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Membranas Biológicas. Transporte transmembranar

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Academic year: 2021

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(2)

Permeabilidade da bicamada fosfolipídica artificial (sem proteínas)

Devido à natureza hidrófoba da sua bicamada fosfolipídica, a membrana celular constitui uma barreira extremamente impermeável à maioria das moléculas orgânicas e impede a maioria dos componentes hidrosolúveis de escapar da célula. 

(3)

Transporte transmembranar de pequenas moléculas e iões

Transporte em massa

Transporte Passivo (a favor do gradiente)

Difusão simples

Difusão facilitada

Transporte Activo (contra o gradiente)

Transporte activo primário ‐ Bombas

Transporte activo secundário ‐ Cotransporte

Endocitose

Exocitose

Fagocitose

(4)

Difusão Simples

(compostos apolares a

favor do gradiente)

Difusão Facilitada

(a favor de gradiente)

Transporte Activo Primário

(contra o gradiente)

Transporte Activo Secundário

(contra o gradiente usando o movimento

de iões a favor do seu gradiente)

Canais Iónicos

(a favor do

gradiente)

Transporte de iões

mediado por 

Ionóforos

(a favor do gradiente de

concentração)

Transporte transmembranar de pequenas moléculas e iões

(5)

Os diferentes tipos 

de transporte transmembranar

Difusão simples

¾ É o mecanismo mais simples  de transporte transmembranar. ¾ Neste transporte, as moléculas simplesmente 

difundem‐se na bicamada fosfolipídica,atravessam‐na e finalmente dissolvem‐se no fluido intracelular. ¾ A direcção do transporte é determinada pelas concentrações relativas das moléculas

dentro e  fora da célula: o fluxo é sempre do compartimento mais concentrado para o menos concentrado. ¾ Ocorre sem consumo de energia (passivo). ¾ São transportadas por difusão passiva as moléculas pequenas (O2, CO2, benzeno, H2O, etanol,...) ¾ É um transporte pouco específico.  ¾ O coeficiente de difusão de uma molécula é proporcional ao seu gradiente de concentração  através da membrana e a sua hidrofobicidade.

(6)

Os diferentes tipos de transporte transmembranar

Difusão facilitada

¾ A direcção do transporte é determinada pelas concentrações relativas das moléculas

dentro e  fora da célula: o fluxo é sempre do compartimento mais concentrado para

o menos concentrado.

¾ Ocorre sem consumo de energia (passivo).

¾ São transportadas moléculas de maior dimensão (glúcidos, aminoácidos, nucleótidos).

¾ É mais rápido e mais selectivo do que a difusão simples.

(7)

Os diferentes tipos de transporte transmembranar

Difusão facilitada

proteínas transportadoras 

¾ As proteínas transportadoras adoptam alternativamente 2 conformações de modo que o  sítio de ligação do soluto esteja sucessivamente acessível nos 2 lados da membrana. ¾ As proteínas transportadoras são responsáveis pelo transporte de açucares, aminoácidos e  nucleosídeos. Exemplo: Transportador da glucose ‐ a proteína transportadora da glucose ‐ tem 12 hélices α transmembranares A direcção do transporte é condicionada pelo gradiente de concentração da  glucose

(8)

Os diferentes tipos de transporte transmembranar

Difusão facilitada

Canais iónicos

¾ Sistema de transporte passivo.

¾ Ocorre a favor do gradiente de concentração.

¾ Transporte muito rápido.

¾ São altamente selectivos.

¾ Formam poros na membrana permitindo que moléculas de tamanho e carga 

apropriada passem através da membrana.

(9)

Difusão facilitada

Aquaporinas

‐ Poro passivo (passagem água  movida pelo gradiente osmótico). ‐ Permitem transportar, rapidamente,  grandes quantidades de água,  comparativamente ao transporte de  água por difusão simples ‐ A água é seleccionada pelo tamanho e pela carga eléctrica ‐ Passagem livre de água sem afectar  o gradiente electroquímico através  da membrana celular

Os diferentes tipos de transporte transmembranar

(10)

Os diferentes tipos de transporte transmembranar

Difusão facilitada

Canais iónicos

Os canais “ligand‐gated”: abrem‐se após 

a ligação a um neurotransmissor ou a 

outra molécula de sinalização.

Os canais “voltage‐gated”: abrem‐se 

após uma alteração no potencial 

eléctrico da membrana.

(11)

Os diferentes tipos de transporte transmembranar

Difusão facilitada

Canais iónicos

Canal voltage‐gated Canal ligand‐gated (sinais extracelulares) Canal  ligand‐gated (sinais intracelulares) Canal de estimulação mecânica

Estado Fechado

Estado Aberto

(12)

Gradientes iónicos e potencial eléctrico da membrana

Selectividade dos canais iónicos

• poro estreito (filtro de tamanho)

• Ø Na+ = 0.95 Å; Ø K+ = 1.33 Å

(13)

Selectividade dos canais iónicos

• grupos C=O (filtro de selectividade)

• entra K+ desidratado

(14)

Selectividade dos canais iónicos

Gradientes iónicos e potencial eléctrico da membrana

Exemplo: Receptor da acetilcolina Este receptor é composto por 5 subunidades:  2α, 1β, 1γ, 1δ. Cada subunidade α contém um  sítio de ligação da acetilcolina. Quando esta molécula se liga ao receptor, o canal  iónico abre‐se, permitindoa entrada de iões  Na+ na célula. Interacção célula nervosa e célula muscular acetilcolina receptor   activação canal Na+ activado por ligando  influxo Na+ despolarização membrana   abertura canal Ca2+ activado por voltagem aumento do do Ca2+ intracelular   contracção muscular

(15)

Os diferentes tipos de transporte transmembranar

Transporte activo primário ‐ Bombas

¾ é um transporte contra o gradiente electroquímico

¾ é um transporte que necessita de energia sob a forma de ATP

¾ dá origem a gradientes iónicos nas células

molécula

transportada

proteína

portadora

Canal proteico Difusão através dum canal

Difusão

simples

Difusão através dum transportador

Transporte passivo

(difusão facilitada)

Transporte

activo

Gradiente de

concentração

FORA

DENTRO

Bicamada

lipídica

(16)

Transporte activo primário ‐ Bombas

Bomba Na+‐K+(ou ATPase Na+‐K+):é uma ATPase que permite manter o gradiente iónico de sódio e de

potássio. A manutenção deste gradiente necessita da hidrólise do ATP, uma vez que a bomba transporta os iões Na+e K+ contra o seu gradiente de concentração. 

Gradiente electroquímico do potássio Gradiente electroquímico do sódio Sítio de ligação de Na+ Face citoplasmática Face extracelular Sítio de ligação de K+ e da ouabaína [K+]in =(10‐20) x [K+]ex

[Na+]ex =(10‐20) x [Na+]in

A bomba Na+‐K+ permite transferir  3 iões Na+ para fora da célula contra  2 iões K + para dentro.

Os diferentes tipos de transporte transmembranar

(17)

Transporte activo primário ‐ Bombas

A bomba Na ‐K permite transferir 

3 iões Na+ para fora da célula 

contra  2 iões K +para dentro.

(18)

fluido extracelular. Para evitar o fluxo de água, as bombas iónicas mantêm os gradientes iónicos através da membrana.

Concentração (mM)

Ião Intracelular Extracelular

Axónio de lulas K+ 400 20 Na+ 50 440 Cl- 40 150 560 Ca2+ Proteína (-) 0.0001 300-400 10 5-10 Célula de mamífros K+ 140 5 Na+ 5 15 145 Cl- 4 110 Ca2+ 0.0001 2.5 5 Proteínas - 138 9

(19)

Transporte activo primário ‐ Bombas

A manutenção do gradiente iónico pela bomba Na+‐K+ é importante para controlar o 

volume das células.

Bomba Na

+

‐K

+

(ou ATPase Na

+

‐K

+

)

hipertónica isotónica hipotónica muito

hipotónica Concentração

iónica no espaço extracelular Glóbulo vermelho

Plasmólise normal Turgescência lise

A membrana citoplasmática é permeável à água. A água entra e sai das células conforme o seu gradiente de concentração. Este movimento da água através da membrana celular é chamado de OSMOSE. O volume das células é determinado pela diferença de concentração iónica entre os espaços intra e extracelular. A água difunde‐se (osmose) do meio menos

(20)

Transporte activo primário ‐ Bombas

Outras bombas iónicas:

Bomba Ca

2+

: é uma ATPase que mantém o gradiente do cálcio.

[Ca

2+

]int = 0.1 μM

[Ca

2+

]ext = 1mM

(21)

Transporte activo primário 

Transportadores ABC (ATP‐binding cassettes)

¾Existem vários membros de transportadores ABC em procariotas e eucariotas.

¾Possuem domínios de ligação ao ATP altamente conservados. 

¾A função principal dos transportadores ABC é eliminar os produtos tóxicos que

entram na célula.

Trata‐se dum transporte activo mediado pela hidrólise de ATP.

(22)

Transporte activo primário 

Transportadores ABC (ATP‐binding cassettes)

Exemplo: o transportador MDR (multidrug resistance)

Trata‐se duma proteína “multipass” com 6 domínios transmembranares e um domínio de ligação de ATP. O  transportador MDR funciona como dímero (12 domínios transmembranares e 2 domínios de ligação de ATP).  Utilizando a hidrólise de ATP, este transportador exporta as moléculas tóxicas para o espaço extracelular. O transportador MDR  encontra‐se altamente  expresso nas células  neoplásicas permitindo‐ lhes exportar fora da célula  os agentes  quimioterapêuticos. Isto  explica, em parte, a  resistência das células  cancerosas à quimioterapia. 

(23)

Transporte secundário 

¾ Utilizando como energia o gradiente transmembranar de uma segunda 

molécula.

(24)

Transporte secundário 

¾ No sistema uniporte, as proteínas transportadoras   transportam uma só molécula.  Exemplo: difusão facilitada de glucose ¾ No sistema simporte, as proteínas transportadoras  transportam 2 moléculas na mesma direcção.  Exemplo: transporte de glucose acoplado com o  transporte de Na+ ¾ No sistema antiporte, as proteínas  transportadoras transportam 2 moléculas em  direcções opostas. Exemplo: antiporte Na+‐Ca2+ antiporte Na+‐H+

(25)

Transporte secundário 

Exemplo: o transporte de glucose através das células intestinais

O transporte de glucose é mediado pelo “transportador de glucose” que coordena o transporte

de 2 iões Na+ e de 1 glucose para dentro da célula. A glucose é transportada contra o seu gradiente

de concentração, utilizando a energia do transporte acoplado de Na+. Lúmen do intestino microvilosidades Junção de oclusão Epitélio intestinal Líquido extracelular Proteína de transporte interveniente na difusão facilitada da glucose Simporte da glucose via Na+ Menos concentrado Menos concentrado Mais concentrado em glucose

(26)

Transporte transmembranar de pequenas moléculas e iões

Transporte em massa

Transporte Passivo (a favor do gradiente)

Difusão simples

Difusão facilitada

Transporte Activo (contra o gradiente)

Transporte activo primário ‐ Bombas

Transporte activo secundário ‐ Cotransporte

Endocitose

Exocitose

Fagocitose

(27)

Endocitose

Exocitose

(28)

Transporte de macromoléculas e de partículas através da membrana citoplasmática

‰

As macromoléculas (

proteínas

polinucleotídeos

ou 

polissacarídeos

) não 

podem ser transportadas pelas proteínas transportadoras; o seu transporte faz‐se 

através de 

vesículas

membranares, por:

‐ Endocitose

‐ Exocitose

‰

Partículas de maior tamanho (

bactérias

ou 

restos celulares

) são transportadas 

por 

fagocitose

. Fluidos e solutos são transportados por 

pinocitose

. Ambos os 

processos são tipos de endocitose. 

(29)

Endocitose

‰

Na endocitose, o material a ingerir está progressivamente rodeado por uma porção 

da membrana citoplasmática  que, por invaginação, forma uma vesícula intracelular 

contendo o material ingerido designada por 

vesícula de endocitose

‰

Há 3 tipos de endocitose:

‐ Pinocitose

‐ Endocitose mediada por receptores

‐ Fagocitose

(30)

‰

Um dos tipos de vesículas de 

endocitose são as vesículas de 

pinocitose, de pequeno tamanho e 

contendo apenas fluidos ou solutos.

‰

A pinocitose ocorre nas células 

permanentemente

e é responsável, 

por exemplo, pela absorção dos lípidos

após a digestão.

Pinocitose

(31)

Endocitose mediada por receptores

‰ As macromoléculas a interiorizar ligam‐se a receptores específicos que se encontram 

concentrados em regiões especializadas da membrana: depressões revestidas por clatrina (1); as 

depressões franjadas invaginam‐se (2) e destacam‐se da membrana (3) para originar pequenas 

vesículas de endocitose franjadas (4).

Os quatros estádios da formação de uma vesícula franjada. (Microscopia electrónica de transmissão).  

(32)

Endocitose mediada por receptores

Aspecto das vesículas franjadas 

observadas em SEM (técnica de 

criomoldagem).

A clatrina forma uma rede de

malha hexagonal e pentagonal.

(33)

Endocitose mediada por receptores

Exemplo: Transporte do colesterol

‰O colesterol circula no sangue sobe  a forma dum complexo: LDL(“Low Density Lipoprotein”). Cada LDL  contém ~1500 moléculas de ester de  colesterol envoltos por uma camada  composta por 800 fosfolípidos, 500 moléculas de colesterol e 1 proteína: a  apoproteína B100.

colesterol

fosfolípido

Ester de

colesterol

apoproteína

B100

Estrutura do LDL

(34)

Endocitose mediada por receptores

Exemplo: Transporte do colesterol

‰

As células dos mamíferos sintetizam 

receptores de LDL 

que integram a membrana 

citoplasmática. A interiorização do LDL por endocitose faz‐se através da ligação aos seus 

receptores, que se encontram concentrados nas depressões franjadas.

Receptor

proteico

de LDL

Membrana

citoplasmática

citoplasma

A) 

Receptores proteicos de LDL 

ligados à depressão franjada numa 

célula normal.

B) 

Uma célula mutante com 

receptores de LDL anormais não 

possuindo o sítio de ligação à

depressão franjada.

(35)

Caminhos da endocitose mediada por receptores

Enzimas hidrolíticas lisossoma Colesterol libertado endossoma Fusão com o endossoma Vesícula franjada Vesícula não franjada Formação de vesículas de transporte Receptores re‐integrando a membrana 1 2 3 4 1) Após a interiorização do  complexo receptor‐LDL, a clatrina dissocia‐se da vesícula que se  funde com o endossoma; 2) O pH ácido do endossoma permite a dissociação do LDL e do  receptor; 3) O endossoma forma vesículas  que transportam os receptores  para a membrana (reciclagem),  enquanto que 4) o endossoma contendo o LDL é transportado para os  lisossoma,  a partir do qual o colesterol é libertado na célula.

(36)

Caminhos da endocitose mediada por receptores

‰As moléculas contidas no endossoma seguem 3 vias: 1) Reciclagem para re‐integrar a membrana  citoplasmática 2) Degradação no lisossoma 3) Transcitose para integrar um outro domínio da membrana citoplasmática.

(37)

Endocitose

•O transporte de macromoléculas em vesículas é regulado através de      

proteínas presentes na face citosólica da membrana vesicular.

•O transporte intracitoplasmático através de diferentes vesículas assegura o

correcto endereço das macromoléculas.

•Vesículas de 

clatrina,

participam no:

i) processo de entrada de macromoléculas provenientes do meio

extracelular por 

endocitose.

ii) transporte de moléculas da rede 

trans de Golgi para os lisossomas.

•Vesículas não cobertas por clatrina

i)

Vesículas COPI: 

transporte de moléculas 

de Golgi para o RE.

(38)

‰

Permite a ingestão de grande partículas

(micro‐organismos e resíduos celulares) em

vesículas com dimensão superior a 

250 nm

de diâmetro

.

‰

O material absorvido nos 

fagossomas

é

transferido para os lisossomas que passam

a ser chamados de 

fagolisossomas

.

‰

O processo de fagocitose é utilizado

principalmente  pelas células de defesa do

organismo (

macrófagos e neutrófilos

) para

eliminar os microorganismos e células mortas.

Membrana citoplasmática Glóbulo branco Micrografia (TEM) dum neutrófilo fagocitando uma bactéria em divisão

Micrografia mostrando um macrófago fagocitando 2 hemácias modificadas  quimicamente. As setas indicam os bordos dos prolongamentos finos  (pseudopódeos) do macrófago engolindo as hemácias. (microscopia  electrónica de varrimento) 

(39)

Exocitose

‰ Na exocitose, as vesículas fundem‐se com a membrana citoplasmática e libertam o seu conteúdo  no espaço extracelular.

‰ Existem 2 tipos de exocitose: exocitose constitutiva exocitose regulada.

‰ Na exocitose constitutivavesículas de transporte transportam constantemente proteínas 

sintetizadas pela célula. As proteínas transportadas integram a membrana, ou são segregadas na  matriz extracelular. Esta via funciona em todas as células.

‰ Na exocitose regulada, as moléculas sintetizadas pela células estão armazenadas nas vesículas 

de secreção. Uma estimulação da célula, por um sinal extracelular, induz a fusão das vesículas de 

secreção com a membrana citoplasmática e, consequentemente, leva à libertação do seu conteúdo.  Esta via funciona só nas células especializadas na secreção rápida de hormonas, 

(40)
(41)

Exocitose

‰

Exemplo: 

Exocitose regulada nos mastócitos do rato

‐ Figura A) mostra a célula (não estimulada) com vesículas contendo a 

histamina

;

‐ Figura B) mostra a célula após libertação da histamina, a seguir a uma estimulação.

Referências

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