UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA
MATHIAS SCREMIN DOS SANTOS
OS PODERES ADMINISTRATIVOS DA SUPERINTENDÊNCIA NACIONAL DE
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR (PREVIC) NO ÂMBITO DE SUA ATIVIDADE
REGULATÓRIA
Tubarão
2011
OS PODERES ADMINISTRATIVOS DA SUPERINTENDÊNCIA NACIONAL DE
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR (PREVIC) NO ÂMBITO DE SUA ATIVIDADE
REGULATÓRIA
Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito.
Linha de pesquisa: Justiça e sociedade.
Orientador Temático: Madilini Mariáh Külkamp Gurgacgz, Esp.
Tubarão
2011
OS PODERES ADMINISTRATIVOS DA SUPERINTENDÊNCIA NACIONAL DE
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR (PREVIC) NO ÂMBITO DE SUA ATIVIDADE
REGULATÓRIA
Esta monografia foi julgada adequada à obtenção do título de Bacharel em Direito e aprovada em sua forma final pelo Curso de Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina.
Tubarão, 22 de junho de 2011.
___________________________________________________
Prof. e orientadora Madilini Mariáh Külkamp Gurgacg, Esp.
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________
Prof. Antônio Cardoso, Esp.
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________
Prof. Guilherme Marcon, Esp.
Primeiramente a Deus, por iluminar todos os meus caminhos e me dar a
oportunidade de estar finalizando este curso.
À minha família, que dedica o que de melhor possui para vislumbrar minha
caminhada, prestando-me apoio e incentivo em todos os momentos necessários.
À minha namorada, pelas doses diárias de amor, companheirismo, paciência e
respeito.
À minha Orientadora, Madilini Mariáh Külkamp Gurgacg, que com a sua
dedicação e sabedoria, orientou-me na realização do presente trabalho de conclusão de curso.
Mantenha seus pensamentos positivos. Porque seus pensamentos tornam-se palavras. Mantenha suas palavras positivas. Porque suas palavras tornam-se hábitos. Mantenha seus hábitos positivos. Porque seus hábitos tornam-se valores. Mantenha seus valores positivos. Porque seus valores tornam-se seu destino. (Mahatma Gandhi).
O presente estudo monográfico examinou o tema “Os Poderes Administrativos da
Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) no âmbito da sua função
regulatória”, cujo objetivo geral foi especificar à luz do direito administrativo e previdenciário
quais seriam os poderes administrativos atribuídos pela Lei 12.154 de 23 de dezembro de
2009, à aludida autarquia, para a consecução dos seus objetivos institucionais. O método de
abordagem escolhido foi o dedutivo, pelo que partiu-se da premissa mais ampla, a análise da
Previdência Social e seus Regimes, bem como os Poderes Administrativos Gerais, para então
partir para o estudo específico dos Poderes Administrativos relacionados às atribuições da
PREVIC. No que tange ao método de procedimento, foi usado o monográfico, analisando
aspectos relevantes do tema, por meio de estudo minucioso e contextualizado do conteúdo.
Respeitante ao procedimento de pesquisa optou-se pelo bibliográfico, porquanto se utiliza
como fonte de estudo, o conhecimento extraído de doutrinas, e legislação atuais. Do estudo
realizado, evidencia-se que a Superintendência Nacional de Previdência Complementar possui
diversas funções regulatórias, e para tanto deve ser dotada de poderes específicos a fim de
nortear o exercício de fiscalização e controle que a autarquia exerce sobre as entidades
fechadas de previdência complementar. Em conclusão, pode-se inferir que tal agência
regulatória foi criada precipuamente para suprir as lacunas que o antigo órgão regulador da
Previdência Complementar oferecia, sendo que atualmente, por intermédio da Previc, e à luz
dos Poderes Administrativos concernentes à ela, é efetuada a fiscalização e supervisão das
atividades exercidas pelas Entidades Fechadas de Previdência Complementar.
Palavras-chave: Administração Pública. Previdência Social. Previdência Privada. Fundos de
Pensão.
This monographic study examined the theme "The Administrative Powers of the National
Superintendency of Pension Funds (PREVIC) within its regulatory function," whose main
objective was to specify the light of administrative law and social security which would be the
administrative powers granted by Law 12,154 of December 23, 2009, alluded to the
municipality to achieve its institutional objectives. The method chosen was the deductive
approach, so we started with the premise level, the analysis of Social Security and their
regimes, as well as the General Administrative Powers to move on to the study of specific
powers relating to the duties of the Administrative PREVIC . Regarding the method of
procedure, we used the monograph, analyzing aspects of the topic, through meticulous study
and contextualized content. Concerning the search procedure was chosen literature, because
we used as a source of knowledge extracted from the study of doctrines, and current
legislation. The study, we noted that the National Superintendency of Pension Funds has
several regulatory functions, and both should be given specific powers to govern the exercise
of supervision and control that the local authority exercises over the bodies of pension fund
system. In conclusion, it can be inferred that such a regulatory agency was created
precipuamente to close the loopholes that the former regulator of Pension Funds offered, and
currently, through the Previc, and in light of administrative powers pertaining to it, is done to
monitoring and oversight of the activities performed by entities Closed Pension Fund.
ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações
ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica
ANP - Agência Nacional de Petróleo
ANTT - Agência Nacional de Transportes Terrestres
BACEN - Banco Central do Brasil
CC - Código Civil
CGPC - Conselho de Gestão da Previdência Complementar
CLT - Consolidação das Leis Trabalhistas
CNPC - Conselho Nacional de Previdência Complementar
CNSP - Conselho Nacional de Seguros Privados
CRFB - Constituição da República Federativa do Brasil
CRPC - Câmara de Recursos da Previdência Complementar
CTN - Código Tributário Nacional
EC - Emenda Constitucional
EFPC - Entidade Fechada de Previdência Complementar
EPP - entidades de previdência privada
IAP - Instituto de Aposentadoria e Pensão
IAPB - Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários
IAPC - Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários
IAPM - Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos
INPS - Instituto Nacional de Previdência Social
INSS - Instituto Nacional do Seguro Social
LC - Lei Complementar
LOPS - Lei Orgânica da Previdência Social
MP - Medida Provisória
PREVIC - Superintendência Nacional de Previdência Complementar
RGPS - Regime Geral de Previdência Social
RPPS - Regime Próprio de Previdência Social
RPS - Regulamento da Previdência Social
SPC - Secretaria de Previdência Complementar
TAFIC - Taxa de Fiscalização e Controle da Previdência Complementar
USP - Universidade de São Paulo
1 INTRODUÇÃO ... 11
1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA ... 11
1.2 JUSTIFICATIVA ... 12
1.3 OBJETIVOS ... 13
1.3.1 Objetivo geral ... 13
1.3.2 Objetivos específicos ... 14
1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ... 14
1.5 DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO ... 15
2 DOS REGIMES DE PREVIDÊNCIA NO BRASIL ... 16
2.1 DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ... 16
2.2 DO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ... 18
2.3 DO REGIME DE PREVIDÊNCIA MILITAR ... 19
2.4 DO REGIME DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ... 20
2.4.1 Princípios reitores da previdência complementar ... 24
2.4.2 Do regime de previdência complementar aberto ... 25
2.4.3 Do regime de previdência complementar fechado ... 26
2.4.3.1 Do patrocinador, participante e assistido ... 27
2.4.3.2 Entidade fechada de previdência complementar ... 29
3 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E SEUS PODERES ADMINISTRATIVOS ... 32
3.1 CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ... 32
3.2 ADMINISTAÇÃO PUBLICA DIRETA E INDIRETA ... 33
3.2.1 Autarquias ... 34
3.2.2 Autarquias sob o regime especial ... 36
3.2.3 Agências reguladoras ... 37
3.3 PODERES ADMINISTRATIVOS ... 38
3.3.1 Poder vinculado ... 40
3.3.2 Poder discricionário ... 41
3.3.3 Poder hierárquico ... 42
3.3.4 Poder disciplinar ... 43
3.3.5 Poder regulamentar ... 44
3.3.6 Poder de polícia ... 45
NACIONAL DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR (PREVIC) ... 48
4.1 DA PREVIC ... 48
4.1.1 A criação da superintendência nacional de previdência complementar ... 49
4.1.2 Conceito ... 50
4.1.3 Finalidade ... 50
4.1.4 Competência ... 51
4.1.5 Estrutura ... 53
4.2 PODERES ADMINISTRATIVOS NO ÂMBITO DA PREVIC ... 56
5 CONCLUSÃO ... 63
REFERÊNCIAS ... 65
ANEXOS ... 69
ANEXO A - Lei Ordinária nº 12.154/2009 ... 70
ANEXO B - Lei Complementar nº 108/01 ... 86
ANEXO C - Lei Complementar 109/01 ... 92
ANEXO D - Decreto-Lei nº 7.075/10 ... 110
ANEXO E - Decreto-Lei nº 7.078/10 ... 112
1 INTRODUÇÃO
O fundamento da construção deste trabalho científico está associado às atividades
de fiscalização e controle, atribuídas por leis específicas da Superintendência Nacional de
Previdência Complementar (PREVIC), sob as Entidades Fechadas de Previdência
Complementar.
1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
Hodiernamente, é sabido que a Previdência Social passa por vários processos de
aperfeiçoamento administrativo a fim de suprir seu déficit orçamentário. Isso acaba por
comprometer a satisfação por parte dos integrantes deste tipo de regime previdenciário.
Nos termos da atual Constituição o objetivo da Seguridade Social (CRFB)
consiste em criar um sistema protetivo capaz de atender os anseios e as necessidades dos
indivíduos na área social.
A Previdência Social como ente integrante da Seguridade Social, busca, por sua
vez, proteger certas contingências sociais como, por exemplo: a) eventos de: doença,
invalidez, morte, idade avançada; b) proteção a maternidade, entre outros.
Riscos sociais cobertos pelos regimes protetivos são as adversidades da vida, a que qualquer pessoas está submetida, como o risco de doença ou acidente, tanto quanto eventos previsíveis, como a idade avançada, geradores de impedimento para o segurado providenciar sua manutenção. (IBRAHIM, 2010, p. 29).
Para proteção de tais contingências é que a Previdência Social, hoje se justifica. A
previdência social brasileira é tradicionalmente definida como um seguro sui generis,
porquanto é organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação
obrigatória. (BRASIL, 2011).
Ocorre que no atual sistema de previdência social, constata-se o inconformismo
de muitos segurados no momento da realização do cálculo de seus benefícios previdenciários.
Ao se aposentarem, percebem que não possuem as mesmas condições econômicas que
auferiam ao tempo em que exerciam atividade remunerada.
Isso decorre, muitas vezes, da incidência do fator previdenciário nas
aposentadorias, ou porque o cálculo foi realizado na vigência das emendas constitucionais nº
20/1998, nº 41/2003 e nº 47/2005, que modificaram consideravelmente as regras concernentes
aos salários de benefícios, estabelecendo teto remuneratório para concessão das prestações
previdenciárias. Acresce-se a estes fatos o teto remuneratório para concessão das prestações
previdenciárias.
Por tais motivos, é que recrudesce o interesse dos trabalhadores pela Previdência
Privada, implicando na criação de inúmeros institutos previdenciários de caráter
complementar. O Regime de Previdência, em corolário, a Previdência Complementar, cresce
em grande proporção, e ante o caráter privado dos fundos de pensão o governo não possui um
controle efetivo sobre tais entidades.
Logo é imperioso que tal crescimento seja adequadamente regulamentado por
parte do Estado, a fim de que se possa conferir maior segurança aos participantes desse
sistema de previdência complementar.
Identificado tal problema, o governo resolveu agir e buscou na criação de uma
agência reguladora, uma forma de fiscalizar as Entidades Fechadas de Previdência
Complementar.
Deste modo, no dia 23 de dezembro de 2009, foi sancionada a lei 12.154, que
criou a Superintendência Nacional de Previdência Complementar, a PREVIC, que passou a
atuar em todo território nacional como agência fiscalizadora e reguladora das entidades
fechadas de previdência complementar.
Dentro deste contexto, faz-se necessário perquirir os seguintes questionamentos.
Qual o papel institucional da Superintendência Nacional de Previdência Complementar, a
PREVIC? Qual a sua natureza jurídica? Quais as normas jurídicas que norteiam o
funcionamento e atividades da referida agência reguladora? À luz do Direito Administrativo,
quais os poderes administrativos que lhe são inerentes para o exercício de suas atividades
regulatórias?
1.2 JUSTIFICATIVA
O tema em questão é algo absolutamente atual, haja vista que a lei que aprovou a
instituição da PREVIC foi sancionada em dezembro de 2009, sendo assim, ela ainda é pouco
comentada, fazendo com que haja inúmeras dúvidas e curiosidades acerca das funções,
funcionamento e modo de criação desta agência reguladora no âmbito da previdência
complementar fechada, e ainda sobre a sua correlação com os poderes administrativos.
O sistema brasileiro de previdência complementar é o oitavo do mundo,
representa 17% do PIB brasileiro e possui um patrimônio de R$ 501 bilhões. A PREVIC
representa o fortalecimento e consolidação institucional - com a estabilidade de regras e maior
transparência - da evolução recente da previdência complementar no Brasil, agora com a
atribuição de supervisão dos fundos de pensão. (PINHEIRO, 2010, p.1).
Há poucos comentários doutrinários a respeito da PREVIC ainda, então busca-se
neste trabalho, dar um maior embasamento para o leitor entender os assuntos pertinentes a
esta superintendência.
Vale salientar, que a criação de tal agência é fruto do esforço do governo federal,
iniciado em 2004, para fortalecer o sistema previdenciário fechado no país, sendo que o
mesmo foi alvo de crescente demanda entre os brasileiros que buscam uma maneira de
garantia financeira futura.
Assim sendo, deve-se fazer um estudo detalhado do processo de criação da
PREVIC, bem como relatar um breve histórico do sistema previdenciário brasileiro, para que
se vislumbre as precariedades existentes e a necessidade de criação de modelos alternativos de
Previdência.
Por conseguinte, é importante analisar os poderes administrativos atribuídos à
Superintendência Nacional de Previdência Complementar, e verificar se os mesmos,
embutidos em legislação específica, proporcionarão maior controle, fiscalização e
transparência aos Regimes de Previdência Complementar Fechada.
1.3 OBJETIVOS
1.3.1 Objetivo geral
Analisar, à luz do Direito Administrativo e do Direito Previdenciário o modo de
criação das agências reguladoras federais, para oportunamente, explanar sobre a necessidade
da criação e a organização da criação da Superintendência Nacional de Previdência
Complementar (PREVIC).
1.3.2 Objetivos específicos
a. Verificar no âmbito constitucional e infraconstitucional, as principais normas
jurídicas envolvidas no processo de criação das Agências reguladoras, e correlacioná-las com
a Previdência de caráter complementar.
b. Demonstrar os poderes administrativos ligados às agências reguladoras,
especificamente, referente a Superintendência Nacional de Previdência Complementar, a
PREVIC.
c. Identificar os tipos de regime da Previdência Social, bem como o conceito e os
tipos de autarquias existentes no Brasil, para que assim se possa entender o processo de
funcionamento de uma agência reguladora previdenciária.
d. Descrever o conceito, finalidade, campo de atuação, competência e estrutura da
PREVIC.
1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para a elaboração deste trabalho, utilizar-se-á a pesquisa bibliográfica em livros,
artigos científicos e leis específicas, efetuando um estudo, sobretudo, da lei 12.154/2009, que
criou a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC).
Por meio da análise da Previdência Social e seus Regimes, como também dos
Poderes Administrativos Gerais, a presente pesquisa tem por objetivo geral atingir uma
conclusão específica sobre o tema, ou seja, o estudo específico dos Poderes Administrativos
referente à Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC). Para tanto,
foi utilizado nessa abordagem, o método dedutivo de pesquisa.
Em relação ao método de procedimento da pesquisa, foi utilizado o monográfico,
visando por meio de estudos bibliográficos, a análise de aspectos relevantes do tema,
auferindo assim, uma pesquisa minuciosa e detalhada do conteúdo.
Este trabalho utilizará a pesquisa explicativa, eis que ele demonstra a necessidade
de criação da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC), por meio
de estudos baseados nos regimes previdenciários brasileiros já existentes, bem como, pela
crescente procura pelo Regime de Previdência Complementar.
Respeitante, por fim, ao procedimento de pesquisa, optou-se pelo bibliográfico,
porquanto utilizamos como fonte de estudo o conhecimento extraído de doutrinas, e legislação
atuais.
1.5 DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO
O desenvolvimento da presente monografia foi estruturado em 3 (três) capítulos,
tais como: a) Dos Regimes de Previdência no Brasil; b) Administração Pública e seus
Poderes; c) Poderes Administrativos no Âmbito da Superintendência Nacional de Previdência
Complementar (PREVIC).
No primeiro capítulo foi traçado uma análise histórica dos Regimes de
Previdência no Brasil, identificando quais são, e quem são os integrantes de cada um. Em
seguida, houve um aprofundamento no regime de Previdência Complementar, foco deste
trabalho, verificando dados estatísticos referente a este tipo de regime. Por último,
finalizou-se vislumbrando quais os participantes e patrocinadores das Entidades Fechadas de
Previdência Complementar, também conhecidas como fundos de pensão.
No segundo capítulo buscou-se apresentar o caráter administrativo do presente
trabalho, identificando o conceito de direito administrativo e a estrutura regente deste tipo de
direito. Visto que a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) é
uma agência reguladora, foi oportuno frisar e conceituar as atribuições das autarquias em
geral, bem como, das autarquias sob o regime especial, identificadas também, como agências
reguladoras. Por fim, foi disposto os poderes administrativos da Administração Pública,
apontando e conceituando cada um de maneira particular.
Já no último capítulo perquiriu-se contextualizar os primeiros capítulos de
maneira lógica, a fim de se concretizar o tema realmente apresentado nesta monografia,
explicitando o modo de criação, atribuições, estrutura e o campo de atuação da
Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC). Para finalizar, houve a
identificação dos poderes administrativos no âmbito da Previdência Complementar Fechada,
mais especificamente, nas leis regentes deste tipo de Previdência.
2 DOS REGIMES DE PREVIDÊNCIA NO BRASIL
Antes de se perquirir acerca dos regimes de Previdência Complementar, é
necessário fazer uma breve análise a respeito dos Regimes de Previdência, atualmente
previstos pelo ordenamento jurídico brasileiro, mais especificamente pela legislação
previdenciária.
A palavra Previdência vem do latim praevidentia, e, segundo sua etimologia, “é a
qualidade de quem vê antecipadamente. Aquele que age de forma previdente antecipa-se às
contingências futuras e acautela-se quanto aos danos que possam ser gerados por elas.”
(BRAGANÇA, 2009, p. 3).
Os indivíduos devem precaver-se de infortúnios da vida, que de alguma forma
possam atrapalhar sua capacidade de trabalho, devendo assim buscar alguma forma de
garantir o seu futuro e de sua família.
Portanto os regimes de previdência objetivam conferir aos indivíduos por ela
acobertados, uma proteção contra os riscos sociais, tais como doença, acidente, invalidez,
morte, desemprego involuntário, prisão, morte, velhice além de outras contingenciais sociais.
Hodiernamente, o Brasil adota, basicamente, quatro regimes de Previdência
Social, quais sejam: Regime Geral da Previdência Social (RGPS), Regime Próprio da
Previdência Social (RPPS), Regime de Previdência Militar (RPM) e o Regime de Previdência
Complementar Privada (RPCP), sendo este último de caráter privado e os três primeiros de
caráter público.
Importante destacar que este presente trabalho se ocupará, precipuamente, na
abordagem do tema, do Regime de Previdência Complementar Privada (RPCP), visto que o
objetivo desta monografia envolve a o estudo dos poderes regulatórios das agências
responsáveis pela fiscalização das Entidades Fechadas de Previdência Complementar,
também conhecidos, como fundos de pensão.
2.1 DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
Quando se fala em previdência hoje no Brasil, a primeira idéia que emerge na
lembrança dos brasileiros é: Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Ou seja, a maioria da população brasileira atrela o conceito de previdência ao
Regime Geral de Previdência Social. Isso talvez ocorra, diante do caráter público e
obrigatório do Regime Geral, bem como pela universalidade da cobertura e do atendimento
como princípio basilar da Seguridade Social.
A respeito deste regime, a doutrina relata o seguinte:
Principal regime previdenciário na ordem interna, o Regime Geral de Previdência Social – RGPS abrange obrigatoriamente todos os trabalhadores da iniciativa privada, ou seja os trabalhadores que possuem relação de emprego regida pela Consolidação das Leis Trabalhistas (empregados urbanos, mesmo os que estejam prestando serviço a entidades paraestatais, os aprendizes e os temporários), pela Lei nº 5.889/73 (empregados rurais) e pela Lei nº 5.859/72 (empregados domésticos); os trabalhadores autônomos, eventuais ou não; os empresários, titulares de firmas individuais ou sócios gestores e prestadores de serviços; trabalhadores avulsos; pequenos produtores rurais e pescadores artesanais trabalhando em regime de economia familiar; e outras categorias de trabalhadores, como garimpeiros, empregados de organismos internacionais, sacerdotes, entre outros. (CASTRO et al., 2010, p. 111).
Mas para que se possa entender o porquê da ingerência do Estado na cobertura
dos riscos e contingências sociais, mister resgatar brevemente o histórico da Previdência
Social no Brasil.
No Brasil, se tem como marco inicial da Previdência Social, a publicação do
Decreto Legislativo nº 4.682, de 24 de janeiro de 1923, mais conhecido como Lei Eloy
Chaves, que criou as Caixas de Aposentadoria e Pensões nas empresas de estradas de ferro
existentes, mediante contribuições dos trabalhadores, das empresas do ramo e do Estado,
assegurando aos trabalhadores aposentadoria, e a seus dependentes pensão em caso de morte
do segurado, além de assistência médica e diminuição de custos de medicamentos. (CASTRO
et al., 2010, p. 31).
Neste norte, Bragança salienta:
A Lei Eloy Chaves inaugura a primeira fase, que vai até a criação do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Marítimos – IAPM, em 1933, quando autorizou a criação em cada uma das empresas de estradas de ferro existentes no país de uma Caixa de Aposentadoria e Pensões para os respectivos empregados. (BRAGANÇA, 2009, p. 7).
Entretanto mesmo antes do advento da Lei (Eloy Chaves), já se encontrava
vigente o decreto n. 9284 de 30 de dezembro de 1911 que instituiu a caixa de aposentadoria e
pensões dos operários da casa da moeda.
Posteriormente outros institutos foram criados, como é o caso do Instituto de
Aposentadoria e Pensões dos Marítimos (IAPM), criado pelo Decreto nº 22.872 de 29 de
junho de 1933. Assim como ele, surgiram outros institutos, como o Instituto de Aposentadoria
e Pensões dos Comerciários (IAPC) e o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários
(IAPB), em 1934. (CASTRO et al., 2010, p. 32).
Em 26 de agosto de 1960, pela Lei 3.807 deste mesmo ano, foi criada a Lei
Orgânica da Previdência Social (LOPS), numa tentativa de unificar a legislação
previdenciária. Quase uma década depois foram unificados os IAP’s, conforme o Decreto-Lei
nº 72, de 21 de novembro de 1966, criando assim o Instituto Nacional de Previdência Social,
o INPS.
Ressalta-se, entretanto, que não faziam parte do contexto deste instituto, os
empregados rurais e os empregados domésticos. Quanto aos rurais, somente com a Lei
Complementar nº 11/71, que criou o FUNRURAL, é que os mesmos passaram a ser
segurados da Previdência Social. Já as domésticas, com a Lei 5.859/72, art. 4º, também
puderam gozar dos benefícios da Previdência Social. (CASTRO et al., 2010, p. 33).
Desse modo, com a expansão da Previdência Social, e o crescimento de benefícios
a todos os brasileiros, era necessário a criação de um sistema que atuasse de maneira
abrangente e simultânea em diversas áreas sociais, como saúde, assistência social e
previdência social, a fim de garantir ao contribuinte deste sistema, uma melhor perspectiva de
vida, e segurança para si e sua família.
Tal tarefa coube ao constituinte de 1988 que estabeleceu o sistema de Seguridade
Social (CF, art. 194) como meta a ser obtida pelo Estado brasileiro, atuando nas áreas de
Saúde, Assistência Social e Previdência Social.
Por meio deste breve escorço histórico pode-se constatar que, desde a criação da
caixa de aposentadoria e pensão ao Estado, firmada pelo decreto nº 20.465 de 01 de outubro
de 1931, a Previdência Social brasileira seguiu a via da publicização.
Contudo, o forte caráter público da previdência não impediu o desenvolvimento
paralelo da previdência privada, tendo esta, mantido forte presença na sociedade.
Sabe-se perfeitamente que a filiação ao regime geral de previdência é a regra, mas
a previdência complementar vem sendo alvo das principais políticas previdenciárias adotadas
atualmente pelo governo brasileiro.
2.2 DO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
Os Regimes Próprios de Previdência Social podem ser criados por cada ente
federativo – União, Estados, Distrito Federal e Municípios – cabendo ao ente correspondente
a função exercida pelo trabalhador, a faculdade de inscrever ou não o beneficiário. O ente não
o fazendo, seus servidores serão filiados obrigatoriamente no RGPS. (BRAGANÇA, 2009, p.
3).
Foi a Emenda Constitucional n. 20, de 15.12.1998, que inovou na matéria ao
prever a instituição de um regime previdenciário próprio, o qual também se aplica aos agentes
públicos ocupantes de cargos vitalícios.
O conceito de RPPS está descrito no artigo 10 § 3º do Regulamento da
Previdência Social (RPS):
Art. 10. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado neste Regulamento, desde que amparados por regime próprio de previdência social. § 3º Entende-se por regime próprio de previdência social o que assegura pelo menos as aposentadorias e pensão por morte previstas no art. 40 da Constituição Federal. (BRASIL, 2011).
Como se infere, tais servidores, em princípio não se inserem no regime geral dos
trabalhadores da iniciativa privada, o que significa dizer que lhes é assegurado estatuto
próprio a dispor sobre seus direitos previdenciários e a participação destes no custeio do
regime diferenciado. (CASTRO; LAZZARI, 2010, p. 130).
Assim sendo, se um ente federativo instituir um regime próprio terá que assegurar
os benefícios mínimos previstos constitucionalmente. Crucial destacar ainda, que antes da
Emenda Constitucional nº 20 de 16 de dezembro de 1998, o RPPS poderia abranger todo e
qualquer tipo de servidor, seja o comissionado, contratado temporariamente, servidor efetivo,
celetistas, estáveis ou ocupantes de cargos eletivos.
Hoje os comissionados, são considerados como segurados empregados do Regime
Geral da Previdência Social (excepcionando-se os casos dos servidores que já estava
enquadrado no RPPS até 16/12/1998 e tivesse cumprido as condições necessárias para se
aposentar).
2.3 DO REGIME DE PREVIDÊNCIA MILITAR
O Regime de Previdência Militar brasileiro segue as diretrizes da Lei nº 6.880/80,
com alterações da Lei nº 10.416/02 e Medida Provisória nº 2.215/01. (IBRAHIM, 2010, p.
35).
A Constituição da República Federativa do Brasil, no seu art. 142, inciso X, assim
dispõe sobre o Regime de Previdência Militar:
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.
X - a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites de idade, a estabilidade e outras condições de transferência do militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração, as prerrogativas e outras situações especiais dos militares, consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive aquelas cumpridas por força de compromissos internacionais e de guerra. (BRASIL, 2011).
Portanto, o Regime de Previdência Militar segue à inatividade remunerada,
custeada integralmente pelo Tesouro. O afastamento dos membros da categoria de militares é
frequentemente precoce, seja pelas rigorosas exigências físicas da atividade militar ou mesmo
por critérios de hierarquia institucional, aumentando desta forma, o número de aposentadorias
e pensões custeadas pela União. (IBRAHIM, 2010, p. 35-36).
2.4 DO REGIME DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR
Os regimes previdenciários até o momento analisados serviram de premissa ao
estudo do Regime Previdência Complementar, um dos temas essenciais do presente trabalho
monográfico.
Sabe-se que o atual Regime Geral de Previdência Social composto por um restrito
elenco de prestações e com um teto não muito elevado para o valor da renda mensal dos
benefícios - hoje em torno de R$ 3.689,66 (três mil seiscentos e oitenta e nove reais e sessenta
e seis centavos) de acordo com o art. 6º da Portaria Interministerial MPS/MF nº 568, de 31 de
dezembro de 2010 - DOU de 03/01/2011 - faz surgir um maior interesse da população pela
previdência privada. (BRASIL, 2011).
Pessoas que percebem rendimentos maiores, por exemplo, que contribuíram
apenas sobre o limite que a Previdência Social estabelece, no futuro vislumbram declínio no
seu nível de vida social e financeiro, quando da concessão de seus benefícios, em especial no
que tange à aposentadoria.
Nesse sentido Lima (2004, p. 51) esclarece:
Para o grupo de assalariados mais modestos, a previdência supletiva assume importância muito grande, porque a aposentadoria simples pode se transformar em
perda de status. Mas para o grupamento seguinte, que engloba executivos de alto nível, operadores altamente capacitados e diretores profissionais, a aposentadoria oficial representa uma ameaça catastrófica e uma perspectiva aleatória e angustiante. A aposentadoria integral soa como palavra mágica, capaz de tranqüilizar todos os que passaram uma vida inteira dedicados ao trabalho e esperam encerrar a etapa de lutas sem necessidade de iniciar uma outra, na qual terão de debater-se heroicamente para recompor seu orçamento e assegurar à família o padrão ameaçado.
Entretanto a preocupação do Constituinte para com a organização e gestão da
previdência privada, só veio a ser externada a contar da edição da emenda Constitucional n.
20/1998, a qual conferiu a seguinte redação ao art. 202 da CRFB:
Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar.
§ 1° A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivos planos. (BRASIL, 2011).
No âmbito do da Previdência Complementar do serviço público, tal preocupação
só se revelou efetiva por ocasião da publicação da EC 41/2003 em seu artigo 1º, § 15:
art.1º, § 15. O regime de previdência complementar de que trata o § 14 será instituído por lei de iniciativa do respectivo Poder Executivo, observado o disposto no art. 202 e seus parágrafos, no que couber, por intermédio de entidades fechadas de previdência complementar, de natureza pública, que oferecerão aos respectivos participantes planos de benefícios somente na modalidade de contribuição definida. (BRASIL, 2011).
Da simples leitura dos artigos acima, infere-se que o constituinte de 1988, com
vistas a proteger o interesse público, determinou que o legislador dispensasse, no âmbito da
legislação da previdência complementar, tratamento diferenciado entre o patrocinador de
natureza privada e o de natureza pública.
Aos primeiros, aplicam-se as disposições contidas na Lei Complementar nº
109/01, que estabelece regras gerais para o regime complementar de previdência; ao passo
que, aos patrocinadores de natureza pública, aplicam-se também os dispositivos da Lei
Complementar nº 108/01, que, no caso, impõe mecanismos mais rígidos de controle social da
gestão das entidades que administram planos de previdência de patrocinador, em cujo capital
social o Poder Público tenha alguma participação.
Investigada a sua previsão legal, cumpre agora definir o que vem a ser o regime
de previdência complementar á luz da doutrina e da legislação vigente.
Tavares destaca que: “A previdência privada é um sistema complementar e
facultativo de seguro, de natureza contratual. Suas normas básicas estão previstas no art. 202
da Constituição da República e nas Leis Complementares nº 108 e 109/2001.” (TAVARES,
2010, p. 25).
Portanto, a Previdência Complementar, hoje pode ser definida como um regime
que constitui o quarto pilar do sistema previdenciário brasileiro, tem caráter facultativo e visa
proporcionar ao trabalhador proteção previdenciária adicional, de acordo com sua respectiva
necessidade e vontade. (BRASIL, 2008).
Ainda respeito da definição do que vem a ser a previdência Complementar,
leciona Lima (2004, p. 57):
Tem-se por previdência privada o empreendimento particular, com finalidade lucrativa ou não, organizado sob a supervisão do Estado, sob contribuição individual ou associada, objetivando rendas complementares (ou assemelhadas) ou não do sistema oficial de Previdência Social.
Curioso destacar que a Previdência Privada é historicamente anterior à
Previdência Pública, como sinteticamente nos esclarece Lima (2004, p. 52):
As formas de previdência privada precedem historicamente a instituição do seguro social obrigatório. Já se disse que “La sécurité sociale est I´heritière de assurances mutualistes (Elie Ainfandari). A Antiguidade, a Idade Média e a Idade Moderna conheceram inúmeras modalidades de associações que, fruto da iniciativa dos próprios interessados, promoviam o socorro aos seus filiado mediante auxilio mutuo; são instituições de cunho moralista, tais como, confrarias, grêmios, sociedades de mutuo socorro, caixas de pecúlios, associações de auxílios mútuos, fraternidades, irmandades, frequentemente de origem religiosa. Ordens terceiras etc. Só na Idadeâ, mais precisamente no século XIX, é que surge a providencia oficial, a qual veio a transformar-se, no século XX, em um dos mais significativos aspectos da política social do Estado, em toda parte.
Não se pode deixar de registrar que as primeiras instituições de previdência
complementar estavam vinculadas principalmente a grandes empresas estatais, a exemplo do
Banco do Brasil (PREVI) e Petrobras (PETROS). Tais organizações são anteriores à própria
criação de normas para o sistema. (BRASIL, 2011).
É oportuno trazer à baila o marco regulatório da previdência complementar no
Brasil, ou seja, a Lei 6.435 de 15 de julho de 1977, que inspirada no modelo norte-americano,
nos serve de espelho até a atualidade. (BRASIL, 2011).
Tal instrumento legal definia as entidades de previdência privada da seguinte
forma:
Entidades de previdência privada, para os efeitos da presente Lei, são as que têm por objeto instituir planos privados de concessão de pecúlios ou de rendas, de benefícios complementares ou assemelhados aos da Previdência Social, mediante contribuição de seus participantes, dos respectivos empregadores ou de ambos. (BRASIL, 2011).
A idéia de complementariedade, ao que parece, decorre de uma maior presença da
previdência fechada, de natureza suplementar no cenário nacional, Os ditos “fundos de
pensão” – Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFCP) assumiram papel de
grande relevância na economia nacional. (LIMA, 2004, p. 58).
Posteriormente a Lei Complementar n. 109, de 29 de maio de 2001, revogou a Lei
6.435/1977 passando então a disciplinar a Previdência Complementar. O art. 2º da referida lei
é claro ao preceituar:
Art. 2º. O regime de previdência complementar é operado por entidades de previdência complementar que têm por objetivo principal instituir e executar planos de benefícios de caráter previdenciário, na forma desta Lei Complementar. (BRASIL, 2011).
Um marco diferenciado do sistema de previdência complementar, quando
comparado com o RGPS, diz respeito a facultatividade do primeiro e a obrigatoriedade deste
último. Assim sendo, no regime de Previdência Complementar aderir ou não, permanecer ou
não filiado serão sempre opções para a pessoa. Ao passo que no Regime Geral da Previdência
Social, a filiação tem caráter obrigatório, nos termos do art. 201 da Constituição da Federal.
Agora, no que tange à finalidade do regime complementar Costa assim esclarece:
O regime complementar define-se a partir de sua finalidade essencial, a de fornecer ao segurado de regime de pensão (fundos de pensão) renda de aposentadoria suficiente, tendo por base a suplementação do nível da prestação do regime geral de seguridade social. (COSTA, 2003, p. 78).
Portanto sendo previdência privada, um dos sustentáculos da previdência social, é
matéria que integra o conjunto de direitos sociais elencados na Constituição Federal. Dessa
forma, o regime complementar constitui objeto de política pública, a partir da supervisão e
regulação, no âmbito daquelas de natureza sociais. Assim, o segurado da Previdência
Complementar poderá auferir na sua aposentadoria, renda suficiente para atender as suas
necessidades, haja vista a complementação ao Regime Geral de Previdência Social.
(PINHEIRO, 2010, p. 4).
Um ponto interessante da Lei Complementar n. 109/01, refere-se ao seu artigo 6º,
que determina como requisito para as entidades de previdência complementar, a dependência
de autorização para instituir e operar planos de benefícios.
Outrossim, destaca-se que os planos de benefícios ofertados pelas entidades de
previdência complementar devem atender a padrões mínimos fixados pelo órgão regulador e
fiscalizador, com o objetivo de assegurar transparência, solvência, liquidez e equilíbrio
econômico-financeiro e atuarial. Tal órgão, hoje consiste na Superintendência Nacional De
Previdência Complementar (PREVIC), cujos poderes fiscalizatórios e regulatórios serão
objeto do terceiro capítulo deste estudo. (PINHEIRO, 2010, p. 4).
Ao final, destaca-se que previdência complementar é integrada por dois
segmentos distintos e com características próprias, a saber, a previdência fechada, também
denominada de fundos de pensão, e a previdência aberta, que será o objeto de estudo no
decorrer do presente trabalho.
2.4.1 Princípios reitores da previdência complementar
A Previdência Complementar possui 15 (quinze) princípios que contribuem para a
melhor aplicação deste regime, sendo eles: a) estrutura regulatória adequada; b) regulação
apropriada dos mercados financeiros; c) direitos dos participantes; d) adequação dos fundos
privados; e) sistema regulatório e segregação patrimonial; f) capitalização; g) técnicas de
cálculo; h) estrutura de supervisão; i) auto supervisão; j) competição justa; k) investimento; l)
mecanismos de seguro; m) liquidação; n) transparência e informação; o) governança
corporativa. (BRASIL, 2011).
Todos esses princípios são reitores da Previdência Complementar, porém alguns
possuem maior destaque e importância no presente trabalho, como o princípio da
transparência e informação, e o princípio da Estrutura e Supervisão.
O Princípio da Transparência e Informação institui clareza aos participantes dos
fundos de pensão, para que eles sejam informados sobre o uso indevido dos benefícios de
aposentadoria (em particular nos casos de prestação única, ou pecúlio) e sobre a forma
adequada de assegurar seus direitos. (BRASIL, 2011).
Já o Princípio da Estrutura de Supervisão adere à fiscalização eficaz dos planos e
fundos de pensão e foca-se na aderência às normas legais, no controle financeiro, no exame
atuarial e na supervisão dos gerentes. Deve-se instituir um corpo apropriado de supervisores,
com o objetivo de conduzir, quando relevante, supervisão direta e indireta sob os fundos. A
supervisão deve ser dotada de adequado poder regulatório e fiscalizatório sobre cada plano
individualmente, com o objetivo de prevenir desperdício de recursos em função de
irregularidades no seu uso. (BRASIL, 2011).
2.4.2 Do regime de previdência complementar aberto
Malgrado o regime de previdência complementar aberto não ser o objeto do
presente trabalho, mesmo assim mister tecer algumas considerações acerca dessa modalidade
de regime previdenciário.
De mais a mais, de início é imperioso destacar que: “as entidades abertas são
constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas, sendo seus planos de
benefícios, de caráter previdenciário, concedidos em forma de renda continuada ou
pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas.” (LIMA, 2004, p. 100).
As entidades que operam no segmento aberto são sociedades anônimas, que
exercem suas atividades sempre com finalidade lucrativa. O acesso a esse segmento da
previdência é facultado a qualquer cidadão, independentemente do vínculo profissional ou
associativo. Dessa forma a previdência complementar aberta é franqueada a todos que
queiram para ela contribuir, como são os planos de previdência dos bancos e das seguradoras.
(BRAGANÇA, 2009, p. 3).
As entidades abertas destinam-se, portanto, à finalidade de concessão de planos de
pecúlios ou de rendas, cujos riscos são a morte, a sobrevivência e a invalidez por acidente e
por doença. (COSTA, 2003, p. 79).
Nos termos do art. 26 da LC 109/01, os planos de benefícios de tais entidades
podem ser assim classificados: I - individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas;
ou II - coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas
físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante.
Segundo Castro e Lazzari (2010, p. 152) “para ingressar num plano de entidade
aberta, basta a adesão voluntária a ele, não havendo necessidade de vinculação a um
empregador.”
A LC 109/01 ainda demonstra a competência do órgão regulador para o regime
aberto de previdência complementar, destacando suas atribuições, como pode ser observado
no seu artigo 29:
Compete ao órgão regulador, entre outras atribuições que lhe forem conferidas por lei:
I - fixar padrões adequados de segurança atuarial e econômico-financeira, para preservação da liquidez e solvência dos planos de benefícios, isoladamente, e de cada entidade aberta, no conjunto de suas atividades;
II - estabelecer as condições em que o órgão fiscalizador pode determinar a suspensão da comercialização ou a transferência, entre entidades abertas, de planos de benefícios;
III - fixar condições que assegurem transparência, acesso a informações e fornecimento de dados relativos aos planos de benefícios, inclusive quanto à gestão dos respectivos recursos.
A função de fiscalização do Regime de Previdência Complementar Aberto fica a
par da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), e do Ministério da Fazenda, por
intermédio do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP).
2.4.3 Do regime de previdência complementar fechado
Assim como o Regime Aberto, o Regime de Previdência Complementar Fechado
também tem caráter facultativo.
Para Castro e Lazzari (2010, p. 150), o Regime de Previdência Complementar “é
privado e facultativo, gerido por entidades de previdência fiscalizadas pelo Poder Público.”
Pinheiro se pronuncia da seguinte maneira:
A Previdência Complementar é a baseada na constituição de reservas, que são contribuições feitas mensalmente a partir do recurso do salário dos empregados, dos trabalhadores e das empresas, que constituirão um Fundo, que vai fazer a gestão de um contrato de trinta, quarenta anos, que vai capitalizar esses recursos para no futuro. Depois desse período de contribuição, o trabalhador, já aposentado, poderá receber a aposentadoria. É regulamentado pelas leis complementares 108 e 109. Um pressuposto importante que a Constituição traz é o objetivo de dar transparência a todas as informações para o participante, ao assistido, e há também autonomia em relação ao contrato de trabalho. (PINHEIRO, 2010, p. 4).
Atualmente, o Regime de Previdência Complementar conta com 370 (trezentos e
setenta) entidades ou Fundos de Pensão. O foco já não é mais as entidades, mas sim, os planos
que essas entidades administram. Há mais de 1.000 (um mil) planos previdenciários, 2.712
(dois mil setecentos e doze) patrocinadores, 2.530.000 (dois milhões e quinhentos e trinta mil)
participantes e 700.000 (setecentos mil) assistidos, com um patrimônio de R$
502.000.000.000,00 (quinhentos e dois bilhões de reais). (PINHEIRO, 2010, p. 2).
Esse sistema cobre mais de 6.000.000 (seis milhões) de pessoas, incluindo os
participantes ativos, que contribuem todo mês. Depois do Regime Geral de Previdência
Social, que paga vinte e sete milhões de benefícios todo mês, vem o sistema de Fundos de
Pensão, nos quais são pagos todo mês, setecentos mil benefícios, o que o caracteriza como um
sistema maduro e forte. (PINHEIRO, 2010, p. 3).
O Regime Geral tem um único plano, que é um plano de beneficio definido da Lei
8.212/91. No caso dos fundos de pensão controla-se mais de mil planos, e cada plano tem um
formato distinto. Se uma empresa quer criar um plano de beneficio definido, ela cria.
Ainda em distinção ao Regime Geral de Previdência, importante salientar, que:
Dado o caráter contributivo do regime de previdência complementar, a provisão de renda ao trabalhador, em razão da incapacitação temporária ou permanente para o trabalho, constitui contrapartida de direito pactuada, e não mero amparo do Poder Público a quem se encontra em estado de necessidade. No caso dos fundos de pensão, a contrapartida se faz não mediante lei, como no caso dos regimes públicos, mas por contrato privado próprio. (PINHEIRO, 2010, p. 5).
Para aderir a este tipo de regime, o indivíduo deve-se tornar participante de um
plano previdenciário de entidade fechada de previdência privada, havendo a necessidade de
que preencha os requisitos exigidos pela entidade, que geralmente é a vinculação a um
empregador (empresa). (CASTRO; LAZZARI, 2010, p. 152).
A previdência complementar constitui, por conseguinte, mecanismo de proteção
social, de iniciativa privada, e caráter contratual. O fundamento principal deste contrato
assenta-se na livre iniciativa e tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os
ditames da justiça social. Não obstante o caráter privado da previdência complementar, o
interesse coletivo é soberano, colocando-se acima de qualquer interesse individual. Por isso a
necessidade do Poder Público regular e fiscalizar a atividade de previdência de caráter
privado. (PINHEIRO, 2010).
2.4.3.1 Do patrocinador, participante e assistido
Busca-se neste momento, explicitar de maneira coerente, o significado de
patrocinador, participante e assistido.
O patrocinador pode ser entendido como:
Empresa ou grupo de empresas de direito privado, e os entes de direito público, que oferecem aos seus empregados ou servidores, plano de benefícios de natureza previdenciária, operado por Entidade Fechada de Previdência Complementar sem finalidade lucrativa. (BRASIL, 2011).
Em relação às empresas ou grupo de empresas privadas, qualquer pessoa jurídica
empregadora pode ser patrocinadora de plano de benefícios de natureza previdenciária,
inclusive entes públicos, desde que se tenha autorização através de legislação específica,
como a Lei Complementar 108/01.
Cabe ao patrocinador o custeio dos planos de benefícios das entidades fechadas,
conforme o descrito no artigo 6º da LC 108/01: “O custeio dos planos de benefícios será
responsabilidade do patrocinador e dos participantes, inclusive assistidos.” (BRASIL, 2011).
Podemos identificar algumas vantagens em patrocinar um plano de benefício
sendo que a Constituição Federal de 1988 no seu artigo 170, III estabelece que a ordem
econômica funda-se na valorização do trabalho humano e na função social da propriedade.
(BRASIL, 2011).
A previdência complementar proporciona às empresas mecanismos de valorização
do trabalho e de cumprimento de sua função social, tanto ao retribuir aos seus empregados a
dedicação ao trabalho, por meio de um complemento de aposentadoria, quanto ao proteger o
trabalhador e a sua família contra os riscos de invalidez, doença ou morte, durante a fase
laborativa. (BRASIL, 2011).
Além disso, o patrocinador terá vantagens tributárias a fim de proporcionar a ele,
deduções da base de cálculo para fins de recolhimento do imposto sobre a renda das pessoas
jurídicas, submetendo-se os ganhos e rendimento das aplicações dos recursos previdenciários,
a regime tributário diferenciado.
Ressalta-se, que os planos previdenciários são verdadeiros atrativos para a
empresa patrocinadora, podendo oferecer aos pretendentes de emprego, melhor qualidade de
vida e segurança pra seu futuro.
Em relação ao participante podemos identificá-lo como “a pessoa física que,
vinculada a um patrocinador ou instituidor, adere a plano de benefício de natureza
previdenciária, operado por Entidade Fechada de Previdência Complementar (EFPC), com o
objetivo de formar uma poupança previdenciária para a garantia de renda futura para si ou
para os seus beneficiários.” (BRASIL, 2011).
Ao participante da previdência complementar fechada é assegurado ainda um
plano de aposentadoria no qual é assegurada uma forma de reaver todo o esforço empregado
em sua profissão, possuindo uma segurança para eventuais doenças, acidentes, invalidez,
entre outros. (BRASIL, 2011).
Quanto ao assistido, Castro e Lazzari assim o conceituam: “é o participante ou seu
beneficiário que estejam fruindo benefício de prestação continuada referente aos planos de
previdência complementar. (CASTRO; LAZZARI, 2010, p. 153).
Por fim, importante destacar, que, quanto mais cedo se ingressa num plano de
benefícios, menor o esforço contributivo ao longo do tempo. Nos planos patrocinados, o
esforço contributivo do trabalhador tende a ser ainda menor, já que o patrocinador também
aporta recursos para auxiliar o participante na constituição de uma reserva que lhe dê uma
renda no futuro. Já no caso dos planos instituídos, o participante empregado também pode
contar com a contribuição facultativa do seu empregador. (BRASIL, 2011).
2.4.3.2 Entidade fechada de previdência complementar
As entidades fechadas consideram-se complementares do sistema oficial de
previdência social, oferecendo planos de benefícios a grupos específicos que gozam de
características comuns entre eles.
Silvio Wanderley do Nascimento assim conceitua as Entidades Fechadas de
Previdência Complementar (EFPC):
As entidades fechadas de previdência complementar – EFPC – são aquelas instituídas para o oferecimento de planos de benefícios a grupos de indivíduos que mantêm entre si característica comum, qual seja, integram os quadros de uma mesma empresa, de um mesmo grupo de empresas, de pessoas jurídicas de direito público ou encontram-se vinculadas a um ente associativo de caráter profissional, classista ou setorial. (LIMA, 2004, p. 75.)
Assim, EFPC é a instituição criada para o fim de administrar planos de benefícios
de natureza previdenciária, patrocinados e/ou instituídos por grupos de empresas ou entes do
direito público.
Neste norte é o que constatamos no artigo 32 da Lei Complementar 109/01: “as
entidades fechadas têm como objeto a administração e execução de planos de benefícios de
natureza previdenciária.” (BRASIL, 2011).
As Entidades Fechadas de Previdência Complementar ainda podem ser
conceituadas como:
As Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), mais conhecidas como fundos de pensão, são instituições sem fins lucrativos que mantêm planos de previdência coletivos. São permitidas exclusivamente aos empregados de uma empresa e aos servidores da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, entes denominados patrocinadores; e aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial, denominados instituidores. (BRASIL, 2011).
Conforme ao entendimento colacionado acima, as Entidades Fechadas de
Previdência Complementar também são conhecidas como fundos de pensão. O fundo de
pensão é uma pessoa jurídica de direito privado que possui seu patrimônio totalmente
segregado do patrocinador.
Estruturalmente as Entidades Fechadas de Previdência Complementar podem ser
assim verificadas:
Figura 1 - Estrutura da Previdência Complementar no Brasil. Fonte: Brasil (2011).
A tabela 1 mostra o patrimônio e o resultado do sistema de previdência
complementar nos anos 2008 e 2009. Os ativos totais do sistema superaram ½ trilhão de reais
em 31 de dezembro de 2009 (crescimento de 14,1% em relação ao ano anterior), para
investimentos da ordem de R$ 480,8 bilhões.
Tabela 1 - Patrimônio social dos planos de benefícios dos fundos de pensão, nos anos de 2008
e 2009 (Valores em R$ bilhões).
Descrição 2008 2009 Variação (%) Ativos 439,64 501,68 14,1 Investimentos 413,39 480,79 9,4 Superávit 39,20 66,72 70,2 Reserva de Contingência 25,87 35,03 35,4 Reserva Especial 13,33 31,68 137,7 Déficit (23,73) (10,72) (54,8)Fonte: Previc (mar. 2010).
Para finalizar, é essencial para o desenvolvimento saudável dos fundos de pensão
que sejam adequadamente regulados. A regulação, que é indispensável para manter a
Conselho Nacional de Previdência Complementar -CNPC (Regulação) Câmara de Recursos da Previdência Complementar - CRPC (Instância recursal) Superintendência Nacional de Previdência Complementar - PREVIC (Supervisão) Secretaria de Políticas de Previdência Complementar - SPPC/MPS (Formulação de política)
credibilidade perante os participantes, ajuda principalmente a assegurar seus direitos e o
equilíbrio financeiro dos planos. A concessão de incentivos fiscais é um forte argumento para
que o governo exerça sua função regulatória de forma apropriada.
3 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E SEUS PODERES ADMINISTRATIVOS
Antes de adentrar especificamente na temática das agências reguladoras no âmbito
da previdência complementar, mister destacar o seu atual posicionamento dentro da estrutura
organizacional administrativa.
3.1 CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
O conceito de Administração Pública admite inúmeros enfoques. Um deles diz
respeito ao sentido amplo ou restrito da Administração Pública.
Em sentido amplo, a Administração Pública engloba tanto os órgãos de governo
que exercem função pública, como os órgãos e pessoas jurídicas que exercem função
meramente administrativa. (ALEXANDRINO; PAULO, 2008, p. 18).
Já, Administração Pública em sentido estrito inclui tão somente os órgãos e
pessoas jurídicas que exerçam função meramente administrativa, como por exemplo,
execução dos programas do governo. Logo, ficam excluídos assim, os órgãos políticos e as
funções políticas no âmbito da administração. (ALEXANDRINO; PAULO, 2008, p. 18).
Um outro enfoque, diz respeito ao sentido orgânico ou funcional da
Administração Pública.
Considerando o sentido orgânico – também chamado de formal ou subjetivo –
tem-se que a Administração Pública representa o conjunto de atividades que costumam ser
consideradas próprias da função administrativa. Exemplificando: o serviço público, a polícia
administrativa, o fomento e a intervenção. Evidencia-se que tal critério dá relevo, ao órgão. Já
a atividade desenvolvida pela Administração Pública, não terá o mesmo critério.
(ALEXANDRINO; PAULO, 2008, p. 19).
Já em sentido material (objetivo ou funcional), a Administração Pública
representa o conjunto de atividades que costumam ser consideradas próprias da função
administrativa. (ALEXANDRINO; PAULO, 2008, p. 20).
Crucial ressaltar, que o Brasil adota o critério orgânico de Administração Pública,
consequentemente somente é considerada Administração Pública, aquilo que o direito
positivo assim o considera, não importando a atividade que o respectivo ente exerça.
(ALEXANDRINO; PAULO, 2008, p. 20-21).
Chega-se a conclusão, portanto, que somente são entidades da Administração
Pública os entes que integram a Administração Pública Direta e Indireta.
3.2 ADMINISTAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA
Adotando-se o critério orgânico para conceituar a Administração Pública é
necessário, neste momento, entender quais os principais entes que a integram.
De início, elucida-se que será dado destaque às Agências Reguladoras, pois foi a
forma de organização administrativa adotada pela Superintendência Nacional de Previdência
Complementar (PREVIC).
A Administração Pública Direta é aquela composta pelos órgãos integrantes da
estrutura de uma pessoa política que exercem função administrativa de forma centralizada,
sendo esses órgãos compostos por pessoas políticas ligadas à União, Estados, Distrito Federal
e Municípios. (ALEXANDRINO; PAULO, 2008, p. 27).
Esclarece-se que a Administração Pública Direta é exercida de forma centralizada.
Entende-se por centralização, o modo em que o Estado atua diretamente por meio de seus
órgãos, isto é, pelo conjunto orgânico que lhe compõe a intimidade. Assim o Estado atuará de
maneira desconcentrada no ponto de vista administrativo. Por consequência, a Administração
Direta é composta pelos órgãos que estão ligados diretamente ao poder central, seja federal,
estadual ou municipal. (MELLO, 2005, p. 137).
Diferentemente, a Administração Indireta age de forma descentralizada, sem
subordinação, porém sempre de modo vinculado à Administração Direta.
De mais a mais, a Administração Indireta é composta por entidades que foram
criadas com personalidade jurídica própria (Autarquias, Fundações, Empresas e Sociedades
de Economia Mista) com objetivo de realizar atividades administrativas que necessitam ser
desenvolvidas de forma descentralizada.
Do ponto de vista legiferante, a dicotomia entre Administração Pública Direta e
Indireta, foi primeiramente delineada por meio do Decreto Lei nº 200/1967, nos seguintes
termos:
Art. 4° A Administração Federal compreende:
I - A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios.
II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: