Saberes Fundamentais da Psicopedagogia aplicados à ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL
Profª Rachel Leão PSICOPEDAGOGIA
“é uma área de conhecimento que busca compreender os problemas de aprendizagem humana refletindo sobre as questões relacionadas ao desenvolvimento cognitivo, psicomotor e afetivo, implícitas nas situações de aprendizagem, ..., e apontam para duas vertentes”:
A TERAPEUTA E A PREVENTIVA
(FAGALI,2002. p.9).
Vertentes:
•Terapeuta/curativa – conotação de consultório/clínica (na IE - trabalho realizado com o grupo) – reintegra e readapta a criança ou jovem que apresentem problemas de aprendizagem escolar vinculado ao processo de construção de conhecimento.
•Preventiva – trabalha o desenvolvimento integrado do aluno – aspecto afetivo/cognitivo .
AVALIAÇÃO/DIAGNÓSTICO Pontual ou institucional
• Observa as práticas pedagógicas dos educadores e dos educandos, identificando quais os obstáculos que a criança apresenta e as possibilidades que ela traz para desenvolver o seu aprender (readaptação do aluno, reintegrando-o à sala de aula);
• Identifica as práticas pedagógicas que facilitam/dificultam a aprendizagem ao nível das dificuldades já instaladas – trabalho de readaptação e reintegração grupal.
• Identifica práticas pedagógicas inovadoras que facilitam a aprendizagem, procurando entender o que leva um educador a inovar sua prática e como é ela organizada;
• Observa se o trabalho interdisciplinar acontece, com e sem as práticas inovadoras e orienta sobre as praticas interdisciplinares;
• Identifica como se processa o aprender no contexto escolar e o que leva ao “não aprender”, bem como os vínculos que estão ausentes e que seriam necessários para a aprendizagem ocorrer.
INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA
• Instrumentaliza a equipe pedagógica, identificando os mecanismos presentes no aprender com o outro, desenvolvendo dinâmicas de situação mais próximas de sala de aula (funções cognitivas/afetivas – desbloqueio – conceitos);
• Aproxima as praticas, entre professor e aluno, escola x família e comunidade, promovendo a aprendizagem escolar do aluno, ajudando-o a reconstruir sua auto- imagem, a interessar-se em modificar-se para integrar-se.
• Assessora gestores, pedagogos, orientadores e educadores – relações vinculares (professor – aluno) – integrando os fatores afetivos (epistêmicos)/cognitivos (epistemológicos) por meio da aprendizagem de conceitos nas diferentes áreas do conhecimento (discurso/prática) no processo do aprender (trabalho de formação: reflexão sobre as praticas, postura e instrumentos pedagógicos).
INTERVENÇÃO PREVENTIVA
• Propõe ao professor releitura e reelaboração dos programas curriculares (uma forma diferente de apresentar os conteúdos), buscando os significados e valores das informações na aprendizagem escolar e sua relação com as necessidades e possibilidades reais dos alunos;
• Assessora o professor na análise mais detalhada dos conceitos (discurso/pratica);
• Estimula e orienta a criação de materiais, textos e livros pelo próprio aluno e para seu próprio uso; • Ajuda a IE e a comunidade escolar a pensar e refletir sobre o papel da escola e sobre o papel que
cada um desempenha na instituição.
RECURSOS METODOLÓGICOS
• Dinâmicas de grupo (mitos, fantasias, narrativas, desenhos, pinturas etc); • Jogos de cooperação; • Rodas de conversa; • Grupo focal/temático; • Escuta de narrativas; • Observação periférica; • Observação participante; • Entrevista aberta/semiestruturada;
• Reuniões/encontros/seminários com gestores, professores e pais de alunos. • Análise da produção intelectual do aluno.
• Referências:
• 1.BARBOSA, Laura M. Serrat. O Projeto de trabalho: uma forma de atuação psicopedagógica. 3ª
• 2.BARBOSA, Laura M. Serrat. A Psicopedagogia no âmbito da Instituição Escolar. Curitiba. PR,
editora Expoente, 2001.
• 3.CAMPOS M. Célia R. Malta (org.). Atuação em Psicopedagogia Institucional: brincar, criar e
aprender em diferentes idades. Rio de janeiro, WAK editora, 2012.
• 4.FAGALI, Eloisa Quadros. Psicopedagogia Institucional Aplicada: aprendizagem escolar dinâmica
e construção na sala de aula. 7ª ed. São Paulo, VOZES, 2002.
• 5.GASPARIM, Maria Cecília Castro. Psicopedagogia Institucional Sistêmica: contribuições do
modelo relacional sistêmico para a psicopedagogia institucional. 2ª ed. rev. e at. São Paulo. Ponto Cosmopolitana, 2011.
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA INTRODUÇÃO
• A rotina de um coordenador pedagógico dentro da escola é intensa. Atendimento aos pais, organização dos espaços, cronogramas, reunião com a direção, preparação das festas, das reuniões pedagógicas e muito mais. Diante de tantas demandas, não é raro encontrar coordenadores que chegam ao final do dia e se perguntam: afinal, quais foram as minhas
contribuições aos professores e aos alunos? Mudar esta realidade depende de muitos fatores,
mas, dentre eles, há um que cabe ao próprio coordenador, ou seja, saber qual seu real papel,
saber definir prioridades e organizá-las no tempo possível, o tempo real. DESTAQUE
• A não existência de um preparo específico leva o coordenador a manter-se distante de seu verdadeiro objeto de trabalho: a formação continuada do professor. Não é de se espantar que, durante muito tempo, este profissional tenha se envolvido com questões burocráticas ou tenha atuado como uma espécie de supervisor controlador.
APONTAMENTOS
• O coordenador pedagógico é co-responsável pelos resultados das aprendizagens dos alunos. • Tem como responsabilidade a viabilização de mudanças na sala de aula e na dinâmica da escola,
o que conduz a um impacto bem mais produtivo e significativo do processo educativo.
• Tem como desafio a implementação de ações com intencionalidade formativa voltadas para a qualificação constante e permanente dos professores.
OBJETIVOS DO TRABALHO DO O.P.
• Transformar as escolas em espaços de formação permanente: horário de trabalho coletivo (garantido pela LDB);
• Organizar uma estrutura de formação que implemente ou otimize a formação permanente, de forma independente de programas governamentais e cursos;
• Definir as funções de cada um dos atores envolvidos no processo educacional para que cada um se responsabilize pelas suas atribuições.
OBJETIVO DA FORMAÇÃO
• Buscar a formação de um profissional reflexivo. Para isso será necessário:
• Elaborar um projeto de formação.
“O que me interessa fortemente (...) não é dar receitas, mas é propor desafios, é discutir aspectos que eu considero necessários e permanentemente presentes na prática docente, que eu chamei de saberes fundamentais” (Paulo Freire).
PROJETO
• Projeto didático
É uma forma de organizar o trabalho do professor com as crianças que visa articular objetivos didáticos com os objetivos sociais.
• Projeto de formação
É uma forma de organizar o trabalho do formador com sua equipe (coordenadores ou professores) que visa melhorar as práticas pedagógicas e assim dar melhores condições de aprendizagem para as crianças.
FORMAÇÃO PROFISSIONAL
É o conjunto de experiências formativas relacionadas direta ou indiretamente ao exercício da profissão, aquelas cuja finalidade explícita é subsidiar a atuação no trabalho.
Experiências diretas: formação inicial, formação continuada e as demais oportunidades de desenvolvimento profissional.
Experiências indiretas: todo o conjunto de experiências que produzem aprendizagens ao longo da vida.
PRINCÍPIOS DA FORMAÇÃO CONTINUADA
• Embasamento construtivista e o professor reflexivo; • Resolução de situações-problema;
• Reflexão sobre a prática; • Teoria embasa a prática;
• A provisoriedade do conhecimento; • Aprendizagem coletiva.
Embasamento construtivista e o professor reflexivo
Um dos pressupostos da formação é considerar os professores (sujeito-aprendiz) como sujeitos intelectualmente ativos e capazes de assumir a responsabilidade de sua aprendizagem.
Resolução de situações-problema
Outro pressuposto importante é considerar que o progresso no conhecimento conceitual é obtido a partir da resolução de situações-problema, da superação de desafios. Assim, a presença de um objeto (um conteúdo) não assimilável exige do sujeito uma modificação de seus esquemas interpretativos, pois os que dispõem no momento não são suficientes para fazê-lo compreender, ou seja, para resolver algo que lhe desafia.
Uma boa situação-problema deve reunir algumas condições. A pertinência da proposta está subordinada à qualidade da avaliação diagnóstica realizada pelo formador:
• o que os profissionais sabem, • o que não sabem,
• o que precisam aprender a fazer para aprimorar suas práticas.
Deve ter sentido no campo de conhecimento do profissional, porém não deve ser solucionado apenas com os recursos que ele já possui. Pelo contrário, tem de permitir que se ponham em prática os esquemas de assimilação já construídos para, com base neles, construir novos conhecimentos, estabelecer novas relações. Os problemas colocados pelos formadores são sempre abertos, ou seja, permitem a escolha de procedimentos ou caminhos diferentes. A mesma ação deve ocorrer em relação às crianças.
(Bem-Vindo, mundo! Criança, cultura e formação de educadores- -pg. 69)
Reflexão sobre a prática
• Refletir é um tipo de fazer, é uma forma de proceder, pois a reflexão é um procedimento.
• A reflexão sobre a prática só existe quando, coletivamente, criamos a oportunidade de discutir as questões para as quais ainda não encontramos saídas ou soluções.
Teoria embasa a prática
• Sabe-se hoje que apenas conhecer bem a teoria não conduz a uma mudança na prática; por outro lado, a prática sem um embasamento teórico não possibilita a autonomia profissional, muito menos favorece a criação de soluções singulares para os problemas que emergem.
• A teoria está presente na formação por meio do trabalho com conteúdos específicos que estão nos textos e livros e servem para embasar a resolução de questões na área pedagógica, de saúde, da organização do espaço, da rotina, da relação com as famílias, entre outras, e para subsidiar a análise de diferentes pontos de vista e estratégias.
• Desenvolvimento de competências dos educadores por meio de um processo de ação-reflexão-ação que ocorre no coletivo estreitamente vinculado aos contextos de trabalho.
• São criadas situações-problema que requerem tomadas de decisões e argumentação sobre o seu fazer, investe-se nas possibilidades de generalização das aprendizagens realizadas. Portanto, espera-se que os educadores sejam capazes de aprender a resolver problemas e permanentemente façam isso em diferentes situações, responsabilizando-se também por sua formação.
A provisoriedade do conhecimento
• Pela perspectiva construtivista, os conhecimentos são provisórios: ocorrem por reorganizações constantes e aproximações sucessivas com o objeto a ser conhecido. Não existem verdades absolutas, nem permanentes – o que existe é a possibilidade de interpretar a realidade por meio do conhecimento disponível no momento.
• Nova perspectiva sobre o erro.
Aprendizagem coletiva
• O que se espera é que as competências profissionais sejam construídas coletivamente, ainda que se preservem as singularidades. Para isso é importante investir no aprendizado do trabalho coletivo: aprender a estudar, a pesquisar, a produzir com seus pares, desenvolvendo uma atitude cada vez mais colaboradora.
ALGUMAS ESTRATÉGIAS FORMATIVAS
1. Análise de bons modelos;
2. Analise de situações homólogas;
3. Tematização de práticas;
4. Análise de registro com devolutivas.
Análise de bons modelos
• Visa ampliar o repertório dos professores e demais profissionais com propostas mais significativas e desafiadoras. O modelo é boa referência para ser aprendida e não algo para ser repetido sem reflexão.
• O que usar? Atividades já “testadas”, imagens, relatos de experiências.
Análise de situações homológicas
• Práticas sociais reais, escolhidas pelo formador para explicitar os processos dos sujeitos envolvidos em determinados atos, bem como fazer emergir a natureza própria dos objetos de conhecimento em questão, visando apoiar os planejamentos dos professores.
• Tematizar é refletir sobre uma prática e extrair desse ato conhecimento novo. É passar por níveis crescentes de abstração gerados com base na construção de novos observáveis (atos que são observados pelos professores valendo-se de conhecimentos construídos) sobre a prática pedagógica, que possibilita converter um pensamento em experiência, e vice-versa. Tematizar tanto significa organizar uma prática em palavras como traduzir conceitos em uma prática.
• O que usar? Registros dos professores e filmagens.
• Ao analisar situações didáticas junto com os colegas e com o formador, o professor pode construir observáveis para algo que não foi possível constatar no momento da ação. Esse distanciamento permite pensar como, quando e por que intervir de um modo e não do outro, sempre com base numa fundamentação teórica.
Análise de registros com devolutivas
• Escrever sobre a ação desenvolvida nas escolas possibilita o distanciamento necessário que incentiva a reflexão sobre a prática, principalmente quando esse material escrito pode ser analisado pelo parceiro mais experiente, o qual comenta, sugere diferentes ações e indaga para esclarecer. • Interlocução entre teoria e prática.
• CARVALHO, S. P., KLISYS, A., AUGUSTO, S. (Orgs). Bem-Vindo, mundo! Criança, cultura e formação de educadores. Instituto C&A e Instituto Avisa Lá. São Paulo, Peirópolis, 2006.