• Nenhum resultado encontrado

A LIDERANÇA NO FUTEBOL

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "A LIDERANÇA NO FUTEBOL"

Copied!
8
0
0

Texto

(1)

A LIDERANÇA NO FUTEBOL

Jéferson Alves Valvassori Graduado em Educação Física Instituição Educacional São Judas Tadeu José Augusto Evangelho Hernandez Doutor em Psicologia Instituição Educacional São Judas Tadeu e UFRGS Rogério da Cunha Voser Doutor em Ciências da Saúde UFRGS O desempenho dos atletas pode ser influenciado pela atuação e determinação do treinador. A forma e o estilo de exercer essa liderança no relacionamento com os atletas podem exercer efeito decisivo sobre o rendimento dos mesmos. Em decorrência disso, esta pesquisa procurou identificar e comparar as preferências de estilo de liderança dos atletas de diversas categorias do futebol de um clube esportivo da cidade de Porto Alegre/RS.

Martens (1995) dividiu os treinadores de acordo com três estilos de liderança: autocráticos, são aqueles que, de forma exclusiva, tomam todas as decisões e os atletas apenas devem seguí-los; negligentes, são os treinadores que exercem escassa influência sobre os atletas, eles se abstêm da tomada de decisão; e, cooperativos são os treinadores que compartilham a tomada de decisão com os atletas.

A função mais importante para um treinador é ajudar aos atletas a melhorar suas habilidades atléticas desde o desenvolvimento seqüencial e domínio de habilidades básicas para os iniciantes à preparação física, técnica, tática e psicológica mais especializada para os atletas de elite. Geralmente, estas funções são feitas pelos técnicos que acoplam no comportamento de liderança a estimulação eficaz ao atleta para ações apropriadas a realização de objetivos, em situações de treino e de competição. A situação, as características do técnico e dos atletas determinam o comportamento de liderança mais apropriado no esporte (CHELLADURAI, 1978).

Para conseguir melhoria no desempenho atlético, pode ser necessário para o técnico apresentar comportamentos aos quais os atletas sejam mais receptivos. O que pode ser apropriado a um atleta pode ser uma abordagem ineficaz para outro. Da mesma forma, comportamentos específicos do técnico podem ser mais produtivos para determinados resultados do que para outros. O técnico pode adotar uma abordagem homogênea que trate todos os atletas igualmente ou criar um estilo heterogêneo que forneça tratamento diferencial aos atletas. De qualquer forma, é importante para o técnico estar ciente das preferências de seus atletas a fim de fornecer experiências satisfatórias e melhorar o desempenho atlético. De acordo com Chelladurai e Saleh (1980), se um treinador adaptar seu comportamento para se ajustar ao comportamento preferido dos atletas, estes podem ser mais inclinados a recompensar o técnico com um desempenho melhor.

Visando integrar diversos modelos de liderança baseados nas teorias de organizações em uma abordagem única voltada mais especificamente para os aspectos do contexto esportivo, Chelladurai (1978) desenvolveu o modelo que hoje é a principal referência no contexto dos estudos da liderança no esporte e da relação treinador-atleta. De acordo com Chelladurai (2001), três gerações do modelo foram desenvolvidas em 1978, 1993 e 1999. Essencialmente, o modelo aborda três estados do comportamento do líder: exigido, preferido e atual. As variáveis antecedentes que determinam esses comportamentos são classificadas como: características das situações, características dos membros e características do líder.

(2)

Como conseqüência da similaridade desses comportamentos, o desempenho do grupo e a satisfação dos membros denotam uma liderança eficaz.

Figura 1: Modelo Multidimensional de Liderança. Fonte: Chelladurai (1990).

O Modelo Multidimensional de Liderança apresentava o comportamento exigido como sendo determinado apenas pelas características situacionais. Porém, Chelladurai (1990) propôs um refinamento ao identificar que as características dos membros não interferem apenas nas necessidades pessoais e nos desejos como requisito do comportamento preferido, mas também os julgamentos dos membros sobre o que seria apropriado para a corrente situação possuem sua devida importância. Propôs então uma pequena alteração em seu modelo original, através da inserção de uma seta ligando as características dos membros ao comportamento exigido (vide Figura 1).

O comportamento exigido é constituído a partir das características das situações e dos membros. As características situacionais interferem no comportamento por meio dos objetivos da equipe, do tipo e das características da modalidade esportiva, do nível de competição, das normas sociais, valores culturais, da legislação esportiva, entre outros. Com relação às características dos membros, a natureza do grupo como o nível de habilidade, maturidade, desempenho, tempo de experiência, dentre outros fatores pessoais, também requer um determinado comportamento do líder (CHELLADURAI, 1993).

Segundo Weinberg e Gould (2001), os membros da equipe também têm preferências por comportamentos específicos do líder. O comportamento preferido se constitui pela interação de características situacionais (como as atitudes que se esperam do líder na determinação de tarefas e nas tomadas de decisões de forma democrática ou autocrática) e das características dos membros (como as variáveis de personalidade que estabelecem padrões pelos quais determinadas preferem ser conduzidas). Para Chelladurai (1993), o comportamento de liderança depende também das características pessoais do líder. Entretanto, os requisitos da situação e as preferências do grupo possuem características que podem vir a influenciar de forma decisiva o comportamento do líder.

Avaliando as conseqüências deste modelo, Chelladurai (1993) aponta com base em resultados de pesquisas, que o rendimento e a satisfação do grupo são atingidos quando os comportamentos exigidos, reais e preferenciais do líder são consistentes e coerentes. A proximidade dos três comportamentos do líder designará o nível de desempenho e satisfação do grupo.

(3)

O presente estudo fez uso do Modelo Multidimensional de Liderança desenvolvido por Chelladurai e Saleh (1978). De acordo com Horn (1992) existem três razões fundamentais para utilização deste modelo: primeira, por ser específico da área dos esportes; segunda, pelos resultados deste no contexto esportivo; e, terceiro, pela facilidade de compreensão do mesmo. Além disso, o modelo tem sido o referencial teórico mais utilizado em estudos que avaliam o comportamento de liderança na área esportiva.

De um modo geral, Serpa1 (1990) apud Vilani (2004) afirmou que os estudos sobre a preferência dos atletas por estilos de liderança apontam o Treinamento e Instrução e Feedback Positivo como os mais valorizados, porém não necessariamente nesta ordem. Por outro lado, Chelladurai (1984) apontou que o que o Comportamento Autocrático é o menos desejado pelos atletas.

Chelladurai (1978) encontrou que atletas em esportes interdependentes ao ar livre preferem mais o estilo de liderança de Treinamento e Instrução do que os de esportes independentes de ambientes fechados. Ainda, atletas de esportes independentes preferiram mais o estilo Comportamento Democrático, enquanto os dos esportes interdependentes preferiram mais o Comportamento Autocrático. Os atletas de esportes independentes prefeririam mais o estilo Apoio Social do que os dos esportes interdependentes. E, por fim, os de esportes interdependentes ao ar livre prefeririam mais o estilo Feedback Positivo do que os dos esportes independentes em ambientes fechados.

Chelladurai (1984) examinou o relacionamento entre a discrepância de estilo de liderança (diferença entre a liderança preferida e a percebida) e a satisfação de atletas. Os cinco comportamentos de Liderança avaliados foram Treinamento e Instrução, Comportamento Democrático, Comportamento Autocrático, Apoio Social e Feedback Positivo. Quatro aspectos da satisfação foram medidos: Satisfação com o desempenho individual, Satisfação com o desempenho da equipe, Satisfação com a Liderança e Satisfação com o envolvimento geral. Os atletas foram selecionados de diversas modalidades desportivas baseado na variabilidade da tarefa ou na dependência da tarefa. As discrepâncias em liderança foram calculadas subtraindo a medida de percepção da medida de preferência. Os resultados indicaram relação entre as medidas de discrepância em liderança e a satisfação em vários esportes. Os estilos de liderança Treinamento e Instrução e Feedback Positivo foram os que mais afetaram a satisfação dos atletas.

Chelladurai et al. (1988) exploraram as diferenças entre atletas universitários japoneses e canadenses em suas preferências, percepções, satisfação com a liderança e seus resultados individuais. Também foi vista a relação entre os comportamentos de liderança e a satisfação dos atletas. Os resultados mostraram que: os atletas japoneses preferiram mais os Comportamentos Autocráticos e de Apoio Social enquanto os canadenses preferiram o Treinamento e Instrução; os japoneses perceberam níveis mais elevados de Comportamento Autocrático enquanto os canadenses de Treinamento e Instrução, Comportamento Democrático e Feedback Positivo; os canadenses expressaram mais satisfação com a liderança e resultados pessoais do que os japoneses. Os resultados das análises estatísticas revelaram similaridades e, também, diferenças na maneira em que os comportamentos de liderança foram associados com a satisfação para ambos os grupos. Em geral, os resultados desse estudo apoiaram a hipótese da influência cultural sobre as variáveis investigadas.

Riemer e Chelladurai (1995) investigaram as diferenças na preferência de liderança, a congruência entre a preferência e a percepção de liderança e a satisfação com a liderança entre atletas de futebol americano de defesa e de ataque. Os resultados mostraram que jogadores de defesa preferiram e perceberam maiores quantidades de Comportamento Democrático, Comportamento Autocrático e Apoio Social do que os de ataque. Além disso, a congruência

1

(4)

entre a preferência e o percebido da liderança na dimensão Apoio Social foi crítica para aumentar a satisfação dos atletas. Por outro lado, liderança percebida (isto é, o comportamento real) em Treinamento e Instrução, assim como, Feedback Positivo foram os determinantes mais fortes de satisfação com a liderança do que a preferência de liderança ou a congruência entre preferência e percepção de liderança nestas dimensões.

No Brasil, Lopes, Samulski e Noce (2004) com atletas de voleibol (do sexo masculino e feminino) da categoria juvenil, com idade média de 17 anos, encontraram resultados que revelaram o Comportamento Autocrático como o de menor preferência e o Treinamento e Instrução sendo o mais preferido. Oliveira, Voser e Hernandez (2004) compararam a preferência pelo estilo de Liderança em jogadores de futebol e futsal. Nas duas modalidades desportivas os atletas consideraram mais importante o Treinamento e Instrução, seguido de

Feedback Positivo, Apoio Social, Comportamento Democrático e Comportamento

Autocrático. Além disso, foram reveladas diferenças estatísticas significativas no Comportamento Democrático, os atletas de futsal apresentaram níveis mais elevados do que os do futebol e na comparação das categorias profissional e juvenil/junior, estes últimos apresentaram níveis maiores em Feedback Positivo. Lopes (2002) pesquisou sobre o perfil de treinador ideal na visão de estudantes (homens e mulheres) do curso de Educação Física. O Comportamento Autocrático surgiu como o menos desejado pelos entrevistados e o Feedback Positivo e Treinamento e Instrução foram os mais preferidos.

MÉTODO PARTICIPANTES

Participaram desta pesquisa 249 atletas de futebol de campo do Esporte Clube São José da cidade de Porto Alegre. Estes estavam distribuídos em categorias de acordo com a idade dos atletas: Sub-10, Sub-11, Sub-12, Sub-13, Sub-14, Sub-15, Juvenil e Profissional. A categoria Juvenil englobou dois anos de nascimento (1991 e 1990). Todos os participantes eram do sexo masculino e a idade variou de 10 a 24 anos.

As categorias de base de Sub-10 a Sub-15 possuíam um coordenador geral. Cada categoria tinha um treinador, um preparador físico e um treinador de goleiros e treinavam de terça à sexta no turno da tarde. Os juvenis e profissionais também apresentavam um coordenador geral e treinadores para cada função. Estes treinavam de acordo com os horários marcados pelos treinadores, que variavam conforme as competições.

INSTRUMENTO

Para a coleta de dados foi utilizado a Escala de Liderança no Desporto. Esse instrumento foi construído e validado por Chelladurai e Saleh (1980). Teve sua adaptação para a língua portuguesa realizada por Serpa et al.2 (1989) apud Samulski (2002). A escala possui 40 itens, subdivididos em cinco dimensões: Treinamento e Instrução, Apoio Social,

Feedback Positivo, Comportamento Democrático e Comportamento Autocrático.

No estilo Treinamento e Instrução, o comportamento do treinador é destinado à melhora do rendimento dos atletas com ênfase em um treinamento duro e exigente. O treinador tem como principais responsabilidades instruir os atletas na aquisição de habilidades técnicas e táticas da modalidade, explicar a relação entre membros do grupo, estruturando e coordenando as atividades. O estilo de Apoio Social é o que o treinador demonstra interesse pelo bem-estar dos atletas, procurando manter um ambiente agradável no grupo. O estilo

Feedback Positivo constitui no reforço positivo dado ao atleta pelo treinador, reconhecendo e

gratificando o seu desempenho. O Comportamento Democrático é o que o treinador favorece

2

SERPA, S. et al. Metodologia de traducción y adaptación de um ‘examen específico del deporte’. La escala de liderazgo em el deporte. II Simpósio Nacional de Investigación em Psicologia. Lisboa, 1989.

(5)

a participação dos atletas nas decisões relativas aos objetivos do grupo. O Comportamento Autocrático é o que o treinador preconiza a independência nas tomadas de decisão de acordo com a sua autoridade pessoal.

Os participantes para responder ao instrumento utilizaram uma escala tipo Likert de cinco pontos: (1) Nunca; (2) Um pouco; (3) Às vezes; (4) Bastante; e, (5) Sempre.

PROCEDIMENTOS Coleta de dados

Após, a autorização do coordenador das seleções do Esporte Clube São José e dos treinadores responsáveis por cada categoria foi iniciado o processo de coleta de dados. Primeiro foi obtido o cronograma e locais de treinamento de cada categoria para planificar a aplicação dos questionários. Nos locais de treinamento, foi explicado aos atletas o objetivo da pesquisa e como deveriam responder ao questionário. Foi entregue a cada participante o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, onde constavam os objetivos e procedimentos da pesquisa e a solicitação de concordância e assinatura dos mesmos pelos responsáveis. Análise dos dados

Os dados foram analisados através do programa estatístico SPSS mediante estatísticas descritivas, Análise de Variância e Teste t de Student. Todos os testes foram realizados considerando o nível de significância estatístico p < 0,05. Foi feito uso de tabelas e gráficos para auxiliar na exposição dos resultados.

RESULTADOS Comparações entre categorias

Foi executada uma Análise de Variância One Way para o fator categorias e variáveis dependentes dimensões da liderança. Os resultados revelaram diferenças estatísticas significativas entre as categorias em Feedback Positivo [F(7, 241) = 3.050; p = 0,004] e Comportamento Autocrático [F(7, 241) = 5.038; p = 0,000]. Não foram encontradas diferenças estatísticas significativas entre as categorias em Treinamento e Instrução, Apoio Social e Comportamento Democrático.

O teste Post Hoc de Scheffé identificou as diferenças estatísticas significativas entre as categorias Sub-14 e Juvenil na dimensão Feedback Positivo. Os escores médios da categoria Sub-14 (4,3) foram mais elevados do que os da Juvenil (3,8). Além disso, foram reveladas diferenças significativas entre a categoria Sub-13 e as categorias Sub-11 e Sub-14 na dimensão Comportamento Autocrático. Os escores médios da categoria Sub-13 (2,7) foram superiores aos das Sub-11 (2,0) e Sub-14 (1,9).

A preferência de estilo de liderança

Considerando os valores dos escores médios de todos os participantes nas cinco dimensões da liderança, independente de categorias, observou-se que a preferência de estilos de liderança dos atletas se apresentou na seguinte ordem: Treinamento e Instrução, Feedback Positivo, Apoio Social, Comportamento Democrático e, no último posto, Comportamento Autocrático.

O teste t de Student para amostras dependentes indicou diferenças estatísticas significativas (p < 0,05) na comparação entre todos os escores médios apresentados pelos participantes nas cinco dimensões da liderança, conforme apresentado na Figura 2.

(6)

Autocrático Democrático Apoio Social Feedback Positivo Treinamento e Instrução Média 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 2,276 3,001 3,612 4,059 4,253

Figura 2. Gráfico de médias gerais das dimensões da liderança.

DISCUSSÃO

Os resultados apontaram a presença de diferenças estatísticas significativas na preferência de estilo de liderança entre atletas de 14 e 17 anos de idade em duas variáveis,

Feedback Positivo e Comportamento Autocrático (entre 13 e 11 e 14 anos de idade). No

entanto, essas diferenças entre categorias parece não seguir nenhum padrão lógico associado com alguma abordagem teórica. O objetivo principal deste trabalho foi de investigar a evolução da preferência de liderança ao longo das categorias. Portanto, era esperado que esta preferência pudesse variar de forma regular com as faixas etárias e, provavelmente, as maiores diferenças estariam entre as idades extremas.

Weinberg e Gould (2001) comentaram que conforme os atletas avançam na idade preferem técnicos mais autocráticos e socialmente apoiadores. Os atletas mais maduros são mais sérios e preferem técnicos mais exigentes, disciplinados e organizados. Nesta pesquisa, embora a idade dos participantes variasse de 10 a 24 anos, os atletas de 13 anos foram os que apresentaram os maiores escores médios na preferência de comportamento autocrático.

No Feedback Positivo, em que a diferença entre os escores médios se restringiu a apenas duas categorias intermediárias (14 e 17 anos), também, não houve condições de entendimento teórico. Por que apenas os atletas de 14 anos superariam os de 17 na preferência dessa característica da liderança?

Poder-se-ia pensar que estes resultados inesperados fossem decorrentes de alguma variabilidade casual proveniente dos indivíduos que compõem essas categorias envolvidas. Outra possibilidade explicativa para essas diferenças estaria ligada à coleta dos dados, tais como, falta de entendimento, desinteresse ou até um estado emocional momentâneo de alguns atletas poderiam ter enviesado suas respostas ao instrumento de pesquisa.

Por outro lado, constatou-se regularidade na ordem de preferência das dimensões da liderança manifestada pelos atletas em todas as categorias. Os resultados apresentaram a dimensão Treinamento e Instrução como a mais preferida (escore médio mais elevado). Por outro lado, o Comportamento Autocrático como o menos desejado. Diversos pesquisadores relataram este mesmo resultado (CHELLADURAI, 1978; CHELLADURAI, 1984; LOPES,

(7)

2002; LOPES, SAMULSKI, NOCE, 2004; OLIVEIRA, VOSER, HERNANDEZ, 2004; SERPA3, 1990 apud VILANI, 2004).

No estilo Treinamento e Instrução, o comportamento do treinador é destinado à melhora do rendimento dos atletas com ênfase em um treinamento duro e exigente. O treinador tem como principais responsabilidades instruir os atletas na aquisição de habilidades técnicas e táticas da modalidade, explicar a relação entre membros do grupo, estruturando e coordenando as atividades. O Comportamento Autocrático é o que o treinador preconiza a independência nas tomadas de decisão de acordo com a sua autoridade pessoal.

Chelladurai (1978) fez uso de características particularidades das modalidades esportivas para explicar os padrões de preferência de liderança dos atletas. O autor citou que atletas de esportes ao ar livre e interdependentes têm preferência pelo Treinamento e Instrução. Lopes, Samulski e Noce (2004) encontraram este resultado em estudo com atletas de voleibol.

Oliveira, Voser e Hernandez (2004) investigaram atletas de futebol das categorias júnior e profissional. Os pesquisadores identificaram a mesma seqüência hierárquica de preferência pelo estilo de liderança do treinador obtida no presente estudo, ou seja, Treinamento e Instrução, Feedback Positivo, Apoio Social, Comportamento Democrático e Comportamento Autocrático.

Independente da modalidade esportiva, Serpa4 (1990) apud Vilani (2004) afirmou que os estudos sobre a preferência dos atletas por estilos de liderança apontam para as dimensões de Treinamento e Instrução e de Feedback Positivo como os mais preferidas. Da mesma forma, Lopes (2002), ao pesquisar sobre o perfil de treinador ideal, identificou o Comportamento Autoritário do treinador como o menos preferido e o Treinamento e Instrução e o Feedback positivo como os mais preferidos.

CONCLUSÃO

Nesta pesquisa ficou evidente a preferência geral dos participantes com relação ao estilo de liderança do treinador, a mesma para todas as categorias examinadas. Considerando as características do futebol, esporte interdependente e ao ar livre, os achados atuais corroboraram os resultados obtidos por investigações anteriores.

Sugere-se para as próximas pesquisas que os dados possam ser recolhidos em diversas agremiações, pois neste trabalho eles vieram de um único clube. Desta forma, evitaria que algo específico da cultura local enviesasse os resultados. Como o delineamento desta pesquisa contempla comparações entre categorias seria conveniente aumentar o número de participantes para que estes grupos ficassem mais fortemente representados.

REFERÊNCIAS

CHELLADURAI, P. Discrepancy between Preferences and Perceptions of Leadership Behavior and Satisfaction of Athletes in Varying Sports. Journal of Sport Psychology, v.6, p. 27-41, 1984.

CHELLADURAI, P. et al. Sport Leadership in a Cross-National Setting: The Case of

Japanese and Canadian University Athletes. Journal of Sport & Exercise Psychology, v.10, p. 374-389, 1988.

CHELLADURAI, P.; SALEH, S. D. Preferred leadership in sports. Canadian Journal of Sport Science, v.3, p. 85-92, 1978.

CHELLADURAI, P.; SALEH, S. D. Dimensions of Leader Behavior in Sports: Development

3

SERPA, S. O treinador como líder: panorama atual da investigação. Ludens. v.12, p. 23-32, 1990. 4

(8)

of a Leadership Scale. Journal of Sport Psychology, v.2, p. 34-45, 1980.

CHELLADURAI, P. Leadership in sports: a review. International Journal of Sport Psychology, v.21, p. 328 – 354, 1990.

CHELLADURAI, P. Leadership. In: SINGER, R. N.; MURPHEY, M.; TENNANT, L.K. Handebook of Research on Sport Psychology. New York: Macmilliam, p.647 – 671, 1993. CHELLADURAI, P. Managing organizations for sport & physical education: a systems perspective. Scottsdale, AR: Holcomb Hathaway, 2001. 432 p.

HORN, T. S. Leadership effectiveness in the sport domain. In: HORN, T.S. Advances in sport psychology. Champaign, IL: Humain Kinetics, 1992. p. 181 – 189.

LOPES, M. Análise do perfil ideal do treinador na visão dos estudantes do curso de Educação Física da universidade Federal de Minas Gerais. 2002. Monografia (Graduação em Educação Física) – Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Educacional,

Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2002. Disponível em: www.scielo.org Acesso em: 20 abr. 2007.

LOPES, M.; SAMULSKI, D.; NOCE, F. Análise do perfil ideal do treinador de voleibol das seleções das seleções brasileiras juvenis. Revista Brasileira de Ciências e Movimento. v. 12, n. 4, p. 51 – 55, 2004.

MARTENS, R. El Entrenador: Nociones sobre psicología, pedagogía, fisiología y medicina para conocer el éxito. Tradução José Rovira Sánchez. Barcelona: Hispano Europea, S.A., 1995.

OLIVEIRA, J.; VOSER, R. da C.; HERNANDEZ, J. A. E. A comparação da preferência do estilo de Liderança do treinador ideal entre jogadores de futebol e futsal. Lecturas y EF: Revista Digital, 10, n. 76, 2004. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd76/lider.htm. Acesso em: 14 out. 2007.

RIEMER, H. A.; CHELLADURAI, P. Leadership and Satisfaction in Athletics. Journal of Sport & Exercise Psychology, v.17, p. 276-293, 1995.

SAMULSKI, D. M. Psicologia do Esporte: manual para a Educação Física, Psicologia e Fisioterapia. Barueri: Manole, 2002. 368 p.

VILANI, L. Liderança Situacional ® II e a Relação Treinador-atleta em Diferentes Categorias da Base do Tênis de Mesa Nacional. 2004. Dissertação (Mestrado em Treinamento Esportivo) – Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Educacional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2004.

WEINBERG, R. S.; GOULD, D. Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. 2 ed.. Porto Alegre: Artmed, 2001. 560 p.

Referências

Documentos relacionados

Foi realizada uma revista da literatura onde se procurou discutir parâmetros para indicações, melhor área doadora e técnicas cirúrgicas para remoção do enxerto de calota

Resultados obtidos nos levantamentos efetuados apontam para a possibilidade de se complementar a metodologia para avaliação de pavimentos atualmente disponível no Brasil através do

Os estudos iniciais em escala de bancada foram realizados com um minério de ferro de baixo teor e mostraram que é possível obter um concentrado com 66% Fe e uma

Embora a audiência recebesse maté- ria-prima cada vez mais diversa para cada pessoa construir sua imagem do uni- verso, a Galáxia de McLuhan era um mundo de comunicação de mão

A utilização do flufenoxurrão como pesticida está, portanto, severamente restringida, devendo a substância ser aditada às listas de produtos químicos constantes do anexo I, partes

Quando contratados, conforme valores dispostos no Anexo I, converter dados para uso pelos aplicativos, instalar os aplicativos objeto deste contrato, treinar os servidores

Quadro 5-8 – Custo incremental em função da energia em períodos de ponta (troços comuns) ...50 Quadro 5-9 – Custo incremental em função da energia ...52 Quadro 5-10

Dada a plausibilidade prima facie da Prioridade do Conhecimento Definicional, parece que não se poderia reconhecer instâncias de F- dade ou fatos essenciais acerca