GEOGRAFIA RURAL DAS
,..
NOVAS COLONIAS DO
AL
T
O URUGUAI (RIO
GRANDE DO SUL - BRASIL)
Dual 8oc:iedades rurais ea ta vam estabelecidas no Rio Grande do Sul no inicio des -te lIéculo~ no campo, 08 gaú -chos, grandes propdetárioll, continuavam sua p e c u
á r
i a extensiva; na antiga região florenal do centroleste do Estado, a pequena coloniza-ção lIarda da imigração eu-ropéia do século XIX con -cluia a C 11' e dos de.mata. mentes.S6 restava para con -cluir a ocupação do territó -rio rio-grandense. penetrar na vasta. Cloreata que te es-tendia ao norte, por ma" de 300 km, no interior do arco do Alto Uruguai. E.ta tare-fa apenaa delineada no Cim, do século passado. pal.ou a ser de.envolvida a partir de 1906. através da colonização dirigida pelo governo do E. -tado do Rio G rand~ do Sul.Comparada, aI
~rim~ira8
fases de çolonlzayao ale en -tão realizada, essa última etapa d e povoamento apre-.entava çaraderí.tica. no -va •• Ela devia ser feita nu -ma região afastada e de ,cl i-ma eu b -t r o p i c a I (média~ mensais de 25~C em janeiro ede I3,39Cem julho) com chuvas abundante. ebem distribuidaa durante o a no.12
Comvni caçõo do $r. Roymond Pébayle ( ;:) Trad. G.~rofo Gilberto lazare Rocha
.Duas coberturas florestais dividiam uma topografia ca-da vez mate acidentada em direção ao norte. A floresta clara de araucária, cobria oe planaltos maia elevados a leate do rio Paalo Fundo, enquanto a oestes ae espécie! sub-tropicais ocupavam urna parte do antigo território da. M i s s õ e li Orientais do Uruguai.
Por .eu turno. 08 homens, os eioneiros, não contavam .ena~ com uma pequen!. pro -porçao dos colono. e.tran_ geiro. recém chegado •. Êles repre.entavam, antes, o ex-cedente de antigas colônias, uma legunda ou terceira ge -raçãb muito nurnerOla. inca -paz de lubsiltir no quadro dos lotes originais de 50 hectares. Ne.te nôvo estilo de colonização. e I e m e n tos nacionais deveriam, pela primeira vez, .e mleturar ao. colonos de origem es -trangeira. ma i. eara pro -mover uma tradlçaode-agr~
cultura entre OI gaúchos desprovidos de te r ra li do qu" p""ra combater a conhe -cida tendência do 8 colonos europeus de isolamento no seio da sociedade t radicio-nal.Ollotes concedidos pos-sulam 25 hectares, mas de
-veriam s e r melhor distri -buidos e:rn f u n ç
ã o da
topo -grafiaedos recursos em água. Finalmente. para rom -pera isolamento de urna re-gião inaceseível por via flu-vial, previu-se um in t e n s o programa de construção de ferrovias, de eltradas e de centros de colonizasão.Dessa colonizaçao orien -tada simultâneamente p e I a experiência doa c o 1 o no! e pela prudência de ~ e u s le -gisladores,pOde r-se-ia esee-rar
u,m,.
verda~eiracriaçao. Talvez mpa vhao da geogra-!ia rural atual do Alto Uruguainos permitirá um conheci -mento de mais de cinquenta anol dessa . ç·ao combinada do H o m e m .ô\,rc um meio natural muito hostil. (fig, I)
l. PAISAGENS RURAIS E SISTEMAS DE CULTURA
A. atuais põ3.illõ3.gcns ru-rais mostram que meio sé-culo de desmatamentos e de culturas f o r a m ~uficientel para fazer desaparecer a árvore de tôdas aa vertentes
(.) Publicada no Boulletin de I'Association de Géographes Français n'?s 350-351, janei -ro-fevereiro de 1967,
acessf .... eil. Executadas algu -mas reservas territoriais, a floresta primitiva não se en-contra senão nas elevações,
sôbre aa vertentes mais abruptas e, talvez, em alguns fund09 úmidos. A marca de uma colonização dirigida re~ pous~ no tra,çado geométri -co do. caminhos - os ntra_ vessões" - que seguem ge-ralmente a. linhas de cumea -das, nas quais se reconhece, ainda, OI limites retangula~ res dos lotes originai!, ge-ralmente compostoe de uma parte da vertente e de outra, um fundo de vale. A êsses dois tipo s de terreno cor -respondem, q u a s e sempre, dois tipos de ocupação do solo: os fundos úmidos e 08 declives inferiores .ão so-'
bretudo relervados àl pa! -tagens naturaia; as verten-tes
são
divididas entre as culturas e uma formação ar -bustiva:ancapoeira". Foi igualmente no contato dê •• el dois terreno. que o colono resolv~u instalar seu habi -tat. As exceções a êste prin_ cfpio de colonização le ex -plicam pela atração das es-tradas re.ponsáveis p e los raros caeos de agrupamento sob a forma de lugarejos e de pequenas cidades.Fõg, 1
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visno d 11. B propried3.doB foi mais notável na metade oei· :lental do Alto Uruguai onde 3.11 cxplotaçõclI com rnenoll de 10 hectares cobrem 1 a ZZ% das supedídes cultiva -da. (fig. 2). De.sas, menos de 10"19 são ocupadas pc 1 11.6
propriedades com mai6 de
100 hectares. O milho. cul·
livllldoern t';das as terras de vertente, constitui a bale de um sistema que permaneceu fundamentalmente policultuM ralo Outras plantaa: feijão prcto, soja. mandioca. arM
roz do "êco - são associadas ao milho 60b a forma do cul· tura I intercala re I. F.!!It .. p,.á. tlca de associação, Bôbrf' 011 mesmos campos. de cereais,
de leguminosas e de raizes.
representa o easendal da
valori~ação do solo pelo COM lona. Ê s t e se contenta em dosar o número e a variedaM
de da 11 plantas por unidade
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ALTO
URUGUAI
de wuperCfctu em função do ijl"ój.\Jde esgotamento dos BO -loe. O" melhoramentos não
são praticado.IJ; os adubos orgãnico8 ou qu(micos 8
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opouco \lu.do •• As culturas de inve rno .ão rarall: alguns
hectares de tri.go podem !l
U-ceder às tlIU,IOcillÇÔ"8 inten_ sivas de verão sôbre as ter_ ras ainda ricas. Sôbre ou
-tros sol08, as terras não
trabalhada, e não aproveita_ da. no perrodo frio
permi-tem uma fraca reconstitui.
ção
da
fertiHdade original.Após um número variável de
ano •• segundo a fertilidade ~
olelal do s solos de floresta Ide lOa 30anos),oeo1000
deixa repousar sua, terraIJ
maia esgotadas por um pe-rrodo de quatro ou cinco
ilnOS. Ê a origem da
"capo-eira~. primeiro estrato de
reconstituição da flor e 11 t a
primitiva. Inculta
igualmen-te ela é retomada em segu
i-da pelas queimadas para ce_ der lugar a um novo ciclo de
culturas maill curto e ainda mais esgotante.
E s ta prática de cultivos intercalare 11 elltá tão forte_
mente enraizada que o colo-no reserva alguns ares ex-clusivamente p a r a plantas comoa cana de açucar, a al
-fafa e o fumo quc não se coadunam num a associação com o milho. Junto
à
casa, o jardim de pequena exten-.ão é o único pedaço de
ter-ra que recebe regularmente
os adubos orgãnicos. Al gu-mas árvorcs frutrreras
es-parsas, àe vêzes ~ parrei_
r a I, completam 0iconjun!O
dai cultural da explotaçao
colonial. A floreeta colonial, enf\m, constitui uma
re8er-va de lenha, de tábual, de eltaCall, para explotação e,
quando ela
é
luIicientemente exten8a, para nova. "roça." que lerão preparadal. como no passado, pelo slatema dequeimadal. Mui t o ex(gua e disperlla para permitir um.a explotação ailtemática, e la
nao dá margem. senao
ex-cepcionalmente, à venda de madeira.
Até aqui êll8CS ailltemall de culturas não .ão ori gi-nai.!!. porque OIJ polil:ultorelJ
tradicionais do Brasil meri-dional os praticam corren
-temente. A verdadeira
ori-ginalidade da ag ricultura co -lonial deve ser procurada
alhures: na inlenllidade do
trabalho humano e nas ativi
-dadell comerciai8 que 011 co-lonoll desenvolveram a pós dois ou três decênio 11. De
um lado com eleito a impor -tância e a minúcia de certos lT1~todos culturais, como ai
capinas repetidas e ali
ara-ções ai saciam muito curio
-samente verdadeirall práti
-cas de jardinagem aos prin-cipias elementarell de
afo-lhamento que precedem. A mecanização se reduz a um arado de lâmina, wna grade
"', às vêzes. uma capinadei
-ra além da t-radicional car
-rêta de quatro rodas. O
es-sencial dê li 11 e s trabalho I é
feito
à
enxada.Fato relativa-mente raro no Brasil, a mu -lher e 011 filhol dos colonos
participam dum~ ajuda
ma-ciça no trabalho dos campoll
durante o verão. O rellulta
-do dês s e 11 ellÍorço.!! se ob
-lerva nos rendimentos das
cultural de explotação colo
-nial onde, apesar do elgota
-menta dOIl laias,
registram-lIe médiu de 10 quintais1hec-tare, para o feijão e a loja, 15 quintais/hectare p a r a o
milho e 10a I2 toneladas/hec -tare para a mandioca. Por
rnedrocres que êlell pOli Iam parecer. êsses rendimentOI
não I ã o menos nltidamente superiorell do que os obtidol pelo agricultor b r a 11 i 1 e i-ro em geral.
Uma cultura comercial, por outro lado. está muito
dellenvolvida nOIl munic(l?iol
.ocidentail após vinte anos: o
soja branco. Não podemos. entretanto, conliderá_la
co-mouma verdadeira
especia-lização. porque é sempre praticada de forma interca -lar.Na origem de grandes esperanças em 1945, esta l e-guminosa de ver
ã
ocerta-mente enriqueceu os lIolos
em nitrogênio, mas tê v e o
inconveniente de aumentar
ao longo doa anos o d".equi-li.bdodoll calendarios de culturas eo ellgotamcnto dos
8010s em follfato e fóllforo.
As outrao culturas de.tina
-da.
à
venda direta não lão mais do que excedentes dapoUcultura cláuica (feijão,
wn pouco de mandioca. abó-borall) ou eltão ainda na fa_
se de ensaio, como o tungue. por exemplo. A colheita do
mate cujae árvores são ge
-ralmente conservadas quan-do das queimadas, completa, às vêzell, a comercialização do' produtos vegetai, de e x-plotação colonial.
A suinocultura, por outro
lado, conatitui a especiali_
zaçãoporexcelência do con
-junto dessas colônia., mais particularmente dOI mun
icr-pios orientais. A maior
par-te da produção de milho. do
soja negro e da mandioca é absorvida, pelai 30 ou I{l po~
Cal que poslui tÔda apro
-priedade colonial de 20 a 25 hectares. Praticada em
chi-queiro e orientada para a engorda, essa criação é
en-tão elltreitamente aSllociada
à agricultura. Sob ésse as
-pecto. e I a contraata nhida
-mente com a pecuária bovi
-na de campo aberto. da qual
se exige apenall algunll li.troa
de lelte e a fôrça de tração. A e llta~~ação noturna d a li
vacas dur-/lnte ai noites frias
de inverno nem mesmo deu margem
à
conltituição daestrumeira entre êeseB
camponêael,;i e, origem eu
-ropéia. ~
A intensidade dessal pro
-duçôe.s e a minúcia das ma
-neiraa culturais variam. em função inverla da extensão dali superfrciee pOlllurdaa,cl>
mo o demonstra o diagrama
n91.Quando pOlsui menoa de
15 hectarel,como éprincipa~
mente o caso no oeste, o co
-lono di m i nu i as pa.tagenll
natuTaile ai reserva I de
fiorelta em proveito das
culturas. Algumal rotaçõel
podem aparecer entre as
paltagens e OI campos cul
-tivadol. Ao contrário, na I
explotações com mail de 45 heclarcs, a parcela relativa das culturas diminui com
refer';ncia
à
pccuária emcampo natural.
ÊIIsea sistemal de cultu
-ra dão a imprenão de ainda não terem atingido um esta -do de po:: rCeito equUr'brio. O colono associa aind.s 011 mé·
todos policulturaill europeus,
baseados n a intensidade do trabalho humano,
à
I técni-cas semi. extensivas adota.
das localmente. Entre elllal,
ai queimadall c a rotação e
-lementar entre c.smpos cul-ti vados e extenso. pousio.,. fraqueza dos melhoramento' e dali fertilizaçócs, a rari_
dade dali sc:leçõell de semen
-tes e a ausência de luta s
i.-temátiça contra a erosão,le_
varam fatalmente a um es
-gotamentocreacente dos 80
-los. De fato. notamos que o colono se apega tanto mail a .eu lote original e aceita mai~ fàcllmente a divi .ão
quantomaill férteis faremos 10101. A comparação das fi -guraI n9 2 e n':' J é, sob êl8e
aspecto. muito significativa: Ela mOltra 'que a parte no
-roeste. onde as pequenall propriedades são mais nu
-merosal, corresponde a um 1010 muito fértil do tipo mull
eutrófico de fiorelta sôbre sub-solo basáltico e sob
flo-relta tropical. Ao contrário,
o leite e o sudeste do Alto
Uruguai, menos lavorecidOI por lIeulI lIolos (mull
eutro-!lco sob cobertura de arau-cáriall, o x i Bolos, litolololl
com pedis A-C) e com re
-lêvos mail acidentados, não proporcionam a melma el -tabilidade entre o. colonol • .
Ao contrário dos campo
-nisea das antigas colôniall.
que frequentemente reduzi_
ram a policultura cláuica em proveito de elpecializa
-çôel definidas e elltáveis nas
explotaçõea geralmente ex!-guas, OI colonol do Alto
U-ruguai parecem ter perma
-necidol a meio-caminho de
um.a agricultura européia do
léculo XIX e da. técnicas do agricultor brasileiro tradi_ cional que lIeUI aecedentel adotaram q ua n d o dOI
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meiros desmatamentos das
ílorelltall Riograndenaes, A casa rural do Alto Uru
-guai, ilustra perfeitamente a situação atual deua colon
i-zação. dividida c:ntte UIYl
meio local muito instável e velhos hábitos europeus. O material mais empr~gado é ainda a madeira. Vá.:lo8 es
-tratai de habitat I a
O
visí-vei" A casa inicial do pio -neiro é construída ,Ôbre es
-tacas e possui um teto de
madeira.. Ela se compõe de uma ou de duas peças atua l-mente utilizadas como cele i-ros de milho. As ea~as cons
-lruidas entre 1925 e 1940,
maia ou menos, mostram que naquela época, ainda, o
empreendimento da. nacio
-nalidades de origem era vi
-goroao. Assim, a casa ita
-liana com subsolo e às vê-zes com \UTl andar, la.,; con
-tralte marcante com os pla
-nos r e.tangulares e ai
varandal das casas alemãs térreas. Geralmente, ê 1 1 e
habitat. que é o mais difun
-didoatualmente, apareee en -velheeido e tem a neees8
i-dade de reformas.ESlla, não são reali.,;adall senão local-mente, perto das eidadell c
nO,1 povoados. Ar se encon
-tram também os rarOIl calloll
de habitação n o va que pe r -deram o I estilos nacionais
em proveito d e uma planta
maill prática do que
é
deno -minado localmente ~bunga_10w".AI construções das e:o:
-plotações manifeatam, maia
ainda do que as casas de mo
-radia, tud&o que essa soeie
-dade rural pode ter de i n a
-cabada e de copiada.Nota-ae
ar, em particular. uma no_
tável adaptação do ngalpão· lrpicodas estãnêii\s gaúchas. 8ai:o:a8 e eom telhados sua
-vemente inelinad09, e s s a s eon5truções que, na Campa
-nha do Sul, servem de habi
-tat e de local de reunião pa
-ra os peões. de proteção pa -ra os arreios e de celeiro.
são aqui. di.vi.didas em trê,
partes, servindo de paiol. de abrigo para a carreta e de estábulo. Êllte "galpão"
é
construido de ma rl e i r a e
é
mal eonlervado, enquantoque pa rOl o eriador gaúcho,
há muito tempo é objeto de construções rliHnitivas.
En-tre aa outras eonstruçõea. o
ehiqueiro ae I i tua entre o
eórrego e a easa. Ainda que s~mplea e_de orientação às
vezes erronea, e •• a cona
-trução é a única a merecer certos e uidados. Chega a posauir a água corrente que
podeeatar aUlente da mo
ra-dia.
C o n v i r ia naturalmente detalhar essaa deseriçõell
em Cunção dali etnia. de o
d-gem.Nota-ae, em particular. que, em certOIl municrpios
de povoamento germânico. as
marca! de estabilidade são
mais nítidas. E m oposição
se situam OI habitats dos
deaeendentea d e polon~aes dei:o:ad05 num trillte abando
-no. Os povoados e aI vilae. por aua vez, mostram que eaaa sociedade rural aoube
ALTO
URUGUAI
criar locnis de reuniões (i -grejas, clubes recreativos),
escolas, uma. infraestrutura
comercial elementar e um
artesanato muito ativo.
Pois, ao final de quarenta
oucinquenta anos de cultivo,
a colonização do AI t 0.
Uru-guai parece haver atingido
um estado de senilidade ,m_ tes mesmo de ter lido
tem-papara uma instalaçãorc_
almente definitiva.
11. UMA SOCIEDADE RURAL
EM CRISE:
De fato, a fraqueza do s
lucros campesinos c o êxodo
rural que afetam o conjunto
do Alto Uruguai mostram
que e 5 t a região está atual
-mente em plena crise. A a -nálise dessas manilestações
nos permitirá. talvoz. carac_
terizarmais exatamente ell
-la 60ciedade rural.
Alguns relatóri08 admi
-nistrativos _ muito elemen_
tares - dos quais pudemos
dispôrmostram os pequenos
rendimentol da t e r r a nas
explotações atuais da região.
No inrcio de 1965, as rendas
anuais variavam de 2.200 a 3.650 trancas para os esta
-belecimentos d e aproxima
-damente 20 ha. Relacionadas
à l uperCrcie efetivamen_
te cultivada, essas margens
apresentavam um mrnimo de
lZ5francos e um máximo de
235 francos por hectare e
por ano. No detalhe, as ex
-plotações menores, in{erio
-res a 10 hecta-res, têm maior
rendimento p o r ~idade de
superfície. Ao c o'; t r á r i o,
além de 30 a 35 he'/:.tares, os
rendimentos por unidade de
superfície estacionam ou di
-minuempara atingir valores
muito baixos acima de 50
hectares. Ê s s e s dados não
fazem senão traduzir o ca_
ráter cada vez mais
exten-sivo dos sistemas de cultivo
à
medida que aumenta o ta-manho das expIotações.
Consideradas sob o ângu_
"
lo da rcmuneraçao do traba
-lho, essas explotaçõessão
"também pouco lucrativas. Estimou-se que o trabalha
-dor rural ganha apenas 49%
do salário mfnimo oncial,
êle mCllmo já muito baixo.
Um recente estudo
econôml-co (l) mostrou, entretanto,
que :lo mno de obra familiar
estava em parte sub-ocupa
-da na maioria das expio ta_
ç~es. O cálculo, que consis_
te em subtrair ai unidades
-trabalhadores realmente ne
-cessárias da s unidade li de
trabalhadores
dillponr-veis fêz ressaltar margens
de sub-ocupação anual vari
-ando de 1,9a 1,1 U.T. nas
propriedades de 5 a 40 hec
-tares. Êsses dados não fa
-zem senão traduzir a má
utilização do tra balho
duran-te o inverno, época na qual
os trabalhos dos eampos são
reduzidos. t certo que o co
-lono poderia diminuir e s s a
sub_ocupação generalizando
os cultivos de inverno. Nos
absteremos. entretanto, de
considerar ellsa má utiliza
-ção do trabalho como um mal
fundamental da cxplota
-ção colonial. Com efeito, a
frieza estatrstica parece
ha-ver esquecido que o "repou
-SOh hibernaI do colono é
muito r e la ti vo. Além dos
cuidados que êle continua a
dispensar aos animais, o
camponêlJ aproveita 0l! dias
frios para melhorar os ca
-minhos, abrir novos campos
e efetuar alguns reparoe nos
prédios da c x p I o ta ç ã o. Os
próprios cálculos de ren~a
bilidade são inspirados em
critérios que parecem bem
pouco adaptados a e s ta so
-(1) José ltamario sá: "Utili
-zação da mão de obra e
níveis de renda em pe-quenas propriedades ru -rais _ Santa Rosa, RGS", n 1965flnstituto de Estu"dos e Pe.quisas Econômicas da Faculdade de Ciências
Econômicas da Universi
-dade do Rio Grande do
S1,I1.
ciedade rural lubtropical. t
bastante razoável, em par
-ticular, aplicar o princípio
das 3.000 horas de trabalho
por ano ao agricultor do Al
-to Uruguai? Z. 700 a 2.500
hora", no!:, pareceriam muito
mais realistas. Permanece
entretanto que. por fnais fra
-ca que ela talvez pareça à primeira vista, essa sub- o-cupação do trabalho
é
real.Ao contrário. é um fator
de produção: o capital. que,
por fraco que seja, não é
desprovido de rentabilidade.
como o p r o v a a rdação do
produto anual ao ativo. Para
as explotaçôes compreendi
-das entre 20 e 30 hectares,
ela varia efetivamente de 49
ai 55'J1. dando uma média bem
aceitável de 91%. Com êsse valor, os verdadeiros objeti
-vos do colono se deCinem: se
trata, p a r a êle, de obter a
máxima produção possr_
vel nos prazos mais curtos
e com o mínimo possrvel de
dinheiro. As evoluções a
longo p r a z o e sem rendi -mento imediato não o inter
es-sam.A orientação que êle dá
aos escassos beneCrciosé
muito signiCicativa sob ;sse
aspecto. Se desejarmos es_ tabelecer uma ordem prefe_
rencial de investimentos do
colono, encontraremos, em
19 lugar, a compra de novas
terras de florestas no Rio
Grande do Sul ou. mais fre
-qÜentemente, em Santa Cata
-rinae Pa:raná; em segundo lugar, <li'compra a crédito de
um automóvel; em terceiro
lugar, o elTlpréstimo a juros.
Viriam em seguida algumas melhorias feitas no habitat
e em ~ertó."'P'fédios da ex
-plou.çao, como o chiqueiro.
Nenhuma ilusão é permitida
sob ê s s e aspecto: trata-se
de lnvestilTlentos que visam
pouco UIlla melhoria da ex
-plotação.
O trabalho e os investi_
mentos dos colono! do Alto
U
rugua
i
parecem'pois
lim
i_
tados pela. noção fundamen
-tal da rentabilidade imedia
-ta. Além dê i i e limite ele realiza l' o u c a s melhorias.
Pressionado por necessida
-des materiai!, pelo eigota
-menta dos solos ou a falta de
terras, êle parte para as c
i-dades ou. m a i s frequente
-mente, para outras terras
de floresta.
Ao tllmpo em que mai~ da
metade dos municrpios do
Alto Uruguai tinha. em
1960, uma população rural
inferior àquela que se pode
-ria eipcrar de scu crcsc
i-menta natural desde 1950, a população urbana da região,
ao contrário, io i acrescida
em ma i s de 350"10 entre os
dois últimos recenseamen-tos. Esta evolução foi mais
sensível nos centros de co-lonização secundários que,
de simples povoados em
1950 transformaram-se em
cidadcs com mais de 3.000
habitante. 10 an09 mais
tar-de (Tres Passos, Frederico
Westphalen, T r; s de Maio.
Tencnto Porteia). Dois cen
-tros de coloni:l;ação princi
-paill. Santa R o s a e Erexim,
abrigam atualmente maie de
12.500 e Z5.000 habitante.
embora nãofôsaem lIen30
-grandes vi.lasn em 1950. Os
novos citadinos se tornaram
artesõcs, come rciantes e o
-perários de Cábricas ou de
cmprêsas de tranlportes.
Uma outra forma de êxo
-do rural, infelizmente igno -rada dai estatí.stica.s • .se
manifesta pela 9 migraçõclJ maciças de colonos para a8
terras de floresta do oeste
de Santa Catarina, do Para_
ná e melmo do Mato Grosso.
Êste êxodo é tão antigo como
a colonização do Alto Uru
-guai. Ê 1 e foi iniciado pelos
elementos brasileiros q u c
partiam após terem cortado
e vendido a madeira de seus
lotes do Rio Grande do Sul ..
Verdadelros colonos desejo
-sos de cultivar as terras de
ílorestaaindavirgens os ae
-guiram. são êles. frequen
-temente, jovens casais que
partem para se instalar .ô
-bre as t c r r a s que os pais
adquiriram há v
á
r i o s anosde empresas privadas de
colonização de Santa Cata ri_
na e do Paraná. Sua partida
nem li e m p r e era precedi.da
da venda dos antigos lote!
que continuam a abrigar a
familia composta pelos pais
ca-"""do. MfI! exist"n1. I;, .... nbo;nl,
numerosos casos de famnias
inteiras que abandonam o Rio Grande do Sul llnpubio_
nadas por uma fôrça que não
provóm 1I011umte da n1isérto..
Até 1964, com efeito. as
ter-ra8 virgens do oeste de
San-ta Catarina e do Paraná
va-liam Z a 4 vêzes ="0011 do
que aquelas do Rio G r a fi d e
do Sul. Em lugar de
perma-necer "ôbrf: seu" lotes de terrl'l. ".gota.dall que QII te_ riam obrigado a invelltimen_
to. de vulto muito dOIl colo
-nos do Alto Uruguai acharam
mailllógico adotar a solução
braoUeira por exce1';ncia: a
migração para out1'alll t"1'1'a •• virgens e baratas. De 100 a 400 famÍlias partem. assim,
anualmente. de cada municí -pio da região. à procura das
"terral! novas", fornecedo_ ras de aI t o 11 rendimentos,
de.de 1958 aproxi
madamen-".
Segundo a proximida-de geográfica. dessas terras
e a direção tomada pelos
primeiros emigrantell,le estabeleceram verdadei_
ras correntes de znigração
inter_florestalll. Os lTIunicC -pios ocidentais do Alto Uru
-guai perdem assim sua po_
pulação em proveito do Pa -raná (munic(pios de Rondon,
Toledo. Foz do Iguaçú. No
-va Santa ROIa); o oelte e o
centro de Santa Catarina. ao contrário. continuam a atrair
os colonos de Erexiln e dos
munic(piol vizinhos. 011 dell -locamentos são feitos prin
-cipalmente em c a m i n h ã o, apó. a. colheitas de fim de
verão. Durante o inverno
que se segue à sua chegada,
os colonos efetuam ÇlS pri
-meirOI desmatamen(oll. Lá tipos e lIistemas de \ ultura
lao exatamente OI lllelmOI
que OI do Alto Uruguai. Não
conhecemol lIenão algumas
tentativa I, nem sempre co·
r O a das de lIuceaso. para a
cultura do caíé.
Há
váriol meses, elllal miirações diminuem de in-tenl1dac\e. A ra:tão é lIIimples: um hectare de terra boa va_ le, atualmente, de ISO. 000 a
Z
o
o.
000 /",.) cru:teiroll no Pa-raná ou em Santa Catarina·
Nu Riu Grande do Sul. de
ZOO.OOO a 300.000 (0) cru
-~eir08. A êste aumento do
prêço dali terras, uma outra
ra.~ão Stl uniu para lo rna. r
mais lentas as partidas: o
saco de mi.lho se vende a
1.500
C")
cruzeiros nOIl CII-tadoll io norte contra 6.000
(~) crur.ciro5 no Rio Grllnde
do Sul. A produção do oeste
do Paraná e de
Santa
Cata-rina tende a lIer vendida. a
-gora, no Rio Grande do Sul.
E H 11 a 11 contracorrentes co
-merciaill, norte_lIul, não
fa-7.em senão preceder de al
-Iluni JC;lieló 011 primeiros
retornol de colonos para OI
antigos lo t e $ gaúchos. As
-sim. ali vagas de
entusias-mo iniciais diminuem ao
passo que a desorganil:ação
oua milléria crescem nas
{amnial camponês as do AL -to Uruguai: em suma a cri
-se deasa Sociedade rural
promete ingressar numa
ver-dadeira fa 11 e de paroxillmo
no decurso dos próximos a
-nOI.
IlI. O PÊSO DE 4M ISOLA
-MENTO
As dificuldades atuais dOI
camponêses do Alto Uruguai
aparecem. então, ligadal. a dois problemas íundamcnR tais. O primeiro se
relacio-naaopróprio princ(piõ da
colonização. que foi in
-tegralmente respeitado:
aquêle que consistiu em dis
-tribuirlotes de Z5 ha IÕ
-mente· a famniall coloniais
comprovadamente prol(fi_
caso !: certo que essas con
-cessõel não foram
suficien-tes para fixar os de sceden-tes dos pioneiroll. O resul ta-do foi a partida dOIl jovens.
O êxodo de uma parte da
po-pulação ativa lIe desempe
-nhou o pa-pel de válvula de
segurança, po uc o Cacilitou,
entretanto, a reconversão e
a modernização daI explota
-ções agr(colas deixadas aOI
cuidado I de camponêses
idolOs e em parte analfabe
-tos. A 1 é m do mais, a forle declividade dai verten -tel cultivadas junto ao do (_.) As cifras referentes oCr$de-vem ser redu:tidos o seu
valor
9 -tuol, com o wpressÕo dos Ires ul -timos algarismos.Uruguai conlltitui um sério
obstáculo à mecanização.
Vi.5ta dêssc ângulo. a
questão seria das maill dáll
-S1CIIS e "eri'"amos tentados <l
relacionar a atual situação
do Alto Uruguai àquela I das
médiall montanhas européias
no século XIX. M-aa existe,
como vimos. UlTI outro pro
-blema que não é mais euro -peu e lIim ttpicamente bra
-sileiro: relaciona-se às téc
-nicas e aos princ(pioll
mel-mo de valorização do 1010.
Tail empréstimos de
técni-cas "cablocas· são antigos. poill datam das pri.meiras fases da colonização r i 0
-grandense. Elltavam .llcl
ainda em vigor nas antigas
colônias ao ini'"cio dêste lIé
-culo. Em outrall palavras. o
colono do AI t o Uruguai não
deu nenhuma contribuição
nova aos métodoll de cultivo tomados dos primeiros des
-bravadores, exceto a
intro-dução da cultura do soja e do
delenvolvimento da criação
de porCOII. J!: essa incapaci_
dade em criar formas
está-veill e novas de explotação
do solo que se trata de com
-preender.
Desde o início da colon
i-:tação. o pioneiro encontrou
dificuldade 11 que dCllencora_
jaramum pouco lua instala
-ção definitiva. Os a t r a s o s relativOII àsdelimitaçõe, dos lot~s" a má dia:ribuição
dai terra" em funçao da
to-posrafia. a ilTIprecilão dos trtulos de propriedade, a au
-sênciaou a inlluficiêncla doa
auxnios * t é c l?-.
c:..0
s condu-:tiram a uma inéerte:ta ini
-cial na apropriação e utlli -:tação do .11010. E li S a li mál
condições criaram no colo
-no. instabilidade e WTla men -talidade de beneí(cio imedia
-to, muito próxima daquela de
(0) Atualmente 150.200.300. 1.5 e 6 cru:teiros nos 50S agricultores arren_
datários que não fazem mail
do que
passar
poruma terra
que eles nao posluem e que
nao tem nenhum ioterêíse
em manter.
No caso do Alto Uruguni, êIJlH!S problelllllll .,dqulriran1 uma amplitude de",conllecida até então porque õI regiio
estava i"olada.
t ••
e tllOla -mento foi temido pela admi-nistraçãoque. jus t a me n t e
havia decidido colonizar in
i-cialmente somente 011 set
ô-reli servidos pela via férrell:
Erexim e sua região; apo:is,
Santa ROlla. O s uc e s s o da
colonização mui t o ràpida
-mente ultrapassou ê.ses li_
mitell. O camponêl êle
mes-mo lIe isolou, precedendo. a
ti'"tulo geralmente ileg(timo.
o povoamento o f i c i:a 1. Foi essa uma evolução perigosa. como o dcmon81ra a .aituação
presente. Atualmente, duall
linhall férreas de bitola es -treita constituem os único I
e.coadores permanentes pa.
ra Pôrto Alegre. Não exill_
tem maill de :f) km de eltra
-das asfaltadas nas novai co
-lônias. Um caminhão neces
-sita de 20 a 25hora~ para
unir ali margens do Guaiba
às do rio Uruguai. com bom tempo.Noinverno, ai estra
-das de terra. mal ou não e
n-.aibradal. tornam-Ie (r e -qtl.entemente impraticá -veis após um dia de chuva.
Else isolamento pri.vou o
Alto Uruguai de uma preclo -lia pOlIsibilidade de evolução.
fechando-lhe em grande
par-te os mercados de Pôrto Alegre e dai grandes clda
-dei rio_grandenses. são
sempre as velha. colônias que continuam a aprovilio
-nar
ê
111 e I mercadOIl urba_nOIl. Nellsal condiçõe •• foi para os mercadol de Curiti-ba. são Paulo e Rio de Ja -neiro que o Alto Uruguai se voltou, Êles obrigam a per -cunos de 8 O O a Z. 000 km, por rodovia principabnente.
Adivinha-se Càeilmen
-tequeelsal condições de mercado lubmeteram ràpi
-damente o colono ao mundo
rural não agr(cola dOI trans -portadorell e doa indultri -ais ••• E a que prêçoa!
A escala local, o colono pallla assim por doi, inter_
mediários de "lo n g o I den
-tes". O comerciante. e.ta_ belecido nos lugarejos e po
ALTO
URUGUAI
voados. é po T cxcelencia o
grande parasita dessa socie-daue rural isolada. Com eleIto do leu estabelecimen-to dependem !unções tão va -riadas como lucrativas de entre pôs to. de tran8porte, de venda de produção. de mer
-cearia por atacado. de bar ..• A êsse comerciante, o colo_ no compra 06 artigos de men:;earia, as sementes, as
ferramental que pagará ...
após a colheita. C o m o ga_
rantiaêle 381ina 08 Carnosos
"vales~. espécie de bônus
emItidos ! Ô b r e o valor da colheita, os quais .ão ven -didos pelo próprio comer-ciante. No momento do acêr-to de contas adivinha-se ra
-cilmente que as vendas do
colono. agravadas pelo im
-P08tO e pelo transpol't ... n;n
pesam muito 'face às com-pras anuaIs que o comerci
-ante, freqüentemente. tomou
cuidado de awnentar ... A
o-rigem do" lugarejo" e povoa-do" é também muito instru -tiva quanto ao papel do comer. ciante no seio dell"a "ocieda
-de rural. Ape"ar de que ima-ginemoll candidamente ter s).. do a igreja,a e"cola ou o clube
dominical que precederam o agrupamento, a história' de vários dê""ell agrupamentos
nOI convenceram, ao
contrá-rio, que é o come rciante
quem e I t á freqtl.entemente
na origem doa me"n,u ... A~ tucio"o,êle possibilita a
construção de wna igreja ou deiuna escolaõalgun" exem_ plos no" mostraram 'que êlel chegaram até a conltl'uir um
dêlllell estabelech-1entos.
Em escala maior, as
"0-ciedadea anônimal instala
-das nas cidades coloniais ou vizinhaa d a a colônias co-mandam as grandel alavan
-ca" da evolução da "ocieda_ de rural. Não contamos le -Ilão uma cooperativa entre
O. nove frigor(fico. exilten_
tel no Alto Uruguai. Ênea eltabelecimento" .ão inata
-lados quando a r
ê
d e .de el-18
tradas permite e a criaçao de porcos está pràticamcnte sob sua dependencia. Ocorre o mcsmo para a" seis usinas de refinamento de oleagino -sas cuja concentração no
Oeste explica diretamente a a repartição geográfica da
cultura do soja. Ao contrá -rio do comerciante, ê" se" t!stabelecimentos dcscmpe -n h a m, incontestàvelmente,
um papel positivo no seio da
sociedace rural introduzindo
novos rr.étodo~ de cultura e
oferecendo aos colonos aju
-da técnica e, às vê z e s, fi
-nanceira. Mas elta medalha tem um reverso: o camponês
deve destinar a totalidade de
sua produção à usina e re
-embolsar a s ajudas quando dos acêrtos do fim da co -lheita. Aí. também a margem de discussão que lhe é ofe -recida é das mais reduzidal.
Maa lo isolamento do co -lono não é somente
geográ-fico e comercial. Êle existe
ta m bé m nas mentalidadel
que permaneceram simultâ
-neamente individualis -tall e tingidas, de um nacio -nali.mo lo n g l. n q ti. o mui.to
surpreendente. "sob êne úl -timoponto de vista a coloni~ zação oficial não' conBeguiu dispersaras colonos de ori~
gem estrangeira a fim de e
-vitar uzn enquistamento cu-jas g r a v e s consequências conhecemos no início dê.te século. A instalação do" no -vos pioneiros foi feita, efe -tivamente, por grupoa, no
dia a dia, em lotei delimita
-dali às prellsas. Como ês.es grupos se apre aentavam aempre compoatos por ele~
menta. lingulsti.camente ho
-mogêneoa, a colonização re-constituiu núcleos de origens
italiana, alemã, polonêsa ou
brasileira. Enquanto ê 11 s e . últimos, excelentes criado
-resma. lofríveil agriculto
-. res, periclitavam ou partiam após haver explotado sã-mente a. madeiras de .ua.
terra., os outrol Be ilola
-vamo
Quando os imigrante.
mais recente. de origem
e s trang eira j untararn-s e-lhe
a.
tratava~.e sobretudo de
nao-rurais (operários de ulina, funcionários) inc apa-zcsde acrescentar oque
quer que CÔI s e de novo às práticas culturais tradi cio-nais. Nes!:iae condições, não restava, a essa sociedade rural isolada e separada,
,enão uma pouibilidade de evolução: aquela que limita_ va n>'l imitação dou ra~ou e-xemplos de progressos que podia conseguir. O drama
era que os bons exemplos não abundavam muito e que
não eram sempre seguidos. A massa da sociedade rural se encontra atualmente en -tre dois tipos de líderes, dos quais não lIoube conciliar 011 ensinamentos wn pouco con -traditórioll. Existe primei -ramente, o lideI: colono que
enlina a prudência, perpétua o mito da floresta e dá o exemplo da intensidade do trabalho humano nas expIo -tações de pequeno porte. Êle l .. lvez possa e s ta r na or
i-gem da introdução de novas
culturas, como Cai o caso do
lIoja. Entretanto, se OI tipos de cultura puderam .e en
ri-quecer expontâneamente no seio da sociedade r u r a I, o mesmo não aconteceu com
as técnicas, que permane~
ceram antiquadas. Essa
úl-tima insuficiência d e v e - se certamente, ao desejo de
in-vestir o menos possível na
explotação. Mas ela se ex~ pUca taljT!bém por uzna atitu -de -de recusa ou de desconfi-ança oposta ao segundo tipo de lider: o engenheiro agrô -nomo e o veterinário que, delegados junto ao colono pelos ó r g ã o. love rnamen-tail, lhe parece muito fre -qüentemente como os repre -sentantes do!! uma sociedade
gaúcha tradicional e, sob êsse aspecto, um pouco estrangei -rOI e vagamente hostíl.
Eis ai uma atitude notá-vel e que uzna ob.erva -ção lupe rUcial, aparen
-temente confirmada pela te -naeldade do. dialetos não portuguê.el, atribuirá facit~ mente a uzn nacional
is-mo sobrevivente a t rês ou quatro geraçõp. •. EI",>'I des_ confiança, que não é .Omen~
te camponesa. n a o reflete,
em verdade, wna hostilida -de, mas antes um certo sen
-timcntode inCerioridade e meamo de oprcssno do co
-lono frento!! ao m eio ga~cho tradicional. Deve ser com -preendido, efe t i. vam ent e,
que, para o colono, o gaúcho éo grande prop'l'ietário
c riador que manifesta um certo desprêzo para com os colonos. Êates também fo· ram wn pouco perseguidos
durante a última guerra mun -dial. Pa 1">'1 n081l0 propó.ito. importa menos julgar e8sas atitude. do que fris_ar as deploráveiS conlequencias: o colono, ou se recusa a se
-guir os conselhol vindos do exterior ou. melhor, tenta grosseiral aplicações do s
ensinamentos mal assimila -dos por Calta de contatos ou
de confiança.
Torna-Ie necessário, fi -nalmente, para provar defi -nitivamente o p a p e 1 funda.
mental do isolamento, obser
-vara que sucedeu à socie -dade colonial ao r e d o r das cidades Que conheceram o
grande crescimento de po-pulaç ão descrito m a i s aci -ma. Em particular, as dual cidades de Santa R o s a e de Ereximeonstituem atua~ mente, nas duas extremida -des da região, remarcáveis polos de c rescimento. As fa
-cilidades de comunicação e o contato com o campo rom -peram, precisamente aí, o isolamento em todos os seus aspectos. Nwn r a i
° de
al-guns quilômetros ao redor das aglomerações urbanal,aparecem mudança~
lensr-veis no meio rural. A extre -ma divisão das propriedado!!s
é compensada pela especia· l\zaçãodas produçôes (legu -mes, frutas. leite) e das téc -nicas culturais nas quaia a. noções de afolham~nto e de
rotaçãoaãc conhecidas e praticadas. Nêsse meio, doi. organismos oficiai I de cré -dito e de ani"tência r u r a t
(2) substituiram o autofinan -ciamento tradicional e •
ã
o apoiado. por wna população jovem e alfabetizada. A rê-de rê-de intermediárioa foi empartu rompida pela organi
-zação de 93 cooperativas a
-gd colu (fig. 4).
Mas, sobretudo, UIn
me-lhor conhecimento dos mer_
cados, das novas técnicas de
produção e das facilidades de crédito oferecidas pelo Banco do Brasil conduziram
a. no va s formas de migra
-... .;cs, cu j '" import;ncia foi
muilomal apreendida até
nqui. Tr/ltn.sc:, c:om efeHo,
de wn verdadeiro inrcio de
invasão do Mcampo" pelo
an-Hgocolono que se tornou um
"granjeiro", i. e •• W1l fazen
-deiro de grandes explotações
de trigo e de soja sôbre as
terras alugadas aos cri
ado-res. Eua conquista foi ini
-cic.da em 1947, quando o go_
v':;rno federal dc:cidiu finan.
ci .. rltr"'pb.rn"nt" a cultura uu trlljunuRlo Grando do
Sul. Em 1955, uma .,sp':;ci"
de frente pioneira agrícola existia e opunha o tradicio
-nalc:riador gaúcho aos colo
-nos plantadores de ori
-gem estrangeira, alemães, e
italianos sobretudo. A tua
1-mente, os municrpios de campo vizinhos à região co
-lonial consagram m ais de
132.000 hectares à gr ande
Fig, 4
o'
,
00. o SANTA RQSA @cultura mecanizada P). Dês
-te total, 95. 000 hectares es
-tão em mãos de antigos c
0-lono~. Todoll êSlles colonos
passaram, de vári.all manei_
rall, pela cidade.
(2) A ASCAR ou AIIsociação
Sulina de Crédito e
As-sistência Rural e o Ba
n-codo Brasil{Seção Agr
í-cola).
(3) Es.as cifras referem-se
aomente às e,,;plotações
de campo com mais de 35 IHlclareij.
Nell!la oportunidade ôl e li
puderam romper seu iaol
a-mento.abandonar o velho
mito da floresta e enfrentar
nao aem sucesso, mas aem
nenhuma violência,o prinle
i-ro ocupante, o criador
gaú-cho.
Finalmente, a região do
AHo Uruglu.ai se encontra
a-tualmeuterla Bituação da. velhas colonias no início do
século. Nal'J.uela ':;poca. o i~
!lolamento da m a i o r i a doa
camponêses se traduzia
tam-bém pelos mesmoll erros,
pelas
m
es
m
a
~
crilles de rendimento e po'"" migraçõessimUarell para as cidade.
.
.
,
ou para outras terra. de
norellta, precisamente 3.l'J.ue
-las do Alto Uruguai. e. tam
-b'::m. de Sanla Catarina.Mas,
nessa época também, exis
-tia urna abertura para o
campo para aquêles que
ti-nham a oportunidade de pas
-sar pela cidade e ar
apren-der que as terra8 de campo
se prestavam, elas também,
às culturas c, empa.rticular,
à
orizicultura irrigada. EstaÚltima atividade deve, em
parte, lua grande diIusão a_
tual ,.a depressão central e
.ôbre OI terraços da laguna
dos Patos, à i.nvasão do ca m-po pelo 11 colon08.
ASllimocolono do Alto
Uruguai, illolado e pre
ssio-nado s~bre suas terras es
-gotadas e dividida~, não (lS~
tá longe de atrair a verda
-deira revolução agTária ao
Rio Grande do Sul. i:':le hesi~
tou muito ante as terras de
campo que lhe pareciam 1
-naces~rveis e sobretudo im_
próprias à cultura. Penetrou
ar porque não poude migrar
para outrall terra.8 de flo
-resta, porque começava a
romper'seuisolamento e
também porque era muito a
-judado pelos órgãos oficiai~
brasileiro~. Então, após ter
adotado uma primeira solu_
ção americana, squela da fa~ mo~a "chama pioneira" d ...
crUa por Monbeig, o campo
-nêadas nOVa!! colônias do
Rio G r a n d e do Sul parece l'J.uerer retomar a sr o papel
de um outro agricultor eu_
ropeu em América: aquêle
dos colonos do. Estado.
Unidos. Pensamo., e n tã o,
nas dellcriçõel de B a u li g
mostrando os anos de hesi
-tação doa pioneiro' d i a n t Q
de uma paillagem sem árvo
-re~, per(odo 'eg\lido de r~~
pida colonização da pradarla
pelas culturas. No Rio Gran
-de do Sul Ioi dado o prime
'-ro pasllo neSlle sentido. Uma
evolução simultâneamen_
te expontânea e dirigida pa
-rece que deverá sub.istir
à
solução ci rúrgica deuma
reforma agrária por de.a.
propriação e redistribuição
das terras. Ê certo que os
velh08 err08 de uma coloni
-zação ávara em terras de
flllresta se ellfuma'rão, ai
-multâneamente com o atra.o
das técnic811 e os dialetos
dos coionos. se o i.olamen
-to dêsses camponêseifôr
rompido.
0 0 .
O
0 0 00
FR[OCIIIC8 WESTPHAI.[I~
0 00