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Alta do dólar traz incertezas sobre preços e corte de juros

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Veículo: O Estado de S. Paulo - Caderno: Economia - Seção: - Assunto: Economia

- Página: Capa e B1 - Publicação: 27/11/19

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Alta do dólar traz incertezas sobre preços e corte de

juros

Alta do dólar traz incertezas sobre preços e corte de

juros

Moeda a R$ 4,24, recorde no País, encarece viagens, eleva custos de

produção e pode frear baixa da Selic

O Estado de S. Paulo 27 Nov 2019

Um dia após o ministro Paulo Guedes (Economia) dizer em Washington que o País deve se acostumar a conviver com juros baixos e dólar mais alto, a moeda americana registrou ontem forte oscilação, chegou a R$ 4,27 e fechou o dia a R$ 4,24, o maior valor já registrado no País. O Banco Central fez duas intervenções no mercado para tentar barrar a alta. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, se referiu ao comportamento do mercado como “disfuncional” e acenou com novas intervenções. No ano, a valorização da moeda americana é de 9,52%, mas somente em novembro a alta é de 5,76%. O câmbio valorizado afeta a vida de consumidores que vão viajar para o exterior – ontem o dólar turismo chegou a R$ 4,43 – e de empresas. Companhias que trabalham com produtos ou insumos importados dizem não saber até quando conseguirão evitar repasses. Para economistas, um efeito da valorização pode ser a redução do ritmo de baixa dos juros básicos da economia em 2020. A taxa Selic, hoje, é de 5%, e o Copom se reunirá em dezembro. A exemplo de outros países emergentes, o dólar no Brasil tem sido influenciado por fatores internacionais, como a disputa comercial entre EUA e China. Mas questões internas, como a dificuldade do governo em avançar na aprovação de reformas, também pesam.

Se o BC entender que há um movimento disfuncional, voltaremos a fazer intervenção” ROBERTO CAMPOS NETO PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL

Mercado reage a declarações do ministro Paulo Guedes e cotação da moeda americana alcança novo recorde histórico; Banco Central promete fazer novas intervenções para conter ‘movimentos de curto prazo’, mas economistas já veem impacto negativo para o País

Odólar registrou ontem forte oscilação, influenciado por declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes. Mesmo após duas intervenções do Banco Central, a moeda americana fechou cotada a R$ 4,24, alta de 0,61% – novo recorde histórico. No ano, a variação é de 9,52%, mas só neste mês o avanço chega a 5,76%.

Em entrevista na segunda-feira em Washington, Guedes disse que o País deve se acostumar a conviver com um ambiente de juros baixos e dólar mais alto. Foi a senha para o mercado “testar” um novo patamar para a moeda logo nos primeiros minutos de negociação. No início da tarde, as cotações chegaram a bater em R$ 4,27.

A manutenção desse patamar acima de R$ 4 deve gerar novas incertezas para consumidores como a assistente de ensino Beatriz Pacheco. Com viagem marcada para os EUA em janeiro, ela deixou para comprar dólares às vésperas do embarque. “Eu não comprei porque fiquei na esperança de que fosse bater R$ 4.” As empresas também reclamam de uma possível alta no preço dos insumos importados e da falta de previsibilidade para os negócios. “Sempre falo que o melhor dólar é o dólar estável, indiferente do valor”, disse o presidente da Bosch na América Latina, Besaliel Botelho.

Economistas falam em outro efeito: a desaceleração do ciclo de redução dos juros básicos em 2020. José Francisco Lima Gonçalves, do Banco Fator, é um dos que não vê cortes da Selic além de 4,5% – a taxa é hoje de 5% e o Copom ainda tem reunião em dezembro.

Como acontece nas demais economias emergentes, o dólar no Brasil tem subido puxado por fatores internacionais, como a disputa comercial entre EUA e China. Mas no caso brasileiro, segundo economistas, também tem pesado questões como a demora do governo Bolsonaro para avançar na aprovação de novas reformas.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, se referiu ao comportamento do mercado como “disfuncional” e acenou com novas intervenções para corrigir “movimentos de curto prazo”. “Essas intervenções não têm capacidade de alterar movimentos de longo prazo, que têm como origem bases macroeconômicas.”

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