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Aula 04 - Atualidades
Atualidades para Soldado da PM BA (Pré-Edital)
Prof. Danuzio Neto
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SUMÁRIO
SUMÁRIO 2
ORIENTE MÉDIO 3
OSESTADOSUNIDOSESTÃOATRÁSDEPETRÓLEONOORIENTEMÉDIO? 4
SÍRIA 6
A influência russa no conflito sírio 6
TURQUIA 8
Invasão da Turquia na Síria 8
AFEGANISTÃO 10
Tomada de Cabul pelo Talibã 11
Acordo de trégua 11
TALIBÃ 12
CONVIVÊNCIACOMAAL-QAEDA 12
PORQUEOTALIBÃAVANÇOUTÃORÁPIDO? 13
INVASÃOAOAEROPORTODECABUL 17
OQUEÉASHARIA 19
A Sharia pelo Talibã 19
MULHERESSOBOTALIBÃ 20
Cronologia do avanço talibã em 2021 21
ESTADOISLÂMICO 22
CATAR 23
ISRAEL 24
Acordo do Século para o Oriente Médio 25
Conflito Israel x Palestina em 2021 25
ARTIGOS 31
ARTIGO 1:VISÃO DO CORREIO:IRÃ E EUA REAGEM COM CAUTELA 31
QUESTÕES COMENTADAS PELO PROFESSOR 32
LISTA DE QUESTÕES 41
GABARITO 47
RESUMO DIRECIONADO 48
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ORIENTE MÉDIO
O Oriente Médio está geograficamente situado entre o Ocidente e o mundo oriental, além de ser berço das mais antigas civilizações e das três grandes religiões monoteístas: o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo.
Com o mundo dependendo cada vez menos de suas reservas de petróleo, a água tem surgido como nova fonte de preocupações para a região.
Afora as questões energéticas e as que envolvem os recursos naturais, o Oriente Médio se vê às voltas com a falta de solução para a Questão Palestina, com as ações militares recentes dos Estados Unidos contra o Irã, além dos desdobramentos da Primavera Árabe, movimento que se iniciou em 18 de dezembro de 2010 como uma esperança de maior liberdade para os povos da região.
Sem a pretensão de explicar totalmente os complexos problemas deste subcontinente, nesta aula vamos destrinchar os temas da atualidade que envolvem o Oriente Médio.
O ORIENTE MÉDIO
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OS ESTADOS UNIDOS ESTÃO ATRÁS DE PETRÓLEO NO ORIENTE MÉDIO?
Quando se pensa nos Estados Unidos se intrometendo em questões do Oriente Médio, logo imaginamos que seja atrás de petróleo. Mas será que esse raciocínio ainda faz sentido atualmente? Vejamos.
Diferente do que aconteceu na década de 1970, quando os membros da Organização dos Países Produtores do Petróleo (Opep) decidiram diminuir a produção de petróleo (a fim de valorizá-lo) e eclodiram a primeira crise do petróleo, o mundo hoje é menos dependente das reservas do Oriente Médio.
Os Estados Unidos, por exemplo, passaram a ser os maiores produtores de petróleo do mundo a partir de 2018, ultrapassando a Arábia Saudita. Os dois países são aliados e têm no Irã um inimigo em comum. A Rússia, que possui interesses completamente diversos destas duas nações e que geralmente está em lado oposto da mesa no xadrez do Oriente Médio, é o terceiro maior produtor. O Canadá, que possui a terceira maior reserva de petróleo do mundo – atrás apenas da Venezuela e da Arábia Saudita -, é o quarto maior produtor. E, em quinto lugar, temos o Irã. Em 2018, o Brasil foi o décimo maior produtor mundial.
Ou seja, ao contrário do que pode parecer, os Estados Unidos não precisam mais invadir um Irã da vida para conseguir petróleo, já que os próprios norte-americanos são os maiores produtores do produto no mundo.
Além disso, os norte-americanos contam com a estreita parceria de outros dois grandes produtores: Arábia Saudita e Canadá.
O interessante é que o Irã tem uma abundância extraordinária de petróleo, mas por muitos anos trabalhou relativamente pouco para desenvolver sua capacidade de refino, sem a qual o petróleo bruto não é muito útil. Isso aconteceu principalmente devido a dois fatores:
• Em parte, como resultado de o Irã ter governos corruptos; e
• Em parte, como resultado de sanções que dificultaram a construção de novas refinarias.
Quando a expansão da Star Refinery no Golfo Pérsico, em Bandar Abbas, entrou em operação em 2018, a capacidade interna de refino do Irã foi duplicada e as importações de gasolina do país reduziram enormemente.
Outro ponto de atenção, e é aqui que as coisas ganham certas nuances, é que apesar de ser o maior produtor de petróleo do mundo, os Estados Unidos importam bilhões de barris por ano – aproximadamente um terço vem de países da Opep. Esses movimentos aparentemente contraditórios acontecem porque a maioria das refinarias nos Estados Unidos foi construída quando o país ainda era obrigado a depender muito do petróleo importado, por isso a maioria delas é otimizada para lidar com o material chamado “pesado” do exterior, em vez do “leve” do Texas.
Se todo o comércio transfronteiriço de petróleo e derivados fosse suspenso, portanto, o Irã teria grandes problemas. Mas, enquanto não finaliza a transição da sua indústria, o mesmo aconteceria com os Estados Unidos, que muito provavelmente acabariam com um excedente de petróleo, mas sofrendo com a escassez de gasolina e outros combustíveis por não ter atualmente a capacidade completa para processá-lo.
O governo Trump encorajou a produção nacional de petróleo e buscou reformas regulatórias para ajudar a tirar o governo do caminho, medidas que estão acelerando a atualização da indústria petrolífera dentro do seu país. Mas o ex-presidente, ao agradar os agricultores de milho (com todo o seu etanol), também pode acabar retardando um pouco esse processo.
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Questão para fixar
(AMEOSC - Prefeitura de São Jos/é do Cedro-SC - 2019)
Assinale a alternativa que apresente o país persa que está em grande tensão com os Estados Unidos por conta de seu programa nuclear:
a) Iraque.
b) Irã.
c) Líbano.
d) Arábia Saudita.
Comentário:
Até 1934, o nome do Irã era Pérsia. Assim, quando a questão fala de “país persa” ela está se referindo na verdade ao Irã.
Resposta: B
6 de 51 |www.direcaoconcursos.com.br SÍRIA
Desde março de 2011, a Síria, país que faz fronteira com Turquia, Iraque, Líbano, Israel e Jordânia, enfrenta uma guerra civil. O que começou como uma série de protestos populares conhecidos como Primavera Árabe, contra o governo do ditador Bashar al-Assad, evoluiu para combates com grupos armados entre oposição e governo.
Após tentativas frustradas de acordos, a guerra civil na Síria se arrasta por anos e continua deixando um rastro de destruição e mortes no país. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), o conflito no país deixou mais de 60 mil mortos apenas em 2016, provavelmente o auge da carnificina e da crise humanitária do país. O interessante é que o Brasil, também em 2016, em “tempos de paz”, teve inacreditáveis 61.919 mortes violentas (homicídios).
Possíveis desentendimentos diplomáticos entre Estados Unidos e Rússia são sempre uma ameaça de um recrudescimento do conflito na região.
A partir de 2014, os Estados Unidos lideraram uma coalizão que combatia o Estado Islâmico e outros grupos envolvidos na guerra civil da Síria. Em tese, o combate restringia-se ao Estado Islâmico e não tratava sobre a derrubada do presidente sírio, que se sustenta politicamente nos dias de hoje com o apoio da Rússia. Os EUA participavam da operação com aviões, mísseis e drones.
Durante o governo Donald Trump, os Estados Unidos retiraram suas tropas da região.
Desde o início da guerra da Síria, em 2011, quase meio milhão de sírios morreram, o que causou no mundo a mais grave crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, quando milhões de pessoas deixaram suas casas fugindo de guerras, perseguições e violações de direitos humanos.
O conflito na Síria provocou o deslocamento de mais de 6 milhões de pessoas, e outras 5,5 milhões fugiram para o exterior. A Turquia foi o principal destino desses refugiados, ao receber 2,7 milhões de sírios que fugiam da guerra.
A influência russa no conflito sírio
Vladimir Putin, o presidente russo, é um notório apoiador do regime de Bashar al-Assad, o que causa desconforto ao Ocidente.
Os russos, porém, que foram bastante penalizados pela comunidade internacional após a anexação da Criméia e do conflito na Ucrânia, veem poucos riscos no caso de receberem novas sanções. Em segundo lugar, há ainda um firme compromisso de Putin com a Síria que dificilmente será desfeito de uma hora para outra.
No entanto, a relação de Putin com Assad não pode ser descrita como sem sobressaltos.
Por já ter feito um grande investimento econômico/militar na região, o presidente russo tem interesses estratégicos, políticos e pessoais na Síria. Após as sanções impostas pelo governo do ex-presidente Barack Obama e da União Europeia, (após a anexação da Crimeia e do conflito na Ucrânia), a Rússia só não se tornou um país isolado porque voltou seus olhos para o Oriente Médio.
Segundo especialistas, a Rússia teme que a Síria se torne uma “zona livre” para os jihadistas e que elas passem a coordenar e operar com radicais islâmicos na Rússia. Assim, isolada pelo Ocidente, a Rússia, em aliança com o governo sírio, tornou-se influente no Oriente Médio, uma região cobiçada pela Europa e pelos Estados Unidos. Embora a região seja complicada por conta de sua volatilidade e complexidade de interesses, etnias e mudança de governos, Moscou tem surgido como uma importante potência com influência na região. Muitos países do Oriente Médio, inclusive, têm procurado a Rússia a fim de conseguir treinamentos e armas.
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Para os países do Oriente Médio, foi surpreendente notar que a Rússia, com uma força militar relativamente pequena, conseguiu virar o curso da guerra síria e fincou uma posição que impediu que outras nações, como a Turquia, a Arábia Saudita e os EUA pudessem atacar abertamente o governo sírio. O sucesso russo se deu apesar do ambiente extremamente hostil. No final de 2016, os russos apareceram como “proprietários” do Mar Negro, do Mediterrâneo Oriental, além de estarem trabalhando com potências da região: a Síria, o Irã e a Turquia.
O mapa a seguir demonstra a proximidade geográfica da Rússia com o Oriente Médio. Essa proximidade explica, em parte, o desejo dos russos, que almejam ser uma potência global, em manter pelo menos esta parte do globo sob sua influência. O leste europeu, que fez parte da União Soviética e seria uma natural área de influência russa, atualmente é mais pró-ocidente, a ponto de muitos países fazerem parte – ou desejarem fazer – da Otan.
8 de 51 |www.direcaoconcursos.com.br TURQUIA
Assim como a Rússia, que é governada por Vladimir Putin desde 1999, a Turquia também é comandada por um governante longevo: Recep Tayyip Erdogan.
Erdogan é presidente da Turquia desde 2014 e foi primeiro-ministro de março/2003 a agosto/2014.
Ou seja, Erdogan tem um papel de destaque na política turca, pelo menos, desde março de 2003, quando se tornou primeiro-ministro. Em 2001, Erdogan fundou o Partido Justiça e Desenvolvimento, AKP, de viés conservador, que chegaria ao poder em 2002. Para alcançar esse sucesso eleitoral, o partido adotou um discurso pró-Ocidente – que defendia costumes conservadores e flexibilidade em todos os outros setores da sociedade.
Nos últimos anos, porém, deixando um pouco de lado o discurso que agradou o Ocidente, Erdogan tem tentado ampliar seus poderes e dá sinais de que pretende implantar um regime autoritarista.
De 2013 para cá, Erdogan reprimiu com brutalidade manifestantes contrários a seu governo, fechou veículos de imprensa de oposição e perseguiu e prendeu jornalistas destes veículos. A Turquia é o quarto país com mais jornalistas presos no mundo.
Invasão da Turquia na Síria
Em outubro de 2019, a Turquia iniciou ataques a posições curdas no lado sírio da fronteira. O governo turco considera terroristas os combatentes curdos – enquanto os EUA financiavam essas milícias porque elas enfrentavam extremistas do Estado Islâmico.
Neste mesmo mês, no entanto, os Estados Unidos retiraram totalmente suas tropas do norte da Síria, que até então davam alguma segurança para os curdos. Além do território fronteiriço entre Turquia e Síria, há contingentes expressivos de curdos no Iraque e no Irã – além de uma pequena parte na Armênia.
Com a retirada norte-americana, a Turquia viu caminho livre para atacar as milícias curdas.
Em resposta à ameaça turca, ainda em meados de outubro de 2019 os curdos se aliaram à Síria.
Forças leais ao presidente sírio, Bashar Assad, entraram em várias cidades do nordeste da Síria após acordo com combatentes curdos para fazer frente à invasão turca. O avanço de Assad, após a retirada das tropas dos EUA da região, alterou novamente as alianças em constante mutação nos longos anos da guerra civil síria.
Ainda que os curdos sírios nunca tenham declarado o governo de Assad como inimigo, o presidente sírio via com desconfiança seu objetivo de ter um governo autônomo e prometia retomar a autoridade sobre o território. Com as tropas americanas na região, porém, isso era praticamente impossível.
Porém com a decisão do então presidente Donald Trump de retirar as tropas americanas, deixando o caminho livre para a invasão da Turquia - que considera as milícias curdas "terroristas" ligados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) – o governo sírio retomou algum controle sobre esta parte do seu território.
O acordo foi feito para permitir que as forças sírias assumam a segurança de áreas fronteiriças, enquanto os curdos mantêm o controle de instituições locais. Enquanto isso, as forças pró-Turquia, que operam sob o Exército Nacional Sírio (ENS), uma facção rebelde integrante da oposição a Assad, iniciaram uma operação para tomar a cidade de Manbij das milícias curdas, mas não obtiveram sucesso por causa da presença das forças sírias.
Outro ponto chama atenção de quem acompanha os conflitos da região são as combatentes curdas, sobretudo as integrantes da brigada exclusivamente feminina (parte da Unidade Zeravani) que luta nas linhas de frente contra o Estado Islâmico. Jovens, elas combatem o grupo extremista e lutam pela autonomia do Curdistão.
As integrantes do batalhão feminino portam as mesmas armas que seus colegas homens e, como eles, matam e são mortas durante os combates.
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As imagens a seguir mostram algumas dessas combatentes.
Fonte: https://diplomatique.org.br/as-mulheres-e-a-batalha-de-mossul/
Fonte: https://anarquiabarbarie.wordpress.com/2016/01/09/identificacao-dos-atores-do-conflito-sirio-os-curdos/
10 de 51 |www.direcaoconcursos.com.br AFEGANISTÃO
Desde 2018, o governo Trump iniciara negociações diretas e inéditas com o Talibã, grupo que as forças americanas expulsaram do poder durante a intervenção militar iniciada após os atentados realizados pelo grupo jihadista Al-Qaeda, em 11 de setembro de 2001.
Em setembro de 2019, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o cancelamento de uma reunião secreta com líderes do Talibã em Camp David, depois de um ataque em Cabul resultar na morte de um militar americano.
O encontro de Trump com líderes do Talibã tinha o objetivo de tratar sobre a retirada das tropas americanas do Afeganistão. Washington pretendia fechar um acordo para permitir o início da retirada progressiva dos cerca de 13 mil soldados americanos e então mobilizados no Afeganistão, em troca de garantias por parte do Talibã de uma redução da violência e do início de negociações de paz diretas com o governo de Cabul, condição que os rebeldes vinham rejeitando.
Pouco depois, as conversas foram retomadas e os Estados Unidos iniciaram o processo de retirada de suas tropas do Afeganistão.
Em novembro de 2020, já com o processo de retirada em andamento, a Casa Branca anunciou que o contingente militar dos EUA no país seria reduzido de 4.500 para 2.500 até 15 de janeiro de 2021, pouco antes da posse de Joe Biden.
A decisão de Trump de uma retirada parcial gerou alertas de críticos, que afirmavam que:
• Isso prejudicaria a segurança na região; e
• Afetaria as frágeis negociações de paz com o Talibã.
Autoridades americanas e afegãs alertavam sobre:
• Níveis preocupantes de violência por parte dos insurgentes do Talibã; e
• As persistentes ligações do grupo com a rede Al-Qaeda.
Foram esses laços que desencadearam a intervenção militar dos EUA em 2001, após os ataques da Al- Qaeda no 11 de Setembro nos Estados Unidos.
De acordo com um estudo da Universidade Brown, do início dos conflitos até abril de 2021, cerca de 174.000 pessoas morreram na guerra no Afeganistão, entre elas:
• 47.245 civis;
• Pelo menos 51 000 insurgentes islamitas, principalmente do Talibã;
• Entre 66.000 e 69.000 membros das forças de segurança afegãos, sendo:
o 65.596 das Forças de segurança afegãs (Exército, polícia e milícias);
o 3.562 das Coalizão Ocidental (Estados Unidos: 2.420, Reino Unido 456, Canadá: 159, França:
89, Alemanha: 57, Itália: 53, Outros: 321).
No entanto, o número de mortos pode ser possivelmente maior devido a mortes por doenças, perda de acesso a alimentos, água, infraestrutura e/ou outras consequências indiretas da guerra.
Em 2019, quando completou dezoito anos de duração, a guerra em território afegão se tornou o conflito mais longo já travado pelos Estados Unidos em sua história.
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Saiba mais!
Surgido em 1994, sob a liderança do Mullah Mohammad Omar, o Talibã é um grupo terrorista que atua no Afeganistão e no Paquistão. Conhecido pelas suas rígidas regras, tendo em vista que defende a implantação da sharia (lei islâmica), o grupo responsável por inúmeros ataques tem retomado seu crescimento nos últimos anos.
Uma das principais frentes de expansão atual do grupo é o Paquistão, país considerado em desenvolvimento, mas que apresenta baixos indicadores sociais.
Tomada de Cabul pelo Talibã
No dia 15 de agosto de 2021, o Talibã voltou à capital afegã, Cabul, 20 após ser expulso pelas tropas dos Estados Unidos.
Em 2001, os norte-americanos agiram contra o Talibã em reação aos ataques de 11 de setembro, quando se juntaram à Aliança do Norte, uma organização desenvolvida pelo Afeganistão que tinha o objetivo de unir a população e combater o grupo extremista.
À época, o Talibã, então liderado por Mohammed Omar, controlava 90% do Afeganistão, embora nunca tenha sido reconhecido como governo pela Organização das Nações Unidas (ONU). Apenas Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Paquistão reconheciam a autoridade dos talibãs.
O então presidente norte-americano, George W. Bush, foi quem ordenou a invasão do país depois que o os talibãs se recusaram a entregar Osama bin Laden, o arquiteto do atentado às Torres Gêmeas. Bin Laden morreu em 2011, em uma operação dos Estados Unidos no Paquistão, durante a administração de Barack Obama.
O Paquistão e Arábia Saudita se tornaram aliados regionais dos EUA, e os talibãs passaram à luta armada contra os americanos e o novo governo afegão.
Desde o início dos conflitos, os EUA gastaram mais de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,3 trilhões na cotação de 23/08/2021) em despesas militares no Afeganistão.
Acordo de trégua
Ainda no governo de Barack Obama, começou-se a estipular prazos para a retirada das tropas norte- americanas do Afeganistão.
A princípio, até janeiro de 2017, data da troca de presidentes nos Estados Unidos, o país não teria mais soldados em território afegão. Obama, porém, declarou que o Afeganistão não estava pronto ainda para a retirada completa das tropas e apenas reduziu o contingente para 9 mil militares.
Em fevereiro de 2020, com Donald Trump, os americanos e o Talibã assinaram um acordo que previa a retirada completa, em 14 meses, das tropas americanas e da Otan do território afegão.
A retirada das tropas americanas do Afeganistão dependia do cumprimento, pelo Talibã, de compromissos previstos no acordo – como não permitir que a Al-Qaeda ou qualquer outro grupo extremista opere em áreas controladas por ele.
Os talibãs também se comprometeram a não enfrentar tropas estrangeiras, mas seguiu com ações contra o exército afegão durante este período.
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Durante a gestão de Joe Biden, o governo americano anunciou uma mudança no cronograma de saída das tropas: a retirada completa das tropas ocorreria até setembro de 2021 (e não mais até 1º de maio).
Em julho de 2021, os soldados dos Estados Unidos deixaram a base aérea de Bagram e entregaram o espaço para a administração do governo afegão. A ação é considerada o marco do fim dos quase 20 anos de guerra desde os atentados de 11 de setembro de 2001.
TALIBÃ
O Talibã surgiu em um momento de lutas internas afegãs.
O Afeganistão foi unificado em 1747 e foi disputado entre os impérios britânico e russo até sua completa independência, em 1919.
Após experimentar a democracia, um golpe em 1973 inaugurou um período de conflitos que se estende até a atualidade. Em 1978, um contragolpe comunista estabeleceu a República Democrática do Afeganistão.
Em 1979, a ex-União Soviética invadiu o país, com 30 mil homens e ajudou os comunistas numa luta ferrenha contra os rebeldes tribais muçulmanos. O número de soviéticos no Afeganistão chegou a 115 mil, e, nessa época, muitos refugiados foram para o Paquistão e para o Irã.
As guerrilhas rebeldes (os Mujahidee ou ‘santos guerreiros’) não estavam unidas, o que era um fator complicador para o envio de ajuda em armas e dinheiro de origem norte-americana para os guerreiros, que estavam concentrados em sua maioria no Paquistão.
Em 1989, temos a saída dos soviéticos, mas as diferenças entre os grupos fizeram com que a guerra civil continuasse. Em 1992, os Mujahideen tomaram o poder, e um acordo permitiu a continuidade do governo até 1994, quando a crise entre as diferentes facções guerreiras foi retomada.
Concomitantemente, no sul do Afeganistão, surgiu um grupo militante liderado por Mullah Mohammed Omar e que envolvia aprendizes do Islã sunita que pegavam em armas: o Talibã, que logo conquistou as cidades de Kandahar e Charasiab.
Com financiamento paquistanês, eles foram derrotados na primeira tentativa de conquistar Cabul, mas continuaram os bombardeios à cidade, tomando-a em setembro de 1996 e impondo um governo islâmico radical no país.
CONVIVÊNCIA COM A AL-QAEDA
Num país assolado por instabilidade e guerras, a rigidez do Talibã trouxe estabilidade à região. A maioria dos líderes tribais havia sido derrotada e enforcados pelo Talibã. A população foi desarmada e as ruas, desbloqueadas, o que facilitou o comércio.
O grupo aplicou no país uma interpretação rígida da Sharia, a lei islâmica. Nesta nova realidades, as escolas de meninas foram fechadas e as mulheres foram proibidas de deixar suas casas até para fazer compras. Fontes de entretenimento como música, TV, esportes e consumo de álcool foram banidas.
Houve ainda uma aproximação com o líder da rede terrorista da al-Qaeda, Osama bin Laden. A princípio um opositor do Talibã, Bin Laden se alinhou ao grupo após um encontro com Mullah Mohammed Omar, em 1996.
Com o apoio de Omar, a al-Qaeda passou a contar com apoio para atuar no Afeganistão.
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POR QUE O TALIBÃ AVANÇOU TÃO RÁPIDO?
Os Estados Unidos e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) passaram os últimos 20 anos treinando e equipando as forças de segurança do Afeganistão.
Inúmeros generais americanos e britânicos já declararam que haviam formado um Exército afegão mais poderoso e qualificado – o que a realidade cuidou de desmentir.
O governo afegão deveria, em tese, ter vantagem sobre os talibãs, com mais tropas à sua disposição. As forças de segurança do Afeganistão contavam, em tese, com 300 mil pessoas, o que incluía exército, força aérea e polícia.
Na realidade, porém, o país sempre teve dificuldades para alcançar as metas de recrutamento. O exército e a polícia possuem um histórico de elevado número de mortes, deserções e corrupção. Alguns comandantes inescrupulosos já se apoderaram de salários de tropas que simplesmente não existiam: os "soldados fantasmas".
Em relatório ao Congresso dos EUA, o Inspetor Geral Especial para o Afeganistão (SIGAR) já tinha expressado "sérias preocupações sobre o efeito corrosivo da corrupção... e a questionável precisão dos dados sobre a robustez atual" das forças de segurança.
Jack Watling, do Royal United Services Institute, havia afirmado que o exército afegão sequer sabia quantas tropas realmente tinha. Além disso, segundo Waitling, havia problemas com manutenção de equipamentos e moral dos militares.
Num país fragmentado geográfica e etnicamente, soldados eram frequentemente enviados para áreas onde eles não tinham conexões tribais ou familiares – uma das principais razões pela quais alguns rapidamente abandonaram seus postos sem sequer oferecer resistência, quando os territórios foram invadidos pelo Talibã.
A força do Talibã, que também era difícil de mensurar, contava com cerca de 60 mil combatentes antes da tomada de Cabul, segundo estimativas do Centro de Combate ao Terrorismo. Com o apoio de milícias, o número poderia chegar a 200 mil.
No livro An Intimate War (Uma guerra íntima), o ex-oficial do exército britânico Dr. Mike Martin escreveu que não se pode definir o Talibã como um grupo monolítico.
Ele pontua que o governo afegão também sofre com divisões entre facções locais. A mudança na história do Afeganistão ilustra como famílias, tribos e até mesmo funcionários do governo mudaram de lado - muitas vezes para garantir sua própria sobrevivência.
O governo afegão recebeu, sobretudo dos EUA, bilhões de dólares para pagar salários de soldados e equipamentos. No seu relatório de julho de 2021, o Inspetor Geral Especial para o Afeganistão disse que mais de US$ 88 bilhões haviam sido gastos com segurança no Afeganistão. Ao que tudo indica, porém, esse dinheiro não foi bem gasto, tendo em vista a rapidez com que o governo afegão se desintegrou após a tomada de Cabul.
A força aérea afegã deveria ter garantido ao governo vantagem no campo de batalha. Mas ela teve dificuldades para manter e tripular suas 211 aeronaves- um problema agravado pelo fato de o Talibã direcionar deliberadamente ataques a pilotos. A aeronáutica afegã também não foi capaz de atender às demandas dos comandantes em terra.
O Talibã costuma depender da receita do tráfico de drogas, mas também recebe apoio estrangeiro, especialmente do Paquistão.
Com a tomada do poder, o Talibã conseguiu ainda capturar armas e equipamentos das forças de segurança afegãs, como metralhadoras, morteiros e artilharias.
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O que está na Mídia:
Presidente do Afeganistão deixa país e admite vitória do Talibã, que assume controle do palácio presidencial
Ashraf Ghani diz que deixou Afeganistão para evitar banho de sangue: 'O Talibã venceu ... e agora é responsável pela honra, propriedade e autopreservação de seus compatriotas', escreveu em rede
social. Combatentes dizem que vão permitir a passagem de civis que queiram deixar o país.
O Talibã chegou neste domingo (15) a Cabul e entrou na capital do Afeganistão após horas de cerco e a fuga do presidente, Ashraf Ghani. O grupo extremista, que defendia uma rendição pacífica do governo, afirmou ter tomado controle do palácio presidencial.
Abdullah Abdullah, ex-vice-presidente e chefe do Conselho Superior para a Reconciliação Nacional, disse que Ghani "abandonou a nação".
Ghani disse que deixou o país para evitar um banho de sangue. Ele afirmou que "incontáveis patriotas seriam martirizados e a cidade de Cabul seria destruída" se permanecesse.
"O Talibã venceu ... e agora é responsável pela honra, propriedade e autopreservação de seus compatriotas", disse ele em um comunicado postado no Facebook.
"Agora eles enfrentam um novo teste histórico. Ou preservam o nome e a honra do Afeganistão ou dão prioridade a outros lugares e redes", acrescentou.
Segundo a rede egípcia Al Jazeera, um ex-guarda-costas do presidente informou que o Palácio presidencial foi entregue oficialmente ao Talibã.
Um alto oficial do Ministério do Interior afegão disse à agência de notícias Reuters que Ghani embarcou para o Tajiquistão, que faz fronteira com o norte do Afeganistão.
Já o ministro do Interior, Abdul Sattar Mirzakwal, gravou um vídeo em que garante uma "transferência pacífica de poder".
"Os afegãos não precisam se preocupar, não haverá ataque", disse o ministro. "Haverá uma transferência pacífica de poder para um governo de transição."
O cerco do Talibã em Cabul ocorre 20 anos depois de o grupo extremista ser expulso da capital afegã pelos Estados Unidos, que invadiram o país dias após os ataques de 11 de setembro de 2001, e em meio à retirada dos militares norte-americanos do país (leia mais adiante na reportagem).
Suhail Shaheen, porta-voz do Talibã, fez um "chamado ao presidente Ashraf Ghani" e a outros líderes para que atuem também em uma "transição pacífica de poder" para o grupo extremista islâmico.
"Nossa liderança instruiu nossas forças a permanecerem nos portões de Cabul, não a entrar na cidade", disse o porta-voz em uma entrevista à BBC. "Estamos aguardando uma transferência pacífica de poder."
Shaheen já vem anunciando o que pode ser considerado uma série de "medidas de governo", mesmo sem o reconhecimento oficial, como o respeito à imprensa, à diplomacia e a autorização para que mulheres possam deixar suas casas sozinhas.
"Asseguramos às pessoas, especialmente na cidade de Cabul, que suas propriedades e suas vidas estão seguras", disse o porta-voz.
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DIREITOS DAS MULHERES
Quando o Talibã governou o Afeganistão pela última vez, de 1996 a 2001, as mulheres não podiam trabalhar, as meninas não podiam frequentar a escola e todas tinham que cobrir o rosto e estar acompanhadas por um parente do sexo masculino se quisessem sair de casa.
As mulheres que infringissem as regras às vezes sofriam humilhações e espancamentos públicos pela polícia religiosa do Talibã que atuava sob uma interpretação bastante rígida da sharia, a lei islâmica.
Desta vez, no entanto, porta-vozes do grupo garantem que irão respeitar os direitos das mulheres, com acesso à educação e ao trabalho – mas com a obrigatoriedade do uso do hijab, lenço que cobre os cabelos e rosto.
Eles também afirmaram que as mulheres terão autorização para deixar suas casas sem a companhia de um membro homem da família. Essa mudança no discurso vem sendo apontada por especialistas em Oriente Médio como uma forma do movimento se aproximar da comunidade internacional.
SAÍDA DE DIPLOMATAS
Em um comunicado, o Talibã garantiu neste domingo que "todas as embaixadas, centros diplomáticos, instituições, lugares e cidadãos estrangeiros em Cabul não enfrentarão nenhum perigo".
Os Estados Unidos concluíram neste domingo a retirada de seus diplomatas que trabalharam na embaixada do país em Cabul e a bandeira norte-americana foi retirada do local. O país também apressou a emissão de vistos para colaboradores, como tradutores e jornalistas afegãos que prestaram serviços aos EUA.
"Aconteceu mais rápido do que pensávamos", disse o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, em entrevista à rede americana CNN.
Blinken disse que Washington investiu bilhões de dólares em quatro governos dos EUA nas forças do governo afegão, dando a eles vantagens sobre o Talibã, mas, ainda assim, não conseguiram impedir o avanço do grupo.
O Itamaraty não tem registro de brasileiros vivendo no Afeganistão. Também não está prevista, por ora, medida de proteção específica para os funcionários da embaixada em Islamabad, uma vez que a cidade não está em zona de conflito.
O Reino Unido ordenou a saída imediata de cidadãos britânicos das cidades afegãs.
O governo da Alemanha enviou aviões para ajudar na retirada de seus diplomatas, fechou sua embaixada em Cabul e pediu a saída imediata de alemães que vivam no país. Segundo reportagem do jornal "Bild", tradutores e colaboradores afegãos que atuaram com o governo de Berlim também serão retirados da capital.
A Rússia não planeja retirar seus funcionários de sua embaixada em Cabul, enquanto os combatentes talibãs cercam a capital afegã, assegurou uma autoridade russa à agência Interfax.
"Nenhuma evacuação está planejada", declarou Zamir Kabulov, o enviado do Kremlin ao Afeganistão, destacando que estava "em contato direto" com o embaixador russo em Cabul, cujos colaboradores continuam a trabalhar na embaixada.
A Rússia é um dos países que receberam garantias do Talibã quanto à segurança de suas embaixadas, disse Kabulov.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) confirmou que continuará com sua presença diplomática em Cabul e oferecerá apoio para que o aeroporto da capital continue funcionando, segundo informações da agência de notícias Reuters.
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Neste domingo, entretanto, anunciou que todos os voos comerciais foram suspensos no aeroporto da capital afegã.
"A Otan está constantemente avaliando os desenvolvimentos no Afeganistão", disse um funcionário da entidade que não foi identificado."A segurança de nosso pessoal é primordial e continuamos a ajustar conforme necessário. Apoiamos os esforços afegãos para encontrar uma solução política para o conflito, que agora é mais urgente do que nunca."
Em abril, o presidente Joe Biden havia anunciado que todos deixariam o Afeganistão até 11 de setembro deste ano.
O Talibã avançou rapidamente depois de que a maior parte das forças lideradas pelos EUA deixaram o país em julho, e a chegada do grupo extremista a Cabul ocorre antes do previsto pelas autoridades norte- americanas.
Segundo a agência de notícias Reuters, a estimativa dos serviços de inteligência norte-americanos era que o Talibã isolaria a capital em setembro, e que uma eventual tomada do poder ocorreria apenas novembro.
SALVO-CONDUTO PARA FUGA
Segundo informações do jornal "The New York Times", o Talibã afirmou em um comunicado estar em negociações com o governo, mas não vai tomar a capital afegã à força. Ainda de acordo com o jornal, o grupo extremista diz que o governo ainda não respondeu a esse comunicado.
Depois do avanço relâmpago em direção à capital e maior cidade afegã, o grupo insurgente ordenou a seus combatentes que diminuam a violência e permitam a passagem segura de qualquer pessoa que queira deixar o país.
O Talibã ainda sugeriu que mulheres se dirijam a áreas protegidas, declarou um líder do grupo em Doha, no Catar.
"Não queremos que um único civil afegão inocente fique ferido ou seja morto enquanto tomamos o poder, mas não declaramos um cessar-fogo", afirmou uma autoridade do Talibã, segundo a agência de notícias Reuters.
No Vaticano, em seu discurso semanal, o Papa Francisco clamou por diálogo no Afeganistão para que cessem os conflitos, a fim de que a população afegã possa viver em paz, segurança e respeito mútuo.
ESCALADA DO TALIBÃ
Mais cedo, o Talibã havia tomado a cidade de Jalalabad, no leste do país, o que fez a capital Cabul ser a única das grandes cidades afegãs sob controle do governo.
As autoridades informaram que a tomada de Jalalabad ocorreu sem confrontos e que a segurança das estradas que ligam o país ao Paquistão estava garantida. A nação vizinha reagiu e fechou a passagem de fronteira de Torkham.
No sábado (14), o Talibã tomou Mazar-i-Sharif, principal cidade do norte afegão; e Pul-e-Alam, capital da província de Logar, a 70 quilômetros de Cabul. Na quinta-feira, já havia assumido o controle de Kandahar e Herat, segunda e terceira maiores cidades do país.
Também no sábado, o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, garantiu que o combate contra o Talibã continuava.
"A remobilização de nossas forças de segurança e defesa é nossa prioridade número um e medidas sérias estão sendo tomadas para esse fim", disse Ghani, em um discurso.
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As ações do grupo insurgente, que vem controlando parte do país, ganhou força com a retirada das tropas americanas, há cerca de três semanas.
Em julho, os americanos devolveram a base aérea de Bagram – principal instalação militar do país – ao governo afegão. Ainda há soldados em Cabul, que devem retornar aos EUA até o dia 11 de setembro.
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/08/15/taliba-cabul-afeganistao.ghtml
INVASÃO AO AEROPORTO DE CABUL
Em agosto de 2021, imagens mostraram afegãos correndo na direção de um avião norte-americano C-17 e se pendurando no lado de fora. Outro vídeo mostrou o que parecia ser uma pessoa caindo de um avião militar, enquanto ele se afastava de Cabul.
Com milhares de pessoas se aglomerando, o aeroporto de Cabul foi um dos maiores símbolos do caos em que o Afeganistão se envolveu com a saída dos norte-americanos e a ascensão do Talibã.
O Talibã completou seu rápido avanço pelo Afeganistão, à medida em que as forças lideradas pelos EUA se retiraram, coincidindo com o que a chanceler alemã Angela Merkel disse ser um "colapso espantoso" do exército afegão.
A estrutura do novo governo não será uma democracia, pelas definições ocidentais, mas "protegerá os direitos de todos", segundo disse uma autoridade talibã.
O Talibã, que segue uma versão ultra-rígida do islamismo sunita, apresenta-se sob uma versão que especialistas consideram moderada, desde que retornou ao poder, dizendo que quer paz e que respeitará os direitos das mulheres, mas dentro dos parâmetros da legislação islâmica.
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19 de 51 |www.direcaoconcursos.com.br O QUE É A SHARIA
A Sharia, que numa tradução literal significa "o caminho claro para a água", é o sistema jurídico do Islã. Em outras palavras, é um conjunto de normas derivado de orientações do Corão, bem como de falas e condutas do profeta Maomé (a Suna) e de jurisprudência das fatwas - pronunciamentos legais de estudiosos do Islã.
A Sharia serve como diretriz para a vida que todos os muçulmanos deveriam seguir e inclui:
• Orações diárias;
• Jejum; e
• Doações para os pobres.
O código tem disposições sobre todos os aspectos da vida cotidiana, incluindo direito de família, negócios e finanças.
A lei determina que homens e mulheres precisam se vestir "com modéstia". Na prática, isso significa, em geral, que as mulheres precisam cobrir no mínimo os cabelos.
A lei também pode conter punições severas. O roubo, por exemplo, pode ser punido com a amputação da mão do condenado. O adultério pode levar à pena de morte - por apedrejamento.
A Organização das Nações Unidas (ONU) condena esse tipo de punição e afirma que apedrejamentos são um tipo de "tortura', um tratamento "cruel, desumano e degradante, e portanto claramente proibidos".
A rigidez da Sharia e a forma como ela é aplicada pode variar ao redor do mundo.
Nem todos os países muçulmanos adotam esse tipo de punição e a opinião dos religiosos quanto a elas varia bastante ao redor do mundo.
Como existem muitas versões da Sharia e sua aplicação varia enormemente no mundo islâmico, ela pode tanto ser a base do sistema de Justiça em países islâmicos onde o Estado não é laico - onde o Corão praticamente se torna a Constituição - quanto servir apenas de orientação para ações privadas de muçulmanos em países laicos.
Alguns países não-laicos, como a Arábia Saudita, por exemplo, aplicam uma forma rígida e punitiva da lei, onde homicídio e tráfico de drogas podem ser punidos com morte e onde adúlteros podem ser apedrejados.
Já na Malásia, há muitas pessoas que não são muçulmanas e as dinâmicas sociais e econômicas são diferentes, então há uma interpretação completamente diferente da lei.
A Sharia pelo Talibã
A única referência para entender como será o regime são os cinco anos nos quais o Talibã governou o país entre 1996 e 2001.
Nesse período, a interpretação da Sharia que estava em vigor no país era uma das mais rígidas e violentas do mundo.
O país tinha execuções públicas, apedrejamentos, amputações e punições com chicotadas.
Gangues paramilitares circulavam nas ruas, atacando homens que mostravam os tornozelos ou usavam qualquer tipo de roupa ocidental.
Homens eram obrigados a deixar a barba crescer e as mulheres só se aventuravam a sair se tivessem permissão por escrito dos homens. Elas não podiam trabalhar ou estudar e precisavam usar a burca, uma vestimenta que as cobria completamente.
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O Talibã já afirmou que vai aplicar a Sharia nessa segunda tomada de poder, o que levou ao desespero de mulheres afegãs.
Militantes do grupo fundamentalista afirmaram à BBC que vão impor novamente sua versão da Sharia, incluindo apedrejamento por adultério e amputação de membros por roubo.
Um porta-voz do Talibã afirmou que os militantes respeitarão os direitos das mulheres e da imprensa, mas não se sabe exatamente se essa promessa será colocada em prática. Ele disse que as mulheres poderão sair de casa sozinhas e continuarão a ter acesso à educação e ao trabalho, mas terão que usar a burca.
Algumas das mulheres conseguiram fugir de áreas controladas pelo Talibã disseram que os militantes exigiam que as famílias entregassem meninas e mulheres solteiras para se tornarem esposas de seus combatentes.
MULHERES SOB O TALIBÃ
A chegada do Talibã a Cabul, capital do Afeganistão, despertou medo nos cidadãos, principalmente nas mulheres.
Com o retorno do grupo fundamentalista islâmico ao poder após 20 anos, as afegãs temem perder os direitos sociais e econômicos que conquistaram nas últimas duas décadas.
A seguir, algumas das mudanças já observadas em Cabul em relação às mulheres nessa volta do Talibã ao poder:
• Sem mulheres na TV.Os principais canais de televisão do Afeganistão continuaram suas transmissões depois que o Talibã assumiu o poder. Mas sem contar mais com apresentadoras mulheres.
• Foi observado um grande aumento nos comentários favoráveis ao Talibã, em paralelo a muito poucas críticas ao grupo, em canais como a TV estatal National Afghanistan e as redes privadas Tolo News, Ariana, Shamshad e 1TV.
• A televisão estatal, cuja direção está nas mãos do Talibã desde a noite de 15 de agosto de 2021, passou a transmitir em sua maioria programas religiosos.
• Já grande parte da grade de programação da Tolo News e da 1TV passou a repetir programas transmitidos aos domingos, possivelmente devido a dificuldades de trabalho.
Após o avanço do Talibã no Afeganistão, muitos direitos sociais e econômicos conquistados nos últimos 20 anos chegaram ao fim de repente.
"Há muitas restrições agora. Quando eu saio, tenho que usar burca (traje que cobre completamente o corpo da mulher, com uma treliça estreita à altura dos olhos), conforme ordenado pelo Talibã, e um homem precisa me acompanhar", conta uma parteira de Ishkamish, distrito rural com serviços escassos na província de Takhar, na fronteira nordeste do Afeganistão com o Tajiquistão.
Nos primeiros dois dias após a chegada do Talibã a Cabul, as ruas da capital também começaram a dar sinais dessas mudanças restritivas para as mulheres.
Fotos nas redes sociais mostraram que vitrines com imagens de mulheres sem véu, maquiadas e com vestidos de festa estavam sendo arrancadas ou cobertas de tinta.
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Cronologia do avanço talibã em 2021Todas as datas a seguir correspondem a eventos de 2021:
14 de abril – Joe Biden anuncia a retiradas das tropas dos EUA do Afeganistão a partir de 1º de maio.
4 de maio – os combatentes talibãs avançam contra as forças afegãs na província de Helmand, no sul. Eles também atacam pelo menos seis outras províncias.
11 de maio – O Talibã toma o distrito de Nerkh, nos arredores da capital, Cabul.
2 de julho – Sem fazer comunicado, as tropas americanas saem de sua principal base militar no Afeganistão, a base aérea de Bagram, nas proximidades de Cabul. Isso efetivamente marca o fim do envolvimento dos EUA na guerra.
21 de julho – O Talibã controla cerca de metade dos distritos do país, de acordo com o general dos EUA.
Observa-se uma grande escalada do grupo e a velocidade de seu avanço.
14 de agosto – O Talibã toma a maior cidade do norte, Mazar-i-Sharif, e, com pouca resistência, Pul-e- Alam, capital da província de Logar, localizada a apenas 70 km ao sul de Cabul.
15 de agosto – O Talibã toma a cidade de Jalalabad, no leste, sem lutar. Os insurgentes cercam a capital Cabul.
22 de 51 |www.direcaoconcursos.com.br ESTADO ISLÂMICO
Em 2014, em seu auge, o Estado Islâmico (EI ou ISIS, na sigla em inglês) chegou a controlar no Iraque e na Síria um território equivalente ao do Reino Unido. O regime foi imposto a 12 milhões de pessoas e era financiado pela comercialização ilegal de petróleo.
A organização era liderada pelo iraquiano Abu Bakr Al Bagdadi, que proclamou o califado em julho de 2014 na mesquita Al Nuri de Mossul, uma grande cidade do norte do Iraque, recuperada pelo exército iraquiano em julho de 2017.
O grupo extremista, o mais brutal da história contemporânea, espalhou o terror com decapitações, execuções em massa, sequestros e estupros. Também raptou estrangeiros e reivindicou atentados na Síria, assim como em outros países árabes ou asiáticos e inclusive no Ocidente, além de ter destruído tesouros arqueológicos.
Embora o EI já não controle territórios, especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) calculam que o grupo extremista ainda tenha até 10 mil combatentes na Síria e no Iraque.
Avalia-se que, mesmo após a eliminação de territórios sob seu controle, a influência do grupo jihadista pela internet ainda deve perdurar e pode estimular ataques contra o Ocidente. Ao longo dos últimos anos, o grupo se especializou em promover na internet a propaganda do terror, com vídeos de execuções e atentados.
Em janeiro de 2021, por exemplo, o grupo jihadista Estado Islâmico lançou mais de 100 ataques na região Nordeste da Síria no último mês, além de ações noturnas de violência em muitas cidades e vilas. A violência está concentrada na província desértica de Deir al-Zour. No período, aconteceram decapitações, bombas, motoqueiros suicidas, assassinatos e sequestros.
Em 2020, o Estado Islâmico afirmou ter realizado quase 600 ataques na Síria e mais de 1.400 no Iraque.
23 de 51 |www.direcaoconcursos.com.br CATAR
Aproveitando para fugir um pouco de todos esses conflitos que afligem os complexos interesses geopolíticos do Oriente Médio, é importante lembrar que o Catar será a sede da Copa do Mundo de 2022 da FIFA, algo que vem sendo cobrado em provas de concurso pelo menos desde 2019, como podemos observar na questão a seguir:
Questão para fixar
(AMEOSC - Prefeitura de São José do Cedro-SC - 2019)
Com base na notícia a seguir e utilizando seus conhecimentos sobre o assunto, analise o trecho e assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna:
“Fifa divulga o logo da Copa do Mundo de 2022, no __________. Curvas fazem alusão às ondulações das dunas do deserto do país e ao símbolo do infinito.”
(Fonte adaptada:< https://globoesporte.globo.com/>acesso em 03 de setembro de 2019).
a) México b) Japão c) Chile d) Catar Comentário:
Daqui a pouco a Globo vai falar tanto disso que vai ser impossível errar esta questão.
A Copa do Mundo de futebol de 2022 será realizada no Catar.
Gabarito: D
24 de 51 |www.direcaoconcursos.com.br ISRAEL
Em setembro de 2020, Donald Trump foi o responsável por presidir a cerimônia de assinatura dos acordos que normalizam as relações entre Israel e dois países árabes, os Emirados Árabes e o Bahrein. Estes foram os primeiros países árabes a assinar um acordo com Israel nos últimos 40 anos.
Os defensores do acordo dizem que ele traz uma oportunidade para avançar o processo de paz na região.
Segundo seus termos, Israel vai pôr um freio à anexação de territórios palestinos ocupados. Em troca, os Emirados Árabes e o Bahrein vão normalizar suas relações com Israel.
Em contrapartida, os críticos destacam que em troca de pouco, ou quase nada — que foi o recuo no plano de anexação que havia feito diante de críticas de todo o mundo —, Israel conseguiu normalizar sua relação com dois países que, como a maioria das nações árabes, se negava a reconhecer o Estado israelense, acusando o de ocupação ilegal em terras palestinas.
De qualquer modo, o acordo é um marco histórico.
Em outubro de 2020, Israel e o Sudão fecharam um acordo de paz histórico, novamente mediado pelos Estados Unidos.
Um dos maiores países muçulmanos da África, o Sudão vinha sendo sancionado pelos EUA desde a década de 90 por dar refúgio ao então líder da Al Qaeda, o terrorista Osama bin Laden. O acordo com Israel, aliado americano no Oriente Médio, deve favorecer também a relação com os EUA.
Até os acordos de 2020, Israel só tinha relações diplomáticas com dois países vizinhos: o Egito (desde 1979) e a Jordânia (desde 1994).
Uma das motivações nos acordos recentes são as desavenças dos países com relação ao Irã, que vem tentando ampliar sua influência política e militar e investindo em um programa nuclear, o que desagrada a alguns dos países da região.
A relação entre os árabes e Israel é tensa desde a criação do Estado israelense em 1948, após a Segunda Guerra Mundial. Os países da região e Israel têm entrado em conflito diante da situação dos palestinos, que advogam por um Estado próprio.
A situação do Estado Palestino não foi solucionada em nenhum dos acordos recentemente fechados por Israel com os vizinhos árabes.
Os acordos ampliam as relações diplomáticas e econômicas do mundo árabe com Israel. Com o acordo com os Emirados Árabes, por exemplo, moradores de Israel poderão visitar destinos turísticos badalados do Golfo Pérsico, como Dubai — e vice-versa, o que antes era proibido. Ou, ainda, abrir empresas ou aportar recursos em fundos sediados nos países.
Vejamos como, em 2021, este assunto foi cobrado:
Questão para fixar
(AMEOSC - Prefeitura de Dionísio Cerqueira/SC - 2021)
No ano de 2020, Israel conseguiu inserir um novo país árabe entre seus aliados diplomáticos, somando-se ao Egito e a Jordânia. Este acordo prevê, além de aproximações econômicas, a suspensão da soberania de Israel sobre a região da Cisjordânia. O país em questão é:
a) Líbia.
b) Síria.
c) Afeganistão.
d) Emirados Árabes.
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Comentário:Em setembro de 2020, Donald Trump foi o responsável por presidir a cerimônia de assinatura dos acordos que normalizam as relações entre Israel e dois países árabes, os Emirados Árabes e o Bahrein. Estes foram os primeiros países árabes a assinar um acordo com Israel nos últimos 40 anos.
Até os acordos de 2020, Israel só tinha relações diplomáticas com dois países vizinhos: o Egito (desde 1979) e a Jordânia (desde 1994).
Gabarito: D
Acordo do Século para o Oriente Médio
Apresentado pelos EUA juntamente ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o Acordo do Século para o Oriente Médio tem como finalidade resolver os conflitos históricos entre Israel e a Palestina.
Entre os pontos da proposta está o reconhecimento de Israel como Estado judeu e Jerusalém como sua
“capital indivisível”, o que atende demandas israelitas. Além disso, o acordo permite a Israel a anexação de todas as colônias na Cisjordânia e todo Vale do Jordão, dando soberania sobre os colonatos lá construídos – estas disposições são contrárias às resoluções da ONU, que exigem a retirada de Israel dos territórios ocupados após 1967 e o retorno dos refugiados.
Em relação à Palestina, foram ofertados caminhos para formação de seu Estado. Primeiro, o território palestino mais que dobraria de tamanho e o Estado também possuiria uma capital própria em Jerusalém Oriental — onde os EUA abriram uma embaixada. No entanto, não foi explicado exatamente como essa aparente contradição em relação a Jerusalém seria resolvida no plano.
A proposta para criação do Estado palestino esbarra em alguns empecilhos: o território dos palestinos fica aberto a negociações e seria congelada a construção de novos assentamentos por quatro anos. Durante este período, a proposta de paz poderia ser analisada pelas autoridades e negociada com Israel para atingir os critérios necessários para se fazer um Estado — considerando obrigatoriamente o abandono do terrorismo (na visão de Israel) e acordos de segurança com Israel.
Conflito Israel x Palestina em 2021
Em maio de 2021, houve uma escalada de violência entre Israel e o Hamas, o grupo extremista que controla a Faixa de Gaza. O conflito se arrasta há décadas e mistura componentes políticos e religiosos.
O que está na Mídia:
Conflito entre Israel e palestinos: o que está acontecendo e mais 5 perguntas sobre a onda de violência
Recente escalada de violência renovou atenções do mundo para um conflito que se arrasta por décadas - e também trouxe à tona muitas perguntas.
A recente escalada de violência entre Israel e o Hamas, o grupo extremista que controla a Faixa de Gaza, atraiu novamente as atenções do mundo para um conflito que se arrasta por décadas, misturando política e religião.
E que já deixou mortos e feridos de ambos os lados, sendo a maior parte das vítimas em território palestino.
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O QUE ESTÁ ACONTECENDO EM ISRAEL?
O conflito entre israelenses e palestinos já existe há muito tempo, mas o gatilho para a nova escalada de violência teve origem nas ameaças de despejo de famílias palestinas de Sheikh Jarrah, um bairro fora dos muros da Cidade Velha de Jerusalém.
Tribunais israelenses haviam dado ganho de causa a grupos de colonos judeus que reivindicavam a área em que viviam as famílias.
Mas, como destaca o editor da BBC para o Oriente Médio, Jeremy Bowen, essa é mais do que uma disputa
"por um punhado de casas".
Há décadas, israelenses têm ocupado áreas habitadas por palestinos por meio de assentamentos, tanto em Jerusalém Oriental quanto na Cisjordânia.
Só nesta última, são cerca de 430 mil colonos israelenses distribuídos entre 132 assentamentos.
Essas colônias são consideradas ilegais pela lei internacional. Em pelo menos seis ocasiões desde 1979 o Conselho de Segurança da ONU reafirmou que elas são "uma violação flagrante da legislação internacional". A última delas foi em 2016 - o documento oficial também menciona Jerusalém Oriental.
Já Israel defende as iniciativas argumentando que se trata de uma estratégia de defesa de sua integridade, e não uma tentativa de tomada da soberania palestina.
Segundo Bowen, o fato de o conflito ter desaparecido das manchetes internacionais nos últimos anos, diz ele, não significa que tenha acabado. "É uma ferida aberta no coração do Oriente Médio", diz ele, que gera ódio e ressentimento que atravessa não apenas os anos, mas gerações.
Somado a isso nas últimas semanas, houve a violenta repressão de palestinos por parte da polícia israelense durante o Ramadã, culminando com o uso de gás lacrimogênio e de granadas dentro da mesquita de al-Aqsa, o lugar mais sagrado para os muçulmanos depois de Meca e Medina.
O Hamas, o grupo extremista palestino que controla a Faixa de Gaza, tomou a atitude incomum de emitir um ultimato a Israel para remover suas forças do complexo de al-Aqsa e de Sheikh Jarrah.
Israel não acatou a ordem, e o Hamas então começou a disparar foguetes contra cidades israelenses, incluindo Tel Aviv.
Uma foto registrada durante a noite pelo fotógrafo Anas Baba, da agência de notícias AFP, reflete a violência do conflito entre o exército de Israel e os militantes palestinos, que tem escalado nos últimos dias.
À esquerda, o poderoso sistema israelense de interceptação de mísseis, chamado Domo de Ferro. À direita, os foguetes lançados contra Israel pelo Hamas, partindo de Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza.
As luzes dos projéteis do Hamas refletidas na noite e os mísseis lançados pelo Domo de Ferro se converteram em cenas habituais para os habitantes de Ashkelon, Sderot e outras populações que vivem nos arredores da Faixa de Gaza.
A BBC News Brasil conversou com judeus brasileiros que vivem nos arredores de Tel Aviv. Moradores de Ra'anana, eles falaram sobre os momentos de angústia e apreensão.
Um deles contou sobre como os foguetes enviados pelo Hamas interromperam um jogo de futebol de imigrantes brasileiros.
"Tudo aconteceu muito rápido, no meio do jogo. Já estávamos jogando havia meia hora. Quando tocou a sirene, corremos em direção ao salão de ginástica do clube, que fica no subsolo, designado como nosso abrigo oficial", diz Uri Blankfeld, organizador da partida, que emigrou de São Paulo para Israel há cinco anos.
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QUAL É A ORIGEM DO CONFLITO ISRAEL X PALESTINOS?
As tensões entre os dois povos aumentaram quando a comunidade internacional deu ao Reino Unido a tarefa de estabelecer um "lar nacional" na Palestina para o povo judeu ao fim da 2ª Guerra Mundial.
Durante esse conflito, ocorreu o chamado Holocausto - o genocídio em massa de milhões de judeus, bem como cidadãos de etnia polonesa, soviéticos, homossexuais, ciganos e prisioneiros de guerra de várias nacionalidades, além de Testemunhas de Jeová e outras minorias a partir de um programa de extermínio sistemático executado pelo Partido Nazista.
O Reino Unido havia assumido o controle da área depois que o ocupante daquela parte do Oriente Médio, o Império Otomano, fora derrotado na 1ª Guerra Mundial e posteriormente desmembrado.
Naquela ocasião, a área era habitada por uma minoria judia e maioria árabe.
Para os judeus, era seu lar ancestral, mas os árabes palestinos também reivindicavam a terra e se opunham à mudança.
Entre as décadas de 1920 e 40, o número de judeus chegando à região cresceu, com muitos fugindo da perseguição na Europa e buscando uma pátria após o Holocausto.
Mas por que Israel? Eles foram incentivados pelo chamado 'sionismo', o movimento nacionalista judaico surgido no século 19 que promovia a ideia de um Estado para o povo judeu.
Ao passo que cresceu o número de judeus emigrando à Palestina, violência entre judeus e árabes e contra o domínio britânico também aumentou.
Em 1947, a ONU votou para que a Palestina fosse dividida em Estados judeus e árabes separados, com Jerusalém se tornando uma cidade internacional.
Esse plano foi aceito pelos líderes judeus, mas rejeitado pelo lado árabe e nunca implementado.
Em 1948, incapazes de resolver o problema, os governantes britânicos partiram e os líderes judeus declararam a criação do Estado de Israel.
Muitos palestinos se opuseram e uma guerra se seguiu. Tropas de países árabes vizinhos invadiram o país recém-independente.
Centenas de milhares de palestinos fugiram ou foram forçados a deixar suas casas no que eles chamam de Al Nakba, ou a "Catástrofe".
Quando o confronto terminou em cessar-fogo no ano seguinte, Israel controlava a maior parte do território.
A Jordânia ocupou terras que ficaram conhecidas como Cisjordânia e o Egito ocupou Gaza.
Jerusalém foi dividida entre as forças israelenses no Ocidente e as forças da Jordânia no Oriente.
Como nunca houve um acordo de paz - cada lado culpou o outro -, houve mais guerras e confrontos nas décadas que se seguiram.
Em outra guerra, em 1967, Israel ocupou Jerusalém Oriental e a Cisjordânia, bem como a maior parte das Colinas de Golã da Síria, Gaza e a península egípcia do Sinai.
A maioria dos refugiados palestinos e seus descendentes vivem em Gaza e na Cisjordânia, bem como nas vizinhas Jordânia, Síria e Líbano.
Nem eles nem seus descendentes foram autorizados por Israel a retornar para suas casas - Israel diz que isso sobrecarregaria o país e ameaçaria sua existência como um estado judeu.
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Israel ainda ocupa a Cisjordânia e, embora tenha saído de Gaza, a ONU ainda considera aquele pedaço de terra como parte do território ocupado.
Israel reivindica toda Jerusalém como sua capital, enquanto os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como a capital de um futuro estado palestino. Os Estados Unidos são um dos poucos países a reconhecer a reivindicação de Israel sobre a cidade inteira.
Nos últimos 50 anos, Israel construiu assentamentos nessas áreas, onde vivem mais de 600 mil judeus.
Os palestinos dizem que isso é ilegal segundo a lei internacional e é um obstáculo à paz, mas Israel nega isso.
O QUE É A FAIXA DE GAZA?
A Faixa de Gaza é um estreita faixa de terra localizada na costa oriental do Mar Mediterrâneo. Faz fronteira com Israel no leste e no norte e com o Egito a sudoeste.
O território tem 41 quilômetros de comprimento e apenas de seis a 12 quilômetros de largura, com uma área total de 365 quilômetros quadrados.
Isso equivale a pouco mais de um terço da área total da cidade do Rio de Janeiro. Ou pouco mais de um quarto da área total da cidade de São Paulo.
Mas sua população é de cerca de 1,9 milhão de pessoas, o que a torna um dos territórios mais densamente povoados do planeta.
A imensa maioria de seus habitantes (98% a 99%) é palestina. Os últimos 21 assentamentos judeus na área foram desmontados em 2005 e seus colonos, evacuados. Naquele ano, os militares israelenses desocuparam o território.
Chama-se Faixa de Gaza devido à cidade de Gaza, cuja existência remonta à Antiguidade, e é governada pelo grupo extremista palestino Hamas.
O QUE É O HAMAS?
O Hamas é o maior dentre diversos grupos de militantes islâmicos da Palestina.
O nome em árabe é um acrônimo para Movimento de Resistência Islâmica, que teve origem em 1987 após o início da primeira intifada palestina, ou levante, contra a ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Em seu estatuto, o Hamas se comprometeu com a destruição de Israel.
O grupo inicialmente tinha o duplo propósito de implementar uma luta armada contra Israel, liderada por seu braço militar, as Brigadas Izzedine al-Qassam, e de oferecer programas de bem-estar social aos palestinos.
Mas desde 2005, quando Israel retirou tropas e colonos de Gaza, o Hamas também se envolveu no processo político palestino. Venceu as eleições legislativas em 2006, pouco antes de reforçar seu poder no ano seguinte, derrubando o movimento rival Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.
Desde então, militantes em Gaza travaram três guerras com Israel, que junto com o Egito manteve um bloqueio na região para isolar o Hamas e pressioná-lo a interromper os ataques.
O Hamas como um todo, ou em alguns casos sua ala militar, é classificado como um grupo terrorista por Israel, Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido, bem como outras potências globais.
Em sua fundação, o Estatuto do Hamas definiu a Palestina histórica, incluindo a atual Israel, como terra islâmica e exclui qualquer paz permanente com o Estado judeu.
O documento também ataca os judeus como povo, fortalecendo acusações de que o Hamas é antissemita.