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Programa marco para la gestión sostenible. cuenca del Plata, relación con la variabilidad y el cambio climático

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CIC

Programa marco para la gestión sos-tenible de los recursos hídricos de la

cuenca del Plata,

relación con la variabilidad y el cam-bio climático

Programa marco para a gestão sus-tentável dos recursos hídricos da

ba-cia do rio da Prata, considerando os efeitos hidrológicos decorrentes da variabilidade e mudanças climáticas

Visão dos Recursos Hídricos da bacia do Rio da Prata

Visão regional

Volume I

Carlos E. M. Tucci

(3)

Prefácio

A bacia do rio da Prata representa um dos principais rios no mundo pelas suas dimen-sões e pelas características sócio-econômicas e ambientais. Os cinco países da bacia, Argenti-na, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai desde 1969 estabeleceram um mecanismo institucional de desenvolvimento desta bacia transfronteiriça, denominado CIC - Comitê Intergoverna-mental Coordenador dos Países da Bacia do rio da Prata. Estes quase 40 anos de convivência institucional e técnica passaram por diferentes fases, que refletem as dificuldades econômicas e sociais dos países.

Os resultados obtidos neste estudo fazem parte do programa de Gestão Sustentável da bacia do rio da Prata com financiamento do GEF Global Environmental Facility e gestão do OEA Organização dos Estados Americanos e PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A Visão para o desenvolvimento sustentável da Bacia e sua relação com os recursos hídricos é um dos primeiros resultados deste programa e contou com a ativa participação dos representantes dos países, que desenvolveram as visões nacionais integrando diagnóstico e propostas de ações identificadas nos workshops em cada país.

O resultado obtido do workshop internacional permitiu um importante consenso entre os países na busca de resultados de interesse comum, primeiro passo para o desenvolvimen-to de um programa de significativa importância para a região.

Buenos Aires, Julho de 2004

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Apresentação

O programa de Gestão Sustentável da bacia do rio da Prata está sendo desenvolvido em vários componentes. Um destes componentes é o denominado “Preparação da Visão para o desenvolvimento sustentável da Bacia e sua relação com os recursos hídricos”. Para desenvolvimen-to desta visão foram estabelecidos os objetivos e medesenvolvimen-todologias pelo grupo de representantes dos países na bacia.

Para elaboração do estudo foi contratado este consultor para preparar um termo de re-ferência para os países e o desenvolvimento de um documento final sobre o tema citado aci-ma. Para esta contratação foi preparado um termo de referência pela secretaria do programa em conjunto com a representação dos países. As atividades do consultor e nos países foram as seguintes:

1. Preparação de um termo de referência para os estudos e consultas nacionais; 2. Com base no termo de referência foram preparados relatórios nacionais para

dis-cussão;

3. O termo de referência especificou o workshop de cada país;

4. O relatório nacional de cada país foi concluído com base nas observações do work-shop nacional;

5. Com base na Visão de cada país foi produzido um documento regional da bacia do rio Prata pelo consultor;

6. O documento foi apresentado e discutido num workshop internacional regional re-alizado em Assunção do Paraguai de 20 a 21 de julho de 2004;

7. O relatório final foi produzido após a inclusão das recomendações e alterações do workshop regional e revisado pelos países.

O relatório da Visão dos Recursos Hídricos da bacia do rio da Prata é composto de seis volumes:

Volume I – Visão regional, que corresponde a este volume; Volume II – Visão de Recursos Hídricos de Argentina ; Volume III – Visão de Recursos Hídricos de Bolívia; Volume IV – Visão de Recursos Hídricos de Brasil; Volume V – Visão de Recursos Hídricos de Paraguai; Volume VI – Visão de Recursos Hídricos de Uruguai.

O texto da Visão Regional, volume I, apresenta figuras e parte dos textos dos relatórios dos países com o objetivo de sintetizar os elementos principais. Maiores detalhes podem ser obtidos dentro do volume de cada país. Este documento é uma consolidação dos relatórios nacionais elaborado pelos seguintes autores:

Argentina: Ana Mugetti, Percy Nugent, Rosa María Di Giácomo, Gustavo Cruzate, Ignacio

Enri-quez, César Magnani, Raquel Zabala, María Cristina Moyano, Oscar Natale, María Josefa Fioriti,

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Bolívia: Alberto Crespo Milliet

Brasil: Maria de Fátima Chagas Dias Coelho , Gumercindo Souza Lima e Miguel Petrelli Jr

Paraguai: Lucas Chamorro, Pedro Domaniczky, Jose Luís Avila, Enrique González Erico, Julián

Bá-ez, Miguel VázquBá-ez, Félix Carvallo, Walter Nieto, Nelly Morales de Jara, Miguel A. Santacruz, Olga Marecos, Roger Monte Domecq, Alberto Garcete e Elena Benitez.

Uruguai: José Luis Genta, Carlos Amorín, Fernando García Préchac, Roberto TorreAlejandro

Arce-lus, Lourdes Batista, Jorge Campanela, Christian Chreties, Daniel Costa, Ernesto Gonzá-lez Posse, Guillermo López, Walter Norbis, Cecilia Petraglia, Adriana Piperno, Pablo Si-erra, Alvaro Sordo

O texto segue os capítulos nos quais foram desenvolvidos os relatórios nacionais e não pretende reproduzir os mesmos que fazem parte da Visão, mas trazer para este volume os aspectos sintéticos e principais que consolidam esta visão.

A seguir é apresentado um resumo executivo que pretende relacionar os principais as-pectos de todo o texto, utilizado para uma leitura rápida sobre o seu conteúdo.

Porto Alegre, Agosto de 2004. Dr. Carlos E. M. Tucci

(6)

Sumário

1.Introdução ...25 1.1 Objetivos...25 1.2 Procedimentos adotados...26

2. Bases conceituais ... 27

2.1 Histórico ...27 2.2 Desenvolvimento sustentável ...28

2.3 Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos (IWRM) ...29

2.4 Metas do Millenium...31

2.5 Bacias transfronteiriças...33

2.6 Cooperação através do CIC na bacia do rio da Prata...34

2.7 Bases Conceituais da Visão da Bacia ...37

2.7.1 Condicionantes e princípios...37

2.7.2 Avaliação do cenário atual e futuros ...38

2.7.2 Ações para o desenvolvimento da bacia ...38

3. Bacia do rio da Prata ...41

3.1 Características físicas da bacia ...41

3.2 Principais aspectos dos recursos hídricos e do meio ambiente ...43

3.3 Características relacionadas com os Países ...44

3.3.1 Argentina ...44 3.3.2 Bolívia...47 3.3.3 Brasil ...48 3.3.4 Paraguai ...50 3.3.5 Uruguai ...50 3.4. Planos e Projetos...52 4. Aspectos Institucionais ...55 4.1 Legislação ...55 4.2 Gestão ...56 4.3 Sistemas de Informações ...58

4.4 Capacitação e Ciência e Tecnologia...59

4.5 Ações identificadas nos países ...60

5. Características ...64

5.1 Características físicas ...64

5.2 Ecossistemas ...68

5.2.1 Áreas Úmidas na Argentina, Paraguai e Bolívia...68

5.2.2 Biomas brasileiros...70 5.3 Biodiversidade aquática...72 5.3.1 Argentina ...72 5.3.2 Bolívia...75 5.3.3 Brasil ...76 5.3.3 Paraguai ...78 5.3.4 Uruguai ...79 5.4 Disponibilidade hídrica...80 5.5 Ações propostas ...83

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6. Sócio-Econômico...86 6.1 Indicadores sócio-econômicos...86 6.2 Produção...87 6.3 Infra-estrutura ...88 6.3.1 Água e Saneamento ...88 6.3.2 Agricultura ...89 6.3.3 Energia hidrelétrica ...91 6.3.4 Navegação...92 6.4 Ações...92 7. Usos da Água ...95

7.1 Principais Usos da água ...95

7.2 Usos da água no Brasil ...95

7.2.1 Disponibilidade e demanda ...95 7.2.2 Aproveitamentos hidrelétricos ...101 7.2.3 Navegação...101 7.2.4 Usos múltiplos...102 7.2.5 Aspectos Transfronteiriços ...102 7.2.6 Ações...104

7.3 Usos da água na Bolívia ...105

7.4 Usos da Água no Paraguai ...107

7.5 Usos da água na Argentina...109

7.5.1 usos da água ...109

7.5.2 Disponibilidade e demanda ...110

7.5.3 Energia...113

7.5.4 Navegação...114

7.5.5 Aspectos transfronteriços. ...114

7.5.6 Lista de ações sobre uso de água...115

7.6 Usos da água no Uruguai ...116

7.6.1 Principais usos da água...116

7.6.2 Energia e navegação ...118

7.6.3 Usos múltiplos...119

7.6.4 Aspectos transfronteiriços ...119

8. Impactos e Conservação Ambiental ...121

8.1 Brasil ...121

8.1.1 Impactos dos Usos da água ...121

8.1.2 Impactos devido ao uso do solo ...127

8.1.3 Biodiversidade e sustentabilidade de ecossistemas...131

8.1.4 Aspectos Transfronteiriços ...134

8.1.5 Lista de ações...135

8.2 Bolívia ...136

8.2.1 Impacto dos usos da água ...136

8.2.2 Impactos do uso do solo ...136

8.2.3. Biodiversidade e sustentabilidade dos ecossistemas...137

8.2.4. Aspectos transfronteiriços ...137

8.2.5. Ações recomendadas...138

8.3 Paraguai...138

8.3.1 Impactos dos usos da água...138

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8.4.1 Impactos dos usos da água...139

8.4.2 Impactos do uso do solo ...141

8.4.3 Biodiversidade e a sustentabilidade dos ecossistemas...141

8.4.4 Aspectos Transfronteiriços. ...145

8.5 Uruguai...147

8.5.1Impactos dos usos de águas ...147

8.5.2 Impactos do uso de solo...148

8.5.3 Biodiversidade e sustentabilidade do ecossistema ...149

8.5.4 Aspectos Transfronteiriços ...151

9. Impactos sobre a Sociedade ...152

9.1 Saúde...152

9.1.1 Características das doenças ...152

9.1.2 Incidências ...153

9.2 Inundações ...154

9.2.1 Inundações ribeirinhas...155

9.2.2 Inundações devido a urbanização...160

9.4 Estiagens...164

9.5 Lista de Ações...165

10. Vulnerabilidade a variabilidade climática e modificação climática...169

10.1 Relação entre as variáveis hidrológicas ...169

10.2 Uso do solo...170 10.3 Eventos extremos ...172 10.4 Variação climática ...174 10.5 Lista de ações ...178 11. Visão integrada ...179 11. 1 Síntese ...179 11.1.1 Alto Paraguai...179

11.1.2 Baixo e Médio Paraguai ...182

11.1.3 Alto rio Paraná ...183

11.1.4 Baixo e Médio Paraná...185

11.1.5 Alto e Médio Uruguai ...186

11.1.6 Baixo rio Uruguai...187

11.1.6 Rio da Prata ...189

11.1.7 Resumo dos aspectos hídricos ...190

11.2 Avaliação das Ações propostas nos workshops nacionais ...192

11.2.1 Argentina ...192

11.2.2 Bolívia...196

11.2.3 Brasil ...197

11.2.4 Paraguai ...202

11.2.5 Uruguai ...202

11.3 Síntese das ações e workshop internacional...205

11.4 Conclusão ...210

Anexo A: Glossário...215

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Sumário Executivo

A Visão dos Recursos Hídricos da bacia do rio da Prata se insere dentro de um pro-grama desenvolvido no âmbito do CIC Comitê Intergovernamental dos países da bacia do rio da Prata com financiamento do GEF Global Environmental Facilities, gerenciado pela OEA Organização dos Estados Americanos e PNUMA Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Este estudo tem a finalidade de apresentar uma visão que englobe dois elementos fun-damentais:

• a avaliação integrada dos principais aspectos que norteiam o desenvolvimento e a conservação dos recursos hídricos na bacia e;

• a proposta de ações que visem a melhoria da qualidade de vida da população e a conservação ambiental, dentro dos fundamentos do desenvolvimento susten-tável, tendo em conta a variabilidade climática.

Para o desenvolvimento desta visão foram preparados cinco relatórios nacionais (cinco países da bacia: Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai), que analisaram dentro da perspectiva nacional e transfronteiriças os dois aspectos acima definidos. Os documentos na-cionais passaram por avaliação dos setores de governo através de workshop onde foram consolidadas as principais propostas que foram examinadas pelo representante do país. Este documento é um resumo analítico do conjunto dos documentos nacionais dentro de uma perspectiva regional, considerando os fundamentos que norteiam as atividades numa bacia transfronteiriça, ou seja: cooperação, transferência de conhecimento e informação, uniformização dos padrões e o desenvolvimento de projetos cooperativos transfronteiriços.

DIAGNÓSTICO

Os resultados resumidos neste estudo mostraram que os principais problemas na bacia do rio da Prata podem ser organizados nos seguintes temas macros:

Institucionais: grande parte das dificuldades atuais são as indefinições e a fraqueza

institu-cional encontrada nos países onde se observa:

• limitações nas legislações existentes: falta de lei de recursos hídricos em alguns países e a necessidade de regulamentação em outros;

• dificuldades na gestão devido a instituições fracas, com pessoal reduzido que necessi-ta permanência, remuneração e capacinecessi-tação;

• sistemas de informações deficientes, limitado monitoramento de quantidade e quali-dade, acesso dificultado aos dados pelas entidades, falta de uma base universal de in-formações, análise e seleção qualificada das informações;

• quantidade e qualidade de profissionais qualificados, portanto uma forte necessidade de melhoria da capacitação e a falta de investimento permanentes em pesquisa volta-da para os reais problemas regionais.

Desenvolvimento urbano: O abastecimento de água segura para a população apresenta uma

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dos esgotos urbanos (doméstico, industrial e pluvial), faz com estes efluentes contaminem as fontes de água, tornando o referido abastecimento menos seguro, além da natural deteriori-zação dos ambientes urbanos. Estes problemas, adicionado das inundações produzem doen-ças que reduzem a qualidade de vida da população e produzem enormes impactos no ambi-ente. Nos países da bacia a proporção da população urbana é alta (> 70%) e está sujeita a es-tes fores-tes impactos. As duas maiores cidades da América do Sul, São Paulo e Buenos Aires encontram-se na bacia, a primeira na cabeceira do rio Paraná e a segunda no rio da Prata.

Este é um problema no qual as metas do millenium das Nações Unidas procuram atin-gir, pois visam reduzir as deficiências de abastecimento e saneamento em 50% até 2015. No entanto, não é um problema que possa ser resolvido rapidamente, pois exige uma estratégia integrada de longo prazo para atingir estas metas. Este projeto deve buscar estabelecer uma estratégia regional onde os investimentos devem ser convergentes no sentido de obter estas metas.

Agricultura : A região coberta pela bacia é um dos celeiros do mundo. Atualmente a soma da

produção brasileira e argentina de soja é a maior a nível mundial. Existe uma forte pressão de aumento da área plantada com forte pressão sobre os recursos naturais. É importante que a região não exporte subsídios ambientais, ou seja em detrimento de maiores vendas com-prometa seus recursos naturais com custos para toda a sociedade. Neste sentido é necessário avaliar os impactos principais identificados: sobre a erosão do solo e perda de superfície fér-til e os compostos químicos associados que vão parar nos sistemas hídricos comprometendo a fauna e flora dos ambientes da bacia. Da mesma forma é necessário melhor entender a va-riabilidade climática de longo prazo para apoiar com previsão e predição o investimento nas áreas agrícolas, minimizando seus riscos.

Transporte e Energia: Um dos principais usos da água na bacia é a navegação no sistema

Pa-raná- Paraguai e parte do Uruguai. Este sistema de transporte que fez parte da colonização européia, foi o principal meio de transporte e apresenta significativos ganhos de escala de carga. Com a maior integração econômica este meio transporte deve aumentar, até porque com o aumento significativo da produção agrícola dos últimos anos, este transporte é uma alternativa para desafogar o sistema de transporte regional ainda muito dependente do transporte rodoviário. Persistem conflitos, principalmente quanto ao trecho do rio Paraguai no Pantanal, onde existem potenciais riscos ao meio ambiente.

As últimas décadas tem sido benéficas para a produção de energia na região, pois os úl-timos trinta anos as vazões foram maiores que as previstas, permitindo que as Usinas geras-sem energia acima do previsto (cerca de 30% de aumento de vazão). A principal questão que se coloca é se este ganho se manterá no futuro. Este ganho foi absorvido pelo sistema e a va-riabilidade de longo prazo pode comprometer a energia dos países se a disponibilidade hí-drica anterior aos anos 70 retornarem. Uma das fragilidades do sistema de energia baseado fortemente em hidrelétricas é a variabilidade climática. Países como Brasil, Paraguai e Uru-guai possuem esta baixa diversificação energética.

A segurança de grandes barragens, como nos rios Paraná e Uruguai, é um dos aspectos que necessitam um planejamento integrado entre os países visando à minimização de poten-ciais impactos.

Recursos Aquáticos Vivos e Aqüicultura: A biodiversidade regional é rica considerando os

diferentes ecossistemas da bacia. As obras hidráulicas ao longo dos principais rios produzi-ram importantes alterações nos corredores biológicos e na diversidade aquática. A produção pesqueira é limitada a determinadas regiões e tem características mais artesanais.

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ú-Uruguai. Estes sistemas com as sua biodiversidade exigem cuidados permanentes quanto aos impactos potenciais e existentes para conservação e preservação dos condicionantes atu-ais. A realidade mostrou que estes sistemas na sua totalidade são poucos conhecidos, da mesma forma que o acompanhamento do seu comportamento é fundamental para prevenir impactos conhecidos e desconhecidos sobre os mesmos.

Inundação: a inundação é tão antiga como o homem na terra. Nas áreas ribeirinhas é um

processo natural, mas nas últimas décadas devido a forte urbanização dos países da bacia produziu áreas impermeabilizadas associadas a canalizações que produziram um novo tipo de inundação, pois esta alteração no uso do solo produz aumento do escoamento de cheia e da sua freqüência para as mesmas precipitações. O controle deste conjunto de impacto de-pende essencial de uma gestão adequada do espaço urbano e rural.

Variabilidade climática e os impactos: observaram-se impactos importantes para a

socieda-de socieda-devido à variabilidasocieda-de socieda-de longo prazo das condições climáticas, com resultados benéficos e danosos. Os resultados positivos foram o aumento da geração de energia e a produção de energia, enquanto que os impactos desfavoráveis foram o aumento da erosão do solo e das inundações.

Ainda existe pouca preocupação e conhecimento sobre o assunto a nível regional, por-tanto é necessário maior divulgação e entendimento dos impactos para as futuras gerações.

Estes macro-temas ocorrem de forma distribuída sobre a bacia, exigindo ações também distribuídas espacialmente sobre as fontes dos impactos, dentro de uma visão de sociedade e de recursos naturais. Foram destacados em cada sub-bacia do rio da Prata a caracterização destes problemas através de uma sub-divisão arbitrária que se baseou na combinação de cracterísticas naturais, usos dos solos e dos recursos hídricos. Esta análise foi realizada de a-cordo com o seguinte (figura 1):

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Alto Paraguai (AP): a bacia do rio Paraguai até a seção a jusante da entrada do rio Apa. Bacia que tem dois grandes ambientes, Planalto e Pantanal, o primeiro alimenta o se-gundo com recursos hídricos e o sese-gundo representa a principal área de biodiversidade da bacia hidrográfica que necessita de um planejamento sustentado;

Baixo e Médio Paraguai (BP e MP): delimitado pela seção até a confluência com o rio Paraná. Regiões semelhantes ao Pantanal como Chaco, que recebe recursos hídricos de montante inundando suas margens, mas possui balanço hídrico vertical fortemente negativo. Na margem direita dois importantes afluentes, Bermejo e Pilcomayo apresen-tam fortes impactos ambientais naturais e antrópicos devido aos sedimentos, ocupação urbana e mineração na Bolívia. Ao longo do rio Paraguai, cidades como Assunção so-frem freqüentes inundações do Paraguai e também devido a urbanização recente; Alto Paraná (AR): O alto Paraná definido aqui como o rio Paraná até a seção a jusante da entrada do rio Iguaçu, possui grande variabilidade de impactos antrópicos: grandes cidades à montante como São Paulo, Brasília, Curitiba, Campinas, entre outras; altera-ção do solo por desmatamento e uso agrícola com erosão em praticamente toda a bacia; grande número de hidrelétricas praticamente alterando todos os principais cursos de água. Inundações ribeirinhas e devido a urbanização em praticamente todas as cidades acima de 50 mil habitantes na região. O balanço hídrico é fortemente positivo e nos úl-timos anos a produção agrícola em função do clima favorável tem sido muito alta. Baixo e Médio Paraná (BR, MR): esta região é delimitada pela seção a jusante de Itaipu até a confluência do rio Paraná com o Uruguai. As características principais desta regi-ão da bacia do rio da Prata sregi-ão as grandes planícies de inundaçregi-ão em funçregi-ão do extra-vasamento do rio Paraná, várias áreas de preservação com grande biodiversidade como os Esteros del Iberá, navegação, produção de energia (trecho médio), impacto do uso do solo em algumas sub-bacias e contaminação de cloacal próximo as grandes cidades e a modificação de habitats e comunidades ocasionada pela área urbana desde Rosário para o Sul.

Alto Uruguai (AU): O alto Uruguai é considerada a bacia das cabeceiras até a seção de Garabi no próprio rio Uruguai, quando a bacia passa de uma cobertura do derrame ba-sáltico, representado pelo Planalto do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, para os Campos Sulinos onde predomina baixas declividades, mudança do tipo de solo e uso agrícola, que na parte superior predomina culturas como milho, soja e trigo, enquanto que no trecho inferior predomina arroz por inundação. Neste trecho existe alto potenci-al hidrelétrico e até o momento o número de Usinas de maior porte são três (Machadi-nho, Ita e Passo Fundo). Nesta bacia existem importantes impactos de produção de a-nimais para abate (aves e suínos), resultando em contaminação difusa.

Baixo Uruguai (BU): representado pelo rio Uruguai até a sua confluência com o rio Pa-raná. Neste trecho os aspectos importantes são os potenciais conflitos pelo uso da água entre o uso para irrigação de arroz, abastecimento das cidades e a conservação hídrica dos rios. Existem, principalmente no Brasil um grande número de barragens de irriga-ção que retiram todo o volume de águas destas sub-bacias para a irrigairriga-ção de arroz, com uso ineficiente. Na Argentina a irrigação de arroz predomina nas províncias de Corrientes e Entre Rios. Os aproveitamentos hidrelétricos no rio Negro e no rio Uru-guai também representam importantes alterações no sistema hídrico.

Rio da Prata (RP): O trecho da bacia entre a confluência do rio Paraná e Uruguai e o Oceano Atlântico. Este trecho recebe toda a poluição de montante e das cidades próxi-mas ao estuário como a região de Buenos Aires. A bacia hidrográfica possui baixa

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de-clividade e seu aqüífero tem apresentado um nível muito alto, criando problemas no uso do solo rural e urbano da região.

Na tabela 1 é apresentado um resumo dos principais aspectos dos recursos hídricos e meio ambiente e na figura 2 é apresentada uma visão macro de alguns dos aspectos no con-junto da bacia. Para uma visão mais detalhada consulte o capítulo 11.

AÇÕES

Considerando o diagnóstico realizado, quais as ações que devem ser desenvolvidas? Para responder a esta pergunta utilizou-se do seguinte:

• propostas de ações dos consultores e representantes dos países nos workshops nacionais;

• acréscimo realizado pelos participantes dos eventos nacionais; • desenvolvimento de síntese dos resultados dos países.

Admite-se, portanto, que o grupo de pessoas que participaram dos eventos são uma amostra representativa que permitiria identificar os problemas atuais e ações necessárias.

Nas duas primeiras etapas observou-se um misto de preocupações específicas que re-tratavam o conhecimento de tema em área específica da bacia e temas genéricos no qual se tem uma percepção mais global dos problemas, sem um grande aprofundamento. Este con-junto de informações necessitou de uma organização temática em linhas principais.

As ações propostas estabelecem uma agregação num conjunto de programas que abor-dem soluções para os principais problemas da bacia hidrográfica. Os temas a seguir foram sintetizados pelo consultor e avaliados no workshop internacional.

1.Aspectos Institucionais: Dentro desta visão obteve-se de forma destacada ações

relaciona-da com a construção institucional em todos os países. Os aspectos institucionais vão desde a elaboração de uma legislação nacional de recursos hídricos como a sua regulamentação e a compatibilização dos elementos legais dos recursos hídricos com o meio ambiente, fortaleci-mento das instituições, monitorafortaleci-mento e construção de bases de dados, capacitação para for-talecimento dos profissionais que atuam no setor e ciência e tecnologia para o desenvolvi-mento de pesquisas dos problemas regionais. Portanto é recomendável criar um programa dentro do CIC para atuar no apoio a:

1.1 Apoiar proposta de preparação da legislação nacional de recursos hídricos dos paí-ses que não possuem legislação dentro de diretrizes de consenso; e na regulamenta-ção setorial para os países que já possuem;

1.2 Apoiar os Planos de Recursos hídricos que criam as bases para o desenvolvimento sustentável e integrado aos aspectos ambientais. O projeto pode investir na prepa-ração de metodologias para o desenvolvimento dos Planos e apoiar com projetos específicos os países no desenvolvimento dos seus planos, de forma a compatibili-zar as diferentes partes da bacia do rio da Prata;

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Tabela 1 Resumo dos aspectos dos recursos hídricos na bacia do rio da Prata. Aspecto AP MP BP AR MR BR AU BU PP 1. Usos da água 1.1 Abastecimento de humano 1.2 Irrigação 1.3 Energia hidrelétrica 1.4 Navegação 1.5 Recreação/turismo 1.6 Aquicultura/Pesca 1.7 Conflitos entre usos

2. Impactos ambientais e sociais dos usos da água

2.1 Efluentes urbanos domésticos 2.2 Efluentes industriais

2.3 Navegação (riscos de transporte, efeitos de alteração da via)

2.4 Energia hidrelétrica (barragens)

3. Impactos ambientais que repercutem sobre os recursos hídricos

3.1 Desmatamento 3.2 Queimadas

3.3 Mineração: degradação e efluentes 3.4 Erosão do solo na produção agropecuá-ria

3.5 Desertificação

3.6 Poluição difusa do uso de agrotóxicos 3.7 Impactos nos sistemas costeiros 3.8 Impacto na biodiversidade aqüática 4. Impactos sobre a sociedade

4.1 Inundações

4.2 Doenças de veiculação hídrica 5. Institucional

5.1 Monitoramento 5.2 Legislação 5.3 Gestão

5.4 Capacitação e C & T

1 -Alto Paraguai (AP): dentro do Brasil até a o rio Apa, Médio (MP): trecho no Paraguai, baixo (BP): Paraguai e Argentina; Alto Paraná (AR): dentro do Brasil; Médio (MR): Paraguai e Argentina; Baixo (BR): somente na Argen-tina; Uruguai (AU)– Alto : no Brasil; Baixo (BU): Uruguai e ArgenArgen-tina; Prata (PP): depois da confluência com o Uruguai;

2 - Vermelho – aspecto identificado como importante e que necessita de alguma forma de ação de curto, médio ou longo prazo; Amarelo – é relevante e pode-se tornar importante se não forem realizados estudos preventivos;

(16)

1.3 Apoiar os países no fortalecimento das instituições de recursos hídricos e do meio ambiente através de um programa de capacitação regional, incentivar a formação de equipe permanente, desenvolver práticas de troca de informações e experiências através de workshops técnicos e fortalecimento da participação pública;

1.4 Desenvolver uma ação com relação a base de informações na bacia que envolva: (a) complementação da rede (quantidade e qualidade) nos países com baixa densidade; (b) criar um banco de dados associado a sistema geográfico de informações para a bacia relacionada aos banco de dados nacionais; (c) desenvolver capacitação, pa-drões e procedimentos na obtenção das informações sobre quantidade, qualidade e características dos sistemas hídricos;

1.5 Desenvolver uma agenda de pesquisa para a região com base em pesquisas problem oriented voltadas para a realidade e problemas da bacia

2. Saneamento Ambiental das cidades: No âmbito dos usos e impactos dos recursos hídricos

observa-se que o problema fundamental está relacionado com a falta de tratamento de esgo-tos, contaminação pluvial e industrial. Neste sentido é recomendável o desenvolvimento de uma estratégia institucional, econômica e social regional para atingir as metas do millenium. Certamente não é possível resolver este problema em curto prazo, mas é necessário desen-volver a estratégia para que os investimentos atuais e futuros fluam no sentido de obter um resultado de médio e longo prazo. Como os municípios não possuem capacidade econômica e técnica de resolver o saneamento ambiental e não existe uma estratégia dos Estados (Pro-víncias) e das nações, propõe-se o seguinte:

2.1 Incentivar o desenvolvimento de uma estratégia regional escalonada no tempo para cada pa-ís através de um Plano Integrado de Abastecimento, esgotamento Sanitário, Drenagem ur-bano e resíduo sólidos para as cidades. Este programa deve considerar os aspectos le-gais, econômico-financeiro, técnico, participação pública, capacitação e ciência e tecnologia. Esta estratégia permitirá o investimento focado nas metas do milleni-um;

2.2 Implementar mecanismos institucionais e econômicos nos países para o desenvol-vimento e implementação dos planos integrados.

2.3 Controle dos impactos de contaminação industriais em diferentes áreas da bacia como a devido: a mineração no Alto Paraguai e Pilcomayo; a produção de alimen-tos de aves e suínos no Alto Uruguai

3. Agricultura: A agricultura apresenta dois impactos regionais importantes à erosão e a

per-da de solo fértil e o transporte de agroquímicos para o sistema fluvial, contaminando com compostos químicos o sistema fluvial. Neste âmbito observa-se a falta de conhecimento so-bre o real impacto na qualidade da água e o diagnóstico preciso soso-bre as áreas de impacto de poluição difusa. É necessário o desenvolvimento de um programa voltado para:

3.1 Quantificar a produção de sedimentos e da qualidade da água das áreas críticas na forma de amostragem e propor procedimentos de mitigação. Planejar alguns proje-tos piloproje-tos amostral, após a identificação dos estudos realizados na região: (a) le-vantamento das informações existentes; (b) identificação das necessidades e proje-tos piloproje-tos; (c) desenvolvimento dos projeproje-tos piloproje-tos; (d) consolidação dos resulta-dos.

3.2 Avaliar o resultado do impacto existente a jusante (efluentes rurais) das áreas agrí-cola e o aprimoramento de técnicas de predição;

(17)

3.3 Avaliar o resultado do impacto existente a jusante (efluentes rurais) das áreas agrí-cola e o aprimoramento de técnicas de predição;

4. Navegação: A navegação é um dos usos mais importantes na região e enfrenta conflitos

importantes com o meio ambiente em alguns trechos como no Pantanal. Este conflito necessi-ta ser estudado com todos os atores presentes de forma a compatibilizar os limites de atuação da navegação dentro de bases sustentáveis. Além destes aspectos observa-se falta de financi-amento para ampliar a navegação acima de Santa Fé. O que se observa é a necessidade de uma agenda construtiva onde sejam discutidos os impactos dentro de bases técnicas e cientí-ficas adequadas com forte participação pública. Portanto propõe-se o seguinte:

4.1 Construção de uma agenda positiva com workshops específicos com visão constru-tiva, identificação dos estudos necessários a busca da sustentabilidade. A participa-ção de todos os atores no processo é base da formaparticipa-ção da agenda construtiva, ou se-ja os usuários da água, as entidades ambientais, participação pública geral, pesqui-sadores e agentes de governo;

4.2 Acordo transfronteiriço para regulamentar o uso da água de lastro pelos navios nos portos e vias da região.

5. Biodiversidade das áreas úmidas e pesca : A biodiversidade da bacia é importante

prin-cipalmente nas áreas úmidas que representam os principais ecossistemas regionais. Portanto propõe-se o seguinte:

5.1 O monitoramento destes sistemas de forma permanente para garantir que as ações antrópicas existentes que convivem com estes ambientes não venham a produzir impactos permanentes. Os estudos relacionados devem procurar melhor entender o sistema, identificar os riscos a sustentabilidade do sistema e da biota e criar bases para verificação permanente;

5.2 Desenvolvimento de um programa de aumento da produção e exploração da pesca regional que tenha componentes de : (a) melhoria da qualidade de vida; (b) recrea-ção e turismo; (c) conservarecrea-ção das espécies.

5.3 Um problema específico regional é a introdução de espécies exóticas como o mexi-lhão dourado. Este é um problema que exige pesquisa para buscar uma solução a-dequada. Neste sentido recomenda-se a criação de um grupo de pesquisa regional para desenvolvimento de uma solução sustentada para controlar o mexilhão dou-rado e as cianobactéricas.

6. Variabillidade climática : O clima tem apresentado uma variabilidade favorável para

al-guns setores e desfavoráveis para outros nos últimos anos. Para energia e agricultura o saldo é amplamente favorável, pois as precipitações aumentaram desde os anos 70 com maior ge-ração para a mesma capacidade de gege-ração das usinas e melhor regularização da precipita-ção na agricultura. De outro lado, produziu maiores inundações e erosão do solo.

Os problemas associados a variabilidade climática são resultado do risco da produção energética na maioria dos países da região que como Brasil, Uruguai e Paraguai tem grande dependência da energia hidrelétrica. A própria Argentina que tem menor dependência, tam-bém sofreu recentemente de racionamento. Como as vazões são favoráveis nos últimos anos e o investimento no parque energético foi menor, o sistema incorporou este ganho da varia-bilidade na sua capacidade. A grande questão é a seguinte: O clima pode voltar ao cenário antes de 70? Se isto ocorrer os países ficarão altamente deficitário em energia. A agricultura pode perder a capacidade produtiva e necessitar maior complementação da irrigação com aumento da demanda dos rios, que estará com menor vazão. Os países certamente não estão

(18)

preparados para este cenário. Sobre as inundações existe o potencial aumento de risco de rompimento das represas e aumento da freqüência das inundações

Portanto, é recomendável o desenvolvimento de estudos voltados para o seguinte: 6.1 Estudos para melhorar o entendimento da variabilidade inter-decadal das variáveis

hidrológicas visando a predição da disponibilidade hídrica e o risco de alteração de ocorrência daas inundações e rompimento das barragens;

6.2 Avaliar o impacto da variabilidade climática no setor energético da bacia do rio da Prata;

6.3 Melhorar a previsão de longo prazo com vistas a reduzir o impacto do risco da vari-abilidade climática: verificar a previsão de longo prazo para agricultura e energia através de projeto piloto regional.

7. Inundações e Secas: As inundações ribeirinhas ocorrerem ao longo de praticamente todo

os rios principais e afluentes. Este é um processo natural, mas que é agravado pela ocupação das áreas de risco pela população. As inundações urbanas dependem da gestão integrada no município e do suporte dos Estados e das nações. As inundações ribeirinhas se agravaram porque antes de 70, com um período prolongado de inundações menores a população ocu-pou as áreas de risco. Depois de 70, principalmente depois de 80 ocorreram vários eventos chuvosos que produziram inundações significativas e grandes prejuízos. Somente em raras situações é possível utilizar-se isoladamente de medidas estruturais para solução deste tipo de problema. Por exemplo, a combinação de solução estrutural e planejamento do uso do solo são apropriados para o médio e baixo rio Paraná, onde desníveis das inundações são menores. Na maioria dos locais as medidas não-estruturais são as mais apropriadas. Neste sentido a previsão de cheia em tempo real (curto prazo) e o zoneamento de inundação são os procedimentos adequados para a gestão das inundações.

As secas ocorrem em diferentes áreas da bacia, no entanto os últimos trinta anos tem sido favoráveis e o planejamento de períodos críticos tem sido relegado a um segundo plano, apesar de existirem áreas em que a falta de água ocorre em alguns anos. A falta de previsão e conhecimento sobre o risco das secas é grande na região.

Portanto recomenda-se um programa integrado com os seguintes componentes:

7.1 Identificação dos locais com inundações freqüentes e com importante prejuízo: cidades, trechos agrícolas, obras hidráulicas e priorização das áreas de controle;

7.2 Estabelecer o zoneamento das áreas de inundações para as cidades e para as á-reas agrícolas, visando definir o risco associado a inundação como base para gestão e planejamento do espaço;

7.3 Aprimorar a rede de monitoramento para alerta de inundações;

7.4 Aprimoramento dos programas de alerta de inundações com base no uso de uma visão pragmática dos modelos disponíveis

7.5 Identificar áreas de estiagem e analises de riscos de secas da bacia.

Resultados da Avaliação do workshop internacional

O workshop internacional foi realizado nos dias 20 e 21 de julho de 2004 em Assunção e contou com delegação de todos os países (anexo D). Neste evento foram apresentados os re-latórios nacionais, o relatório regional e as propostas de ações sintetizadas aqui (veja cima). As mesmas foram discutidas e através de duas rodadas foram selecionadas as consideradas

(19)

prioritárias pelos presentes. Na tabela 2 são apresentados os números de votos dos presentes para cada tema identificado. Na primeira rodada foram escolhidos 12 temas de um total de 22. Na segunda rodada resultaram 7 temas. Pode-se observar que os mais indicados foram os temas institucionais, onde se observa a maior preocupação dos presentes com este tema, se-guido por números semelhantes o desenvolvimento agrícola, saneamento das cidades e as inundações. Biodiversidade, Navegação e Variabilidade climática ficaram num segundo pla-no apesar de ter sido ressaltada a importância dos temas.

Tabela 2 Temas identificados e escolha no workshop internacional

Ações

1.Aspectos Institucionais

1.1 Apoiar a preparação da legislação nacional de recursos hídricos. 16 18

1.2Apoiar os Planos de Recursos hídricos. 9 11

1.3Apoiar os países no fortalecimento das instituições de recursos hídricos e meio ambiente. 9 12

1.4 Desenvolver uma ação com relação a base de informações na bacia. 4

1.5 Desenvolver uma agenda de pesquisa para a região 1

2. Saneamento Ambiental das cidades

2.1 Incentivar o desenvolvimento de uma estratégia regional escalonada no tempo para cada país

através de um Plano Integrado de Abastecimento, esgotamento Sanitário, Drenagem urbana e resí-duos sólidos para as cidades.

9 13

2.2 Implementar mecanismos institucionais e econômicos nos países para o desenvolvimen-to e implementação dos planos integrados.

2

2.3 Controle dos impactos de contaminação industriais1

3. Impactos do desenvolvimento agrícola

3.1Quantificar a produção de sedimentos e da qualidade da água das áreas críticas. 13 15

3.2 Avaliar o resultado do impacto existente a jusante (efluentes rurais) das áreas agrícola e o aprimoramento de técnicas de predição;

2

3.3 Incentivar o uso de práticas sustentáveis a nível distribuído na bacia através de progra-mas de extensão rural.

4

4. Navegação

4.1 Construção de uma agenda positiva. 5 10

4.2 Acordo internacional para regulamentar a água de lastro nos portos e vias da região 7 4

5.Biodiversidade de áreas úmidas e pesca

5.1 O monitoramento destes sistemas de forma permanente. 6 6

5.2 Desenvolvimento de um programa de aumento da produção e exploração da pesca. 1

5.3 Criação de um grupo de pesquisa regional para desenvolvimento de uma solução sus-tentada para controlar do mexilhão dourado e cianobactérias.

5 6

6. Variabilidade climática

6.1 Estudos para melhorar o entendimento da variabilidade inter-decadal das variáveis hi-drológicas visando a predição da disponibilidade hídrica;

2

6.2 Avaliar o impacto da variabilidade climática no setor energético da bacia do rio da Prata 2 6.3 Melhorar a previsão de longo prazo com vistas a reduzir o impacto do risco da

variabili-dade climática: verificar a previsão de longo prazo para agricultura e energia através de projeto piloto regional.

5 8

7. Inundações e secas

7.1 Identificação dos locais para gestão das inundações: cidades, trechos agrícolas, obras hidráulicas e priorização das áreas de controle;

3

7.2 Estabelecer o zoneamento das áreas de inundações para as cidades e para as áreas agrí-colas, visando definir o risco associado a inundação como base para gestão e planejamento do espaço;

7 11

7.3 Aprimorar a rede de monitoramento para alerta de inundações; 5 5

7.4 Aprimoramento dos programas de alerta de inundações com base no uso de uma visão pragmática dos modelos disponíveis

2

7.5 Identificar áreas com falta de água e analises de riscos de secas da bacia 1

(20)

escolhi-Na tabela 3 são identificadas as relações entre as ações identificadas, sua votação no workshop, sua relação com com as Metas do Millenium e com o tipo de ação que pode ser desenvolvido dentro do marco de uma bacia transfronteiriça

Metas do Millenium, Ações identificadas e mecanismos de Ações

São oito os objetivos que levam as metas do millenium, identificados pelas Nações U-nidas e referendados pelos países para o Desenvolvimento sustentável. Estas metas têm rela-ção direta com o desenvolvimento dos recursos hídricos e a conservarela-ção ambiental.

As macro-ações identificadas pelos países e consolidadas no workshop têm relação di-reta com estas metas. Na figura 3 são apresentadas as relações entre as metas e as ações inde-tificadas. Neste estudo foram também indentificados os tipos de projeto (capítulo 2) que po-dem ser desenvolvidos, considerando que a bacia do rio da Prata é uma bacia transfronteiri-ça. Neste tipo de bacia é necessário preservar a soberania e independência dos países nos mecanismos de desenvolvimento das ações. Na figura 3 são apresentadas também as rela-ções entre as arela-ções e os tipos de projetos que podem ser desenvolvidos.

Pode-se observar que os aspectos institucionais são fundamentais para o atendimento de todos os objetivos, enquanto que o Saneamento ambiental cobre objetivos como a redução da pobreza, mortalidade infantil, saúde e doenças de veiculação hídrica e meio ambiente. Es-tes dois aspectos foram identificados como relevanEs-tes no workshop, portanto as metas glo-bais também são metas regionais.

Na tabela 3 são apresentados as vinculações entre as ações indentificadas nesta visão, os objetivos do millenium e os potenciais tipos de projetos na bacia do rio da Prata, também caracterizados na figura 3. Nesta planilha são destacadas (com sombreamento) as ações que foram selecionadas no workshop como mais relevantes.

CONCLUSÕES

A bacia do rio da Prata apresenta uma grande diversidade de: comportamento físico e climático, de biodiversidade e do sócio-econômico. Esta variabilidade é temporal e espacial e a combinação destes fatores estabelece condicionantes específicos que possuem dois contor-nos específicos:

• os contornos jurídico institucional, econômico e social dos países e;

• a relação de dependência física do comportamento integrado de um sistema fí-sico como a bacia hidrográfica onde a água se distribui.

O diagnóstico dos problemas da bacia mostrou grande semelhança entre os problemas nos diferentes países e problemas transfronteiriços atuais e potenciais que exigem ações in-ternas e exin-ternas aos países de forma cooperativa, mantida a soberania e interesses dos mes-mos.

Os resultados aqui obtidos da visão da bacia refletem ainda uma macro-avaliação espa-cial que necessita de um maior detalhamento nas sub-bacias. Da mesma forma, o resultado da escolha e definição dos temas é o resultado de um grupo de profissionais e não retrata ne-cessariamente a visão completa de participação pública. No entanto, a tomada de decisão so-bre os focos a serem desenvolvimento na forma de projetos piloto, cooperação, uniformiza-ção dentro dos países entre outros mecanismos de auniformiza-ção, caberá aos governos dentro da estra-tégia de desenvolvimento integrado da bacia.

(21)

Figura 3 Vinculação entre os objetivos e metas do millenium com as ações identificadas e os tipos de projetos

(22)

Tabela 3 Relações entre as ações, objetivos metas e tipo de projeto

Ações Objetivos e Metas do

Millenium

Tipo de projeto 1. Aspectos Institucionais

1.1 Preparação da legislação nacio-nal de recursos hídricos.

Cobre todos os objetivos e metas na medida que adota os princípios de sustentabili-dade

Padroões: os países da região

desenvolvem ações para terem legislação sobre recursos hídri-cos

1.2Apoiar os Planos de Recursos

hídricos. Cobre todos os objetivos e metas na medida que os Pla-nos adotem os objetivos e metas do Millenium

Padrões: os países da região

de-senvolvem planos para suas bacias que integrem as ações transfronteiriças

1.3 Apoiar os países no fortaleci-mento das instituições de recursos hídricos e meio ambiente

A gestão institucional cria condições para a obtenção das mestas do millenium

Capacitação: qualificação do

pessoal técnico, sociedade e de-cisores através de projetos con-juntos buscando padrões seme-lhantes nos países

1.4 Desenvolver uma ação com relação a base de informações na bacia.

A base de dados sobre os diferentes aspectos é funda-mental para a tomada de de-cisão

Base da dados: desenvolver

pa-drões e apoiar os países para que obtenha padrões semelhan-tes de rede de coleta de dados. 1.5 Desenvolver uma agenda de

pesquisa para a região

Desenvolvimento científico orientado para os objetivos do millenium

Ciência e Tecnologia:

desenvol-vimento de um programa de pesquisa voltado para os pro-blemas da bacia.

2. Saneamento Ambiental das ci-dades

2.1 Incentivar o desenvolvimento de

uma estratégia regional escalonada no tempo para cada país através de um Plano Integrado de Abastecimento, esgotamento Sanitário, Drenagem urbana e resíduos sólidos para as cida-des.

Objetivos: Redução da pro-breza, mortalidade infantil, saúde e doenças de veicula-ção hídrica e meio ambiente

Padrões: criar padrões e metas a

serem atingidas pelos países com relação ao saneamento am-biental; Projetos pilotos – investir em projetos piloto demonstrati-vo

2.2 Implementar mecanismos insti-tucionais e econômicos nos países para o desenvolvimento e imple-mentação dos planos integrado.

Objetivos: Redução da pro-breza, mortalidade infantil, saúde e doenças de veicula-ção hídrica e meio ambiente

Padrões: desenvolver manuais

que auxiliem o os países esatbe-lecerem seus mecanismos;

Proje-tos piloProje-tos: parceria nacional e

iternacional no desenvolvimen-to de projedesenvolvimen-tos demonstrativo.

(23)

Tabela 3 (continuação)

Ações Objetivos e Metas do

Millenium

Tipo de projeto 3. Impactos do desenvolvimento

agrícola

3.1Quantificar a produção de se-dimentos e da qualidade da água das áreas críticas.

Garantir a sustentabilidade do meio ambiente, saúde e doenças e a redução da pro-breza

Aprimoramento do conhecimento e Projetos pilotos: estudos

amos-trais em áreas críticas ou poten-cialmente críticas

3.2 Avaliar o resultado do impacto existente a jusante (efluentes ru-rais) das áreas agrícola e o aprimo-ramento de técnicas de predição;

Garantir a sustentabilidade do meio ambiente e a redu-ção da probreza, saúde, do-enças e a redução da pobreza

Aprimoramento do Conhecimento e Projetos pilotos: estudos

amos-trais de predição 3.3 Incentivar o uso de práticas

sustentáveis a nível distribuído na bacia através de programas de ex-tensão rural.

Garantir a sustentabilidade do meio ambiente e a redu-ção da probreza, saúde, do-enças e a redução da pobreza

Projetos pilotos: estudos

amos-trais para práticas sustentáveis e avaliação de seus resultados.

4. Navegação

4.1 Construção de uma agenda

positiva. Garantir a sustentabilidade do meio ambiente

Aprimoramento do conhecimento e Padrões : desenvolvimento de

entendimentos para convivência entre a navegação e meio ambi-ente nos trechos críticos. 4.2 Acordo transfronteiriço para

regulamentar a água de lastro nos portos e vias da região

Garantir a sustentabilidade do meio ambiente

Aprimoramento do conhecimento e padrões: melhorar o

conhecimen-to e desenvolver proconhecimen-tocolos nos países para evitar contaminação biológica de água de lastro.

5.Biodiversidade de áreas úmidas e pesca

5.1 O monitoramento destes

siste-mas de forma permanente. Garantir a sustentabilidade do meio ambiente

Aprimoramento do conhecimento e Ciência e Tecnologia: ampliar o

conhecimento dos sistemas para a busca da sustentabilidade 5.2 Desenvolvimento de um

pro-grama de aumento da produção e exploração da pesca.

Garantir a sustentabilidade do meio ambiente; redução da fome e pobreza

Aprimoramento do conhecimento, Ciência e Tecnologia e projetos pilo-tos: desenvolver projetos pilotos

que criem base base para a sus-tentabilidade do homem. 5.3 Criação de um grupo de

pes-quisa regional para desenvolvi-mento de uma solução sustentada para controlar do mexilhão doura-do e cianobactérias.

Garantir a sustentabilidade

(24)

Tabela 3 (continuação)

Ações Objetivos e Metas do

Millenium

Tipo de projeto 6. Variabilidade climática

6.1 Estudos para melhorar o en-tendimento da variabilidade inter-decadal das variáveis hidrológicas visando a predição da disponibili-dade hídrica;

Garantir a sustentabilidade do meio ambient

Aprimoramento do conhecimento, Ciência e Tecnologia e projetos pilo-tos

6.2 Avaliar o impacto da variabili-dade climática no setor energético da bacia do rio da Prata

Garantir a sustentabilidade do meio ambiente

Aprimoramento do conhecimento, Ciência e Tecnologia e projetos pilo-tos

6.3 Melhorar a previsão de longo prazo com vistas a reduzir o im-pacto do risco da variabilidade climática: verificar a previsão de longo prazo para agricultura e e-nergia através de projeto piloto regional.

Garantir a sustentabilidade do meio ambiente; redução da fome e pobreza

Aprimoramento do conhecimento, Ciência e Tecnologia e projetos pilo-tos

7. Inundações e secas

7.1 Identificação dos locais para gestão das inundações: cidades, trechos agrícolas, obras hidráulicas e priorização das áreas de controle;

Redução da fome e pobreza, redução das doenças de vei-culação hídrica

Aprimoramento do conhecimento e Projetos pilotos

7.2 Estabelecer o zoneamento das áreas de inundações para as cida-des e para as áreas agrícolas, vi-sando definir o risco associado a inundação como base para gestão e planejamento do espaço;

Redução da fome e pobreza, redução das doenças de vei-culação hídrica

Aprimoramento do conhecimento e Projetos pilotos

7.3 Aprimorar a rede de monito-ramento para alerta de inundações;

Redução da fome e pobreza, redução das doenças de vei-culação hídrica

Base de dados

7.4 Aprimoramento dos programas de alerta de inundações com base no uso de uma visão pragmática dos modelos disponíveis

Redução da fome e pobreza, redução das doenças de vei-culação hídrica

Base de dados

7.5 Identificar áreas com falta de água e analises de riscos de secas da bacia

Redução da fome e pobreza, redução das doenças de vei-culação hídrica

Aprimoramento do conhecimento e Projetos pilotos

(25)

1.Introdução

O programa para a Gestão sustentável dos recursos hídricos na bacia do rio Prata é promovido através de um esforço conjunto dos países da bacia: Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. O mesmo visa o desenvolvimento econômico e social dentro de bases ambientais sustentáveis dos recursos hídricos da bacia, considerando os potenciais impactos devido à variabilidade e modificação climática.

Nas diferentes fases do projeto deverão participar as instituições responsáveis pela po-lítica de gestão dos recursos hídricos e do meio ambiente, setores acadêmicos, empresas pri-vadas e organizações da sociedade civil em geral, para que proponham, desenvolvam e compartilhem os principais objetivos estratégicos da visão integrada da bacia, tais como:

• Atender as necessidades básicas insatisfeitas das populações;

• Atender as necessidades e condicionantes para a produção e comercialização de alimentos;

• Gerar capacidade econômica-produtiva de poupança social; • Proteger os grandes ecossistemas naturais;

• Adaptar a bacia aos desafios da modificação climática global e atuar sobre os fatores causais;

• Diminuir as vulnerabilidades ambientais, sociais e econômicas dos riscos natu-rais e derivados da intervenção antrópica;

A visão se baseia nos seguintes mecanismos:

• Gestão integrada dos recursos hídricos e conservação ambiental; • Valorização dos recursos hídricos;

• Desenvolvimento de mecanismos institucionais de gestão dos recursos hídricos; • Análise dos interesses e benefícios comuns aos países da bacia, particularmente

na conservação e uso das águas;

1.1 Objetivos

O objetivo geral da visão foi de buscar uma visão comum para o desenvolvimento sustentável da bacia do rio da Prata , considerando os fatores que influenciam na oferta e demanda da água e sua conservação.

Os objetivos específicos desta visão são:

• Analisar a situação de oferta e demanda dos recursos hídricos na bacia e seus aproveitamentos múltiplos considerando os aspectos hidrológicos, ambientais, institucionais, sociais e econômicos;

• Estimar a evolução dos fatores sociais e econômicos a: curto (5 anos); médio (15 a-nos); longo prazo, que podem influir na disponibilidade dos usos dos recursos hídri-cos e identificar possível situações de conflito previsíveis;

• Estabelecer um Processo de identificação de uma Visão comum de desenvolvimento sustentável da bacia do rio da Prata e o papel que a mesmo pode ter nos recursos hídri-cos.

(26)

Os temas estabelecidos pelo termo de referência do estudo para atingir os objetivos a-cima foram:

• Usos da água atuais e potenciais • Uso da terra;

• Produção agrícola, degradação do solo e transporte de sedimentos e ecossis-temas terrestre;

• Transporte de sedimentos, Hidrovias e energia; • Biodiversidade aquática, pesca e aquacultura;

• Gestão e planos de gestão de eventos críticos relacionados com os recursos hídricos.

1.2 Procedimentos adotados

Os procedimentos previstos adotados para o desenvolvimento deste estudo foram os seguintes:

• Preparação de uma metodologia para elaboração dos estudos nacionais e desta Visão. Esta metodologia foi definida por este consultor, orientando os represen-tantes dos países.

• A representação de cada país apresentou um relatório com o conteúdo especifi-cado, que fazem parte da visão. Este documento foi elaborado, apresentado e dis-cutido em workshop nacional e revisado com base nas informações obtidas no e-vento. Portanto, fazem parte desta visão os cinco volumes dos cinco países; • Este relatório foi preparado com base nos documentos nacionais e apresentado no

Workshop Internacional para os representantes dos países;

• Com base nas discussões do Workshop Internacional o relatório foi consolidado nesta versão final.

(27)

2. Bases conceituais

No desenvolvimento do estudo de visão da bacia foram propostos os elementos básicos no qual o desenvolvimento sustentável pode ser planejado e desenvolvido.

A visão conceitual apresentada neste documento trata de utilizar-se do conhecimento de consenso e estabelecer para a bacia programas de ação de cooperação transfronteiriça que atendam os princípios básicos da sustentabilidade e promover os princípios do desenvolvimento sustentável no âmbito dos países da bacia do rio da Prata .

A seguir é apresentado um histórico do desenvolvimento dos recursos hídricos e do meio ambiente, os conceitos e princípios do desenvolvimento sustentável e de gerenciamento integrado dos recursos hídricos, a tendência de acordos em bacias transfronteiriças como a da bacia do rio da Prata , o resumo histórico de cooperação dentro do âmbito do CIC na área de recursos hídricos e os elementos básicos no qual se baseia esta visão.

2.1 Histórico

O uso dos recursos hídricos e sua conservação é um dos principais desafios do desen-volvimento sustentável devido ao aumento da população e o limitado controle dos impactos das atividades humanas sobre o espaço natural.

O século vinte passou por várias transições que marcaram o desenvolvimento dos re-cursos hídricos e o meio ambiente a nível internacional. Este processo teve marcante relação com o crescimento econômico e populacional, além da busca da sustentabilidade ambiental. Logo após a 2o guerra mundial, houve a necessidade de grande investimento em

infra-estrutura, principalmente para recuperar os países que sofreram com o conflito, seguido por uma fase de crescimento econômico e de população em muitos países desenvolvidos. Neste período houve forte industrialização e aumento dos adensamentos populacionais com uma crise ambiental importante pela degradação das condições de vida da população e a degra-dação dos sistemas naturais.

No início da década de 70 iniciou a pressão ambiental para controle destes impactos, com ênfase no controle dos efluentes das indústrias e cidades. Nos países da bacia ainda o-corria o estágio anterior. Havia um forte investimento em hidrelétricas, anos em que algumas das grandes barragens do rio Paraná foram construídas.

Nos anos 80 o mundo enfatizou os efeitos do clima e do impacto global, onde o aciden-te de Chernobyl foi um grande divisor, pois demonstrava que o acidenaciden-te local tinha reflexo mundial. Neste contexto houve grande pressão para a redução do impacto do desmatamento de florestas e o uso de barragens. Os investimentos dos bancos internacionais que se faziam no Brasil em grandes barragens e, principalmente na Amazônia foram eliminados devido à pressão dos movimentos ambientalistas dos países desenvolvidos que se refletiram no fo-mento dos bancos internacionais.

Os anos 90 foram marcados pela idéia do desenvolvimento sustentável que busca o equilíbrio entre o investimento no crescimento dos países e a conservação ambiental. O de-senvolvimento dos recursos hídricos de forma integrada, com múltiplos usos e o início do controle da poluição difusa nos países desenvolvidos. Os investimentos internacionais

(28)

mu-domésticos e industriais das cidades (estágio observado nos países desenvolvidos nos anos 70).

O início do novo século (e milênio) está marcado internacionalmente pelo movimento pela busca de uma maior eficiência no uso dos recursos hídricos dentro dos princípios bási-cos de Dublin:

• a água é um bem finito, vulnerável e essencial à vida humana e ao ambiente; • o gerenciamento dos recursos hídricos deve ser realizado de forma

participati-va, com o envolvimento de usuário, planejadores e tomadores de decisão em todos os níveis;

• a mulher tem um papel central no gerenciamento e na proteção da água;

• a água tem valor econômico em todos os usos e deve ser reconhecida como um bem econômico.

Estes princípios foram às bases para o capítulo 18 da Agenda 21 (que trata de recursos hídricos) aprovada na Conferência de Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Uni-das no Rio de Janeiro (Rio 92). A conferencia do Rio destaca os citados princípios e a necessi-dade de implementação de decisões baseadas na alocação de demanda, mecanismos de co-brança e medidas legais.

Estes princípios são na verdade meios para atingir o desenvolvimento sustentável. As Nações Unidas nos últimos anos definiu objetivos e metas relacionados com o Desenvolvi-mento denominados de MDG Millenium Development Goals (veja item seguinte 2.3). Os objeti-vos e metas estão relacionados com aspectos sociais, econômicos, ambientais e de saúde hu-mana. Uma das principais metas está relacionada com a redução de pobreza. Como a redu-ção da pobreza está diretamente ligada a condicionantes de qualidade de vida, onde água e saneamento têm um fundamental, as metas se refletiram neste setor dos recursos hídricos.

Em Johanesburgo foram consolidadas as metas de água e saneamento que buscam re-duzir em 50% o número de pessoas sem atendimento de água de abastecimento segura e sa-neamento até 2015. Estas metas foram adotadas pelas diferentes entidades internacionais e discutido em diferentes Fóruns, como a 3º Conferência Mundial da Água em Kyoto em 2003. O relatório contratado pela Global Water Partnership, GWP e World Water Council (WWC) denominado de Camdessus (coordenado pelo ex-presidente do FMI), introduziu uma pro-posta econômico-financeira para a busca da viabilidade das metas propro-postas (Winpenny, 2003).

2.2 Desenvolvimento sustentável

Os meios naturais que compõem os sistemas hídricos envolvem um grande número de disciplinas científicas tais como: meteorologia, limnologia, hidrogeologia, hidráulica, hidros-sedimentologia, qualidade da água, entre outros. Estas disciplinas estudam de forma disci-plinar os sistemas naturais que se interagem de forma dinâmica no espaço e no tempo.

De forma simplista, na figura 2.1, são apresentados os sistemas e suas interações bási-cas. O sistema sócio-econômico é representado pelos diferentes aspectos da sociedade que utilizam ou sofrem impacto devido aos recursos hídricos, representados principalmente pelo seguinte:

Desenvolvimento urbano: envolve a alteração da superfície da bacia hidrográfica pela

Referências

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