PODER JUDICIÁRIO
SÃO PAULOSEGUNDO TRIBUNAL DE ALÇADA CIVIL Décima Câmara
APELAÇÃO SEM REVISÃO Nº 562.323-0/4 - SÃO PAULO Apelante: Wilson Roberto Ferreira da Silva
Apelado : Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
ACIDENTE DO TRABALHO. Males relacionados ao ouvido, à coluna e à vista. Perícias (3) distintas concluindo pela inexistência de incapacidade para o trabalho e de seqüelas incapacitantes. Em infortunística o que se repara em forma de prestações mensais, é a incapacidade resultante do acidente ou da doença profissional, e não o fato em si mesmo considerado.
Voto nº 3.806
Visto.
WILSON ROBERTO FERREIRA DA SILVA ingressou com Ação de Prestações por Acidente do Trabalho contra o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, qualificação e caracteres das partes nos autos, alegando que em razão das condições agressivas do trabalho contraiu problemas de coluna, disacusia neurossensorial bilateral e moléstia visual.
Formalizada a angularidade foram realizadas as perícias. Em audiência, inviabilizada a conciliação, o Requerido apresentou contestação. Vencidas as diligências houve entrega da prestação jurisdicional julgando improcedente a pretensão.
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recurso. Persegue a reforma da decisão, uma vez que “... Em
decorrência das várias moléstias e agravamento (...), o apelante ficou por várias oportunidades afastado pela própria Previdência Social ...”(folha 126).
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS contrariou as razões sustentando o acerto da decisão.
A PROMOTORIA DE JUSTIÇA e a PROCURADORIA DE JUSTIÇA inferiram pelo não provimento do recurso.
É o relatório, adotado no mais o da r. sentença.
A doença profissional ou do trabalho assenta-se nos requisitos de causalidade, de prejudicialidade e do nexo etiológico. Causalidade porque, em princípio, não há dolo. Prejudicialidade em razão da lesão corporal ou perturbação funcional que pode causar a morte, ou a perda, ou a redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. A configuração do nexo etiológico ou causal, aliado aos demais elementos caracterizadores, conduz, inevitavelmente, à procedência da pretensão que for deduzida em Juízo .
NEXO, do latim nexu, significa vínculo ou ligação.
ETIOLÓGICO refere-se à etiologia, do grego aitologia, que pode ser
entendido em infortunística como o estudo sobre a origem do mal
incapacidade. CAUSAL, do latim causale, é o que se relaciona com a
causa. É essencial para o reconhecimento do acidente e da doença profissional ou do trabalho, a relação de causa e efeito, o nexo etiológico ou causal.
Está constitucionalmente garantido que todo dano decorrente de acidente do trabalho deve ser reparado, e que esse dano é coberto pelo seguro obrigatório acidentário a cargo do INSS.
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mal ou ofensa sofrido por alguém. No sentido jurídico é apreciado em razão do efeito que produz. É o prejuízo causado.
São três os males indicados no pedido e que serviram de alicerce para as razões do apelo: problemas de coluna, disacusia neurossensorial bilateral e moléstia visual. Três os laudos periciais.
LAUDO PERICIAL MÉDICO OFTALMOLÓGICO
“... o Autor é portador de vício de refração de natureza heredoconstitucional, sem qualquer correlação com suas atividades laborais e/ou acidente do trabalho. Após correção, apresenta acuidade visual máxima para longe e para perto.
No âmbito da Oftalmologia, a nosso ver, não se justifica indenização acidentária, pois nada há a indenizar. O Autor apresenta capacidade laborativa para o desempenho de suas funções habituais, necessitando apenas fazer uso de correção ...” (folha 70).
LAUDO DE EXAME MÉDICO – COLUNA
“... Nenhuma confirmação radiológica ou tomográfica da Lombalgia alegada em Fls. 03, nenhuma CAT, nenhuma comprovação de sessões de fisioterapia, nenhuma receita médica a propósito.
I. RX DA COLUNA LOMBAR em anexo
O relatório contém 06 itens, nenhum deles revelando seqüelas incapacitantes:
1. Desvio do eixo lombar para a direita e retificação da curvatura fisiológica.
2. textura óssea normal.
3. Altura normal dos corpos vertebrais. 4. Espaços intervertebrais conservados. 5. Pediculos íntegros.
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6. Aspecto normal das articulações inter-apofisárias. Nem mesmo um único osteófilo incipiente foi revelado ... II. EXAME FÍSICO
Não localizei nenhum dado clínico objetivo capaz de acarretar incapacidade laborativa e/ou sofrimento raquemedular.
Sem contraturas paravertebrais. Reflexos pesquisados, normais. Testes de ciatalgia – negativos. Deambulação – eubásica, etc, etc,. III. CONCLUSÕES
A anatomia funcional do segmento lombo-sacro do Autor está preservada.
Não há nenhuma justificativa para proceder ao enquadramento infortunístico do Requerente, segundo a legislação específica vigente ...” (folha 83).
LAUDO DE EXAME MÉDICO – OUVIDO
“... O Autor por nós examinado alega ser portador de PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruídos).
A otoscopia está normal.
O exame audiológico mostra: Disacusia neurossensorial + curva audiométrica dentro da faixa da normalidade à direita + discreta gota acústica à esquerda + TDT, Discriminação vocal e Impedanciometria normais + SRT condizente com os achados da audiometria tonal. O exame vestibular está normal.
Tais achados são compatíveis com PAIS à esquerda (e normalidade à direita) ...”.
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“... Uma vez analisados os diversos fatores que poderiam interferir na capacidade funcional do Obreiro, ao nosso ver, não existe redução da mesmo, não fazendo o Autor, jus aos Benefícios da Lei Acidentária vigente, se levarmos em conta todos os critérios acima citados: Clínicos, do INSS, Merluzzi e Fowler (com desconto da idade).
De acordo com nossa avaliação o Autor não é portador de “Hearing disability” nem de “Handcap” que pudessem lhe acarretar dificuldades em seu convívio social e em sua vida de relação ocupacional ...” (folhas 95 e 99).
Em infortunística o que se repara, em forma de prestações mensais, é a incapacidade resultante do acidente ou da doença profissional, e não o fato em si mesmo considerado. O ressarcimento ou compensação reclama a demonstração do dano, da incapacidade dele decorrente e do nexo causal. Não caracterizado o trinômio não existe incapacidade por indenizar nem direito à prestação acidentária.
“O pressuposto do reconhecimento do direito ao benefício acidentário é a incapacidade e a prova deque ela resultou do trabalho1”.
Em face ao exposto, nega-se provimento ao recurso.
IRINEU PEDROTTI Relator