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A força bruta dos PEIXES DE COURO

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Texto: Rubinho de Almeida Prado

Texto: Rubinho de Almeida Prado Fotos: arquivo Pescaventura Fotos: arquivo Pescaventura

A força bruta dos

PEIXES DE COURO

(2)

Embora nos dias de

hoje muito se fale da

pesca esportiva com

iscas artifi ciais, não

há como negar que

a pesca dos peixes

de couro com isca

natural é também

muito emocionante

e divertida. Vencer

a disputa com feras

como a Piraíba, o

Jaú, ou mesmo uma

Pirarara no vigor de

sua energia requer

técnica, habilidade, e

garante uma emoção

que faz acelerar as

batidas do coração

do pescador.Nesta

matéria, para facilitar

a compreensão do

leitor, vamos separar

os peixes de couro

em dois grupos. Como

não se trata de uma

divisão científi ca, as

informações abaixo

devem ser recebidas

tão somente, como

fruto da experiência

de um pescador que

tem se dedicado nos

últimos 20 anos a

pescar intensamente

no Brasil e no exterior.

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Piraíba

(Brachyplatystoma

fi lamentosum)

O maior bagre de nossos pode passar dos 180 quilos de peso. Em algumas regiões do Brasil é chamado de Filhote até cerca de 60 quilos. Em outras, o nome Filhote é usado até perto dos 40 quilos, quando então passa a ser chamado de Piratinga e somente após os 70 ou 80 quilos volta a ser nomeado de Piraíba.

Sua captura é considerada um troféu, pois não é fácil encontrar um exemplar de grande porte. Muitos pescadores sonham em ter na linha um indivíduo de gran-de porte. Já tive o privilégio gran-de fisgar vários Filhotes, mas até o momento o maior deles pesou entre 40 e 50 quilos.

È um peixe de muita força e fôle-go, que briga limpo, nor-malmente no canal prin-cipal do rio. Por ter muita força e brigar por longo tempo, se cansa muito neste embate. Por isso é recomendável não soltá-la até estar bem recuperado. Em uma de minhas pes-carias no rio Teles Pires, o guia sugeriu que reti-rasse o chumbo para a isca se movimentar dentro do poço com o rebojo da água. Rapidamente fisguei um Filhote com cerca de 30 quilos.

Piraíba, Jaú, Pirarara e Dourada

à esquerda a

Piraíba, um dos

froféus mais

cobiçados pela

maioria dos

pes-cadores. Na

pá-gina ao lado um

epécime pego no

Rio Negro

Neste primeiro grupo estão

os grandes bagres, também chamados de peixes lisos ou feras em muitas regiões do território nacional. São os de maior porte e por isso geram muitas crendices populares e verdades que chegam a pare-cer lendas:

“Naquele poção eu não pesco, pois muita fera mora ali e já virou muito barco”.

“Era tão grande que tinha até pelo no lombo”.

“Não há pescador que vença aquele peixe. Já quebrou tta linha e tem mais de 100 an-zóis em sua boca”.

“Nadar neste rio é um perigo. Muita gente já foi levada para

baixo por uma fera”.

“A linha foi amarrada no bar-co e o peixe nos arrastou por muitas horas”.

“Etc., etc., etc.,....”

Não cabe nos cabe julgar ou interpretar o que falam sobre os peixes de couro, mas o que podemos afirmar é que se tra-ta de uma pesca estimulante, não pela quantidade, mas pela força bruta destes peixes. A briga é violenta, requer técni-ca na fisgada, estrutura físitécni-ca, administração de energia e boa dose de paciência, tanto pela espera até que o peixe encontre a isca, como durante a briga, que pode levar mais tempo do que se espera.

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Jaú (Zungaro

zungaro

na Bacia

Amazônica e

Zungaro jahu na

Bacia do Prata)

Habita os poços mais profundos e tem queda especial pelos poções nos rebojos das cor-redeiras e cachoeiras. Raramente pode pas-sar dos 100 quilos , no entanto indivíduos me-nores, entre 5 e 40 qui-los são mais comuns. O maior que pesquei pe-sou cerca de 70 quilos. Embora seja um peixe de grande resistência fora da água, não é um grande brigador. Con-tudo, não se deve dar muita chance a ele,

pois no ambiente em que vive é comum encontrar obstáculos para se defender e romper a linha.

Pirarara

(Phractocephalos

hemioliopterus)

Com seu colorido intenso é um

o Jaú (acima) é um peixe de grande resistência

que usa os obstáculos do ambiente em que vive

para se defender

dos peixes mais bonitos de nos-sos rios. Corpo tendendo ao marrom escuro, ventre caramelo claro e nadadeiras avermelhadas lhe conferem o nome de peixe

arara.

Pouca seletiva em sua base ali-mentar, ataca praticamente qual-quer pedaço de peixe colocado como no anzol. Piranhas vivas ou

cabeças de pei-xe demoram mais para serem devo-radas por outras espécies e dão à Pirarara um pou-co mais de tempo para encontrar a isca. É bastante comum sentir o ataque de Pira-nhas e, repentina-mente, tudo para, e em seguida se sente a Pirarara chegar na isca. Brigadora podero-sa, razoável fôle-go, mas bastante esperta durante a

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briga. Se houver algum obstáculo por perto é certo que a Pirarara irá buscá-lo para se livrar daquela situação incomoda.

Pode atingir cerca de 70 quilos, mas exemplares aci-ma dos 20 quilos já são considerados de excelente peso. A maior que fisguei e fotografei tinha entre 40 e 50 quilos.

Um fato curioso sobre as Pirararas é que em algu-mas situações é possível pescá-las, até com razoá-vel eficiência, com iscas artificiais. Embora já tenha fisgado algumas com iscas de meia água e superfí-cie enquanto pescava Tucunarés em lagos, a maior produtividade é obtida na pesca vertical com os jigs. Já fisguei diversas pesando dessa forma e não foi por acaso. Vale a pena dedicar algum tempo exclu-sivamente a este estilo, pois se pode praticá-lo com equipamento leve e garantir maior emoção.

Dourada (Brachyplatystoma

rousseauxii)

O próprio nome científico mostra seu parentesco com as Piraíbas. Fisicamente muito parecida, com o corpo um pouco mais alongado e de cor mais para um caramelo claro, e um peixe considerado raro, por isso poucos pescadores tiveram o privilégio de senti-la na outra ponta da linha, e pouco se sabe sobre ela. Pescando em muitos rios brasileiros, tive uma única oportunidade com essa espécie. No Rio Ma-deira, em um travessão de pedra próximo a Cidade de Manicoré, fisguei minha primeira e única Doura-da, com cerca de 10 quilos. Pode atingir dois metros de comprimento e pesar cerca de 70 quilos.

tão rara quanto a foto acima, a Dourada é

uma espécie de couro que poucos

pesca-dores tiveram o privilêgio de capturar

Equipamentos

Vara pesada para linhas entre 50 a 150 libras, de-pendendo da espécie e do local que se esta pescan-do. Enfrentar uma Pirarara em um poço de águas tranqüilas com liberdade para soltar o barco, é mui-to diferente de se engatar uma Piraíba desembarca-do e em águas de corredeiras.

Carretilha forte e estruturada compatível com a vara, e com pelo menos 200 metros de linha. Quan-to maior a dificuldade de se movimentar o barco, mais quantidade de linha será necessária. A car-retilha é mais indicada porque favorece a alavan-ca para frear o ímpeto destes animais na busalavan-ca do ambiente hostil.

A bitola da linha também dependerá do peixe e do ambiente, podendo variar de entre 0,70 a 1,20mm. Os fios de monofilamento se mostram mais resisten-te à abrasão no contato com obstáculos submersos, principalmente as pedras, muito comum no ambiente preferido por estas espécies. O multifilamento tem sido utilizado em algumas situações com razoável sucesso, mas não é recomendado se houver muitas pedras nestes locais.

Anzol entre 8 e 12/0 e sempre bem amolado para facilitar a fisgada. Recomenda-se utilizar modelos encastoados com cerca de 40 cm de aço flexível, pois em muitos poços a isca será fortemente dispu-tada pelas vorazes Piranhas.

O peso de chumbo deve ser escolhido levando em conta a força da água e da profundidade. Normal-mente se pesca estes peixes com a isca parada no fundo do rio.

Para a briga com esses peixes, que são fortes e podem alongar o tempo de briga, é fundamental que o pescador prenda em sua cintura um suporte de couro, metal ou plástico, vendido especialmen-te para se apoiar o cabo da vara duranespecialmen-te a briga. Embora pareça um mero detalhe, a falta deste equipamento pode transformar o momento de pra-zer em um enorme sacrifício, pois poderá deixar doloridas marcas na barriga do pescador.

O conjunto composto por cabo, poita e galão é importante para fixar o barco na posição deseja-da. O galão, devidamente amarrado no cabo da poita, tem como finalidade sustentar o cabo se for necessário soltar o barco rapidamente. Muitas vezes não há tempo hábil para se recolher a poita e correr atrás do peixe.

As iscas mais comuns são peixes inteiros ou em pedaços. A utilização de peixes vivos pode fazer a diferença e aumentar a produtividade, e em algu-mas regiões o minhocuçu ou o muçum também são usados com sucesso.

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Este segundo grupo é composto por pei-xes menores. Embora o Pintado possa ultrapassar os 60 quilos de peso e o Ca-parari mais de 20 quilos, não são comuns exemplares com esses tamanhos. No caso do Pintado diria ser muito raro nos dias de hoje passar dos 15 quilos. Já o Caparari é mais fácil de se encontrar com bom tamanho, mas prefiro enquadrá-lo neste grupo, pois se pode pescá-lo com equipamento médio, em razão do am-biente em que vive.

Pintado, Caparari, Cachara,

Jundiá e Palmito

Caparari (Pseudoplatystoma tigrinum)

Por ser da mesma família que o Pintado, apresen-ta características semelhantes, mas apresen-também pode ser encontrado nos espraiados e dentro de lagos. Já tive o prazer de fisgar alguns bons exemplares entre 15 e 20 quilos. Em uma das vezes estava pescando Pirarara no estilo vertical com jig e fisguei um belo espécime com cerca de 20 quilos.

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Pintado

(Pseudoplatystoma

corruscans)

Como falado anteriormente é raro na atualidade encontrar os

grandes exemplares. Na Argen-tina, na pesca de corrico com is-cas artificiais ainda se consegue fisgar bons peixes, mas em um estilo bastante discutido, uma vez que a grande maioria destes

peixes é fisgada pela nadadeira caudal. Gosta de águas pouco profundas, bocas de lagos, saí-das de igarapés, confluência de rios, etc.

Boa competência durante a bri-ga, razoável fôlego, mas não cria grandes dificuldades para ser vencido, uma vez que de forma geral briga limpo. Muito cuidado no manuseio com o peixe quan-do embarcaquan-do, pois seus ferrões peitorais e dorsal são pontiagu-dos e podem causar ferimentos sérios.

O maior exemplar que tive a opor-tunidade de pescar pesou cerca de 20 quilos e foi pego no Rio Pa-raguai, no sistema de corrico com isca artificial.

peso.

Palmito (Ageneiosus

inermis)

Talvez um dos peixes com maior quantidade de nomes regionais, já ouvi chamá-lo também de Fi-dalgo, Mandubé, Boca larga, Boca de Bussa, etc. É uma das únicas espécies de couro que pode saltar fora da água quando fisgado, ataca bem as iscas ar-tificiais, e na pesca vertical com os jigs é comum se conseguir boa produtividade.

Na Bacia do Rio Xingu foi onde encontrei os maiores exemplares, com indivíduos de até 6 quilos de peso.

até mais produtivo se pescar sem a utiliza-ção do chumbo.

Peixes inteiros ou em pedaços são as is-cas mais utilizadas. Como este grupo é mais seletivo que o primeiro, muitas vezes se nota diferenças gritantes na produtivi-dade entre uma isca ou outra. Os Piaus, as Tuviras, as Beiradeiras, etc., são consi-deradas as mais eficazes, mas em alguns casos, o minhocuçu poderá ser a grande destaque.

Equipamentos

Vara para linhas entre 17 e 25lb é suficien-te, uma vez que habitam ambientes fáceis de se trabalhar durante a briga.

Se for de boa qualidade e compatível com a vara acima, tanto carretilhas quanto mo-linetes se mostram eficientes e cumprem bem seu papel. Não é necessário mais que 100 metros de boa linha.

Neste caso prefiro os fios de

multifilamen-to, que pela elasticidade quase nula aju-dam muito na hora da fisgada.

Dependendo da espécie, anzóis entre 3 e 8/0 são os mais recomendáveis. Embora possa parecer preciosismo, novamen-te reforço a importância de estarem bem amolados. Posso garantir, por experiên-cias próprias, que um anzol bem afiado faz muita diferença na efetividade da fisgada. O peso dependerá da velocidade e profun-didade da água, mas em muitos casos é

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Cachara

(Pseudoplatystoma

reticulatum e/ou

punctifer)

Idem aos dois anteriores pelo parentesco próximo. Na Bacia Amazônica é difícil encontrar exemplares com mais de 10 quilos. Já na Bacia do Prata podem atingir maior porte, em-bora seja muito difícil nos dias de hoje chegar a este peso.

Jundiá (Leiarius

mamoratus)

Apesar de raramente ul-trapassar 6 ou 7 quilos de peso, sua briga surpreen-de, pois luta com grande energia, aparentando ser um peixe de maior porte. Normalmente é encontrado nas partes mais rasas dos poções, mas não é difícil também se defrontar com eles dentro de lagos.

Se fossemos falar de todas as espécies desta categoria seriam ne-cessárias inúmeras páginas, pois a lista não é pequena. Barbado, Jurupencem, Jurupoca, Caroatá e Barbado Surubim são apenas al-guns nomes que me vêem à mente sem muita reflexão. Ma como se trata de espécies menos procuradas, vamos deixar este assunto para outra oportunidade.

Em sua próxima pescaria, reserve um tempo para tentar uma destas experiências. Com certeza perceberá que além de esportivos e bons de briga, a pesca dos peixes de couro reserva emoções intensas:: deixar que levem um pouco de linha e tomar a decisão de fisgar no momento certo, é pura adrenalina Vale à pena conferir!

Referências

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