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NOSSOS PATRONOS JOÃO DA COSTA FALCÃO

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Academic year: 2021

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NOSSOS PATRONOS

JOÃO DA COSTA FALCÃO

João da Costa Falcão, filho do usineiro João Marinho Falcão e de Adnil da Costa Falcão, nasceu em Feira de Santana (BA) no dia 24 de novembro de 1919 e faleceu em Salvador em 27/07/2011 no Hospital Português. Fez o curso primário na sua cidade natal, e o ginásio em Salvador na década de 1930. Em 1938, ingressou na Faculdade de Direito e fundou a revista antifascista Seiva, que dirigiu até 1943, quando ela foi fechada pelo governo de Getúlio Vargas. Em 1938, começou sua militância no Partido Comunista do Brasil (PCdoB), na clandestinidade, que se opunha à ditadura do Estado Novo, implantada no país em novembro de 1937.

Em dezembro de 1942, formou-se em Direito. No mesmo ano exilou-se temporariamente na Argentina, retornando ainda em 1942 ao Brasil, pois fora convocado para servir o Exército Brasileiro em consequência da entrada do país na Segunda Guerra Mundial. Em seguida, em 1943, foi convocado como soldado para servir ao Exército Brasileiro, em razão do Brasil ter declarado guerra aos países do Eixo, constituído pela Alemanha, Itália e Japão e ter se colocado ao lado dos Aliados, bloco constituído pela

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Inglaterra, Estados Unidos da América e a União Soviética. Esta experiência durou pouco tempo, porque, em consequência de suas atividades comunistas, foi condenado, neste mesmo ano, a cinco anos de prisão pelo Tribunal de Segurança Nacional, foi expulso do Exercito e preso, até seus advogados conseguirem sua absolvição perante aquele Tribunal, meses depois. Em 1945, fundou o matutino comunista “O Momento”.

Com o fim do Estado Novo e a redemocratização do país em 1945, João Falcão candidatou-se à Câmara dos Deputados na legenda do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), não obtendo sucesso. João Falcão casou-se em 1947 com Hyldeth Ferreira com a qual teve sete filhos, vinte um netos e onze bisnetos. Em 1947, após o fechamento do PCdoB, passou a militar na clandestinidade, no Rio de Janeiro, como chefe do “aparelho” de Luís Carlos Prestes. De volta à Bahia em 1950, passou a exercer a profissão de advogado. No ano seguinte foi um dos fundadores da Imobiliária Antônio Ferreira de Sousa Ltda., empresa que atuava na área de construção de prédios próprios para venda no mercado imobiliário, atividade na qual se envolveu durante muitos anos. João Falcão se afastou do Partido Comunista em razão do Relatório Kruschev, que denunciava os crimes de Stalin.

Em outubro de 1954 elegeu-se suplente de deputado federal pela Bahia na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), ocupando uma cadeira na Câmara Federal de abril de 1955 a janeiro de 1956, no impedimento do titular, Eduardo Catalão, que assumira a Secretaria de Agricultura do governo Antônio Balbino e depois o Ministério da Agricultura durante a curta presidência de Nereu Ramos. No ano seguinte foi um dos fundadores da Comissão Econômica de Planejamento da Bahia, de cujo conselho curador seria integrante até 1962.

Em 1958 fundou o Jornal da Bahia, vespertino que fez oposição à ditadura militar que se instalou no Brasil a partir do golpe de estado de 1964, e ao político baiano Antônio Carlos Magalhães, que foi

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governador da Bahia de 1971 a 1975, de 1979 a 1983 e de 1981 a 1984. O Jornal da Bahia representou uma renovação no jornalismo baiano. Conseguiu agrupar jornalistas e intelectuais de grande talento e qualidade. O Jornal da Bahia é reconhecido por ter formado uma geração de novos jornalistas baianos entre eles Glauber Rocha, cineasta que fundou o Cinema Novo, e um time de primeira linha, que continua militando na imprensa baiana e nacional, entre os quais Moniz Sodré, Florisvaldo Matos, João Carlos Teixeira Gomes, Sebastião Nery, Samuel Celestino, Levy Vasconcelos, Newton Sobral, entre outros. Para tristeza dele e da Bahia, desapareceu no final da década de 1980. Ele esteve na direção deste jornal até 1984. O Jornal da Bahia foi uma das maiores paixões de João Falcão. Pelo jornal, ele enfrentou batalhas memoráveis. A maior delas, contra o então governador da Bahia, Antonio Carlos Magalhães, que se dedicou a fechar o jornal por não concordar com a linha de independência do jornal. A campanha “Essa chama não se apaga” ficou na história da Bahia, e conseguiu salvar o Jornal da Bahia por algum tempo.

Em 1960 fundou o Banco Baiano da Produção S.A., que mais tarde, após a fusão com dois outros bancos, passou a ser denominado Banco da Produção S.A., com uma rede de agências de Manaus a São Paulo. João Falcão ocupaou sua presidência até 1971. Foi também um dos fundadores, em 1967, do Banco de Desenvolvimento do Estado da Bahia, exercendo a presidência da instituição entre 1968 e 1970, no governo de Luís Viana Filho (1967-1971). Em 1977 deu prosseguimento à sua atividade no mercado imobiliário fundando a Empreendimentos Imobiliários Ltda., depois transformada em João Falcão Urbanizadora Ltda., da qual se tornou diretor. Foi também membro do conselho consultivo da Usina Siderúrgica da Bahia (Usiba), integrou a Associação Baiana de Imprensa e a Associação dos Bancos da Bahia. Presidiu o Museu Regional do Couro de Feira de Santana. Tornou-se sócio da Associação Baiana de Imprensa e da Associação Brasileira de Imprensa.

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Além de jornalista, João Falcão era escritor. No final de 2010 ingressou na Academia de Letras da Bahia. Dando início à sua vitoriosa carreira de escritor, publicou em 1988 seu prestigioso livro inaugural, O Partido Comunista que eu conheci -20 anos de

clandestinidade, referência e fonte de consulta obrigatória para

quem queira se debruçar sobre os conflitos ideológicos no Brasil do Século XX. Falcão era idealista. Comunista ligado a Luís Carlos Prestes, João Falcão serviu até mesmo como seu motorista, como o próprio conta em livro. Em 1993, João Falcão publica duas biografias: A Vida de João Marinho Falcão e Giocondo Dias –

Vida de um Revolucionário. O primeiro, para celebrar, a 13 de maio

de 1993, o centenário do seu pai, o velho Coronel João Marinho, representante máximo da elite de nosso patriciado rural. O segundo, para expressar a grande admiração que nutria pelo homem e pelo revolucionário Giocondo Dias.

Publicou, também, O Brasil e a Segunda Guerra Mundial em 1999, que se trata de notável obra de nossa historiografia, referência e fonte de consulta obrigatória para quem queira se debruçar sobre os conflitos ideológicos no Brasil do Século XX e

A dona da história em 2004 em coautoria com Daniel Filho e João

Emanuel Carneiro. Em 2006, saiu o longamente esperado Não

Deixe Esta Chama Se Apagar – Historia do Jornal da Bahia,

resultado do propósito confessado do autor de registrar para a posteridade o inominável atentado praticado contra a liberdade de imprensa em nosso país. Em 2009, ao ensejo da celebração dos seus noventa anos, João Falcão traz à luz seu magnum opus, Valeu a

Pena – Desafios de minha vida, em que mostra a trajetória de sua

longa e valorosa existência em cada um dos diferentes domínios em que se desdobrou, desde a infância, em Feira de Santana, até a celebração dos seus noventa anos. Neste bem escrito livro de quase 1000 páginas, João Falcão passa a limpo, além do período escolar e dos vinte anos no Partido Comunista, os 47 anos de jornalismo, 60 como empresário, 50 como rotariano e 63 de vida conjugal. Aos 92 anos de idade, mas absolutamente lúcido e atuante, preparava mais uma obra, a biografia de Luís Carlos Prestes.

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João Falcão, embora não fosse nenhum milionário, pertencia a uma família com boas condições econômicas. Ele poderia pura e simplesmente ter desfrutado das benesses de sua condição econômica. No entanto, sempre se sacrificou em prol das melhores causas do povo brasileiro e da Bahia. Em 2010, ingressou, com justiça, na Academia Baiana de Letras, e foi saudado, com muita densidade, pelo escritor Joaci Góes. Morreu com 92 anos, após uma longa e proveitosa existência. João da Costa Falcão teve, sem dúvida, uma existência digna, altiva, que deixou marcas que não se apagarão jamais. Uma vida que valeu a pena, uma vida que deixou exemplos para as gerações futuras. Deixou de ser comunista sem nunca renegar os ideais de sua juventude e foi um grande rotariano que praticou o lema do Rotary ao “dar de si antes de pensar em si”

Referências

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