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Como Passar Concursos Jurídicos 15.000 Questões Comentadas 2014 - Wander Garcia

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2014

CONCURSOS

JURÍDICOS

Um dos maiores especialistas em Concursos Jurídicos do País

15.000

QUESTÕES

COMENTADAS

BÔNUS

(2)
(3)

SUMÁRIO

1. LÍNGUA PORTUGUESA 5

1. INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS ...5

2. VERBO ...13

3. PONTUAÇÃO ...16

4. REDAÇÃO, COESÃO E COERÊNCIA ...19

5. CONCORDÂNCIA ...21 6. CONJUNÇÃO ...25 7. PRONOMES ...27 8. CRASE ...33 9. SEMÂNTICA ...35 10. VOZES VERBAIS ...37 11. ORTOGRAFIA ...41

12. REGÊNCIAS VERBAL E NOMINAL ...42

13. COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO ...44 14. ANÁLISE SINTÁTICA ...45 15. ENGLOBADAS ...46 2. INFORMÁTICA 49 1. HARDWARE ...49 2. OFFICE ...52

2.1. EXCEL (PLANILHA ELETRÔNICA) ...52

2.2. WORD (EDITOR DE TEXTO) ...55

2.3. POWERPOINT (SLIDES) ...60

2.4. ACCESS ...60

3. BR OFICCE ...60

3.1. WRITER (EDITOR DE TEXTO) ...60

3.2. PLANILHAS ELETRÔNICAS (CALC) ...61

3.3. BROFFICE – IMPRESS ...63

4. REDE E INTERNET ...63

4.1. FERRAMENTAS E APLICATIVOS DE NAVEGAÇÃO ...64

4.2. CORREIO ELETRÔNICO ...69

4.3. GRUPOS DE DISCUSSÃO ...71

4.4. BUSCA E PESQUISA ...71

(4)

5. SISTEMAS OPERACIONAIS ...73

5.1. WINDOWS ...73

5.2. LINUX ...79

6. SEGURANÇA ...80

03. MATEMÁTICA 81 1. FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS ...81

2. CESPE ...89

(5)

Magally Dato

1. L

íngua

P

ortuguesa

1. INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS

O desafio da violência

A VIOLÊNCIA, em diversas formas, foi variável fundamental na constituição da sociedade brasileira. A ocupação europeia do hoje território brasileiro foi feita mediante a destruição de centenas de culturas indígenas e da morte de milhões de ameríndios.

5 Por outro lado, a instituição da escravidão, implicando uma dominação violenta, física e simbólica, atingiu os índios e depois, principalmente, a mão de obra africana que, durante quase quatro séculos, foi objeto do tráfico.

Portanto, a sociedade brasileira tradicional, a partir de um 10 complexo equilíbrio de hierarquia e individualismos, desenvolveu o uso da violência, mais ou menos legítimo, por parte de atores sociais bem definidos. No entanto, o panorama atual apresenta algumas características que alteram e agravam o quadro tradicional.

15 A urbanização acelerada, com o crescimento desenfreado das cidades, as fortes aspirações de consumo, em boa parte frustradas, dificuldades no mercado de trabalho e conflitos de valores são algumas variáveis que concorrem para tanto. Ninguém mais se sente seguro: nem empresas nem indivíduos. 20 Elites e classes médias têm suas casas assaltadas. O que dizer das camadas populares, secularmente vitimizadas? Nas favelas, nos conjuntos habitacionais, nas periferias, os criminosos fazem praticamente o que querem, seviciando, estuprando e matando. As pessoas são humilhadas e desrespeitadas de todos os 25 modos. O poder público tem se mostrado, no mínimo, incapaz

de enfrentar essa catástrofe.

Sem dúvida, a pobreza, a miséria e a iniquidade social constituem, historicamente, campo altamente propício para a disseminação da violência. No entanto, creio que não tem sido 30 dada a devida atenção para a dimensão moral, ética e do sistema de valores como um todo, para a compreensão desse fenômeno. A perda de credibilidade e de referências simbólicas significativas destrói expectativas de convivência social elementares. A família, a escola e a religião não têm sido 35 capazes, por sua vez, de resistir à deterioração de valores. Na sociedade tradicional, com sua violência constitutiva, existiam mecanismos de controle social que marcaram uma moralidade básica compartilhada. Sem dúvida, continuam existindo áreas e grupos sociais que preservam e se preocupam com essas 40 questões. Certamente a maioria das pessoas não é violenta ou

corrupta. No entanto, o clima geral de impunidade incentiva a utilização de recursos e estratégias criminosas.

Desenvolvem-se, inevitavelmente, soluções do tipo “justiça pelas próprias mãos”, que aumentam ainda mais a violência e a 45 insegurança. Policiais, bandidos, justiceiros e seguranças travam batalhas diárias matando e pondo em risco a segurança de toda a população. O fenômeno das “balas perdidas”, expressão desses conflitos, é difícil de ser explicado para pessoas que não vivem nas cidades brasileiras. O fato de qualquer pessoa em 50 qualquer de seus bairros estar exposta a esse tipo de perigo

ilustra, de modo dramático, a intensidade da crise.

Como construir e sustentar um projeto nacional nessas circunstâncias? A sociedade civil, por si só, é insuficientemente organizada para enfrentar esses desafios e criar alternativas 55 legítimas para o enfrentamento da violência. Só o Estado, reformado e renovado, incluindo o Legislativo e o Judiciário, poderá dispor de meios e recursos, articulado à opinião pública, para reverter essa ameaça de colapso. Estou falando, bem entendido, de regime democrático e não de ditaduras salvacionistas.

60 Hoje um projeto capaz de mobilizar a nação passa, inevitavelmente, pelo estabelecimento de uma política efetiva de segurança pública dentro da ordem democrática. Só assim poderemos implementar e consolidar nossa precária cidadania, condição básica para o futuro da nação brasileira.

(VELHO, Gilberto. Violência: faces e máscaras.

In: www.scielo.br – com adaptações)

(Delegado/AP – 2010 – FGV) Uma das teses defendidas pelo autor é a de que (A) a sociedade civil, embora seja desorganizada, pode barrar o avanço

da violência se amparada pelos demais poderes do Estado.

(B) ainda que a miséria e a pobreza possam contribuir para a

propa-gação da violência, é a crise moral a grande responsável pelo seu agravamento.

(C) um projeto nacional de combate à violência inclui a disponibilidade

de verbas e a ampla liberdade de aplicação dos poderes repressivos reservados ao Estado.

(D) no passado, mesmo que violenta, a sociedade era rigorosamente

controlada; hoje, família, escola e religião são instituições imorais e/ou corruptas.

(E) a corrupção como característica natural do brasileiro tem origem nas

culturas ameríndia e africana que estão na base de nossa formação.

De acordo com o texto “o clima geral de impunidade incentiva a utilização de recursos

e estratégias criminosas”. Gabarito "B"

O QUANTO INFLUI A FORTUNA NAS COISAS HUMANAS E COMO REAGIR A ELAS

Não ignoro que muitos foram e que tantos ainda são da opinião de que as coisas que sucedem no mundo veem-se de tal forma governadas pela fortuna e por Deus que os homens, com a sua sabedoria, não poderiam retificá-las e que nem sequer haveria meio de remediá-las. Baseados nisso, eles depreendem que, para defini-las, menos valeria esforçar-se em demasia que se entregar ao regimento da sorte. Tal opinião recebeu um 5 grande crédito nestes nossos tempos em razão das grandes transformações que vimos e que ainda vemos, a a cada dia, superar todas as humanas conjeturas. Meditando-o, eu mesmo, algumas vezes, senti-me parcialmente inclinado a aceitar esse juízo.

No entanto, visto que não é nulo nosso livre-arbítrio, creio poder ser verdadeira a arbitragem da fortuna sobre a metade das nossas ações, mas que ela tenha-nos deixado o governo da outra metade, ou cerca disso. 10 E eu a comparo a um destes rios torrentosos que, em sua fúria, inundam os plainos, assolam as árvores e as construções, arrastam porções do terreno de uma ribeira à outra: todos, então, fogem ao seu irromper, nenhum homem resiste ao seu ímpeto, cada qual incapaz de opor-lhe um único obstáculo. E, em que pese a assim serem [esses rios], aos homens não é vedada, em tempos de calmaria, a possibilidade de obrar preventivamente diques e barragens, de sorte que, em advindo uma nova cheia, as suas águas escoem por um 15 canal ou que o seu ímpeto não seja nem tão incontrolável, nem tão avassalador.

(6)

De um modo análogo intervém a fortuna, a qual manifesta seu poder onde não há forças organizadas que lhe resistam; ela, que volve o seu furor aos locais onde sabe que não foram construídos nem diques nem barragens para refreá-la. [...] Espero ter dito o bastante sobre a oposição que se pode fazer à fortuna de um modo geral.

20 Adstringindo-me ao que há de particular em um príncipe, digo que hoje vemo-lo prosperar e amanhã cair em desgraça sem que demos tento de uma só mudança em sua natural forma de ser e de proceder, o que, creio eu, decorre principalmente da ideia de que um príncipe que se arrima tão somente na fortuna sucumbe ao variar desta. Creio igualmente que é feliz aquele que coaduna o seu modo de operar com as condições da sua época, e que, de um modo símile, é desditoso aquele cujo procedimento com estas conflita.

25 Reparamos que os homens, em relação àquelas coisas que os conduzem aos fins que cada um persegue – isto é, às glórias e às riquezas – procedem diversamente: um, com circunspecção; o outro, com impetuosidade; um, valendo-se da violência; o outro, da habilidade; um, com paciência; o outro, com o seu contrário; e cada qual, com esses vários modos de portar-se, podendo atingir o seu intento. Notamos também, de dois homens cautos, que um realiza o seu propósito e o outro não, e, paralelamente, que dois homens 30 alcançam o mesmo êxito atuando de maneiras diferentes; um, sendo ponderado; o outro sendo veemente – o que não é consequência senão das condições das diferentes épocas, que se conformam ou não às suas formas de agir. O resultado disso, já o referi: dois que se conduzem diversamente logram o mesmo resultado e dois outros, agindo de forma idêntica, um atingirá o seu objetivo e o outro não.

A isso subordina-se igualmente o caráter cambiante do sucesso: se um [homem, príncipe...] pautar as 35 suas ações pela prudência e pela paciência, e se os tempos e as circunstâncias correrem de um modo compatível com a sua conduta, ele será venturoso. Se os tempos e as circunstâncias, porém, mudarem, ele cairá em ruína não alterando o seu comportamento. É raro encontrarmos um homem tão sensato que saiba acomodar-se a essa realidade, seja por incapacidade de apartar-se daquilo a que a sua natureza o inclina, seja porque, havendo sempre prosperado ao seguir por uma determinada trilha, não pode persuadir-se a desviar-se 40 dela. O homem circunspecto, ao chegar a hora de fazer-se impetuoso, retrai-se, inepto; donde a sua completa

decadência. Afizesse-se ele ao seu tempo e à sua realidade e permaneceria inalterada a sua sorte (fortuna). Concluo que, sendo a sorte (fortuna) inconstante e os homens obstinados em suas formas de agir, estes serão felizes pelo tempo em que com ela convergirem e desditosos quando dela divergirem. E considero o seguinte: que mais vale ser impetuoso que circunspecto, pois que a fortuna [...] deixa-se melhor dominar por 45 quem assim procede do que pelos que se portam com frialdade. Por esse motivo, ela é sempre amiga dos

jovens: estes são menos judiciosos, mais aguerridos e mais audazes ao comandá-la.

MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Trad. Antônio Caruccio-Caporale.

Porto Alegre: L&PM, 2008. pp. 120-124. (Adaptado).

Comentário preliminar: trata-se um texto de difícil compreensão. Para compreendê-lo melhor, faz-se necessário prestar atenção aos seus

referentes, isto é, procure sempre identificar o sujeito da oração, o referente do pronome, o objeto do verbo etc. Antes de ler o pequeno resumo a seguir, leia o texto e procure compreendê-lo.

Seguem algumas ideias discutidas no texto:

(1) O autor tem conhecimento de que há pessoas que acreditam na inexistência do livre-arbítrio. Para algumas pessoas, os acontecimentos são

governados pela fortuna e por Deus. Desse modo, para essas pessoas, não valeria a pena esforçar para tentar mudar a sorte. O autor meditou a respeito e algumas vezes sentiu-se parcialmente inclinado a aceitar isso como verdade.

(2) O autor crê na arbitragem da fortuna sobre metade das nossas ações. É possível prevenir-se (“a fortuna intervém [...] onde não há forças

organizadas que lhe resistam”).

(3) O autor crê “que é feliz aquele que coaduna o seu modo de operar [com circunspecção ou com impetuosidade] com as condições da sua

época [...] e desditoso aquele cujo procedimento conflita com as condições da sua época”.

(4) Para que os homens alcancem seus objetivos, há dois modos de se agir: com circunspecção ou com impetuosidade. Dois homens “que se

conduzem diversamente logram o mesmo resultado e dois outros, agindo de forma idêntica, um atingirá o seu objetivo e o outro não”.

(5) “Se os tempos e as circunstâncias correrem de um modo compatível com a sua conduta, ele será venturoso. Se os tempos e as circunstâncias,

porém, mudarem, ele cairá em ruína não alterando o seu comportamento”.

(6) “Sendo a sorte (fortuna) inconstante e os homens obstinados em suas formas de agir, estes [homens] serão felizes pelo tempo em que com

ela [a sorte] convergirem e desditosos quando dela [da sorte] divergirem”.

(Delegado/GO – 2009 – UEG) A alternativa que melhor resume o texto é:

(A) para obter o sucesso, o homem deve ser impetuoso e pautar sua vida pela prudência e pela paciência. Mesmo possuindo o livre-arbítrio,

jamais deve desviar-se do caminho no qual tem prosperado.

(B) agindo impetuosamente e de maneira obstinada, o homem sempre obterá sucesso, independentemente de seu livre-arbítrio e da época em

que vive, pois a impetuosidade vale mais que a circunspecção.

(C) a vida humana é de tal modo governada pela sorte e por Deus que não há como o homem, mesmo possuidor do livre-arbítrio, alterar seu

destino. Deve apenas conformar-se a ele pelo exercício da prudência e da paciência.

(D) a fortuna e Deus regem grande parte da vida humana. Há, contudo, a possibilidade de o homem, por meio de seu livre-arbítrio, interferir em

sua sorte ou mesmo mudá-la, agindo de acordo com as necessidades da época.

O autor tem conhecimento de que há pessoas que acreditam na inexistência do livre-arbítrio. Para algumas pessoas, os acontecimentos são governados pela fortuna e por Deus. O autor crê na arbitragem da fortuna sobre metade das nossas ações. É possível prevenir-se (“a fortuna intervém [...] onde não há forças organizadas que lhe resistam”). Além disso,

o autor crê “que é feliz aquele que coaduna o seu modo de operar com as condições da sua época”. Gabarito "D"

(Delegado/GO – 2009 – UEG) Considerando os parágrafos 5 e 6, é CORRETO afirmar que o homem (o príncipe), para obter sucesso, deve agir com

(A) circunspecção ou com impetuosidade, de acordo com seu caráter ou sua personalidade. (B) circunspecção ou com impetuosidade, adaptando sua conduta às diferentes situações. (C) impetuosidade, nas diversas situações, em detrimento da circunspecção.

(D) circunspecção em detrimento da impetuosidade, em qualquer situação.

O autor crê “que é feliz aquele que coaduna o seu modo de operar [com circunspecção ou com impetuosidade] com as condições da sua época [...] e desditoso aquele cujo

(7)

(Delegado/GO – 2009 – UEG) Leia os trechos retirados do texto.

I. “[...] as coisas que sucedem no mundo veem-se de tal forma

governadas pela fortuna e por Deus que os homens, com a sua sabedoria, não poderiam retificá-las e que nem sequer haveria meio de remediá-las.” (linhas 1-3)

II. “[...] dois homens alcançam o mesmo êxito atuando de maneiras

diferentes; um, sendo ponderado; o outro sendo veemente – o que não é consequência senão das condições das diferentes épocas, que se conformam ou não às suas formas de agir.” (linhas 29-32)

III. “[...] mais vale ser impetuoso que circunspecto, pois que a fortuna

[...] deixa-se melhor dominar por quem assim procede do que pelos que se portam com frialdade.” (linhas 44-45)

Revela opiniões defendidas pelo autor o que se afirma

(A) apenas em I. (B) apenas em I e II. (C) apenas em II e III. (D) em I, II e III.

O autor crê na arbitragem da fortuna sobre metade das nossas ações. Gabarito "C"

(Delegado/GO – 2009 – UEG) A conclusão a que chega o autor, no 7º parágrafo, decorre da

(A) consideração parcial das ideias apresentadas no 5º parágrafo do

texto.

(B) consideração total das ideias apresentadas no restante do texto. (C) negação total das ideias apresentadas no restante do texto. (D) negação apenas das ideias apresentadas no 1º parágrafo.

De acordo com o 5º parágrafo, para que os homens alcancem seus objetivos, há dois modos de se agir: com circunspecção ou com impetuosidade. Dois homens “que se conduzem diversamente logram o mesmo resultado e dois outros, agindo de forma idêntica, um atingirá o seu objetivo e o outro não”. O autor conclui no 7º parágrafo que “Sendo a sorte (fortuna) inconstante e os homens obstinados em suas formas de agir, estes (homens) serão felizes pelo tempo em que com ela (a sorte) convergirem e

desditosos quando dela (da sorte) divergirem.” Gabarito "A"

(Delegado/GO – 2009 – UEG) No texto, as palavras “diques” e “barragens” são usadas em sentido

(A) metafórico no 2º parágrafo e literal no 3º. (B) metafórico no 2º e 3º parágrafos. (C) literal no 2º parágrafo e metafórico no 3º. (D) literal no 2º e 3º parágrafos.

No 2º parágrafo as palavras “diques” e “barragens” estão sendo usadas no seu sentido literal, isto é, para conter a invasão da água do rio: “em advindo uma nova cheia, as suas águas escoem por um canal”; já no 3º parágrafo, não se trata da água do rio, e sim de qualquer situação que esteja fora do controle, pela falta da previsibilidade (a construção de diques e barragens).

Gabarito "C"

Texto para a questão seguinte.

Brinkmanship

1 Em 1964, o cineasta Stanley Kubrick lançava o filme Dr. Strangelove. Nele, um oficial norte-americano ordena um bombardeio nuclear à União Soviética e comete suicídio em seguida, levando consigo o código para cancelar o bombardeio. O presidente norte-americano busca o governo soviético na esperança de convencê-lo de que o evento foi um acidente e, por isso, 4 não deveria haver retaliação. É, então, informado de que os soviéticos implementaram uma arma de fim do mundo (uma rede de bombas nucleares subterrâneas), que funcionaria automaticamente quando o país fosse atacado ou quando alguém tentasse desacioná-la. O Dr. Strangelove, estrategista do presidente, aponta uma falha: se os soviéticos dispunham de tal arma, por que 7 a guardavam em segredo? Por que não contar ao mundo? A resposta do inimigo: a máquina seria anunciada na reunião do partido

na segunda-feira seguinte.

Pode-se analisar a situação criada no filme sob a ótica da Teoria dos Jogos: uma bomba nuclear é lançada pelo país 10 A ao país B. A política de B consiste em revidar qualquer ataque com todo o seu arsenal, o qual pode destruir a vida no planeta, caso o país seja atacado. O raciocínio que leva B a adotar tal política é bastante simples: até o país mais fraco do mundo está seguro se criar uma máquina de destruição do mundo, ou seja, ao ter sua sobrevivência seriamente ameaçada, o país destrói o 13 mundo inteiro (ou, em seu modo menos drástico, apenas os invasores). Ao elevar os custos para o país invasor, o detentor dessa arma garante sua segurança. O problema é que de nada adianta um país possuir tal arma em segredo. Seus inimigos devem saber de sua existência e acreditar na sua disposição de usá-la. O poder da máquina do fim do mundo está mais na intimidação do que 16 em seu uso.

O conflito nuclear fornece um exemplo de uma das conclusões mais surpreendentes a que se chega com a Teoria dos Jogos. O economista Thomas Schelling percebeu que, apesar de o sucesso geralmente ser atribuído a maior inteligência, 19 planejamento, racionalidade, entre outras características que retratam o vencedor como superior ao vencido, o que ocorre, muitas vezes, é justamente o oposto. Até mesmo o poder de um jogador, considerado, no senso comum, como uma vantagem, pode atuar contra seu detentor.

22 Schelling denominou brinkmanship (de brink, extremo) a estratégia de deliberadamente levar uma situação às suas consequências extremas.

Um exemplo usado por Schelling é o bem conhecido jogo do frango, que consiste em dois indivíduos acelerarem seus 25 carros na direção um do outro em rota de colisão; o primeiro a virar o volante e sair da pista é o perdedor.

Se ambos forem reto, os dois jogadores pagam o preço mais alto com sua vida. No caso de os dois desviarem, o jogo termina em empate. Se um desviar e o outro for reto, o primeiro será o frango, e o segundo, o vencedor. Schelling propôs que um 28 participante desse jogo retire o volante de seu carro e o atire para fora, fazendo questão de mostrá-lo a todas as pessoas presentes. Ao outro jogador caberia a decisão de desistir ou causar uma catástrofe. Um jogador racional optaria pelo que lhe causasse menos perdas, sempre perdendo o jogo.

ZUGMAN, Fabio. Teoria dos jogos. Internet: <www.iced.org.br> (com adaptações).

(Delegado/RN – 2009 – CESPE) Com base no texto, assinale a opção correta.

(A) A leitura do final do 1º parágrafo (l.7-8) permite inferir-se que “A resposta do inimigo” não foi dada em uma segunda-feira. (B) A expressão “à União Soviética” (l.2) é complemento da forma verbal “ordena” (R.1).

(C) Acrescentando-se de que imediatamente após a conjunção “e” (l.3), o significado do período correspondente não seria alterado. (D) A expressão “por isso” (l.3) foi empregada com o sentido concessivo.

(E) Mantém-se a correção gramatical do texto ao se substituir “convencê-lo de que” (R.3) por convencer-lhe que.

A: incorreta, pois “A resposta do inimigo” poderia ter sido dada em uma segunda-feira. Sabe-se apenas que “a máquina seria anunciada na reunião do partido na segunda-feira

seguinte.”; B: incorreta, pois a expressão “à União Soviética” é complemento do objeto direto (“um bombardeio nuclear”). A União soviética é a bombardeada; C: correta, pois não

haveria alteração semântica o acréscimo, depois da conjunção “e”, da expressão “de que”: “convencê-lo de que o evento foi um acidente e de que, por isso, não deveria haver

reta-liação”, pois a expressão “de que” inicia o segundo complemento do verbo convencer; D: incorreta, pois, em “o evento foi um acidente e, por isso, não deveria haver retaliação”, a

expressão “por isso” poderia ser substituída por “desse modo”, o que daria a ideia de consequência; E: incorreta, pois o verbo convencer é transitivo direto. Assim, não seria possível

substituir o pronome que indica o objeto direto “lo” (= ele) por “lhe” (= a ele).

(8)

(Delegado/RN – 2009 – CESPE) Na linha 4, o verbo implementar, na forma verbal “implementaram”, está sendo usado no sentido de

(A) suprir de implementos. (B) solucionar.

(C) demarcar.

(D) distribuir estruturas em determinada área. (E) desenvolver ou produzir.

“Os soviéticos desenvolveram uma arma de fim do mundo.” Gabarito "E"

(Delegado/RN – 2009 – CESPE) Assinale a opção correta com relação às ideias do texto e às palavras e expressões nele empregadas.

(A) Se o trecho “não deveria haver retaliação” (l.4) estivesse flexionado

no plural, a forma verbal “deveria” teria de ser substituída por deve-riam.

(B) O período “É então (...) desacioná-la” (l.4-6) esclarece que a

infor-mação dada ao presidente norte-americano era falsa.

(C) Nas linhas 5 e 6, as orações introduzidas por “quando” permitem

uma leitura em que são interpretadas como condição para que a “arma de fim do mundo” (l.4) funcione automaticamente.

(D) No texto, não há como se identificar o sujeito da oração “Por que

não contar ao mundo?” (l.7).

(E) O complemento da palavra “inimigo” (l.7) está subentendido, artifício

que evidencia que o autor do texto assumiu a perspectiva norte--americana segundo a qual a União Soviética é inimiga.

A: incorreta, pois o verbo haver no sentido de existir é impessoal e permanece no

singular; B: incorreta, pois o período apresenta uma informação nova ao presidente; C:

correta, pois a conjunção quando é condicional nas orações “quando/se o país fosse

atacado ou quando/se alguém tentasse”; D: incorreta, pois o sujeito do verbo contar na

oração “Por que não contar” é “por que”; E: incorreta, pois não há informação no texto

que permita afirmar isso. Gabarito "C"

(Delegado/RN – 2009 – CESPE) O sentido geral do texto e a sua correção

gra-matical seriam mantidos caso se substituísse a expressão “no senso comum” (l.20) por (A) geralmente. (B) apressadamente. (C) aproximadamente. (D) erroneamente. (E) precipuamente.

A expressão “no senso comum” tem a acepção de algo entendido pela maior parte das

pessoas, na maior parte das vezes, no geral, geralmente.Gabarito "A"

Texto para as próximas questões.

O jargão

1 Nenhuma figura é tão fascinante quanto o Falso Entendido. É o cara que não sabe nada de nada, mas sabe o jargão. E passa por autoridade no assunto. Um 4 refinamento ainda maior da espécie é o tipo que não sabe

nem o jargão. Mas inventa.

– Ó Matias, você, que entende de mercado de 7 capitais...

– Nem tanto, nem tanto...

(Uma das características do Falso Entendido é 10 a falsa modéstia.)

– Você, no momento, aconselharia que tipo de aplicação?

13 – Bom. Depende do yield pretendido, do throwback e do ciclo refratário. Na faixa de papéis top market – ou o que nós chamamos de topi-marque –, o 16 throwback recai sobre o repasse e não sobre o release,

entende?

– Francamente, não.

19 Aí o Falso Entendido sorri com tristeza e abre os braços como quem diz: “É difícil conversar com leigos...”.

22 Uma variação do Falso Entendido é o sujeito que sempre parece saber mais do que ele pode dizer. A conversa é sobre política, os boatos cruzam os ares, mas 25 ele mantém um discreto silêncio. Até que alguém pede a sua opinião e ele pensa muito antes de se decidir a responder:

28 – Há muito mais coisa por trás disso do que vocês pensam...

Ou então, e esta é mortal: 31 – Não é tão simples assim...

Faz-se aquele silêncio que precede as grandes revelações, mas o falso informado não diz nada. Fica 34 subentendido que ele está protegendo as suas fontes em

Brasília.

E há o Falso que interpreta. Para ele, tudo o que 37 acontece deve ser posto na perspectiva de vastas transformações históricas que só ele está sacando. – O avanço do socialismo na Europa ocorre 40 em proporção direta ao declínio no uso de gordura animal nos países do Mercado Comum. Só não vê quem não quer.

43 E, se alguém quer mais detalhes sobre a sua insólita teoria, ele vê a pergunta como manifestação de uma hostilidade bastante significativa a interpretações 46 não ortodoxas, e passa a interpretar os motivos de quem o questiona, invocando a Igreja medieval, os grandes hereges da história, e vocês sabiam que toda a Reforma se explica a partir da prisão de ventre de Lutero?

VERRÍSSIMO, Luis Fernando. As mentiras que os homens contam.

Rio de Janeiro: Objetiva, 2000 (com adaptações).

(Delegado/RN – 2009 – CESPE) A coerência e o sentido do texto seriam alterados

caso a expressão “nada de nada” (l.2) fosse substituída por

(A) nada sobre coisa alguma. (B) coisa alguma sobre coisa alguma. (C) absolutamente nada.

(D) alguma coisa sobre nada. (E) nada sobre nada.

A expressão “nada de nada” indica conhecimento nulo do personagem “Falso Entendido”. Se fosse usada a assertiva D, haveria algum tipo de conhecimento, o que não condiz

com o texto. Gabarito "D"

(Delegado/RN – 2009 – CESPE) Com base no texto, julgue os itens a seguir.

I. A substituição de “nem” (l.5) por sequer não altera essencialmente

o significado do texto nem prejudica a sua correção gramatical.

II. A oração “que entende de mercado de capitais...” (l.6-7) é uma

oração restritiva e restringe a referência de “Matias” (l.6).

III. No texto, o sentido de “Francamente, não” (l.18) é o mesmo de

Não entendo de maneira franca.

IV. A expressão “ciclo refratário” (l.14) é um exemplo de non sense

usado pelo “Falso Entendido”.

V. Pela leitura de “É difícil conversar com leigos” (l.20-21), conclui-se

que o “Falso Entendido” (R.9) não se considera um leigo. A quantidade de itens certos é igual a

(A) 1. (B) 2. (C) 3. (D) 4. (E) 5.

I: correta, pois os advérbios “nem” e “sequer” são sinônimos; II: incorreta. Trata-se de uma oração explicativa; III: incorreta, pois a frase “Francamente, não” e a oração “Não entendo de maneira franca” não possuem o mesmo sentido no texto, uma vez que, pelo contexto, a frase significa que o interlocutor não entendeu nada e a oração indica que algo não foi entendido de modo claro; IV: correta. O “Falso Entendido” usa várias expressões sem sentido para mostrar-se “entendido”; V: correta. O “Falso Entendido” considera-se

“entendido”, e não leigo. Gabarito "C"

(Delegado/RN – 2009 – CESPE) Com base no texto, julgue os itens abaixo.

I. Com base no período “Fica subentendido que ele está protegendo

as suas fontes em Brasília” (l.33-35), conclui-se que o “falso infor-mado” (l.33) em questão foi instado a emitir uma opinião sobre a política brasiliense.

II. Não há elementos no texto, para além daqueles apresentados

pelo “Falso que interpreta” (l.36), que corroborem a ideia de que o socialismo avança na Europa.

III. Segundo o que defende o “Falso que interpreta” (l.36), se o uso de

gordura animal nos países do Mercado Comum Europeu diminui, o socialismo avança na Europa.

IV. A palavra “insólita” (l.44) tem o sentido de normal ou comum. V. A pergunta expressa nas linhas 48 e 49 pressupõe que o narrador

do texto acredita que toda a Reforma se explica a partir da prisão de ventre de Lutero.

A quantidade de itens certos é igual a

(A) 1. (B) 2. (C) 3.

(9)

(D) 4. (E) 5.

I: incorreta, pois o “Falso Entendido” foi instado a emitir uma opinião sobre a política brasileira. Fala-se das “fontes em Brasília”, pois é na Capital do Brasil que estão instalados os órgãos políticos federais; II: correta, pois não há outras informações no texto acerca do socialismo na Europa; III: correta, pois o texto afirma: “O avanço do socialismo na Europa ocorre em proporção direta ao declínio no uso de gordura animal nos países do Mercado Comum”; IV: incorreta, pois a palavra insólita tem a acepção de anormal,

incomum; V: o narrador do texto está ironizando. Ele não acredita nisso. Gabarito "B"

[Entre falar e escrever]

Antigamente os professores de ginásio* ensinavam a escrever mandando fazer redações que puxavam insensivelmente para a grandiloquência, o preciosismo ou a banalidade: descrever uma floresta, uma tempestade, o estouro da boiada; comentar os males causados pelo fumo, o jogo, a bebida; dizer o que pensa da pátria, da guerra, da bandeira. Bem ou mal, íamos aprendendo, sobretudo porque naquele tempo os professores tinham tempo para corrigir os exercícios escritos (o meu chegava a devolver os nossos com igual número de páginas de observações e comentários a tinta vermelha; que Deus o tenha no céu dos bons gramáticos). Mas o efeito podia ser duvidoso. Lembre-se por analogia o começo do romance S. Ber-nardo, de Graciliano Ramos. O rústico fazendeiro Paulo Honório quer contar a própria vida, mas sendo homem sem instrução, imagina um método prático: contaria os fatos ao jornalista local e este redigiria. No entanto... Leiamos:

O resultado foi um desastre. Quinze dias depois do nosso pri-meiro encontro, o redator do jornal apresentou-me dois capítulos datilografados, tão cheios de besteiras que me zanguei: – Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está pernóstico, está safado, está idiota!

Há lá ninguém que fale dessa forma!

O jornalista observa então que “um artista não pode escrever como fala”, e ante o espanto de Paulo Honório, explica:

– Foi assim que sempre se fez. A literatura é literatura, seu Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como falo, ninguém me lia.

Então Paulo Honório põe mãos à obra do seu jeito, “escreve como fala” e resulta o romance S. Bernardo, um clássico de Graciliano Ramos.

(Adaptado de Antonio Candido, O albatroz e o chinês)

* Ginásio: antiga denominação de período escolar, que hoje corres-ponde às quatro últimas séries do ensino fundamental.

(Analista – TRT/20ª – 2011 – FCC) O autor do texto deixa ver que seus professores no ginásio acabavam valorizando, numa redação,

(A) formas concisas de expressão e ousada inventividade linguística. (B) ostentação retórica e correta abordagem de temas educativos e

cívicos.

(C) valores morais edificantes e expressões em nível bastante coloquial. (D) rigorosa correção ortográfica e originalidade na condução de temas

polêmicos.

(E) o cultivo do pensamento autocrítico e discrição quanto ao estilo

praticado.

Reler o trecho: “ensinavam a escrever mandando fazer redações que puxavam

insensi-velmente para a grandiloquência, o preciosismo ou a banalidade: descrever uma floresta, uma tempestade, o estouro da boiada; comentar os males causados pelo fumo, o jogo, a bebida; dizer o que pensa da pátria, da guerra, da bandeira.”

Gabarito "B "

(Analista – TRT/20ª – 2011 – FCC) Ao lembrar que o efeito podia ser duvidoso, o

autor do texto está aventando a hipótese de que, nas redações,

(A) as banalidades decorriam do fato de os alunos não terem aceitado

as orientações dos professores.

(B) alguns fracassos originavam-se do fato de que os temas eram por

demais complexos para a faixa etária dos alunos.

(C) expressavam-se muitas dúvidas quanto a ser mais desejável a

grandiloquência do que o despojamento da linguagem.

(D) nem sempre era muito positivo o saldo final das atividades exercidas

pelos mestres e pelos alunos.

(E) o que parecia ser um defeito ou uma impropriedade era, na verdade,

o resultado de um excessivo domínio da língua.

A alternativa mais correta é “nem sempre era muito positivo”. Primeiro Antonio Candido escreve: “ensinavam a escrever mandando fazer redações que puxavam insensivelmente

para a grandiloquência, o preciosismo ou a banalidade” e em seguida: “o efeito podia ser duvidoso”. Infere-se que o saldo final das atividades nem sempre era positivo.

Gabarito "D "

(Analista – TRT/20ª – 2011 – FCC) Atente para as seguintes afirmações:

I. Os dois trechos citados de S. Bernardo ilustram posições

antagô-nicas quanto a atributos que devem marcar a linguagem literária.

II. A linguagem do primeiro trecho citado de S. Bernardo não satisfaz

os requisitos preciosistas impostos pelos antigos professores de ginásio.

III. Deduz-se que o jornalista Gondim é um adepto da linguagem direta

e simples, havendo mostrado um estilo “pernóstico” apenas para atender o gosto pessoal de Paulo Honório.

Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em

(A) I. (B) II. (C) III. (D) I e II. (E) II e III.

I: correta – há o antagonismo entre “arranjar palavras com tinta” e “escreve como fala”; II: correta – os antigos professores “ensinavam a escrever mandando fazer redações

que puxavam insensivelmente para a grandiloquência, o preciosismo”. O primeiro

trecho citado de S. Bernardo diz: “– Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o

troço. Está pernóstico, está safado, está idiota!”; III: deduz-se que a linguagem de

Paulo Honório é direta e simples.

Gabarito "D "

De volta à Antártida

A Rússia planeja lançar cinco novos navios de pesquisa polar como parte de um esforço de US$ 975 milhões para reafirmar a sua presença na Antártida na próxima década. Segundo o blog Science Insider, da revista Science, um documento do governo estabelece uma agenda de prioridades para o continente gelado até 2020. A principal delas é a reconstrução de cinco estações de pesquisa na Antártida, para realizar estudos sobre mudanças climáticas, recursos pesquei-ros e navegação por satélite, entre outpesquei-ros. A primeira expedição da extinta União Soviética à Antártida aconteceu em 1955 e, nas três décadas seguintes, a potência comunista construiu sete estações de pesquisa no continente. A Rússia herdou as estações em 1991, após o colapso da União Soviética, mas pouco conseguiu investir em pesquisa polar depois disso. O documento afirma que Moscou deve trabalhar com outras nações para preservar a “paz e a estabilidade” na Antártida, mas salienta que o país tem de se posicionar para tirar vantagem dos recursos naturais caso haja um desmembramento territorial do continente.

(Pesquisa Fapesp, dezembro de 2010, no 178, p. 23)

(Analista – TRE/TO – 2011 – FCC) Em “paz e a estabilidade”, na última frase do

texto, o emprego das aspas

(A) indica que esse segmento é transcrição literal do documento do

governo russo mencionado no início do texto.

(B) sugere a desconfiança do autor do artigo com relação aos supostos

propósitos da Rússia de manter a paz na Antártida.

(C) revela ser esse o principal objetivo do governo russo ao reconstruir

estações de pesquisa na Antártida que datam do período soviético.

(D) aponta para o sentido figurado desses vocábulos, que não devem

ser entendidos em sentido literal, como o constante dos dicionários.

(E) justifica-se pela sinonímia existente entre paz e estabilidade, o que

torna impensável a existência de uma sem a outra.

Releia o último período: “O documento afirma que Moscou deve trabalhar com outras nações para preservar a “paz e a estabilidade” na Antártida, mas salienta que o país tem de se posicionar para tirar vantagem dos recursos naturais caso haja um desmembramento

territorial do continente.”" Gabarito "A

(Analista – TRE/TO – 2011 – FCC) Há exemplos de palavras ou expressões empregadas no texto para retomar outras já utilizadas sem repeti-las literalmente, como ocorre em:

I. o continente gelado – a Antártida II. Moscou – a Rússia

III. a revista Science – o blog Science Insider IV. a potência comunista – a União Soviética

(10)

Atende corretamente ao enunciado da questão o que está em

(A) I e III, apenas. (B) I e IV, apenas. (C) II e III, apenas. (D) I, II e IV, apenas. (E) I, II, III e IV.

I: correta e III: incorreta – “na Antártida na próxima década. Segundo o blog Science Insider, da revista Science [o blog é da revista, não se pretende retomar um termo já utilizado], um documento do governo estabelece uma agenda de prioridades para o continente gelado até 2020.”; II: correta – “O documento afirma que Moscou deve trabalhar com outras nações”; IV: correta – “A primeira expedição da extinta União Soviética à Antártida aconteceu em 1955 e, nas três décadas seguintes, a potência

comunista construiu sete estações de pesquisa no continente.” " Gabarito "D

Atenção: para responder próximas questões, considere o texto abaixo.

1 Esta é uma história da Bossa Nova e dos rapazes e moças que a fizeram, quando eles tinham entre quinze e trinta anos. É também um livro que se pretende o mais factual e objetivo possível. Evidente 5 que, tendo sido escrito por alguém que vem ouvindo Bossa Nova desde que ela ganhou este nome (e que nunca se conformou quando o Brasil começou a trocá-la por exotismos), uma certa dose de paixão acabou se intrometendo na receita − sem interferir, espero, pró ou 10 contra, na descrição da trajetória de qualquer personagem. Os seres humanos, assim como os LPs, têm lados A e B, e houve um esforço máximo para que ambos fossem mostrados.

Para compor essa história, as informações foram 15 buscadas em primeira mão, entre os protagonistas, coadjuvantes ou figurantes de cada evento aqui descrito, citados na lista de agradecimentos. Toda informação 20 importante foi checada e rechecada com mais de uma fonte. A natureza de certas informações torna impossível que sejam especificadas como “entrevista realizada no dia X, na cidade Y, com Fulano de Tal”, porque isto seria a quebra de um preceito ético de proteção à fonte. No caso de fontes que não se furtaram a ser identificadas, estas são mencionadas no corpo do 25 texto. As histórias aqui incluídas levaram em conta apenas a importância que tiveram no desenvolvimento ou na carreira deste ou daquele artista ou da Bossa Nova em conjunto.

(Ruy Castro, “Introdução e agradecimentos”. Chega de saudade:

a história e as histórias da Bossa Nova. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 15)

(Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) O autor do texto

(A) advoga para seu relato a condição de “história”, por cumprir o

pro-tocolo científico: absoluta fidelidade na descrição dos fatos, dados definitivos e cabal objetividade.

(B) emprega simultaneamente história e histórias, o que libera a obra

do compromisso com o constatável, como o ratifica o uso das pala-vras típicas da ficção personagem, protagonistas, coadjuvantes e

figurantes.

(C) explicita a perspectiva adotada na produção da obra referindo-se

a si próprio predominantemente em terceira pessoa, sem deixar, entretanto, em dado momento, de assumir diretamente sua voz.

(D) define o foco da pesquisa que deu origem ao livro: a reação de

pessoas entre quinze e trinta anos diante do desenvolvimento da Bossa Nova.

(E) assume ter pretendido escrever uma história apaixonada sobre a

Bossa Nova, o que o leva a pedir a indulgência do leitor quanto às inadequações decorrentes dessa intenção.

Reveja trecho: “Esta é uma história da Bossa Nova e dos rapazes e moças que a fizeram,

quando eles tinham entre quinze e trinta anos. É também um livro que se pretende o mais factual e objetivo possível. Evidente que, tendo sido escrito por alguém [‘a perspectiva

adotada na produção da obra referindo-se a si próprio predominantemente em terceira pessoa’] que vem ouvindo Bossa Nova desde que ela ganhou este nome (e que nunca

se conformou quando o Brasil começou a trocá-la por exotismos), uma certa dose de paixão acabou se intrometendo na receita − sem interferir, espero [‘sem deixar, entretanto,

em dado momento, de assumir diretamente sua voz’], pró ou contra, na descrição da

trajetória de qualquer personagem.”

Gabarito "C "

(Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) Compreende-se corretamente do texto: (A) a caracterização de entrevista (linhas 20 e 21) prepara o leitor para

a decodificação de certas informações que são tratadas de modo cifrado no livro.

(B) as histórias que compõem o livro (linha 25) não possuem relevo

próprio, merecendo presença na obra unicamente por tangenciarem a trajetória da Bossa Nova.

(C) a comparação entre LPs e seres humanos (linha 11) se fundamenta

no traço comum “caráter bifronte”.

(D) ao fazer referência a um esforço máximo (linha 12), o autor expressa

sua concepção de que a volubilidade torna os seres humanos indecifráveis.

(E) ao referir-se a informações em primeira mão (linha 15), o autor

informa que os eventos que compõem a história escrita por ele jamais tinham vindo a público.

A: as informações não serão tratadas de modo cifrado. Trata-se de um exemplo do que

não se pretende fazer: “impossível que sejam especificadas como ‘entrevista realizada no

dia X, na cidade Y, com Fulano de Tal’; B: veja trecho: “Evidente que, tendo sido escrito

por alguém que vem ouvindo Bossa Nova desde que ela ganhou este nome (...), uma certa dose de paixão acabou se intrometendo na receita”; C: é exatamente o “caráter

bifronte” que se quer mostrar: “Os seres humanos, assim como os LPs, têm lados A e B, e houve um esforço máximo para que ambos fossem mostrados.”; D: não se pode inferir

isso; " E: apenas sabemos que o autor conseguiu as informações diretamente da fonte. “Gabarito "C

(Analista – TRT/14ª – 2011 – FCC) No primeiro parágrafo do texto,

(A) os parênteses (linhas 6 a 8) acolhem explicação sobre o que ocorreu

com a Bossa Nova quando o Brasil começou a trocá-la por exotis-mos.

(B) a frase quando eles tinham entre quinze e trinta anos (linhas 2 e 3)

delimita o período da concomitância entre a vivência dos jovens e o ato de escrita da obra.

(C) Esta (linha 1) e a (linha 2) são pronomes que se antecipam ao

elemento a que cada um deles se refere.

(D) o segmento introduzido pelo travessão (linha 9) expressa um

julga-mento que traz as marcas de uma presunção.

(E) foram empregados com sentido equivalente os segmentos uma

história da Bossa Nova (linha 1), um livro (linha 3) e escrito (linha 5).

A: os parênteses em “alguém que vem ouvindo Bossa Nova desde que ela ganhou este

nome (e que nunca se conformou quando o Brasil começou a trocá-la por exotismos)” expressa uma impressão do autor; B: trata-se apenas da idade dos jovens e não se trata

do ato de escrita da obra: “Esta é uma história da Bossa Nova e dos rapazes e moças que a fizeram, quando eles tinham entre quinze e trinta anos.” D: o autor deixa clara sua

opinião: “− sem interferir, espero, pró ou contra, na descrição da trajetória de qualquer personagem”; E: “história da Bossa Nova” e “livro” se equivalem, porém “escrito” é,

nesse contexto, verbo no particípio e não substantivo.

Gabarito "D "

1 Hoje o sistema isola, atomiza o indivíduo. Por isso seria importante pensar as novas formas de comunicação. Mas o sistema também nega o indivíduo. Na economia, por 4 exemplo, mudam-se os valores de uso concreto e qualitativo para os valores de troca geral e quantitativa. Na filosofia aparece o sujeito geral, não o indivíduo. Então, a diferença 7 é uma forma de crítica. Afirmar o indivíduo, não no sentido neoliberal e egoísta, mas no sentido dessa ideia da diferença é um argumento crítico. Em virtude disso, dessa discussão 10 sobre a filosofia e o social surgem dois momentos importantes: o primeiro é pensar uma comunidade autorefle--xiva e confrontar-se, assim, com as novas formas de 13 ideologia. Mas, por outro lado, a filosofia precisa da sensibilidade para o diferente, senão repetirá apenas as formas do idêntico e, assim, fechará as possibilidades do 16 novo, do espontâneo e do autêntico na história. Espero que seja possível um diálogo entre as duas posições em que ninguém tem a última palavra.

Miroslav Milovic. Comunidade da diferença.

Relume Dumará, p. 131-2 (com adaptações).

(Analista – STF – 2008 – CESPE) Com referência às ideias e às estruturas linguís-ticas do texto acima, julgue os itens a seguir.

(1) Depreende-se do texto que “pensar as novas formas de

comunica-ção” (l. 2) significa isolar ou atomizar o indivíduo.

(2) A expressão “por outro lado” (l.13) explicita a caracterização do

segundo dos “dois momentos importantes” (l.10-11).

1: incorreta – a importância de se “pensar novas formas de comunicação” é consequência

da constatação de que “Hoje o sistema isola, atomiza o indivíduo”, o que se percebe pelo

uso da expressão “Por isso”; 2: correta – a expressão “por outro lado” aponta o segundo

dos “dois movimentos importantes”.

Gabarito 1E , 2 C

(11)

1 O agente ético é pensado como sujeito ético, isto é, como um ser racional e consciente que sabe o que faz, como um ser livre que escolhe o que faz e como um ser 4 responsável que responde pelo que faz. A ação ética é balizada pelas ideias de bem e de mal, justo e injusto, virtude e vício. Assim, uma ação só será ética se consciente, livre e 7 responsável e será virtuosa se realizada em conformidade com o bom e o justo. A ação ética só é virtuosa se for livre e só o será se for autônoma, isto é, se resultar de uma decisão 10 interior do próprio agente e não de uma pressão externa. Evidentemente, isso leva a perceber que há um conflito entre a autonomia da vontade do agente ético (a decisão emana 13 apenas do interior do sujeito) e a heteronomia dos valores morais de sua sociedade (os valores são dados externos ao sujeito). Esse conflito só pode ser resolvido se o agente 16 reconhecer os valores de sua sociedade como se tivessem sido instituídos por ele, como se ele pudesse ser o autor desses valores ou das normas morais, pois, nesse caso, ele 19 será autônomo, agindo como se tivesse dado a si mesmo sua

própria lei de ação.

Marilena Chaui. “Uma ideologia perversa”.

In: Folhaonline, 14/3/1999 (com adaptações).

(Analista – STF – 2008 – CESPE) Julgue os seguintes itens, a respeito da

organi-zação das estruturas linguísticas e das ideias do texto acima.

(1) Depreende-se do texto que “agente” e “sujeito”, ambos na linha 1,

não são sinônimos, embora possam remeter ao mesmo indivíduo.

(2) De acordo com as relações argumentativas do texto, se uma ação

não for “virtuosa” (l.7), ela não resulta de decisão interior; se não for “ética” (l.6), ela não será consciente, livre e responsável.

(3) A expressão “Esse conflito” (l.15) tem a função textual de recuperar

a ideia de “heteronomia” (l.13).

1: correta – os dois termos (“agente” e “sujeito”) têm o mesmo referente: “um ser

racional e consciente que sabe o que faz”; 2: incorreta – segundo o texto, para uma ação

ser virtuosa, é preciso que ela seja livre, e, para que ela seja livre, é preciso que seja autônoma. Veja que a afirmação de que toda ação virtuosa é autônoma não implica que uma ação não virtuosa será, necessariamente, heterônoma (= não autônoma). O mesmo raciocínio lógico se aplica à afirmação de que uma ação só será ética se consciente, livre e responsável, o que não significa dizer que uma ação que não seja ética será, necessa-riamente, inconsciente, coagida (não livre) e irresponsável. Para que fique claro, perceba que a afirmação “todo sapo é verde” não implica que “todo aquele que não é sapo não é

verde”; 3: incorreta – a expressão “Esse conflito” se refere à “autonomia da vontade do

agente ético” e à “heteronomia dos valores morais”.E E, 3 , 2 Gabarito 1C

1 Aceitar que somos indeterminados naturalmente, que seremos lapidados pela educação e pela cultura, que disso decorrem diferenças relevantes e irredutíveis aos genes 4 é muito difícil. Significa aceitarmos que há algo muito precário na condição humana. Parte pelo menos dessa precariedade ou indeterminação alguns chamarão liberdade. 7 Porém nem mesmo a liberdade é tão valorizada quanto se

imagina. Ela implica responsabilidades.

Parece que se busca conforto na condição de coisa. 10 Se eu for objeto, isto é, se eu for natureza, meus males independem de minha vontade. Aliás, o que está em discussão não é tanto o que os causou, mas como resolvê-los: 13 se eu puder solucioná-los com um remédio ou uma cirurgia, não preciso responsabilizar-me, a fundo, por eles. Tratarei a mim mesmo como um objeto.

16 A postura das ciências humanas e da psicanálise é outra, porém. Muito da experiência humana vem justamente de nos constituirmos como sujeitos. Esse papel é pesado. Por 19 isso, quando entra ele em crise — quando minha liberdade de escolher amorosa ou política ou profissionalmente resulta em sofrimento —, posso aliviar-me procurando uma solução 22 que substitua meu papel de sujeito pelo de objeto.

Roberto Janine Ribeiro. A cultura ameaçada pela natureza.

Pesquisa Fapesp Especial, p. 40 (com adaptações).

(Analista – STF – 2008 – CESPE) Considerando o texto acima, julgue o item subsequente

(1) O emprego de verbos e pronomes como “somos” (l.1), “se busca”

(l.9), “eu” (l.10) e “minha” (l.11) mostra que os argumentos se opõem pela ligação de alguns a um sujeito coletivo e, de outros, a um sujeito individual, associando o coletivo a sujeito social e o individual a objeto, coisa.

1: incorreta – não há oposição. Todos os pronomes e tempos verbais prestam-se a

indicar a coletividade. Ao afirmar que “se busca conforto” ou “Se eu for objeto”, o autor refere-se a todos nós, como indivíduos, mas membros da coletividade que “busca con-forto na condição de coisa”. Perceba que são comuns construções na primeira pessoa e com sujeito da passiva que indicam coletividade, por exemplo, “o homem busca a prosperidade”, “o brasileiro ama o futebol”, “no mundo moderno, busca-se a paz” etc.

Gabarito 1E

A escalada nos preços dos alimentos diante da forte demanda no mercado mundial mobiliza autoridades em todo o planeta. Desde o ano passado, os preços de alimentos subiram em média 40%. Nos últimos três anos, a alta foi de 83%. O presidente Lula, na Holanda, disse que é necessário produzir mais em nível mundial, mas que não se pode culpar o investimento nos biocombustíveis pela pressão. Segundo ele, o aumento dos preços de alimentos se dá pelo fato de “as pessoas pobres estarem começando a comer” em lugares como China, Índia e América Latina. Para o representante da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) no Brasil, a crise mundial de alimentos é fruto de ataque especulativo.

Jornal do Brasil, 11/4/2008, p. A17 (com adaptações).

(Analista – STF – 2008 – CESPE) Tendo o texto acima como referência inicial e considerando aspectos significativos do atual panorama da economia mundial, julgue os itens que se seguem.

(1) Independentemente das razões que levaram à atual escalada nos

preços dos alimentos, é correto afirmar que é da natureza das eco-nomias de mercado a majoração do preço de mercadorias quando a demanda por elas é maior do que a produção existente.

(2) Infere-se do texto que países ricos, emergentes ou pobres, além de

organismos multilaterais e de especialistas em geral, concordam quanto à identificação da causa comum determinante para o quadro de inflação dos alimentos hoje existente no mundo.

(3) No atual cenário mundial, China e Índia se apresentam como países

que emergem vigorosamente na economia mundial, o que prova estar em franco declínio a acentuada competitividade que sempre caracterizou a globalização.

(4) Depreende-se das palavras do presidente Lula que o Brasil fez

a opção estratégica de ampliar seus espaços no comércio global mediante o aumento da capacidade brasileira de produzir etanol ainda que às expensas da redução das áreas de plantio de alimentos.

(5) Um exemplo de ataque especulativo que atinge o setor de

alimen-tos, na linha argumentativa utilizada pelo representante da FAO no Brasil, seria a ampliação dos investimentos para a compra de

commodities agrícolas.

1: correta – a assertiva refere-se à notória lei da oferta e demanda. Se a demanda

amplia--se mais que a oferta, há, em regra, aumento de preços; 2: incorreta – o texto indica

exatamente divergências a respeito das causas para o aumento dos preços dos alimentos. A fala do presidente Lula indica que há quem culpe a produção dos biocombustíveis, o que ele nega. O presidente entende que o aumento da demanda por alimentos causa

a majoração dos preços. Já a FAO vê ataque especulativo; 3: incorreta – A emergência

da China e da Índia não permite concluir que há declínio na competitividade (não há relação lógica entre as assertivas). Pelo contrário, a globalização e a entrada de novos atores relevantes no mercado global tende a aumentar ainda mais a competitividade;

4: incorreta – como já dito, o presidente nega enfaticamente que a produção de etanol

tenha relação com o aumento dos preços dos alimentos. Nesse contexto, seria ilógico concluir, a partir de suas palavras, que o Brasil optou pela redução das áreas para plantio de alimentos, já que a redução da oferta tenderia a contribuir para o aumento dos preços

dos alimentos; 5: incorreta – o aumento de investimentos para a compra de commodities

agrícolas (melhoria dos transportes, da rede de distribuição etc.) tenderia, ao longo do tempo, a reduzir o custo dos alimentos, o que não pode ser caracterizado como ataque especulativo. Ataque especulativo, por exemplo, seria a ilícita coordenação entre

produ-tores para o aumento de preços, ou negociações abusivas no mercado das commodities.o 1C, 2E, 3E, 4E, 5E arit Gab

1 Se a perspectiva do político é a perspectiva de como o poder se constitui e se exerce em uma sociedade, como se distribui, se difunde, se dissemina, mas também se oculta, se 4 dissimula em seus diferentes modos de operar, então é fundamental uma análise do discurso que nos permita rastreá-lo. A necessidade de discussão da questão política e 7 do exercício do poder está em que, em última análise, todos os grupos, classes, etnias visam, de uma forma ou de outra, o controle do poder político. Porém, costumamos ver o poder 10 como algo negativo, perverso, no sentido da dominação, da submissão. Não há, entretanto, sociedade organizada sem formas de exercício de poder. A questão, portanto, deve ser: 13 como e em nome de quem este poder se exerce?

Danilo Marcondes. Filosofia, linguagem e comunicação.

(12)

(Analista – STJ – 2008 – CESPE) Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item a seguir.

(1) Segundo o texto, é inútil discutir o poder, pois seu aspecto negativo,

de submissão, é inevitável e aparece em todas as relações de dominação, seja de classe, seja de etnia.

1: incorreta –Pelo contrário, o texto enfatiza “A necessidade de discussão da questão

política e do exercício do poder”.

Gabarito 1E

1 Em minha opinião, uma percepção ingênua dos fenômenos de mercado, como a crença nos mercados perfeitos, fornece exatamente o que seus críticos mais 4 utilizam como munição nos momentos de crise e descontinuidade. O argumento da suposta infalibilidade dos mercados em bases científicas e a pretensão de transformar 7 economia e finanças em ciências exatas produzem uma perigosa mistificação: confundir brilhantes construções mentais para entender a realidade com a própria realidade. 10 Os mercados não são perfeitos. São, isto, sim, poderosos instrumentos de coordenação econômica em busca permanente de eficiência. Mas são também o espelho de 13 nossos humores, refletindo nossa falibilidade nas avaliações. São contaminados por excesso de otimismo e de pessimismo. São humanos, demasiado humanos.

Paulo Guedes. “Os mercados são demasiado humanos”. In: Época, 21/7/2008 (com adaptações).

(Analista – STJ – 2008 – CESPE) A partir da organização das ideias e das estruturas

linguísticas do texto acima, julgue o item subsequente.

(1) O período inicial do texto, “Em minha opinião (...)

descontinui-dade” (l.1-5), explicitando um juízo de valor, apresenta o formato adequado, no teor e na correção gramatical, para compor o texto final de um parecer, se no final deste for acrescida a frase É o parecer.

(2) Seria mantida a correção gramatical do trecho “Os mercados não

são perfeitos. São, isto, sim, poderosos” (l.10), caso ele fosse assim reescrito: Os mercados não são perfeitos; são, isto sim, poderosos.

1: incorreta – o período é, claramente, introdutório, pois deixa em aberto os

funda-mentos para a afirmação feita pelo autor, que serão delineados no decorrer do texto, além de tratar de uma questão secundária no contexto argumentativo (a percepção ingênua a respeito do mercado como munição para seus críticos). O cerne do texto refere-se à imperfeição dos mercados, por sujeitarem-se às falibilidades humanas, questão que não é abordada nesse período inicial e constaria, muito provavelmente, da conclusão de um parecer. Finalmente, quanto à forma, o período final de um parecer

seria algo como “Por essas razões, entendo que ....”; 2: correta – as duas orações são

equivalentes. Há correspondência semântica.

Gabarito 1E , 2 C

1 O mundo do trabalho tem mudado numa velocidade vertiginosa e, se os empregos diminuem, isso não quer dizer que o trabalho também.

4 Só que ele está mudando de cara. Como também está mudando o perfil de quem acaba de sair da universidade, da mesma forma que as exigências da sociedade e — por que 7 não? — do mercado, cada vez mais globalizado e

competitivo.

Tudo indica que mais de 70% do trabalho no futuro 10 vão requerer a combinação de uma sólida educação geral com conhecimentos específicos; um coquetel capaz de fornecer às pessoas compreensão dos processos, capacidade 13 de transferir conhecimentos, prontidão para antecipar e resolver problemas, condições para aprender continuamente, conhecimento de línguas, habilidade para tratar com pessoas 16 e trabalhar em equipe.

Revista do Provão, n.º 4, 1999, p. 13

(com adaptações).

(Analista – TST – 2008 – CESPE) A partir do texto acima, julgue o item subsequente.

(1) Da organização das ideias do último parágrafo do texto, é correto

que se interprete “coquetel” (l.11) como “conhecimentos específicos” (l.11).

1: incorreta – A palavra coquetel, nesse contexto, refere-se à “combinação de uma sólida

educação geral com conhecimentos específicos”.

Gabarito 1E

1 Muitas coisas nos diferenciam dos outros animais, mas nada é mais marcante do que a nossa capacidade de trabalhar, de transformar o mundo segundo nossa 4 qualificação, nossa energia, nossa imaginação. Ainda assim, para a grande maioria dos homens, o trabalho nada mais é do que puro desgaste da vida. Na sociedade capitalista, a 7 produtividade do trabalho aumentou simultaneamente a tão forte rotinização, apequenamento e embrutecimento do processo de trabalho de forma que já não há nada que mais 10 nos desagrade do que trabalhar. Preferimos, a grande maioria, fazer o que temos em comum com os outros animais: comer, dormir, descansar, acasalar.

13 Nossa capacidade de trabalho, a potência humana de transformação e emancipação de todos, ficou limitada a ser apenas o nosso meio de ganhar pão. Capacidade, potência, 16 criação, o trabalho foi transformado pelo capital no seu contrário. Tornou-se o instrumento de alienação no sentido clássico da palavra: o ato de entregar ao outro o que é nosso, 19 nosso tempo de vida.

Emir Sader. “Trabalhemos menos, trabalhemos todos”. In: Correio Braziliense, 18/11/2007 (com adaptações).

(Analista – TST – 2008 – CESPE) Julgue os seguintes itens a respeito do texto acima.

(1) A argumentação do texto se organiza em torno de duas ideias

opostas de trabalho: o trabalho como “puro desgaste da vida” (l.6) e o trabalho como capacidade de “transformação e emancipação de todos” (l.14).

(2) As substituições de “Preferimos” (l.10) por Prefere e de “temos” (l.11)

por tem preservam a correção gramatical do texto, mas enfraque-cem a argumentação de que é a maioria de nós “homens” (l.5) que prefere “comer, dormir,descansar, acasalar” (l.12).

1: correta – essa oposição é o cerne do texto. A capacidade de trabalhar, que é o principal

diferencial do ser humano, foi transformada, pelo capital, em instrumento de alienação;

2: correta – de fato, o uso da primeira pessoa do plural inclui o autor no contexto,

enquanto o uso da terceira pessoa afasta-o do conjunto daqueles que se igualam aos “outros animais”. Nesse sentido, a ideia de “nós homens” (o autor incluído), como

sujeitos, ficaria enfraquecida pelas substituições propostas.C , 2 Gabarito 1C

Atenção: as questões seguintes referem-se ao texto abaixo. Da timidez

Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estra-tagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico: só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.

Todo mundo é tímido, os que parecem mais tímidos são apenas os mais salientes. Defendo a tese de que ninguém é mais tímido do que o extrovertido. O extrovertido faz questão de chamar atenção para sua extroversão, assim ninguém descobre sua timidez. Já no notoriamente tímido a timidez que usa para disfarçar sua extroversão tem o tamanho de um carro alegórico.

Segundo minha tese, dentro de cada Elke Maravilha* existe um tímido tentando se esconder, e dentro de cada tímido existe um exibido gri-tando: “Não me olhem! Não me olhem!”, só para chamar a atenção. O tímido nunca tem a menor dúvida de que, quando entra numa sala, todas as atenções se voltam para ele e para sua timidez espetacular. Se cochicham, é sobre ele. Se riem, é dele. Mentalmente, o tímido nunca entra num lugar. Explode no lugar, mesmo que chegue com a maciez estudada de uma noviça. Para o tímido, não apenas todo mundo mas o próprio destino não pensa em outra coisa a não ser nele e no que pode fazer para embaraçá-lo.

* Atriz de TV muito extrovertida, identificada pela maquiagem e roupas extravagantes. (Luís Fernando Veríssimo, Comédias para se ler na escola)

(Analista – TRT/2ª – 2008 – FCC) Na abordagem da timidez, o autor se vale de

contradições e paradoxos para demonstrar que

(A) o comportamento dos extrovertidos revela seu desejo de serem

notados.

Referências

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