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Implementação de projeto integrado de compostagem e educação ambiental em uma escola na cidade de Natal-RN

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KATHYLEN KATARINE BATISTA DA SILVA

IMPLEMENTAÇÃO DE PROJETO INTEGRADO DE

COMPOSTAGEM E EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM UMA

ESCOLA NA CIDADE DE NATAL-RN

NATAL-RN

2019

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE TECNOLOGIA

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Kathylen Katarine Batista da Silva

Implementação de projeto integrado de compostagem e educação ambiental em uma escola na cidade de Natal-RN

Trabalho de Conclusão de Curso na modalidade Artigo Científico, submetido ao Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como parte dos requisitos necessários para obtenção do Título de Bacharel em Engenharia Civil.

Orientador: Prof. Dr. Paulo Eduardo Vieira Cunha

Coorientador: Prof. Ms. Carlos Alberto Nascimento da Rocha Junior

Natal-RN 2019

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Silva, Kathylen Katarine Batista da.

Implementação de projeto integrado de compostagem e educação ambiental em uma escola na cidade de Natal-RN / Kathylen

Katarine Batista da Silva. - 2019. 24 f.: il.

Artigo científico (graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Tecnologia, Departamento de

Engenharia Civil. Natal, RN, 2019.

Orientador: Prof. Dr. Paulo Eduardo Vieira Cunha.

Coorientador: Prof. Me. Carlos Alberto Nascimento da Rocha Junior.

1. Meio ambiente - Desenvolvimento sustentável - Artigo científico. 2. Composto orgânico - Artigo científico. 3. Resíduos sólidos orgânicos - Gestão - Artigo científico. I. Cunha, Paulo Eduardo Vieira. II. Rocha Junior, Carlos Alberto Nascimento da. III. Título.

RN/UF/BCZM CDU 502.131.1

Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Central Zila Mamede

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Kathylen Katarine Batista da Silva

Implementação de projeto integrado de compostagem e educação ambiental em uma escola na cidade de Natal-RN

Trabalho de conclusão de curso na modalidade Artigo Científico, submetido ao Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como parte dos requisitos necessários para obtenção do título de Bacharel em Engenharia Civil.

Aprovado no dia 28 de novembro de 2019

___________________________________________________

Prof. Dr. Paulo Eduardo Vieira Cunha – Orientador

___________________________________________________

Prof. Ms. Carlos Alberto Nascimento da Rocha Junior – Coorientador

___________________________________________________

Ms(a). Amanda Bezerra de Sousa – Examinador externo

___________________________________________________

Eng(a). Gabriela Thaise de Medeiros França – Examinador externo

Natal-RN 2019

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RESUMO

Um dos principais problemas da sociedade atual é a produção de resíduos e sua destinação final. O resíduo orgânico equivale em média a 50% do resíduo total produzido nas cidades e, quando não destinado corretamente, traz inúmeros problemas como mal cheiro, presença de vetores e toxidade devido a formação de chorume. A escola, por ser um pequeno núcleo urbano, reflete essa problemática. Nesse sentido, é necessário um trabalho de educação ambiental, conscientizando sobre a importância da destinação correta e a possibilidade de reutilização da matéria orgânica. A partir desta problemática, este trabalho apresenta o estudo da gestão dos resíduos orgânicos atrelado a um projeto de educação ambiental aplicado no CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) Libânia Medeiros através da proposta da instalação de uma compostagem. A intervenção da educação ambiental foi desenvolvida a partir de reuniões com professores e funcionários e aulas expositivas com as turmas escolhidas para o projeto, com crianças de idade entre quatro a seis anos. O estudo de gestão de resíduos sólidos foi desenvolvido através da pesagem, quantificando e qualificando o material produzido. A parcela orgânica foi destinada para a implementação de um sistema de compostagem, instalado no pátio da escola, e contou com a participação das turmas na sua montagem e manutenção, obtendo um adubo orgânico de excelente qualidade que visa ser aplicado na horta da instituição. A compostagem mostrou-se como uma boa estratégia para o tratamento da parcela orgânica dos resíduos devido sua eficiência, baixo custo e pouca necessidade de espaço, evitando sua disposição incorreta. A metodologia comprovou ser eficiente como ferramenta de envolvimento do público alvo para a difusão da educação ambiental através dos conceitos de tratamento e destinação adequada de resíduos, demonstrando sua viabilidade de implantação nas escolas e pela gestão municipal, gerando benefícios econômicos, sociais e ambientais.

Palavras-chave: composto orgânico, meio ambiente, resíduos sólidos orgânicos, instituição de ensino.

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ABSTRACT

One of the main problems of today's society is the production of residue and its final destination. Organic residue is on average 50% of the total residue produced in the cities and, when not properly disposed of, causes numerous problems such as bad smell, presence of vectors and toxicity due to slurry formation. The school, being a small urban nucleus, reflects this problematic. In this sense, an environmental education work is necessary, raising awareness about the importance of the correct disposal and the possibility of reuse of organic matter. From this problem, this work presents the study of the management of organic residues linked to an environmental education project applied at CMEI (Municipal Center for Childhood Education) Libânia Medeiros from the proposal of the installation of a composting. The environmental education intervention was developed from meetings with teachers and staff and lectures with the classes chosen for the project, with children aged four to six years. The solid residue management study was developed by through weighing, quantifying and qualifying the material produced. The organic portion was destined for the implementation of a composting system, installed in the school yard, and had the participation of the classes in its assembly and maintenance, obtaining an excellent organic fertilizer that aims to be applied in the garden of the institution. Composting proved to be a good strategy for the treatment of organic waste due to its efficiency, low cost and little space requirements, avoiding its incorrect disposal. The methodology proved to be efficient as a tool for involving the target audience to the diffusion of environmental education through the concepts of treatment and proper disposal of waste, demonstrating its feasibility of implementation in schools and by municipal management, generating economic, social and environmental benefits.

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ...7

2. REVISÃO DA LITERATURA ...8

2.1 Resíduos Sólidos Orgânicos ...8

2.2 Compostagem ...9

2.3 Educação Ambiental ... 10

2.4 Estado da arte dos sistemas de compostagem ... 10

2.4.1 Revolução dos Baldinhos – A tecnologia social de gestão comunitária de resíduos orgânicos e agricultura urbana – Florianópolis/SC ... 10

2.4.2 Compostagem em Escolas de Ilhabela/SP ... 11

3. MATERIAIS E MÉTODOS ... 12

3.1 Caracterização da Instituição ... 12

3.2 Apresentação do projeto e implementação do trabalho de Educação Ambiental ... 14

3.3 Implementação do Sistema de Compostagem... 14

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 15

4.1 Quantificação dos resíduos sólidos do CMEI ... 15

4.2 Intervenção de Educação Ambiental ... 16

4.3 Resultados da implementação do sistema de compostagem ... 18

5. CONCLUSÃO ... 21

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1. INTRODUÇÃO

A produção e destinação dos resíduos sólidos, especialmente o urbano, é um problema mundial, com consequências socioeconômicas e ambientais. No Brasil, de acordo com relatório divulgado pela ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), no Fórum Mundial da Água, que aconteceu em Brasília, em 2018, a geração total de resíduos sólidos urbanos (RSU) no Brasil em 2017 foi de 78,4 milhões de toneladas, sendo 214.868 t/dia.

Por ano, cerca de sete milhões de toneladas de Resíduos Sólidos não são coletados ou têm destinação inadequada (ABRELPE, 2018). Dentro desse número, estima-se que 50% desses resíduos seja composto por orgânicos (MMA, 2017), que se referem às sobras de comida, cascas de frutas e verduras, podas de árvores, grama e folhas de varrição (FAPESC, 2017), que, quando descartados de maneira incorreta, atrai os principais vetores de doenças e aumentam a disponibilidade de nutrientes na água e solo.

O Ministério do Meio Ambiente (2017) cita como alternativas para o tratamento de resíduos orgânicos urbanos a vermicompostagem, enterramento, biodigestão, incineração e compostagem. A compostagem, segundo o Manual de Compostagem, lançado pela FAPESC (2017) é o conjunto de técnicas aplicadas para estimular a decomposição de materiais orgânicos por organismos heterótrofos aeróbios, promovendo o aumento da temperatura e tendo como produto um material estável, rico em substâncias húmicas e nutrientes minerais. O Manual de Compostagem Doméstica, Comunitária e Institucional de Resíduos Orgânicos, lançado pelo Ministério do Meio Ambiente em 2017, afirma que implantar sistemas de compostagem e articular com os agentes econômicos e sociais formas de utilização do composto produzido são claramente estabelecidas como obrigações dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos, por meio do inciso V do artigo 36, da Lei nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (BRASIL, 2010).

Entre as principais vantagens do sistema de compostagem estão à redução na quantidade de resíduos orgânicos, o enriquecimento da terra aumentando assim a disponibilização de nutrientes para as plantas, a diminuição das queimadas que poluem o ar e incomodam a vizinhança, o auxílio na agregação do solo melhorando a sua estrutura. O composto formado ajuda na aeração e na habilidade de reter água e nutrientes, e soltá-los lentamente para uso das plantas ao seu redor, a melhora na drenagem nos solos argilosos, a retenção da água nos solos arenosos e a redução da necessidade do uso de herbicidas e pesticidas (RECICLOTECA, 2017).

No município de Natal os resíduos sólidos coletados têm sua destinação final no Aterro Sanitário Metropolitano de Natal, gerenciado pela BRASECO SA. De acordo com dados fornecidos pela BRASECO, cerca de 1400 toneladas de resíduos chegam ao aterro diariamente e estima-se que a fração orgânica se encontra em torno de 40 a 50%, de acordo com o resultado de amostragem feita pelo aterro. Sabe-se ainda que não há separação entre resíduo seco e molhado no aterro, nem por parte do sistema público. Figueiredo (2013) cita que o custo com o tratamento final dos resíduos de Natal é um dos mais caros do país, e, após 2003, quando foi implantado um novo modelo, que a administração pública define como sustentável, o gasto público com a gestão dos resíduos aumentou para 15,0% do orçamento público global, o que coloca Natal como uma das cidades que mais gasta com gestão de resíduos no país (SNIS, 2010).

Kathylen Katarine Batista da Silva, graduanda em Engenharia Civil, UFRN

Prof. Ms. Carlos A. N. da Rocha Junior, Departamento de Engenharia Civil da UFRN Prof. Dr. Paulo Eduardo Vieira Cunha, Departamento de Engenharia Civil da UFRN

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No âmbito das instituições de ensino, Klippel (2015) cita que as mesmas podem ser comparadas com pequenos núcleos urbanos, pois, geram variados tipos de resíduos oriundos de atividades relativas à limpeza, produção de alimentos, atividades administrativas, salas de aula, entre outros resíduos, sendo importante que ocorra a caracterização para que se possam implantar planos de gerenciamento dos resíduos sólidos. Além disso, é primordial o cuidado com acondicionamento e destinação adequada para evitar o aparecimento de vetores e a propagação de doenças, especialmente em crianças. Segundo Nesti e Goldbaum (2007) as crianças cuidadas em creches ou pré-escolas apresentam risco de adquirir infecções aumentado em até duas a três vezes, com impacto na saúde individual e na disseminação das doenças à comunidade.

Nesse pensamento, um fator a ser levado em consideração, junto à implementação de um modelo de gestão de resíduos diz respeito a educação ambiental. O ensino infantil tem suma importância na formação de uma consciência crítica do indivíduo, sendo assim, deve-se trabalhar de forma que desenvolva o cognitivo e o afetivo juntos, para que provoque na criança um sentimento em relação ao meio ambiente (COSTA et al., 2018). O trabalho dentro do ambiente escolar é importante, pois, de acordo com Minc (2005), as escolas devem funcionar como polos irradiadores da consciência ecológica, envolvendo as famílias e a comunidade, proporcionando a formação de uma sociedade consciente que passa a ter uma visão em que todas as suas atividades podem causar um impacto que afetará o destino do Planeta (PASCOAL et al., 2018). Segundo Lourenço e Coelho (2012) a compostagem se torna uma ferramenta útil, capaz de atrair e moldar o pensamento da sociedade, norteando-os quanto à necessidade de se desenvolver ações sustentáveis.

A partir dos problemas levantados em relação ao gerenciamento dos resíduos sólidos, em especial a parcela orgânica, e aplicando esse estudo no âmbito das instituições de ensino, se torna necessário a conscientização da problemática dos resíduos nas cidades a respeito de sua coleta, tratamento, armazenamento e destinação final, trazendo relevância a projetos que apliquem de forma prática os conceitos de reciclagem, reutilização e tratamento de resíduos.

Sendo assim, o presente trabalho tem como objetivo a caracterização e quantificação dos resíduos sólidos gerados no centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Libânia Medeiros, com foco na parcela orgânica, para a implementação de um sistema de compostagem atrelado ao trabalho de educação ambiental junto aos alunos e funcionários.

2. REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Resíduos Sólidos Orgânicos

O Ministério do meio Ambiente define que:

Os resíduos orgânicos são constituídos basicamente por restos de animais ou vegetais descartados de atividades humanas, podendo ter diversas origens, como doméstica ou urbana (restos de alimentos e podas), agrícola ou industrial (resíduos de agroindústria alimentícia, indústria madeireira, frigoríficos...), de saneamento básico (lodos de estações de tratamento de esgotos), entre outras. (MMA, 2017).

Segundo Santos (2007), essa matéria orgânica, quando não é tratada ou sua disposição final é feita de forma incorreta, torna-se a principal fonte de poluição do solo, dos corpos hídricos e da atmosfera, devido a geração de efluentes líquidos (chorume) e gasosos (biogás).

Siqueira e Abreu (2016) citam que, devido ao seu potencial de reaproveitamento, os resíduos orgânicos não deveriam nunca ser encaminhados para a disposição final em aterros ou lixões. Essa retirada de matéria orgânica na destinação final do resíduo para o aterro

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sanitário implica em benefício econômicos, considerando que havendo o desvio de boa parte do resíduo úmido não há formação de chorume, implicando na diminuição de gastos com o seu tratamento (PINTO, 1999). Além disso, há a extensão da vida útil do aterro, devido à diminuição da parcela de resíduo a ser tratado.

2.2 Compostagem

A Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) institui a implementação de sistema de compostagem para resíduos sólidos orgânicos e a articulação com os agentes econômicos e sociais para formas de utilização do composto produzido.

De acordo com a NBR 13591/1996 a compostagem é definida como um Processo de decomposição biológica da fração orgânica biodegradável dos resíduos, efetuado por uma população diversificada de organismos, em condições controladas de aerobiose e demais parâmetros, desenvolvido em duas etapas distintas: uma de degradação ativa e outra de maturação. Possui baixo impacto ecológico, sendo um dos mais antigos métodos de destinação de resíduos orgânicos, onde reproduzimos os processos da natureza para melhorarmos a terra (RECICLOTECA, 2017).

Inácio e Miller (2009) citam que o objetivo da compostagem, do ponto de vista científico e da engenharia, consiste em gerar um produto final sem riscos de contaminação do solo e água, adequado para o manuseio e uso na agricultura e recuperação de solos; evitar excessiva produção de lixiviados das leiras de compostagem; evitar a proliferação de moscas e atratividade de outros vetores.

O Ministério do Meio Ambiente, através do Manual para Implantação de Compostagem e de Coleta Seletiva no âmbito de consórcios públicos (MMA, 2010),descreve três tipos básicos de compostagem:

 Natural: Os resíduos são dispostos em leiras onde é feito um procedimento de reviramento e, eventualmente, umidificação, até a finalização do processo.

 Aeração forçada: Não há reviramento do material, que é colocado sobre um sistema de tubulação perfurada pela qual será feita a aeração.

 Reator biológico: Ambiente fechado, que permite o controle dos parâmetros sem interferência do ambiente externo.

A Nota técnica sobre Compostagem de Resíduos Sólidos Urbanos, lançada pelo Ministério Público do Estado do Paraná cita que esse processo pode ser realizado em pátios, onde a massa de compostagem pode ser disposta de duas formas: em pilhas ou em leiras. As pilhas são montes de forma cônica e as leiras montes prismáticos. O critério de escolha entre estas duas formas de disposição relaciona-se a quantidade de materiais a ser compostado, se em pequenas quantidades usam-se as pilhas, se em grandes quantidades usam-se as leiras.

O composto resultante é rico em nutrientes e minerais indispensáveis para a saúde das plantas e do solo. Segundo Santos (2007), a matéria orgânica se liga às partículas (areia, limo e argila) formando pequenos grânulos que ajudam na retenção e drenagem da água, melhoram a aeração e, devido a presença de matéria orgânica no solo, aumentam o número de minhocas, insetos e micro-organismos desejáveis, o que reduz a incidência de doenças de plantas.

Os nutrientes do composto, ao contrário do que ocorre com os adubos sintéticos, são liberados lentamente, realizando uma adubação de disponibilidade controlada, ou seja, permite que as plantas retirem nos nutrientes que precisam de acordo com as suas necessidades, ao longo de um tempo maior do que teriam para aproveitar com um adubo sintético e altamente solúvel, que é arrastado pelas águas das chuvas, poluindo o meio ambiente (KIEHL apud SANTOS, 2008).

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2.3 Educação Ambiental

A Política Nacional de Educação Ambiental (BRASIL, 1999) define a educação ambiental como os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.

Reigota (2017) cita que a educação ambiental deve procurar favorecer e estimular possibilidades de se estabelecer coletivamente uma “nova aliança” (entre os seres humanos e a natureza e entre nós mesmos) que possibilite a todas as espécies biológicas (inclusive a humana) a sua convivência e sobrevivência com dignidade.

Na visão de aplicar o que institui a PNRS, o desenvolvimento de projetos para trabalhos de educação ambiental se faz relevante para que os conceitos de reciclagem e compostagem se façam disseminados de dentro da escola para a sociedade. A escola é o espaço social e o local onde o aluno dará sequência ao seu processo de socialização, iniciado em casa, com seus familiares. (PONTALTI apud NARCIZO, 2009).

Entretanto, de acordo com Figueiredo (2013), anterior à educação ambiental, faz-se primordial a construção do saber científico sobre os resíduos sólidos, especialmente na melhoria do sistema educacional municipal. O questionamento levantado por ele em seu artigo traz uma boa reflexão: de que adiantam as oficinas de sensibilização ambiental nas diversas comunidades carentes da cidade se as pessoas sequer entendem o que está sendo apresentado? Nesse sentido, se torna importante a elaboração de projetos que visem tanto a execução, quanto a explanação de conceitos pertinentes ao que se está sendo proposto.

2.4 Estado da arte dos sistemas de compostagem

2.4.1 Revolução dos Baldinhos – A tecnologia social de gestão comunitária de resíduos orgânicos e agricultura urbana – Florianópolis/SC

O projeto de gestão comunitária de resíduos orgânicos, que também ficou conhecido como Revolução dos Baldinhos foi implantado na comunidade Chico Mendes, situada no Bairro Monte Cristo, na cidade de Florianópolis, sob responsabilidade da CEPAGRO – Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo. Segundo Farias (2010) teve início em 2008, com uma equipe multidisciplinar que, aliado a população, buscavam construir estratégias para acabar com a epidemia de ratos eminente no local. Foi avaliada a necessidade não apenas da extinção do problema com roedores, como também de medidas de prevenção. A população foi orientada a evitar jogar restos de alimentos nas ruas, em sacolas ou sem acondicionamento. Atualmente participam deste projeto, em torno de 90 famílias e nove instituições públicas da comunidade.

O CEPAGRO, anteriormente, já possuía projetos de hortas comunitárias e compostagem em algumas escolas e áreas do bairro e, nesses locais, foi observada a redução do número de roedores em comparação a outras regiões. Desse modo, foi sugerida a ideia da separação dos resíduos orgânicos dos domicílios nos arredores em baldes e tambores plásticos para a coleta e compostagem termofílica (FARIAS, 2010).

Foram feitas parcerias com grupos de gestão de resíduos e catadores de rua receberam orientações técnicas sobre compostagem, para se aliarem ao projeto. Também foi feito um trabalho de educação ambiental junto às famílias, para que elas participassem, reunindo os resíduos orgânicos, também os incentivando a plantar nos seus quintais, apesar dos poucos espaços, utilizando baldes, potes, garrafas PET e outros recipientes (Figura 01). As famílias que aceitaram participar receberam um pequeno baldinho para armazenar seus resíduos

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orgânicos e depositá-los no PEV mais próximo. A coleta era feita por catadores de lixo e voluntários, que levavam o material para a compostagem no pátio de escolas do bairro (FARIAS, 2010). O adubo resultante da compostagem era entregue para que os moradores utilizassem em suas hortas e pequenas plantações orgânicas (ONU BRASIL 2019).

De acordo com Farias (2010) o projeto cresceu e recebeu apoio do fundo social de uma empresa catarinense de energia, possibilitando o pagamento de bolsas para duas agentes locais pelo período de 6 meses. Também teve apoio de universitários da UFSC que passaram a apresentar o trabalho em seminários e congressos. Em 2011, a Revolução dos Baldinhos ganhou o prêmio nacional Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. Dois anos depois, foi vencedora na mesma premiação, dessa vez na categoria Instituições de Ensino, Pesquisa e Universidades. A Revolução dos Baldinhos também é uma das cinco inciativas escolhidas para ser implementada no Projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social (MUTS), criado para mobilizar moradores de conjuntos residenciais financiados pelo Banco do Brasil (ONU BRASIL, 2019).

Em janeiro de 2019 a iniciativa foi reconhecida durante a Semana Internacional Verde, em Berlim, por atender a critérios de sustentabilidade da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), premiada pela organização World Future Council (WFC) como prática agroecológica de excelência, sendo escolhida como uma das 15 vencedoras, entre 77 programas de 44 países do Sul global (ONU BRASIL, 2019).

O trabalho rendeu uma cartilha, produzida pela CEPAGRO e Fundação Banco do Brasil, “tornando acessível o passo a passo da implementação do método, desde o engajamento comunitário até a logística de operacionalização da compostagem e promoção da agricultura urbana, passando pelas esferas de articulação fundamentais para a consolidação da iniciativa”. (CEPAGRO, 2015)

Figura 01: Projeto Revolução dos Baldinhos. Fonte: CEPAGRO, 2016.

2.4.2 Compostagem em Escolas de Ilhabela/SP

Em 2018 a Secretária de Educação de Ilhabela, juntamente com a prefeitura, abordou a iniciativa de trabalhar educação ambiental e compostagem nas escolas da cidade (Figura 02), com a responsabilidade técnica da Morada da Floresta, empresa especializada em compostagem, em parceria com a Flow Desenvolvimento Sustentável.

O projeto foi dividido em duas fases: a primeira envolvendo 14 escolas, que receberam cilindros para compostagem termofílica, e a segunda com 25 escolas, com espaço e geração de resíduos em menor volume, que receberam composteiras para vermicompostagem. Durante esse projeto foi feito um trabalho multidisciplinar nas escolas, utilizando os dados do

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monitoramento das composteiras como peso e temperatura, além do trabalho de educação ambiental inserido em várias disciplinas (GAMA, 2019).

Segundo a Morada da Floresta, a proposta de solução descentralizada para resíduos associada à educação ambiental tornou o projeto possível, promovendo atividades educativas e até hortas escolares. 145 toneladas de resíduos orgânicos foram desviadas do aterro e mais de 50 toneladas de composto foram produzidos. Ainda de acordo com a empresa, Ilhabela economizou R$ 84.796,07 em 2018, e deve economizar R$ 106.733,57 em 2019.

Figura 02: Projeto nas Escolas de Ilhabela. Fonte: Folha de São Paulo, 2019.

3. MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Caracterização da Instituição

A instituição escolhida para aplicação do estudo foi o CMEI Professora Libânia Medeiros, localizado na Rua Governador Valadares, nº 4853, no bairro de Neópolis (Figura 03). O centro atualmente funciona dividindo o mesmo prédio com o TECESOL – Território de Educação, Cultura e Economia Solidária – uma ONG voltada para ações de educação, cultura e lazer (Figura 03).

Figura 03: Fachada do CMEI e sede do TECESOL. Fonte: Arquivo pessoal, 2019.

O CMEI atende 198 crianças, sendo 94 no período matutino e 104 no vespertino, abrangendo a faixa etária entre dois a seis anos, separados nos níveis I, II, III e IV, de acordo com a idade. Possui uma equipe total de 35 funcionários, do quais 11 são professoras. A

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instituição conta com um espaço para desenvolvimento das atividades (Figuras 04 e 05), uma área externa, com canteiros, árvores, parquinho, quadra e uma horta, que teve início com um projeto anterior aplicado na instituição, em parceria com o SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).

Figura 04: Área para recreação. Figura 05: Refeitório. Fonte: Arquivo pessoal, 2019. Fonte: Arquivo pessoal, 2019.

A alimentação servida é preparada pelo CMEI, que possui cozinha própria. São preparadas em torno de 70 refeições por turno, o que representa um número menor que o de crianças matriculadas, devido a evasão e faltas diárias. Para o turno matutino são oferecidos café e almoço e, no turno vespertino, lanche e jantar. Em ambos os turnos as refeições são oferecidas tanto para os alunos quanto para os funcionários da instituição. Como qualquer edificação escolar, possui geração de resíduos devido às atividades executadas dentro da instituição, como preparação de merenda, atividades recreativas e administrativas, limpeza, dentre outros. Os resíduos são armazenados em um cesto metálico em uma área cercada (Figura 06), aguardando os dias de coleta do bairro, que se realizam nas terças, quintas e sábados, à noite.

Figura 06: Armazenamento dos resíduos na escola, antes da coleta. Fonte: Arquivo pessoal, 2019.

Durante um período de duas semanas foram feitas pesagens diárias dos resíduos produzidos na escola de modo a realizar a quantificação e qualificação do material, sendo separado em três categorias: resíduo geral, resíduo geral da cozinha e resíduo orgânico para compostagem. A produção da cozinha foi dividida entre o material utilizado para a

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compostagem, que resulta em cascas de frutas, legumes e ovos e borra de café e o resíduo geral da cozinha, que consiste em sobras de alimentos cozidos, embalagens plásticas e de papelão e material de varrição da cozinha e refeitório. Os resíduos provenientes das atividades diárias, educacionais e administrativas, da escola, sendo composto basicamente por papel, embalagens de plástico e papelão, resíduo de banheiro, varrição e folhas de arvores provenientes do pátio, das salas, banheiros e limpeza em geral, foi classificado como resíduo geral.

3.2 Apresentação do projeto e implementação do trabalho de Educação Ambiental

A pesquisa para o projeto de educação ambiental foi elaborada a partir de reuniões e junto à diretora da instituição e a coordenação pedagógica, sendo elaborada uma apresentação para expor o plano de projeto, explicando a importância do trabalho de reciclagem, da gestão de resíduos sólidos orgânicos e trazendo definição de compostagem e suas metodologias de aplicação, além de discutir como seria feito o trabalho de educação ambiental junto com as crianças. Foram definidos os níveis III e IV, que são turmas de maior faixa etária do centro, para o projeto. O nível III abrange crianças de quatro a quatro anos e 11 meses e o nível IV, crianças de cinco a seis anos. Ao todo, foram trabalhadas seis turmas separadamente, sendo três turmas pela manhã e três turmas a tarde, divididos de acordo com a Tabela 01.

Tabela 01: Informações sobre as turmas escolhidas dos níveis III e IV do CMEI

Turno Nível Professora Nº de alunos

Manhã 3A Eliane 18 4A Cássia 15 4B Edivânia 15 Tarde 3C Samantha 21 4C Gau 15 4D Juliana 15

A intervenção de educação ambiental foi aplicada em duas etapas, na qual a primeira foi realizada através de palestras para os funcionários e professores e a segunda foi realizada através de aulas expositivas para os alunos, ambas debatendo a produção dos resíduos, conceitos de reciclagem, reutilização, compostagem e a importância do cuidado com o meio ambiente.

3.3 Implementação do Sistema de Compostagem

A escolha da forma de contenção da compostagem, os materiais utilizados para tal e o método a ser abordada foi feita a partir da apresentação feita à coordenação e debatida para determinar a opção mais viável, que se encaixaria melhor para a escola e para as turmas que seriam trabalhadas, sendo adotado um dos canteiros abertos da escola.

O método escolhido para montagem da compostagem foi o método das leiras revolvidas, por ser um método simples, onde a mistura de resíduos é disposta em pilhas, sendo a aeração fornecida pelo revolvimento dos resíduos e pela convecção e difusão do ar na massa do composto (FERNANDES; SILVA, 1999). Segundo Prampolim, Macedo e Gonsalez (2015) é um dos métodos mais utilizado no Brasil, que garante um ambiente aerado em toda a pilha e, ao se revolver o material, devido às elevadas temperaturas atingidas no interior da leira, parte da água evapora, sendo necessária sua reposição com água bruta de boa qualidade.

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Esse método foi escolhido, principalmente, por permitir uma maior participação das crianças, ajudando na manutenção do processo de compostagem, na umidificação e revolvimento das leiras, complementando o trabalho de educação ambiental.

Os materiais utilizados para montagem e manutenção das pilhas de compostagem foram uma pá, ciscador, uma balança de 5kg, balde para água e um saco com estrume que foi adicionado junto ao material depositado. Também foram disponibilizadas luvas, para que as crianças pudessem manusear o material. O trabalho de montagem e manutenção das leiras foi desenvolvido juntamente com as turmas durante dois meses e meio, sendo feitos o revolvimento e a umidificação das pilhas de compostagem. Esses dois processos estão intrinsicamente ligados e são de fundamental importância para a decomposição adequada dos resíduos. O teor de umidade considerado ótimo encontra-se na faixa entre 45 a 55% (PARANÁ, 2013).

Para um bom resultado final da compostagem, de modo a se obter um excelente adubo orgânico para as plantas, é necessário que haja uma mistura de materiais ricos em carbono e outros em nitrogênio. Segundo Oliveira, Sartori e Garcez (2008) os materiais ricos em carbono fornecem a matéria orgânica e a energia para a compostagem e os materiais nitrogenados aceleram o processo de compostagem, porque o nitrogênio é necessário para o crescimento dos microrganismos. Genericamente, quanto mais baixa é a relação C/N mais rapidamente termina a compostagem. Entre os materiais ricos em carbono pode-se considerar os materiais lenhosos como a casca de árvores, as aparas de madeira, as podas dos jardins, folhas e galhos das árvores, palhas, fenos e papel. Entre os materiais nitrogenados incluem-se as folhas verdes, estrumes animais, urinas, solo, restos de vegetais hortícolas, erva, entre outros. Também é preciso observar o tamanho das partículas inseridas nas leiras de compostagem. Oliveira, Sartori e Garcez (2008) citam que as partículas devem ter entre 1,3 cm e 7,6 cm. Abaixo deste tamanho seria necessário utilizar sistemas de ar forçado enquanto que os valores superiores podem ser bons para pilhas mais estáticas e sem arejamento forçado. O ideal é que os materiais utilizados na compostagem não tenham dimensões superiores a 3 cm de diâmetro. Como as partículas pequenas têm uma superfície específica maior estas serão decompostas mais rapidamente desde que exista arejamento adequado.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Quantificação dos resíduos sólidos do CMEI

A partir do processo de pesagem realizado na instituição foi possível quantificar e classificar os resíduos gerados. Dessa forma foi visto que a escola produz em média 17,06kg de resíduos sólidos diariamente. O resíduo sólido geral é proveniente das atividades diárias, educacionais e administrativas, resultou em 31,42% do total. O resíduo geral da cozinha, resultou em 7,24 kg, equivalendo a 42,44% do resíduo total. O resíduo orgânico, o qual foi utilizado para a compostagem e contabilizado separadamente dos resíduos da cozinha foi igual a 26,14% do total produzido. Os dados obtidos nas pesagens encontram-se especificados na Tabela 02.

Tabela 02: Quantitativo de Resíduos sólidos gerados na escola R.S. geral da escola R.S. geral da cozinha R.S. orgânico para compostagem Total (Kg/dia) 5,36 7,24 4,46 17,06 (%) 31,42 42,44 26,14 100

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4.2 Intervenção de Educação Ambiental

Nas reuniões feitas com os funcionários, foi exposta uma apresentação do projeto junto aos funcionários de serviços gerais, sendo três da cozinha, e dois da limpeza, trazendo diversas temáticas como: a importância do tratamento dos resíduos, os conceitos e métodos de compostagem, como deve ser realizada a separação dos resíduos produzidos na cozinha e mostrando a importância da colaboração deles para que a proposta da leira de compostagem obtivesse êxito. Nesses momentos, os funcionários puderam tirar dúvidas, contar experiências pessoais com a técnica da compostagem e expressar ideias para a implantação, acarretou na aceitação e discussões pertinentes para o projeto, as quais foram adotadas, de acordo com as necessidades da escola e do plano de projeto.

Em seguida, foi feita uma roda de conversa com as professoras de cada turno, trazendo a apresentação do projeto, com as definições de compostagem, a metodologia que seria abordada para implantação e sanando as dúvidas que foram sendo levantadas. Esse momento também possibilitou a discussão sobre como seria feito o trabalho de educação ambiental junto com as turmas, onde professoras apresentaram ideias e atividades que poderiam envolver os alunos e fazê-los abraçar o projeto e indicaram materiais e desenhos apropriados para a idade das crianças que ajudaram na exposição dos conceitos que seriam abordados com elas de forma simples e compreensível.

A preocupação com a destinação correta dos resíduos sólidos e preservação do meio ambiente deve ser trabalhado constantemente, dentro de propostas de educação ambiental, não apenas chamando a atenção a prática e aplicação de projetos, como também na apresentação e debate dos conceitos relacionados a eles, fazendo com que os envolvidos entendam e deem a devida importância ao processo que está sendo desenvolvido dentro da proposta. No projeto Revolução dos Baldinhos, o envolvimento da comunidade onde estava sendo inserida a proposta e o trabalho teórico e prático de educação ambiental feito com eles, tornando-os agentes ambientais, foi de fundamental importância para o sucesso do mesmo. Por isso, as reuniões e aulas expositivas se mostraram boas opções, que atenderam às expectativas geradas para este trabalho, pois, a partir delas, os envolvidos puderam entender a base do projeto, sua conceituação e abraçaram as ideias propostas, atuando de forma participativa em todo o processo.

O trabalho com as crianças foi desenvolvido as turmas individualmente. Foi feita uma aula expositiva inicial, debatendo os conceitos de resíduos, reciclagem, reutilização, adubo e compostagem (Figuras 07, 08, 09 e 10). O material foi elaborado com imagens e a exibição de um desenho animado abordando o processo de compostagem, facilitando assim a compreensão e prendendo a atenção das crianças.

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Figuras 07, 08, 09 e 10: Aula expositiva inicial com as turmas. Fonte: Arquivo pessoal, 2019.

Durante o período de maturação do composto foram feitas atividades em sala de aula pelas professoras, reforçando o trabalho de educação ambiental a qual o projeto se propõe. As crianças visitaram a horta da escola, tiveram contato com as plantas e fizeram desenhos em sala de aula, além de colaborarem com a manutenção do composto, conforme ilustrado nas Figuras 11 e 12.

Figuras 11 e 12: Trabalho de Educação ambiental aplicado pelas professoras em visita a horta da escola. Fonte: Professora Cássia, 2019.

Também foi feita uma aula expositiva, com auxílio de desenho animado (Figuras 13 e 14), explicando sobre o processo que estava acontecendo com os resíduos orgânicos inseridos na leira, apresentando às crianças o conceito de decomposição e sua importância na manutenção do ciclo biológico que ocorre na natureza.

Figuras 13 e 14: Aula expositiva sobre o processo de decomposição e manutenção das leiras. Fonte: Arquivo Pessoal, 2019.

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A aplicação de aulas expositivas, através de desenhos animados com temas pertinentes ao trabalho foi essencial para o resultado positivo com as turmas, devido a faixa etária em que se encontram, prendendo a atenção e possibilitando a assimilação e debate dos conceitos com as crianças. É importante observar que os conceitos de reciclagem, proteção do meio ambiente e destinação de resíduos já são temas comuns e presentes na vida dos alunos e o trabalho desenvolvido em sala veio para reforça-los e agregar o conceito de compostagem, ainda desconhecido.

4.3 Resultados da implementação do sistema de compostagem

Ao se observar a dinâmica da instituição, o modo de preparação das refeições e a forma de trabalho dos funcionários, percebeu-se que a separação dos resíduos orgânicos seria totalmente viável para ser feita diretamente da fonte de produção, ou seja, a cozinha. A separação direto na fonte, separando o resíduo seco do molhado é muito importante para a qualidade final do composto.

A partir da separação, foi definido para utilização na compostagem que seriam separadas apenas as cascas de frutas, legumes e verduras, ovos e borra de café. Houve uma grande preocupação, junto a escola, em relação a odores e aparição de insetos e roedores, evitando o contato das crianças com esses vetores, portanto os restos de alimentos salgados e cozidos não foram utilizados por serem de difícil decomposição e por questões de higiene, já que atraem os vetores. De todo modo, as sobras das refeições produzidas, as quais não foram utilizadas na compostagem, são minimizadas ao máximo pela equipe e, na ocasião de sobrar, grande parte é destinada para os animais de criação do vizinho dos fundos da escola.

O material foi separado pela equipe de cozinha e dividido em porções. Optou-se por utilizar pequenas porções de material orgânico, criando pequenas leiras, para facilitar o processo de revolvimento pelas próprias crianças. Por esse motivo foi escolhida a disposição em formato de pilha, utilizada quando a quantidade de material a ser compostado é pequena (MPEP, 2006). A quantidade de material orgânico utilizado por cada turma e número de leiras de compostagem formadas se encontra descrito na Tabela 03.

Tabela 03: Quantitativo de Resíduo orgânico utilizado nas leiras

Turma Quantidade de Resíduo Sólido Orgânico Leira

3A 1,682kg 02 4A 2,572kg 02 4B 2,556kg 03 3C 1,889kg 01 4C 1,861kg 4D 1,370kg

O local para inserção da leira de compostagem foi definido junto à coordenação e funcionários da instituição, em uma área de canteiro não utilizada (Figura 15), com sombra e espaço adequado para trabalho com as crianças.

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Figura 15: Local escolhido para inserção da leira de compostagem. Fonte: Arquivo pessoal, 2019.

As próprias crianças montaram as leiras, empilhando os materiais e misturando-os, assimilando e caracterizando o que estava sendo lançado. As mesmas foram orientadas a perceber as texturas, cores e cheiros das cascas para tomarem consciência do processo de decomposição que se iniciaria a seguir (Figuras 16, 17 e 18). As crianças também foram instruídas a percorrer o pátio buscando folhas secas e verdes para adicionar a pilha para obter o bom balanceamento da relação Carbono/Nitrogênio. Como fonte de nitrogênio, foi adicionado também estrume, comprado em casas de jardinagem.

Em seguida foi feita a adição de água. O teor de umidade é um dos fatores de fundamental importância para o processo de decomposição, juntamente com a aeração.

Figuras 16, 17 e 18: Montagem das leiras – Inserção e mistura dos materiais. Fonte: Arquivo pessoal, 2019.

Para verificar se a massa estava com quantidade ideal de água, os alunos foram orientados a apertarem o material com as mãos formando bolinhos firmes. Caso não fosse possível faze-los, adicionava-se mais água.

O material orgânico foi lançado com as cascas inteiras, sendo reduzido para partículas menores com o auxílio da pá. Essa redução de tamanho foi feita para facilitar o processo de decomposição e o trabalho de arejamento.

Durante o período de implementação do projeto e maturação do composto, as crianças foram convidadas para fazer a manutenção das pilhas, analisando a cor, textura e tamanho das partículas e comparando-as com as lançadas no período de montagem das leiras, conforme ilustrado na Figura 19. Nesse período de manutenção ocorre a maturação do composto, onde há uma gama de reações físicas químicas e biológicas, que variam em função do tamanho das

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partículas, umidificação e temperatura. Também foram feitos o revolvimento e a umidificação das leiras (Figuras 20 e 21).

Figura 19: Contato com a massa de composto Fonte: Arquivo Pessoal, 2019.

Figuras 20 e 21: Umidificação e revolvimento das pilhas. Fonte: Arquivo pessoal, 2019.

No total, foram geradas três pilhas de compostagem (Figura 22), com montagem em diferentes períodos, de acordo com a disponibilidade de trabalho com as turmas e calendário escolar, tendo, portanto, períodos de maturação diferentes entre si.

Figura 22: Pilhas de compostagem Fonte: Arquivo pessoal, 2019.

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Ao final do processo de maturação, o material resultante de cada leira foi pesado se forma bruta, ou seja, sem peneiramento. Na primeira leira obteve-se 3,100kg de composto, na segunda leira 2,574kg e na terceira leira 2,013kg de composto orgânico, que serão aplicados na horta da escola.

Kiehl (apud SANTOS, 2008) cita que como resultado da compostagem são gerados sais minerais, contendo nutrientes para as raízes das plantas e húmus, como condicionador, melhorando assim as propriedades do solo.

Um sistema de compostagem bem implantado, atrelado ao trabalho de educação ambiental junto aos alunos, além de incitar a consciência ambiental para a sociedade, é importante para a redução da matéria orgânica destinada ao aterro sanitário. Vaz et al. (2003) cita que dos benefícios observados com a compostagem, tem-se a preservação dos recursos naturais, economia de energia, diminuição da quantidade de resíduo a ser aterrado e aumento da vida útil dos aterros sanitários e controlados.

Há outros métodos que podem ser aplicados para implantação do sistema de compostagem, mais eficazes do ponto de vista técnico. A escolha deste método de trabalho para esse projeto experimental se permeou no uso de parcelas pequenas de materiais e participação das crianças em todas as suas fases. Tal escolha se mostrou satisfatória, especialmente para o pouco tempo disponível para realização e obtenção de resultados, tanto do ponto de vista técnico quanto de educação ambiental.

5. CONCLUSÃO

A partir do desenvolvimento deste trabalho, pode-se concluir que o projeto de educação ambiental promoveu a mudança de pensamento e ação sobre as questões do tratamento adequado aos resíduos, incentivando a adoção de outras práticas e a continuação de mais projetos de educação ambiental. As discussões apresentadas durante as aulas e reuniões com professores e alunos aumentou o conhecimento em relação aos conceitos ambientais.

A escola foi identificada como potencial geradora de resíduos sólidos, especialmente orgânicos, devido a preparação de merendas e refeições. Isso mostrou a importância de evitar a destinação da parcela orgânica para os aterros, quando seu aproveitamento para geração de composto orgânico seria muito melhor ambiental e economicamente para a cidade.

Também foi possível verificar que a implementação de um sistema de compostagem é totalmente viável de ser abraçada pela gestão municipal, para aplicação nas escolas, pela facilidade e baixo custo de instalação e manutenção. Projetos, como nas escolas de Florianópolis e Ilhabela, tem apresentado resultados significativos, mostrando que, dependendo do sistema escolhido, a compostagem é uma solução eficiente, não necessitando de muito espaço para sua locação, tornando-se acessível ao município, quando comparada a destinação aos aterros e seu tratamento. Além disso, o envolvimento das crianças promove a mudança de pensamento, com capacidade de alterar a consciência da destinação final de resíduos, futuramente.

A compostagem, como tratamento dos resíduos orgânicos, é a escolha ideal, mas se mostrou ainda mais assertiva como método de ensino-aprendizagem, para a implementação do trabalho de educação ambiental, possibilitando o contato das crianças com o material, trabalhando conceitos relacionados ao meio ambiente, a disposição correta do resíduo e a possibilidade de sua parcela orgânica ser reutilizada, tanto quanto o papel, o vidro e o plástico podem ser reciclados. Esse trabalho e contato promoveu o envolvimento direto com o projeto, atendendo o objetivo proposto.

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