. Muitos despejam o esgoto e o lixo nas suas águas e nas suas margens, o que provoca a procriação, naquele local, de uma série de vetores, tais como ratos, baratas e escorpiões. A convivência dentro desse ecossistema insalubre acaba gerando o aparecimento de doenças que comprometem a qualidade de vida e saúde da população, especialmente das crianças. Assim, a água, que poderia estar associada à idéia de vida e saúde, passa a ser associada à idéia de doença, à medida que os córregos degradados transformam-se em focos de doenças (Polignano et al., 2004).
Os estudos desenvolvidos pelas ciências podem melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Uma alternativa para a melhoria da qualidade de água é o método SODIS, do inglês Solar Disinfection (www.sodis.ch). Paterniani & Silva (2005) utilizaram para desinfecção da água garrafas PET transparentes com a metade pintadas de preto colocadas em um concentrador solar, proposto pelo IMTA - Instituto Mexicano
de la Tecnologia de la Agua, e conseguiram eliminar 99,9% Escherichia coli, uma
bactéria entérica indicadora de contaminação fecal (Macêdo, 2003).
O objetivo deste trabalho foi diagnosticar as condições higiênico-sanitárias e o nível de escolaridade de uma comunidade próxima ao Rio das Velhas em Rio Acima (MG) e confeccionar um texto informativo acerca dos meios de transmissão e prevenção de doenças hídricas propondo a implementação do SODIS. Vários córregos da bacia do Rio das Velhas, localizada na região central do Estado de Minas Gerais, têm sido poluído por lixo e esgoto, além dos efeitos da degradação devido à urbanização e atividades industriais.
Materiais e Métodos
Nos meses de março e abril de 2008 foram feitos dois trabalhos de campo no município de Rio Acima, localizado na região metropolitana de Belo Horizonte, a 39 km da capital de Minas Gerais e na bacia Rio das Velhas. Para facilitar o estudo, uma região foi divida em quatro setores: A, B, C e D (FIG. 1).
questionário n° 1, o setor que apresentou menor nível de escolaridade dentre as pessoas entrevistadas, com condições higiênico-sanitárias insatisfatórias e que contribuem com a poluição por esgoto no rio, foi o selecionado. Dez famílias foram cadastradas para a aplicação do questionário n° 2, com o objetivo de diagnosticar as condições reais da qualidade da água utilizada e o conhecimento acerca de doenças hídricas e do método SODIS. Levando em consideração as análises do segundo questionário foi elaborado um protótipo de um texto informativo que será aplicado junto à comunidade.
Resultados e Discussão
1. Escolaridade da comunidade dos setores
Com relação à escolaridade dos pais das famílias entrevistadas, 64% apresentaram no máximo Ensino Fundamental I (1° ao 5° ano) e 33% Ensino Fundamental II (6° ao 9° ano), sendo que nenhum dos entrevistados apresentou Ensino Médio ou curso Superior. Ao contrário, as crianças a partir de 6 anos de idade e jovens até 26 anos estavam nas escolas cursando do 1° ao 9° ano e Ensino Médio (92%). Foi constatado que o setor A apresentou maior número de pais (79%) com somente educação básica (até o 5° ano) e 88% das crianças e jovens estavam nas escolas.
2. Caracterização higiênico-sanitária dos setores
Os dados obtidos mostraram que as famílias de todos os setores recebem água canalizada e tratada pela prefeitura do município, e a maioria apresenta o esgoto canalizado (64%), sendo que apenas 17% utilizam fossas (GRA. 1A), sendo a coleta de lixo três vezes por semana. O setor que apresentou mais problemas sanitários foi o A, pois 69% das famílias utilizam fossas e, 31%, despejam o esgoto e água de banho e de cozinha à céu aberto, contribuindo para a contaminação do Rio das Velhas e o local onde as crianças brincam (GRA. 1B).
FIGURA 1 – Mapa dos setores A, B, C
e D do município de Rio Acima.
A maioria das crianças passa o dia sendo cuidadas pelas mães quando não estão na escola e brincam no quintal de suas casas ou na rua. No setor A, 23% brincam à beira do rio e muitas delas brincam descalças (85%). Considerando em todos os setores a relação das pessoas com o Rio das Velhas, a metade não o utiliza para nenhum fim e 24% para a pesca.
Com relação à higiene pessoal, normalmente as pessoas lavam suas mãos antes das refeições e depois de ir ao banheiro (79%). O modo de desinfecção dos frutos e verduras mais utilizado pelas famílias (56%) fo i lavá- los com água corrente e, para beber, a filtragem da água foi o método mais ocorrente, principalmente no setor A (62%).
3. Diagnóstico da qualidade de vida das famílias cadastradas
A região que apresentou menor nível de escolaridade dentre as pessoas entrevistadas, com condições higiênico-sanitárias insatisfatórias e que contribuem com a poluição por esgoto no rio, foi a do setor A, onde 10 famílias foram cadastradas e revelaram que a água canalizada que chega às casas é puxada de forma clandestina da rede principal. Oito famílias possuíam filtro, sendo que uma delas não o utilizava. Quatro famílias não possuíam geladeira, uma não havia banheiro e em quatro casas não era feita a cloração da água nas caixas d’águas.
Com relação ao conhecimento acerca de doenças de veiculação hídrica, a maioria delas (70%) conhecia a xistosa (Esquistossomose) como uma doença que se pode pegar nadando no rio e, 80%, tiveram conhecimento acerca da necessidade de tampar a caixa d’água para prevenir a dengue. Somente 20% menc ionaram o amarelão como doença transmitida pelos pés descalços e 50% que se podem contrair lombrigas e vermes quando não se lava as mãos antes de comer e depois de ir ao banheiro. Todas as famílias demonstraram saber que se pode contrair outras doenças, mas não souberam citar nomes ou não souberam associá- los aos meios de transmissão.
4. Elaboração do texto informativo
Análises de laboratório revelaram o SODIS como uma tecnologia simples, de baixo custo com um grande potencial para melhorar a saúde daqueles que ainda não têm acesso à água de beber potável, pois melhora a qualidade microbiológica da água (www.sodis.ch). A maioria das famílias cadastradas no projeto não tinha conhecimento deste método (90%).
Referências Bibliográficas
MACÊDO, J. A. B. Águas & Águas. 2ª ed. Belo Horizonte: CRQ-MG, 2004. 977 p.
PATERNIANI, J. E. S. & SILVA, M. J. N. Desinfecção de Efluentes com Tratamento Terciário utilizando Energia Solar (SODIS): Avaliação do uso do dispositivo para concentração dos raios solares. Revista de engenharia sanitária e ambiental 10: 9-13. 2005.
POLIGNANO, M. V. ; LISBOA, A. H. ; ALVES, A. L. ; MACHADO, A. T. G. M. ; AMORIM, A. L. D. ; PINHEIRO, T. M. M. . Uma Viagem ao Projeto Manuelzão e à
Bacia do Rio das Velhas: Manuelzão Vai à Escola. 2ª. ed. Belo Horizonte - MG:
SEGRAC, 2004. 64 p.
ZANCUL, M. S. Água e saúde. Revista Eletrônica de Ciências CDCC - USP, São Paulo, abr. 2006. Disponível em: http://www.cdcc.sc.usp.br/ciencia/artigos/art_32/docs /AtualidadesABRIL.doc. Acesso em janeiro de 2008.
Anexo 1 – 1ª versão do texto da cartilha
Veve e Juju em: Educação para a Prevenção
Veve e Juju saindo da escola, caminhando próximas ao rio:
Juju: Foi legal a aula de hoje. Principalmente a parte em que a professora falou sobre a
importância da qualidade da água.
Veve: E também do tantão de doenças que podemos pegar com a água suja. O melhor é
que a gente pode fazer muitas coisas para não ficar doente.
Uma gotinha sai do rio:
Cristalina : Uau! Que bom, acho que vocês podem me ajudar. Sou a gotinha Cristalina
e moro em um rio muito sujo e as pessoas que moram lá perto estão sofrendo com isso.
Juju: Já sabemos como podemos ajudar.
Veve e Juju vão para casa e depois de um tempinho aparecem na comunidade onde passa o rio em que à gotinha Cristalina mora para falarem com as crianças da comunidade:
Veve: Oi amiguinhos! Eu sou a Veve e viemos aqui para falar um pouco sobre a água. Cristalina : Eu e minha família somos muito importantes para vocês.
Juju: É por isso que não devemos jogar lixo nos rios. Muito prazer eu sou a Juju! Veve: Na água suja vivem micróbios muito perigosos.
Criança A: E o que eles podem fazer?
Juju: Quando bebemos água sem filtrar, não lavamos as mãos antes de comer e
nadamos no rio sujo eles entram na gente e causam muitas doenças. (Nesse momento,
Veve mostra um cartaz com desenhos de alguns micróbios segurando placas com os nomes das doenças que eles podem causar).
Sol (que estava ouvindo toda a conversa): Haha!!! Tenho um segredinho: super poderes
que podem ajudar a melhorar a qualidade da água.
Veve: É verdade a professora falou que os raios do sol podem inativar alguns desses
micróbios que vivem na água.
Juju: Para isso precisamos de um lugar para colocar a água e podemos usar garrafas
PET.
Criança B: Perto da minha casa tem várias.
Veve: Isso é muito bom, mas também vamos precisar de papelão para fazer um
concentrador solar.
Criança 3: Isso não é problema, mas o que é um concentrador solar?
Veve: Ah! Vamos mostrar pra vocês. (figuras com as crianças, juntamente com todos
os personagens, realizando as etapas da solarização).
Cristalina (depois de tudo pronto): Queridas crianças espero que vocês tenham