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P R O J E T O G R Á F I C O E D I A G R A M A Ç Ã O
Nebraska Composição Gráfica
I D E N T I D A D E V I S U A L Unic Comunicações interfarma.org.br/resp-socioambiental.php facebook.com/SaudeComInterfarma twitter.com/SaudeCom_ facebook.com/AssociacaoInterfarma twitter.com/Interfarma_
6 Apresentação 8 Prefácio 11 Introdução
13 Metodologia
14 O setor farmacêutico em números 18 Perfil das empresas
20 Origem das empresas
21 Plantas industriais e sede no Brasil
22 Áreas de atuação
22 Número de funcionários e porte das empresas
24 Inovação, acesso e cuidados com o paciente 24 Inovação
26 Maximização do acesso a terapias
30 Estímulo ao uso racional de medicamentos
33 Investimentos sociais
35 Modalidades de Investimento Social Privado
37 Investimento Social Privado com recursos próprios
39 Investimento Social Privado com incentivo fiscal
41 Investimento Social Privado ligado ao negócio
43 Voluntariado
44 Doações
Sumário
45 Empregabilidade
46 Funcionários por gênero e idade
48 Gênero e liderança
48 Diversidade e inclusão
49 Benefícios para colaboradores
50 Ética e transparência 51 Código de Ética/Conduta
52 Pacto Global da ONU
52 Relatório de sustentabilidade/social
54 Engajamento de públicos de interesse 56 Relacionamento com o Poder Público
57 Relacionamento com consumidores/clientes
58 Relacionamento com fornecedores
59 Diálogo com a imprensa
60 Meio ambiente
62 Iniciativas internas de gestão ambiental
63 Consumo de água e energia
63 Emissão de gases de efeito estufa
64 Gestão de resíduos
65 Iniciativas externas de gestão ambiental
66 Governança 69 Considerações finais
Apresentação
Este é o sétimo ano consecutivo no qual a Interfarma lança um relatório para dar visibilidade à atuação de suas associadas nas áreas social e ambiental. Com essa série histórica, podemos dizer que completamos um ciclo, que traduz o compromisso e o amadurecimento do setor farmacêutico em relação à responsabilidade social corporativa.Foram sete anos de mobilização e trabalhos constantes das nossas 56 empresas associadas, que atualmente respondem por 82% dos medicamentos inovadores do mercado, para evoluir em direção a práticas que deixassem um legado positivo para os públicos com os quais as empresas interagem, para a sociedade e para o desenvolvimento do Brasil.
Para nós é uma grande satisfação
constatar que, nesse período, os associados conseguiram expandir e multiplicar nosso escopo de atuação. Partimos de 191 práticas de responsabilidade social empresarial em 2009 para 6.436 iniciativas relacionadas à sustentabilidade em 2015.
Mais do que de números, estamos falando de ações concretas que afetam a vida da população, o sistema de saúde e a dinâmica das próprias empresas. Estamos falando de inovação de produtos e processos, de esforços para ampliar o acesso a terapias e de iniciativas para promover o uso, a prescrição e a venda responsáveis de medicamentos. Falamos de cuidados com a segurança, com a produção e com os impactos que geram no meio ambiente, nas comunidades vizinhas e entre colaboradores.
Por trás de cada número deste relatório, encontramos uma infinidade de
estratégias, projetos e iniciativas que envolvem os esforços e a interação de uma grande cadeia de pessoas. Milhões de brasileiros foram impactados por campanhas de prevenção e
conscientização sobre o uso correto de medicamentos. Os números são estimados pela quantidade de pessoas atingidas pelas informações divulgadas por cada empresa por meio da imprensa tradicional e nas redes sociais que amplificam a audiência alcançada.
Victor Mezei Antônio Britto
Presidente do Conselho Diretor Presidente executivo Desde o lançamento e até o ano passado, o projeto alcançou 175.165 pessoas e habilitou mais de 3.000 jovens para enviarem textos para publicação - dez vezes mais que na etapa inicial do projeto. Entre 2014 e o primeiro semestre de 2016, o blog registrou 74.936 visitas, 55.611 usuários e 145.284 visualizações.
Em vias de chegar à 4ª edição, a Jornada de Responsabilidade Social da Interfarma já reuniu mais de 800 pessoas desde a sua criação. Além do lançamento do Relatório de Sustentabilidade, o evento apresenta um balanço de resultados do Geral na Saúde. O encontro já se consolidou como um fórum de debates de responsabilidade social corporativa.
Tanto o relatório quanto essas ações são os meios que a Interfarma e o setor farmacêutico encontraram para reiterar seu compromisso com a ética, a responsabilidade social corporativa e, sobretudo, com um futuro sustentável para nossas empresas e para o Brasil.
Até o próximo ano! No Brasil, mais de 15 milhões de pessoas
de baixa renda foram beneficiadas por programas de acesso, também com base no que foi reportado pelas associadas. Juntas as empresas realizaram 537 estudos clínicos em 2015 e implementaram ainda 415 projetos de investimento social. Esses são apenas alguns dos indicadores deste Relatório de Sustentabilidade. Contudo, é importante destacar que existe um conjunto ainda mais amplo de iniciativas que retratam o empenho da Interfarma e de suas associadas para se consolidarem como empresas conscientes de sua responsabilidade socioambiental. Além de estimular nossas associadas, a INTERFARMA decidiu lançar iniciativas setoriais, executadas pela entidade. A primeira foi a criação da Comissão de Responsabilidade Social, em 2009. Esta passou a elaborar ações e iniciativas anuais destinadas a expandir, cada vez mais, a atuação do setor nessa área.
Foi assim que nasceu em 2013 o Geral na Saúde, um projeto desenvolvido em torno de um blog, no qual crianças e adolescentes escrevem e debatem sobre temas relacionados às suas vidas, com ênfase na saúde. Assim, elas acabam gerando conhecimento e incentivando atitudes de autocuidado na família e na comunidade onde vivem.
Prefácio
Desde 2009, quando foi publicada a primeira edição, até o ano
passado, tínhamos um Relatório de Responsabilidade Socioambiental. Agora, em 2016, ele passa a se chamar Relatório de Sustentabilidade.
A troca de nomes não é mero acaso. O conceito que está por trás da mudança é a conscientização das empresas de que em um mundo que passa por grandes e variadas transformações – de desastres ambientais a crises econômicas – eleva-se a preocupação de todos com o futuro – com um futuro sustentável.
Isso se reflete diretamente na gestão dos negócios e nos compromissos com o tipo de desenvolvimento que desejamos e ajudamos a criar no dia a dia. E que passa necessariamente pela ampliação
do diálogo com a sociedade e pela construção de relacionamentos que alinhem as iniciativas empresariais com as expectativas de cidadãos, consumidores, poder público, investidores, colaboradores, enfim, com os vários públicos com os quais as organizações se relacionam.
Na presente edição do relatório procuramos dar transparência a esses relacionamentos, tendo como pano de fundo o cenário político, social e econômico de 2015, que afetou todos os setores da economia.
Esse foi um período em que as empresas investiram principalmente na melhoria de processos de trabalho e valorização de colaboradores. Mas o relatório
demonstra também que, mesmo diante da complexidade da situação externa, o setor manteve seu compromisso com as
atividades de responsabilidade social que, no ano passado, priorizaram a área da Saúde. E que houve um esforço contínuo de aprimoramento.
Em algumas áreas, as ações foram ampliadas: mais pessoas foram atingidas por programas de acesso, especialmente as de baixa renda. As iniciativas para aperfeiçoar o uso, prescrição e venda corretos de medicamentos envolveram inúmeros públicos e um grande trabalho de divulgação, treinamento e capacitação. Aumentaram também os recursos
para ações de meio ambiente e a área de inovação apresentou resultados significativos, como um grande aumento do número de projetos e a realização de P&D local, mesmo diante dos obstáculos que o setor enfrenta para inovar no Brasil. Ainda temos muito a melhorar, sem dúvida. O nosso grande desafio é
justamente saber como poderemos avançar para gerar resultados ainda mais expressivos e para que a responsabilidade socioambiental seja integrada cada vez mais como parte do negócio, bem alinhada e articulada com outras áreas, como ética e compliance, advocacy e pesquisa clínica. Nosso trabalho agora é desenhar os
próximos passos para que possamos, como setor participante do desenvolvimento socioeconômico do País, aumentar o impacto positivo de nossas ações na sociedade.
Maria José Delgado Fagundes
Criatividade, otimização
de processos, aumento da
eficiência e melhor gestão de
recursos foram requisitos para
que as empresas mantivessem
programas e implementassem
iniciativas em 2015.
Introdução
as empresas voltaram sua energia e focalizaram suas ações no fortalecimento do próprio negócio. Inúmeros indicadores reforçam essa direção e serão pontuados ao longo das seções.
A despeito do cenário externo, as empresas mantiveram e expandiram seu compromisso de responsabilidade socioambiental. O número total de ações de sustentabilidade desenvolvidas no ano passado pelas 30 participantes desta edição – duas a mais que no relatório anterior – triplicou em relação a 2014, passando de 2148 iniciativas para 6436. Esses projetos impactaram todos os públicos estratégicos ligados à cadeia de saúde e para implementá-los os laboratórios investiram em conjunto mais de R$ 3,8 bilhões.
Em apenas um desses programas, o de acesso a medicamentos, o crescimento do número de pessoas beneficiadas foi de surpreendentes 50% na comparação com 2014. Ao todo, essas ações atingiram 15,5 milhões de pessoas – uma população maior que a da cidade de São Paulo.
Muitos outros avanços marcaram a atuação das empresas no ano que passou. Mas veremos também, ao longo do relatório, que em 2015 conquistas mesclaram-se O Relatório de Sustentabilidade 2016
da Interfarma nasce sob a égide de um momento muito peculiar do País. A publicação apresenta as práticas, ações socioambientais e de governança adotadas pelas empresas associadas no decorrer de 2015 - um ano marcado por condições econômicas, políticas e sociais desafiadoras e por um ambiente de negócios pautado por incertezas.
O Brasil de 2015 foi o Brasil da recessão econômica, da inflação em alta, dos orçamentos enxutos e da necessidade imperiosa de se fazer mais com menos. A indústria farmacêutica não foi o setor mais atingido pela crise. Segundo o IMS Health, fechou o ano com taxas de crescimento acima do mercado, um faturamento de R$ 43 bilhões e 137 milhões de doses de medicamentos comercializadas. No entanto, criatividade, otimização de processos, busca por maior eficiência e melhor gestão dos recursos foram requisitos primordiais para que as empresas pudessem manter seus programas, treinamentos, iniciativas e cumprir metas.
Esse é um desenho que emerge nitidamente desse relatório e cujos contornos mostram ainda que, em todas as áreas analisadas, para superar os obstáculos conjunturais
a recuos e que essa foi uma característica marcante do ano para o setor – assim como, de resto, para todo o País.
Um exemplo: o volume de recursos investidos pelas empresas participantes apenas em projetos sociais caiu cerca de 20% em relação a 2014. Em contrapartida, o número de iniciativas saltou de 152 para 415. Como interpretar essa mudança? Tudo indica que as empresas optaram por pulverizar seus recursos em maior número de projetos, porém de menor custo.
A partir da análise das respostas fica evidente que, em 2015, entre as várias modalidades de investimento social privado, ganharam peso as ações sociais ligadas ao negócio.
O estudo trouxe ainda à tona outro dado interessante sobre o comportamento do setor diante dos desafios da crise. Enquanto o Brasil encerrou 2015 com uma taxa
média de desemprego ao redor de 8,5% (PNAD/IBGE) e amargou o recorde de 8,6 milhões de desempregados, as empresas farmacêuticas mantiveram praticamente estável a sua força de trabalho, com um índice de rotatividade de pessoal de 18%. Como comparação, o turnover registrado no País ficou ao redor de 43%.
Os números retratam o que outros indicadores reforçaram: os laboratórios investiram pesadamente na retenção e capacitação de colaboradores. Ao todo,
foram oferecidas ao redor de 370 mil horas de treinamentos presenciais e à distância – 130% a mais que na edição anterior do relatório.
Esse dado ganha relevância quando contraposto a outra tendência identificada no levantamento: no que diz respeito ao quesito “inovação”, 91% das empresas participantes priorizaram a otimização dos processos produtivos no ano passado, ou seja, procuraram aumentar sua eficiência. Tudo indica que o fizeram buscando melhorar não somente a utilização dos recursos materiais como também a performance do seu capital humano.
Temos que lembrar ainda que 2015 foi o ano da regulamentação da Lei Anticorrupção e dos inúmeros desdobramentos da Operação Lava-Jato, que dominaram o noticiário nacional. Esse pano de fundo também se refletiu no âmbito interno das empresas Do total de respondentes, 97% declararam contar com iniciativas de combate à corrupção, especialmente em relação à extorsão e recebimento ou pagamento de propinas. Cresceu também o número de empresas que adotaram seu próprio Código de Conduta no Brasil. E outra manifestação evidente do espaço maior que a questão ética assumiu no setor foi o aumento de 40% no total das que passaram a levar em consideração também as práticas de compliance de seus fornecedores antes de contratá-los.
Metodologia
O Relatório de Sustentabilidade 2016/ Ano Base 2015 manteve a mesma estrutura aprovada pela Comissão de Responsabilidade Social da Interfarma para a edição anterior. Na época, optou-se por fundamentar a elaboração do documento em cinco macro temas harmonizados com os princípios do Pacto Global proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU): Inovação, acesso e cuidados com o
paciente
Investimentos Sociais Empregabilidade Ética e transparência Meio Ambiente
Esses blocos temáticos permaneceram na atual edição, examinados à luz da atuação do setor no ano passado. Porém, o relatório avança na tentativa de compreender melhor o universo das empresas e de seus relacionamentos estratégicos e passa a englobar mais uma seção: Governança. O objetivo é conhecer um pouco mais acerca dos mecanismos de gestão e decisão das empresas, especialmente no que diz respeito a questões econômicas, ambientais e sociais, que formam o tripé da sustentabilidade. E entender, sobretudo, como identificam e lidam com os impactos, riscos e oportunidades delas decorrentes.
Como nas versões anteriores, as empresas associadas responderam a minuciosos questionários com perguntas referentes a cada um dos macro temas. Neste ano, porém, as questões foram reordenadas, de modo a facilitar o preenchimento e a posterior análise e apresentação das informações.
Foram incluídas também perguntas que possibilitaram extrair mais claramente do levantamento totalizações sobre o número de projetos em cada área, valor investido e o universo de pessoas beneficiadas.
Além disso, houve uma redefinição dos públicos abrangidos pelo relatório, que incluem nesta edição o Poder Público, pacientes, colaboradores, fornecedores, distribuidores, profissionais da saúde e relacionados, saúde suplementar, estabelecimentos de saúde, comunidade/ sociedade, imprensa e profissionais do varejo.
Ao ampliar o escopo do relatório e reorganizar as informações, a Interfarma espera que ele trace uma radiografia mais abrangente e transparente da atuação das associadas em todas as dimensões da sustentabilidade, dos relacionamentos com os vários stakeholders com os quais interage, bem como dos impactos que promove junto ao seu público interno e à comunidade externa.
R$ 4 bilhões
investidos em ações para todos
os públicos
O setor farmacêutico em números
6436
ações
relacionadas à sustentabilidade [2148 iniciativas em 2014]73
%
possui fábrica no Brasil798
projetos de inovação [21 em 2014]67%
realizou P&D
no país
537
estudos clínicos
15,6
milhões
de pessoas de baixa renda beneficiadas por programas de
acesso
5,7
milhões
de pessoas atendidas nos SACs
R$ 30
milhões
destinados a investimentos sociais5098
voluntários no setor3963
programas de educação médica50 mil
profissionais do varejo capacitados1250
distribuidores treinados
6
milhões
de unidades doadas80
%
mantêm programas de estímulo ao uso, prescriçãoe venda responsáveis de medicamentos
77
%
têm estratégias de Investimento Social Privado
R$ 18
milhões
em doações de medicamentos e vacinas415
iniciativas de ISP [152 em 2014]97
%
possuem estratégias de combate à corrupção e 67% priorizam a contratação de fornecedores com práticas de compliance
funcionários treinados para alinhamento com
Código de Conduta
132 mil
pesquisas de satisfação do cliente [25 mil em 2014]18%
de turnover (rotatividade de funcionários) [Brasil 43%]R$ 42
milhões
investidos em programas para colaboradores [R$ 11 milhões em 2014]228
iniciativas de empregabilidade367 mil
horas de treinamento para colaboradores83%
contam com programas de diversidade [75% em 2014]87
%
possuem programas de descarte de resíduosR$ 19,5
milhões
investidos em ações ambientais [R$ 4 milhões em 2014]40
projetos relativos ao meio ambiente120,5
mil litros de água reciclada
82
%
medem a emissão de gases de efeito estufa
[64% em 2014]
93
%
observam princípios de governança70
%
consultam os públicos de interesse para apoiar decisões do órgão de governançaA presente edição do Relatório de Sustentabilidade 2016/Ano Base 2015 da Interfarma conta com a adesão de 30 dos 56 laboratórios associados à entidade – dois a mais que na publicação anterior. Genzyme e Sanofi, que em 2014 responderam separadamente ao questionário, neste ano, no entanto, decidiram unificar o preenchimento, uma vez que pertencem ao mesmo grupo. Das 17 empresas que participaram desde a primeira edição do relatório, a AstraZeneca não reportou, excepcionalmente, seus dados referentes a 2015. Permaneceram no grupo Abbott, Bayer, Chiesi, Daiichi-Sankyo, GSK, Lilly, Merck, MSD, Novartis, Novo Nordisk, Pfizer, Roche, Sanofi, Servier, Shire e Zambon.
As empresas Actellion, Allergan, Astellas, Besins, Bristol-Myers, Boehringer Ingelheim, Celgene,
Galderma, Grunenthal, Jansen e Takeda estiveram presentes em pelo menos três das últimas edições. Biomarin, Glenmark e Abbvie (criada em 2013) em pelo menos duas.
O Relatório de Sustentabilidade é uma ferramenta relevante de posicionamento institucional da Interfarma e do setor. A importância da adesão sistemática e constante das empresas está na possibilidade de se gerar um banco de dados consistente e uma série histórica sobre as ações da indústria em relação à sustentabilidade. São dados fundamentais para que se possa traçar uma rota e avaliar como e em quais áreas o setor tem avançado ao longo do tempo. Da mesma forma, possibilitam que se obtenha um panorama do caminho que ainda precisa ser percorrido para que o conjunto das empresas possa aperfeiçoar sua atuação.
Abbott AbbVie Actelion Allergan Astellas Bayer Besins Biomarin Bristol-Myers Boehringer I. Celgene Chiesi Daiichi Sankyo Galderma Grunenthal
Empresas que participam do relatório GlaxoSmithKline Janssen Lilly Merck S.A. MSD Novartis Novo Nordisk Pfizer Pierre Fabre Roche Sanofi/Genzyme Servier Shire Takeda Zambon
Origem das empresas
As 30 empresas participantes do relatório são multinacionais. A maioria – nove laboratórios – é norte-americana. Alemanha e Suíça sediam quatro empresas cada. França e Japão contam com três representantes cada. Duas empresas têm origem italiana. Já Bélgica, Canadá, Dinamarca, Inglaterra e Irlanda abrigam uma empresa cada.País de origem das empresas
14% Alemanha 14% Suiça 30% EUA Dinamarca 3% Inglaterra 3% Canadá 3% Bélgica 3% Irlanda 3% Itália 7% França 10% Japão 10%
12% Rio de Janeiro
88% São Paulo
Sede no Brasil
Plantas industriais e
sede no Brasil
Do total de empresas respondentes, 73% (22 companhias) possuem fábricas no Brasil, distribuídas por cinco estados e o Distrito Federal. São Paulo concentra as plantas de 21 laboratórios, seguido pelo Rio de Janeiro que sedia cinco. As outras quatro estão estabelecidas no Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
Já as sedes estão localizadas
basicamente em dois estados: São Paulo, que abriga 88% das companhias, e Rio de Janeiro, que conta com 12% delas.
27% Não 73% Sim Fábrica no Brasil 70% São Paulo 3,33% Distrito Federal 3,33% Paraná
3,33% Rio Grande do Sul 3,33% Minas Gerais
16,68% Rio de Janeiro
5% Medicamentos, produtos
para saúde (Medical Service), alimentos
10% Medicamentos,
alimentos
85%
Medicamentos
Número de funcionários e porte
das empresas
As 30 empresas que reportaram seus dados nesta edição empregaram em conjunto 29.963 colaboradores em 2015. Esse contingente é cerca de 10% maior do que o total de funcionários na ativa em 2014, o que pode ser explicado pelo aumento do número de laboratórios que participaram deste relatório.
Ainda assim, e talvez como reflexo da situação econômica do Brasil, esses indicadores estão abaixo dos que foram registrados em 2012 e 2013, que superaram ligeiramente o patamar de 30 mil
funcionários.
No que diz respeito ao número de
funcionários, 44% das empresas empregam mais de 1 mil colaboradores e podem ser consideradas de grande porte. 33% possuem de 201 a 1000 colaboradores, enquanto 23% se situam na faixa de 0 a 200 empregados. Número de funcionários 201 a 1000 funcionários 10 0 a 200 funcionários 13 Acima de 1000 funcionários 7
Atuação das empresas
Áreas de atuação
De acordo com os resultados do
levantamento, 85% das empresas atuam apenas na área farmacêutica. Uma
pequena parcela opera simultaneamente em outros segmentos de mercado, como o de alimentos e o de produtos para saúde (dispositivos médicos). A pesquisa possibilitou às empresas escolherem mais de uma opção.
Porte das empresas 201 a 1000 funcionários AbbVie Allergan Bristol-Myers Squibb Chiesi Daiichi-Sankyo Galderma Lilly Pierre Fabre Servier Zambon 0 a 200 funcionários Actelion Astellas Besins Biomarin Celgene Grunenthal Shire Acima de 1000 funcionários Abbott Bayer Boehringer GSK Janssen Merck S.A. MSD Novartis Novo Nordisk Pfizer Roche Sanofi Takeda
O setor desenvolveu
798 projetos de inovação
no ano passado e investiu
R$ 86 milhões em sua
Implementação.
Os tópicos que integram esta seção do relatório - Inovação, Maximização do Acesso a Terapias e Estímulo ao Uso Racional de Medicamentos - fazem parte dos indicadores FarmaSustentável, um conjunto de indicadores específicos para o setor farmacêutico, criados para aferir e apoiar as práticas e os modelos de gestão da indústria em relação à sustentabilidade.
Inovação
Em tempos de recessão econômica, no qual as empresas precisam
alavancar novas estratégias para reduzir riscos e custos e encontrar outras fontes de receita, a inovação é uma ferramenta importante para aumentar a produtividade e a competitividade, promover desenvolvimento e garantir empregabilidade, alimentando um círculo socioeconômico virtuoso.
O setor farmacêutico é, tradicionalmente, um dos que mais investe em inovação no mundo, destinando em torno de 12% a 16% de seu faturamento anual com esta finalidade. Mas o Brasil não contribui para estimular essa vocação natural.
Inovação, acesso e
cuidados com o paciente
Segundo dados do Instituto Clinical Trials, o País ocupa a 13ª colocação entre os que mais realizam pesquisas clínicas. São apenas 4.800 estudos em andamento, o que representa modestos 2,3% do total. Considerando-se esse contexto, as empresas enfrentaram no ano passado um duplo desafio para inovar: o cenário econômico adverso e as já conhecidas e ainda não solucionadas barreiras
regulatórias e de Recursos Humanos que travam o desenvolvimento tecnológico. É o caso da demora para aprovação de pesquisas clínicas (duas vezes maior que a média mundial), a falta de pessoal
qualificado, a dificuldade para obtenção de patentes, entre outros obstáculos.
Ainda assim, 40% das empresas
pesquisadas mantiveram programas de inovação e investiram aproximadamente R$ 86 milhões para implementá-los. Ao todo, foram implantados 798 projetos nessa área, um aumento exponencial quando comparado às 21 iniciativas viabilizadas em 2014.
O levantamento revelou que 67% das empresas mantiveram iniciativas locais de Pesquisa e Desenvolvimento - índice ligeiramente abaixo dos 72% registrados em 2014. O número de estudos clínicos realizados também apresentou retração da ordem de 18%.
Contudo, no conjunto do grupo, eles foram expressivos: 322 estudos clínicos foram patrocinados diretamente pelas próprias empresas enquanto 215 foram por elas promovidos. O número de produtos desenvolvidos passou de dois para cinco de um ano para o outro.
A análise dos dados revela ainda que a inovação não se ateve ao desenvolvimento de novas tecnologias, mas buscou,
principalmente, soluções para aperfeiçoar e otimizar os modelos de produção, potencializando ganhos de natureza econômica, social e ambiental.
Se em 2014 a maioria (92%) apostou na otimização dos processos de logística e distribuição, no ano passado as empresas entenderam que para serem mais
eficientes precisariam, além disso, melhorar também os processos produtivos. Esta foi a modalidade de inovação que mais cresceu em 2015, adotada por 91% dos laboratórios, ante 81% no ano anterior – uma tendência em perfeita consonância com o atual momento econômico, que impôs e ainda impõem às empresas a necessidade de potencializar recursos.
60% Não (18) 40% Sim (12)
Empresas com programas de inovação
Os programas de
acesso a medicamentos
beneficiaram mais de
15 milhões de pessoas de
baixa renda, um aumento
de 50% em relação a 2014.
Maximização do acesso a terapias
Ao redor do mundo, 2 bilhões de pessoas não possuem acesso a medicamentos essenciais, segundo a Organização Mundial de Saúde, embora reduzir este hiato seja uma das Metas de Desenvolvimento do Milênio da ONU (Organização das Nações Unidas).No caso do Brasil, o descompasso entre a necessidade da população e a capacidade dos sistemas de saúde para supri-la produziram pelo menos um efeito colateral indesejável: a judicialização da saúde, a prática de recorrer à justiça para obter medicamentos, procedimentos ou quaisquer tratamentos médicos.
Em 2015, a crise econômica, o desemprego, a queda na renda das famílias, os cortes no orçamento da Saúde e a demora do SUS para incorporar medicamentos e procedimentos mais modernos ampliaram o problema, causando grande impacto financeiro para os sistemas público e privado.
Como ocorre a inovação
Iniciativa de pesquisa e desenvolvimento locais, através de patrocínio/promoção estudos clínicos
Otimizou os processos produtivos utilizando da melhor forma insumos aplicados A empresa investiu na eficiência dos processos
de logística e distribuição Desenvolveu novos produtos com comprovado
valor terapêutico adicional
67%
91% 91% 26%
Segundo estimativas da Federação Nacional de Saúde Suplementar, (FenaSaúde) o gasto com a judicialização da saúde no País chegou a R$ 10 bilhões no ano passado, considerando-se as três instâncias do SUS (Federal, Estadual e Municipal) e o Sistema Suplementar. Apenas os gastos da União cresceram 797% nos últimos cinco anos, de acordo com o Ministério da Saúde.
Os desafios para reverter os problemas de acesso são tão grandes no mundo todo que demandam cooperação conjunta de todos os stakeholders, de acordo com a Access to Medicine Foundation – organização sem fins lucrativos voltada à geração de informações e de um index sobre o tema.
Pelos levantamentos da entidade, o envolvimento da indústria farmacêutica nesses esforços tem aumentado
gradativamente nas últimas décadas e um exemplo disso é que passaram a incorporar no dia a dia práticas ou programas
destinados exclusivamente à ampliação do acesso.
No ano passado, 57% das empresas participantes deste relatório disseram possuir programas com esta finalidade, com investimento total ao redor de R$ 15 milhões. Ainda que o número de laboratórios com iniciativas de acesso tenha decrescido 10% em relação ao ano anterior, o volume de projetos desenvolvidos cresceu 14%, passando de 44 iniciativas para 50.
A maneira como a indústria trabalhou a questão do acesso no ano passado foi ligeiramente diferente do que ocorreu em 2014. Naquele ano, a população de baixa renda foi o principal alvo das iniciativas. Já em 2015, as empresas optaram por centrar as ações em duas áreas: a primeira na relação com autoridades, com o objetivo de otimizar a gestão dos recursos públicos destinados à assistência farmacêutica, e a segunda, na prevenção e conscientização da população como um todo.
As iniciativas dirigidas à sociedade mobilizaram diferentes estratégias, inclusive campanhas de divulgação por meio da imprensa.
57% Sim (17)
43% Não (13)
As ações de prevenção e conscientização voltadas à população visaram
principalmente otimizar o fluxo de novos pacientes ao sistema de saúde e aumentar a adesão aos tratamentos. Essas iniciativas beneficiaram prioritariamente a faixa etária compreendida entre 36 e 59 anos.
Público beneficiado por ações para a população em geral 0 a 11 anos 60 anos ou acima 19 a 35 anos 36 a 59 anos 12 a 18 anos 20% (6) 30% (9) 30% (9) 40% (12) 20% (6)
Foco dos programas de acesso
40% Não (12) 40% Não (12) 60% Sim (18) 60% Sim (18) 50% Não (15) 50% Sim (15) Auxiliou autoridades na gestão dos recursos aplicados em assistência farmacêutica Programa de prevenção e conscientização da população Iniciativa voltada à população de baixa renda
Público beneficiado por ações para a população de baixa renda
0 a 11 anos 60 anos ou acima 19 a 35 anos 36 a 59 anos 12 a 18 anos 23% (7) 30% (9) 33% (10) 33% (10) 30% (9)
Apesar da discreta priorização de outras áreas, a importância de dirigir as iniciativas de acesso à população de baixa renda continuou no radar das empresas. Em 2015, o contingente de pessoas beneficiadas por esses programas cresceu 53%, atingindo 15,6 milhões. O levantamento mostrou ainda que as ações dirigidas a este público alcançaram praticamente todas as faixas etárias, com ligeira predominância dos grupos de 19 a 35 anos e de 36 a 59 anos. Com o intuito de ampliar o acesso a terapias, a maioria das empresas também concentrou esforços no atendimento às necessidades dos pacientes, mantendo canais permanentes de contato direto com esse segmento e com as ONGs que os representam. No ano passado, cerca de 5,7 milhões de pessoas foram atendidas nos Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC) das empresas participantes – um crescimento de 26% (mais de 1 milhão de pessoas) em relação ao ano anterior.
De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2010 e 2014 cerca de 60 mil casos de internações por automedicação foram registrados no Brasil. Para o paciente, o uso de medicamentos de forma incorreta pode ser danoso pela possibilidade de esconder os sintomas de uma doença, agravá-la, provocar resistência a certos micro-organismos ou ainda pela combinação inadequada de várias drogas.
Seja pelo uso excessivo, insuficiente ou inadequado de medicamentos, as consequências, além de colocarem em risco a saúde da população, causam grande desperdício de recursos que, de modo geral, já são escassos.
Em dois dos pilares nos quais a OMS atua para combater o problema – os profissionais de saúde e os consumidores – os exemplos de mau uso incluem a chamada polifarmácia, a administração de muitos remédios por paciente; a prescrição errada de doses ou de medicamentos, a automedicação inadequada e a não adesão do paciente à dose ou ao esquema terapêutico proposto.
Entre as empresas participantes do relatório, 80% mantiveram programas ou iniciativas destinados a estimular o uso, a prescrição e a venda responsáveis de medicamentos. De todas as áreas contempladas neste relatório, esta foi a que demandou, por parte das empresas, a estruturação de ações voltadas para o maior número de públicos.
A indústria implementou
mais de 4000 ações
destinadas a estimular
o uso, a prescrição e
a venda corretos de
medicamentos.
Estímulo ao uso racional de
medicamentos
O uso irracional de medicamentos é um problema global. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que mais da metade dos medicamentos são prescritos, dispensados ou vendidos inadequadamente e que 50% dos pacientes não os tomam corretamente. Além disso, a instituição aponta que mais de 10% das internações hospitalares são decorrentes de reações adversas a medicamentos.
Informar adequadamente os consumidores sobre medicamentos foi o foco das
iniciativas de 90% das empresas, que puderam, durante o preenchimento do questionário, apontar mais de uma opção. Essas ações, impactaram diretamente 5 milhões de usuários.
Além das orientações dadas por meio dos SACs (serviços de atendimento ao consumidor), as empresas também realizaram campanhas educativas, programas de educação continuada para pacientes e cuidadores, e lançaram mão de recursos tecnológicos como o WhatsApp para tornar mais ágil essa interação. 87% dos laboratórios investiram também na educação de profissionais de saúde para estimular a prescrição correta. Ao todo, foram desenvolvidos 3963 programas de educação médica, nos quais foram capacitadas cerca de 384 mil pessoas.
20% Não (6) 80% Sim (24)
Estímulo ao uso correto de medicamentos
Pacientes, profissionais de saúde,
distribuidores e profissionais de farmácia foram os principais alvos dos programas, para os quais as empresas desenvolveram um conjunto de 4203 ações e
despenderam ao redor de R$ 25,5 milhões. Como o uso racional de medicamentos é uma questão diretamente relacionada com a segurança do paciente e a eficácia de seu tratamento, é fundamental que as iniciativas trabalhem de maneira articulada com todos os elos da cadeia de saúde. O levantamento mostrou que o contingente de pessoas atingidas pelas ações desenvolvidas pela indústria cresceu em relação a todos os públicos.
Ações de orientação aos distribuidores foram realizadas por 80% dos
respondentes. A este segmento da cadeia farmacêutica foram dirigidos 123 projetos, que beneficiaram 1249 pessoas. Já os profissionais do varejo foram incluídos na atuação de 57% das empresas, que
desenvolveram 117 projetos com essa finalidade e capacitaram um contingente formado por cerca de 50 mil deles – seis vezes mais que em 2014, quando os treinamentos atingiram cerca de 8 mil pessoas.
90% Sim (27)
80% Sim (24)
87% Sim (26)
57% Sim (17)
Iniciativas para uso racional de medicamentos
10% Não (3) 20% Não (6) 43% Não (13) 13% Não (4) Educação para profissionais de saúde Orientação a distribuidores Capacitação dos profissionais que atuam no varejo Informação para usuários
Investimentos Sociais Privados
Investimento Social Privado (ISP) é orepasse voluntário de recursos privados de forma planejada, monitorada e sistemática para projetos sociais, ambientais e culturais de interesse público, segundo definição do Gife - Grupo de Institutos Fundações e Empresas.
O Censo 2014 da entidade – realizado em maio de 2015 e divulgado no final do ano passado – aponta que naquele ano o volume total investido em ações sociais pelas 113 empresas respondentes alcançou R$ 3 bilhões, registrando um aumento de 7% em relação ao ano anterior.
O montante é incomparavelmente menor que o destinado pelas fundações americanas – que têm longa tradição em ações sociais e investiram o equivalente a R$ 140 bilhões no mesmo período – mas um avanço considerando-se a conjuntura econômica do Brasil nos últimos anos. Uma análise das respostas dadas pelas empresas participantes do Relatório de Sustentabilidade 2016 da Interfarma/Ano Base 2015 indica que o setor farmacêutico ainda tem muito a caminhar no que diz respeito à dotação de recursos para a
No ano passado, o
setor concentrou seus
investimentos sociais no
core business: saúde foi
o principal alvo de todos
os tipos de iniciativas e
ações ligadas ao negócio
as que mais cresceram.
área social. O volume de investimentos atingiu mais de 30 milhões no ano passado e, na contramão dos resultados alcançados pelo GIFE, sofreu uma queda de aproximadamente 20% em relação aos resultados de 2014.
Apesar disso, o número de ações sociais desenvolvidas com recursos próprios, incentivos fiscais ou ligadas ao negócio quase triplicou, passando de 152 em 2014 para 415. Trata-se do maior volume de iniciativas já registrado desde que o relatório começou a ser elaborado em 2009 e pode indicar uma tendência das empresas de pulverizar seus recursos em projetos menos onerosos, mas com resultados importantes para os públicos beneficiados.
23% Não (7) 77% Sim (23)
Estratégias de Investimento Social Privado
Outro dado parece reforçar essa tendência: ainda que o aporte de recursos tenha diminuído, o número de empresas com estratégias implantadas de ISP cresceu de 71% para 77% no ano passado. Se considerarmos os dois últimos anos, o avanço foi ainda mais expressivo: em 2013 apenas 59% das empresas desenvolviam iniciativas sociais.
Isso indica que a área é cada vez mais relevante para o setor, mas sugere também que, em função da crise econômica, as empresas se viram na contingência de adotar novas estratégias para manter seus projetos.
Modalidades de Investimento
Social Privado
O presente relatório procurou identificar a atuação dos laboratórios no que diz respeito às três dimensões de ISP: com recursos próprios; com incentivos fiscais como a Lei Rouanet e as iniciativas ligadas ao negócio – aquelas que favoreceram direta ou indiretamente consumidores potenciais dos produtos da empresa. Em 2015, houve uma mudança significativa no padrão de atuação social adotado pelas empresas, com grande predominância e crescimento das ações ligadas ao negócio, que representaram 57% do total. Em 2014, essa modalidade de ISP foi a que menos atraiu a indústria e teve participação de apenas 25% no conjunto das ações. É possível também que em 2015 o cenário de retração econômica tenha influenciado a decisão da indústria de investir mais intensamente neste público, como uma tentativa de fidelizar antigos consumidores e aumentar a base de novos. Fazem parte desse conjunto iniciativas como campanhas de conscientização da população sobre temas de saúde e seminários, workshop ou palestras para pacientes.
Importante destacar, no entanto, que na categoria de investimento social ligado ao negócio a empresa não determina como a ação será realizada e os projetos não podem mencionar medicamentos e tampouco influenciar ou condicionar sua comercialização.
A análise das respostas mostra ainda que os projetos desenvolvidos com recursos próprios continuaram a mobilizar a indústria no ano passado e corresponderam a 30% do total de ações desenvolvidas. Porém, ao contrário do que ocorreu em 2014, não foram a principal modalidade adotada por elas.
A dimensão de ISP que apresentou maior queda foi a de projetos desenvolvidos com incentivos fiscais, que responderam por apenas 13% das iniciativas – menos da metade em relação ao ano anterior (30%).
Tipos de Investimento Social Privado
126 53
236
Número de projetos relacionados a ISP com recursos próprios Número de projetos relacionados a ISP via leis de incentivo fiscal
Número de projetos relacionados a ISP ligado ao negócio
40% Sim (12)
60% Não (18)
Indicadores para monitoramento dos projetos
A comparação entre os focos de ISP implementados em 2015 e 2014 imprime contornos ainda mais definidos ao modelo de atuação praticado pela indústria: no ano passado, o setor concentrou claramente seus investimentos sociais no core business e elegeu Saúde como o alvo preferencial da maioria das iniciativas em todas as modalidades pesquisadas.
O levantamento mostrou ainda que, no ano passado, apenas 40% das empresas participantes deste relatório contaram com indicadores para monitorar seus investimentos sociais. Não é uma área na qual o setor tem avançado. O dado não constou do relatório ano base 2014, mas as pesquisas anteriores mostraram que, em 2013, 34% das empresas possuíam indicadores e, em 2012 eles eram utilizados por 43% delas.
A prática de avaliação de projetos sociais é recente e ainda incipiente no Brasil, segundo conclusões do 13º Seminário de Avaliação Econômica de Projetos Sociais, promovido em agosto de 2016 pela Fundação Itaú Social, em parceria com o jornal Valor Econômico.
O encontro mostrou que as empresas que estão mais avançadas nesse processo possuem sistemas bem estruturados para monitorar e avaliar o impacto de seus projetos, tanto do ponto de vista social quanto econômico. Algumas criaram áreas específicas de produção de conhecimento e avaliação que, inclusive, subsidiam a escolha de novas ações.
Em geral, as avaliações mostram se a estratégia e o plano de ação estão corretos, ajudam a redefinir os projetos e ainda a corrigir rumos quando necessário. Apoiam também a definição das iniciativas que serão mantidas, ampliadas ou excluídas. Os especialistas que participaram do Seminário afirmam que, além de estimular maior eficiência nos programas, o
monitoramento pode promover redução de custos para os investidores.
Focos das ações 10% 13% 17% 17% 20% 20% 3% 13% 33% 10% 7% 20% 37% 47% Acessibilidade (3) Apoio à gestão do Terceiro Setor (4) Assistência social (10) Comunicações (3) Cultura e Artes (5)
Defesa dos direitos (2)
Desenvolvimento comunitário/de base (6) Educação (11) Esportes (4) Formação para o trabalho (6) Geração de trabalho e renda (6) Meio ambiente (5) Saúde (14) Outros (1)
Investimento Social Privado com
recursos próprios
Essa modalidade de ISP foi adotada por 66% das empresas pesquisadas. Para implementar as 126 ações que saíram do seu próprio caixa, elas investiram em torno de R$ 9,2 milhões – cerca de 50% menos do que destinaram em 2014.
Como já vinha ocorrendo em anos
anteriores, o setor concentrou sua atuação social em três áreas principais: saúde, que polarizou 47% das iniciativas, educação (37%) e assistência social (33%). Geração de trabalho e renda, formação para o trabalho e desenvolvimento comunitário/de base também foram alvos relevantes das ações, ainda que em menor proporção (20% cada).
34% Não (10) 66% Sim (19)
Em 2015, as ações financiadas pelo setor foram dirigidas maciçamente à comunidade – alvo de 63% das iniciativas. Em um longínquo segundo lugar (23% do total) vieram os projetos voltados a pacientes e, em terceiro, a profissionais de saúde e colaboradores (17% cada).
O levantamento mostra ainda que praticamente todas as faixas etárias da população foram beneficiadas pelos projetos bancados pela indústria, com discreta predominância de crianças de 7 a 12 anos e adolescentes de 13 a 17 anos.
Faixa etária beneficiada
50% 40% 37% 40% 47% 43% 33%
Bebês (até 1 ano) 11
Crianças (2 a 6 anos) 12
Crianças (7 a 12 anos) 15
Adolescentes (13 a 17 anos) 14
Jovens (18 a 25 anos) 12
Adultos (26 a 60 anos) 13
Idosos (acima de 60 anos) 10
Público beneficiado 3% 63% 0% 0% 0% 23% 17% 0% 17% 0% 7% Poder público (1) Pacientes (7) Colaboradores (5) Fornecedores (0) Distribuidores (0) Profissionais da saúde e relacionados (5) Saúde complementar (0) Estabelecimentos de saúde (2) Comunidade/ Sociedade (19) Imprensa (0) Profissionais do varejo (0)
Investimento Social Privado com
incentivo fiscal
Em 2015, 33% das empresas respondentes recorreram a incentivos fiscais para
implementar suas ações na área social, contra 41% no ano anterior. O setor está aquém dos resultados alcançados pelas empresas participantes do Censo Gife 2014: o levantamento realizado naquela entidade mostrou que 65% utilizam algum tipo de incentivo na sua prática social.
Curiosamente, ao responder o questionário para este relatório, as empresas
farmacêuticas revelaram que o número de projetos nesta modalidade de ISP cresceu 15%, totalizando 53 ações. Seguindo a mesma tendência, os investimentos aumentaram 14% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 7,7 milhões.
Ações voltadas à saúde foram o foco principal dos investimentos com incentivo social, alvo de 30% das iniciativas. O restante dos projetos foi pulverizado por nove outras áreas, entre as quais destacaram-se educação e cultura e artes na mesma proporção (17%).
67% Não (20) 33% Sim (10)
ISP com incentivo fiscal
Focos das ações
10% 13% 0% 17% 10% 3% 0% 0% 10% 0% 7% 3% 17% 30% Acessibilidade (3) Apoio à gestão do Terceiro Setor (0) Assistência social (3) Comunicações (0) Cultura e Artes (5)
Defesa dos direitos (2)
Desenvolvimento comunitário/de base (1) Educação (5) Esportes (4) Formação para o trabalho (3) Geração de trabalho e renda (1) Meio ambiente (0) Saúde (9) Outros (0)
Aqui também foi possível detectar uma mudança de paradigma em relação ao ano anterior, quando lideraram as iniciativas dirigidas à educação (25%). Já em 2015, saúde ocupou o primeiro lugar no ranking, alvo da atuação de 30% das empresas.
Assim como ocorreu com os projetos financiados com recursos próprios, as ações desenvolvidas com incentivos privilegiaram sobretudo a comunidade, que teve uma participação de 27% no conjunto das ações. Em seguida, vieram os pacientes, alvo de 17% dos projetos e, a partir daí outros públicos.
O levantamento apontou ainda que nesta dimensão de ISP a atuação das empresas se estendeu a todos os grupos etários da população e se concentrou na faixa compreendida entre 7 anos e 25 anos.
Público beneficiado 3% 27% 0% 3% 0% 17% 3% 0% 10% 7% 13% Poder público (1) Pacientes (5) Colaboradores (1) Fornecedores (0) Distribuidores (0) Profissionais da saúde e relacionados (3) Saúde complementar (2) Estabelecimentos de saúde (4) Comunidade/ Sociedade (8) Imprensa (1) Profissionais do varejo (0)
Faixa etária beneficiada
23% 10% 7% 27% 27% 20% 17%
Bebês (até 1 ano) 2
Crianças (2 a 6 anos) 3
Crianças (7 a 12 anos) 7
Adolescentes (13 a 17 anos) 8
Jovens (18 a 25 anos) 8
Adultos (26 a 60 anos) 6
Investimento Social Privado
ligado ao negócio
Esta modalidade de investimento social foi adotada por 60% das empresas
participantes em 2015 e a que mais cresceu em número de projetos, que saltaram de 38 no ano anterior para 236 no ano que passou. As ações ligadas ao negócio foram também as que demandaram maior investimento por parte do setor, totalizando um aporte de R$ 13,2 milhões – 7% acima do valor registrado em 2014. Para se ter uma ideia, a dotação de recursos para iniciativas ligadas ao
negócio foi 70% maior do que o montante destinado às ações com incentivos fiscais e 45% acima dos projetos que a indústria financiou com recursos próprios.
Saúde foi o principal foco de atuação das empresas no que diz respeito às ações sociais ligadas ao negócio. Esta foi a escolha feita por 43% das respondentes, que não chegaram a investir de maneira significa nas demais áreas.
40% Não (12)
60% Sim (18)
ISP ligado ao negócio
Focos das ações
7% 0% 3% 3% 7% 0% 3% 17% 17% 7% 10% 10% 10% 43% Acessibilidade (2) Apoio à gestão do Terceiro Setor (5) Assistência social (5) Comunicações (2) Cultura e Artes (1)
Defesa dos direitos (3)
Desenvolvimento comunitário/de base (3) Educação (3) Esportes (2) Formação para o trabalho (3) Geração de trabalho e renda (2) Meio ambiente (1) Saúde (13) Outros (1)
As iniciativas ligadas ao negócio se
concentraram em dois públicos principais e bem definidos: pacientes, que mobilizaram 43% das empresas, e a comunidade, foco de 40% delas. Profissionais de saúde surgem em terceiro lugar, com 27% das respostas.
As ações também permearam
praticamente todas as faixas etárias, mas é nítida a priorização de jovens adultos (18 a 25 anos), adultos (25 a 60 anos), e idosos acima de 60 anos. Esta, inclusive, foi a modalidade de ISP que mais atendeu aos seniores. Público beneficiado 3% 40% 0% 0% 3% 43% 3% 0% 27% 3% 7% Poder público (1) Pacientes (13) Colaboradores (1) Fornecedores (0) Distribuidores (0) Profissionais da saúde e relacionados (8) Saúde complementar (1) Estabelecimentos de saúde (2) Comunidade/ Sociedade (12) Imprensa (0) Profissionais do varejo (1)
Faixa etária beneficiada
20% 20% 17% 37% 23% 43% 40%
Bebês (até 1 ano) 5
Crianças (2 a 6 anos) 6
Crianças (7 a 12 anos) 6
Adolescentes (13 a 17 anos) 7
Jovens (18 a 25 anos) 11
Adultos (26 a 60 anos) 13
Voluntariado
Segundo dados do Censo Gife 2014, 85% das 113 empresas respondentes afirmaram possuir algum programa formal de
voluntariado. Esse indicador está bastante próximo dos resultados alcançados pela indústria farmacêutica em 2014, quando 82% das empresas participantes do Relatório Interfarma declararam oferecer programas de voluntariado aos colaboradores.
No levantamento de 2015, no entanto, houve uma retração nessas iniciativas, embora um expressivo contingente de 73% tenha mantido seus projetos nesta área no ano passado.
A diminuição no total de empresas com programas de voluntariado foi acompanhada de uma ligeira redução no número de voluntários. Ao todo, 5098 colaboradores dedicaram-se a esse tipo de atividade em 2015 – 6% a menos que no ano anterior.
Considerando-se que as empresas do setor empregavam 29.963 pessoas no ano passado, o total de voluntários ativos em 2015 representou 17% da força de trabalho do setor. Eles eram 20% do total em 2014. De acordo com a pesquisa global Corporate Volunteer (Voluntariado Corporativo), - realizada pela United Way em parceria com a London Business School, a Universidade da Georgia e envolvendo 52 empresas do Brasil, Austrália, Canadá, Índia e Estados Unidos -, 82,7% dos entrevistados consideram os programas de voluntariado positivos para a empresa.
As principais motivações para implementá-los, elencadas pelos coordenadores dos programas são: desenvolver uma relação com o entorno da empresa, oportunidade de relacionamento entre os funcionários, fazer conexão entre os valores da empresa e uma experiência concreta, mostrar os valores da empresa para a comunidade e impactar a base da pirâmide social.
27% Não (8) 73% Sim (22)
Doações
As iniciativas de investimentos sociais de 33% das empresas participantes do relatório incluíram também a doação de medicamentos e vacinas. Ao todo, essas atividades movimentaram ao redor de R$ 18 milhões – valor significativo, considerando-se que equivale a 60% de tudo o que o setor destinou para ações sociais.
No conjunto, os laboratórios reportaram a doação de aproximadamente 6 milhões de unidades desses produtos, que tiveram como principais destinatários ONGs e pessoas físicas.
50% Não (15) 50% Sim (15)
Doação para terceiros
Além de medicamentos e vacinas, 50% das respondentes fizeram doações de natureza variada para terceiros. Nesse tipo de ação, predominaram itens de higiene, materiais recicláveis e mobiliário.
67% Não (20) 33% Sim (10)
Empregabilidade
Em 2015, mais de 8,5 milhões de pessoas se encontravam sem trabalho no Brasil (PNAD/IBGE) e a taxa de rotatividade atingiu o patamar de 42,9%. Mesmo em meio a esse cenário crítico, a indústria farmacêutica conseguiu fechar o ano com um índice de turnover de apenas 18%. Importante lembrar que, de acordo com análises do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a indústria foi o setor mais afetado pela crise econômica. Ainda assim, na comparação com 2014, a rotatividade nos laboratórios farmacêuticos cresceu somente 4%.As 30 empresas participantes do relatório contavam no ano passado com 29.963 colaboradores, 1.868 estagiários e trainees, cerca de 500 menores aprendizes e ao redor de 2.300 pessoas terceirizadas. Ao longo de 2015 foram feitas 5.412 admissões e 5.381 demissões.
O levantamento mostrou que, para fidelizar sua força de trabalhado, as empresas fizeram grandes esforços de retenção e capacitação. Os investimentos em
programas de empregabilidade totalizaram R$ 42 milhões e cresceram ao redor de 200% em relação ao ano anterior (R$ 11 milhões). O número de projetos voltados à gestão dos colaboradores também subiu 12%, passando de 204 iniciativas para 228 no ano passado.
A capacitação de
colaboradores foi
uma prioridade para a
indústria farmacêutica,
que implementou 367
mil horas de treinamento
presenciais e à distância.
45% Mulheres
(13.358)
55% Homens
(16.605)
Funcionários por gênero
Ao detalhar como essa atuação se deu, as empresas revelaram que a realização de treinamentos – presenciais e à distância – foi uma prioridade para a indústria, que viabilizou para os funcionários 367 mil horas de capacitação – mais que o dobro da carga horária cumprida em 2014. Para dar conta dessa tarefa e treinar 18.781 pessoas no ano passado, elas investiram cerca de R$ 16 milhões.
Funcionários por gênero e idade
No Brasil, há mais mulheres (52,3%) do que homens com idade para trabalhar, mas eles têm maior participação no mercado, segundo o IBGE. Em agosto de 2016, entre as pessoas acima de 16 anos ocupadas, cerca de 54 milhões (57%) eram homens e 40 milhões (43%) mulheres.Essa proporção é semelhante à detectada no levantamento realizado para elaboração deste relatório: 55% de homens (16.605 colaboradores) e 45% de mulheres (13.358 funcionárias) compunham a massa trabalhadora no setor farmacêutico no ano passado entre as 30 empresas respondentes.
A partir de uma perspectiva histórica, é interessante constatar que, em 2011, há apenas cinco anos, portanto, as mulheres ocupavam 35% das vagas, o que demonstra que as empresas vêm fazendo esforços
para equilibrar melhor a sua força de trabalho no que diz respeito ao gênero. Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), em situações de crise
econômica o índice de desemprego entre mulheres tende a ser mais acentuado que entre homens. Em 2015, a disparidade de gênero na taxa de emprego no mundo atingiu 25,5 pontos percentuais em prejuízo das mulheres.
Os dados do IBGE de 2015 também confirmam, embora em menor proporção, que as mulheres fecharam o ano como o segmento mais afetado pelo aumento do desemprego no Brasil. No terceiro trimestre, elas representavam 51,2% da população desempregada.
Essa tendência, no entanto, não se refletiu na indústria farmacêutica, que manteve no ano passado a mesma proporção de funcionários por gênero detectada em 2014.
Em relação à distribuição etária dos colaboradores, pouco menos da metade (43%) possui entre 30 e 39 anos, sendo que 27% se situam na faixa imediatamente posterior, de 40 a 49 anos. Na comparação com 2014, o contingente compreendido entre as duas faixas cresceu de 65% para 70% do conjunto de funcionários. Aumentou também de 9% para 12% o percentual de funcionários com mais de 50 anos. Como o número de admissões e demissões foi pequeno de um ano para outro, é possível que essas alterações estejam mais ligadas ao envelhecimento do que à rotatividade dos trabalhadores.
Na direção oposta, diminuíram os ocupantes de postos de trabalho com menos de 30 anos, que eram 26% do total em 2014 e passaram a 18% no ano passado. Essa tendência está em sintonia com o que o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) identificou em outubro do ano passado na população: os jovens foram os mais castigados pelo aumento do desemprego no País.
Funcionários por faixa etária
40 a 49 anos 27% (8.203) 4.546 Homens 3.657 Mulheres Mais de 50 anos 12% (3.447) 1.537 Homens : 1.910 Mulheres 16 a 19 anos 1% (199) 110 Homens : 89 Mulheres 20 a 29 anos 17% (5.192) 2.877 Homens : 2.315 Mulheres 30 a 39 anos 43% (12.922) 7.161 Homens : 5.761 Mulheres
18% Líderes
(2.407) Total
13.358 Mulheres
Mulheres em posição de liderança
17% Não (5) 83% Sim (25)
Programas de diversidade
Gênero e liderança
O número bruto de mulheres em posição de liderança cresceu 9% no último ano, passando de 2.209 colaboradoras para 2407. Porém, se consideramos o conjunto de trabalhadores no setor, o percentual de ocupantes femininas dos postos mais altos das empresas se manteve em 18% - o mesmo índice alcançado em 2014.
Os resultados indicam que ainda há um longo caminho a percorrer pelo setor – assim como pelo próprio Brasil – para reduzir a desigualdade de gêneros nas empresas. Um estudo sobre o perfil social, racial e de gênero nas empresas brasileiras divulgado em junho de 2016 pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo Instituto Ethos revelou que, em cargos de gerência, a proporção de homens é quase o dobro que a de mulheres (68,7% comparados com 31,3%).
A tendência se intensifica à medida que os cargos se tornam mais altos. No quadro executivo, a predominância de homens é seis vezes maior que a de mulheres (86,4%
comparados com 13,6%) e, nos conselhos de administração, é oito vezes maior (89% comparados com 11%).
Diversidade e inclusão
Em relação ao quesito diversidade e inclusão as empresas farmacêuticas
registraram grande avanço no ano passado e mostraram que a gestão dessa área vem se aperfeiçoando progressivamente nos últimos anos. Em 2015, 83% disseram manter programas de diversidade – eram 75% em 2014 e apenas 41% em 2013.
Os projetos incluem ações que visam prioritariamente estimular a igualdade de gêneros, a tolerância religiosa, étnica, física e em relação à orientação sexual. Entre as iniciativas estão a promoção de debates nas empresas e, em muitas delas, a adoção de uma semana dedicada especificamente à conscientização dos colaboradores. Em 2015, os laboratórios empregaram 835 portadores de necessidades especiais – 15% a mais que no ano anterior. Desse total, 24 ocuparam postos de liderança.
Benefícios para colaboradores
Em 2015, as empresas mantiveram os principais benefícios já concedidos a colaboradores nos anos anteriores. Contudo, dois grupos de iniciativas cresceram em relação a 2014: as ações relativas ao desenvolvimento de planos de carreira, que passaram de 75% para 80%, e os programas de qualidade de vida, que cresceram de 93% para 97%.Os elevados indicadores em todas as modalidades reafirmam o foco das empresas na retenção e desenvolvimento de seus talentos e na oferta de benefícios para melhorar sua qualidade de vida e tornar mais agradável o ambiente de trabalho. Fazem parte desse grupo de iniciativas flexibilidade de horário, formação de grupos de corrida, academia, orientação nutricional, ginástica laboral, entre outros.
Benefícios para colaboradores
90% 80% 97% 80% 93% Previdência complementar Plano de carreira Programa de segurança e saúde Programas de qualidade de vida Programas de treinamento Comparativo com anos anteriores
75% Sim 41% Sim 25% Não 59% Não
2014
2013
97% Sim (28) 3% Não (1)
Iniciativas de combate à corrupção
Os resultados do
levantamento refletem
o empenho do setor em
combater a corrupção,
aperfeiçoar processos
éticos e reduzir
vulnerabilidades.
Ética e transparência
Em 2015, dois fatos marcaramprofundamente a vida do País no que diz respeito à Ética: a Operação Lava-Jato – a maior investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro já ocorrida no Brasil – e a regulamentação da Lei Anticorrupção, que prevê a responsabilização de empresas que praticarem atos lesivos contra a
administração pública nacional ou estrangeira.
Além de ocupar o noticiário ao longo de todo o ano que passou, e para além dele, a Operação Lava-Jato e a regulamentação da lei produziram impactos importantes no cotidiano da indústria farmacêutica e no seu relacionamento com stakeholders, que serão objeto de análise neste
capítulo: pacientes, ONGs, colaboradores, fornecedores, distribuidores, profissionais do varejo, profissionais de saúde,
instituições pagadoras, imprensa e Governo.
Os resultados obtidos no levantamento junto aos laboratórios refletem a
preocupação do setor com o combate à corrupção e seu empenho para aperfeiçoar seus processos relativos à ética e
transparência e reduzir vulnerabilidades.
Entre as empresas respondentes, 97% disseram ter adotado iniciativas de combate à corrupção, como extorsão e pagamento de propina. Elas resultaram na implementação de 127 projetos, que demandaram um investimento de R$ 951.047,87 no ano passado.
Código de Ética/Conduta
Além de cumprir o Código de Conduta da Interfarma – compromisso que assumem ao se filiar à entidade – 97% das empresas participantes possuíam Código de Ética próprio no ano passado. Eram 93% em 2014.
O relato dos laboratórios revela que muitas tomaram a iniciativa de rever, aperfeiçoar e ampliar o escopo de suas iniciativas, para contemplar, por exemplo, temas como a participação em mídias sociais e na vida política e associativa.
Campanhas de treinamento anticorrupção com vários públicos, adoção de sistemas mais rigorosos de avaliação também se somaram ao leque de ações desenvolvidas.
O treinamento de colaboradores para alinhamento com os princípios éticos da empresa foi uma estratégia intensificada no ano passado e adotada por 97% das participantes, um crescimento de 10% na comparação com 2014. O esforço de capacitação envolveu 20.724 funcionários – o equivalente a 70% da força total de trabalho empregada pelo setor no ano passado.
97% Sim (29) 3% Não (1)
Código de Ética/Conduta próprio
97% Sim (28) 3% Não (1)
Pacto Global da ONU
Depois de ter crescido quase 70% em 2014, a adesão da indústria do setor ao Pacto Global da ONU foi uma das áreas que retrocederam no ano passado. Entre as empresas participantes, 43% declararam ser signatárias do pacto – eram 52% no ano anterior.
O Pacto Global é uma iniciativa de adesão voluntária das empresas, criada com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores fundamentais e internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção, refletidos em 10 princípios.
Relatório de Sustentabilidade ou
Social
Cada organização, seja uma corporação global, um órgão governamental, uma pequena empresa, uma grande empresa ou uma organização não governamental (ONG), cria impactos que atingem muito além de seu entorno imediato ou seus colaboradores e clientes mais próximos. Segundo o GRI (Global Reporting Initiative), a elaboração de relatórios de sustentabilidade é a melhor maneira de compreender e medir a extensão desses impactos.
Os relatórios possibilitam também o desenvolvimento de uma estratégia de gestão voltada para o futuro, onde são levados em conta não somente o âmbito financeiro, mas também o econômico, social e ambiental.
Entre as empresas participantes deste relatório, 28% publicam regularmente relatórios de sustentabilidade no Brasil. O indicador diminuiu ligeiramente em relação a 2014, quando 32% das companhias declararam reportar seus dados localmente, e voltou ao patamar de 2013. Uma possível explicação para o pequeno número de empresas com publicação local talvez seja o fato de enviarem seus dados para a matriz, para serem divulgados globalmente.
57% Não (16) 43% Sim (12)