UNIVERSIDADE
FEDERAL DE SANTA CATARINA
'CENTRO
sócio-ECoN('›1vIICo
CURso
DE
GRADUAÇÃO
EM
CIÊNCIAS
ECONÔMICAS
ESTUDO
DA
REFORMA
ADMINISTRATIVA
DO
ESTADO
l
Monografia
submetida ao departamento de
ciênciaseconômicas
para obtenção de carga
horária
na
disciplinaCNM
5420
-Monografia
Por
Luiz Ricardo Espíndola
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O
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¬Orientador: Prof. Francisco @:pAssis§ordeiro E
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Florianópolis,
Setembro
de 1998
,7_- ,
W
UNivERsi1›Ai›E
FEDERAL
DE
SANTA
CATARINA
CURSO DE
GRADUAÇÃO
EM
CIÊNCIAS
ECONÓNECAS
A BANCA EXAMINADORA
RESOLVEU
ATRIBUIR
A NOTA
AO ALUNO
LUIZ
RICARDO
ESPÍNDOLA
NA
DISCIPLINA
CNM
5420
-
MONOGRAFIA,
PELA
APRESENTAÇÃO
DESTE
TRABALHO..
,_.._...._...__. ...__..»..__
BANCA
ExAM1NAi›ORAz
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(
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~~~~~ ~~”“”"?-Í”--‹-é2 _.› , _. .____.,...z---._..._._..._._-_* ..Prof. Francisco
de
AssisCordeiro
Presidente
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Ez¬_W_...M,E
”}ffT//>
rof.
Custodio Horacio
da
SilveiraMembro
/É??
,/×PF‹ÍÍ1.øÇ[daIeto Malvessi
Aued
“...
Se
todos os seus esforçosforem
vistoscom
indiferença,não
desanime,porque o
solao
nascerdá
um
espetáculotodo
especial e,no
entanto,a maioria
da
platéia continuadormindo”.
(Leon
Denis)0
i _
AGRADECIMENTOS
-
A
Deus, criadordo
homem
edo
universo,que
incomparável e inconfundívelna
sua infinitabondade,
compreendeu
o
meu
anseio edeu
a necessáriacoragem
para atingir «omeu
objetivo.Ao
corpo docentedo Departamento
deEconomia, que
contribuiramcom
conhecimento e g didática, eem
especial ao Professor Franciscode
Assis Cordeiro,que
me
orientou e auxiliou paraque
este trabalho chegasse ao térrnino.Aos meus
pais (pai inmemorian)
que, alémda
vida,deram
apoio e incentivo.A
todos aqueles que não estãocomigo
fisicamente,mas
que levam
a vidaem
outros planos,ou
'que
em
nossa saudade.Em
especial aminha
namorada
Fabíola, companheira dasjomadas
e dashoras certas e incertas desta caminhada, ,que digitou este trabalho e
também
soubeme
incentivar edar
ânimo
paraque
estamonografia
chegasseao
seufim.
Portanto, dividam hoje comigo, os méritos desta conquista,
porque
é tãode
vocês quantominha. .
A
todos vocês e aquelesque
contribuiram de .uma forma diretaou
indireta, osmeus
sinceros agradecimentos!u ~
~
LISTA
ma ANEXOS
A viiCAPÍTULO
1 1_
INTRODUÇÃO
oi 1.1~
Problemática , O3 1.2-
Objetivos04
1.2.1 - Objetivo Geral04
1.2.2 - Objetivos Especificos04
1.3~
Metodologia ,O4
' _CAPITULO
II - 2 -MARCO
TEÓRIOO
os
2.1 -
Panorama
sobre Administração Pública e reforma '052.1.1 - Cenário político das refonnas
em
geral 052.1.2 - Estado e Administração Pública '
06
. 2.1.3 -
A
agenda
das reformas08
2.2 » Desenvolvimento
da
Administração Pública e suas reformas 112.2.1 -
A
resistência às reforrnas12
2.2.2 - Estratégias para implementação
de
reformas 13cA1>íTULO rn
3 -
CENÁRIO
DA
REFORMA
ADMINISTRATIVA
163.1 -
O
aspecto político dasReformas
Administrativas 163.2 -
A
Burocracia e a reforma 183.3 -
Reforma
e política pública 193.4 - Periodização
da
Administração Pública e sua relaçãocom
Reformas
Administrativas20
CAPÍTULO
IV
_4
-CARACTERIZAÇÃO DAS
REFORMAS
ADMINISTRATIVAS
NO
BRASIL
25
4.2 -
O
enfoque sóciotecnológico e outros aspectosA
4.3 - Predominância
dos
enfoques nasReformas
Administrativas BrasileirasCAPÍTULO
V
_5 _
PROPOSTA
DO MARE
5.1 -
A
justificativasegundo
o
pontode
vistada
Proposta Governamental5.2 -
O
déficit público e a propostado
MARE
~
coNcLUsOEs
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
vii
4 A A
H A A
A
LISTA
DE
AExs
i'~fANEXO
01
-
Período Republicano
49
ANEXO
02
-
_Período:
Nova
República50
ANEXO
03
-
A
AcA1>o1
`1 -
INTRQDUÇÃO
O
assuntoReforma
Administrativa étema
permanentena
Administração Públicade
muitos países, constituindo-se
em
constante preocupação dos governos. Atualmente, muitos delespassam
pela experiênciada
reformulaçãodo
aparelho estatal (China, Japão,Nova
Zelândia, Inglaterra, Espanha, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia,Panamá)
numa
demonstração inequívoca
de que
algo está sucedendona
Administração Pública.A
reforma administrativaque
se objetiva estudar nesta pesquisa relaciona-secom
a reformulaçãodo
aparato administrativodo
Governo
Federal Brasileiro,que
expressa suaspolíticas
govemamentais
através dos poderes constituídos.No
Brasil, a competência paradispor sobre a organização e funcionamento
da
Administração Federal é delegada aoPoder
Executivo pela Constituição de 19881.
É
a partir das atribuições e competências constitucionaisque
o Governo
se legitimaa propor medidas de organização e funcionamento
do
aparelho administrativo estatal.Por
aparelho administrativo, entende-se a estrutura organizacional
ou
burocráticado
Estado.O
Estado, por sua vez, é mais abrangente
que o
aparelho,porque
inclui adicionalmenteo
sistema constitucional-legal,
que
regula a população nos limites deum
territórioz. Pode-sedizer
que o
aparelhodo
Estado executa as decisõestomadas
peloGovemo.
1 BRASIL.
consúúúçâo Federal de 1983, in. 111 e zap. vn, ta. Iv, cap. 11.
2 BRASIL.
Ao
longoda
históriada
administração pública brasileiraforam
criadas instâncias(comissões, departamentos, ministérios, programas, dentre outras) para gerenciar
0
complexo do
aparelho administrativodo
Estado, necessitando,conforme
as tendências eoportunidades, diversas e constantes reformulações. Dentre estas, pode-se apontar:
1)
Reforma
Administrativa (1930),2)
DASP
(193 6); ç3)
Comissão de
Eñciênciano
Ministérioda
Educação
eSaúde
(1937), 4)Comissão
de Estudos e Projetos Administrativos -CEPA
(l956);5) Ministério Extraordinário para a
Reforma
Administrativa (1963),6) Ministério
do
Planejamento eCoordenação Econômica
(1964),7)
Comissão
Especialde
Estudosde
Reforma
Administrativa eReforma
Administrativa (1967),
A
8) Ministério
da
Desburocratização (l979);9)
Reforma
Collor (l990);10) Proposta de
Reforma
Administrativado
Govemo
Fernando HenriqueCardoso
(1995).
A
última reorganizaçãoda
administração ministerialdo
atual governo eleito, porexemplo, criou
o
Ministério da Administração eReforma do
Estado(MARE),
cuja funçãoespecifica
é
ade
reformaro
aparelhodo
Estado.Neste
sentido,o
estudodo tema
reformaadministrativa mostra-se pertinente e
de
grande importância para a administração pública;1.1 -
Problemática
.O
problema da
presente pesquisa é a análise das reformas administrativasdo
aparelho estatal,
dando
enfoque a propostada
reforma administrativado
Ministérioda
Administração e
Reforma do
Estadodo
Govemo
Femando
Henrique Cardoso.u
Profimdas
mudanças
vem
ocorrendono
campo
econômico
eno
campo
político- administrativo desde a década de 1970.Sob
a ótica econômica, asmodificações dizem
respeito à
remoção
.de idéia deeconomia
centralizada paraum
sistemaeconômico
orientado para
o
mercado.Na
esfera político-administrativa, a tendênciatem
sido aemergência de políticas pluralísticas e democrática, predominantemente
no
Leste Europeu.O
tema
proposto refere-seao
estudoda reforma
administrativado
aparelhodo
Estado
constante basicamente dos seguintes documentos: 1) Projeto “OrganizaçõesSociais” e proposta de
“Emenda
Constitucional”,que
modifica o
capítuloda
AdministraçãoPública, acrescenta
normas
às disposições Constitucionais Gerais e estabelecenormas de
transiçãos; e 2) Plano
da
Reforma
do
Aparelhodo
Estado4.Face
à temática,o
problemade
pesquisaque define o
estudo é:em
que têm
consistido as
reformas
administrativasdo
aparelho estatal, incluindoa
atualproposta
de reforma
administrativado
Ministérioda
Administração
eReforma do
Estado
do
Governo Fernando Henrique Cardoso?
3 BRASIL.
Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado, 1995.
4
1.2 - Objetivos
1.2.1 -
objetivo Geral
Após
análisedo panorama
sobre a Administração Pública Brasileira e sua reforma,objetiva-se analisar a reforma administrativa proposta pelo
MARE.
1.2.2 - Objetivos específicos
a) Contextualizar a Administração Pública historicamente;
b) Descrever os determinantes
da
atual propostade
reforma administrativado
MARE;
c) Identificar os possíveis fatores
comuns
entre as diversas reformas; -d) Analisar a proposta de reforma
do
MARE
com
base nas reformas anteriores;e) Verificar
a
relaçãoda
propostado
MÁRE
com
o
déficit público.1.3 -
Metodologia
A
metodologia adotada está baseadana
pesquisaem
diversas fontes (revistas técnicas, legislação, proposta de refoimado
governo)que
permitiram retratar vários0 v Í i i E
cAPiTULo11i
'HM;
MARCO
TEÓRICO
2.1 -
PANORAMA
SOBRE ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA
E
REFORMA
A
seguir será analisado“O
Cenário
Político dasReformas
em
Geral”
que discutea esfera política
como
um
fator determinante nas reformas administrativas; “Estado eAdministração
Pública”que
fazuma
reflexão sobreo
papel dos protagonistas na relaçãoque
se estabelece entre a figurado
Estado e a da Administração Pública,na
qualidade de.gerenciadora das decisões
de
Governo; ea
“A
Agenda
das
Reformas”
que
qualifica etipifica,
em
linhas gerais, a essência das reformasque
sepromovem
no
aparelho estatal.2.1.1.
Cenário
Políticodas
Reformas
em_Geral
Este item analisa a questão da reforma administrativa
no
âmbitodo
cenário político,entendendo
que
a administracão 'e a função pública estão relacionadascom
a concepçãode
Estado político.
A
reforma administrativa acarreta conseqüências importantes não sóno
conceito de função pública,
mas
também
na organização ena
estrutura defimcionamento do
aparelho administrativo estatal.
O
enfoque político, dentre as diversas perspectivas de análise da reformaadministrativa
do
aparelho estatal, consisteem
apresentar aspectos teóricos relacionadoscom
o
papel e a fiinçãodo
Estado. Este conceito diferedo
enfoque administrativo porDiversos são os autores
que
sinalizam a situaçãode
criseem
que
se encontramo
Estado
brasileiro e a administração pública.Do
pontode
vistade
crise,há
o
entendimentode
que
a administração pública éuma
das instituições mais poderosasdo
Estado nas últimasdécadas.
Por
isto éque
ela está sendo inseridana
discussão sobre reforma administrativa.2.1.2 -
Estado
eAdministração
PúblicaA
sociedade politicamente organizadacomposta
pelas classes sociais éque
estádefinindo a natureza e
o
papeldo
Estado.As
classes sociais são as articuladorasde
mudanças. Dentre essas classes, a elite
econômica
é a mais interessada nas reformasna
perspectiva
da manutenção de
seus interesses.A
existênciade
classes interessadas nasreformas,
como
categoria politica, é visualizadaem
Aristóteles(A
Politica, 1991, p. 178).O
autor
comenta
que na “democracia sóocorrem
sediçõesda
parte das minorias oligárquicas,e
não do
próprio povo; (..) e para falar exatamente, neste casonão
se tratanem mesmo
de
sedições”.
'
Embora
a formulaçãoda
reforma administrativa, neste estudo,não
inclua a categoriaEstado
como
núcleo central para análise histórica, deve-se salientar,no
entanto,que
osaparelhos administrativos
do
Estado e, por conseqüência, a aparelhagem burocrático-administrativa pública é
uma
condensação material de classes.Esta constatação é reforçadapor Bresser Pereira (1995-A)
quando
este afirrnaque
“O
Estado é a forma atravésda
qual os setores mais poderososda
sociedade civilimpõem,
ou
tentam impor, sua vontade sobreo
restanteda
população”.Em
outrapassagem
complementa
a assertiva anterior:“o
Estado éuma
estrutura politica,um
poder organizadoque
permite à classeeconomicamente
dominante tomar-setambém
politicamente dirigente e assim garantir para si a apropriaçãodo
excedente”. Parece haver coincidência entreA
Política de Aristóteles e as idéias manifestadas por Luiz Carlos Bresser Pereira
em
obracitada (Estado,
Aparelho
do
Estado
e Sociedade Civil).No
caso brasileiro, é possível deduzirque
a reforma administrativado
aparelhoestatal está nas
mãos
das clãs e grupos políticosque almejam
manejar recursos públicoscom
ofim
de atender a interesses particulares.Com
relação aos processosde
reformado
aparelho administrativodo
Estado, poroutro lado,
podem
ser melhor entendidos sob a óticados
ciclos históricos, principalmente seestes
forem
associadosao
comportamento humano.
Segundo
a concepção histórico-contemporânea e
da
antigüidade, ver-se-áque
osmesmos
desejos e asmesmas
paixõesreinaram e reinam ainda
em
todos os povos.Segundo
Maquiavel(O
Príncipe, 1981), paraquem
estudacom
profiindidade os acontecimentos pretéritos, é mais fácil prevero que o
futuro reserva a cada Estado, propondo-lhe os remédios já utilizados pelos antigos ou, caso
isto
não
seja possível, imaginandonovos
remédios, baseados na semelhançados
acontecimentos. _
Idêntico raciocínio é manifestado por Bresser Pereira (1993, p. 43),
mas
assumindoa postura
de
cunho econômico
e sua caracterização cíclica. Este autor, argumenta que:a crise
do
capitalismo éuma
crise cíclica eque
istotem
repercussõesinstitucionais.
O
que
foi exitosonum
determinado ciclo de intervençãoestatal,
num
ciclo seguintecomeça
a sofrer distorções.'Um
processode
privatização
do
Estadocomeça
a ocorrer. Clientesdo
Estado (capitalistas,sempre); trabalhadores (eventualmente), seus funcionários (os
tecnoburocratas públicos) e dirigentes (os politicos) logo desenvolvem
interesses especiais
em
detrimentodo
interesse coletivo. (...)Chega
entãoo
momento
do
mercado,de
reformado
Estado,da
privatização,de
liberalização comercial,
da
desregulação.Estabelecendo
uma
relação entre socialismo e capitalismo, Bresser Pereira rebatea
idéia
de
crise e, apoiando-seno
conceito cíclicode
Kontratiefi, caracteriza a crise~
contemporânea
como
uma
crisede
Estado pois este “cresceu demais, sofreu distorçoes,tomou-se
vítima dos interessesde
grupos eem
conseqüência enfrentauma
crise fiscal euma
2.1.3 -»
A
Agenda
das
Reformas
A
literaturaque
se refere à expressão reforma administrativade Estado
geralmenteestabelece
uma
relação muito mais vinculada ao aparelho institucionaldo que
aum
novo
‹.
modelo de
Estado Político.Embora
haja a inclusãoda figura
jurídicaEstado na
expressãoreforma
administrativa, esta última,na
maioria dos países, refere-se às formulações depolíticas públicas, nelas incluindo a gerência
do
aparelho estatal.No
que
se refere às diferentes posturas político-econômicas,o
Estado continuasendo invocado para atender as realidades sociais emergentes.
Já Guimarães (1990, p.7), analisa a confusão conceitual sobre Estado e
afirma
que
. , /l
se
vem
dando
um
tratamento maníaco-depressivoao
Estadona América
Latina e que certascategorias (autonomia, desestatização, privatização,
“enxugamento” de
Estado) são apenasconflitos aparentes
do
processo de democratização.A
agenda
do
atual ciclode
mudanças
constitucionais, inclui cinco gruposde
emendas, dos quais será feita
uma
breve análise a seguir:Ordem
Econômica,
a Previdência Social, aReforma
Tributária, aReforma
Administrativa ea
Reforma
2.1.3.1 -
Ordem
Econômica
Na
esfera dasmudanças
constitucionaisde
Ordem
Econômica
dizem respeito,basicamente aos seguintes assuntos
enumerados a
seguir,não
deixandode
lembrarque
parte dessas
modificações
jáforam
aprovadasou
estãoem
fase final de tramitação.São
elas:
'-
redução
dos
monopólios estatais;~
-
modificaçao do
conceito deempresa
nacional;- liberação
de
alguns setores reservados ao capital nacional.2.1.3.2 - Previdência Social
As
mudanças na
Previdência Social consistemna
revisãodo
sistema previdenciáriobrasileiro,
com
modificações
sobre idade e condições de aposentadoria, categoriascom
tratamento especial, financiamento e gestão.
2.1.3.3 -
Reforma
TributáriaNo
que
se refereà
Reforma
Tributária, a atual Constituição Brasileira de1988
jásofi'eu duas
emendas
sobre matéria tributária e fiscal. Ela é essencial para solucionar aalém de poder vir a ser ferramenta distributiva.
A
reforma tributária é polêmica, pois ascompetências
da
União, Estado e Municipios sequer são suficientemente claras.2.1.3.4 -
Reforma
AdministrativaAtualmente a
Reforma
Administrativa está centrada sobre questões dosservidores civis. Estão sendo discutidos alguns tratamentos privilegiados e a abrangência
do
polêmico instituto
da
estabilidade.Sob o
pontode
vistada
crítica, écomum
afirmar que
aadministração pública brasileira foi
montada
para cumprir regras,sem
atender à eficiência eaos resultados esperados.
O
Ministérioda
Administração eReforma do
Estado -MARE
apresenta propostas
com
baseno
conceitode
uma
administração gerencial.2.1.3.5 -
Reforma
PolíticaQuanto
àReforma
Política, estãoem
discussão algumas questões constitucionais,tais
como:
sistema. eleitoral;composição da
câmara; possibilidadede
reeleição dos cargosexecutivos; e fidelidade partidária e outras.
A
administração pública é dependentedo
sistema político para suas estruturasbásicas.
Os
valores são, certamente, influenciados pela política.A
administração públicanão
se desvincula dos pressupostos politicos.As
reformasda
administração pública, aoque
sepode
dedu_zir,também
possuium
caráter político, muitomudanças
politicas significativas.Enfoques na
reforma administrativacom
mudanças
políticas geralmenteexigem
alterações constitucionais. Já reformasque dizem
respeito à ação e à proposição administrativas,em
sua grande maioria, bastam tãosomente mudanças
de
atitudes -por partede
seus agentes públicos.2.2 -
nEsENvoLv11vnâ:NTo
DA
AnM1N1sTRAÇÃo
PÚBLICA E sUAs
REFORMAS
'Este item aborda as reformas administrativas enquanto possibilidade
de
desenvolvimento
da
Administração Pública'O
tema
reforma administrativa quase sempre é tratadocomo
se fosseuma
unidadeobjetiva,
num
campo
diversificado, assistemático e administrativamente dialético.Quando
se trata
de
realizá-la,no
entanto, ela sedecompõe,
se diversificaem
diversas outras reformas.Muitas
reformastêm
sido relacionadascom
programas de estabilizaçãoeconômica.
Esses programas, quase sempre, refletem imperativos
de
contençãode
despesas e “cortes”de
gastosem
diversas áreas de atendimento público.“Reforma”
é freqüentemente usadapara referir-se à redução de
tamanho
do
quadrode
pessoal existente.De
maneira geral,o
termo reformaconduz
ao entendimentode que
algodeve
serrealizado sobre
um
processo existente.Seu
caráter é quase sempre corretivo, induzindo aque
novas ações sejam implementadascomo
processode
revitalização constante.A
reformaadministrativa
tem
dois aspectos: aremoção
daquiloque
sobroudo
passadoea
preparação emudança
parao
fiituro.A
idéiada
necessidadede
reformafica
evidenteem
todas as manifestações técnicase políticas,
o
que, quase sempre, implicaem
resistências.Por
outro lado, a reformapode
também
ser cíclica, iniciandocom
grande impulso,numa
etapade
grande impacto, paraem
seguida adquirir
um
ritmomenos
acelerado emenos
firrne, àmedida que
se institucionaliza,resolve
os
problemas mais urgentes.Contribuindo para
o
estudo dos problemas de reforma administrativado governo
federal
no
Brasil, Paiva Netto, (1974, p. 25),ao
indagar primeiramente se as soluções para os problemasde
reforma deveriam ser procuradas nos livrosde
administraçãoou
também
nos livros sobre estratégia, história, sociologia, ciência política, história administrativa
ou
economia, é mais enfático,
afirmando que “não
é novidadeque
em
qualquer pais a iniciativae
o
interesse por reformas são decorrentesdos
inputs (iniciativas, decisões) politicos eeconômicos de
um
determinadomomento”
(p. 27).2.2.1 -
A
resistência àsreformas
~
Uma
das situaçoes enfientadas na implantação de reforma é,sem
dúvida, aresistência. Dias (1990) faz observações acerca
da
resistência, particularmenteem
relaçãocom
o termo
planejamento,na
reforma administrativade
1967.O
autor observaque
asforças conservadoras se levantaram contra os pressupostos daquela reforma -
programação
govemamental,
processo de planejamento e orçamento-programa -não
para debaterconceitos e altemativas,
mas
para repisar argumentos envelhecidos e incornpatíveiscom
aépoca e as exigências
do
progressodo
Paíss. `5
A
questãoda
resistência eda
oposição é, geralmente,pouco
estudada pelosproponentes das reformas. i
A
questão da resistência às reformas administrativaspode
ser analisada, por outrolado, sob a perspectiva
da
resistência nas organizações.O
estudoda
resistência .no âmbitodas organizações
tem
sido enfocado sob duas perspectivas.Da
perspectiva gerencial, aresistência é
uma
disfunçãoque
os 'administradoresaprendem
a vivercom
ela.Numa
perspectiva crítico-radical, ela e' vista
com
uma
arma na
lutade
classe.2.2.2. - Estratégias
para
implementação de reformas
Uma
situação encontradana
formulaçãode
reformas administrativasno
Brasil diz~
respeito às estratégias
de
irnplementaçao. Paiva Netto (1974,. p. 25-68) ao analisar asestratégias e táticas de implantação de reforma
no
Brasil, dizque
um
dos erros é justamentea desconsideração
do
contexto, pois “qualquer esforço demudança
deveria ter suaestratégia voltada e desenvolvida para
o
contexto considerado”de
sua implantação, sejapara efetuar simples
mudanças
nas atividades substantivasou
adjetivas dos órgãos, seja paraalcançar reformas gerais
ou
setoriaisdo
tipo estrutural, comportamental, funcionalou
instrumental.
Desta forma,
o
mesmo
autorafirma que
todos os anteprojetos de reforma tinham osseguintes, vieses, entre outros: a) apresentaram-se
como
variaçõesem
tomo
do tema
“est1utura”; b)
recomendaram
remédiosque
se destinavam a combater efeitos,em
vezde
remover
as causas; c) resultaram namanutenção
dos vícios administrativos tradicionais (p.46).
Motta
(1987, p.3 1) vai mais além na análiseda
reforma administrativa,ao
considerarque
o
Estado,como
organização, pertence aum
sistemade
clãs políticosque
seagregam
ese articulam
em
torno de interesses,dominando
as estruturas burocráticascomo
meio de
bocanhar fatias
do
orçamento público. Daí constatar que,quando
se falaem
reformaadministrativa, a “descren a invade _ a
mente da
maioria dos técnicos fiincionários7 edirigentes
que procuram
visualizarum
futuro mais promissor”.Motta
(1989, p. 104) assim se expressa acercada
coalizão de poder:~
A
construção
da máquina
administrativa não foi feita para criar eficiência.Grande
parte dasnomeações de
servidoresno
Brasilnão
é feita para~ ~
contribuir.
Se
elesnao
foremnomeados
para contribuir, eles nao serãodemitidos pelo fato
de não
contribuírem. Então a lógicada
funçãoda
Administração Pública é a
manutenção da
coalizãodo
poder político.A
idéiade
manutenção do
poder, de se governar, dependede
uma
série de fatores-À
que não têm
a vercom
a eficiencia administrativa,como
por exemplo, aprestação
de
serviços. V.
'
Embora
se reconheçaque
as reformas administrativaspossam
ser consideradasum
movimento
em
que
éo
Estadoque
devemudar
os homens, enão
oshomens
ao
Estado, seu~ sentido acadêmico se faz necessário até
mesmo
paraque o
equilíbrio de interesses nao sesobreponha.
A
orientação básicaque
deve irnperar éque
aReforma
Administrativa éinseparável
da emoção, da mente
edo
coração.Neste sentido e na
medida
em
que
a reforma administrativa questionao
procedimento burocrático
na
áreaeconômica
e propicia propostas gerenciaiscom
vistasao
concilia-se
com
desenvolvimentoda
Administração Pública. Este desenvolvimentomanifesta-se na redução
da máquina do
Estado naquiloque
elatem
de
ineficiente, pesado e~
CENÁRIO
DA
REFORMA
ADMDJISTRATIVA
3.1 -
O
Aspecto
Político dasReformas
AdministrativasSob
a ótica político-administrativa, Jaguaribeó elaboraum
quadro conceitualque
permite 0' entendimento
da
reformana
perspectivada
reorientaçãode
políticasque
afetamo regime
de
participaçãode
uma
sociedade.A
participação políticada
sociedadepode
serampliada por decisão
do
governanteou de
membros
prevalecentesdo grupo que
estáno
poder.
Se,
de
um
lado, têm-se as características básicasda
reorientação de políticascomo
vetor das reformas, de outro, observa-se
que
existem dois fatoresque
provocam
asreformas, aqui distinguidos somente para efeitos explicativos. Jaguaribe, entendendo-as
como
um
mecanismo de
reorientação politica, maisdo
que
uma
simplesmudança
de
autoridade, ressalta
que
elas sãouma
expressão de dois fatores decisivosque induzem
osgovernantes a agir desta maneira.
O
primeiro deles diz respeito à ocorrênciade
uma
mudança
nos valores e idéias dos governantes, refletindo usualmenteuma
mudança
correspondente de mentalidade.
É
o
caso dasmudanças
sócioculturais e religiososque
induzem
reformasde
caráter íransformativo.O
segundo
tipode
fator indutorde
reformas éa ocorrência de
novos
fatos importantesna
sociedadeou no
ambiente (econômico-6
JAGUARIBE,
H. Mudança política: revolução e reforma. Revista Argumento, Rio de Janeiro, ano 1, n. 2, p 57-71financeiros, por exemplo)
que
põem
em
risco a sobrevivênciade
um
modelo de
organização.
O
que
Jaguaribepropõe
élque
as reformasno
aparelho estatal sempre estãorecebendo ajustes
com
o
objetivode
aumentar a funcionalidade dos órgãosou
empresasgovernamentais.
Jaguaribe compartilha da concepção
do aumento
da funcionalidade, cujacorrespondência administrativa se aproxima
dos
conceitosde
eficiência e eficácia. Essesdois conceitos administrativos
foram amplamente
enfocados nas reformas administrativas.No
entanto,predominou
nas reformas muito maiso
conceitoda
eficiência,em
vezdo
conceito
da
eficâcia. Isto é, nas reformas administrativas foi privilegiado muito mais aexecução racional (o fazer as coisas)
do que
a decisão racional (decidiro que
fazer).As
conseqüências quase sempreforam
desastrosasporque
a primeira preocupa-secom
o desempenho
interno e, por isto, *a organizaçãopode
ser enfocadacomo
um
sistemafechado,
ou
seja, plenamente neutrocom
relação às característicasdo
ambienteque
aenvolve. Já o conceito
de
eficácia vincula-seao
desempenho extemo
da organização,visualizando
o
órgãocomo
um
sistema aberto,em
permanente interaçãocom
o ambientefisico e social
em
que
está inserida.A
reforma administrativado
aparelhodo
Estado exige, porém, questionamentos amplos e geraisque
se inter-relacionam, jáque
a Administração Pública, na prática, constitui-sena
arenaem
que
se digladiam os diversos interesses.3.2 -
A
Burocracia
ea
Reforma
Estudos
da
ciência administrativa identificam a burocraciacomo
um
meio de
conquista e de
manutenção
do
poder,no
seiodo
aparelho estatal. Efetivamente,há
fortesindicações teóricas
que
permitem suporque
a tendência à conservação e reproduçãovenham
a constituir-seem
instâncias de poder burocrático.O
Estado burocrático, porém, sofre duras contestações.Motta
(1987, p. 32)constata
que
a burocracia pública brasileira, aexemplo
dos paisesda
região latino-americana e
do
Caribe, é ineficiente, ineficaz, inefetiva e, pior,vem
sendo desenvolvidacomo
um
instrumento para atender aos interesses e às necessidades políticas de classes egrupos políticos preferenciais. Essa critica é reveladora
do
baixodesempenho
firncionaldo
aparelho estatal.
Compartilhando dessa constatação, Albuquerque (1995, p. 42-3),
no que
se refereà
funcionalidade
do
Estado e de seus aparelhos administrativos, ressaltaque
a baixafirncionalidade
do
aparelho estatal é resultado de,no
mínirno, duas condições: a) ainexistência de políticas públicas
como
diretriz geralque
pudessem
gerarprograma de
metasgovernamentais; e, b)
da
perdada
capacidade operativada
administração pública, cada diamenos
aparellrada para atender às mais essenciaisdemandas
sociais. Constata-senão
somente
a inexistênciacomo
também
a indefinição deuma
estratégia social ativa. ReisVelloso (1994, p. 10)
afirma que
a inexistênciade
políticas sociais públicas é notória,mas
que
elanão
é apenas conseqüênciada
criseeconômica
nacional, mas,em
grande medida,antigo projeto nacional, à base
do
“nacional-desenvolvimentismo”,que
se exauriu nos anos80. Vê-se nesta proposição a “inexistência
de
ações” e a “perdada
capacidade operativa”como
dois indicadores da necessidadede
reformulaçãoda
administração pública.3.3 -
Reforma
e Politica PúblicaNesta perspectiva de Albuquerque (1995, p. 142-143), há, pelo menos, dois
componentes
administrativos significativos: inexistênciade
ações públicas eperda
da
capacidade
operativa. .A esta inexistência de ações públicas para atender àsnovas
demandas
sociais,o
governo buscou, segundo Albuquerque, responder defonna
“atabalhoada e ineficazmente (...) conter e reduzir
o
gigantismodo
Estado (doPoder
Executivo
da
União, particulannente)” .'
Nesta linha
de
raciocínioem
que
se relacionagovemo
e políticas públicas, diversosoutros analistas
apontam
as causasda
baixa capacidadedo
govemo
no
Brasil. Eles reforçamque
existe a ineficácia e esclarecemque
o que impede o
governo de enfientar os desafios é amanutenção da máquina
administrativa, muito dispendiosa.Andrade
(1993, p. 15), porexemplo, acrescenta
que
a burocracia pública émal
preparada, politizada ecom
alta rotatividade, nos escalõesde
chefia,em
fimção
de mudanças de
governoou de
orientaçãopolítica.
O
cenário administrativoque
propicia a reforma administrativa é a constataçãode
que o
aparelho administrativodo
Estado se encontraem
crise e por isto é imperiosa a reformulaçãodo
aparelho administrativo estatal.Segundo
se observana
revisãode
refonna, osgovemos
são temporariamentetomados ou
apossados pelas crises. Istopode
geraruma
“crisede
governabilidade”quando
o
aparelho administrativo revela-se incapaz de implementar decisõesde
govemo.
No
aparelho estatal verifica-se, basicamente, duas categorias
de
poder:o
governo eo
aparelhoadministrativo.
O
segundo identifica-secom
a Administração Públicacom
caráterde
execução e
o
primeirocom
o
poderde
caráter político.,
Afirma-se que
a crisede
govemabilidade decorre,em
parte,do
mau
funcionamentodo
aparelho burocrático-administrativo para implementarou
fazer cumprir decisõesdo
govemo.
Há
uma
espécie de incapacidade de execução, na própriamáquina
administrativa,no
sentidode
se implementar as políticas públicas.3.4 - Periodização
da
Administraçao
Pública esua
relaçãocom
Reformas
Administrativas
Neste item procura-se contextualizar as reformas administrativas
no
aparelho estatalbrasileiro e sua vinculação
com
os conceitos e pressupostosda
administração públicapraticados
no
Brasil ao longo de sua história. Entende-seque
a retrospectiva históricai
clarifica aspectos
(como
por exemplo: estratégiade
implementação das reformas eresistência corporativa às reformas)
da
atual criseda
Administração Pública.A
denominação
de períodos, para explicar os diversosmomentos
administrativosno
Brasil, varia
de
conformidadecom
o
critério adotado, orapredominando
o
aspectoDiversos autores
(Ramos,
1981 e Wahrlich, 1984) periodizam a reformaadministrativa
em
períodos, descrevendo-ado
pontode
vista histórico mais recente.A
proposição de se dividir a retrospectiva histórica
da
refomiaem
doismomentos
resultada
compreensão
diferenciada eda
abstração interpretativa dos autores consultados.Serão descritos, a seguir, os seguintes períodos: período
1930
a 1964; períodode
1964
a 1985; periododa
redemocratizaçãodo
Estado brasileiro; períododa
administraçãopública gerencial.
No
primeiro período -de 1930
a1964
- consolidaram-sena
administração públicabrasileira, simultaneamente, os princípios
da
administração eda
teoria burocrática. Essesprincipios e práticas administrativas atravessaram as décadas
de 40
e 50,com
maiorou
menor
intensidadede
aplicação.De
1937
a 1945,o
esforçode
renovação estatal enfatizou areforma dos meios, muito mais
do
que na dos próprios fins.As
áreasem
que recaíram maisintensamente as ações
da
reformaforam
a administração de pessoal, administraçãode
material, administração orçamentária e a revisão
de
estruturas e racionalizaçãode
métodos.O
segundo periodo - 1964 a 1985 - caracterizou-.se pela presença intervencionistado
Estadono
processo de desenvolvimento econômico.É
deste período a expansão emultiplicação de entidades
da
administração indireta (descentralizada),com
a finalidadede
promover, de maneira eficaz,
o
desenvolvimento, evitando, assim,o emperramento da
administração direta (centralizada). É,
também,
deste período,o
Decreto-Lei 11° 200/67que
trata
da
reforma administrativa. Estedocumento
introduziuprofimdas
alteraçõesna
organização e
no
funcionamentodo
Estado administrativo brasileiro, consistindoem uma
govemo
(planejamento, orçamento-programa e aprogramação
financeirado
Estado, sobum
controle único e centralizado).Bresser Pereira diz
que
as reformas operadas pelo Decreto-Lei200 não
desencadearam
mudanças no
âmbitoda
administração burocrática central, permitindo acoexistência
de
núcleos de eficiência e competência,no
nívelda
administração indireta,com
formas arcaicas e ineficientes,
no
planoda
administração diretaou
central.O
núcleoburocrático foi, na verdade, enfraquecido indevidamente através
de
uma
estratégiaoportunista
do
regime militar denão
desenvolver carreiras de administradores públicosde
alto nível, preferindo-se,
ao
invés, contratar a alta administração através das empresasestatais.
A
expansão desordenada das empresas públicas permitiuque
elas fossem apontadascomo
grandes responsáveis pelos gastos públicos e pelos privilégiosda
burocracia estatal,criando-se
uma
situaçãoincômoda
parao Estado
já a partir dos anos 80.O
periododemocrático
que
se vislumbravana
décadade 80
acometia às empresasgovemamentais
a malversação das receitas públicas, através, por exemplo, da absorção por partedo governo
das dívidas das empresas
govemamentais
contraídasno
exterior. É,sem
dúvida,que
nessa década a privatização já eratema
constante nas propostas governamentais cuja efetivaçãomais intensamente
vem
ocorrer a partir de 1991 e 1994.No
início dos anos80
registraram-se tentativas importantes para reformar a burocracia
com
a criaçãodo
Ministérioda
Desburocratização e
do Programa
Nacionalde
Desburocratização.Num
terceiro período - de redemocratizaçãodo
Estado Brasileiro -com
aretomada
marcado
por,no
mínimo, três fatos importantes: a) a Constituição de 1988, h) a reforma adrninistrativado
Govemo
Collor e, c) a propostade
reformado
Ministériode
Administração e
Reforma do
Estadodo
Govemo
F
emando
Henrique Cardoso.Os
princípiosque
nortearam as propostasde
reforma administrativa incorporadosna
Constituição
de
88, e colocadoem
práticano
Govemo
Sarney prirnavam pela restauraçãoda
cidadania, democratização, descentralização e desconcentração da ação administrativa,racionalização e contenção de gastos públicos, formulação de novas políticas
de
recursoshumanos
e racionalização da estruturada
Administração Federal.Já a proposta de reforma administrativa
no
Govemo
Collor (1990-1992) divisava amodernização
do
Estado e a melhoriada
eficiênciada máquina
governamentalcom
uma
política
de
administraçãode
recursoshumanos
mais austera.A
proposta inicial previa a demissãode
30%
do
quadrode
pessoalda
administração federal,em
parte malograda pelareinserção judicial
dos
fimcionáriosno
quadro funcional.No
Govemo
Femando
Henrique Cardoso, as propostasque
tramitam nasComissões
da
Câmara,enfocam
austeridade nos gastos públicos, particularmentecom
o
quadrode
pessoal. _
Enfim,
em
relação as interinfluências nos processosde
reformasao
longodos
períodos
da
Administração Pública, é pertinente ressaltarque
os diversos períodos dereforma administrativa
na
administração 'pública brasileira, inter-relacionam-secom
o
contexto institucional predominante.
Os
quadrosemanexo
expressam essas inter-relações.A
retrospectiva histórica possibilitou inferirque
as experiências reformistasdo
desenvolvimento, quer sobo
enfoquedo
atendimentoao
público,ou
ambos.O
fatobásico é
que
cada reformana
Administração Pública está submetida a condicionantesdiversos.
São
discussõesque
permanecem
como
um
processo interminável de aperfeiçoamento e modernização; desburocratização e descentralização;de
exaustão e revigoramentoda
administração pública.|
CAPÍTULO
lv
,
CARACTERIZAÇÃO
DAS
REFORMAS
ADNHNISTRATIVAS
NO
BRASIL
As
reformas se caracterizavam, quase sempre, por conflitos e crises.Há,
naverdade,
um
conjunto de situaçõesque
podem
originar conflitos e geraro
processode
reforma.
4.1
-
O
Enfoque Econômico
De
maneirabem
abrangente, pode-seafirmar que
a origem dos conflitos reformistas giraem
tomo
de
verbas,mesmo
porque
toda Administração Públicadepende
de dinheiro,depende
da
economia, visto que a política públicadepende
de recursos, jáque
não possuirenda própria e
o
poder público,em
simesmo,
precisa ser financiado.Por “economia“
entende-se,
em
primeiro lugar, a escassez propriamente dita de recursos públicos parasustentar a
máquina
administrativa estatal.Em
segundo lugar, fazereconomia
significaeliminar gastos
de
toda a natureza nas diversas áreas de atividades estatais, particularmentecom
pessoal.Porém,
para efeitosde
reforma administrativaambos
significadosnão
sãoexcludentes. Eles
guardam
relaçãode
causa e efeito.Economia
e eficiênciacaminham
geminadas
na
busca de melhordesempenho
no
setor público.Para
o
caso específicoda América
Latina, as tendências de reformasna
décadade
90
estão voltadas para reformasna
política econômica.Por
conseqüência, as reformasdiminuir os gastos públicos
em
diversas áreas (principalmentede
pessoal) e conseguir, porextensão, a estabilidade econômica.
O
tema
da “economia”, sobretudo aeconomia
(cortes) relacionadacom
o
fimcionalismo,
fica
explicitada nos diversos pronunciamentosdo
Ministérioda
Administração e
Reforma do
Estado.A
tônica é, entre outras, a reduçãodo
quadrode
pessoal, reduzir despesas, propiciar redução estrutural
na
folha de pagamentos, reduzirgastos operacionais.
4.2 -
Enfoque
Sóciotecnológico eOutros Aspectos
Além
da
predominânciado
aspecto econômico, observa-se,na
literatura,que
asrazões pelas quais novas reformas são propostas, englobam,
também,
outros aspectosespecíficos e históricos.
Martins (1969) entende
que
paratomar
a administração pública mais eficienteconstitui-se, basicamente,
num
problema de mudançasisociotecnológicas,de
transformaçãode mentalidade valorativa ie cultural,
que
deve operar-se nos funcionários públicos.Recomenda
que
“para aumentar a eficácia e a eficiência pública, deve-se pesquisar,cientificamente,
em
primeiro lugar,por
que
a burocracia é ineficiente e ineficaz e resiste àmudança”
(p. 81).E
acrescentaque
“a reforma administrativa não é amera modernização
de seu aparato tecnológico público (...) é
uma
mudança
na
cultura administrativa”.Portanto, a “Administração Pública deve satisfazer as necessidades
da comunidade
O
Estado perdeu seus horizontes quanto aos seus propósitos, introduzindona
Administração Pública vícios e disfunções que, agora, sob a égide
da
reforma, se tentacorrigir, através
da
busca da eficiência,da
eficácia, daeconomia
eda
oportunidade.Embora
a propostade
reforma tenha caráter politico,o que
se pretende ter éuma
administração pública eficiente.
4.3 -
Predominância dos Enfoques nas
Reformas
Administrativas BrasileirasNo
Brasil,como
de .resto de outros países, algumas tentativas de reformaadministrativa
também
foram
intentadas.Em
cadamomento
histórico,predominam
diferentes enfoques. Wahrlich (1982, p. 3), historiando a reforma administrativano
período de 1930-1945, apontaque
a preocupaçãocom
reforma administrativa surgiucom
o
“problema
do
funcionalismo”.Segundo o
conteúdodo
documento, percebe-seque a
reforma tinha caráter corretivo: reduzir
o
excesso, “enxugar” amáquina
estatal. GetúlioVargas assim se manifestava
em
seus discursos:“O
problemado
funcionalismo,no
Brasil, só terá solução
quando
se procederà
redução dos quadros excessivos,o que
será fácil, deixando-sede
preencher os cargos iniciais, àmedida que
vagarem.Providência indispensável
também
é anão
decretação denovos
postosburocráticos, (...).
Com
aeconomia
(...) poderáo Governo
irmelhorando
(-..) exigir maiorrendimento das atividades e aptidões dos respectivos fimcionários,
que
então, sim,não
Convém
observarque
idêntico raciocínio constavado
discursode
Aluízio Alves(1986, p. 8) acerca das rigorosas medidas
de
contençãode economia
ede
racionalizaçãoda
máquina
pública. Paradoxalmente foino
Governo
Samey
no
qual Aluizio Alves eraMinistro
da
Administração,que
foram contratados 120 mil funcionários públicos...A
idéia central dessa propostade
reforma,como
sepode
ver, fundamentava-sena
busca
da
economia, eficiênciano
serviço público e maior racionalidade.A
idéia da reformacom
ênfasena racionalidade, difimdiu-se a todos os ministérios,tomando-se
quaseque
uma
obsessão
do
govemo
em
elaborarnonnas
geraisque
levassem aqueles propósitosde
racionalidade, eficiência e
economia
a resultados efetivamente objetivos.Assim
éque o
discurso getuliano versava sobre
um
reordenamento administrativo para “reduzir despesas,coibir abusos, reformas dos serviços dispendiosos e
sem
eficiência, equilibrar orçamentos,suprimir déficits e, sobretudo, simplificar, melhorando, a antiquada e ranceira
máquina
administrativa”. (Wahrlich, 1982, p. 65). _
Do
ponto de vista histórico,o
entendimentoda
“reforma administrativa” recai,ostensivamente sobre a questão
do
fimcionalismoou do
serviço civil. Depreende-seque
areforma é justamente para coibir as despesas provenientes
do
sistema administrativo.A
literatura pontuaque
nas reformasda
décadade
30,como
ocorreu depoisna
década de 70, as
mudanças ficaram
maisno
âmbito norrnativo e atenderam quase sóinteresses
do
Governo.A
Nos
anos 80,no
entanto, aabordagem da
reforma tendeu para combater os pontoscríticos
da
Administraçao, vistos a partir da clientelaextema
(Siqueira,mimeo.
s.d..),da
“modernização” passou a sero
atendimento ao cidadãocomum
eao
empresário,entendido
como
agentedo
desenvolvimento econômico.Comentando
o
plano Collor,Souza
ePaz
(1991, p. 168) pronunciam-secriticamente frente às reformas, pois elas não são enfrentadas
na
sua real dimensão pelosdirigentes
do
Estado eafinnam
que
as reformas administrativas implantadas nos últimosanos “são mais voltadas para a construção de formatos de
acomodação
da crise e dealianças politicas tipicas
do
nosso processo de democratizaçãodo que
para0
enfientamento, de
forma profimda,
das reais origensda
crise”.A
reforma administrativada
era Collor concentrou-se nas demissões e nasdisponibilidades de fimcionários públicos, tentando passar para a sociedade a visão
de
que
os males
da
má
gerência pública eda
incapacidade dos governosde
diminuíremo
déficitPROPOSTA
DO
MARE
A
reformado
Estado (baseadono
relatórioda
proposta deemenda
`a ConstituiçãoN. 173-A, de 1995, cujo relator é
o
Deputado
Moreira Franco)tem
sidoum
tema
dominante neste trânsito
da
vida republicana brasileira.O
Governo do
PresidenteFemando
Henrique
Cardoso
definiu a reformado
Estadocomo
ponto fundamental paramudar
ascondições
da
população brasileira.Não
se trata, apenas,de
mudar
a Constituição mas, sim,de criar condições concretas para
um
novo
patamarde
desenvolvimentoque
permitaao
Estado cumprir a sua destinação social.
5.1 -
A
Justificativasegundo
oPonto de
Vistada Proposta
Governamental
A
nova
dimensãoda
administração pública tem, ao longodo
tempo,ocupado
preocupações govemamentais.
No
Brasil de hoje, é imperativa amudança
da estruturada
administração pública, não apenas para compatibilizar
um
novo
conceito de Estado,como
também
para fortalecer a eficáciada
estabilidade monetária. Esta constitui-seno
eixodo
controle
da
inflação e da abertura denovos
horizontes parao
desenvolvimentodo
País,atendendo às
demandas
crescentemente sofisticadasdo
cidadão brasileiro.O' próprio
Poder
Executivo, para enfrentar esse desafio, concentrou-sena
modificação da
política de pessoal e na dinâmica operacionalda
administração pública,no
estabelecimento de regras gerais de remuneração e
na forma
de sua regulamentação.`
A
visão democráticado
Estado nãopode
ficar nos limitesdo
velho estado cartorial,que
vende serviços pelaacumulação
defimções
e controles.Em
conseqüência disso, afastapara
o
segundo planoo
cidadão, razão primeirada
existênciado
Estado, e fazdo
servidor público,que
pretende ser fimcionário qualificado e eficaz,mero
instrumento a serviço dos interesses das elites dirigentes.O
Estadocontemporâneo
não é, apenas,0
prestador de serviços públicos,concentrador de poderes, capaz de engolir a liberdade pela disciplina aos superiores desígnios.
Ao
contrário, a pretensãodo
governo é construiruma
cidadania responsávelem
uma
sociedadeque
assegurenão
só a liberdadedo
cidadãomas
também
um
conjunto decondições concretas para a plena realização da pessoa humana.
Esse Estado
não pode
ser centralizador e desconfiado, mas, sirn, regulador,compativel
com
apassagem da
velha idéiado
estado nacional parao novo tempo da
integração plurinacional,
com
uma
administração públicamodema,
apta a prestar serviçospúblicos naqueles setores essenciais
que
justificam sua intervenção na sociedade.O
que
se exigedo
Estadono
Brasil é a sua qualificação para enfrentar asdemandas
crescentes
da
sociedade,que
se quer rica e justa.A
ineficiência amplia as áreasde
pobreza epromove
uma
desmesuradaacumulação
de renda e de privilégios.O
que
o
govemo
estápropondo
neste instante éuma
mudança
no compromisso
social
do
Estado brasileiro. Pretende, assim ,introduziro
usuáriode
serviço públicono
cenário da administração pública, ampliando as fronteiras
da
reforma administrativa.Um
cenário
com
maior racionalidade, voltado para0
cidadão, prestigiando0
servidor públicoaperfeiçoamento.
Um
cenárioque
acolheum
sistemade
remuneraçãosem
as mistificaçõesexistentes,
que
facultamum
sem-número de
manobras, prerniando os espertos.Um
cenárioque não
admite a acumulaçãode
vantagens decorrentes de leis corporativas,que
criem todasorte
de
privilégios, injustificávies tanto para a populaçãoque paga
a contacomo
para aesmagadora
maioriados
servidoresque
se entregam devotadamente ao serviço público.Para atender a estes desafios, a proposta
do Poder
Executivo sobre a reformaadministrativa concentrou-se
em
três pontos básicos:na
políticade
pessoal;na
dinâmicaoperacional
da
administração pública ena
sua regulamentação; estabelecimento de regrasgerais de remuneração de pessoal.
A
propostaque
o
Governo
estápondo
em
discussãona
Câmara
considera aadministração pública
na
sua diversidade fiindamental. Para cumprir este conceitode
diversidade, são pontos orientadores
da
reforma:- estabelecer
que
a lei disciplinará aforma
de defesado
usuário de serviço público eintroduzir a qualidade
do
serviço prestadocomo
principio constitucionalda
administração, assegurado
0
direitodo
contribuinte a receber serviçosde
alto nível;- por
em
vigorum
mecanismo de
remuneraçãosem
privilégios,que
acabacom
asdistorções existentes, estabelecendo
um
teto remuneratórioimune
a dúvidasde
interpretação, assegurando a irredutibilidade de vencimentos
no
lirnitedo
teto constitucional e impedindo a criaçãode
vantagens e adicionais indiscriminados,que
resultam
em
incorporaçõessem
o
menor
sentido;- garantir a integridade