Ins tituto S uperior de C iênc ias P olic iais e S eg urança Interna
J oã o P aulo dos R eis T eix eira
A s pirante a Ofic ial de P olíc ia
D is s ertaçã o de Mes trado Integ rado em C iê nc ias P olic iais X X IX C urs o de F ormaçã o de O fic iais de P olíc ia
A
P T ID Ã O
F
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S IC A P A R A A
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UNT Ã O
P
O L IC IA L
:
V alidaçã o d e um c irc uito de ap tidã o polic ial.
O rientador:
P rofes s or D outor L uís F ernandes Monteiro
Ins tituto S uperior de C iênc ias P olic iais e S eg urança Interna
J oã o P aulo dos R eis T eix eira
A s pirante a Ofic ial de P olíc ia
D is s ertaçã o de Mes trado Integ rado em C iê nc ias P olic iais X X IX C urs o de F ormaçã o de O fic iais de P olíc ia
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S IC A P A R A A
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O L IC IA L
:
V alidaçã o d e um c irc uito de ap tidã o polic ial.
O rientador:
P rofes s or D outor L uís F ernandes Monteiro
E s tabelec imento de E ns ino : Ins tituto S upe rior de C iê nc ias P oliciais e S eg urança Interna A utor: J oã o P aulo dos R eis T eixeira
T ítulo da o bra: A ptidã o F ís ic a para a F unçã o P olic ial: V alidaçã o de um circuito de aptidã o polic ial. Orientad or: P rofe s s or D outor L uís F ernandes Monte iro
L o c al de ediçã o: L is boa
A os meus pais e irmã os , que es tã o s empre lá
quando tudo o res to falha.
À minha E s trela, que nã o me de ixa perder o “
norte”
.
A G R A D E C IME NT O S
É c heg ado o momento que marc a o c ulminar de todo um proc es s o de aprendiz ag em e, c omo todos as c aminhadas que faz emos pela vida, também es ta nã o teria c heg ado a “bom porto” s e nã o tives s e c ontado com o apoio e c ontributo de quem c omig o a partilhou. P or es s e motivo, deixo aqui os meus ag radec imentos :
D es de log o e em primeiro, ao P rofes s or D outor L uís Monteiro, ilus tre orientador des ta dis s ertaçã o e g erminador de ideias . G rato que es tou pelo mananc ial de c onhec imentos trans mitidos , pela inig ualável prontidã o para acorrer aos meus apelos por auxílio e pela inc es s ante dinâ mic a que c ons eg uiu imprimir a es te projeto, nã o podia deixar pas s ar a oportunidade de lhe agradec er pelo praz er que me c onc edeu ao anuir ao meu pedido e permitir que trabalhas s e a s eu lado. A energ ia contag iante c om que ataca c ada projeto faz c om que a mais herc úlea das tarefas pareça um mero perc alço.
E m s eg uida, ao C hefe A lbino Matias , ao A g ente P rincipal P aulo C arvalho e ao A g ente Márc io C arvalho. F oram inc ans áveis , dis poníveis e mes mo indis pens áveis no des enrolar dos trabalhos de c ampo des ta dis s ertaçã o e s ã o, por is s o e muito mais , merec edores de toda a minha admiraçã o e g ratidã o.
A o Dr. A ntónio A reia, C oordenador do C entro de A lto R endimento do J amor e ao P rofes s or D outor J oã o B eckert, Diretor C línico da Unidade de Medic ina D es portiva do C A R , pela autoriz açã o c onc edida e prec ios o apoio.
Um es pec ial ag radec imento ao P rofes s or D outor R ic ardo S ilves tre. O s eu ines timável c ontributo e valios ís s imos inputs robus tec eram es ta dis s ertaçã o e marc am-na de forma indelével.
A o D r. V as c o D ias , à D ra. D iana F erreira, ao D r. F ilipe C ymbron e à D r. J oana S erpa, pelo auxílio pres tado na recolha de dados e pela s impatia c om que rec eberam os elementos policiais nas ins talações do C A R .
A o Ins tituto S uperior de C iê nc ias P oliciais e S eg urança Interna, pela dis ponibiliz açã o das ins talações para a realiz açã o de todos os tes tes de terreno e do C A F P .
R E S UMO
O B J E T IV O : O objetivo des te es tudo foi inves tig ar a validade e fiabilidade de um tes te fís ic o para a funçã o policial ( C A F P ) na avaliaçã o da aptidã o fís ic a para o des empenho da funçã o.
ME T O DO L OG IA : Noventa e s ete ( 97) elementos da P S P ( 34.0±10.0 anos , P es o= 80.3±9.6 kg, A ltura= 176±.6.0 c m, IMC = 25.9±2.7 (kg/m
2
), % Mas s a G orda= 17.9±5.6, % Mas s a Mag ra= 78.19±5.4) foram divididos por quatro G rupos de Idade (G 1= 20-29 anos ; G 2= 30-39 anos ; G 3= 40-49 anos ; G 4 ≥ 50 anos ) . O C irc uito de A ptidã o F ís ica para a F unçã o P olicial ( C A F P ) foi aplic ado a todos os ag entes , c ontrolando-s e as s eg uintes variáveis : T empo P arc ial 1 (T1) ; T empo P arc ial 2 (T2); T empo T otal (TT) , F requê nc ia C ardíac a Inic ial ( F C0) , F requê nc ia
C ardíac a Intermédia ( F C1) ; F requê nc ia C ardíac a F inal (F CF inal) ; L ac tatos Inic ial ( L a0) , L ac tato
Intermédio ( L a1); L actato F inal ( L aF inal) ; L ac tato no F inal de 5 min (L a5min). O es tudo foi dividido
em duas fas es . Na primeira fas e inves tig amos a fiabilidade do C A F P utiliz ando o método tes te/retes t. A s eg unda fas e teve c omo objetivo avaliar a validade do C A F P . P ara tal, c omparamos os tempos do C A F P c om uma bateria de tes tes de terreno aptos a medir os parâ metros da aptidã o fís ic a g eral es s enc iais à funçã o policial (força máxima, força explos iva, força de res is tê nc ia e potênc ia aeróbia). C omparou-s e ainda os tempos do C A F P c om os res ultados do R unning -bas ed A naerobic S print T es t (R A S T ), para c omparaçã o c om a potênc ia anaeróbia, e com os res ultados obtidos através um tes te direto de V O2máx de
laboratório.
R E S UL T A D O S : Na primeira fas e do es tudo foram enc ontrados c oefic ientes de c orrelaçã o intrac las s e fortemente s ig nific ativos ( p < .01) entre as variáveis . O btivemos uma fiabilidade elevada através do A lfa de C ronbac h para as variáveis TT (α = .903) e F CF inal (α = .903),
fiabilidade moderada na variável F C1 ( α = .748) , fiabilidade baixa ( ainda ac eitável) no L a5min ( α
= .667), P S E (α =.663) e T1 ( α = .616) e fiabilidade inac eitável no T2 ( α = .313) e L aF inal ( α = .377).
O tempo total do C A F P apres entou c orrelações s ig nific ativas e fortes ( p<.01) c om os tes tes de terreno de aptidã o fís ica g eral (força máxima, força explos iva, força de res is tê nc ia, potênc ia aeróbia e potê nc ia anaeróbia).
C O NC L US Õ E S : C onc luímos que es te tes te é fiável e válido enquanto ferramenta para avaliar a aptidã o para a funçã o do ag ente em efetividade de s erviço e prever a s ua performance nos tes tes de aptidã o fís ic a g eral.
A B S T R A C T
O B J E C T IV E : T he purpos e of this s tudy Ras to inves tig ate the validity and reliability of a polic e officers fitnes s tes t (P O F T ) in the as s es s ment of the phys ic al ability to perform the job.
ME T HO D: Ninety s even ( 97) P S P polic e officers ( 34.0±10.0 years , W eig ht = 80.3±9.6 kg , Heig ht = 176±.6.0 c m, B MI = 25.9±2.7 (kg /m
2
) , % F at Mas s = 17.9±5.6, % L ean Mas s = 78.19±5.4) Rere divide d into four ag e groups ( G 1= 20-29 years ; G 2= 30-39 years ; G 3= 40-49 years ; G 4 ≥ 50 years ). T he P olic e O ffic ers F itness T es t ( P O F T ) Ras performed by all the 97 police officers and c ontrolled for the variables : P artial T ime 1 (T1) ; P artial T ime 2 (T2) ; T otal
T ime (TT), Initial Heart R ate F requenc y ( F C0), T1 Heart R ate F requency ( F C1) ; F inal Heart
R ate F requenc y (F CF inal) ; Initial L actate (L a0), T1 L ac tate (L a1); F inal L actate ( L aF inal) ; 5 minutes
R ec overy L ac tate ( L a5min) . T he s tudy Ras divided into tRo s tag es . In the firs t s tag e Re
inves tig ated the reliability of the P O F T us ing the tes t/retes t method. In the s ec ond s tag e our g oal Ras to evaluate the validity of the P O F T by comparing the res ults Rith a battery of g eneral phys ic al fitnes s field tes ts for the job’s underlying phys ic al fitnes s factors (maximum s treng th, explos ive leg s trength, mus c ular enduranc e and aerobic poRer). T he P O F T Ras als o c ompared Rith the res ults of the R unning-bas ed A naerobic S print T es t ( R A S T ) for c orrelations Rith anaerobic poRer (R A S T ) and Rith the c ollec ted data from a direc t V O2max lab tes t
performed.
R E S UL T S : In the firs t s tag e of our inves tig ation there Rere s ig nific ant Intrac las s C orrelation C oeffic ients ( IC C ) ( p < .01) betReen variables . T he hig h reliability s tandard Ras es tablis hed throug h C ronbac h A lfa’s c oeffic ient for the variables TT ( α = .903) and F CF inal ( α =.903), a
moderate reliability for F C1 ( α = .748) , loR reliability for L a5min ( α =.667), P S E ( α =.663) e T1 (α
= .616) and unac c eptable reliability for T2 (α =.313) e L aF inal (α = .377). P O F T ’s total time has
s hoRn s trong and s ig nific ant c orrelations ( p< .01) Rith the g eneral phys ical fitnes s field tes ts ( maximum s treng th, explos ive leg s trength, mus c ular enduranc e, aerobic poRer and anaerobic poRer) .
C O NC L US IO NS : W e c onc lude that this tes t is reliable and valid and therefore c an be us ed to monitor the inc umbent polic e offic er’s phys ical fitnes s for duty, Rhile als o being able to predic t their performanc e in g eneral phys ic al fitnes s tes ts .
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ND IC E G E R A L
A G R A D E C IME NT O S ... L R E S UMO ... LLL A B S T R A C T ...LV ÍND IC E G E R A L ...V ÍND IC E D E T A B E L A S ...V LLL ÍND IC E D E F IG UR A S ...Ló L IS T A D E A B R E V IA T UR A S E S IG L A S ...ó UNID A D E S D E ME D ID A E S IG L A S D A S T A B E L A S DE D A D O S ...óLL
Introduçã o ... 1
C apítulo I - E nquadramento T eóric o da Inv es tig açã o ... 4
1.1 9xe rcício Císico, A tividade Císica e A ptidão Císica ... 4
1.2 A A ptidão Císica e a A ção t olicial... 6
4.1 5 ados S ociode mográficos, da A C, da A pC e do / A Ct ... 34 4.2 Re sultados do RA S T... 41 4.3 Te ste de V h2máx e m lab oratório ... 43
4.4 5 ados do Te ste /Re te ste do / A Ct ... 45 4.5 t e rce ntis do Te mpo de 9xe cução do / A Ct ... 47 C apítulo V – D is c us s ã o d os R es ultados ...48 5.1 Lntrodução...48 5.2 A tividade Císica e / omposição / orporal ... 49 5.3 A ptidão Císica De ral ...50 5.4 / orre laçõe s ...54 5.5 Ciab ilidade do Te ste /Re te ste ... 57 5.6 Tab e la de t e rce ntis ... 60 C apítulo V I – C onc lus ões ... 61 6.1. h b je tivos 9spe cíficos... 61 6.2 L imitaçõe s do 9studo ...64 6.3 Re come ndaçõe s e Cuturas Lnve stigaçõe s ...64 R eferênc ias B ibliog ráfic as ...66 A NE X O S ... 76 A ne xo A ... 77 L ayout do / A Ct ... 77 A ne xo . ...78 L e ge nda do / A Ct ... 78 A ne xo / ...79 L e ge nda e 9xe cução dos 9le me ntos do / A Ct - 9le me nto 1 ... 79 L e ge nda e 9xe cução dos 9le me ntos do / A Ct - 9le me nto 2 ... 80 A ne xo 5 ...81 L ayout do / A Ct e m 35 ... 81 A ne xo 9 ...82 Te ste de V h2máx e m L ab oratório e RA S T ... 82
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ND IC E D E T A B E L A S
T abela 1. T arefas C rític as e F requentes e F atores da A pF . ... 14 T abela 2. F atores da A pF e T es tes ... 14 T abela 3. Dis tribuiçã o por G rupos de Idade. ... 22 T abela 4. Método de C otaçã o do IP A Q - vers ã o c urta. ... 25 T abela 5. T empo de S erviço, C ompos içã o C orporal e A tividade F ís ic a por G rupos de Idade. ... 35 T abela 6. IMC e Níve is de A tividade F ís ic a. ... 35 T abela 7. T es tes A pF , A tividade F ís ic a, F adig a e C A F P . ... 37 T abela 8. V ariáveis da C C , tes tes A pF A F , F adiga e C A F P entre os G rupos de Idade. ... 39 T abela 9. C orrelações entre as variáveis da C C , dos tes tes de A pF e da A F c om os tempos do C A F P . ...40 T abela 10. Idade, T empo de S erviço, C C e A F (M±D P ) da s ubamos tra do R A S T . ... 41 T abela 11. Médias das variáveis do R A S T ( V eloc idade, F orça, P otênc ia e Índic e de F adig a) . ... 41 T abela 12. C orrelaçã o entre variáveis do R A S T e variáveis do C A F P . ... 42 T abela 13. C arac teriz açã o da s ubamos tra do tes te de V O 2máx em laboratório. ...43 T abela 14. V ariáveis do T es te de V O 2 em laboratório. ... 43 T abela 15. C orrelaçã o dos tempos do C A F P e variáveis do tes te de V O2 em laboratório. ...44
T abela 16. C arac teriz açã o da s ubamos tra do retes te ( Idade, T empo de S erviço, C C e A F ) . ... 45 T abela 17. Médias e D es vio P adrã o do C A F P (tes te e retes te) e valores e s ig nificâ nc ia do T -tes t. ... 45 T abela 18. A lfa de C ronbac h e C oefic iente de C orrelaçã o Intrac las s e das variáveis do
C A F P . ...46 T abela 19. R es ultados da R eg res s ã o L inear das variáveis T1, TT, F C1, F CF inal, L a5min e P S E
do tes te/retes te do C A F P . ... 46 T abela 20. P erc entis do TT de exec uçã o do C A F P , por G rupos de Idade. ... 47
T abela 21. C las s ific açã o e intervalo de P erc entis para exec uçã o do C A F P . ... 47 T abela 22. Média e D es vio P adrã o de T empo de S erviço, C ompos içã o C orporal, T es tes de A pF , A tividade F ís ic a e C A F P , por G rupos de Idade. ... 91 T abela 23. C arac teriz açã o da s ubamos tra de 30 elementos que realiz ou o R A S T ,
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ND IC E D E F IG UR A S
F ig ura 1. Des enho do E s tudo ...21 F ig ura 2. L ayout do C A F P e L eg enda. ...24 F ig ura 3. R etas de R eg res s ã o das variáveis T1, TT, F C1, F CF inal, L A5min e P S E . ...59
F ig ura 4. Des enho 3D do layout do C A F P . ...81 F ig ura 5. T es te direto de V O2máx em laboratório. ... 82
F ig ura 6. R unning -bas ed A naerobic S print T es t (R A S T ). ... 82 F ig ura 7. C inturã o O perac ional c om arma, bas táo e alg emas . ...83 F ig ura 8. B alança de bioimpedâ nc ia dig ital T anita® B C -601. ... 83 F ig ura 9. D inamómetro de preens ã o manual dig ital S medley T akei® T K K 5401 G rip-D. ... 83 F ig ura 10.C ronómetro “G eonaute® O n S tart T R T ’L 300”. ...84 F ig ura 11. A nalis ador P ortátil de L actato ( L A C ) no S ang ue “L ac tate S c out+ ® ” e tiras
L IS T A D E A B R E V IA T UR A S E S IG L A S
A F - A tividade F ís ic a
A C S M - A meric an C ollege of S ports Medic ine
A H A - A meric an Heart A s s oc iation
A p F - A ptidã o F ís ic a
B F O R - B ona F ide O cc upational R equirements
C A F P - C irc uito de A ptidã o F ís ic a para a F unçã o P olic ial
C A R - C entro de A lto R endimento
C IA R - C ooper Ins titute of A erobics R es earc h
C MJ - C ounter-movement J ump
C O ME T L IS - C omando Metropolitano de L is boa
C O P A T - C orrec tional Officers P hys ic al A bilities T es t D N P S P - D ireçã o Nac ional da P S P
D G S - D ireçã o G eral de S aúde
E F - E xerc íc io F ís ic o
F C - F requênc ia C ardíac a
F S S - F orças e S erviços de S eg urança
F IT C O - F itnes s T es t for C orrec tional O ffic ers
IMC - Índic e de Mas s a C orporal
IP A Q - International P hys ic al A c tivity Q ues tionnaire
IS C P S I - Ins tituto S uperior de C iê nc ias P olic iais e S eg urança Interna J T S T - J ob-tas k S imulation T es ts
L A - L actato
% MG - P erc entag em de Mas s a G orda
% MM - P erc entag em de Mas s a Mag ra
NA F - Nível de A tividade F ís ic a
P A R E - P hys ic al A bilities R equirement E valuation
P A T - P rovas de A ptidã o T écnic a
P C T - P hys ic al C ompetenc e T es t
P O P A T - P olic e O ffic ers P hys ic al A bilities T es t P R E P - P hys ic al R eadines s E valuation for P olic e
P S E - P erc eçã o S ubjetiva de E s forço
P S P - P olíc ia de S eg urança P úblic a
Q R - Q uoc iente R es piratório
R A S T - R unning -bas ed A naerobic S print T es t
R C MP - R oyal C anadian Mounted P olic e
R M - R epetiçã o Máxima
S H - S alto Horiz ontal
S ME - S ubjec t Matter E xperts
S O - S ubunidade O perac ional
UE P - Unidade E s pec ial de P olíc ia
V O2 - V olume de O xig énio
V O2máx - V olume Máximo de O xig énio
V C O2 - V olume de Dióxido de C arbono
W A nt - W ing ate A naerobic T es t
UNID A D E S D E ME D ID A E S IG L A S D A S T A B E L A S D E D A D O S
A b s /min - A bdominais por minuto
bpm - B atimentos por minuto
c m - C entímetros
C C I - C oeficiente de C orrelaçã o Intrac las s e
C MJ - C ounter-movement J ump
D P - D es vio P adrã o
F C0 - F requênc ia C ardíac a antes da prova
F C1 - F requênc ia C ardíac a após o elemento de P ers eg uiçã o da prova
F CF i nal - F requênc ia C ardíac a no final da prova
F CP eak - P ic o de F requê nc ia C ardíac a reg is tada em tes te de laboratório
F CL im. A eróbio - F requênc ia C ardíac a reg is tada no L imiar A eróbio
F CL im. A naeróbi o - F requênc ia C ardíac a reg is tada no L imiar A naeróbio
F CMáx ima - F requênc ia C ardíac a Máxima reg is tada em tes te de laboratório
F lex ões /min - F lexões de braços no s olo por minuto
IMC - Índic e de Mas s a C orporal
K g - Q uilog ramas
K g f - Q uilog ramas força
K g /m
2
- Q uilog ramas por metro quadrado
K g .P C
-1
- Q uilog ramas por P es o C orporal
L a0 - L actato medido antes da prova
L a1 - L actato medido após o elemento de P ers eg uiçã o da prova
L aF inal - L actato medido no final da prova
L a5min - L actato medido 5 minutos após o final da prova
L I - L imite Inferior
L S - L imite S uperior
M - Média
ME T /s emana - C ons umo energ étic o em ME T por s emana ml.k g
-1
.min
-1
- Mililitro de c ons umo de oxig énio por quilog rama por minuto
% MM - P erc entag em de Mas s a Mag ra
mmol/L - Milimoles por L itro de lac tato
m.s
-1
- Metros por s eg undo
N - NeRton ( unidade de medida de F orça)
Pmáx C MJ - P otênc ia Máxima do C ounter-movement J ump
Q RP eak - P ic o de quoc iente R es piratório reg is tado em tes te de laboratório
Q RL im. A eróbio - Q uoc iente R es piratório no L imiar A eróbio
Q RL im. A naeróbi o - Q uoc iente R es piratório no L imiar A naeróbio
Q RMáx imo - Q uoc iente R es piratório Máximo reg is tado em tes te de laboratório
1R M S upino - R epetiçã o Máxima de S upino reto
( s ) - S eg undos
T1 - T empo de exec uçã o do elemento de P ers eg uiçã o da prova
T2 - T empo de exec uçã o do elemento de R es oluçã o da prova
TT - T empo total de exec uçã o da prova
Vmáx C MJ - V eloc idade Máxima do C ounter-movement J ump
V O2máx - V olume Máximo de O xig énio
V O2Máx imo - V olume Máximo de O xig énio reg is tado em tes te de laboratório
V O2P eak - P ic o Máximo de V olume de O xig énio em tes te de laboratório
V O2L im. A eróbio - V olume de O xig énio reg is tado no L imiar A eróbio
V O2L im. A na eróbi o - V olume de O xig énio reg is tado no L imiar A naeróbio
W - W atts ( unidade de medida da P otênc ia)
W . s
-1
“T he bottom line is that it does n’
t matter hoR infreq uently y ou ma y be c a lled on
to perform a phy s ic al tas k if it is a c ritic al one. If y ou’
re not fit, at bes t y ou’
v e
faile d in y our duty ; at R ors t, y ou or s omeo ne els e ma y be injured or k ille d.”
Introduçã o
A P olíc ia de S eg urança P úblic a ( P S P ) é uma ins tituiçã o c uja L ei Org â nic a, L ei n.º 53/2007 de 31 de ag os to, c aracteriz a log o no s eu artig o (A rtº ) 1º , números 1 e 2 c omo“… força de s eg urança, uniformiz ada e armada, c om naturez a de s erviço público” e c uja mis s ã o é “… as s eg urar a leg alidade democ rátic a, g arantir a s eg urança interna e os direitos dos c idadã os , nos termos da C ons tituiçã o e da lei”.
D e ac ordo c om es te diploma, s ã o atribuições da P S P , firmadas no s eu A rtº 3º nº 2, alíneas b) “G arantir a ordem e a tranquilidade públic as e a s eg urança e a proteçã o das pes s oas e dos bens ;”, i) “P roteg er, s oc orrer e auxiliar os c idadã os e defender e pres ervar os bens que s e enc ontrem em s ituações de perig o, por c aus as provenientes da açã o humana ou da naturez a;” e j) “Manter a vig ilâ nc ia e a proteçã o de pontos s ens íveis ,… ”.
É c om vis ta a c umprir c om es tes objetivos que todos os dias os nos s os elementos operac ionais da s e c oloc am no terreno, em modalidade 24/7, prontos a ac orrer a qualquer s ituaçã o para a qual s ejam s olic itados e s em s aber qual a oc orrênc ia que s e s eg ue.
E s ta dis ponibilidade e prontidã o implica que os nos s os políc ias s ejam pos s uidores de um c onjunto de c aracterís tic as e c onhec imentos que lhes permitam dar s oluçã o à s mais variadas s ituações a que s ã o c hamados .
Há, por is s o, uma preoc upaçã o por parte das forças e s erviços de s eg urança (F S S ) em s elec ionar log o à partida os elementos mais competentes e c apaz es ( bring to the job c ompetenc ies ) , dotando-os à pos teriori de c onhec imentos téc nic os mais es pec íficos (on the job c ompetenc ies ), c om vis ta a uma efic az e efic iente atuaçã o no terreno ( S eg uin, 2015) .
Muito à imag em daquilo que acontec e nas F S S um pouco por todo o mundo ( S trating , B akker, D ijks tra, L emmink & G roothoff, 2010; R os s omano, Herrik, K irk & K irk, 2012; Herrador-C olmenero, F ernandez -V ic ente & R uiz , 2014; S eg uin, 2015), a P S P apres enta tes tes de aptidã o fís ic a ( A pF ) (F rias , 1999) no s eu proc es s o de s eleçã o de c andidatos , c om o intuito de g arantir que es tes pos s uem a des trez a fís ic a mínima exig ível para o s erviço.
É , aliás , após o iníc io da s ua atividade profis s ional propriamente dita, altura em que es tas c apac idades fís ic as s e afig uram realmente nec es s árias , que as F S S deixam de olhar mais atentamente para es ta ques tã o. P ouc as políc ias s ubmetem os s eus ativos a avaliações de c apac idade fís ic a para o s erviço e menos ainda s ã o as que o faz em c om carác ter obrig atório ( B rec i, 2005).
A pes ar de pouc o frequentes , c onforme afirmam Hoffman e C olling Rood (2015), Mol e D e V ries ( 2007) , R hea (2015) , B onneau e BroRn (1995) , o elevado grau de exig ênc ia de muitas das oc orrê nc ias polic iais , bem c omo a g ravidade dos res ultados em cas o de ins uc es s o, exig em uma c ons tante preparaçã o e c apac idade fís ica para atuar por parte do políc ia.
C om efeito, o es pectro da atuaçã o polic ial é tã o vas to que de um momento para o outro s e pas s a de uma mera e pac ata ronda para uma s ituaçã o onde a A pF dos operac ionais s e apres enta c omo determinante para g arantir, de forma s eg ura e efic az , o s uc es s o e s atis fatória res oluçã o da oc orrênc ia, do ponto de vis ta da s ua s eg urança e integridade fís ic a, do( s ) s eu( s ) c oleg a( s ) e/ou do c idadã o (R hea, A lvar & G ray, 2004; Hoffman & C olling Rood, 2015) .
F alamos de s ituações que vã o des de uma s imples des obs truçã o de uma via de c irc ulaçã o, a uma exig ente pers eg uiçã o de um s us peito e o as s eg urar da s ua detençã o, à eventual e c rític a nec es s idade de pres tar s oc orro a c oleg as ou vítimas , e is to s em es quec er, c laro es tá, as s ituações em que tem de repelir uma ameaça à própria integridade fís ica ou mes mo à vida. ( A rvey, L andon, Nutting & MaxRell, 1992; A nders on, P lec as & S egg er , 2001; Dilern, R ag nar, L ag es tad, Nyg ard & Ing brigts en, 2014).
E ntendemos , por is s o, que a s eg urança, a c apacidade fís ic a e a s aúde (K ales , T s is menakis , Z hang & S oteriades , 2009; K uhns , E dRard & Nanc y, 2015) dos nos s os elementos polic iais , para o des empenho das s uas funções , deverá s er entendido um fator c rític o e es s enc ial, merec edora de um olhar mais atento por parte da P S P .
Uma das formas que as F S S pos s uem de monitoriz ar a c apac idade fís ic a para o s erviço por parte dos s eus operac ionais é a implementaçã o de tes tes es pec ífic os que permitam aferir quanto à s c ompetê nc ias des ta naturez a por parte dos mes mos ( S trating et al., 2010).
"T he purpos e of fitnes s tes ting is to dis criminate Rho c an effec tively perform the phys ical job tas ks vers us Rho c annot effec tively perform the phys ic al job tas ks ” ( C ooper, 2005).
ins trumento para a s eleçã o de novos c andidatos , podendo para tal ter que s er s ujeitos a ajus tes em termos de parâ metros ( S tating et al., 2010) .
A lg o que deve s er tido em c onta é que muitos dos tes tes em us o c orrente nas F S S , mormente para a s eleçã o de novos c andidatos e para a formaçã o inicial, c arec em de validaçã o. B rec i ( 2005) refere no s eu es tudo que das 35 ag ê nc ias polic iais que integ raram a s ua amos tra, 22 delas apres entavam tes tes fís ic os para ac es s o ou aprovaçã o nas s uas A c ademias . P orém, apenas 13 haviam realiz ado es tudos de validaçã o ou anális e func ional para s uportar os ditos tes tes .
P es e embora exis tam na P S P alg umas provas de aptidã o téc nica (P A T ) em us o nas S ubunidades O perac ionais ( S O ) da Unidade E s pec ial de P olíc ia ( UE P ) ( B elc hior, 2015), es tas c arec em ainda de validaçã o. A lém do mais, es tã o voltadas ( e bem) para as c arac terís tic as da funçã o das res petivas S O e nã o para a populaçã o c om funções polic iais em g eral.
A nec es s idade de apos tar na s aúde, bem-es tar e na qualidade de vida do públic o interno é já uma realidade na P S P , que s e pode verific ar pela inc lus ã o des s a temátic a nas G randes O pções E s tratég ic as da P S P para 2017-2020 da D ireçã o Nac ional da P S P ( D N P S P ) (2016) e pela determinaçã o pres ente na Ordem de S erviço do C omando Metropolitano de L is boa ( C O ME T L IS ), datada de dia 30 de D ez embro de 2016, onde s e proc ura implementar a prática de atividade fís ic a durante o período laboral para todos os elementos polic iais , no s erviço adminis trativo e operac ional.
P erante es tes des envolvimentos , nada mais pertinente do que dotar a P S P de uma ferramenta válida e c ientific amente s us tentada que permita s uprir es s as nec es s idades .
C apítulo I - E nquadramento T eó
ric o da Inv es tig açã o
1.1 E x e rc íc io F ís ic o , A tiv ida de F ís ic a e A p tidã o F ís ic a
P ara o des envolvimento do nos s o es tudo foi importante definir e entender a relaçã o entre os c onc eitos de E xerc íc io F ís ic o ( E F ) e A tividade F ís ic a (A F ) e A pF . C om efeito, e s eg undo Mas s uça ( 2011) , es tes s ã o c onc eitos fortemente relac ionados mas c om s ig nific ados bas tante dis tintos .
R elativamente ao E F , C as pers en, P oRell e C hris tens on ( 1985) des c revem-no c omo “toda e qualquer atividade fís ic a que é planeada, es truturada e repetida, tendo como objetivo, final ou intermédio, manter ou melhorar aptidã o fís ic a”, opiniã o es ta partilhada por W elk, ( 2002), W arburton, Nic ol e B redin (2006) e Mas s uça ( 2011) .
C onc eitos tidos c omo s emelhantes em raz ã o de um empreg o inc orreto s ã o os de A F e A pF . S endo termos que s e relac ionam, s ã o bas tante dis tintos e diferenc iados . A F des c reve-s e g eneric amente c omo um c omportamento enquanto a A pF s e as s ume c omo uma c araterís tic a biológ ica ou fís ic a (Meredith & W elk, 2013). De uma forma s uc inta, a A F é um qualquer movimento do c orpo produz ido pelos mús c ulos es quelétic os que res ulte num g as to energ étic o ( C as pers en et al., 1985) e que tem efeitos diretos na A pF do s ujeito.
W elk ( 2002) refere-s e à A F para a s aúde c omo ”qualquer movimento c orporal produz ido pelos mús c ulos es quelétic os que res ulte num dis pêndio de c alorias ”. E s ta ideia relativamente à A F era já defendida por C as pers en et al. ( 1985), que cons ideravam que embora a A F nã o vis as s e a melhoria da s aúde, muitas vez es es te era um res ultado que s e obtinha de forma menos intenc ional.
W arburton et al. (2006) c orroboram a opiniã o, ac res c entando que na A F s e inc lui todo o movimento corporal do qual res ulte um aumento da produçã o energ étic a, partindo s empre da s ituaçã o de des c ans o. Nes ta mes ma linha s urg e G arber et al. ( 2011) que eng loba no termo A F os exerc íc ios , des portos , loc omoçã o por meio de atividade própria, atividade fís ic a do quotidiano e de laz er. E m s uma, podemos entender por A F todo o movimento que o s er humano realiz a, rec orrendo aos mús c ulos es quelétic os , s eja ele planeado o nã o, voluntário ou es pontâ neo, repetitivo ou s ing ular.
A A pF es tá intimamente relac ionada c om a c apac idade para realiz ar de forma s atis fatória determinadas tarefas mus c ulares ou motoras por parte do indivíduo, s em exis tê nc ia de reg is tos relativos a ag res s ões relevantes para o organis mo (W HO, 1975).
Na vis ã o de Hoffmann e C olling Rood ( 1995) a A pF é a habilidade de realiz ar tarefas diárias c om vig or e prontidã o adequadas à s exig ê nc ias , s em ac us ar c ans aço e dis pondo de energ ia para des frutar dos des afios nos tempos livres e enfrentar s ituações de emergê nc ia. Hoffmann e C olling Rood ( 2005) ac res c entam que é a c apac idade de produz ir uma g rande quantidade de atividade motora, rec orrendo ao trabalho mus cular de forma s atis fatória, equilibrada e c om ê xito. P ara C as pers en et al. ( 1985), trata-s e da “habilidade de c onc retiz ar tarefas diárias c om vig or e prontidã o, s em c ans aço ou fadig a exc es s iva, mantendo, ainda as s im, grandes quantidades de energ ia”. E ntendem es tes autores que a A pF pode s er percebida c omo forma de aferir da s aúde do indivíduo. J á W arburton et al. (2006) vã o mais longe, atribuindo à A pF méritos que vã o além da s aúde fís ica e apontando-a c omo “um es tado de bem-es tar ps ic ológ ico que permite ir ao enc ontro das exig ê nc ias do quotidiano ou que proporc iona o bás ic o para o des empenho des portivo, ou ambos ”.
P ris c iliano ( 2014) , analis ando os níve is de A pF g eral da populaçã o polic ial da P S P , c onc luiu que es ta apres entava índic es s uperiores aos da populaçã o nac ional, indic iando níveis de s aúde mais elevados . E m s entido c ontrário, es tudos anteriores feitos em políc ias de vários outros país es defendem que a A pF média dos elementos policiais es tá abaixo da média da populaçã o loc al, bem c omo abaixo dos níveis médios de A pF da populaçã o em ambiente c orrec ional (P olloc k, G ellman, P ric e & K ent., 1977; C olling Rood c it in B onneau & BroRn, 1995; Houtman, J etting hof, B renninkmeijer & van den Berg , 2005; S trating et al., 2010).
C ons iderada c omo um dos elementos repres entativos de bem-es tar e qualidade de vida do indivíduo, a A pF tem um reflexo na s aúde g eral do mes mo ( C orbin, 1987) . G laner (2005) referia que a A pF c ompreende duas vertentes dis tintas . Uma as s oc iada à s aúde e outra as s oc iada ao des empenho. A lg uns autores referem mes mo que fatores c omo o baixo nível de A pF e a falta de A F as s umem papéis de des taque em s ituações de des envolvimento de doenças crónic o-deg enerativas , em es pec ial quando falamos de c las s es s oc iais mais des favorec idas ou profis s ões de ris c o e c om elevado g rau de exig ê nc ia para o org anis mo ( B aptis ta et al., 2011) .
Nã o s e trata de verific ar ou entender s e o indivíduo pos s ui ou nã o índic es de s aúde mais ou menos elevados mas s im s e es te s e enc ontra c apaz de des empenhar uma funçã o c ons iderada c omo altamente exig ente do ponto de vis ta fís ic o ( S luiter, 2006) .
1.2 A A p tidã o F ís ic a e a A çã o P olic ial
Numa c onjuntura europeia onde a s egurança pode s er pos ta em c aus a a qualquer momento e as F S S pos tas à prova, é nec es s ário um olhar mais atento para aquele que as s umirá, no g ros s o dos c as os , o papel de “firs t res ponder”. A as s unçã o des te papel res ulta na nec es s idade e obrig açã o de atuar em c enários de elevada perig os idade e de ris c o, para o próprio e para terc eiros (S luiter, 2006; Hoffman & C olling Rood, 2015) .
“T odo o membro das forças de s eg urança s e prepara fís ic a, ps íquic a e moralmente para o exerc íc io da s ua atividade e aperfeiçoa os res petivos c onhec imentos e aptidões profis s ionais , de forma a c ontribuir para uma melhoria do s erviço a pres tar à c omunidade” ( A rtº 14º nº 1 da R es oluçã o do C ons elho de Minis tros n.º 37/2002, que aprova o C ódig o D eontológ ic o da P S P ).
G umieniak, J amnik e G ledhill (2013) afirmam que nos c as os em que a s eg urança do trabalhador, dos s eus c oleg as e do público em geral dependa de uma atuaçã o efic iente do vis ado, é importante que es te s eja pos s uidor das c apac idades nec es s árias para c umprir c om as exig ê nc ias do s eu trabalho.
O c umprimento dos deveres que rec aem s obre as forças de s eg urança, no c as o em partic ular da P S P , implic am a s ujeiçã o c ons tante a cenários de inc ertez a e por is s o s e impõe a pres ença de níve is mínimos de A pF dos s eus elementos durante o período em que es tejam a des empenhar funções operac ionais ( K napik et al., 2011; A nders on et al., 2001) .
Muito embora os es tudos apontem para a exis tência de larg os períodos de inatividade durante o s erviço policial, nã o nos podemos es quec er que embora pos s am nã o s er muito frequentes , as s ituações em que o operac ional é c hamado a intervir s ã o muitas das vez es de c ariz crític o ( B onneau & BroRn, 1995) . B onneau e B roRn (1995) c omparam mes mo a atuaçã o de um políc ia à de um nadador-s alvador. P odendo até pas s ar 90% do tempo s em nada faz er, s entado numa c adeira, quando é c hamado a atuar, a s ua falta de c apac idade poderá ditar a perda de uma vida, podendo es ta s er mes mo a s ua.
frequente. A c onduçã o dos s us peitos para a pris ã o, em res ultado des s es epis ódios , apres entava também des afios à c apac idade fís ic a dos ag entes . P or es s es motivos , ing res s avam nas forças polic iais daquele período elementos que obedec iam es s enc ialmente a c ritérios es tabelec idos de altura e pes o, entendidos entã o c omo os mais c apaz es para levar a c abo a mis s ã o, no que à s exig ênc ias fís ic as des ta diz ia res peito (B onneau & B roRn, 1995; A nders on et al., 2001; Hoffman & C olling Rood, 2015) .
C om as exig ê nc ias do polic iamento moderno, es te paradigma há muito que s e abandonou em detrimento de uma maior apos ta na formaçã o dos rec urs os humanos e otimiz açã o dos meios téc nic os c om vis ta a um maior c ontrolo e res triçã o no us o da força para res oluçã o das oc orrê nc ias polic iais .
Nã o obs tante, há ainda hoje um c laro as s umir da importâ nc ia das c apacidades fís ic as dos operac ionais das F S S que es tá bem patente na relevâ nc ia que es tas detê m no proc es s o de s eleçã o de c andidatos (B rec i, 2005; Herrador-C olmenero et al., 2014).
O s c andidatos s ã o s ubmetidos a um c onjunto de tes tes de A pF g eral, tendo de ating ir os patamares definidos c omo mínimos para que s eja dado c omo apto a frequentar o c urs o de formaçã o res petivo. A exis tê nc ia de uma c omponente voltada para o exerc íc io fís ic o ao nível da formaçã o inic ial de ag entes e ofic iais da P S P (Monteiro, 2005) , vem reforçar a importâ nc ia des tas c apac idades ( S eg uin, 2015).
C ontudo, e na P S P muito à imag em daquilo que ac ontec e nas forças de s eg urança um pouc o por todo o mundo ( L ons Ra y, 2003; Herrador-C olmenero et al., 2014) , as F S S apres entam tes tes de A pF no s eu proc es s o de s eleçã o de candidatos mas nã o mais a verificam após a s ua entrada ao ativo ( S trating et al., 2010; R os s omano et al., 2012; S eg uin, 2015) .
“… é perc etível que enquanto o c omum polícia termina a s ua formaçã o na ac ademia em exc elente c ondiçã o fís ic a, a naturez a s edentária da s ua funçã o diária c onduz a uma rápida deterioraçã o da s ua aptidã o fís ic a.” (W ilmore & Davis , 1979) .
R hea (2015) refere-s e inc lus ive aos elementos das F S S c omo atletas tátic os , c uja atividade profis s ional é de naturez a imprevis ível e c om um leque variado de tarefas exig entes ao nível da força mus c ular, potênc ia mus c ular e res is tê nc ia aeróbia. C atalog adas como ‘high demand job’, as forças polic iais devem des envolver tes tes aptos a aferir da c apac idade dos s eus operac ionais para des empenhar as funções es pec ífic as da profis s ã o ( S luiter, 2006).
os mais elevados níveis de preparaçã o, s eja ela fís ic a, mental ou téc nica ( B elc hior, 2015). P orém, nada do g énero es tá implementado para os elementos que des empenham funções fora do â mbito da UE P .
S eja pela maior frequê nc ia c om que s urg em determinadas oc orrênc ias , s eja pelo c arác ter c rític o que es tas podem apres entar, as F S S podem e devem exerc er alg um nível de es c rutínio s obre es tas c ompetê nc ias , z elando as s im pela s eg urança dos s eus elementos e pelo s uc es s o da mis s ã o que es tes s ã o c hamados a exec utar (C ooper Ins titute, 2014).
“A g iven ag enc y has the latitude to implement phys ical fitnes s tes ting , s tandards and prog rams . No one c an leg itimately arg ue that phys ical fitnes s is not job related” ( Brec i, 2005).
Hoffman e C olling Rood (2015) c omparam a nec es s idade de pos s uir níveis mínimos de A pF à nec es s idade de pos s uir c apac idades para efetuar o rec urs o à arma de fog o. P odendo até raramente rec orrer a es tas , quando nec es s árias , torna-s e vital para o operac ional s er pos s uidor das mes mas .
P ara is s o é nec es s ário criar e definir protoc olos aptos a verific ar a exis tê nc ia ou nã o des tas c ompetê nc ias , e que s ervirã o de s uporte à implementaçã o de medidas c apaz es de c ontrariar es ta tendê nc ia g eneraliz ada que s e verifica nas F S S ( C ooper Ins titute, 2014) .
1.3 E v o luçã o dos P ro c es s o s de S ele çã o F ís ic a d as F S S
V imos anteriormente que, inic ialmente, o proc es s o de recrutamento para as F S S proc urava g arantir que os s eus elementos pos s uíam as c apac idades fís ic as para lidar c om as divers as s ituações exig entes apres entadas aos políc ias no terreno foc ando meramente parâ metros de altura e pes o do c andidato ( B onneau & BroRn, 1995; S hephard & B onneau, 2002; S eg uin, 2015) .
S eg undo Maher ( 1984), es tas c aracterís tic as as s umiam-s e c omo fundamentais para s e defenderem dos s us peitos e para os c ons eg uirem dominar, para verem s obre multidões , c erc as e vedações e para adquirirem alg uma vantag em ps ic ológ ic a s obre os oponentes .
J á num s eg undo momento, a s eleçã o dos elementos polic iais pas s a a c entrar-s e na aferiçã o de parâ metros da c ondiçã o fís ic a as s oc iados à s aúde do c andidato.
P ara tal, s ubmetem os c andidatos a uma s érie de tes tes dis tintos c om o propós ito de quantific ar os s eus res ultados relativamente ao parâ metro da aptidã o fís ic a que es tá s ubjac ente ao tes te em ques tã o ( B onneau & B roRn, 1995; Deakin, S mith, P elot & W eber, 2000; Hoffman & C olling Rood, 2005; 2015) .
A interpretaçã o des tes valores é entã o feita de ac ordo c om o g énero e a idade do c andidato, devidamente ag rupados por perc entis , o que permitia faz er uma c omparaçã o entre o c andidato e a populaçã o em g eral. O problema c om es ta abordag em é que nã o g arantia uma performanc e efic az por parte do c andidato/elemento perante as tarefas da funçã o. A penas permitia diz er que relativamente à populaçã o g eral do s eu g rupo c orres pondente ( ex: homem c om idade entre os 20 e os 30 anos ) es te s e enc ontrava ou nã o na média ( Hoffman & C olling Rood, 2005; Hoffman & C olling Rood, 2015; S éguin, 2015).
F oi c om o foc o na performanc e efetiva das tarefas da atividade policia l que foi adotado pela políc ia federal c anadiana o P hys ic al A bilities R ea dines s E valuation ( P A R E ) em 1992 e pelos s erviços c orrec ionais de O ntário pela introduçã o do P hys ic al R eadines s for P olic e ( P R E P ) em 1995 ( S eg uin, 2015).
E s tes últimos s ã o já repres entativos de uma terc eira fas e em matéria de métodos de avaliaçã o da aptidã o fís ic a e s eleçã o de c andidatos para as F S S ( S eg uin, 2015) . P retendem s er s imulações ric as em c onteúdo das tarefas a des empenhar pelos elementos operac ionais no terreno (F arenholtz & R hodes , 1986).
Num s ó tes te, proc uram-s e inc luir elementos c apaz es de analis ar a c apacidade do c andidato para c umprir c om tarefas c rític as que requerem veloc idade, c oordenaçã o, tempo de reaçã o, ag ilidade, equilíbrio e força (A nders on & P lec as , 2008) , enc ontrando-s e es tas ins eridas num c enário onde é s imulada uma oc orrê nc ia policial.
A qui é replic ada a des loc açã o para o loc al da oc orrê nc ia ou pers eg uiçã o do s us peito, a res oluçã o do problema ( des obs truçã o de via, luta c om s us peito, etc … ) e a remoçã o do problema ( s oc orro a vítima, trans porte do s us peito, etc … ) ( F arenholtz & R hodes , 1990; A nders on et al., 2001; S eg uin, 2015).
1.4 T arefas e R equis itos O c upac ionais de B ona F ide
O s requis itos fís ic os de ac es s o a determinados g rupos profis s ionais , entre os quais as políc ias , des de há muito que é alvo de permanentes obs ervações e reparos . E m c aus a es tã o ques tões de ac es s o ig ualitário por parte de pes s oas de ambos os g éneros , de diferentes idades e mes mo de pes s oas que, s endo portadoras de alg um tipo de deficiê nc ia fís ic a, s e pos s am c ons iderar c apaz es para des empenhar a funçã o ( B irz er & C raig, 1996; S hephard & B onneau, 2002; S luiter, 2006; B oyc e, J ones , S chendt, L loyd & B oone, 2009; S trating et al., 2010; B is s ett, B is s et & S nell, 2012; Hoffman & C olling Rood, 2015; S eg uin, 2015).
A exis tê nc ia de requis itos mínimos em matéria de c apac idades fís icas é muitas vez es apres entado c omo elemento preponderante para a heg emonia mas c ulina que s e verific ava ( e ainda verifica) nas F S S e forças militares ( S hephard & B onneau, 2002).
Nã o obs tante pos s am exis tir vantag ens em ajus tar os parâ metros de s eleçã o de ac ordo c om g énero, idade e até alg uns tipos de defic iênc ia fís ica, a definiçã o de valores mínimos únic os propos tos c om bas e na capac idade de realiz ar a funçã o, as s ume-s e c omo forma trans parente de s elec ionar os c andidatos , tornando vaz ia qualquer ac us açã o de dis criminaçã o por parte da F S S ou des adequaçã o dos tes tes em c aus a (Deakin et al., 2000).
V árias foram as ac us ações nes te s entido que foram s urg indo ao long o dos anos . Is to levou a que fos s e c riada leg is laçã o e juris prudênc ia ( C ivil R ig hts A c t, D is c rimination in E mployment A c t, A meric an Rith Dis abilities A c t e Uniform G uidelines da C omis s ã o de Ig ualdade de O portunidades no E mpreg o nos E UA ; Meiorin Dec is ion proferida pelo T ribunal dos D ireitos Humanos no C anadá) que nos diz que, para s erem válidos , os tes tes e protoc olos es pec ífic os de aptidã o fís ic a profis s ional devem as s entar em repres entações realís tic as das tarefas a des empenhar pelos operac ionais ( c ontent validity) ou em tes tes aptos a medir as c omponentes fís ic as s ubjac entes à s ditas tarefas ( c ons truct validity) ( S heppard & B onneau, 2002) .
P ara c umprir c om es tas exig ênc ias tornou-s e fundamental identific ar os denominados requis itos oc upac ionais de boa-fé (bona fide occ upational requirements ou B F O R ). E s tes B F O R func ionam c omo c ompetênc ias que o c andidato deve pos s uir na fas e de c andidatura ( bring -to-the-job) c ontrariamente ao que s ã o c ompetê nc ias adquiridas após ing res s o ( on-the-job) ( S hephard & B onneau, 2002; G umieniak et al., 2013) .
O s tes tes aplic ados e os s eus itens devem entã o apoiar-s e nos B F O R e devem: a) s er rac ionalmente as s oc iáveis ao des empenho da funçã o; b) s er adminis trados c om bas e numa c rença hones ta e de boa-fé; c) apres entar valores de s uc es s o que s ejam entendíve is c omo raz oave lmente nec es s ários para o c umprimento efetivo exig ê nc ias da funçã o ( E id & G ed, 2001) .
E s tes B F O R res ultam de um proc es s o que vai permitir identific ar as tarefas mais frequentes e c rític as da funçã o. A definiçã o des tas tarefas deve ter por bas e uma anális e e obs ervaçã o direta que vai elenc ar toda uma s érie de movimentos fis ic amente exig entes e mais frequentes da atividade polic ial.
P ara tal, téc nic as c omo ac ompanhamento nos turnos de s erviço ( ride-along s ) , inquéritos aos operac ionais e anális e de peritos na matéria ( s ubject matter experts ou S ME ’s ) s ã o fundamentais para identificar o c ore das tarefas crític as e frequentes do s erviço policial ( S hephard & B onneau, 2002; C olling Rood & Hoffman, 2004; A nders on & P lec as , 2007; J amnik, T homas , B urr & G ledhill, 2010; P ayne & Harvey, 2010) .
D os es tudos realiz ados para identific ar es tas tarefas , res ulta um c onjunto muito s imilar de tarefas frequentes e/ou crític as para o c umprimento das exig ê nc ias da funçã o polic ial ( A rvey et al., 1992; B onneau & B roRn, 1995; A nders on et al., 2001; C olling Rood & Hoffman, 2004; S trating et al., 2010; B is s ett et al., 2012; P ryor, C olburn, C rill, Hos tler &S uyama, 2012; Hoffman & C olling Rood, 2015) .
D e uma forma g eral, as tarefas identific adas s ã o:
a) C aminhar, em s erviço de patrulha;
b) C orrer em c urtas /médias dis tâ nc ias , em terreno des nivelado e inc erto; c ) S ubir e des c er es c adas , a c orrer ou a c aminhar;
d) L evantar e trans portar carg as ligeiras , médias e pes adas ; e) S altar e trans por obs táculos ( muros , vedações , etc … ) ; f) C ontornar e des viar de obs tác ulos ;
g ) “G atinhar” s ob ou através de obs tác ulos /es paços c onfinados ; h) A rras tar objetos ;
i) E xtrair e arras tar vítimas inc ons c ientes ou inc apac itadas ; j) E mpurrar objetos pes ados ( c arros , des troços , etc … ) ; k) Dobrar/fletir e alc ançar (objetos , portas , janelas , etc … ) ;
l) Utiliz açã o de objetos de res triçã o/c ontençã o ( algemas , bas tões , es c udos , etc… ); m) Utiliz ar pés e mã os para auto-defes a;
O s múltiplos es tudos realiz ados s uportam a ideia que es te c onjunto de tarefas é repres entativo das tarefas frequentes e/ou c rític as realiz adas pelos elementos das F S S de uma forma g eneraliz ada ( B onneau & B roRn, 1995; B irz er & C raig, 1996; C olling Rood & Hoffman, 2004).
No relatório téc nic o elaborado por B onneau & B roRn ( 1995) é referido que as anális es de tarefas realiz adas na A mérica do Norte (E UA e C anadá) , E uropa e A us trália demons tram exis tir uma marc ada s emelhança no tipo e na intens idade das atividades fís ic as reportadas pelos elementos das diferentes F S S .
A pós determinadas as tarefas , s eg ue-s e a identific açã o das exig ê nc ias fís ic as as s oc iadas a es s as mes mas tarefas . S ã o analis adas por forma a permitir perc eber quais as ações fís ic as e os g rupos mus c ulares que es tã o pres entes no s eu des envolvimento, g raduando a s ua exig ênc ia quanto à s c apac idades envolvidas (P ayne & Harvey, 2010) .
E s te c onhec imento s erá depois integ rado nos diferentes tipos de tes tes a realiz ar, inferindo da A pF do elemento para a funçã o.
1.5 T ipo s de T es tes
O s tipos de tes tes de A pF utiliz ados nas F S S dis ting uem-s e pela naturez a dos s eus elementos c ons tituintes (B onneau, 2001( a) ).
A s s im, es tes podem s er: a) c ons tituídos por tes tes fís ic os dis tintos , integrando uma bateria de tes tes ; b) c irc uitos ou job-tas k s imulations ; e c ) mis tos ou híbridos , compos tos por uma s imulaçã o e um ou outro tes te fís ic o apto a verificar uma c omponente mais es pec ífic a da A pF ( B onneau, 2001( a) ;P ayne & Harvey, 2010; Herrador-C omenero et al., 2014; Hoffman & C olling Rood, 2015) .
O primeiro é c ompos to por um c onjunto de tes tes fís icos onde s e proc ura verific ar a c apac idade do elemento numa s érie de parâ metro da A pF . A relevâ nc ia des tes parâ metros para o c umprimento da funçã o é es tabelec ido pelo c onfronto entre o nível de s uc es s o na realiz açã o das tarefas es pec ífic as já identific adas e os tes tes aptos a quantific ar es tas c omponentes da A pF (S tanis h & C ampag na, 1999; C olling Rood & Hoffman, 2004; P ryor et al., 2012; Herrador-C olmenero et al., 2014; Hoffman & C olling Rood, 2015).
C omo exemplo, o tes te de s hutle run de 20 metros é um tes te apto a medir a c apac idade aeróbic a máxima do tes tado. E s ta, por s ua vez , poderá es tar fortemente correlac ionada c om a c apac idade do tes tado para realiz ar uma pers eg uiçã o de duraçã o s uperior a 5 minutos . D es ta forma, através de um tes te indireto ( s hutle run de 20 metros ), infere-s e da c apac idade do tes tado em realiz ar uma pers eg uiçã o de duraçã o s uperior a 5 minutos (P ayne & Harvey, 2010) .
P ara es tes tes tes é es s enc ial a validade dos c ons tructos ( c ons truc t validity) uma vez que o tes te em s i nã o es tá diretamente as s oc iado a uma tarefa identific ada. A forma indireta c omo s e c ons eg ue es tabelec er a lig açã o entre o tes te e a realiz açã o da tarefa implic a um rig or maior na fas e de as s oc iaçã o intermédia ( S hephard & B onneau, 2002; P ayne & Harvey, 2010; G umieniak, J amnik & G ledhill, 2011) .
P ara c ons eg uir es ta validade de c ons truc tos é prec is o muitas das vez es um inves timento log ís tic o c omplexo e dis pendios o, que implica ter de rec orrer a laboratórios bem equipados e onde as c ondições de es tudo s ã o bem c ontroladas (P ayne & Harvey, 2010) .
Um outro ponto a ter em c onta nes tes tes tes é o fac to de que uma tarefa a exec utar poderá ter de s er explic ada por mais do que uma c omponente da A pF ( F leis hman, Q uaintanc e & B roedling , 1984). C omo tal, aferir a c apac idade do tes tado naquela c omponente em c onc reto poderá nã o refletir a real performanc e des te perante a nec es s idade de exec utar determinada tarefa. A forma c omo vai c ons eg uir integrar as várias c omponentes na res oluçã o da oc orrê nc ia é s us c etível de g erar res ultados dís pares ( P ayne & Harvey, 2010) .
T abela 1. T arefas C rític as e F requentes e F atores da A pF .
T arefas F ator d a A pF P rinc ipal F ator d a A pF S ec undário P ers eguiçã o de duraçã o prolong a da -R es is tênc ia
C ardiores piratória
-R es is tênc ia Mus cular - A g ilidade
S prints c urtos -P otênc ia anae róbic a -F orça explos iva de pernas L evantar e c arreg a r -F orça de trem s uperior -R es is tênc ia Mus cular
-F orça explos iva de pe rnas S altar e trans por obs tác ulos -F orça explos iva de pe rnas -P otênc ia ana eróbic a S ubir es c adas e trepar vedações -P otênc ia ana eróbic a -R es is tênc ia Mus cular
-P otênc ia ae róbica -A g ilidade
A rras tar e puxar -F orça de trem s uperior -R es is tênc ia Mus cular -F orça explos iva de pe rnas E mpurrar -F orça de trem s uperior -F orça explos iva de pe rnas D es viar de obs tác ulos -A g ilida de -P otênc ia anaeróbic a
D obrar e alcançar -F lexibilidade
S ituações de us o da força com duraçã o < 2 minutos
-P otênc ia anae róbic a -F orça Mus cular -R es is tênc ia Mus cular -A g ilida de
S ituações de us o da força com duraçã o > 2 minutos
-R es is tênc ia C ardiores piratória
-F orça Mus cular -R es is tênc ia Mus cular -A g ilida de
F onte: A daptado de Hoffman e C ollingRood (2015)
No s eg uimento des ta aferiçã o, e a fim de s aber qual a forma c ompetente de verificar as ditas c apac idades da A pF ac ima elenc ados , vários autores apontam os s eg uintes tes tes , pres entes na T abela 2, c omo aptos a s ervir de métric a para c ada um des tes fatores ( Herrador-C olmenero et al., 2014; Hoffman & Herrador-C olling Rood, 2015) . D e ig ual forma, os es tudos da F itF orc e ( 2010) e o relatório F requently A s ked Q ues tions R eg arding F itnes s S tandards in L aR E nforc ement do C ooper Ins titute ( 2014) identific am es ta bateria de tes tes c omo c ompetente para avaliar a c apac idade fís ic a dos operac ionais das F S S .
T ab ela 2. F atores da A pF e T es tes
F ator d a A pF T es te
F orça A bs oluta de T rem S uperior - 1R M s upino, pe s o abs oluto (K g ou L bs )
- 1R M s upino, rác io (C arga/pes o do tes tado) (K g ou L bs ) F orça E xplos iva de P ernas -S alto vertic al (c m ou poleg adas )
F orça Dinâ mic a
-R es is tê nc ia Mus c ular A bdominal -A bdominais /minuto (nº de repetições c ompletas ) - R es is tê nc ia Mus c ular de trem S uperior -E xtens ões de braços no s olo ( nº máximo) F lexibilidade -S it and R eac h (c m ou polegadas )
R es is tênc ia/P otênc ia A eróbica - C orrida de 2,4 K m ( min´s ec ’’) ou caminhada de 1.6K m P otência A nae róbic a - C orrida de 300 metros (s eg undos )
A g ilidade -T es te de A g ilidade de Illinois (s eg undos )
S ã o entã o es tabelec idos c ut-points ( valores de c orte) a ating ir nos ditos tes tes fís ic os para s e poder diz er s e o elemento pos s ui ou nã o as c apac idades na medida neces s ária a obter um g rau de performanc e ac eitável nas exig entes tarefas a des empenhar ( Hoffman & C olling Rood, 2015) .
P ara o des envolvimento des tes tes tes muito c ontribuiu o C ooper Ins titute of A erobic s R es eac h (C IA R ) c om os múltiplos es tudos des envolvidos des de 1976, na área da A pF para a funçã o de políc ias , militares e outras profis s ões as s oc iadas à proteçã o e s oc orro de forma g eral ( C ooper Ins titute – F requently A s ked Q ues tions , 2014) . O s eu c ontributo foi es s enc ial na definiçã o das tarefas frequentes e/ou crític as da funçã o, na identific açã o das c omponentes da A pF s ubjac entes e no es tabelec imento de padrões as s oc iados à s ua performanc e ( Hoffman & C oliing Rood, 2015).
O lhamos entã o para o s eg undo tipo de tes tes , os c irc uitos de tarefas ou job-tas k s imulation tes ts ( J T S T ’s ) , utiliz ados para aferir a aptidã o fís ic a para a funçã o, que proc uram s imular s ituações de elevado g rau de exig ê nc ia dec orrentes da atividade policial. É elaborado um c enário onde o elemento deve s er c apaz de lidar de forma efic az c om as s ituações que lhe s ã o apres entadas , c umprindo c om os tempos es tabelec idos c omo c ut-points ( B rec i, 2005; P ayne & Harvey, 2010; S ég uin, 2015) . E s te tipo de tes tes é utiliz ado por um g rande número de forças polic iais , departamentos de bombeiros e forças militares de todo o mundo ( P ayne & Harvey, 2010; Herrador-C olmenero et al., 2014) , os denominados “atletas tátic os ” (R hea, 2015) .
A identific açã o das tarefas mais frequentes e/ou c rític as é es s enc ial nes te modelo e a s ua integ raçã o num c irc uito permite perc eber qual o grau de preparaçã o do tes tado para lidar c om s ituações que s e as s emelham em muito ao apres entado no des envolvimento da atividade profis s ional em s i. P os s uem c omo mais -valia um elevado índic e de validade de c onteúdo ( c ontent validity, res ultante dos inputs e da intervençã o dos S ME ’s ) e de validade s uperfic ial ( fac e validity) . E s ta última, embora nã o releve muito em termos de rig or c ientífico, torna-s e importante pela familiaridade que es tabelec e junto dos tes tados , através do tipo de s ituações apres entadas , tornando mais fác il a ac eitaçã o do tes te e aumentando o g rau de c onc ordâ nc ia c om a aplicaçã o do mes mo ( A nders on & P lec as , 2008; S hephard e B onneu, 2002; P ayne & Harvey, 2010; S eg uin, 2015) .
O utras das vantag ens des te modelo é o de eliminar a nec es s idade de um pes ado trabalho intermédio de tratamento matemátic o nec es s ário para uma bateria de tes tes c orrelac ionados c om a performanc e (S éguin, 1015). E xemplos des tes modelos s ã o o P olic e O ffic ers P hys ic al A bilities T es t ( P O P A T ) (F arenholtz & R hodes , 1986) e o P hys ic al A bilities R equirement E valuation ( P A R E ) public ado pela primeira vez num artig o de T rottier e B roRn, em 1994 ( S ég uin, 2015) .
Q uanto aos tes tes híbridos ou mis tos , em g eral inc luem itens dotados de validade de c onteúdo e de validade de c ons truc tos . E m reg ra, é apres entado um c irc uito cronometrado de tarefas , s eg uido por um ou mais tes tes es pec íficos para aferir a c apac idade do tes tado em parâ metros da A pF que poderã o es tar fora da abrang ê nc ia do c irc uito inic ial.
E xemplo de um modelo des tes é o P hys ic al R eadines s E valuation for P olice ( P R E P ) (G ledhill & S haR, 1996). Inic ialmente c ons tituído por um c ircuito c ompos to por uma pers eg uiçã o c ronometrada, c ontrolo c orporal e s imulaçã o de c ontrolo de s us peito, foi-lhe ac res c entado um tes te de L ég er de c orrida “vai-e-vem” (s huttle run) de 20 metros para verific ar índic es de c apac idade aeróbia máxima ( S ég uin, 2015).
1.6 C irc uitos de A ptidã o F ís ic a P olic ial o u J ob-T as k S imula tion T es ts
(J T S T ’
s )
E m matéria de c irc uitos de A pF para a funçã o ou job-tas k s imulation tes ts ( J T S T ) voltados para as F S S , há já um conjunto de referê nc ias que entendemos s er importante evidenc iar e que s ervem também c omo bas e para o nos s o trabalho.
( mínimo 30 s eg undos ) , o tes tado pas s a para a quarta e última es taçã o, onde vai trans portar um s ac o de 45K g por uma dis tâ nc ia de 15m ( A nders on & P lec as , 2007).
No ano de 1986, os S erviços Nac ionais de S aúde da R oyal C anadian Mounted P olice (R C MP ) foram mandatados no s entido de arranjar alternativa ao C anadian F itnes s T es t, até entã o em us o para s eleçã o de c andidatos , que tinha c omo critério o perc entil 25 da populaçã o g eral ( R oyal C anadian Mounted P olice, 2013).
A R C MP examinou a pos s ibilidade de aplic ar o P O P A T nas s uas fileiras . E m 1989, após alg uns es tudos realiz ados e alg umas alterações ao que era inic ialmente o P O P A T , s urg e o P hys ic al A bilities R equirement E valuation ( P A R E ) .A vers ã o c orrente do P A R E , diferente da orig inalmente publicada por T rottier e B roRn ( 1984) , enc ontra-s e num relatório g overnamental nã o public ado intitulado T he D evelopment of P A R E : A n E volution, da autoria de J ean B onneau ( 2001) ( S eg uin, 2015). B onneau, C hefe do D epartamento de P romoçã o da S aúde da R C MP des c reveu o P A R E c omo uma medida das “c apac idades fís ic as oc upac ionais es s enc iais para a realiz a çã o s atis fatória do trabalho polic ial” ( B onneau, 1990) .
O P A R E divide-s e também em 3 s ec ções , onde o tes tado deverá ( 1) pers eg uir o s us peito, ( 2) c ontrolar fis icamente o s us peito/s ituaçã o e ( 3) trans portar o s us peito/objeto para fora do loc al da oc orrê nc ia. P ara tal, é c ompos to por um percurs o de obs tác ulos c om divers as mudanças de direçã o, s alto s obre um c olc hã o ( vala) de 1.5m, s ubir e des c er es cadas , s altar duas barreiras de 0.45m de altura, trans por uma barreira de 0.9m de altura, realiz ando uma queda c ontrolada de s eg uida. O tes tado deverá realiz a r seis voltas a es te percurs o, o que perfaz uma dis tâ nc ia de 340m. T erminadas as s eis voltas , de imediato s eg ue para a s ec çã o de puxar/empurrar, onde irá realiz ar s eis arc os de 180 graus a empurrar um pes o de 36K g na máquina de res is tê nc ia. F indados os s eis arcos , efetua quatro quedas c ontroladas antes de pas s ar para os s eis arcos de 180 g raus , des ta feita a puxar o pes o de 36K g na referida máquina. D e referir que para os c andidatos a integ rar a F S S , es te pes o é alterado para 32K g . C om es ta prova termina a c omponente do tempo cronometrada. C ontados 2 minutos de repous o, o tes tado deve levantar e c arreg ar um s ac o c om 45.5K g por uma dis tâ nc ia de 15m. Mais uma vez , para os c andidatos ao ing res s o na R C MP , o pes o do s ac o é ajus tado para 36K g .
E m 1996, G ledhill e S haR apres entaram o P hys ic al R eadines s E valuation for P olic e ( P R E P ) , um tes te híbrido ou de es trutura mis ta que c ompreende uma pers eg uiçã o c ronometrada, um s eg mento de c ontrolo c orporal e res triçã o de movimento ( braços ), terminando c om um tes te de c apac idade aeróbia máxima para determinar o
volume má
ximo de oxigénio (V O
2máx)
, mais c oncretamente o tes te de S huttle R un de 20m.A c omponente de pers eg uiçã o c ons is te em realiz ar 4 voltas a um perc urs o c om 25m ( num total de 100m), devendo o tes tado a c ada volta s ubir um c onjunto de es c adas . Na s eg unda e quarta voltas , deve trans por um muro de 1.2m de altura, c om apoio de mã os e pés . Imediatamente a s eg uir, pas s a para o s imulador de c ontrolo c orporal, onde vai empurrar um pes o de 32kg e realiz ar 6 arc os de 180 g raus s em deixar c air a c arg a. P as s a para o s imulador de c ontrolo de braços e preens ã o manual, onde vai e xerc er a pres s ã o mínima de 14.5kg em c ada manípulo do aparelho para o s oltar. E m ato c ontínuo, e mantendo a pres s ã o nos manípulos , vai juntá-los até es tes s e toc arem, venc endo a res is tênc ia dos mes mos que é de 32kg ( 16kg em c ada ‘braço’), voltando depois a afas tá-los até à s ua pos içã o inic ial. R egres s a ao s imulador de c ontrolo c orporal e des ta vez vai puxar o pes o de 32kg e realiz ar 6 arc os de 180 g raus s em o deixar c air. P or fim, terá de arras tar um bonec o ( dummy) c om o pes o de 68kg pela dis tâ nc ia de 15m (7.5m e de volta). E s tas etapas do tes te s ã o realiz adas c om uma c arg a c oloc ada à c intura do tes tado que s imula o pes o do equipamento policial em us o no s erviço operac ional. T erminada es ta c omponente do P R E P , terá de realiz ar o S huttle R un de 20m, ating indo no mínimo a fas e 6.5 do dito tes te (G ledhill & S haR, 1996; S eg uin, 2015).
S trating et al. ( 2010) apres entam os trabalhos des envolvidos por Mol e De V ries ( 2007), que s ã o a bas e para o P hys ic al C ompetenc e T es t (P C T ). T endo c omo intuito a verific açã o das c apac idades fís ic as e téc nic as nec es s árias ao trabalho policial, es te integ ra um c enário de uma pers eg uiçã o apeada, o c ontrolo do dito s us peito e o s eu s ubs equente trans porte ( ou remoçã o de uma vítima) . O s s eus c omponentes s ã o: ( 1) uma c orrida de 226.5m, durante a qual devem trans por um obs tác ulo de 1.1m de altura e alg uns obs tác ulos mais baixos ; ( 2) empurrar um atrelado (com rodas ) de 200K g trê s vez es por uma dis tâ nc ia de 6m; ( 3) puxar o dito atrelado duas vez es a mes ma dis tâ nc ia de 6m; ( 4) levantar e trans portar uma bola de 5K g pela dis tâ nc ia de 3m, 18 vez es ; e (5) arras tar um bonec o de 48K g por 5m, s imulando uma vítima ou c oleg a ferido ( S trating et al., 2010).
C apítulo II - O bjetiv os do E s tudo
2.1 O b jetiv o G eral
a) V alidar o C irc uito de A ptidã o F ís ic a para a F unçã o P olic ial ( C A F P ) ;
2.2 O b jetiv os E s pec ífic os
a) C arateriz ar o perfil do agente ao nível da C ompos içã o C orporal ( C C ) , A tividade F ís ic a ( A F ), A ptidã o F ís ic a ( A pF ) .
b) C arac teriz ar o es forço do C A F P .
c ) E s tudar o impac to da idade na A pF e no des empenho no C A F P . d) E s tudar a as s oc iaçã o entre a A pF e o C A F P .
e) V erificar a fiabilidade do C A F P .
C apítulo III - Metodolo g ia
Nes te c apítulo, proc uraremos faz er uma des c riçã o do modo c omo org aniz amos o nos s o es tudo, c arac teriz ando a nos s a amos tra, des c revendo os ins trumentos e proc edimentos que utiliz amos no s eu des envolvimento. P or fim faremos uma des criçã o dos proc edimentos es tatís tic os adotados .
3.1 D es enho do E s tudo
A fim de c umprirmos c om os propós itos do nos s o es tudo, e após c onc edidas as nec es s árias e pos s íveis autoriz ações , org aniz amos o nos s o es tudo da s eg uinte forma:
C om es te des enho, era nos s a intençã o minimiz ar os efeitos da fadig a provoc ada por umas provas no res ultado das demais , s empre procurando atender à s dificuldades inerentes à dis ponibilidade dos elementos polic iais para c omparec er nas ins talações do Ins tituto S uperior de C iênc ias P oliciais e S eg urança Interna (IS C P S I). Importa aqui referir que es tes elementos partic iparam no es tudo de forma voluntária, tendo para tal de dis por do s eu tempo livre, uma vez que foram es s as as indicações patentes na autoriz açã o c onc edida.
1ª F as e
R ec olha de dados
2ª F as e
T ratamento de dados
3ª F as e
A nális e E s tatís tic a
D IA 1 (n = 97)
D
ados S oc iodemog rá
fic os ; Q ues tioná
rio de A F ;
E s c ala de F adig a.
T
es tes de T erreno
30 MIN DE R E P O US O (mínimo)
C
A F P
D IA 2 (n = 30)
R A S T
D IA 3 (n = 20) V O2
L aboratório
D IA 4 (n = 30) R etes te