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TERMO DE CONSENTIMENTO INFORMADO (TCI)

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Academic year: 2021

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

TERMO DE CONSENTIMENTO INFORMADO (TCI)

AULA 10

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

1. Conceito de “Termo de Consentimento

Informado”

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

2. Características do Termo de Consentimento Informado

a) Escrito

b) Compreensível c) Informativo

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

d) Não pode haver vício de consentimento

d.1 - Simulação d.2 - Erro

d.3 - Coação

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1. SIMULAÇÃO

É a falsa declaração da vontade, visando a produzir efeitos diversos do realmente desejado.

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2. Erro

O paciente não tem noção exata da realidade, ou seja, não entende exatamente do tratamento, visto que se soubesse, não o autorizaria. Trata-se de erro substancial (art. 138 do CC), portanto o torna anulável.

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3. Intimidação ou coação

É qualquer pressão física ou moral exercida sobre a pessoa, os bens ou a honra de um contratente para obrigá-lo ou induzi-lo a efetivar um negócio jurídico. No caso do direito médico, é a intimidação ou coação para o tratamento de saúde.

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

ATENÇÃO:

O paciente não pode assinar o termo de consentimento informado sob pressão ou coerção. A liberdade de decisão do paciente é uma das características essenciais do consentimento dado ao profissional da saúde a fim de se submeter ao tratamento.

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

A ética médica exige do médico a obtenção do paciente o consentimento informado antes de realizar o procedimento.

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

Precisam ser considerados aspectos religiosos, valores culturais, valores éticos e o estado físico e mental do paciente.

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Princípio da Autonomia – Resolução CNS n. 466/12

Todo indivíduo tem por consagrado o direito de ser autor do seu próprio destino e de optar pelo caminho que quer dar à sua vida.

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“O respeito pela autonomia das pessoas como agentes morais capazes de decisões informadas é central no diálogo bioético. Somente a permissão outorgada por uma pessoa pode legitimar uma ação que a envolva.” (LOLAS, Fernando. Bioética: o que é, como se faz. __. São Paulo : Loyola, 2005, p. 63.

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“O consentimento presumido é discutível. Se o paciente não pode falar por si ou é incapaz de entender o ato que se vai executar, estará o médico obrigado a conseguir o consentimento de seus responsáveis legais (consentimento substituto). Deverá saber também o que é representante legal, pois nem toda espécie de parentesco qualifica um indivíduo como tal. (FRANÇA, Genival Veloso de. Direito Médico. 12. ed. rev., e atual. e ampl. Rio de Janeiro : Forense, 2014, p. 23.

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

Regra Geral do Termos de Consentimento Informado (TCI)

O consentimento informado possui um direito fundamental do paciente que, no campo do direito privado, apresenta-se como um direito da personalidade. Portanto, não pode o profissional da saúde, sobretudo o médico, subtrair esse direito do paciente.

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

ATENÇÃO:

O médico só poderá atuar sem que o paciente ou seu representante legal tenha expressado sua concordância com o tratamento somente em circunstâncias verdadeiramente excepcionais. Exemplos:

a) Tratamento compulsório

b) Transferência ao médico do poder de decidir.

c) Estado de absoluta emergência.

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

Case

Maria perdeu a visão e, por isso consultou vários médicos que disseram não haver recuperação. Passou a ser tratada pelo Dr. João da Silva que lhe deu novas esperanças, convencendo-a a realizar outra cirurgia que, todavia, não foi realizada por ele, conforme combinado, porque não tinha especialidade. Indicou o Dr. Silva Santos para realizar a cirurgia. Entretanto, a visão da autora não foi recuperada, tendo sido liberada do tratamento pelo Dr. João da Silva. Saliente-se que não houve erro médico e que Maria teve de vender sua casa e seu veículo para custear a cirurgia. Pagou pelo tratamento o valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais).

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ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS

1. Aspectos éticos

Principle one: “The voluntary consent of the human subject is a absolutely essential.” (Código de Nuremberg)

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

O dever de informar encontra ainda ressonância nos princípios de respeito à dignidade da pessoa humana. Além disso, a Declaração Universal sobre o Genoma Humano e os Direitos Humanos aprovaram a seguinte disposição:

“Uma intervenção no campo da saúde só pode ser realizada depois de a pessoa ter dado seu consentimento livre e informado para tal. Essa pessoa deve, antecipadamente, receber informações apropriadas, acerca do propósito e natureza da intervenção, bem como de seus riscos.

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

ANÁLISE DOS ASPECTOS LEGAIS

1. Constituição Federal 2. Código Civil

3. Código de Defesa do Consumidor 4. Leis esparsas

5. Resoluções do CFM

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Art. 1º da Constituição Federal:

“A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

III - a dignidade da pessoa humana.”

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

Artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.

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Artigo 15 do Código Civil

Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica.

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Art. 6º do Código de Defesa do Consumidor

São direitos básicos do consumidor:

III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem.

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Princípio da autonomia

“A autonomia confere ao sujeito a possibilidade de tomar as decisões que atendam melhor a seus próprios interesses, conduzindo sua vida com

liberdade e em harmonia com seus anseios e objetivos, segundo o que melhor lhe aprouver, tornando-se o elaborador das normas que regularão sua vida e o autor de seus próprio destino. A autonomia deriva de um princípio consagrado no caput do art. 5º da Constituição Federal de 1988, que é o da liberdade. Assim, é que só se pode falar em autonomia se houver liberdade. Bioética e direitos

fundamentais. Débora Gozzo e Wilson Ricardo Ligiera. Organizadores. Saraiva.

2012.

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CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA

Artigo 22 do Código de Ética Médica Artigo 31 do Código de Ética Médica Artigo 75 do Código de Ética Médica

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Art. 22 da Resolução CFM n. 1.931 de 17 de setembro de 2009:

“É vedado ao médico: Deixar de obter consentimento do paciente ou de seu representante leal após esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado, salvo em caso de risco iminente de morte.”

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

Art. 31 da Resolução CFM n. 1.931 de 17 de setembro de 2009:

“É vedado ao médico: Desrespeitar o direito do paciente ou de seu representante legal de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente risco de morte.

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Art. 75 da Resolução CFM n. 1.931 de 17 de setembro de 2009:

“É vedado ao médico: Fazer referências a casos clínicos identificáveis, exibir pacientes ou seus retratos em anúncios profissionais ou na divulgação de assuntos médicos, em meios de comunicação em geral, mesmo com autorização do paciente.”

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RESPONSABILIDADE CIVIL. Hospital. Santa Casa.

Consentimento informado. A Santa Casa, apesar de ser instituição sem fins lucrativos, responde solidariamente pelo erro do seu médico, que deixa de cumprir com a obrigação de obter consentimento informado a respeito de cirurgia de risco, da qual resultou a perda da visão da paciente. Recurso não conhecido. REsp 467878 / RJ RECURSO ESPECIAL 2002/0127403-7

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RESPONSABILIDADE CIVIL. Médico. Consentimento informado. A despreocupação do facultativo em obter do paciente seu consentimento informado pode significar - nos casos mais graves - negligência no exercício profissional. As exigências do princípio do consentimento informado devem ser atendidas com maior zelo na medida em que aumenta o risco, ou o dano. Recurso conhecido. REsp 436827 / SP – RECURSO ESPECIAL 2002/0025859-5

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

O médico não entregou o TCI à paciente. Realizou a cirurgia. Não houve erro médico, no entanto, é possível propor ação judicial a fim de obter indenização pela ausência do documento informativo?

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

Indenização. Danos materiais decorrentes de intervenção cirúrgica.

Ausência de demonstração de culpa do médico em relação às sequelas sofridas pelo paciente. Responsabilização, entretanto, pela falta de adequada cientificação do operado, quanto aos efetivos riscos do procedimento operatório. Teoria do consentimento informado. Dever de indenizar. Sentença de parcial procedência mantida. Recurso desprovido. (Ap. 2221-23.2003.8.26.0000, rel. De Santi Ribeiro, 1ª Câmara de Direito Privado, j. em 4-11-2008).

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

Responsabilidade civil. Erro médico. Inocorrência.Caso em que o procedimento cirúrgico se mostrou adequado. Hipótese, no entanto, em que o médico deixou de avisar o paciente e seus pais de que seria operado o outro olho. Pânico. Cirurgia que merece ser indenizada. Recurso do hospital provido, e recurso do autor e do réu improvidos. (Ap. 9159445-28.2005.8.26.0000), rel. Des. José Luiz Gavião de Almeida, 9ª Câmara de Direito Privado, j. em 3-6- 2008).

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PROF. JOSEVAL MARTINS VIANA

Deferimento de dano material no valor estimado do transplante de córneas e dano moral não por erro médico culposo ou obrigação de resultado, mas por decorrência possível de procedimento médico sem esclarecimento ao paciente para sopesar o risco e capacidade de consentir de forma plena, omissão de dever médico – Recurso provido em parte parte, para julgar procedente, em parte, a ação. (TJ-SP, APC 497193-4/5, Relator Desembargador César Augusto Fernandes, j. 16.04.2008).

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Direito Processual Civil

Andamento processual das ações referentes ao dano moral/material por erro médico desde a distribuição da petição inicial até a contestação.

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1. Conceito de petição inicial 2. Requisitos da petição inicial

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Indeferimento da petição inicial – Artigo 330 do CPC 1. Petição inicial inepta

2. Parte ilegítima

3. Carência processual (autor)

4. Ausência de pedido ou causa de pedir

5. Da narração dos fatos, não decorre a conclusão

Referências

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