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Pneumonias na infância - Hospital Universitário - Florianópolis.

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PE

216

Jmr

CENTRO DE CIENCIAS DA SAÚDE

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA DEPARTAMENTO DE PEDIATRIA

W

z".` r Í </BH, Q

PNEDMDNIAE fiA INFÂNCIA Qi

HOSPITAL UNIVERSITÁRIÓ - ELDRIANÓPDLIS

PERÍODO Ó1Lo6=à2 - ol-06-83

AUTORES: *Mauro Acácio Garcia *Ricardo Medeiros Sperb

*Acadêmicos do Curso de Graduação de Medicina da Universidade

Federal de Santa Catarina - llë Fase

Florianópolis, novembro de 1983 \ _ _~ V. - _ A ._ z‹ _ ¬.,. 35,' _ ~- '~,, _. __ _

(2)

W ,4 . ¿¡'J` E \ , ` AGRADECIMENTQS `

Ao Dr. MAURÍCIO LAERTE SILVA, pela colaboração, apoio e

incentivo prestados na realização deste trabalho.

RISTIANO MARQUES, pela gentileza em nos fornecer

material bibliográfico.

Ao Dr. C

Ao Dr. SÉRGIO DUWE pela colaboração.

Aos funcionários do Serviço de Arquivo Médico e Estatís

tica (S.A. "

M.E.) do Hospital Universitário pela gentil colabora

(3)

"A juventude não ë um período da vida; a juventude ê um

estado de espírito, um efeito da vontade, uma qualidade da ima

ginação, uma intensidade emotiva, uma vitõria do valor sobre a

timidez, do gosto pela aventura sobre o amor ao conforto. Al

guëm não se torna velho por haver vivido um certo número de

anos; torna-se velho porque desertou dos ideais. Os anos enru

gam a pele, mas a renúncia a

um

ideal enruga a alma. As preocu

pações, as dúvidas, os temores e as desesperanças, são os inimi

gos que lentamente, nos fazem vergar para o chão e nos conver

tem em põ antes da morte. Jovem ë o que deslumbra e se maravi

lha... o que pergunta como menino - E depois? Jovem ë o que de

safia os acontecimentos e encontra alegrias no jogo da vida. As

provas galvanizam no; os fracassos o tornam mais forte, as vitê

rias o tornam melhor. Serãs tão jovem como tua fë, tão velho cg

mo tuas dúvidas, tão jovem como a confiança que tenhas em ti ,

tão velho como tuas desesperanças, e mais velho ainda como o

teu abatimento. Permanecerãs jovem, tanto quanto permanecerãs

verdadeiramente generoso, tanto quanto sentires o entusiasmo de

dar alguma coisa de ti: pensamento, palavras, amor; tanto quan

to o fato de dar alguma coisa, te der a impressão de receber; e

por conseguinte, se sempre estãs devendo e desejando dar mais.

Permanecerãs jovem enquanto fores receptivo a tudo quanto ë

belo, bom e grandioso, podendo desfrutar das mensagens da natu

reza, do homem e do infinito. Se um dia qualquer que seja tua

idade, teu coração for mordido pelo pessimismo, torturado pelo

egoísmo, roído pelo cinismo, que Deus tenha piedade de tua alma

de velho".

Gä. DOUGLAS MAC ARHTUR

(4)

RESUMO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ... 02 ~ INTRODUÇAO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 03 CASUISTICA E MÉTODOS . . . . . . . . . . ... . . . . . . . . . . . . . _. 06 RESULTADOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 08 DISCUSSÃO . . . . . . . . . ... . . . . . . ... . . . . . . . . . _. 21 CONCLUSÃO . . . . . . . . . . . . ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 26 ABSTRACT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 28 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 29

(5)

RESUMO

Os autores revisaram 157 casos de pneumonias na in

fância, internados no Hospital Universitário de Florianópolis ,

no periodo de Ol-06-82 - Ol-O6-83..Enfatizam os aspectos diag

nõsticos, valorizando os aspectos clínicos, radiológicos e a

(6)

flSão as pneumonias processos inflamatórios, geralmen

te agudos, que podem comprometer o alvëolo, bronquíolos e espa

ço intersticial, que adquirem características diferentes confor

me o agente etiológico, idade do paciente, doença de base e seu

(15)

II

estado nutricional e imunitário

As pneumonias são importantes;causa de mortalidade e

morbidade.em pediatria, não só pela freqüência com que acometem

as crianças mas também pela gravidade. Nos lactentes do primei

ro ano de vida perdem apenas para a diarréia, se colocando em

primeiro lugar no pré-escolar (2'8). No geral são a z-.terceira

causa de mortalidade infantil no Brasil (2'l5).

À, 1"'

Não se consegue uma classificação_bxtafdevido a difi

culdade de reunir todos os critérios, como anatomia patológica,

etiologia quadro clínico e aspectos radiológicos (5). Também

tem que se levar em conta que cada organismo pode responder de

maneira adversa ao mesmo agente etiológico(8'9).

A etiologia pode ser bacteriana, viral, micótica,

protozoótica, por irritação química, por migração de larvas

através do pulmão e aspiração de corpo estranho(l'8'9). A etig

logia bacteriana ê calculada como sendo em torno de 50% dos

casos (4'l5), embora sugere-se que inicialmente o processo seja

sempre viral, propiciando assim solução de continuidade na muco

(7)

4

Segundo a etiologia bacteriana, as crianças que não

apresentam doença de base, quadros muito toxêmicos, imagens ra

diolõgicas sugestivas de necrose e derrame pleural, ;adquiridas

fora de ambiente hospitalar ë o Streptococcus pneumoniae o agen

te etiológico maIS incidente em todas as faixas etárias, segui

do pelo Haemophilus influenzae (principalmente na faixa etária

entre dois meses e quatro anos), e pelo Staphylococcus aureus

(l,2,ll,l5)

(que predomina em crianças abaixo de dois anos)

Clinicamente caracteriza-se por um quadro de Ífãcil

evidenciação, com tosse seca de início e produtiva posteriormen

te, febre, dispnêia, taquipnêia, tiragens e gemência. Na auscul

ta pulmonar pode aparecer estertores subcrepitantes, roncos, si

bilos, estertores crepitantes e diminuição do murmürio vesicu

lar. Pode se apresentar também de forma atípica, com febre e a

lesão evidenciada apenas radiolõgicamente; rigidez de nuca e fe

bre, quando compromete o lobo superior direito;_convulsões fe

bris entre outros(l).

Quanto ao padrão anãtomo-patolõgico, as .pneumonias

bacterianas podem se dividir em pneumonia lobar ou segmentar e

broncopneumonia. A pneumonia lobar/segmentar ê um processo in

flamatõrio que compromete homogeneamente um lobo, lobos ou seg

mentos pulmonares. São Mais frequentes em lactentes acima de

6 meses de idade e principalmente em crianças maiores. Ao exame

radiolõgico existe comprometimento homogêneo do lobo, lobos ou

segmentos delimitado nitidamente pelas cissuras interlobares.

Broncopneumonia ë mais comum em pacientes com defesas imunitã

rias baixa, recém-nascidos, prematuros, lactentes pequenos, des

9

(8)

nutridos ou em pacientes com doenças de base. O quadro radiolê

giço ë múltiplo. As lesões não respeitam segmentação pulmonar ,

podem ser únicas ou múltiplas, dispersas ou confluentes, delimi

tadas ou irregulares, uni ou bilaterais. A trama vasobrõnquica

)

está aumentada(l .

Estes processos podem originar algumas «complicações

como derrame pleural, abscesso pulmonar, pneumotocele, espessa

mento pleural, septicemia e outras(l).

O estado nutricional atua não sõ como fator predispo

nente como também agravante das pneumonias(l5).

Pela sua freqüência e gravidade, procuramos contri

buir para o conhecimento das pneumonias, buscando colaborar pa

ra o bom atendimento e resolução das mesmas.

(9)

CASUÍSTICA E MÉTODOS

O presente trabalho consiste em um estudo retrospeç

tivo de pneumonias na infância, sendo analisados 157 (cento e

cinquenta e sete) casos da faixa pediátrica (9), internados sp

cessivamente no Hospital Universitário de Florianópolis, servi

ço de Pediatria, no período de Ol de junho de 1.982 a Ol de

junho de l.983. As crianças foram admitidas no estudo por ordem

de entrada no hospital, não havendo outro critério para selecig ná-las.

A seleção foi realizada consultando.se o livro de re

gistro do serviço de Pediatria do Hospital Universitário. Atra

vés do S.A.M.E. (Serviço de Arquivo Médico e Estatística) foram

consultados os 157 prontuários médicos, correspondentes ao pe ríodo pré-estabelecido.

Todas as crianças foram avaliadas através de dados

de anamnese, exame fisico, exames laboratoriais, exames radiolë

as

gicos e medidas terapeuticas.

Estudou-se.a incidência por faixa etária, sexo, raça,

procedência (rural, urbana ou encaminhada de outro hospital) ,

estudo nutricional (2'7) e época da internação correlacionando-

a com as estações do ano. Abordou-se também se houve infecções

prévias das vias aéreas superiores e doenças associadas, essas

de caráter consuntivo (depressão imunológica, mucoviscidose , desnutrição, cardiopatia, encefalopatia, refluxo

(10)

gastroesofági-co e raquitismo). O quadro clínico, laboratorial e radiolõgico

foram avaliados quando da admissão hospitalar.

;

Com relação ã terapêutica, avaliamos quanto ao uso

ou não de antibiótico* e sua substituição, o tempo em que a

febre cedeu apõs a introdução do mesmo e a conduta quando a fe

bre persistiu por um período superior a 48h. de antibioticotera

pia. Foram computadas e estudadas as complicações como pneumotê

rax, derrame pleural e reação pleural, visto não serem encontra

das outras.

Todos os parêmetros estudados foram tratados de modo

quantitativo e qualitativo, sendo dispostos em tabelas simples

e expostos a seguir.

(11)

RESULTADOS

l. SEXO

U

4

Dos casos estudados, 53% eram do sexo masculino e

47% do feminimo.

2. COR

Do total, 91% das crianças eram da raça branca ,

7% da raça negra e l% da raça amarela.

3. IDADE

A faixa etária variou entre neonatal e adolescen-

te, com predomínio do lactente (52%), pré-escolar (45%), apare

cendo a seguir o adolescente, escolar e recém-nascido.

TABELA I - Pneumonias na Infância: Incidência por faixa etária

HU - 01-06-82 a Ol-06-83

FAIXA ETÃRIA NÚMERO .PERCENTAGEM

Lactente 82 52 Pré-escolar 55 35 Adolescente ll 7 Escolar 8 5 Recëm-nascido l . l Tofrz-\.L 157 - p - 100

*Salientamos que as porcentagens foram aproximadas para facili

tar a leitura e compreensao. A aproximaçao se deu da seguinte

forma:

a) quando a primeira casa apõs a vírgula for igual ou superior

5, a unidade se eleva de um número, como nos mostra o exemplo

EX. 72,56 = 73%

b) quando a primeira casa apõs a vírgula for inferior a cinco ,

a unidade se mantêm.

(12)

g Foram encontrados 36% de crianças nutridas, 35% desnutridas de 19 grau, 22% de 29 grau e 7% de 39 grau.

TABELA II - Pneumonias na Infância: Estado Nutricional

HU - 0l-06-82 a 01-06- 83

ESTADO NUTRICIONAL NUMERO PORCENTAGEM

Nutridos Desnutridos 19 grau Desnutridos 29 grau Desnutridos 39 grau 57 55 34 ll 36 35 22 7 TOTAL 157 100

(13)

5. ESTAÇÕES Do ANO

10

Houve 29% de internações realizadas durante o ou

t d l

` ' ~

ono, aparecen o ogo a seguir inverno, verao e primavera.

TABELA III _ ,_ _ ~

Pneumonias na Infancia: Estaçoes do ano

HU - 01-06-82 a 01-06-83

ESTAÇOES DO ANO NÚMERO PORCENTAGEM

Outono Inverno Verao Primavera 46 29 42 27 41 26 28 18 TOTAL 157 100

(14)

6. PROCEDÊNCIA

Do total, 76% das crianças internadas eram oriun

das de ãrea urbana, 23% do meio rural e 2% provenientes de

tros hospitais.

OB

7. INFECÇÕES PREVIAS DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES

Houve 57% de crianças que apresentaram infecções

de vias aéreas superiores e 43% não.

TABELA IV - Pneumonias na Infância: Infecções píevias das vias

aéreas superiores

HU - Ol-06-82 a O1-O6-83

INFECÇÓES RRÉVIAS VIAS

AÉREAS SUPERIORES

_

NÚMERO ,PORCENTAGEM

~ .zp

Infecçoes vias aereas superiores

Nao infecçoes vias aéreas superiores

90 57

67 43

TOTAL 157 100

(15)

12

8. DOENÇAS ASSOCIADAS Í

As doenças encontradas como associadas totaliza

ram 138 casos, desses a desnutriçao apresentou-se em 72%. As

demais apareceram numa taxa menor.

TABELA

V

- Pneumonias na Infância: Doenças associadas

HU - Ol-06-82 a Ol-06-83

DOENÇAS ASSOCIADAS NÚMERO PORCENTAGEM

Desnutriçao 100 72 Encefalopatias 13 9 Cardiopatias 4 9 7 Refluxo gastroesofâgico 7 5 Mucoviscidose 5 4 Raquitismo 4 3 TOTAL 138... . . 4 . . . .l0O _ _ .. .__ . - _. .. ..._._._.»¬z.._..__.._.._...._. ¬... sv _.. _

(16)

Os sinais e sintomas se fizeram presentes atrav

da tosse (90%), febre (71%), estertores subcrepitantes entre o_

tros. `

TABELA VI - Pneumonias na Infância: Sinais e sintomas

HU - 01-06-82 a 01-O6-83

SINAIS E SINTOMAS NÚMERO PORCENTAGEM

Tosse 142 Febre 111 Estertor subcrepitante 107 Taquipnëia 104 Tiragem Baixa 102 Taquicardia _96 Dispnêia 72 Gemência 72 Roncos 72 Sibilos 66 Võmitos 42 Anorexia 37 Estertor Crepitante 37

Diminuição murmürio vesicular 31

Dor toráxica 4 14 9o 71 as se 65 61 46 46 46, 42 27 24 24 2o 9

(17)

14

10. LEUCOGRAMA

_» O leucograma mostrou leucocitose

(10) em 65%

dos casos, desvio a esquerda em 46%, aparecendo em 31%, leucg

gramas normais.

Q

TABELA VII Pneumonias na Infancia: Leucograma

HU - Ol-O6-82 a Ol-O6-83

LEUCOGRAMA NÚMERO PORCENTAGEM

Leucocitose 102 65 Linfocitose 93 59 Neutrofilia 82 52 Desvio ã esquerda 72 46 Leucõcitos normais 48 31 Neutropenia 30 19 Linfopenia 22 14 Não realizado 7 4

(18)

11. QUADRO RADIOLÓGICO

1 Foi constatado a presença de 47% de imagens

ra

diolõgicas sugestivas de broncopneumonia, 44% de pneumonia 19 bar/segmentar e 9% de derrame pleural.

TABELA VIII - Pneumonias na Infância: Quadro radiolõgico

HU - 01-06-82 a Ol-O6-83

IMAGENS RADIOLÓGICAS NUMERO PORCENTAGEM

Bronco Pneumonia 74 47 Pneumonia lobar/segmentar 69 44 Hiperinsuflaçao pulmonar 38 24 Sinais de traqueobronquite 22 14 Derrame pleural 14 9 Outros ll 7 Reação pleural 8 5 Não realizado 3 2

(19)

l2. ANTIBIOTICOTERAPIA

12.1. Antibioticoterapia na Internação

V A penicilina G foi o antibiótico mais ut_

lizado quando da internação (78%) seguido pelas cefalosporinas

em 11%.

TABELA IX - Pneumonias na Infância: Antibioticoterapia na 1nte_

naçao.

HU - Ol-06-82 a Ol-O6-83

ANTIBIOTICOTERAPIA

NA INTERNAÇÃO i¬`NÚMERO PORCENTAGEM

Penicilina G l23

Cefalosporinas l8

Nao usou ATB 6

Gentamicina + carbenicilina 4 Oxacilina 3 Outros 3 78 ll 4 3 2 2 TOTAL 157. . 100

(20)

1 12.2. Troca de Antibiõtico Í

Ã

fp' _ i }

\

Em 41 dos casos houve troca de antibiõtico

apõs a internação, sendo a mais frequente a de penicilina G por

cefalosporinas (22 casos), 4 de penicilina G por sulfametoxazol

+ trimetropim, aparecendo outras 15 trocas. 1

12.3. Tempo em que a febre cedeu e uso de anti

biõtico.

Foi constatado 100 casos em que se utili

zou a penicilina G, cedendo a febre em até 48 Hovls e 20 casos

em que a mesma nao cedeu.

TABELA X - Pneumonia na Infância: Tempo em que a febre cedeu e

uso de antibiótico.

HU - 01-06-82 a 01-06-83

AFEBRIL EM ATÉ.48 HORAS FEBRIL APÓS 48 HORAS

Penicilinas Outros ATB Penicilina Outros ATB

100 25 20 9

(21)

12.4 - Conduta nos casos em que a febre perdurou l8

. por um período superior a 48 horas.

Houveiam ll trocas de antibiõtico, foram

mantidos ll e 4 pacientes foram encaminhados para o Hospital In

fantil Joana de Gusmão.

TABELA XI - Pneumonias na Infancia: A Conduta nos casos em que a

febre perdudrfi além de 48 horas.

HU - 01-O6-82 a Ol-O6-83

NÚME Ro PORCENTAGEM

Trocado penicilina G por

Cefalosporinas Mantido Penicilina G Nmntido Cefalosporinas Encaminhados ao H.I.J.G. ll 43 74 27 4 l5 4 l5 TOTAL ,.26.... 100.

(22)

13. COMWLICAÇÕES DECORRENTES DAS PNEUMONIAS

13.1. Tipos de complicações

Do total das complicações, 14 foram derra

mes pleurais, 8 de espessamento pleural e l pneumotõrax.

TABELA XII - Pneumonias na Infância: Complicações

HU - O1-06-82 a 01-06-83

COMPLICAÇÕES NÚMERO PORCENTAGEM

Derrame Pleural 14 61

Espessamento Pleural 8 35

Pneumotõrax l 4

(23)

20

13.2. Derrame pleural e faixa etãria.

Se situaram na faixa etãria do prê-escolar

71% dos pacientes com derrame pleural.

TABELA XIII - Pneumonias na Infância: Derrame pleural e faixa

etária.

HU - Ol-O6-82 a Ol-06-83

FAIXA ETÃRIA NÚMERO PORCENTAGEM

Prë-escolar lO 71

Lactente 4 29

TOTAL 14 100

. 13.3. Punção e cultura dos derrames pleurais.

Do total de derrames pleurais 8 não foram

puncionados, 2 o foram sem a saída de líquido e 4 tiveram suas

(24)

A doença não tem predileção por sexo, haja visto que

os resultados não mostraram diferença significante entre a inca

dência de meninos (53%) e meninas (47%), como nos mostra a lita

ratura (ll).

A

quase totalidade das crianças acometidas foram da

raça branca (9l%). Não encontrou-se na literatura consultada da

dos com relação â predominância de pneumonias em determinada ra

ça (todas as referências citadas).

Verificou-se que, dentro do grupo etário . “analisa

do(9), houve um nítido predomínio dos lactentes, correspondendo

a mais da metade dos casos (52%), o que.estâ de acordo com Peš

terson(ll), seguido pelos prë-escolares (35%), sendo que estes

dois grupos, ou seja, a faixa etária de 29 dias a 7 anos excla

sive, correspondeu ã quase totalidade dos casos, contribuindo '

com 87%, concordando de certa forma com o que diz Stern(l91 que

cita que as taxas mais altas se encontram nos quatro primeiros

anos de vida. Segundo Baldacci e cols.(l), dados da literatura

estrangeira mostram predominância de alguns germes em determina

dos grupos etários. Porëm, o mesmo autor, no que diz respeito a

dados brasileiros, cita que o pneumococo predomina em todas as

faixas etárias quando a pneumonia ë adquirida em ambiente, ex

tra-hospitalar.

Em 64% dos casos as crianças apresentaram grau maior

ou menor de.desnutrição, sendo que em 7% esta era grave. Apenas

(25)

22

36% das crianças eram bem nutridas. Como a literatura cita a

desnutrição como sendo um dos fatores predisponentes e de agra

vo das pneumonias (4'l5), este fato ficou bem marcado pelos da

dos obtidos no trabalho. ›

Dados encontrados em várias fontes mostram que as

pneumonias podem se apresentar em todos os climas e estações do

ano, aumentando a sua incidência no inverno e início da primave

ra, quando as infecções respiratórias virais tem a sua incidên cia máxima(l'2'3'l7'l9). Este fato não ficou demonstrado no pre

sente trabalho, pois foi no outono (29%) que houve o maior núme

ro de internações, ficando o inverno (27%) logo a seguir, apa

recendo o verão (26%) e a primavera (18%) logo apõs.

Com relação ã procedência dos paciengês internados ,

constatou-se que a grande maioria dos mesmos era oriunda de

áreas urbanas (76%), o que está de acordo com dados da literatu

ra (17), por se encontrar o pneumococo albergado em 5 a 70% das

pessoas normais, em suas vias aéreas superiores e pelo fato de nos centros urbanos haver uma maior densidade demográfica, o

que favorece a transmissão da doença(2'l7).

O aumento da incidência das pneumonias comumente es

tá associado a enfermidade virais das vias respiratórias, uma

vez que as mesmas promovem uma redução transitõria nos mecanis

mos de defesa(l'2'4'7'l3'l4'l5'l6'l9). Este fato foi comprovado

no presente trabalho, que mostrou uma incidência de 57% de in

fecçoes prêvias das vias aêreas superiores.

Doenças de base podem predispor e.atê agravar as

pneumonias (l'l2'l5), favorecendo também a diminuição dos meca

(26)

nítida por terem sido encontrados 138 casos de doenças associa

das, correspondendo a 82%, sendo que destes, 72% eram desnutri-

dos. As demais doenças foram encefalopatias, cardiopatias, rg

fluxo gastroesofãgio, mucoviscidose e raquitismo.

E citado como dado clínico mais importante nas pneu

mopatias a dispnëia, sendo que está ê quase imperceptível nas

crianças maiores, porém presente em quase todos os lactentes(92

Dos sinais e sintomas mais importantes, os gerais seriam febre

e abatimento, e dos especificos, tosses e dispnêia(8). Com rela

ção aos dados de exame físico, quando existe um processo de con

solidação pulmonar, o frêmito tõraco-vocal está aumentado, o

murmürio vesicular diminuído, estertores crepitantes, estertg

res subcrepitantes, roncos e/ou sibilos devem se fazer presen tes(l'3'5'8'9'l2'l5'l6). No presente trabalho os sinais e sinto

mas das pneumonias foram evidentes numa proporção bastante ele

vada, aparecendo a tosse como o mais freqüente, em 90% dos ca

sos, seguido pela febre (71%), estertores subcrepitantes, ta

quipnëia, tiragem baixa e gemência, entre outros.

Com relação aos dados de leucograma, ë citado na

literatura que geralmente ocorre uma leucocitose moderada com

neutrofilia, desvio a esquerda, aparecendo a linfocitose também

como dado freqüente(4'l6'l9). Nesse trabalho constatou-se leucg

citose em 65% dos casos, linfocitose em 59%, neutrofilia em 52%

e desvio a esquerda em 46%, cabendo ressaltar que o número to

tal de leucócitos esteve normal em 31%.

O quadro radiolõgico associado ao quadro clínico foi

importante para a confirmação das pneumonias, bem como para a

(27)

24

broncopneumonia e 44% de imagens de pneumonia lobar/segmentar .

Pelas imagens radiolõgicas, afasta-se a possibilidade aparente

de agente etiolõgico que não o pneumococo (l'8'l5). O derrame

pleural foi constatado em 9%, de acordo com dados da literatu

ra(ll). Hiperinsuflação pulmonar, sinais de traqueobronquite e

reação pleural apareceram em menor porcentagem.

E o pneumococo o agente etiolõgico predominante nos

processos pneumonicos em trabalhos realizados no Brasil(l'll) .

Segundo Mandel e cols.(6) e Jawetz(4), ë o pneumococo altamente

sensível â penicilina G. O uso da mesma, como antibiõtico ini

cial, neste trabalho foi de 78%, fato também demonstrado por

Pettersen (ll), seguido pela cefalosporina em ll%.

Houve 4l trocas de antibióticos, em relação ao anti

biõtico utilizado quando da internação. Desse total, 22 foram

de penicilina G por cefalosporina. Nada constava nos prontuš

rios, na maioria absoluta dos casos, com referência ao motivo

das trocas.

Avaliando-se o tempo em que a febre cedeu, consta

tou-se que num período de até 48 horas apõs a internação, 80%

dos paciente encontravam-se afebris, em 18% a febre prolongou-

se apõs este período e 3 casos (2%) foram inconclusivos. A peni

cilina G foi o antibiõtico mais utilizado (vide tabela IX) ,

correspondendo a 120 casos, nos quais elas fez ceder a tempera

ø ~

tura em ate 48 horas em lO0 casos (83%), nao cedendo a febre em

17%.

Estamos pressupondo que o pneumococo seja o agente

etiológico mais freqüente (l'll), e observamos que na maioria '

(28)

introduçao da penicilina, de acordo com dados da literatura(l).

Houve 26 casos nos quais a febre perdurou por ktempo

superior a 48 horas, sendo que a conduta adotada foi a seguinte:

em ll pacientes foi trocado o antibiótico (penicilina G por ce

falosporinas), em outros ll casos foi mantido o antibiótico e

4 crianças foram encaminhadas para o Hospital Infantil Joana de

Gusmão. Pela literatura (1) pressume-se que quando a febre não \

__.z----

*'t z -z«l__ il

cede

"'#

em um período de até 48 horas de antibióticoterapia, as \> (3

4

/

situaçóes mais prováveis são derrame pleural volumoso,_ derrame

pleural pequeno, infecções mistas, foco a distância ou que

cederã nas próximas 24 horas ”

'

....

Das complicaçoes a mais freqüente foi o derrame pleu

ral, aparecendo em 14 casos, considerado como 9% do total estu

dado, dado este também obtido por Peterssen (ll). O_‹espessamÊ2_

to pleural apareceu em segundo lugar, com 8 casos (5% do total),

se mostrando contra a literatura, que o considera como mais

frequente que o derrame pleural, com freqüência em torno de

20% (l'3'll'l5). O pneumotórax foi evidenciado em apenas l caso.

A faixa etãria predominante do derrame pleural foi a

do prë-escolar (71%), seguido do lactente (29%), concordando '

com dados da literatura Çll).

A punção diagnóstica não foi realizada em 8 derrames

pleurais, indo contra o que preconiza Baldacci e cols.(li e

Bozov (l5) que recomendam punção do derrame pleural, independen

te do tamanho. Houve 4 culturas negativas e 2 punçóes nas quais

(29)

CONCLUSÕES

A pneumonia na infância ocorre em igual proporção nos dois

sexos.-

As pneumonias acometem principalmente os lactentes, porém ,

no que diz respeito ã etiologia a faixa etária se torna de

certa forma indiferente, visto que o pneumococo ë predomi

nante em qualquer idade.

A desnutrição está intimamente relacionada com a instalação

do processo infeccioso em questão, visto que aproximadamen-

te 2/3 dos pacientes apresentavam algum grau de desnutrição

Por ser maior a densidade demográfica, favorecendo com sito

a transmissão dos germes, está na zona urbana a maior inci

dência das pneumonias.

As infecções das vias aéreas superiores apresentam um papel

importante para a redução transitõria dos mecanismos de de

fesa, propiciando com isto a instalação do processo infec

cioso bacteriano.

As doenças de base.favorecem a instalação das pneumonias.

Os sinais e sintomas foram bastante frequentes. Os especifi

cos, representados principalmente pela tosse e os gerais

,

pela febre, podem orientar a atenção para a infecção do tra

to respiratório.

É a leucocitose um dado acessõrio para o diagnóstico do

(30)

O quadro radiolõgico foi importante para a evidenciação das

pneumonias, bem como do possível agente etiológico, no caso

o pneumococo.

O pneumococo deve ser provavelmente o principal causador da

doença, visto que a penicilina G foi introduzida como anti

biõtico inicial na maioria das crianças independente da

faixa etária, com bom índice de resolução

Pelo tempo em que grande maioria dos pacientes se tornou

afebril, e por ser a penicilina G o antibiõtico masi utili

zado, concluímos mais uma vez ser o tratamento de eleição

a penicilina e pressupondo-se como agente etiológico o

pneumococo.

Foi o derrame pleural a complicação mais freqüente, acome

tendo principalmente 0 prëfescolar.

v w , * - life ql ¬ .c I

(31)

ABSTRACT

The authors studied 157 cases of pneumonia in the

childhood, hospitalized at the Hospital Universitário - Floria

nõpolis, in the period extending from june l, 1.982 to june l,

l.983. They emphasize the diagnosis based on clinic and Radio

logic aspects, and antibiotic the

sion of the related literature.

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TCC UFSC PE 0216 Ex.l ~.Ch=m- Tcc UFSC PE 0216”

Autor: Garcia, Mauro Acáé ` X

C

Título: Pneurnonias na infância - Hospita W

972809509 Acn 253853

Referências

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